Kings contra a parede

Kings contra a parede

O contrato entre a Associação dos Jogadores da NBA e a Liga não era renegociado desde 2011, o fatídico ano em que um impasse nas negociações fez com que a temporada começasse apenas em dezembro. Dessa vez, o contrato (conhecido como CBA) foi assinado sem maiores conflitos assim que um problema apontado pelos donos dos times encontrou uma solução que agradou os jogadores: temendo que estrelas abandonassem suas equipes de formação para criar “super-times” como o Golden State Warriors, as equipes da NBA queriam melhores chances de manter seus jogadores; a solução foi permitir que apenas aqueles que tenham feito uma extensão com o time que os draftou possam assinar um SUPER-MEGA-HIPER-BLASTER contrato máximo, que apelidamos aqui no Bola Presa de “pote de ouro” e que certamente agradou os bolsos dos poucos jogadores que se qualificam para recebê-lo. Para entender mais sobre todas as novas regras salariais, vale a pena dar uma ouvida em nosso podcast especial que destrincha todas as mudanças entre o acordo atual e aquele que estava em vigor desde 2011.

Draftado pelo Kings em 2010 e previsto para encerrar sua primeira extensão na temporada que vem, DeMarcus Cousins é um dos raros jogadores que poderiam se aproveitar das novas regras salariais imediatamente.

A troca necessária

A troca necessária

Em quantas palestras você precisa ir até descobrir que uma crise pode ser também uma oportunidade? Acho que nenhuma, mas é sempre bom lembrar que problemas podem ser bons para obrigar os envolvidos a sair do casulo e buscar uma solução.

Há algumas semanas discutíamos se o Toronto Raptors deveria tentar ou não uma troca, de preferência em busca de um jogador para a posição 4, a de Power Forward. Há tempos que existe um buraco no time nesta função e até agora ninguém realmente convenceu. No ano passado tentaram, sem sucesso, Luis Scola. Depois arriscaram small ball com DeMarre Carroll. Para este ano contrataram Jared Sullinger e até começaram o ano dando a vaga de titular para o novato Pascal Siakam. Mas o time só era bom mesmo nos minutos em que Patrick Patterson vinha do banco e jogava com os titulares. O problema é que Patterson não só rendia menos quando era titular, como costumava perder impacto quando era utilizado por longos minutos. Sua presença no time titular ainda tirava um trunfo que o time canadense tinha sobre os adversários, um banco mais forte.

Os pivôs armadores de Denver

Os pivôs armadores de Denver

As últimas duas semanas foram movimentadas para a família Plumlee, com dois dos três irmãos sendo trocados para diferentes equipes. Primeiro foi a vez de Miles Plumlee, que estava recebendo poucos minutos no Bucks apesar do contrato robusto, ser enviado para o Hornets em troca de Spencer Hawes e Roy Hibbert, dois outros pivôs que também não possuem muito espaço na NBA atual. E agora foi a vez de seu irmão mais novo, Mason Plumlee, ser trocado para o Denver Nuggets após uma última temporada surpreendente em Portland.

O Denis comentou recentemente por aqui sobre como o Blazers foi pego de surpresa pela melhora do elenco na temporada passada e gastou uma fortuna para manter jogadores que não necessariamente melhoraram na temporada atual. Já acima do teto salarial, a equipe teria que gastar ainda mais na temporada que vem para manter Mason Plumlee, que recusou uma simples extensão de contrato por achar que merece muito mais. De fato, nos Playoffs passados Plumlee se mostrou uma das peças mais importantes da equipe, e não foi naquilo que costumamos esperar de um pivô tradicional: sua contribuição aconteceu na cabeça do garrafão através de passes precisos para seus companheiros.

O time que não mudou

O time que não mudou

O Portland Trail Blazers chega na metade desta temporada basicamente na mesma posição em que estava no ano anterior: tem 22 vitórias e 28 derrotas hoje, tinha 22 vitórias e 26 derrotas no final de janeiro de 2015-16. A principal diferença é que aquele time era considerado um sucesso, a temporada deste ano é sinônimo de fracasso, reclamações, entrevistas explicando derrotas e reunião entre jogadores para discutir o que não está dando certo.

O Blazers foi um dos ~cases de sucesso~ da temporada passada: depois de ver 4 de seus 5 titulares darem o fora, o time respondeu com poucas contratações, salários baixos e muitos jogadores ainda sem renome em volta de um sempre motivado e contrariado Damian Lillard. A previsão de muitos era a de que a equipe, em clara reconstrução, iria perder muito mais do que ganhar.

Mas a receita deu mais certo do que qualquer um poderia imaginar. CJ McCollum não só aproveitou a chance de ser titular, como passou a marcar mais de 20 pontos por jogo, foi eleito o jogador que mais evoluiu na temporada e se tornou o terceiro cara da história da NBA a ter média de mais de 20 pontos mesmo batendo menos de 3 lances-livres por jogo. E ainda podemos relembrar aqui da descoberta de que Allen Crabbe poderia ser um grande pontuador, que Al-Farouq Aminu é uma boa opção para a posição 4 e que Mason Plumlee é muito melhor passador do que jamais poderíamos imaginar. Chamá-lo de ‘White Draymond‘ ainda é piada, mas não 100% piada.

Domando lobinhos

Domando lobinhos

Unir o técnico Tom Thibodeau com a molecada do projeto de reconstrução do Minesota Timberwolves sempre teve cheiro de desastre: é a junção de um técnico rigoroso, meticuloso e avesso a novatos com um dos elencos mais jovens e inexperientes da NBA. Se os fãs e analistas mal conseguiam controlar a alegria quando Thibodeau foi escolhido para o cargo foi porque, além dele ser bom demais para ficar desempregado, topou integralmente o projeto sabendo da bucha que iria ter que lidar. Não é daqueles casos em que um técnico cai numa situação completamente adversa e tem que se virar para não perder o emprego, Thibodeau escolheu o desafio perfeitamente ciente das limitações e agruras do projeto. Por isso a antecipação com essa união, da nossa parte, juntou elementos de circo dos horrores (quem não quer ver a junção mais bizarra possível entre um morcego e uma cabra?) e também de esperança no futuro (quem não quer ver um time jovem e empolgante como o Wolves tendo a melhor defesa da NBA?). Agora, com mais da metade da temporada nas costas, já é possível espiar o Wolves e tentar definir se há mais horror ou mais esperança na terra dos jovens lobinhos.

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