[preview] Boston Celtics x Cleveland Cavaliers

[preview] Boston Celtics x Cleveland Cavaliers

[1] Boston Celtics x [2] Cleveland Cavaliers

Quando perguntado sobre as chances do Boston Celtics contra o atual campeão da NBA, o ala Jae Crowder invocou o discurso eterno do jogador injustiçado: “Ninguém acredita na gente. Ninguém acreditou nas outras duas séries também”.

Ele não está totalmente certo nem totalmente errado. Contra o Chicago Bulls, TODOS os colunistas da ESPN gringa apostaram nos verdinhos. Tá bom que vários colocaram vitória em 7 jogos e previram uma série sofrida, mas eles erraram? Pois é. Contra o Washington Wizards a maioria realmente escolheu o time da capital, mas foi por pouco, 11 a 10. Não dá pra dizer que estavam todos contra e duvidando. E contra o Cavs? Aí sim, não houve um apostando no time com mando de quadra. Finalmente você está certo, Crowder. Agora é zebra!

Um bom começo para o time verde nesta disputa é usar o coitadismo como motivação. Nos primeiros jogos contra o Bulls o time parecia realmente com medo que as dúvidas sobre eles fossem reais, só depois começou a soar mais como um time que parecia disposto ao bom e velho “calar os críticos”. A postura é ainda mais importante neste caso porque o Cleveland Cavaliers é um ótimo time na arte de pisar e humilhar seus adversários. Eles vão ter sequências absurdas de pontos, LeBron James e Kyrie Irving irão parecer indefensáveis e tem dias que vão chover bolas de 3 pontos. Times como o Toronto Raptors acabam aceitando a inferioridade e fazem ainda menos do que podiam, é preciso ter confiança, cabeça e casco grosso para saber sobreviver aos momentos de dominância do Cavs e responder quando eles estiverem mais vulneráveis.

O Celtics soube fazer isso após os momentos de domínio na série contra o Wizards. Nos Jogos 1 e 2 voltaram de buracos fundos cavados no primeiro quarto, no Jogo 5 a equipe se mostrou forte após ser SURRADA duas vezes em Washington. Pode ter sido um bom teste para um time que precisa saber que tem forças para reagir quando for agredido. Mas a mentalidade e a confiança são detalhes que só fazem a diferença quando há talento, técnica e tática funcionando. Será que nesse ponto os verdinhos dão conta?

Toda série que envolve o Cleveland Cavaliers envolve a pergunta mais básica de todas: alguém consegue marcar LeBron James? Nas últimas 5 finais, três foram vencidas por ele, que foi MVP da decisão. Nas duas que perdeu o jogador mais valioso foi o cara cuja única função era defendê-lo: Kawhi Leonard e Andre Iguodala. Eles não anularam LeBron ou nada assim, mas impediram o domínio completo e absoluto, era o bastante para que seus times tivessem chance. Se formos mais atrás no tempo, dá pra lembrar de Paul Pierce ou até Mickael Pietrus tendo papeis decisivos em impedir King James de colocar jogos e times inteiros no bolso.

No Celtics esse papel deve ser, a princípio, de Jae Crowder. O ala é bom defensivamente, mas não sei se é bom o bastante para aguentar o tranco de marcá-lo sem muita ajuda. A ideia de não mandar marcação dupla ou tripla é importante para não deixar todos os mil arremessadores do Cavs sem marcação, LeBron SEMPRE encontra eles. Mas o Celtics costuma variar a marcação sobre ele. Certamente veremos momentos de Avery Bradley, Marcus Smart e até, acredito, Jaylen Brown. Alguém precisa causar dor de cabeça, ou já era.

Se o Celtics precisar dobrar sobre LeBron em todos os lances, as bolas de 3 do atual campeão vão começar a voar, aí é difícil de acompanhar. Nos 4 jogos contra o Toronto Raptors, o Cavs acertou 61 bolas de 3 pontos (183 pontos!), o time canadense fez 27 (81 pontos). É muito ponto de diferença! Mesmo que o Raptors tivesse respondido cada bola de longa distância com uma enterrada, não seria o bastante para dar conta do ponto extra. Então para o Celtics entrar no jogo eles precisam limitar os arremessos do Cavs (na medida do possível ao menos!) e eles mesmos precisam acertar os seus. O time tenta bastante, isso não deve ser problema, mas precisam igualar o adversário também no aproveitamento. Contra o Wizards vimos Avery Bradley pegando fogo, Al Horford acertando insustentáveis 60% de longa distância e até Marcus Smart, péssimo nos arremessos de longe, acertando bolas decisivas no Jogo 7. Vão precisar de todo mundo.

Outra questão importante acontece quando esses arremessos não entram: rebotes. Falamos isso em todos os previews e até agora tem sido realmente um problema. O Celtics sofre com os rebotes de ataque do adversário e só alivia a barra quando joga com Amir Johnson ao lado de Al Horford, o que acaba prejudicando o ataque. Nessa série eles enfrentarão Tristan Thompson, que simplesmente ENGOLIU Al Horford nas séries entre Cavs e Hawks nos últimos anos e que é o segundo melhor da NBA em aproveitamento de rebotes ofensivos de média nestes Playoffs. O primeiro? Robin Lopez, que maltratou o Celtics na primeira rodada. Se já estamos dizendo que o Cavs faz pontos de 3 em 3, é importante não deixar que eles ainda por cima arremessem mais.

Na semi do Leste, o Celtics transformou esse problema em solução na segunda metade da série. O Wizards comprometeu a sua defesa de transição por pedir para Marcin Gortat, Markieff Morris e Otto Porter sempre lutarem por rebotes de ataque. Quando o Celtics conseguia impedi-los de garantir a posse de bola, o caminho estava livre para o contra-ataque. Se no começo da série o ataque rápido de transição era a grande arma do Wizards, liderados pela velocidade da luz de John Wall, no final foi o que fez a diferença a favor do Celtics. Espero um Celtics bem agressivo na defesa, tentando forçar erros e saindo correndo desesperadamente quando tiver a chance.

Mas tem alguma área onde o Celtics tem real vantagem? Não sei se é vantagem, mas o time é talvez o mais equipado da NBA para marcar Kyrie Irving no mano-a-mano. Ninguém para o melhor jogador da NBA em jogadas individuais, mas o Celtics pode ao menos não ser DILACERADO como foi o Raptors, que não sabia mais o que fazer para impedir Irving de entrar no garrafão quando queria. Com Avery Bradley e Marcus Smart eles podem causar problemas. Com os quintetos mais baixos ainda podem se dar ao luxo de trocar a marcação a cada pick-and-roll e manter bons defensores sempre na frente dele.


MALDIÇÃO BOLA PRESA

O Boston Celtics, até por ter mando de quadra, tem uma chance de causar problemas, empurrar essa série para os últimos jogos e lá tentar ver o que acontece, mas só um MALUCO apostaria contra LeBron James do jeito que ele está jogando. O Cavs mostrou alguma melhora defensiva na última série (muito é culpa do Raptors, é verdade) e ainda esperamos pra ver como atuam agora, mas mesmo que não defendam tão bem, ninguém parece ter resposta para o veneno de LeBron James e Kyrie Irving fatiando defesas enquanto eles são cercados por alguns dos melhores arremessadores do mundo. O poder dos rebotes de Kevin Love e Tristan Thompson só deixam tudo mais complicado para o Celtics.

Torcemos, porém, para Al Horford e Isaiah Thomas jogarem no nível altíssimo da última série para que esse duelo vá longe. Se o pivô jogar bem quando estiver longe da cesta, armando o jogo às vezes, como fez contra o Wizards, poderá forçar o Cavs a dar até menos minutos para Thompson.

Como já dissemos, não temos nenhum problema com um novo Cavs/Warriors na Final, mas seria bem legal vê-los serem desafiados de verdade antes disso. Será que o Celtics, que venceu um Jogo 7 na segunda-feira e garantiu a primeira escolha no Draft deste ano na terça, consegue manter a semana dos sonhos?

[Resumo da Rodada] O vazio

[Resumo da Rodada] O vazio

Jonathan Simmons foi titular para o Spurs no Jogo 2 e foi sem dúvidas o melhor jogador de sua equipe, com 22 pontos em apenas 25 minutos e a determinação de encontrar cestas mesmo quando as jogadas eram quebradas pela defesa do Warriors. Mas ninguém foi capaz de olhar para Simmons e vê-lo ali: só dava pra ver que Simmons representava o vazio deixado pelo lesionado Kawhi Leonard.

Para muitos, a partida de ontem – que viu o Golden State Warriors liderar o jogo por 41 pontos e vencê-lo por 36, com um quarto período inteiro em que os principais jogadores descansaram – foi uma surra tática impressionante, com a equipe da casa mostrando um repertório com o qual o atual Spurs não pode sequer sonhar. Mas para o técnico Gregg Popovich, mais do que tática, a derrota foi uma questão de falta de esforço, de descrença, de incapacidade de seu elenco acreditar que era possível vencer sem Kawhi. Assim, o jogo acaba sendo não sobre o que aconteceu em quadra, mas sobre o que não aconteceu, sobre o que não estava lá. O vazio tomou nossa capacidade de apreciar um jogo de basquete.