Danilo

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

Podcast Bola Presa – Edição 116

Podcast Bola Presa – Edição 116

Bem amigos do Bola Presa, mais um podcast no ar!

Nesse episódio especial sobre o Draft 2017 falamos sobre os principais jogadores escolhidos na noite desta quinta-feira. Mas para entender tudo que aconteceu, começamos com as principais trocas: D’Angelo Russell deixando o Lakers em troca de Brook Lopez e a bombástica ida de Jimmy Butler para o Wolves em troca de Zach LaVine e Kris Dunn. Discutimos bastante os motivos do Bulls para a troca e o que esperar do Wolves com a adição de uma estrela. Depois falamos de nossas expectativas com o Sixers, de Lonzo Ball oficialmente no Lakers, da polêmica escolha do Knicks, dos motivos para o Celtics não ter feito nenhuma troca durante o draft, das boas escolhas do Kings, dos planos do Brooklyn Nets, do Spurs preparando o seu futuro, da troca de Dwight Howard para o Hornets e até do Warriors, que conseguiu uma escolha na segunda rodada que indignou toda a NBA. Pra fechar, ainda fizemos um breve draft de Força Nominal para celebrar os grandes nomes dessa safra. Afinal, Ntilikina é ou não uma grande força nominal?

Pra conseguir falar de tudo isso nessa data especial – a noite de draft é a Noite de Ano Novo para os fãs de basquete – tivemos que deixar de lado o “Both Teams Played Hard”. Mas podem ficar tranquilos que as perguntas voltam na semana que vem, quando a NBA certamente estará menos movimentada!

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Mais um fim de temporada

Mais um fim de temporada

Há exatamente um ano atrás, 21 de junho de 2016, decretávamos o fim de mais uma temporada aqui no blog. Desde então foram 241 posts por aqui, uma média de 4,6 posts por semana. É uma marca incrível para um blog feito por apenas dois malucos – especialmente quando a gente se lembra do tamanho médio de cada uma de nossas postagens.

O motivo para conseguirmos essa regularidade nos posts é um só: a ajuda de nossos queridos assinantes, que pela segunda temporada consecutiva tornaram financeiramente possível que nos dedicássemos com esse grau de intensidade ao blog. Por conta disso, nessa temporada produzimos 64 posts especiais apenas para nossos assinantes, incluindo 19 “Filtros Bola Presa” e 11 podcasts especiais. Mas o podcast aberto para todos continuou firme e forte, com 48 edições em um ano e mais duas coletâneas com os melhores momentos dos primeiros 40 episódios.

Os números da pós-temporada são ainda mais impressionantes: em 67 dias tivemos 73 posts, mais de um post por dia, incluindo 11 posts especiais apenas para nossos assinantes. Foram 42 “Resumos da Rodada” em que falamos sobre TODAS as partidas desses Playoffs, além de previews para todas as séries e posts especiais para os assinantes analisando jogadas de todas as partidas das Finais da NBA.

É sempre emocionante ver que o apoio de vocês permitiu que tudo isso aqui existisse. Nos aproximamos cada vez mais da possibilidade de nos dedicarmos exclusivamente ao Bola Presa e o blog é cada vez mais aquilo que sempre sonhamos que ele poderia ser. Abordamos o basquete e o mundo que o cerca com a mesma paixão de sempre, mas compartilhamos essa paixão com cada vez mais gente que têm a imensa generosidade de nos manter produzindo. Agradecemos de coração e esperamos que a enorme quantidade de material que produzimos (já são 120 posts exclusivos para os assinantes) seja pagamento suficiente por esse apoio.

No meio de toda essa bagunça na NBA – já que o basquete não para, recheado de trocas, e contratações, e escolhas de draft – o Bola Presa completará 10 anos de existência dia 3 de julho. Celebraremos com a segunda parte de nossa Retrospectiva (a primeira parte pode ser vista aqui) para olhar para o passado e comemorar termos chegado até aqui. Mas a melhor maneira de realmente festejar esses 10 anos de vida do blog é olhar prioritariamente para o futuro. A temporada acabou mas a NBA – e o Bola Presa – não podem parar. Até mesmo o livro que estamos escrevendo há muito tempo sobre a NBA pós-Jordan (e que vocês podem ler um dos capítulos aqui) está ficando próximo de terminar e receberá bastante atenção nos próximos meses, mas o blog também estará bem movimentado. Essas são as coisas que, se tudo der certo, vocês podem esperar da gente até o início da próxima temporada, em outubro:

  • Um post especial para os assinantes todas as semanas
  • Nossos podcasts semanais e um podcast especial mensal para os assinantes
  • Sorteios mensais de camisetas da NBA
  • A segunda parte da Retrospectiva do Bola Presa
  • Os famosos “Prêmios Alternativos Bola Presa” para a temporada 2016-17
  • Análise de todas as escolhas do draft
  • Análise das principais trocas e contratações
  • O primeiro livro do Bola Presa (que os assinantes poderão espiar em primeira mão)
  • Vídeos com jogatinas de “NBA Playgrounds” e “NBA2K”
  • A volta das camisetas Bola Presa (será que agora finalmente vai?)

Muito obrigado por mais uma temporada! Mal podemos esperar para continuar produzindo o melhor conteúdo possível para todos os nossos leitores, ouvintes e assinantes. Agora, voltemos à programação normal que não falta coisa acontecendo nessa NBA. Vida longa ao Bola Presa! 😉

Podcast Bola Presa – Edição 115

Podcast Bola Presa – Edição 115

Bem amigos do Bola Presa, mais um podcast no ar!

Nesse último episódio da temporada dissecamos o título do Golden State Warriors. Comentamos como as opiniões sobre a série mudaram quando o Cavs conseguiu uma vitória em casa e as mudanças que o Warriors fez para encerrar a série logo em seguida. Sobre o futuro, nos perguntamos o que a NBA pode aprender com o Warriors  (dica: não é estocar talento) e o que o Cavs pode fazer para efetivamente ser um time ainda melhor sem ter que fazer grandes alterações no elenco. Será que tem algum cabimento os boatos de que LeBron James sairia novamente de Cleveland? E quão reais são as possibilidades de que LeBron tivesse outro papel nessa equipe (quem sabe até jogar como pivô)?

No Both Teams Played Hard temos os detalhes explícitos de um ouvinte frustrado sexualmente, dúvidas sobre o sucesso da troca que enviou Kevin Love para o Cavs, o basquete entrando na cultura do futebol e os relatos de uma namorada revoltada porque seu amado seguiu o Instragram da Bruna Marquezine.

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[Resumo da Rodada] “Obrigado por vir”

[Resumo da Rodada] “Obrigado por vir”

“Nós conseguimos”, disse Kevin Durant para sua mãe ainda na quadra, no discurso apressado ao receber o prêmio de MVP das Finais. O “nós” era direcionado à relação entre ele e sua mãe – ambos trabalharam juntos para perseguir sua promessa, feita aos 8 anos de idade, de que um dia seria campeão da NBA. Mas o “nós” funciona igualmente para a relação entre ele e o Warriors, para a coletividade que eles formaram ao longo da temporada. Todo mundo nesse elenco, até mesmo o fundo do banco – incluindo vários que, vez ou outra, foram até mesmo titulares – tem uma função clara e definida no funcionamento tático. Mas nos discursos, todos foram explicitamente claros – até mesmo INSISTENTES – de quão gratos estavam por Durant estar lá. O dono da equipe olhou para o MVP das Finais e disse, com a voz embargada: “Obrigado por vir”. Draymond Green disse que se o resultado da derrota para o Cavs na temporada passada foi receber Durant no elenco, tudo havia valido a pena. Klay Thompson disse que diminuir seu papel na equipe não foi nenhum sofrimento já que Durant, simplesmente por estar presente no time, lhes garantiu 16 vitórias e apenas uma derrota nos Playoffs.

Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green são “crias da casa”; o sucesso dos três sempre aconteceu num ambiente de extrema coletividade, meio “amalgamado”. A ascensão dos três ao patamar de “superestrelas” foi um choque, uma conquista inesperada, nunca anunciada. Durant não: era uma estrela consagrada, um dos grandes – se não o maior – nome de sua geração, legitimado por toda a NBA até dentro de alguns dos piores esquemas táticos que já presenciamos. Para Durant, o Warriors trouxe estrutura, tática, um ambiente sem pressão de profunda coletividade; para o Warriors, Durant trouxe a legitimidade de fora, a etiqueta de “superestrela” inegável que deve fazer brilhar os olhos de Curry e Klay Thompson, dois jogadores que cresceram indissociáveis do Warriors e de seu modelo de basquete, incapazes de usar qualquer coisa senão a si mesmos como parâmetro (sabe quando a gente não sabe se acredita que somos bonitos de verdade só porque foi nossa mãe falou?). De um lado temos Durant validando o modelo e do outro temos o modelo finalmente dando a Durant a plataforma para brilhar. Foi o casamento ideal.

Quando o Cavs liderava o placar, 8 pontos à frente no segundo quarto depois de um período inicial de muita velocidade e agressividade, Durant mostrou que sua passagem pelo Warriors não é como mero espectador, mas como parte fundamental de uma estrutura. Aumentando o ritmo de jogo e punindo qualquer erro do Cavs com arremessos certeiros, Kevin Durant foi parte de uma sequência de 21 pontos feitos e apenas 2 pontos tomados pelo Warriors que virou em definitivo a dinâmica da partida. Foram 3 bolas de três pontos para Durant nesse período, 13 pontos, uma defesa impecável e arremessos oportunistas frente a qualquer deslize adversário. Sob seu comando o Warriors voltou a rodar a bola, dar arremessos rápidos e forçar a defesa do Cavs a tomar decisões. No começo do segundo quarto parecia que o Cavs estava pronto para beber o sangue de criancinhas, destroçar a partida e voltar para Cleveland disposto a mais uma reviravolta inesperada na série. No final do segundo quarto a vantagem do Warriors já era de 17 pontos, a maior do jogo. Já estava tudo acabado.

A partida só não terminou ali de fato porque LeBron James não deixou. Voltou no quarto período disposto a tirar o déficit sozinho, na unha. Graças ao novo espaçamento em quadra que o Cavs adotou desde o Jogo 4 e a pontaria certeira de JR Smith na partida que atraiu efetivamente a marcação, LeBron passou a infiltrar, girar em cima de seus marcadores e finalizar com enterradas ou bandejas apressadas. Era possível ver o senso de urgência, o relógio correndo barulhento logo acima de sua cabeça. Mas se o Cavs foi capaz de fazer as coisas funcionarem no ataque, mesmo que na marra, na defesa a coisa IMPLODIU.

Em modo pânico, precisando urgentemente impedir arremessos, roubar bolas e não ser massacrado por Kevin Durant, a defesa do Cavs passou a cometer erros tolos. Primeiro foi JR Smith, que perseguiu o mesmo jogador que LeBron James; depois foi o próprio LeBron, que errou sua marcação numa transição defensiva; em seguida foi Kyrie Irving, que errou o caminho para fugir de um corta-luz. Os três erros levaram a duas enterradas completamente livres embaixo da cesta e a uma bandeja de Stephen Curry sem ninguém a menos de três passos de distância. Toda vez que LeBron levava a diferença para a casa dos 6, 8 pontos, o Warriors respondia imediatamente num erro defensivo do Cavs. Eventualmente o Cavs errou no ataque – mas Durant não. A três minutos do fim a diferença, ainda que longe das lavadas com as quais nos acostumamos nesses Playoffs, já parecia intransponível. Sempre no limite, o Cavs não resistiu no quarto final a um conjunto de pequenos erros, a algumas bolas forçadas demais, a Kyrie Irving sentindo seu joelho e suas costas, a um ataque que no primeiro tempo dependeu de Tristan Thompson atacando a cesta, correndo de fora do garrafão, porque esse era o único espaço que o Cavs conseguia ter. Com a movimentação sem a bola bem contestada, o Cavs perdeu a confiança em muitas das jogadas que definiram o Jogo 4. No quarto final, todas elas já haviam sido metodicamente abandonadas. Sobrou apenas LeBron, bandeja atrás de bandeja. Do outro lado, sobrou o Warriors inteiro – um “nós” que incluía até a mãe de Kevin Durant, se bobear.

LeBron arremessou 30 bolas e acertou DEZENOVE. Foram 41 pontos, 13 rebotes e 8 assistências. Um esforço ÉPICO que, mais uma vez, aconteceu com certa naturalidade – até o ataque berserker no quarto período, LeBron esteve no papel de facilitador, tentando encontrar as bolas de três pontos de JR Smith, o jogo de costas para a cesta de Kevin Love e até mesmo estabelecendo seu próprio jogo de garrafão, sempre controlando o ritmo dos contra-ataques. O problema é que do outro lado, Kevin Durant fez 39 pontos em míseros 20 arremessos – um ideal de produtividade e eficiência que apenas o Warriors, como modelo, seria capaz de trazer à vida. Isso só foi possível por conta dos 34 pontos e 10 assistências de Curry, das infiltrações e dos arremessos de Andre Iguodala, do espaçamento de Klay Thompson e Draymond Green. Se o elenco inteiro foi tão vocalmente grato a Durant é apenas porque esse grau de eficiência alcançado por ele nessa partida derradeira é a demonstração máxima do que o Warriors, como time, pode fazer pelos seus membros. Foi bonito de ver na cara de todos eles um certo orgulho por ter ajudado a tornar realidade o sonho do amigo – o troféu de MVP das Finais de Durant é, de certa maneira, a consolidação do esforço de todas as partes. Já vimos antes MVPs que fizeram tudo sozinhos e Durant talvez até pudesse ter feito o mesmo, mas não foi essa a escolha do jogador, do elenco e do time.

O agradecimento por sua chegada é o agradecimento por uma escolha que não é apenas prática, é a escolha por um certo tipo de basquete, por uma certa visão do jogo. Talvez LeBron fosse o melhor jogador, talvez o Cavs fosse mais forte e físico e intenso, e até a metade do segundo quarto isso tudo parecia ser suficiente para mais um título. Mas o Warriors escolheu um outro caminho, um caminho muito estranho em que todo mundo que quiser – até o ANTIGO RIVAL – é bem-vindo se quiser contribuir para uma coletividade.

Não podemos esquecer que outros super-times tentaram e falharam, do trio LeBron, Wade e Bosh até os quatro Hall-da-Fama em Los Angeles, com Payton, Kobe, Malone e Shaq. Fazer esse Warriors funcionar, misturando essas “pratas da casa” que deram estranhamente certo e estrelas consolidadas acostumadas a jogar sozinhas, não é mamão com açúcar. É uma questão de escolha, de criar um plano que é maior do que a junção de suas partes. É uma questão de, com o troféu de campeão nas mãos, ser vocalmente grato a Durant por ter tornado o caminho mais simples.

Qualquer um tem o direito de não gostar – esse Warriors claramente não se encaixa na trama “Dragon Ball” com a qual nos acostumamos durante décadas de basquete – mas é inegável que esse time é uma mudança radical de paradigma. Para ser campeão já não é mais suficiente trazer grandes estrelas de fora, ou encontrar estrelas no draft, ou treinar seus jovens jogadores para se tornarem importantes peças no banco, ou ter uma comissão técnica jovem disposta a repensar o modo de se jogar basquete, ou simplesmente trazer mais talento quando o talento atual parece não ser suficiente. Agora, para ser campeão é preciso de TUDO ISSO e mais: saber reduzir o papel de todos os elementos em nome de uma importância maior à coletividade. Só assim é possível trazer mais estrelas, e mais estrelas, e mais estrelas – e elas funcionarem juntas, e elas conviverem juntas, e elas QUEREREM jogar para você. De outra maneira, não teremos times mas sim amontoados de jogadores talentosos aleatórios.

Com 2 anéis de campeão em 3 temporadas, o Warriors olha profundamente para os olhos de toda a NBA e alerta: amontoar jogadores já não é mais suficiente. É preciso que mudem de vida.

🔒 O melhor quarto da História das Finais

🔒 O melhor quarto da História das Finais

O primeiro quarto do Jogo 4 entre Cavs e Warriors foi mais do que um atestado de talento e resistência: foi também o melhor quarto já jogado por um time, ofensivamente, em toda a História das Finais da NBA. Nunca antes um time havia marcado 49 pontos num período das Finais e o Cavs atingiu a marca justamente quando seu ataque estava mais desacreditado.

O Cavs dominou o jogo inteiro, mas foi o primeiro quarto que verdadeiramente decidiu a partida. O Warriors perdeu o segundo e o quarto período por apenas 2 pontos cada e o terceiro período por um mísero pontinho, e isso em modo pânico, forçando arremessos estúpidos para tentar desesperadamente cortar a desvantagem colossal no placar. Foi o rolo compressor do quarto inicial que mudou toda a dinâmica da partida e impediu o Warriors de conseguir se recuperar a tempo do fim do jogo.

Como o Cavs conseguiu esse primeiro período perfeito? Quais mudanças táticas aconteceram para que o Cavs terminasse o período inicial com 22 lances livres cobrados, 7 bolas de três pontos convertidas e 58% de aproveitamento nos arremessos? Como Tristan Thompson pegou 3 rebotes ofensivos no primeiro quarto depois de ter somado 3 rebotes ofensivos nas duas partidas anteriores INTEIRAS?

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