[Resumo da Rodada] Kyrie Irving contra o mundo

[Resumo da Rodada] Kyrie Irving contra o mundo

A série entre Boston Celtics e Cleveland Cavaliers resolveu em definitivo nos surpreender. Depois de dois jogos completamente esquecíveis em que o Cavs parecia um rolo compressor, tivemos um Jogo 3 em que apesar de estar perdendo por 21 pontos no meio do terceiro período fora de casa sem sua principal estrela, o Celtics arrancou uma vitória da orelha (e das bolas de três pontos do Marcus Smart). Na noite de ontem, Jogo 4, outra surpresa: ainda em Cleveland, Cavs perdendo por 16 pontos, LeBron James errando ENTERRADA LIVRE, Kyrie Irving torcendo feio o tornozelo, e eis que quando parece que a série vai empatar e se tornar a coisa mais incompreensível desde a carreira do Kléber Bambam, o Cavs vence a partida por 13 pontos de diferença. Ao menos foi uma mudança de tom: a vitória do Cavs foi a coisa SURPREENDENTE dessa vez.

[Resumo da Rodada] A carta branca

[Resumo da Rodada] A carta branca

Já vimos no Jogo 3 entre Spurs e Warriors que, ainda que não tenha sido suficiente, o Spurs sem Kawhi Leonard é capaz de criar algumas situações bem desconfortáveis para o adversário. No Jogo 4 não foi diferente: mais uma vez a defesa do Spurs conseguiu se antecipar à movimentação do Warriors, apertando os adversários mesmo sem a bola e ocupando os espaços que o Warriors desejava tomar para suas jogadas futuras. Agindo dentro do hábito de trocar bons arremessos por arremessos ainda melhores (que discutimos amplamente nesse post aqui) o Warriors continuou perdendo boas oportunidades de arremesso e desperdiçando a bola tentando encontrar jogadores livres onde o Spurs impedia que eles estivessem. Stephen Curry não teve seus arremessos de três pontos livres habituais e Kevin Durant foi marcado de perto por Jonathon Simmons e Danny Green.

[Resumo da Rodada] A Virada

[Resumo da Rodada] A Virada

Depois de duas das lavadas mais humilhantes dos últimos tempos fora de casa, o Cleveland Cavaliers voltou para sua cidade natal para tentar matar de vez o Boston Celtics. Se vencesse, o time de LeBron James se tornaria apenas o 4º da história a começar uma pós-temporada com 11 vitórias seguidas, igualando feitos do LA Lakers (1989 e 2001) e do Golden State Warriors (neste exato momento). Pois bem… NÃO ROLOU. Contra qualquer previsão, o Celtics, que perdia por 21 pontos no terceiro quarto, VIROU O JOGO e com uma bola de 3 pontos de Avery Bradley no último segundo conseguiu a reviravolta mais improvável em uma única partida desde AQUELE jogo do Corey Brewer e do Josh Smith contra o Clippers em 2015.

Apostar numa vitória do Celtics já era difícil por termos visto o que rolou nos últimos jogos, mas ela foi ainda mais maluca. Veja o que mais aconteceu neste jogo:

  • O Cavs vencia por 21 pontos no meio do terceiro quarto
  • O Cavs acertou NOVE bolas de 3 só no primeiro quarto
  • O Cavs bateu 24 (!!!) lances-livres a mais que o Celtics
  • O Celtics estava desfalcado de seu melhor jogador, Isaiah Thomas

[Resumo da Rodada] O outro Spurs

[Resumo da Rodada] O outro Spurs

Uma coisa é o Spurs perder Kawhi Leonard no meio de uma partida, durante o melhor momento do Warriors num jogo, e outra coisa é começar uma partida já tendo a ausência de Kawhi considerada no plano de jogo. O elenco do Spurs pode gerar mil ressalvas, mas ao menos temos a garantia de que o técnico Gregg Popovich o colocará para jogar de maneira inteligente e capaz de alcançar o melhor resultado possível.

Com Kawhi ainda fora graças à sua torção de tornozelo – que, tudo indica, também o deixará fora do Jogo 4 dessa série – o que pudemos ver foi o outro Spurs, aquele que depende única e exclusivamente do basquete coletivo, aquele que não pode se safar das jogadas quebradas com um arremesso heroico, frio e calculista, aquele que precisa impor o tempo inteiro seu ritmo, no ataque e na defesa, por não poder contar com uma força defensiva individual. Não há ninguém para cobrir as dificuldades defensivas de Pau Gasol e David Lee, ninguém para limpar os erros de troca de passes e ninguém para garantir a eficiência da transição defensiva. A noite de ontem foi como olhar por uma brecha no espaço-tempo rumo a um Spurs de tempos atrás, um time sem subterfúgios, em que o basquete precisa ser bem jogado sem nenhuma margem para erros. Por um lado, essa responsabilidade dividida por inteiro nos mostrou quão bons são alguns dos jogadores pouco utilizados do elenco e quão eficiente é a mente de Popovich; por outro, expôs o fato de que alguns membros desse time não estão à altura, ofensiva e defensivamente, e que infelizmente – porque o tempo às vezes É UMA MERDA – Ginóbili já tem 39 anos em cima de seus joelhos combalidos.

[Resumo da Rodada] O jogo da vergonha

[Resumo da Rodada] O jogo da vergonha

Confesso que não sei bem o que dizer sobre o Jogo 2 entre Cleveland Cavaliers e Boston Celtics. A gente sabia que o Cavs poderia ser muito melhor do que o que mostraram ao longo da temporada regular, sabia que LeBron James vinha fazendo sua melhor pós-temporada, ao menos em números, da carreira e que o Boston Celtics estava na história como um dos piores primeiros colocados da história da Conferência Leste (em total de vitórias, saldo de pontos, etc.). Tudo bem, tudo isso era de conhecimento geral, mas OLHA ISSO:

BOS-CLE

O primeiro tempo acabou com vantagem de QUARENTA E UM PONTOS. Em Boston. Isaiah Thomas acabou o jogo com DOIS PONTOS, os dois em lances-livres. É impensável e inaceitável um time sofrer uma derrota assim nessa altura do campeonato, especialmente após já ter sido surrado monstruosamente no Jogo 1. Não há análise tática a ser feita de um jogo assim, o Celtics estava inseguro, entregue, lento, envergonhado e só rezando para a partida acabar. Enquanto isso olha com o LeBron tava desconfortável…

Aliás, falando em confiança, existe lance mais desmoralizante do que o Chasedown-Block-Do-LeBron™?

Se algo valeu a pena nessa partida foi acompanhar o Twitter, que se dividiu em fazer piadas, reverenciar LeBron James, dar risada do Boston Celtics e apontar em como esses Playoffs não estão lá muito disputados. Vamos então aos melhores momentos da partida!

RECORDES E MAIS RECORDES

A conta do ESPN Stats & Info teve trabalho compilando tudo o que rolou na partida de ontem:

Foi a maior vantagem no placar no intervalo NA HISTÓRIA DOS PLAYOFFS!

O que nos lembra uma obviedade que fica engraçada quando a gente pensa assim: o Celtics poderia ter começado o segundo tempo em uma sequência de 40-0 e ainda assim estaria perdendo! Novamente, ÓBVIO, mas aproveite quando você pode escrever essa frase.

Mas não é impossível, já vimos uma virada parecida em um jogo bem famoso:

Não à toa quem, como eu, assistiu ao jogo na reprise ficou se questionando se valeria a pena ver ao segundo tempo:

Assistindo com atraso. Estou no intervalo. Existe alguma razão para assistir ao segundo tempo? NOTA: Já aceitei LeBron como meu senhor e salvador

Voltando aos recordes, essa derrota foi a pior de toda a história por um time classificado em primeiro lugar na história dos Playoffs:

E foi o maior saldo de pontos de LeBron James em qualquer jogo da sua vida, seja em temporada regular ou Playoffs. Assustadores +46 em 32 minutos de jogo. Ainda não me conformo que ele conseguiu 30 pontos, 7 assistências e 4 roubos em só 32 minutos! Ah, com esses 4 roubos ele se tornou o segundo maior ladrão de bolas da história dos Playoffs, tirando o lugar de Michael Jordan e ficando atrás apenas de Scottie Pippen:


POBRE CONFERÊNCIA LESTE

Nosso amigo Fábio Balassiano fez uma boa indagação ontem:

Pense que aqui a questão é dupla. Não só LeBron James estaria elevando outro time a um patamar espetacular como o Cleveland Cavaliers se tornaria um time mais comum e a conferência ficaria aberta. De verdade, até o New York Knicks pode virar um candidato ao título da conferência com o King James por lá. Ele tem jogado tudo isso mesmo e o Leste tem falhado há alguns anos em revelar times espetaculares.

Até o Moondog, mascote do Cavs, tirou uma com a cara do Celtics na festa que eles fizeram no ginásio em Cleveland para assistir ao jogo no telão. Pensando bem, essa foto é um melhor resumo do jogo do que jamais poderíamos fazer aqui.

Para quem é fã de flow charts, este aqui explica se você tem chance de chegar a uma final da NBA:

O engraçado é que o Boston Celtics não é um time ruim, muito longe disso. Ele tem mais falhas (e mais derrotas para outros bons times) do que nos acostumamos a ver em times que lideram sua conferência, mas é uma equipe bem treinada, com talentos em diversas posições e um elenco grande, com diversas opções em muitas posições, isso sem contar um ótimo técnico em Brad Stevens. O Washington Wizards também é bom, assim como o Toronto Raptors tem diversas qualidades. A minha pergunta é: o quanto desse domínio é que o Leste é ruim, o quanto é que este Cleveland Cavaliers é um time muito acima da média para qualquer época?

Na dúvida, porém, poderíamos ter deixado o Wizards jogar o segundo tempo ontem só pra ver se eles teriam mais chance né?

Mas falando sério, acho que é um pouco dos dois. O Cavs conseguiu colocar o elenco que mais combina com LeBron James, um dos melhores jogadores de todos os tempos, em toda sua carreira. É uma combinação que, ao longo da história, sempre foi sinônimo de dominância no basquete. Junte-se a isso o fato de que nos últimos anos o Leste tem revelado vários bons times, mas todos eles têm falhado naquele próximo e difícil passo de realmente se tornar um candidato ao título. São basicamente três anos contando os mesmos defeitos do Raptors, por exemplo. O Indiana Pacers, o time que mais fez o Miami Heat de LeBron suar, desmontou de uma hora para a outra. O Chicago Bulls se perdeu em lesões e, depois, em conflitos internos. O Atlanta Hawks jogou em nível altíssimo por uma única temporada, depois só deu passos para trás.

O Boston Celtics só é o próximo da lista. A sua reconstrução tem sido eficiente e veloz até, mas ainda não terminou. Além de todos os ativos e jovens jogadores que a equipe possui, o time ainda ganhou na loteria em trocas improváveis por Jae Crowder e Isaiah Thomas e conseguiu atrair Al Horford como Free Agent. Chegaram ao pontos que os outros chegaram –apanhar de LeBron– precisam mostrar se vão ser os primeiros a conseguir vencê-lo.

De qualquer forma, não tem sido legal para a NBA a quantidade de pessoas discutindo se estes são os Playoffs mais sem graça dos últimos tempos. Justamente depois de uma das temporadas regulares mais legais da HISTÓRIA. Torcemos para que, daqui um mês, a gente lembre disso apenas como o preço de uma final inesquecível. Até lá…

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