Danilo

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

[Resumo da Rodada] Kyrie Irving contra o mundo

[Resumo da Rodada] Kyrie Irving contra o mundo

A série entre Boston Celtics e Cleveland Cavaliers resolveu em definitivo nos surpreender. Depois de dois jogos completamente esquecíveis em que o Cavs parecia um rolo compressor, tivemos um Jogo 3 em que apesar de estar perdendo por 21 pontos no meio do terceiro período fora de casa sem sua principal estrela, o Celtics arrancou uma vitória da orelha (e das bolas de três pontos do Marcus Smart). Na noite de ontem, Jogo 4, outra surpresa: ainda em Cleveland, Cavs perdendo por 16 pontos, LeBron James errando ENTERRADA LIVRE, Kyrie Irving torcendo feio o tornozelo, e eis que quando parece que a série vai empatar e se tornar a coisa mais incompreensível desde a carreira do Kléber Bambam, o Cavs vence a partida por 13 pontos de diferença. Ao menos foi uma mudança de tom: a vitória do Cavs foi a coisa SURPREENDENTE dessa vez.

[Resumo da Rodada] A carta branca

[Resumo da Rodada] A carta branca

Já vimos no Jogo 3 entre Spurs e Warriors que, ainda que não tenha sido suficiente, o Spurs sem Kawhi Leonard é capaz de criar algumas situações bem desconfortáveis para o adversário. No Jogo 4 não foi diferente: mais uma vez a defesa do Spurs conseguiu se antecipar à movimentação do Warriors, apertando os adversários mesmo sem a bola e ocupando os espaços que o Warriors desejava tomar para suas jogadas futuras. Agindo dentro do hábito de trocar bons arremessos por arremessos ainda melhores (que discutimos amplamente nesse post aqui) o Warriors continuou perdendo boas oportunidades de arremesso e desperdiçando a bola tentando encontrar jogadores livres onde o Spurs impedia que eles estivessem. Stephen Curry não teve seus arremessos de três pontos livres habituais e Kevin Durant foi marcado de perto por Jonathon Simmons e Danny Green.

[Resumo da Rodada] O outro Spurs

[Resumo da Rodada] O outro Spurs

Uma coisa é o Spurs perder Kawhi Leonard no meio de uma partida, durante o melhor momento do Warriors num jogo, e outra coisa é começar uma partida já tendo a ausência de Kawhi considerada no plano de jogo. O elenco do Spurs pode gerar mil ressalvas, mas ao menos temos a garantia de que o técnico Gregg Popovich o colocará para jogar de maneira inteligente e capaz de alcançar o melhor resultado possível.

Com Kawhi ainda fora graças à sua torção de tornozelo – que, tudo indica, também o deixará fora do Jogo 4 dessa série – o que pudemos ver foi o outro Spurs, aquele que depende única e exclusivamente do basquete coletivo, aquele que não pode se safar das jogadas quebradas com um arremesso heroico, frio e calculista, aquele que precisa impor o tempo inteiro seu ritmo, no ataque e na defesa, por não poder contar com uma força defensiva individual. Não há ninguém para cobrir as dificuldades defensivas de Pau Gasol e David Lee, ninguém para limpar os erros de troca de passes e ninguém para garantir a eficiência da transição defensiva. A noite de ontem foi como olhar por uma brecha no espaço-tempo rumo a um Spurs de tempos atrás, um time sem subterfúgios, em que o basquete precisa ser bem jogado sem nenhuma margem para erros. Por um lado, essa responsabilidade dividida por inteiro nos mostrou quão bons são alguns dos jogadores pouco utilizados do elenco e quão eficiente é a mente de Popovich; por outro, expôs o fato de que alguns membros desse time não estão à altura, ofensiva e defensivamente, e que infelizmente – porque o tempo às vezes É UMA MERDA – Ginóbili já tem 39 anos em cima de seus joelhos combalidos.

🔒 LeBron James, o arremessador

🔒 LeBron James, o arremessador

Quando chegou em Cleveland, o veterano Kyle Korver admitiu estar inteiramente chocado com a atenção que LeBron James dedicava à academia. Com ambos na décima quarta temporada de suas carreiras, seria completamente compreensível se apenas colhessem os frutos dos anos de trabalho e de suas posições já estabelecidas na elite da NBA. Ao contrário, Korver disse que LeBron levantava pesos duas vezes por dia mesmo sem nenhuma orientação da comissão técnica a respeito. Mais assustador ainda: segundo relatos de Korver, após uma partida de 33 pontos e 10 rebotes em que jogou 38 minutos, LeBron foi o primeiro a estar na academia na manhã seguinte, cuidando de seu condicionamento numa máquina conhecida como “Versa Climber”.

[Resumo da Rodada] O vazio

[Resumo da Rodada] O vazio

Jonathan Simmons foi titular para o Spurs no Jogo 2 e foi sem dúvidas o melhor jogador de sua equipe, com 22 pontos em apenas 25 minutos e a determinação de encontrar cestas mesmo quando as jogadas eram quebradas pela defesa do Warriors. Mas ninguém foi capaz de olhar para Simmons e vê-lo ali: só dava pra ver que Simmons representava o vazio deixado pelo lesionado Kawhi Leonard.

Para muitos, a partida de ontem – que viu o Golden State Warriors liderar o jogo por 41 pontos e vencê-lo por 36, com um quarto período inteiro em que os principais jogadores descansaram – foi uma surra tática impressionante, com a equipe da casa mostrando um repertório com o qual o atual Spurs não pode sequer sonhar. Mas para o técnico Gregg Popovich, mais do que tática, a derrota foi uma questão de falta de esforço, de descrença, de incapacidade de seu elenco acreditar que era possível vencer sem Kawhi. Assim, o jogo acaba sendo não sobre o que aconteceu em quadra, mas sobre o que não aconteceu, sobre o que não estava lá. O vazio tomou nossa capacidade de apreciar um jogo de basquete.

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