>O pior do ano (mas não da história!)

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Você também usaria se torcesse para o Nets. Ou se fosse feio como o Calvin Booth.

Não sei explicar direito o porque, mas assisti vários jogos do Nets nessa temporada. Não sei se é porque eu me sinto culpado por ser um pecador e acho que mereço ser punido, se é pra rir da desgraça alheia ou se é pra tentar entender como um time com um elenco daqueles consegue lutar até as últimas semanas da temporada para não ter a pior time de todos os tempos.

Talvez seja um pouco das três coisas, mas mais pela última. O Devin Harris está longe de ser o melhor armador da NBA e vai estar na lista do prêmio Monstars de jogadores que mais desaprenderam a jogar na temporada, mas ainda assim é um tremendo jogador, o Brook Lopez tem vaga garantida como pivô no All-Star Game todo ano, é só jogar em um time que não vença menos jogos que o Washington Generals. E sem contar jogadores bons e legais de assistir como Chris Douglas-Roberts, Courtney Lee, Yi Jianlian e o novato Terrence Williams, que dá algumas das enterradas mais legais da NBA atualmente. Tudo isso junto monta um time interessante, preciso assistir pra tentar achar uma explicação para o fato deles serem mais fedidos que o Rio Pinheiros.
Mas antes de explicar porque o time é ruim, gostaria de achar uma explicação sobre porque as pessoas vão até o ginásio do Nets, o IZOD Center, que dizem que fica perto de um lixão e longe de tudo, e pagam para assistir esse lixo de time (um time lixo do lado de um lixão, que mundo irônico, não?)? Eu estou em casa, entediado e sem muitas opções do que fazer, mas e eles? Será que o Nets tem uma Gaviões da Fiel que está com o time em qualquer situação (desde que o preço dos Tacos dentro do ginásio ainda seja bom)? Pode ser, mas toda torcida apaixonada assim cedo ou tarde vai começar a reclamar.
No começo da temporada ficou conhecida a foto de dois torcedores do Nets que apareceram em um jogo com um saco de papel na cabeça com os dizeres “0-18”, indicando as 18 derrotas e nenhuma vitória do time no campeonato, e escondendo a cara de vergonha por ser um fã do Nets. Veja a foto aqui.
E eis que no jogo contra o Heat, três jogos atrás, apareceu mais um cara com um saco na cabeça, mas dessa vez sem nada escrito. É a foto que ilustra nosso post. Apenas ficou parado assistindo ao jogo e escondendo sua cara para que ninguém soubesse que ele torce para o Íbis da NBA. O episódio teria passado em branco se não fosse por um cara chamado Brett Yomark, o CEO do New Jersey Nets. Bravo com a atitude do torcedor, foi até ele e perguntou “Por que você está com um saco na cabeça?”, a resposta foi curta, seca: “Porque é o Nets é tãaao bom”. O cara de terno e gravata, chefe de operações e executivo importante do time perdeu a compostura, mostrou o dedo do meio para o torcedor e foi embora. Tudo do lado de um monte de jornalistas e outros torcedores.
Mas não é que a cobrança do torcedor e a polêmica em torno da reação do CEO foram seguidas de duas vitórias? Faltava motivação? Reclamação? Acho que o fato serviu para lembrar todos os jogadores que a temporada estava chegando no fim, a água estava chegando na bunda e que daqui a pouco quem teria que usar sacos na cabeça seriam eles, por estarem no pior time de todos os tempos.
Analisando o monte de jogos que eu assisti do Nets, a minha conclusão mais clara é a de que eles não são sempre ruins, mas não tem idéia de como ganhar um jogo. Durante três quartos eles são ruins como qualquer outro time ruim do Leste, como o Sixers ou o Knicks, mas no quarto período eles fazem uma bobagem atrás da outra e perderiam até para o time meu e do Danilo que disputava os saudosos Jogos Escolares de São Bernardo. Cansei de pensar que ia presenciar uma vitória do Nets e só ver eles forçando arremessos de três em horas impróprias e tomando cestas fáceis e bobas no minuto final. Qual a solução para um time assim?
O Bucks, que tinha sérios problemas ofensivos em quartos períodos, se arrumou trocando pelo John Salmons, que começou a tomar conta dos jogos nos minutos finais. Mas como o Nets não tinha a defesa do Bucks e nem tentou contratar ninguém, a solução era mais complicada, era vencer o jogo em três quartos. Foi o que fizeram contra o Kings.
Faltavam 12 jogos para o fim da temporada e nesses jogos eles precisavam de 2 vitórias para igualar a marca do Sixers de 1973, o time com menos vitórias em uma temporada na história, ou 3 para se livrar dessa sina. O jogo era em casa e o Kings estava sem Tyreke Evans, machucado, a chance era de ouro e eles aproveitaram. Jogaram os três primeiros períodos com uma baita vontade, com medo da marca histórica e bastou esse empurrãozinho para que entrassem no último quarto vencendo por 9. Com essa vantagem, em casa e contra um time que estava sem o jogador que faz tudo no último período não tinha como perderem.
O jogo seguinte foi contra o Detroit Pistons. Um jogo que eu não assisti porque tenho amor à vida. No nosso Twitter até desafiei as pessoas a assistirem os 48 minutos de jogo, sem trocar de canal e sem vomitar, duvido que alguém tenha conseguido. A partida era novamente em casa e contra um time que está numa fase horripilante. Dessa vez não vencerem em três quartos, muito pelo contrário, o melhor período foi justamente o último! Marcaram 38 pontos no período final, o Yi Jianlian dominou o fim da partida e eles defenderam tão bem durante todo o jogo que marcaram 21 pontos de contra-ataque, quase 10 a mais do que a média deles na temporada. E não dá pra não mencionar os 37 pontos do Brook Lopez, marca máxima da sua carreira.
Tá bom que o adversário foi um lixo, mas o mínimo que a gente esperava do Nets na temporada era isso, que eles tivessem um time bom o bastante para ganhar de outros times ruins. Só isso! Nada nunca vai explicar porque eles perderam de tantos times horríveis durante essa temporada, porque entregaram tantos jogos nos minutos finais. E essas duas vitórias seguidas contra times ruins só mostram que a maior parte do problema estava na cabeça dos jogadores, bastou um pouco de vontade, aquele “sentido de urgência” por vitórias que todo mundo buscou o melhor do seu jogo.
A melhora do Nets foi acompanhada da melhora de humor do CEO que mostrou o dedo para o fã com o saco na cabeça. Já na partida seguinte ele fez uma promoção no IZOD Center: Todo torcedor que tivesse um saco na cabeça seria abordado por funcionários do ginásio e ofereceriam para eles um pacote de presentes que tinha um poster do time, um pacote com cards da NBA e uma mensagem dizendo “Obrigado por nos deixar ver a sua cara. Esperamos vê-la mais vezes em partidas do New Jersey Nets”. Quem tirasse o saco, levava o presente. Podem levar o case para suas aulas de marketing, crianças.
Hoje tem mais um jogo e mais um adversário em fase lamentável, o Bulls. Eu aposto em mais uma vitória do Nets, assim como aposto em mais vitórias deles até o fim da temporada. Nos seus jogos finais ainda pegam o Bulls mais uma vez e o Wizards, dá pra ganhar numa boa. Também apostaria que eles poderiam vencer o Pacers, mas não vou falar nada porque, sem ninguém perceber, o Pacers tem 5 vitórias seguidas! Atualmente é a maior sequência de vitórias do Leste e a segunda maior da NBA, perdendo apenas para as 6 seguidas do Suns.
Explicar a mini-ressurreição do Nets não foi fácil, mas eu tentei nesse post. A do Pacers eu nem me arrisco a chutar! O Indiana tem o segundo ritmo de jogo mais rápido da liga (perde só para o Warriors), mas tem só o 3º pior ataque da NBA, ou seja, é um Warriors que não sabe atacar. Além disso de uma zica Clipperiana que faz com que trocentos jogadores fiquem se machucando um atrás do outro e de maneira bizarra, foi primeiro o Mike Dunleavy, depois o TJ Ford, Jeff Foster e o Roy Hibbert conseguiu machucar a mandíbula!
Mas o destaque na área médica vai para o Tyler Hasnbrough. Ele só jogou 29 jogos na temporada, sua última partida foi em 16 de janeiro e desde então ninguém sabe o que ele tem. Alguns médicos dizem que é uma infecção no ouvido, mas ninguém tem certeza, o cara não pode ser curado porque não sabem o que tratar. Rumores dizem que o Dr. Foreman acha que é câncer, o Taub acha que é uma doença auto-imune, o House acha que o Hansbrough está mentindo e todo mundo sabe que não é Lúpus.
Para vocês que estão afim de um jogão entre dois times quentes, anotem aí, dia 10 de abril tem Nets x Pacers, você ousa perder essa partidaça? Tá, confesso, não conseguir manter a cara séria enquanto escrevia isso.

Ma engrish two bad – As respostas

Ma engrish two bad – As respostas

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Silêncio, crianças! Hora de aula de inglês com a professora Juliana Silveira
 
 
Os leitores mais antigos devem lembrar dessa foto, postamos no nosso primeiro post didático, que explica o que são Free Agents. Então aqui estamos de volta com a professora mais deliciosa do bairro para uma aulinha de inglês.
 
Depois de pouco mais de uma semana, aqui estão as respostas do nosso primeiro Ma Engrish two bad. No post anterior as pessoas postaram termos gringos que são usados no basquete e que elas não sabiam o significado, aqui a gente separou por categoria, explicou todos e ainda colocou alguns outros.
 
Nos comentários vocês podem colocar mais, explicaremos em breve!
 


Posições dos jogadores

Point Guard (PG) – A palavra “guard” é a que designa o que chamamos aqui no Brasil de armador. Entre os dois guards, o point é o armador principal ou, na nossa denominação numérica, o número 1. Claro que existem diversos sistemas ofensivos, mas esquecendo um pouco as exceções podemos dizer que o armador principal, o point guard, é aquele cara que comanda o ataque, é o que chama as jogadas, é a cabeça do técnico dentro da quadra. Também costuma ser o jogador mais baixo do time.

Exemplos de jogadores: Jason Kidd, Chris Paul, Steve Nash, Rajon Rondo e John Stockton.

Utilização em uma frase: O Chuck Hayes é um pivô com tamanho de point guard. / Leandrinho é ótimo jogador, mas não é um point guard.

O termo “Point” é usado para se referir à armação do jogo. Quando se diz que em determinado momento do jogo o LeBron James está “running the point” quer dizer que é ele quem está ditando o estilo de jogo do seu time.

Shooting Guard (SG) – Na denominação numérica é o número 2 e aqui no Brasil chamamos também de segundo armador ou ala-armador. Algumas pessoas até já usam a tradução ao pé da letra de armador arremessador.
Na concepção mais clássica do basquete o shooting guard é o cara que faz pontos, daí o nome de arremessador. Ainda hoje grande parte dos cestinhas da NBA jogam nessa posição e tem como características serem mais altos que os armadores principais mas ainda com bastante habilidade no controle da bola, coisa que vai se perdendo quando entrarmos no mundo dos alas.
Hoje existem muitos shooting guards que não marcam pontos, que vivem da sua defesa, como o Arron Afflalo ou o Anthony Parker, por exemplo. É uma variação da posição, fugindo da sua função clássica de ser a posição do cara que marca pontos, mas ainda com o mesmo nome.
Exemplos de jogadores: Kobe Bryant, Joe Johnson, Ray Allen, Brandon Roy e Michael Jordan.
Utilização em uma frase: Como o Kobe é o melhor jogador da história se não é nem o melhor shooting guard da história?
Small Forward (SF) – Na denominação numérica é o jogador da posição 3. Apesar do nome small (‘pequeno’ em inglês), os jogadores dessa posição não são tão baixos assim, muito pelo contrário, já nessa posição podemos encontrar caras na faixa dos 2,05m. Aqui no Brasil podem ser chamados de alas, ala-pequeno, ala-menor, escolta ou lateral. A palavra “Forward” sozinha é como os gringos chamam os alas.
No time da escola onde eu, com meu tamanho todo, era o small forward, costumávamos dizer que a posição 3 era daquele que não tinha característica nenhuma. Geralmente os jogadores dessa posição são rápidos e baixos demais para jogar no garrafão mas altos e sem a habilidade o suficiente para a armação. Nesse limbo eles podem ser considerados uns zé ninguém ou, se quiser agradar, diga que é nessa posição que se encontram os jogadores mais completos do basquete.
Exemplos de jogadores: LeBron James, Trevor Ariza, Tayshaun Prince, Grant Hill e Larry Bird.
Utilização em uma frase: Você acha que o Kevin Durant rende mais jogando como shooting guard ou small forward?
Power Forward (PF) – Nos números é a posição 4 e se você for o piadista da turma pode dizer que os power forwards são os jogadores que jogam de quatro. Aqui no Brasil são chamados de alas-pivô ou, na tradução literal, alas de força.
Os jogadores dessas posições costumam ser enormes, alguns até mais altos que muitos pivôs, mas costumam ser também mais habilidosos que estes longe da cesta. Jogadores como o Tim Duncan viraram power forwards e não pivôs porque mesmo com o tamanho para jogar lá dentro, faziam mais diferença usando o seu talento no jogo de meia distância.
Exemplos de jogadores: Tim Duncan, Dirk Nowitzki, Kevin Garnett, Chris Bosh e Karl Malone.
Utilização em uma frase: O Amar’e Stoudemire deveria jogar apenas como power forward.
Center (C) – Aqui chegamos na posição 5. Também chamado de pivô, pivozão, gigante ou montanha.
Costuma ser o jogador mais alto da equipe. Ao contráro do power forward, ele nunca se distancia muito da cesta (a não ser nas raras exceções, como Mehmet Okur e Zydrunas Ilgauskas) e, se bem treinado, desenvolve um jogo importante de costas para a cesta, seja em movimentos de ataque ou até na visão do jogo. Muitas vezes é o único jogador da equipe a não estar de frente para o alvo.
Interessante observar que em português podemos dizer que qualquer jogador joga “no pivô”, é uma situação de jogo. Então dizemos que durante a rotação ofensiva do Lakers o Kobe acaba no pivô e joga lá de costas para a cesta. Nos termos em inglês nunca se usa o termo Center para designar alguém que está jogando, momentâneamente, naquela posição. O Center é o jogador que sempre joga de pivô e estar lá embaixo da cesta é estar no “post“.
E dentro do termo post existem dois tipos, o “high post“, que é o topo do garrafão e o “low post” que é a área do garrafão próxima à cesta.
Exemplos de jogadores: Shaquille O’Neal, Zydrunas Ilgauskas, Andrew Bynum, Dwight Howard e Bill Russell.
Essas foram as cinco posições clássicas e principais, mas ainda existem outras que são bastante usadas para se referir a alguns jogadores em especial.
Combo Guard – Como disse antes, guard é o termo para armador, um Combo Guard é um jogador que pode jogar nas duas posições de armador, tanto como point guard (1) quanto como shooting guard (2). Dois bons exemplos são Kirk Hinrich ou o novato Tyreke Evans.
Point Forward – Essa aqui é só juntar as peças, criançada. Lembra que o “running the point” era para alguém que estava na armação? E lembram que “forward” é para ala? Um Point Forward é um ala que joga armando o jogo. Não é algo muito comum no basquete, mas os dois times com melhor campanha na NBA usam: o Cavs com LeBron James e o Lakers com Lamar Odom. Volta e meia o Jazz também usa o Andrei Kirilenko como Point Forward quando o Deron Williams está descansando.
Swingman – Embora tenha nome de jogo trash do Nintendinho ou de filme de lambada da Sessão da Tarde, um swingman é um jogador que pode mudar da posição de shooting guard para a de small forward quando bem entender. Geralmente é um jogador com altura o bastante para jogar de SF mas com a habilidade de um SG. Kobe Bryant e Kevin Durant são dois bons exemplos.

Gírias iradas da galera do Gigabyte
Trey – Ao contrário do que falaram nos comentários, não é o nome de um rapper. Quer dizer, também é, mas no mundo do basquete é um termo para se referir à bola de 3 pontos.
Dime – Além de ser o nome da revista bem legal, dime é um termo usado para se referir à assistência. O termo “dime“, originalmente, é como os americanos chamam a moeda de 10 centavos, uma história não comprovada diz que a moeda virou assistência por causa de pessoas que entregavam outras para a polícia! Os telefones públicos costumavam custar 10 centavos, um dime, e aí a pessoa ligava e entregava alguém para os homi, ou seja, assistia (no sentido de ajudar) a polícia a prender a pessoa.
Board – A palavra pode significar várias coisas, como tabuleiro, tábua, prancha, quadro e mais um monte de coisa, mas no basquete significa rebote.
Jam/Slam/Flush/Dunk – Tudo isso para dizer a boa e velha enterrada. A primeira palavra para se referir a enterrada foi “dunk“, que significa embeber, ensopar. É um termo usado para quando alguém, por exemplo, afunda um biscoito em um copo de leite e é o verbo que batizou os deliciosos “Dunkin’ Donuts”.
Slash – Além de ser um guitarrista, o termo pode significar cortar, acho que todo mundo que jogou Pokémon sabe disso. No basquete slash é cortar para dentro da defesa e um jogador “slasher” é um jogador que tem como base do seu jogo a infiltração. O Dwyane Wade é um slasher.

Adjetivos
Clutch – É um dos termos que você mais vai ler e ouvir por aí. Um jogador clutch é um jogador que sempre joga bem nos momentos decisivos de um jogo. Então quando o Kobe acerta aquele arremesso difícil com o jogo empatado a 7 segundos do fim você irá ouvir que foi um “clutch shot” do Kobe. Um jogador pode ser clutch em um jogo ou ganhar fama de ser clutch na carreira, como foi o caso do Robert Horry.
Overrated / Underrated – A palavra “Rate” significa classificar, avaliar. “Over” significa superior, acima e “Under” significa inferior, abaixo. Assim, um jogador “overrated” é um jogador que é classificado como sendo acima do que deveria. Quando todos diziam que o Antoine Walker era um baita jogador quando na verdade ele era uma peça de Lego gigante que arremessava de 3, ele vira um jogador overrated. Já quando ninguém lembra que o Joe Johnson existe mesmo ele sendo um All-Star, ele vira um jogador underrated.
Nos fóruns sobre NBA da gringolândia é bem comum abrirem tópicos apenas para discutir quem é overrated e underrated na NBA. E essas discussões costumam ser tão vazias e vagas como qualquer uma do tipo “Quem é melhor?”, por favor não caia nessa.
Overpaid / Underpaid – O princípio é o mesmo do item anterior, mas ao invés de se avaliar a qualidade do jogador, é analisado o seu salário. “Paid” quer dizer pago. Então o Nenê pode ser um baita pivô, mas se você acha que ele não é bom o bastante para ganhar 10 milhões por temporada você diz que ele é overpaid.
Highflyer – High” pode ser chapado e “Fly” pode ser mosca, mas isso não tem nada a ver. “High” também pode ser alto e “Fly“, voar. Um jogador highflyer é aquele que pula muito alto e costuma sair enterrando por aí. Durante boa parte da sua carreira todo mundo se referia ao Vince Carter como um grande highflyer.

Conquistas individuais
Double-Double- O famoso duplo-duplo. É quando um jogador consegue pelo menos 10 em dois quesitos diferentes das estatísticas, o mais comum é conseguir pelo menos 10 pontos e 10 rebotes.
Triple-Double- Ao invés de dois, três quesitos. O mais comum são pelo menos 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências, mas volta e meia um pivô faz um triplo-duplo com tocos.
Double-Trible-Double- Esse aqui é uma raridade. É conseguir pelo menos 20 em três quesitos diferentes. Na história da NBA aconteceu apenas um vez: Wilt Chamberlain (o céu é azul) fez 22 pontos, 25 rebotes e 21 assistências em um jogo contra o Pistons em 1961.
Five-by-Five (High-5) – Os dois termos são pouco usados mas existem, assim como o feito em si. Ele consiste em conseguir pelo menos 5 nos 5 quesitos principais do basquete: 5 pontos, 5 rebotes, 5 assistências, 5 roubos e 5 tocos. Atualmente quem mais tem flertado com essa marca é o brazuca Nenê. No passado recente, que eu me lembre, apenas o Andrei Kirilenko conseguiu completar um five-by-five.

Termos de jogo, Jogadas
Tear Drop/Floater – O Danilo explicou muito bem o Tear Drop (que também pode ser chamado de Floater ou Runner) no Both Teams Played Hard, mas infelizmente o site está com problemas e não está dando para ver as respostas mais antigas. De qualquer forma, explico aqui rapidamente: esse arremesso é quando um jogador, geralmente mais baixo, solta a bola antes e com um arco mais alto do que a bandeja comum. Por ser diferente da bandeja ela costuma enganar os pivôs e é marca registrada de jogadores como Tony Parker e Chris Paul.
Não achei o ótimo vídeo que o Danilo tinha postado antes, mas por enquanto vale esse bonito tear drop do Rajon Rondo:
 
Backdoor – A porta de trás, na tradução literal, é quando um jogador consegue cortar para receber um passe por trás da defesa sem ela perceber. O Utah Jazz vive brincando de correr por trás da defesa, no backdoor, até alguém aparecer livre embaixo da cesta para marcar pontos fáceis.
Inside Score – São todos os pontos marcados dentro do garrafão. Quando dizem que um time precisa de mais “inside score” é porque estão dizendo que a equipe precisa jogar mais perto da cesta.
Basketball IQ – É o “Q.I. de basquete”. Às vezes um cara não sabe ler, escrever e nem qual é a fórmula de bhaskara, mas dentro de uma quadra de basquete ele entende tudo, saca o posicionamento de todo mundo e sempre toma a decisão certa. Quer dizer que ele tem um alto Q.I. de basquete. Por outro lado tem jogadores que sabem arremessar, são atléticos, pulam, driblam bem mas não sabem o que fazer com a bola e estão sempre ferrando com o seu time, são os caras com baixo Q.I. de basquete. Alô, Stromile Swift, tudo beleza?
Down the stretch – Vamos testar seus conhecimentos até agora. “O Dwyane Wade é um shooting guard slasher que é clutch down the stretch“. Sacou, turminha do CCAA? “Down the stretch” é o termo para se referir à partida em seus momentos decisivos.
Footwork – É o termo deles para se referir ao jogo de pernas de um jogador. Aquele pivô paradão que não consegue se movimentar não tem bom footwork.
Turnover – Um turnover é um erro, é a perda da posse de bola. Um time que cometeu 20 turnovers em um jogo é aquele que por 20 vezes cometeu algum tipo de erro e ficou sem a bola, pode ter sido ter jogado a bola pra fora, ter estourado os 24 segundos de posse, ter tido a bola roubada ou qualquer coisa do tipo.
Buzzer-Beater / Game Winner – “Game Winner” é a bola que ganhou o jogo, é o arremesso decisivo, o último do jogo. Já o “buzzer beater” é aquele que foi exatamente no estouro do cronômetro. O arremesso do Kobe a 6 segundos do fim contra o Celtics foi o game winner porque o Celtics não conseguiu virar depois, já o seu arremesso contra o Heat, quando o tempo acabou com a bola no ar, foi um buzzer-beater.
Screen – Esse é simples, o screen é o corta-luz. E o famoso “Illegal screen” é o corta ilegal, com o jogador se mexendo, impedindo e acertando o adversário.
Fade Away – O verbo “to fade away” quer dizer desaparecer, mas no basquete é o termo utilizado para se referir àqueles arremessos que o jogador faz enquanto joga o corpo para trás. Michael Jordan foi o grande mestre nesse arremesso e hoje ninguém faz tão bem quanto o Kobe Bryant.
O fade away não é o tipo de arremesso que você vai aprender do seu técnico nos primeiros treinos de basquete. Logicamente pensando, não é inteligente pular para trás na hora de arremessar, pra que ficar ainda mais longe da cesta? Mas em algumas situações, para evitar o toco e marcadores mais altos, acaba sendo uma boa opção. Abaixo um vídeo do Jordan sobre o seu principal arremesso.
Matchup – No basquete a palavra é usada para se referir a um confronto individual. Quando jogam Cavs e Celtics, por exemplo, o matchup mais importante é o duelo entre LeBron James e Paul Pierce.
Já no confronto de playoffs do ano passado entre Magic e Cavs, o Rashard Lewis, rápido e jogando fora do garrafão, venceu o seu matchup contra o Anderson Varejão. Esses matchups onde um jogador tem alguma característica, física ou técnica, que não bate com as características de seu defensor é o chamado Mismatch. Dizem na NBA que o Lamar Odom é um mismatch ambulante, porque ele pode ser rápido e jogar longe da cesta contra marcadores altos ou perto da cesta usando sua altura contra os mais baixos.
Pick-and-roll- Perguntaram de “pick and run” no post, mas como não conheço esse, imagino que estava tentando se referir ao famoso pick-and-roll. Essa é a jogada mais básica do basquete, onde um jogador, geralmente um pivô, faz um corta-luz para o jogador que está com a bola e logo em seguida corta em direção à cesta para receber a bola. Abaixo a dupla que mais faz pick-and-rolls na NBA, Steve Nash e Amar’e Stoudemire:
Pick-and-pop- O princípio é o mesmo do pick-and-roll, mas depois do corta, ao invés de correr em direção à cesta, o jogador que fez o bloqueio fica parado para fazer o arremesso. No próprio Phoenix Suns essa jogada é bem comum entre o Nash e o Channing Frye, mas acho que ninguém faz tanto essa jogada quanto Chris Paul e David West.

Estilos e estratégias de jogo
Tempo- Esquisito ver uma palavra nossa sendo usada pelos gringos, mas em inglês a palavra “tempo” é usada para se referir a andamento, ritmo.
Up-tempo system- Um sistema de up-tempo é aquele que usa um andamento de jogo rápido. O New York Knicks e o Golden State Warriors, por exemplo, são um time de estilo up-tempo.
Run and Gun- É o sistema de jogo (up-tempo) que ficou famoso nas mãos do Mike D’Antoni quando ele comandava o Phoenix Suns. Trata-se de uma estratégia onde o time tenta sempre jogar em velocidade, correndo (run) e arremessando (gun) o mais rápido possível, aproveitando os primeiros segundos de posse de bola, momento em que a defesa adversária ainda não se postou de maneira adequada.
Diamond – Em tradução literal quer dizer “diamante” e no basquete pode ser várias coisas. Tem treinos chamados de diamantes, além de posicionamentos defensivos e até algumas jogadas de ataque. Creio que o uso mais comum, no entanto, seja a defesa “Diamond and 1” que é quando 4 jogadores formam um losango (um diamante) dentro do garrafão e um jogador fica livre para marcar um jogador em especial, geralmente o armador adversário. Essa é uma imagem da defesa “Diamond and 1”.
Motion Offense – É um sistema ofensivo de jogo baseado em muita movimentação dos jogadores e cortas para deixar esses jogadores livres. O conceito básico foi criado pelo técnico Henry Iba, mas ficou famoso no basquete universitário com o lendário Bob Knight. Hoje em dia existem muitas variações da Motion Offense, algumas baseadas em drible e infiltração dos armadores, outras com um Power Forward (posso falar em ingreis agora?) aberto e muitas e muitas outras. Em comum todas tem a contínua movimentação dos jogadores (daí o nome ‘motion‘, movimento), mas grande parte do resto pode ser adaptado.

Frases e Expressões
“Nice Jay” (Nice J) – Os americanos usam muito a primeira letra das palavras para dizer a palavra toda. Então J é jumper (arremesso), W é win (vitória), D é defense (defesa) e por aí vai. Já “nice” quer dizer bom, então um “nice J” é um bom arremesso.
“Pierce |nox| down”- A grafia correta é “Pierce knocks it down”. “Knock it down” quer dizer derrubar, é algo como “Pierce derruba a bola”, é uma expressão para dizer que algum jogador acertou seu arremesso.
Tough Guy – “Tough” é uma das palavras mais difíceis de traduzir para o português. Alguns dicionários traduzem como “forte”, outras como “valentão” ou “brigão”. No fim das contas é um misto disso tudo, se fosse um nome de filme da Sessão da Tarde “Tough Guy” viraria “Um cara duro na queda”.
From Downtown – Um arremesso “from downtown” é um arremesso de longe, de 3 pontos. E nos comentários contaram uma história divertida que eu não conhecia sobre a história da expressão. Com a palavra, nosso leitor Derica:
“Downtown, ao pé da letra, significa ‘centro da cidade’. Ouvi uma história antiga de que “fulano from downtown” é porque a maioria das quadras se concentravam na periferia e antigamente diziam que o arremesso foi lá do centro da cidade, dando a entender de tão longe que foi.”
back-to-back – É o termo para se referir a coisas em sequência. Back-to-back games são jogos em dias consecutivos, back-to-back titles são títulos em sequência, um bi-campeonato.
 
“Finger road”- O termo correto é “Finger roll“. Finger é dedo, roll é fazer rolar. É aquela bandeja, inventada pelo grande George Gervin, em que a bola vai rolando pelas pontas dos dedos até sair da mão e ir para a cesta, é uma das jogadas mais bonitas do basquete.
Procurei um vídeo do Gervin para mostrar aqui, mas preferi mostrar esse do Jordan, olhem que obra-prima!
Sag-off – Esse é uma expressão usada para dizer quando um jogador deixa outro livre de propósito. Quando você deixa o Sasha Vujacic livre para dobrar a marcação no Kobe você sag-off o The Machine (e com razão!)
Sink or swim- Sério que alguém já viu esse termo em jogos de basquete? Essa é uma expressão que quer dizer algo como “É tudo ou nada”. Ao pé da letra quer dizer “afundar ou nadar”.
 
Termos de contrato
Mid-Level exception – O sistema de teto salarial da NBA não é rígido, então permite algumas exceções para que os times possam ultrapassar esse teto. O Mid-Level é uma dessas exceções. Nesse caso o time pode oferecer um contrato com o salário médio da NBA para um jogador mesmo que o limite já tenha sido atingido pela equipe. O salário médio é definido somando todos os salários pagos nos últimos anos de liga e dividindo por 13,2. (pois é, faz tanto sentido quanto jogos de video game japoneses)
Buyout – É quando um jogador e o seu time entram em um acordo para que uma certa quantia do salário do jogador seja paga de uma vez e esse atleta seja dispensado da equipe sem mais nenhuma obrigação contratual.

Pornô
POV- Até aqui fazem pergunta de coisa pornô? Que obsessão! Mas tudo bem, fui correr atrás para descobrir. POV é uma sigla para “Point of View” ou “Ponto de Vista”. Um pornô POV é um filme com o ponto de vista do próprio cara que está fazendo sexo, são aqueles filmes em que o ator come a guria com uma câmera na mão e a gente fica assistindo como se fosse ele.

Mente sobre a matéria

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“Papai do céu, não me permita perder do Nets, amém.”
Às vezes um time não tem os jogadores mais talentosos. Muitas vezes falta força física, ar nos pulmões, pernas jovens para correr de um lado para o outro da quadra, velocidade, e até coisas menos importantes, tipo saber jogar basquete. Mas um número enorme de partidas é decidido apenas com aquela coisa oval e esquisita que fica acima do pescoço e de que a Carla Perez nunca ouviu falar: a cabeça.
O Dallas Mavericks pode não ser um time perfeito, e eu vou continuar incrédulo e achando que eles não tem chances reais de ganhar um título, mas pelo menos eles podem se gabar de ser um time inteligente. Umas semanas atrás, escrevi um post sobre como a troca pelo Jason Kidd passava a fazer sentido graças ao técnico Rick Carlisle, que decidiu usar melhor o armador do que acontecia no antigo esquema tático, em que Kidd apenas passava a bola para o lado iniciando jogadas de isolação de Nowitzki e Josh Howard. O Devin Harris é um jogador fenomenal, tem uma velocidade absurda e pune times que não conseguem marcar armadores que infiltram sem parar, mas ele não é nenhum gênio da física moderna. Seus passes são descabidos e seu jogo é muitas vezes afoito, o oposto perfeito de Jason Kidd, uma mente de cientista maluco num corpo castigado pela idade.
Antes o Mavericks tinha problemas de defesa, já que apenas Shawn Marion é um defensor considerável no elenco, todos os outros fedem nesse quesito, e o Marion acaba prejudicando o ataque porque o Mavs gosta de jogar no contra-ataque mas atrás da linha de três pontos, onde seu aproveito vem sendo pífeo. Por isso, a troca com o Wizards foi tão importante: trouxe defesa, arremessadores de três pontos e versatilidade ao time. As novas aquisições teriam seu primeiro teste de verdade contra o Lakers, mas aí o Caron Butler teve uma reação alérgica a um medicamento e não conseguiu jogar. Todo mundo pergunta se o Mavs tem chances de título, mas no papel simplesmente faltam as armas necessárias: Kidd está velho, corre pouco e marca mal; sem Butler o titular foi DeShawn Stevenson, que caiu de qualidade rapidamente no Wizards e não acerta mais seus arremessos; Shawn Marion tem problemas até hoje para se adaptar à vida sem Steve Nash; Eric Dampier nunca mais jogou bem desde que assinou seu contrato milionário, é lento, pesado e parece que está jogando debaixo d’água quando tenta defender; Nowitzki é criticado pela sua defesa, por não atacar a cesta e por ser incomodado por defensores mais baixos e mais fortes do que ele. Como o Mavs pode parar Kobe, como impedir que Bynum e Gasol destruam no garrafão, como acompanhar a velocidade e a versatilidade do Odom, e quem do banco pode ajudar a equipe que não sejam simples arremessadores?
É nessas horas que a mente vence. O Mavs é um time experiente, focado, perfeitamente dentro de um esquema tático que finalmente envolve todos os jogadores sem ser previsível, e que coloca poder de decisão e controle do ritmo de jogo nas mãos do Kidd. Por isso, é um time com menos jogadas de isolação sem, no entanto, ter que aumentar desnecessariamente a velocidade da partida. É um time controlado, vivido, com experiência nos playoffs, e que de repente após as trocas começou a acreditar que pode ganhar um título. Não é aquela merda de “O Segredo”, em que você acredita e o troço acontece, mas saber que você pode ganhar faz com que o time lute até o fim pela vitória. Se a vitória deveria estar vindo, perder é um absurdo que deve ser combatido, enquanto se a derrota é esperada, ter o traseiro chutado é comum e não provoca reações. O Mavs achou que deveria vencer o Lakers e venceu, com DeShawn Stevenson marcando bem o Kobe, Kidd tomando todas as decisões certas e Nowitzki simplesmente destruindo a partida. Lembra quando ele era previsível e só arremessava de longe? Passado. O Kidd soube quando acionar o alemão, que foi marcado por quase todo mundo do Lakers (Odom, Kobe, Gasol, Artest) e tinha uma surpresa guardada para cada um: terminou o jogo com 31 pontos, atacou a cesta, e cobrou 11 lances livres.
Na partida seguinte, contra o Hawks, o Mavs chegou a estar perdendo por 15 pontos no quarto período. Mas o time agora acredita que pode vencer, que deve vencer, e os jogadores são experientes e inteligentes. Jason Kidd pegou a bola nas mãos e assumiu o jogo: foram bolas de três, passes precisos, faltas cavadas, roubos de bola, rebotes ofensivos e uma mudança total da cara do jogo. E tudo isso com aquela corridinha migué que ele dá agora, sem nunca colocar a língua pra fora. Perdendo por 2 pontos a 1:30 do fim, o Jason Kidd mostrou que não é preciso ser atlético como o Josh Smith – que jogou um absurdo e fez a cesta que levou o jogo para a prorrogação – para conseguir uma cesta, nem ter o arremesso do Kobe Bryant para pontuar – o Jason Kidd ainda é chamado de “Ason Kidd” por não ter o “j” de “jumper”, ou arremesso. Basta ser inteligente: vendo Mike Woodson, técnico do Hawks, dentro da quadra dando ordens à equipe (algo que todo técnico faz o tempo inteiro, nem adianta culpar o coitado), Kidd correu em sua direção, forçou um contato intencional mas moderado, e aí fingiu ter sido brutalmente atrapalhado. Foi o bastante para qualquer árbitro do planeta ser obrigado a marcar uma falta técnica no Woodson – que o Nowitzki cobrou numa boa e, claro, acertou. O engraçado foi ver vários jogadores do Hawks (e um assistente técnico) correndo para cima do Kidd, provavelmente para lhe dar uma surra, enquanto o Kidd mantinha um sorriso que escapava da cara séria que tentava manter, repetindo sem parar “Foi a coisa certa a se apitar”.


Dá pra ler os lábios dele no vídeo acima reiterando como a arbitragem foi correta, e ele tem razão. A arbitragem foi inevitável, não dava pra fingir que ele não foi tocado pelo técnico (por mais que o Mike Woodson tenha tentado sair da frente, mas é que esses técnicos são velhos e fora de forma), e não tem nada mais inteligente em quadra do que tornar as coisas inevitáveis: das marcações dos árbitros aos passes precisos. A opção do Kidd pode não ter sido a mais correta do planeta, mas a arbitragem foi, o lance livre foi, a partida do Kidd foi. Foram 19 pontos, 16 rebotes e 17 assistências para o armador – nada forçado, tudo simples e inevitável. Fiquei pensando em como Devin Harris ficaria batendo para dentro do garrafão jogada após jogada, tentando cavar faltas, para diminuir uma diferença de 15 pontos no último período, e que talvez até desse certo, mas Kidd fez isso como apenas os mais experientes e inteligentes podem fazer. E foi parar nas nossas memórias e no YouTube com uma jogada genial e inesperada, digna de quem devora o livrinho de regras do basquete enquanto faz cocô todas as manhãs. O Devin Harris se tacando pra dentro do garrafão teria, inclusive, tirado o ritmo do Nowitzki, coisa que o Kidd consegue manter mesmo quando dá seu showzinho particular. Foram 37 pontos para o alemão, ele engoliu sozinho o Hawks na prorrogação, mas é a calma do Kidd que permitiu tudo isso. Dá pra ver nos olhares que o time do Mavs troca durante a partida que todos eles sabem que são experientes, confiam uns nos outros, apanharam na carreira, e que agora é a hora de vencer. Uma mentalidade capaz de levar um time ainda limitado rumo a um anel de campeão.
O contrário está acontecendo com o Celtics. Na primeira vez em que eles enfrentaram o Cavs após as trocas que levaram Jamison para Cleveland, parecia que estavam preparados para a derrota. No quarto período, Mo Williams acertou duas bolas de três seguidas, o Ray Allen errou feio uma bola marcado por um LeBron furioso, e no contra-ataque James deu um passe para a terceira bola de três em sequência de Mo Will. Naquele instante o Celtics simplesmente desistiu de um jogo que, até então, parecia disputado. Dois anos atrás o Garnett teria arrancado o braço do LeBron, palitado os dentes com os seus ossinhos, e babado sangue gritando com cada companheiro porque não deram a vida para tentar reverter o resultado. Agora, Garnett parece cansado, exaurido, comedido, triste, e o time faz apenas o essencial. Ainda jogam muito, defendem bem, tem um dos elencos mais talentosos da NBA, mas falta cabeça, intensidade, a mentalidade de quem sabe que vai vencer. Parece reinar na equipe o medo de perder – afinal, Ray Allen, Garnett e Pierce (atualmente contundido) estão ficando velhos, lesionados, e seus contratos, prestes a terminar, podem desmanchar a equipe – além de um desinteresse por se doar ao jogo que só acontece em vestiários problemáticos. Pra mim parece óbvio que Garnett foi criticado demais por ser muito exigente com os companheiros (provavelmente criticado até dentro da equipe) e agora não é mais tão vocal, além de ter voltado de contusão mais frustrado com seu próprio jogo e desanimado com os rumos que a equipe toma sem ele. A simples presença de Rasheed Wallace no Celtics tem também um peso enorme nesse desânimo: ele é um jogador espetacular, poderia ser uma estrela, mas joga como se não desse a mínima, não se esforça no Celtics, não consegue dar o suor que só aparecia quando jogava “pela sua família” (ou seja, o Pistons), e o resto do elenco parece não se conformar. Ele toma frias terríveis quando erra seus insistentes arremessos de três, olhares furiosos quando faz cagadas na defesa, e parece não aceitar as críticas que recebe dos companheiros. É um clima de bunda, uma mentalidade de quem agora acha que perder é normal quando antes uma derrota qualquer – mesmo para os melhores times da NBA – era inconcebível.
Por isso foi tão engraçado ver como o Celtics, que agora acha perder uma possibilidade, encarou o Nets, que agora acha vencer uma possibilidade. Já que por algum motivo bizarro que nem os melhores psicólogos do mundo poderiam explicar eu assisti uma caralhada de jogos do Nets nessa temporada (possível traço de masoquismo?), sempre insisti que eles não tem um time tão ruim a ponto de terminarem a temporada com a pior campanha de todos os tempos. Pelo contrário, o time é bom o bastante para um bom punhado de vitórias, deveria estar quebrando um belo de um galho contra os times mais-ou-menos da NBA. Mas é que com as trocentas contusões que assolaram o time no começo da temporada, a pirralhada do Nets sem confiança, sem cabeça e sem experiência começou a achar que tinha tudo ido pra merda. Todos os jogos já estavam perdidos antes de começar, não havia qualquer esperança, a vida era horrível e o melhor era sentar num canto e ouvir NX Zero. Com o tempo, uma melhora aqui, uma melhora ali, um bom psicólogo acolá, o Nets foi começando a achar que poderia vencer, talvez um dia quem sabe. Estão melhores a cada jogo, evoluindo aos poucos, mais confiantes. Jogaram uma partida impecável contra o Celtics, achando que dava pra ganhar, e quer saber? Ganharam.
O Celtics de antes nunca permitiria essa derrota, Garnett degolaria os juízes responsáveis pelo placar e mudaria o resultado na unha se fosse preciso. Mas não, jogou silenciosamente (e bem!) e assistiu a seu time apático que jogou como sempre, como se fosse qualquer outro jogo, contra qualquer outro adversário, e como se eles não estivessem perdendo para a pior campanha da NBA. Ficaram arremessando de longe, sem se aproximar do garrafão (a fobia de garrafão do Rasheed se alastra pela equipe), enquanto o Nets batia para dentro em toda posse de bola. O Nets cobrou 41 lances livres, o Celtics cobrou 11. Nisso o jogo já estava perdido, mesmo se as bolas de longe do time verde tivessem caído. Mas não caíram, e aí está: um time vencido por sua mentalidade, enquanto o Nets passa a vencer por ter uma mentalidade correta. A cachola acima do pescoço tornando possível superar a falta de talento. É por isso que o Jason Kidd vai estar paraplégico, preso numa cama de hospital, e ainda vai dominar a NBA com sua telecinese paranormal. O Celtics não tem chances de título nessa situação, e agora eu tenho medo do Mavs. Podem não ganhar um anel, mas pelo menos sabem resolver alguns sudokus – e isso, na NBA, já é muito raro.

Agora ou nunca

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Jamison é um prato cheio pra quem gosta de fazer montagens pornográficas

Na terça-feira falamos sobre a troca que o Wizards fez mandando o Caron Butler para Dallas, ontem falamos do Clippers mandando o Marcus Camby para Portland e ontem à noite foi a vez dos dois times, contando com a ajuda do Cavs, terminarem o desmonte de suas equipes pensando no mercado de Free Agents do ano que vem.
No começo da noite passada Danny Ferry, general manager do Cleveland Cavaliers, ligou uma última vez para Steve Kerr, manager do Phoenix Suns, para saber como estava a situação de Amar’e Stoudemire. Ao saber que de lá não ia sair mais nada, decidiu partir para a segunda opção e fechou uma troca com o Washington Wizards e o Los Angeles Clippers. No saldo final da troca o Wizards perdeu Antawn Jamison e em troca recebeu Zydrunas Ilgauskas, Al Thornton e uma escolha de draft do Cavs, que por sua vez perdeu Ilgauskas e levou pra Cleveland Antawn Jamison e o armador Sebastian Telfair. O Clippers perdeu Thornton e recebeu em troca o Drew Gooden, que, trocado mais uma vez, pelo segundo dia seguido, é o novo Quentin Richardson da NBA.
Vamos analisar essa troca por partes:
Cleveland Cavaliers
Apesar da melhor campanha da NBA, o Cleveland sentia que precisava mudar alguma coisa para chegar ao título, um aprendizado da temporada passada quando terminaram a temporada regular com o maior número de vitórias e depois caíram diante do Orlando Magic porque não tinham ninguém para marcar o Rashard Lewis na defesa e ninguém com bolas no saco para chamar o jogo no ataque além do LeBron James.
Com essa troca o Cavs consegue um cara muito parecido com o Rashard Lewis, que não só poderá marcá-lo como poderá fazer o mesmo estrago no ataque. Jamison é um dos poucos alas de força que tem um arremesso preciso de longa distância sem perder o poder ofensivo dentro do garrafão. Lá perto da cesta ele não é um cara de força, mas com sua finesse consegue os pontos que quer. Imagino que no Cavs ele possa ser útil dos dois jeitos, pode ficar longe da cesta abrindo espaço para as infiltrações do LeBron e para o trabalho do Shaq, enquanto pode ir lá dentro quando estiver sendo marcado por alguém mais baixo.
Essa estratégia de deixar um arremessador do lado do Shaq para se aproveitar da atenção que o pivô chama lá perto da cesta já estava sendo usada quando o técnico Mike Brown colocava Shaq e Ilgauskas ao mesmo tempo em quadra. Até dava certo, mas o time ficava muito lento e apanhava de garrafões mais jovens e atléticos. Com Jamison, muito mais veloz que o Big Z, esse problema fica amenizado.
Apesar de consagrado como ala de força, o Jamison é ágil e rápido o bastante para jogar na posição 3, isso daria ainda mais opções para o Cavs enfrentar qualquer outro tipo de oponente. Podem montar um time alto e rápido com Mo Williams, LeBron, Jamison, Hickson e Varejão, ou um time baixo e cheio de arremessadores e um pivozão no meio com Mo, Delonte West, LeBron, Jamison e Shaq. Ou seja, Jamison é um cara talentoso, experiente e versátil que chega em um time que já tinha jogadores o bastante para montar várias formações diferentes capazes de se adaptar a qualquer time da NBA.
Se no ano passado faltava alguém para lidar com Rashard Lewis e os matchups estranhos do Magic, agora não tem mais essa desculpa. Se na última derrota faltou gente experiente para chamar o jogo além do LeBron, agora eles tem toneladas de experiência com Jamison e Shaq. Podem dizer que o Jamison era a segunda opção, mas acho que era melhor do que a primeira. Se o Cavs pegasse o Amar’e eles reuniriam a dupla Stoudemire e Shaq no garrafão, uma dupla que já não deu certo no ano passado em Phoenix, não existia razão para dar certo dessa vez. Além disso teriam que mandar o promissor JJ Hickson para o Suns, uma das condições primordiais da troca, e nessa com o Wizards eles só perderam o Ilgauskas, que ainda poderá ser dispensado do Washington e voltar para Cleveland daqui 30 dias.
Washington Wizards
Um fato curioso dessa troca é que a discussão está na mesa há semanas e o Wizards estava muito relutante em fazê-la. Não porque não queriam perder o Jamison, mas porque não queriam ajudar tanto o Cavs a serem campeões devido à rivalidade entre as duas equipes que se criou nos últimos anos. Não deve ser legal ajudar um rival mesmo, mas o Wizards deve ter pensado que a rivalidade já é coisa do passado já que eles nem conseguem mais ir para os playoffs perder do Cavs.
Falou mais alto a vontade de limpar o máximo de espaço salarial para a temporada que vem. Já que ninguém quer o Gilbert Arenas, que troquem todo o resto que ainda tem valor de mercado e comecem do zero.
Quem ficou bastante magoado com tudo isso foi o próprio Antawn Jamison. Ele tinha uma relação bastante profunda com a franquia, desde os donos, torcedores, cidade, até com o resto dos jogadores e funcionários. Era o capitão da equipe, o mais experiente e foi a voz dos jogadores e elo entre eles e a torcida e direção da equipe durante todo o escândalo do Arenas com o Javaris Critentton e suas armas. Ontem, ao saber da troca, perguntaram pra ele se tinha alguma mensagem para os fãs, ele respondeu apenas “Eu amo mais eles do que eles me amam”.
É interessante essa reação do Jamison um dia depois do Camby também ter ficado triste de ter saído do Clippers. Nos dois casos são jogadores muito bons que estavam afundando com equipes terríveis e foram trocados para potências de suas conferências. Mesmo assim os dois não esconderam a tristeza de deixar um time e uma cidade com quem tinham profunda relação. Claro que não vão reclamar de finalmente voltar a vencer alguns joguinhos (e talvez um campeonato), mas é legal ver a relação que alguns jogadores criam com seus times.
Em termos de basquete o Wizards é hoje um time pior do que era antes da troca, claro, mas é uma chance da pivetada ter minutos de sobra pra mostrar quem deve ou não continuar no time. Ontem o pivô JaValle McGee, que herdou a titularidade do Brendan Haywood, e o Andray Blatche, que é o novo titular no lugar do Jamison, fizeram grandes partidas. Randy Foye e Nick Young tem a chance de suas carreiras agora também.
A troca foi feita por questões de dinheiro e a partir de agora a equipe tem para o ano que vem apenas 7 contratos garantidos: Gilbert Arenas, Randy Foye, Andray Blatche, Nick Young, JaValle McGee, Quinton Ross e o outro cara que chegou na troca, Al Thornton, que, assim como os outro jovens da equipe, terá meia temporada para se firmar na equipe depois de ficar encostado no Clippers.
Isso significa que eles tem um contrato monstro com o Arenas, um bando de pivete barato e um bom espaço para contratar pelo menos um cara espetacular. Se é que algum cara espetacular quer se arriscar nesse time que deu errado até com 3 All-Stars jogando ao mesmo tempo.
Los Angeles Clippers
A troca do Al Thornton é um grande mistério. Ele jogou muito no seu primeiro ano como novato, jogou melhor ainda no ano passado e nesse ano ficou completamente de lado no Clippers. Perdeu a vaga de titular, seus minutos e números despencaram e, de repente, o manager Mike Dunleavy disse que eles estavam fazendo de tudo para trocá-lo afim de liberar espaço salarial.
Conseguiram fazer isso ontem e ao mesmo tempo se livraram do contrato do Sebastian Telfair. Os dois juntos somavam pouco mais de 5 milhões de dólares em salário, são jovens e bons, não é como se os dois carregassem contratos imbecis como o do Jared Jeffries ou do Eddy Curry, juro que não entendo o desespero de se livrar tão rapidamente de um jogador que até outro dia era uma peça tão valiosa em troca de nada além de espaço salarial.
Em dois dias o Clippers perdeu Marcus Camby e Al Thornton e em troca só ganhou a chance de poder oferecer contratos enormes na próxima offseason. Mas e daí? Quantos Free Agents bons você já viu com vontade de ir para o Clippers? No passado recente eu só lembro do Baron Davis, e dizem que foi só porque ele queria ficar perto do estúdio de cinema que ele comprou em Los Angeles. Assim como dissemos ontem em relação à troca do Camby, o Clippers perdeu com o Thornton uma boa chance de receber em troca escolhas de draft ou jogadores novos para reconstruir o time.
O resumo dessa troca é que dois times fizeram mudanças para desmontar o resto de seus times ruins e se preparar para a próxima offseason, o outro já tinha a melhor campanha da liga e conseguiu adicionar um All-Star em troca de um pivô reserva, um fatality. Se o Cavs for campeão, que mande pelo menos uma réplica do anel para Wizards e Clippers, se não for campeão, aí adeus LeBron. Se nem com um elenco monstruoso ele consegue alguma coisa por lá, é bem provável que vá embora.

O Clippers é o Clippers

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Camby ri por saber que vai voltar a vencer jogos

A data-limite para trocas na NBA é amanhã, dia 18 de fevereiro, mas algumas trocas já começaram a rolar. A primeira foi a do Caron Butler para o Mavericks que o Danilo comentou ontem, logo depois aconteceu mais uma, o Clippers mandou Marcus Camby para o Portland Trail Blazers em troca de Steve Blake, Travis Outlaw e, dizem, 3 milhões de dólares.

Minha primeira reação foi de ter visto uma ótima troca. O Blazers deve ser o time que mais precisa de um pivô atualmente, afinal perderam Vovô Oden, Pryzbilla, e estão usando o Juwan Howard, que tinha idade pra ser pai do Mutombo, de pivô titular. Como li sabiamente aí pela internet (não lembro onde!), “eu não confiaria a defesa do meu time ao Juwan Howard de ala de força em 1997, que dirá de pivô em 2010”. Isso mostra o desespero do Blazers atrás de um cara que possa segurar a barra lá entre os grandes.
Do outro lado, o Clippers não precisava mais do Camby. Eles já tem no Chris Kaman um excelente pivô, para a temporada que vem vão ter o Blake Griffin como seu parceiro de garrafão e no banco ainda tem o jovem e cada vez mais promissor DeAndre Jordan, que faz grandes jogos sempre que tem chance. Dar tempo de quadra pra ele era importante demais para o Clippers! Mas não é porque o time não precisa mais que ele iria sair de graça, então trocaram por Blake e Outlaw.
Achei, a princípio, o Blake uma ótima aquisição. Sabe organizar o jogo, é aplicado taticamente e arremessa bem, ou seja, tudo o que o Baron Davis não está fazendo nessa temporada. Eu responsabilizo o armador do Clippers como maior culpado pela temporada miserável da equipe, ele não tem jogado metade do que sabe e ainda tem que ficar em quadra porque mesmo ruim é dez vezes melhor que o Telfair. Já o Travis Outlaw é um aprendiz de Kobe no que diz respeito a treino. Não para de treinar, já disse ser apaixonado pelo seu próprio arremesso que pratica à exaustão, quer sempre melhorar todos os aspectos do seu jogo e sonha em um dia ser uma estrela. Por isso mesmo às vezes peca por não tocar muito a bola, mas está sempre em evolução e no Blazers era o Sr.Quarto Período, sempre resolvendo os jogos mesmo com o Brandon Roy em quadra. Pensei ser o cara ideal para o Clippers, um dos times que mais entrega a rapadura no fim dos jogos.
Mas como já disse outras vezes, o Clippers não tem a maldição de ter jogadores e times ruins, a maldição deles é dar esperança pra depois, quando ela estiver lá em cima, destruir tudo com força.
Fui conferir os contratos de Steve Blake e Travis Outlaw e descobri que ambos, assim como Camby, tem o contrato expirando ao fim dessa temporada. Serão Free Agents daqui alguns meses e, claro, irão preferir qualquer outro time com um histórico mais decente a ficar no Clippers. E com a contusão do Travis Outlaw é bem capaz que ele termine a temporada ainda na enfermaria e acabe sua carreira no Clippers sem ter jogado um jogo sequer. Em outras palavras, o Clippers trocou o Marcus Camby, um baita pivô, raridade na NBA atual, dias antes da data-limite, por meia temporada do Steve Blake e muito dinheiro. Ou ainda em outras palavras, trocou uma chance de crescer por grana. Será que não dava pra passar mais alguns dias conversando com outros times para conseguir coisa melhor?
Isso é muito Clippers. Se o Camby não é mais útil em um time que não tem chances na temporada e o Blazers precisa dele, por que não conseguir escolhas de draft no processo? Por que não envolver algum dos promissores e baratos reservas do Blazers como Jeff Pendegraph ou Dante Cunningham? Ou por que não forçou o Blazers a pegar também alguns dos contratos que o Clippers diz tanto que quer se livrar, como o do Al Thornton?
Levando em consideração as mesmas coisas dá pra dizer que o Blazers conseguiu mais uma vez uma ótima troca. Perdeu, na prática, um de seus vários armadores reservas por um pivô titular, só. Eu sou o fã número 1 do Steve Blake depois da mãe dele, digo isso desde o tempo dele no Nuggets, mas é fato que o Blazers com Andre Miller, Jerryd Bayless e Brandon Roy não precisa desesperadamente do Blake pra levar a armação da equipe. E o Outlaw, fora até o fim da temporada e Free Agent depois disso, poderia acabar sem jogar mais no Blazers mesmo.
O Camby não vai fazer milagre em Portland, não será o responsável por parar Gasol, Bynum, Nenê, Kenyon Martin e Nowitzki nos playoffs, mas estamos falando de um time que está na zona de playoff apesar de ser o quarto pior time da liga em rebotes defensivos, o segundo pior em número de rebotes dos adversários e o quinto pior em tocos por jogo. Apesar de não ser um ótimo defensor no mano a mano como alguns acreditam, ele irá ajudar em tudo isso que o time fede e vai fazer com que o garrafão do Blazers deixe de ser uma passarela para bandejas adversárias. Também não dá pra esquecer que o Camby é um cara muito esforçado, mesmo no que ele não é bom ele se esforça para não ser ridículo, não vi até hoje um técnico que tenha trabalhado com ele e que tenha reclamado de ter o pivô no time.
Pra completar o desastre ainda falaram que o Marcus Camby ficou sabendo da troca por meio do seu agente, não pelo general manager do time, Mike Dunleavy, no meio do jantar do time que acontecia, por coincidência, em Portland, onde o Clippers tomou uma sova ontem. O Camby se disse decepcionado porque não foi avisado ou questionado e que realmente tinha esperanças de assinar um novo contrato com o Clippers na temporada que vem, já que diz gostar da organização (ou gostava até ontem, pelo menos) e que estava feliz que sua família estava gostando de Los Angeles.
Depois dessas trocas o Clippers tem, garantidos, 39 milhões de dólares em contratos para a próxima temporada. Se o teto salarial ficar parecido com o desse ano (dizem que deve cair um pouco e os jogadores até estão ameaçando greve por isso) o time terá pouco mais de 15 milhões para distribuir entre novos jogadores. Falta saber apenas que doidos vão topar ir para o primo pobre de LA depois de mais uma temporada desastrosa.