Danilo

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

O experimento Chris Paul

O experimento Chris Paul

O Houston Rockets atual é montado em cima de dois preceitos: o primeiro, estocar o máximo possível de talento, correndo atrás de qualquer estrela que fique minimamente disponível, sem medo de fazer trocas; o segundo, arremessar o máximo possível de bolas de 3 pontos. O problema é que nem sempre o primeiro preceito favorece o segundo. O Rockets fez questão de adicionar Dwight Howard em 2013, por exemplo, mesmo que ele não se encaixasse nos planos táticos da equipe, tudo com a alegação de que “talento era o mais importante, o resto fariam funcionar”. Dica: não funcionou. Na primeira temporada sem Dwight o Rockets venceu 55 partidas, a terceira melhor campanha da Liga. Antes disso, ainda com o pivô, foram apenas 41 vitórias e uma suada oitava colocação no Oeste.

Mas é claro que, seguindo os dois preceitos, o time de 55 vitórias da temporada passada não durou muito tempo. Patrick Beverley e Lou Williams, membros importantes do elenco, foram trocados por Chris Paul, prova inquestionável do conceito de estocar o máximo possível de talento quando algum jogador é colocado no mercado. Chris Paul é um dos maiores passadores da história da NBA e um dos grandes nomes da sua geração, de modo que o Rockets jamais seria capaz de resistir à oportunidade – mesmo que, em teoria, Chris Paul e James Harden parecessem excludentes, dois jogadores que demandam a bola e que não poderiam, em condições normais, co-existir na mesma quadra. “Talento é o que importa, a gente faz o resto funcionar”. Foi balbuciando essas palavras que o fantasma do Dwight Howard de vermelho puxou o pé de todos os torcedores do Rockets de noite, e nos ensinou que nenhum jogador é bom o suficiente para encaixar em qualquer esquema tático, em qualquer situação.

🔒As torres solitárias

🔒As torres solitárias

Juntar no mesmo quinteto titular Anthony Davis e DeMarcus Cousins pode parecer um sonho, a princípio. Com apenas 24 e 27 anos respectivamente, a dupla ainda é jovem, caminhando para o auge de suas carreiras, e em termos de talento são sem sombra de dúvidas dois dos melhores jogadores da NBA na atualidade. Mas essa união cobra um preço imediato: como unir dois pivôs simultaneamente em quadra num momento em que o basquete mostra cada vez mais o sucesso de times sem pivô algum? Com os pivôs tradicionais perdendo valor de maneira frenética, desaparecendo dos principais elencos da Liga, eis que presenciamos o técnico Alvin Gentry encarar a ingrata tarefa de usar dois pivôs ao mesmo tempo – e, mais do que isso, dois pivôs que nunca estiveram cercados por muita disciplina tática e que não conhecem muito bem o prazer de vencer jogos de basquete.

🔒Esperança para Andre Drummond

🔒Esperança para Andre Drummond

O técnico Stan Van Gundy é o responsável por montar um Orlando Magic que chegou às Finais da NBA em 2009. Seu conceito, ousado na época, era manter Dwight Howard como única peça de garrafão e cercá-lo de arremessadores de três pontos – inclusive pagando um polêmico contrato que tornou o especialista em bolas de três pontos Rashard Lewis um dos 10 jogadores mais bem pagos da NBA naquele momento. Para termos uma ideia, aquele Magic arremessava 26 bolas de três pontos por jogo (uma a menos que o líder da NBA, o Knicks, e 5 a mais do que o terceiro colocado), liderando a Liga em bolas de 3 pontos convertidas por jogo com 10. A estratégia dava a Dwight Howard mais espaço para atuar embaixo da cesta ao mesmo tempo em que colocava pouco a bola em suas mãos, fazendo com que ela rodasse continuamente no perímetro.

Quando Stan Van Gundy foi contratado para comandar o Pistons em 2014, esperava-se que ele repetisse a mesma estratégia, mas dessa vez com o promissor Andre Drummond no lugar de Dwight Howard. Com as bolas de três pontos em alta, o plano de Van Gundy não seria ousada, mas simplesmente “antenado com os novos tempos”. O plano era finalmente tornar o Detroit Pistons um time moderno.

“Eu não quero estar aqui”

“Eu não quero estar aqui”

A estreia do Phoenix Suns nessa temporada foi certamente traumática: uma derrota para o Blazers, jogando em casa, por 124 a 76, nada menos do que 48 pontos de diferença – e isso porque o Suns cortou a diferença, que chegou a CINQUENTA E OITO PONTOS no meio do quarto período. Os dois jogos seguintes não foram muito melhores: o Suns tomou 132 pontos do Lakers numa derrota apertada, e depois tomou 130 pontos do Clippers numa derrota por 42 pontos de diferença. Era evidente que algo não estava normal, que os jogadores não estavam comprometidos, que o time estava se desmanchando como gelatina.

Mas não é como se as derrotas fossem algo fora do normal em Phoenix nos últimos anos. Na temporada passada foram apenas 24 vitórias, uma mini-micro-nano melhora da temporada anterior, quando venceram míseras 23 partidas. Basicamente, o Suns não é um lugar muito fácil para se estar – ou para torcer – desde as Finais da Conferência Oeste em 2010, quando o time iniciou uma reconstrução que já recomeçou mais de uma vez.

Por isso o desabafo de Eric Bledsoe no Twitter, com um simples e seco “Eu não quero estar aqui”, foi perfeitamente compreensível. É difícil ser um bom jogador e estar num ambiente tão contaminado pelas derrotas e pela falta de perspectiva.

🔒Os problemas do Cavs

🔒Os problemas do Cavs

Vindo de três derrotas consecutivas, o técnico Tyronn Lue resolveu enfim falar publicamente sobre sua equipe. Elogiou o entrosamento entre os jogadores fora da quadra e o clima da equipe, mas apontou a EXTREMA falta de comunicação durante os jogos, disse que os jogadores passaram por uma “reunião a portas fechadas” para expor as dificuldades e frustrações, e terminou com uma de suas reclamações de longa data: problemas de condicionamento.

Quando Tyronn Lue assumiu o Cavs na temporada 2015-16, suas primeiras afirmações foram sobre como o time precisava jogar mais rápido, aumentar o número de posse de bolas e colocar em prática um ritmo mais “moderno”, mas que essa proposta levaria tempo porque os jogadores estavam ainda enfrentando dificuldades com o condicionamento físico. Quando o pulmão dos jogadores alcançou suas expectativas, o time de fato engrenou a ponto de se sagrar campeão da NBA naquela temporada. Trazer essa mesma reclamação duas temporadas depois é expor que o Cavs não é apenas um time com problemas de entrosamento em quadra, se acostumando com as novas peças e enfrentando a ausência de alguns jogadores lesionados, mas também um time de gente desinteressada que não está em condições físicas de correr e se esforçar como deveria. Foi um cutucão em todo mundo da equipe não chamado LeBron James, que é um maníaco por preparação física e está sempre no que parece ser a melhor forma de sua carreira.

Como a equipe reagiu então a essa reunião a portas fechadas e o cutucão público do técnico ao condicionamento e ao esforço? Perdendo para o feio-porém-arrumadinho Indiana Pacers, que estava jogando sua segunda partida em dois dias, enquanto o Cavs vinha de dois dias de descanso. O que deveria ter sido uma chacoalhada para acordar o time se transformou na quarta derrota consecutiva – incluindo derrotas para times que não são nenhuma potência, como Nets e Knicks (a derrota para o Magic a gente perdoa).

Dada a intervenção de Tyronn Lue, não posso deixar de imaginar que na derrota contra o Pacers o Cavs estava SE ESFORÇANDO, tentando quebrar o ciclo de derrotas e mostrar que a reunião interna deu resultado. Justamente por isso é tão assustador que tenhamos visto uma atuação tão ruim do time que todo mundo já contava como campeão da Conferência Leste. Separei então abaixo uma série de jogadas da partida contra o Pacers para analisarmos quais estão sendo as dificuldades do time e como as derrotas estão vindo com tanta frequência.

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