De volta dos mortos

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O Elton Brand ameaça chorar se não deixarem ele brincar também

Agora, a última moda é jogador voltar de contusão. Parece que todos os contundidos estão voltando das tumbas, alguns com esperança de playoffs, outros sem razões aparentes. Apesar do número surreal de contusões que assola uma NBA que tem uma temporada desse tamanho, acabamos dando sorte. Porque em geral a maioria das contusões acaba acontecendo no finalzinho da temporada, quando os jogadores estão mais desgastados. E, dessa vez, prestes a iniciar um dos playoffs mais disputados da história, estamos justamente vendo as estrelas voltando a tempo de disputar a pós-temporada.

Já era o meio do primeiro quarto da partida entre Wizards e Bucks quando Gilbert Arenas entrou correndo dos vestiários rumo ao banco de reservas, vestindo seu uniforme. O Arenas não havia participado nem do treino e nem do aquecimento para o jogo, entrou de sopetão sem o técnico nem estar sabendo e antes que se pudesse dizer “paranguaricutirimirruaru” já estava em quadra, com a bola nas mãos. Foi uma entrada digna de um dos jogadores mais polêmicos da NBA, mas não foi o bastante para garantir a vitória do Wizards, que perdeu graças a um arremesso de último segundo do Ramon Sessions. Perder uma partida não é nenhum problema, mas você teria coragem de ligar para sua mãe e dizer “Perdi por causa do Ramon Sessions“? É muita vergonha.

Além de Arenas, Gasol também voltou para o elenco do Lakers, que estava sentindo falta. Por alguma razão cósmica, Lamar Odom é simplesmente um dos melhores jogadores da NBA quando está em quadra com Kobe e Gasol, e até que conseguiu manter (em parte) o ritmo mesmo com a contusão de Gasol. Mas, com o espanhol de volta, Odom já está pronto para comandar ainda mais e chutar uns traseiros. O Lakers é um caso inexplicável porque a química entre Kobe, Gasol e Odom é incrível e está lá desde o começo, sem necessidade de grandes modificações no esquema como aconteceu em Phoenix ou em Dallas depois das trocas. Coisas da sorte ou coisas de Phil Jackson? Enquanto isso, o pivô overpower de 12 anos, Andrew Bynum, continua tentando se recuperar a tempo de jogar ao menos uma partida antes dos playoffs. Está lá correndo numa máquina sofisticada que reduz sua gravidade ou algo do tipo, nunca entendo esses aparelhos saídos diretamente do Dragon Ball Z. Mas ele também deve voltar da cova em breve.

O alemão Dirk Nowitzki também voltou e foi justamente contra o Warriors, seu maior pesadelo na Terra. O resultado foi uma vitória sólida em cima do time porra-louca de Golden State. E, mais do que isso, foi um passo gigante rumo aos playoffs depois de ficar pendurado no grupo de 8 classificados pela pontinha dos dedos. A briga entre Warriors, Mavs e Nuggets pela sétima e oitava vaga promete ser a melhor dos últimos tempos.

Outro time brigando por vaga nos playoffs, mas lá no grupo dos café-com-leite, é o Pacers. Lá no Leste, a briga é só pela oitava vaga e envolve o Hawks (atualmente se classificando), Pacers, Nets e Bulls. Mas que fracasso! O Pacers ter chances de se classificar é mais ridículo do que perder jogos para o Ramon Sessions! Em todo caso, Jermaine O’Neal está de volta depois de mal participar dessa temporada e traz alguma esperança de classificação para o time de Indiana. Mas é nessas horas que eu entendo um pouco o Miami. Esse Pacers fede, se for para os playoffs vai ser risivelmente humilhado pelo Celtics, o Jermaine tem uma saúde digna de pena, então será que vale mesmo a pena colocar ele de volta em quadra? Deveriam é chamar uns 30 caras da Liga de Desenvolvimento e melhorar as chances de draft, já que vale apelar.

Mas existe um time que não quer apelar. Um time nobre, justo, íntegro, que não joga papel de bala na rua e nem gruda caca de nariz debaixo da carteira. Estou falando do primo pobre do Lakers, o Los Angeles Clippers. Veja bem, eles não têm mais nenhuma chance de ir para os playoffs. Têm um dos piores recordes do Oeste e com um esforcinho poderiam ficar lá entre os dois ou três que mais fedem para melhorar suas chances no sorteio do draft. A idéia parece tentadora, não é mesmo, Miami Heat? O Clippers poderia pegar caras da Liga de Desenvolvimento, mandar o técnico observar jogadores no Camboja, dizer que todos os jogadores pisaram num prego e não podem mais jogar. Mas não. Assim que Elton Brand ficou minimamente saudável, depois de toda uma temporada de fora, voltou para as quadras. Será que não passou pela cabeça da equipe preservar um jogador que vem de sérios problemas com contusão já que, para o Clippers, a temporada acabou? Que nada. Elton Brand está lá fazendo seus pontos, dando seus tocos, chutando traseiros, tudo enquanto passa completamente despercebido, como em todo o resto da sua carreira. A maioria das pessoas nem deve saber que ele voltou a jogar. Mas ele está lá, sem nenhum propósito. E eu acho isso lindo. Porque é correto, é nobre, é justo. E influencia diretamente a disputa para os playoffs do Oeste.

Sobre isso, vamos dar uma olhada nas próximas partidas de Warriors, Nuggets e Mavs, até porque está na moda colocar isso em tudo quanto é site de basquete e não queremos ficar para trás, né?

Dallas Mavericks:
vs Sonics (em casa)
vs Jazz (em casa)
vs Blazers (fora)
vs Sonics (fora)
vs Hornets (em casa)

Warriors:
vs Kings (em casa)
vs Nuggets (em casa)
vs Clippers (em casa)
vs Suns (fora)
vs Sonics (em casa)

Denver:
vs Clippers (fora)
vs Warriors (fora)
vs Jazz (fora)
vs Rockets (em casa)
vs Grizzlies (em casa)

O que isso significa, crianças? Que, com apenas 2 vitórias separando o sétimo (Mavs) do nono colocado (Warriors), o Clippers terá um papel importante: joga em casa contra o Denver Nuggets e em Oakland contra o Warriors. A presença de Elton Brand pode ser crucial nesses confrontos e estou feliz demais por saber que ele estará presente, um atestado de seriedade no embate que decidirá os classificados. Cada partida agora tem uma importância enorme e contra o Clippers não será diferente.

Esse domingo, por exemplo, viu Dallas e Warriors jogarem como malucos que defendiam suas próprias vidas. O Warriors enfrentou o primeiro colocado Hornets, e embora estivesse dando tudo errado para os “Guerreiros” de trás da linha de 3 pontos, o jogo se manteve brigado e disputado até o último período. A verdade é que o Warriors é um time simples: eles correm como dá e aí então arremessam de três ou então enterram. Quando um desses recursos não está funcionando, metade do poder ofensivo simplesmente desaparece. Ainda assim, Monta Ellis resolveu que iria manter o jogo interessante e me deixou impressionado pela quinquagésima vez. Alguém me responda, tem algum sujeito na NBA tão rápido que ataque o aro com tanta eficiência quanto o Monta Ellis? Iverson, Ginobili, talvez? E quão bizarro é eu ser obrigado a colocar Monta Ellis nesse grupo de elite e ainda assim o Stojakovic ter marcado o Ellis em vários momentos da partida? Nem preciso dizer que o sérvio-que-não-sabe-defender foi tão humilhado que eu até tirei as crianças da sala. Mas isso não foi o bastante para garantir a vitória em dia de triple-double do provável futuro MVP, o excelentíssimo senhor Chris Paul.

No outro jogo da rodada dupla, o Mavs enfrentou o Suns e passou boa parte do jogo tomando uma sova, até que resolveu fazer algo parecido com “defesa” e aí deslanchou completamente na partida. O fato de que o Nowitzki passou a comandar as jogadas e a bater para dentro, e que o Nash não acertaria nem se o aro fosse a bunda da Gretchen, ajudaram o Dallas a dar uma disparada. Mas o jogo só acabou mesmo quando o Dirk (que pra mim é disparado o jogador mais descoordenado da NBA quando bate em direção à cesta, mesmo quando ele acerta e faz direitinho) tentou penetrar no garrafão e saiu tropicando como um bêbado em churrasco de domingo. Aí, quando eu tinha certeza de que ele ia cair de queixo no chão, o alemão tacou a bola pra cima com aquele arremesso esquisito que eu vou ensinar para o meu filho e acertou de modo bastante improvável. Foi naquele absurdo que o final do jogo ficou praticamente decretado. E é claro que o Amaré errar enterradas e um punhado de lances livres não ajudou também.

Dá pra ver, portanto, que os jogos com Dallas, Nuggets e Warriors em quadra são, agora, os mais divertidos da NBA. Até o fim da temporada regular, não vou perder unzinho sequer. Especialmente contra o Clippers, aliás. Quero ver como o Elton Brand se sai nesses dois jogos e aplaudir aqui de casa a seriedade da equipe. Se bem que ninguém em Los Angeles vai ouvir e os meus vizinhos vão pensar que sou autista. Mas o Clippers merece.

Os novos elencos

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Big Ben nem ouve LeBron, apenas pensa num plano para matar Pavlovic e poder jogar de novo com a camisa número 3

Mal deu tempo de decorar todas as trocas que aconteceram, foram trocentas e as mais importantes se concretizaram de repente, no último minuto, sem sequer terem sido cogitadas na mídia antes. Isso torna nossa vida lendo sites de boatos um bocado inútil, mas agora é tarde, o vício já está feito. A brincadeira da moda, agora, além de namorar pelado e lembrar direitinho de todas as trocas, é assistir os times com suas novas caras.

Dei uma olhada no Mavs de Jason Kidd para ver como estão as coisas. Foram 15 assistências contra o Grizzlies e 17 assistências contra o Wolves, resultando numa média de 11 assistências por jogo e incrívels 4 roubos de bola por partida vestindo a camiseta do Dallas. Assisti a partida contra o Wolves e nos minutos iniciais, fiquei me perguntando se aquele careca perdendo a bola e se confundindo inteiro no ataque era mesmo Jason Kidd ou se era seu filho cabeçudo que resolveu ir trabalhar no lugar do papai que estava doente. Mas aí bastaram quatro assistências em quatro posses de bola seguidas, ainda no primeiro quarto, para que a suspeita desaparecesse. Jason Kidd ainda é o mesmo, só demora um pouco para esquentar e às vezes fica um bocado de escanteio. O Dallas está acostumado a não ter um armador principal, chama muitas jogadas em que Kidd sequer participa, mas durante todo o jogo o talento fala mais alto, os passes vão surgindo com naturalidade, ensaiados ou não, e a vida de todo mundo fica mais fácil. Nowitzki e Jason Terry estão fazendo a festa, tendo arremessos livres que antes nem imaginavam, mas curiosamente é o pivô destrambelhado Erick Dampier quem mais se favoreceu com a chegada do armador. Aquela cara de bocó e a falta de talento são famosas na NBA e ele é constantemente deixado sem marcação. Com a presença de Kidd, falhas de marcação viram enterradas fáceis. Eis aí como Kenyon Martin e Mikki Moore pareciam ser grandes merdas no Nets.

Minha única preocupação com o experimento Kidd, que por enquanto é um sucesso absoluto, é o que diabos o Dallas vai fazer contra os armadores adversários. Kidd foi engolido vivo por Chris Paul em seu primeiro jogo pelo Dallas, mas contra o Wolves também passou bastante vergonha sendo incapaz de parar Sebastian Telfair, o primo menos desmiolado do Marbury. Na hora dos playoffs, Kidd enfrentará Chris Paul, Deron Williams, Tony Parker, Baron Davis. E aí, vão colocar quem para marcar esses caras? Dá para imaginar que tipo de atrocidade Tony Parker e Manu Ginobili fariam sendo defendidos por Kidd e Jason Terry? Fica aí algo no que se pensar. Talvez mandar Trenton Hassel para o Nets não tenha sido uma idéia tão boa assim.

Outro time que estreiou elenco novo foi o Cavs. LeBron está cercado de amiguinhos novos para brincar e eu, pelo menos, gostei muito do resultado. Assisti Cavs e Grizzlies e fiquei muito impressionado com a inteligência e entrosamento imediato do time de Cleveland. Mas pode ter sido só uma ilusão de ótica porque o Grizzlies é tão ruim que até queimou minhas retinas. Ainda assim, Delonte West se saiu bem apesar de não ser um armador tradicional, Wally Szczczczcz(…) fez bem o seu papel apesar de não acertar os malditos arremessos e o Joe Smith mostrou porque era um dos melhores jogadores do Bulls, matando bolas fáceis e sendo consistente. Mas o negócio foi bom mesmo é pro Ben Wallance. Algo a se pensar: o Cavs foi campeão do Leste na temporada passada por ser uma das melhores defesas da NBA, certo? Por ser o time líder em rebotes ofensivos, certo? E o que acontece quando você coloca Big Ben num time voltado para a defesa e para os rebotes ofensivos? Se fosse o Show do Milhão e você respondesse “casamento perfeito”, ganharia os parabéns do Seu Sílvio.

Ben Wallace parece que nasceu para esse esquema, jogou sentindo que pertencia, empolgado, feliz de ter sido trocado. Não forçou um arremesso sequer, passou a bola (ele é melhor passador do que se dá crédito, mesmo nos tempos de Chicago Bulls) e até acertou os lances livres. Depois do jogo, soltou:

“A torcida foi ótima! Não me vaiaram. Isso é novo para mim.”

Pelo contrário, a torcida vibrou loucamente. Ele e Ilgauskas são um par perfeito e vão ter lindos filhinhos brancos com cara de sono e cabelo black power. Eu considero o Ilgauskas o melhor reboteiro ofensivo de toda a NBA. Ele pode não agarrar os rebotes, mas ele está sempre no lugar certo para dar um tapa, atrapalhar, manter a bola viva. É inteligente, salva bolas dando tapinhas para companheiros e isso não está nas estatísticas. Com Big Ben agarrando os rebotes com sua força costumeira, aí está um time assustador com umas quinhentas posses de bola a mais por jogo. Que tal?

Além disso, acho que vale a pena mencionar o Devin Brown. Ele não veio nesse mar de trocas, está no elenco desde o começo da temporada, mas sempre gostei dele desde que foi campeão com o Spurs. E olha que para eu gostar de alguém do Spurs o negócio tem que ser sério. Mas é que Devin Brown ataca a cesta, defende, acerta arremessos importantes e é tipo o avião invisível da Mulher-Maravilha, parece tão idiota que todo mundo esquece que está lá, mas pode salvar a pele da galera na hora do aperto. Pra mim, deveria se manter como titular do Cavs. Até porque a concorrência é mamata: Damon Jones (o auto-entitulado “melhor arremessador do mundo”) está acertando seus arremessos, pode ser mortal às vezes, mas não defende, não arma, não come, não respira – só arremessa.

Como não sou de ferro, resolvi assistir e comentar a nova cara do Houston Rockets. Não porque ele foi transformado por trocas, mas por contusões. Com Yao Ming fora, meu Houston entrou em quadra com Mutombo titular. O resultado? São agora 13 vitórias seguidas, dessa vez em cima do Wizards que, mesmo muito desfalcado, acabara de vencer o Hornets. Tudo isso com plaquinhas na torcida do tipo “Ainda acreditamos” e “13-0, façam pelo Yao!”. Tocante.

Muita gente por aí disse que o Houston deveria assinar o Jamaal Magloire para substituir o Yao Ming. Deixa eu dizer uma coisa: ninguém no mundo precisa do Magloire a não ser que seja para trocar uma lâmpada muito alta ou levar um rodízio de carnes à falência. Acreditem ou não, o Rockets tem banco de reservas para ter uma rotação grande, versátil e sólida. Os pontos no garrafão, meu maior medo sem Yao, não viriam com Magloire, de qualquer jeito. Então, para o bem da geladeira do meu time, é melhor deixar ele para lá.

Para continuar a sequência de vitórias, o Houston teve que encontrar espaços que sumiram sem Yao em quadra. O chinês recebe marcação dupla o tempo todo, gerando muitos arremessos livres de trás da linha de três pontos. Sem ele, a movimentação de bola foi fator fundamental e o Houston passou a bola de forma veloz e inteligente. Os piores momentos do time foram justamente quando T-Mac resolveu forçar o jogo e os passes, até então impecáveis, pararam. Mas o Rockets ganhou o jogo foi mesmo na defesa. Sem poder afunilar o garrafão na direção de Yao, cada um apertou mais seu homem no perímetro e Mutombo mostrou para o que veio.

Lembrem bem disso: nunca desconsiderem Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo só porque ele tem 4.000 anos de idade. Ele jogou pouco, foi bastante poupado, mas enquanto esteve em quadra (pouco mais de 20 minutos) deu quatro tocos, um para fora da quadra, e por três vezes fez o clássico sinal de “não” com o dedinho, ganhando uma falta técnica numa dessas vezes porque a NBA é um troço chato e o David Stern come meleca de nariz.

Mutombo deu seus tocos, o novato Carl Landry pegou uma chuva de rebotes ofensivos e acertou arremessos de fora do garrafão que deixaram Yao orgulhoso (o chinês não parou de dar conselhos para o novato no banco de reservas), Chuck Hayes defendeu muito bem cavando faltas e Scola acertou todos os seus arremessos. Aí está o garrafão do Houston. Não é um sonho mas não pode ser desconsiderado. Jogando entrosado como está, com velocidade, se mostrando de repente um dos melhores times da Liga em contra-ataques, talvez a ida aos playoffs aconteça de modo mais fácil do que eu imaginava. Para então sermos comidos vivos por Duncan, Boozer, Gasol, esses caras grandinhos por aí que, como o mundo é injusto, não quebraram o pé esses dias.

Mas nesses tempos em que até o Heat conseguiu uma vitória, tudo é possível.

>Preço de banana

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Mike Bibby agradece por ter sido trocado por um pacote de Trakinas

Algumas trocas na NBA já são mais manjadas do que engravidar do Mick Jagger. O Bibby está para ser trocado do Kings desde que o ICQ ainda era moda. E foi bem no meio do fim de semana do All-Star que, na miúda, ele foi parar no Atlanta Hawks. Coisas de time que tem vergonha do que está fazendo e quer passar despercebido.

No meio da nossa cobertura do All-Star não havia tempo para criticar o Kings, mas em plena segunda-feira, com aquele mal-humor desgraçado de quem foi dormir tarde pra burro vendo o LeBron ser coroado MVP, me sinto no direito de soltar alguns impropérios. Ou seja, mas que troca de merda! Acho que eu não via uma troca tão estapafúrdia desde quando o Nets mandou Kerry Kittles para o Clippers em troca de dinheiro e nada mais. Pô, não tinha nenhum novato pé-de-chinelo que podia ser mandando em troca? Ser trocado por dinheiro é uma baita ofensa, é tipo ser chamado de pé de alface.

Não me importa se o Bibby está em decadência, fora de ritmo, acabando de voltar de contusão. Mike Bibby teve uma péssima temporada passada, desmotivado, sentindo que o time pelo qual tanto lutara havia sido completamente desmontado. Não me importa se ele tinha problemas de relacionamento com o Artest, se ia dar o fora dali quando o contrato acabasse. Só o que me importa é que Bibby é um baita de um armador e, se trocá-lo era tão essencial assim, o Kings deveria tirar algum proveito disso.

Para quem ainda não viu, a troca foi Mike Bibby para o Hawks e Shelden Williams, Lorenzen Wright, Anthony Johnson, Tyronn Lue e uma escolha de draft de segundo round para o Kings. Ou seja, um jogador jovem e grande que só sabe pegar rebotes em Shelden Williams, um contrato que vai expirar esse ano em Wright, e dois armadores com “reserva” escrito na testa em Johnson e Lue. O Kings, então, vai ter dois armadores reservas novos e vai dar o barco para o Beno Udrih comandar. Pelo jeito, eles devem ter gostado mesmo do esloveno esnobado pelo Spurs.

Fora isso, a equipe tem um reserva para o garrafão que não deve acrescentar muito e, principalmente, espaço pra burro no limite salarial. Pra mim, isso significa que eles devem querer manter o Ron Artest, que aliás já disse que agora pretende mesmo ficar em Sacramento. Parece que ele odiava mais o Bibby do que se imaginava.

Minha tristeza é que esse Kings não teve tempo para funcionar com todas as peças saudáveis. Quando um estava saudável, o outro estava morrendo de dengue. Quando um finalmente lembrou como é que se joga basquete, o outro foi trocado. Era muito difícil deixar o elenco junto, sem contusões, pelo menos mais esse fim de temporada? A pressa não permitiu. Mas agora me diz uma coisa: será que nenhum outro time ofereceu algo melhorzinho do que Shelden e Tyronn Lue? Nenhum time ofereceu sequer um Big Mac caprichado?

Para o Hawks, a troca parece um assalto a mão armada de tão sacana. O time cansou de ficar sofrendo com a pirralhada e, ao menor sinal de que eles finalmente poderiam ir para os playoffs, arranjou um armador experiente, pontuador e que sabe botar ordem na casa. Taí, o Hawks que já era uma surpresa passa a ser uma certeza para os playoffs no Leste. Não que isso signifique alguma coisa, claro. Hoje em dia, estar nos playoffs do Leste é mais fácil do que não estar. Para ficar de fora da disputa, só fazendo pior do que propaganda do Guaraná Dolly.

Enquanto isso, a troca do Kidd continua sendo mais confusa do que a última temporada do Lost. Parece que vai rolar mesmo, mas o Stackhouse (que na troca original iria para o Nets mas seria mandado embora para voltar ao Mavs após o prazo obrigatório de 30 dias) vai ficar no Mavs mesmo e em seu lugar vai o defensor-e-nada-mais Trenton Hassel. Como o Devean George vetou a troca, arranjaram outro mané em seu lugar. Trata-se de Keith Van Horn, aquele cara que tinha um topete engraçado, meias até os joelhos e era tão amarelão que fazia o Nowitzki parecer o Reggie Miller. Além disso, o cara é tão preguiçoso que abandonou a NBA faz um tempo enorme mas não se deu ao trabalho de assinar os papéis de aposentadoria. Levantar uma caneta é tã-a-ao desgastante…

Portanto, Van Horn ainda não está oficialmente aposentado e deve ser reassinado pelo Dallas só para que o valor dos contratos sejam equilibrados na hora da troca. O único problema é que a NBA não quer que esse bando de cara semi-morto fique sendo envolvido em trocas, então obriga que os jogadores envolvidos pelo menos compareçam aos times para os quais foram trocados, tipo o Aaron McKie que tem 420 anos, tem os pés fossilizados, mas teve que aparecer lá em Memphis na troca do Pau Gasol.

A dúvida agora é a seguinte: o sujeito que nem se deu ao trabalho de se aposentar vai conseguir levantar do sofá, vestir suas pantufas e comparecer a New Jersey? Acho que vai depender da graninha que rolar por fora. Se ele também não topar, a troca não rola.

Para o Nets, é bom que a troca aconteça mesmo. Faz muito tempo que todos nós samemos que o Nets atingiu um máximo e que dali não passa. Foram algumas finais da NBA mas ainda faltava algo para o anel chegar. Lapidaram aqui, rebocaram ali, mas o negócio é que o Nets sempre foi piorando aos poucos apesar de ser sempre bom. Esse time não ia ser campeão nunca e era óbvio que tava na hora de parar de ficar concertando, tem que tacar tudo fora e começar de novo. É melhor feder por uns tempos e ter chances de crescer do que ficar para sempre sendo meia-boca sem conseguir novatos decentes no draft, como aquele Wolves que tinha o Garnett.

Em breve o Carter não vai conseguir mais nem ir ao banheiro e o Nets será de Devin Harris e Richard Jefferson, com um banco razoável. Pelo menos muda um pouco os ares e o pessoal pára de bocejar em New Jersey. Lembrando sempre que pior do que o vizinho New York não tem como ficar.

Para o Mavs, eu sei que o preço pode ser um pouco alto mas eu nunca negaria o Kidd no meu time. Ele não sabe arremessar, não vai pontuar loucamente, mas não tem problema. Coloca ele em qualquer time e assista o experimento dar certo, não tem como ficar pior do que estava. Coloque ele numa jaula com gorilas e todos trabalharão em equipe e terão a mesma quantidade de bananas. Se o Dallas com ele vai ganhar um título, aí é outra história. Mas depois do fracasso em Golden State na temporada passada, tentar uma coisa nova não faz mal a ninguém.

E se nenhum desses motivos convencer os torcedores do Mavs, basta lembrar que agora está na moda no Oeste fazer trocas por jogadores all-star, deixando a conferência tão forte que o Leste inteiro deveria se mudar para a liga de basquete do Canadá. Pensando assim, levar o Kidd para casa pega bem. E deixa o All-Star Game da temporada que vem ainda mais disputado.

Sabadão com o Gugu

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Se o Superman dos quadrinhos fosse assim, eu até leria mais HQ

Já acabou. Campeonato de enterrada de novo só no ano que vem. Eu sei, também estou deprimido e vou ficar assim muito tempo ainda. Por um dia pra ser exato. Até o jogo das estrelas, aí fico bem de novo.

Mas não estou aqui para desabafar sobre minhas tristezas, estou aqui para falar de tudo o que aconteceu ontem na noite de sábado. Então vamos logo, sem enrolar, para uma passada em cada um dos eventos!

Haier Shooting Stars

Esse foi o único evento que não participou do bolão. O motivo é que estávamos com medo de que, como em anos anteriores, os participantes fossem revelados muito em cima da hora. Até que não foi assim mas, quando saíram, a promoção já estava no ar.

Mas de qualquer forma, não importa, ninguém ia acertar mesmo! Quem acreditaria que dois caras com mais de 2,10m de altura iriam vencer uma competição de arremessos? O negócio é que se você junta o Tim Duncan e o David Robinson, algo de bom acontece e eles vencem. Acho que se eles participassem do campeonato de NBA Live, já era pro Tony Parker e era capaz até de algum deles ganhar a Eva Longoria. Estou com a maioria dos que votaram na última enquete e não sou muito fã do Spurs, não gosto do Bowen, do Ginobili cavando faltas e de ver eles ganhando em cima do meu Lakers, mas do Duncan, apesar da cara de sonso, eu gosto. E ver ele e o David Robinson vencendo foi divertido.

E se você quer saber, acho que ontem a maioria das pessoas torceu para o San Antonio. O motivo não é nenhuma das torres gêmeas, mas sim aquela delícia da Becky Hammon! É o que eu sempre digo, por que deus é tão injusto e dá talento e beleza pra mesma pessoa? Ela podia ser só mais uma burra bonita, mas não, é uma puta jogadora de basquete. Quantas baranguinhas por aí não gostariam de ter o talento dela pra, pelo menos, descontar a raiva de ser feia na quadra? Mundo cruel.

Destaque para o time de Chicago que, se tivesse mais pontaria no arremesso do meio da quadra, teria levado o título. Mas pra NBA foi melhor ter Duncan e Robinson ganhando do que o Chris Duhon, que só foi bom uma vez na vida, semanas atrás quando meteu 34 pontos no Warriors. Seu dia de Gilert Arenas, comentaram por aí.

E a decepção do torneio foi o Mr. Big Shot, Chauncey Billups. Errou muitas e muitas bolas seguidas em seu primeiro local de arremesso. Pior que ele só a bola que o Laimbeer jogou na torcida.

Aqui os melhores momentos:

Playstation Skills Challenge

Aqui era o duelo de um veterano já campeão, Jason Kidd; o atual bi-campeão, Wade; e a melhor rivalidade da NBA, Deron Williams e Chris Paul.

Pra começar, o vovô Kidd. Ele mostrou ao Dallas o que pode fazer se for pra lá. Muitos dribles, velocidade, pontaria nos passes e NENHUM arremesso. Foi naquele arremesso da cabeça do garrafão que ele perdeu a chance de ir pra final do desafio. Ele nunca foi conhecido por seus arremessos, mas parece que ele está piorando com a idade. Mas nada contra ele, como dizem alguns (e eu concordo), ele é um dos únicos jogadores da NBA a conseguir dominar um jogo sem arremessar uma bola sequer. Ben Wallace era o outro que era capaz disso nos seus bons tempos.

Tinha grande expectativa para ver D-Wade atuar. Ele tem tido problemas físicos mas ainda é o “Flash” e tem seu orgulho a defender. Até apostei nele como MVP do All-Star Game porque acho que ele vai jogar bem sério para conseguir ter algo de bom nessa temporada. Mas até agora não tem nada de bom.O cara está zicado até o osso.
Primeiro errou um drible que ele nunca deve ter errado na vida, depois não conseguia acertar um arremesso sequer e, pra terminar, errou bandejas que nem aquele seu primo de 10 anos que você chama pra jogar com você quando está entediado erraria. Foi feio.

Na primeira rodada, tanto Chris Paul quanto Deron Williams foram bem, nada espetacular, mas já os garantiu na final. E quando o assunto é CP3 contra Deron, o cara de Utah sempre vence. É assim desde a primeira temporada dos dois. Paul pode até ser melhor no geral, regularmente, mas na hora do duelo de um contra o outro, o Deron Williams SEMPRE vence. Votei no Deron para esse Skills Challenge só porque sei do prazer que ele tem em vencer seu rival.

E, pelo menos nessa, eu acertei. Deron foi impecável e não deu chances ao garoto da casa. Uma bela e divertida vitória que você pode assistir abaixo.

FootLocker 3 point Shootout

Eu cheguei a pensar duas ou até mais vezes antes de colocar meu voto no bolão. Primeiro pensei que nunca é bom apostar contra o Kobe, depois pensei que o Hamilton sempre vence o Kobe nos duelos Pistons-Lakers e que ele poderia repetir a dose, depois pensei que o Nash nunca erra arremessos livres nos jogos. Mas depois vi esse vídeo e lembrei: ninguém arremessa como Jason Kapono.

E foi assim mesmo, Kapono não foi lá pra brincar e simplesmente destruiu os outros oponentes. Ontem nem Larry Bird era capaz de parar o Novak Djokovic do basquete. Por outro lado, a disputa pelo segundo lugar foi bem emocionante!

Rip Hamilton foi o primeiro a arremessar e, depois que esquentou, foi espetacular, teria feito 17 pontos se não tivesse pisado na linha nos arremessos finais. Depois foi a vez de Daniel Gibson arremessar muito bem, embora, como Hamilton, tenha demorado pra pegar o ritmo. Ele também fez 17, mas sem pisar na linha. Nowitzki, que tem o arremesso que eu vou ensinar para os meus filhos, foi bem parecido com os outros e só pegou o embalo depois de ouvir a torcida ameaçar uma risada depois de uma airball. 17 pro alemão.

A vergonha foi Steve Nash. Além de demorar uns mil anos pra arremessar cada uma das bolas, andou na velocidade de seu novo companheiro Shaq entre uma sequência e outra de bolas. No fim acertou apenas 9! Até o amigo do César, leitor do Bola Presa, que outro dia meteu 12, se sairia melhor. Já Peja não foi ruim, mas também não foi bom o bastante. Foi, como gosto de dizer, bege.

Espero ano que vem ver o Hamilton de volta pra não pisar na linha, o Kobe mostrando o que pode fazer, quero ver o Leandrinho e, claro, quero ver o Kapono ser o primeiro jogador a não errar nenhum arremesso em um campeonato de três pontos!

O resumo da disputa você pode ver aqui:

Sprite Slam Dunk Contest

Primeiro um desabafo: Rudy Gay, por que você pediu ajuda no YouTube se você não usou nenhuma daquelas idéias?! Ou, se usou, foi uma das mais chatas, porque eu vi coisas absurdas por lá e você foi o pior competidor de ontem! Uma vergonha!
Pronto, falei o que queria falar sobre o Rudy Gay e não vou mais tocar no seu nome porque ele não merece. A ponte aérea vinda do Kyle Lowry foi legal mas não convenceu.

Minha segunda revolta é contra os juízes. Eles não foram tão injustos como no ano passado com Dwight Howard mas nesse ano, por um ponto, deixaram o Jamario Moon de fora das finais.

A primeira cravada do jogador do Toronto merecia um 50! O problema da enterrada foi que ela não desceu forte no chão, ela bateu um pouco no aro e isso causou uma impressão pior para a plástica da ação, mas mesmo assim eu daria um dez. Já a segunda enterrada dele foi muito legal, mas quem ferrou ela não foram os juízes, mas ele mesmo. Primeiro por colocar o Kapono pra dar o passe. Com Calderon e TJ Ford no time, ele vai me escolher o Kapono pra dar o passe só porque ele já estava lá? Pagou o preço, o passe saiu bem mais ou menos.
Outro ponto negativo foi que ele passou longe DEMAIS daquela linha que ele mesmo colocou antes da linha do lance-livre. Quero acreditar que se ele colocou aquela linha lá é porque ele consegue pular de tão longe. Gostaria de ver ele de volta à ação no ano que vem, pulando daquele lugar e usando um bom passador para a enterrada.

Falando dos dois finalistas, Gerald Green foi o que mais tentou inventar. Primeiro foi aquele apagar de velas que me fez morrer de rir. Depois usou Rashad McCants segurando a bola na escada que, não foi uma enterrada pra 50, mas mostrou o quanto aquele maluco consegue pular!
Na final ele cometeu um erro que até é comum em concursos de enterradas: ao invés do mais bonito, ele foi para o mais difícil. Enterrar descalço não é fácil, dói, você não pega a mesma impulsão e nem a mesma velocidade. Mas quem é que se importa com isso se o resultado é uma enterrada que já vimos várias vezes antes?
Sua melhor enterrada, porém, veio na final. Foi aquele passe que veio do McCants (depois de mil tentativas) por trás da tabela e que ele pegou, passou por baixo das pernas e enterrou. Aquela foi linda demais!

Sobre a polêmica dele ter jogado o tênis na mesa dos jurados, achei aquilo invenção, não vi nada demais. Ele deu uma de mala só, qual o problema? Faz parte do personagem que está no campeonato de enterradas.

Agora, o que falar de Dwight Howard? Ele abusou da criatividade em todas as suas enterradas. Nos fez rir ao mesmo tempo que nos impressionávamos com suas fortes cravadas. Foi fabuloso.

Ele começou com aquela jogando a bola atrás da tabela, que, merecidamente, recebeu um 50. Depois fez a enterrada que é a imagem que ficará guardada desse campeonato de enterradas: a enterrada do Superman! Por um instante achei que ele ia tentar pular do lance-livre e enterrar com as duas mãos, como o Carter fez em 2000 e que recebeu o nome de “Superman Dunk”, mas não, ele só pulou de muito longe e arremessou a bola na cesta! Nem enterrou, ARREMESSOU! Foi o máximo!!! Respondendo à enquete aí do lado, eu deixava a Jessica Alba de lado fácil fácil pra poder ver um campeonato de enterradas!

Na final, D-Ho usou uma enterrada que só não era nova pra quem viu o vídeo dele treinando. Aquele tapinha na tabela antes de enterrar, já no ar, foi algo lindo demais e que nunca tinha sido feito em um campeonato de enterradas! Coisa de doido! E pensar que hoje ele disse que começou a preparar as enterradas há duas semanas apenas. Haja criatividade!
Depois da enterrada da meia do Gerald Green, o Howard só precisava de uma boa enterrada pra garantir o título. E fez até mais do que isso. Fiquei um pouquinho triste com o fato dele não ter colocado a cestinha pequena em um lugar mais alto, como na altura de 2,60m que ele tinha pedido. Mas mesmo assim foi uma bela enterrada para finalizar um belo campeonato. Campeonato este que você pode ver os melhores momentos aqui:

Espero, do fundo do coração, ver Dwight Howard de volta no ano que vem para defender seu título. Por enquanto vamos ver se ele, pelo menos, garante umas boas enterradas hoje no All-Star Game.

Ah, e o Bibby foi para o Hawks em troca de uma escolha de segundo round, Shelden Williams, Tyronn Lue, Anthony Johnson e Lorenzen Wright. Mas falamos disso a fundo quando o All-Star Weekend acabar.

Bom All-Star game para todos e boa sorte na nossa promoção!

>Desconhecido do mês – parte final

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Dance, Dance, Dance. Todas as noites, na Band!

Acaba o mês de Royal Ivey. Primeiro parecia que ia ser o desconhecido mais fracassado até agora, ele não estava tendo o sucesso que Antoine Wright teve no seu mês nos Nets e sua vida não tem a história espetacular de DJ Mbenga. Mas não é que o Royale with Cheese acabou se saindo bem?

Meio que na obrigação, o técnico do Bucks foi forçado a colocá-lo na rotação. Aproveitou sua versatilidade pra enfiar o cara em qualquer roubada, jogou em inúmeras posições e está se dando bem. Para terminar o mês, foram três atuações de alto nível.

O primeiro jogo foi espetacular. Em casa contra o Wizards, Butler vinha tendo uma noite muito boa mas o Bucks estava ainda melhor. Faltando pouco menos de um minuto de jogo, o time de Milwaukee vencia por 11 pontos. Mas conseguiram jogar no lixo. Com 22 segundos faltando e quatro pontos na frente, o Bucks deixou Jamison pegar o rebote de um lance livre, diminuir para dois pontos e ainda sofrer a falta. Jamison também perdeu o lance livre e dessa vez foi Caron Butler quem pegou o rebote ofensivo e empatou o jogo. Prorrogação.
Na prorrogação o jogo pegou fogo, a torcida estava delirando e a partida foi decidida por quem conseguiu seu máximo de pontos na carreira. Não Caron Butler que fez 40, mas Royal Ivey que fez a cesta da vitória faltando 6 segundos para o fim do jogo e com isso atingiu o seu máximo na carreira, 17 pontos.

Para qualquer time minimamente regular, uma vitória dessas seria um belo impulso para uma sequência de vitórias, ainda mais quando os próximos dois oponentes são o Nets, vindo de 9 derrotas seguidas, e o Sixers, que não está nenhuma beleza também. Mas para o Bucks isso não quer dizer nada, ainda mais quando se joga fora de casa. A última vitória do Bucks fora de casa foi no dia 8 de janeiro, então em New Jersey o jogo acabou 89-80 para o Nets e como boa lembrança para o Bucks nesse jogo apenas a enterrada de Yi sobre Sean Williams. Mas ei, o Ivey apareceu nos melhores momentos sim, vejam aqui. É o mínimo de amor por um cara que em dois jogos seguidos quebrou seu recorde de pontos em um jogo, foram 19 contra o Nets.

O jogo contra o Sixers pareceu bom para o Ivey, fez 17 pontos mais uma vez, foi o cestinha do time e mais uma vez foi titular e um dos jogadores com mais minutos no time. Mas para o Bucks em geral foi um joguinho bem ruim. Ruim não, humilhante. E com “humilhante” eu quero dizer que é do nível dos 7 a 2 que a Portuguesa meteu no São Paulo em 98. O placar do jogo foi 112-69 pro Sixers, a maior vitória da equipe nos últimos 25 anos! “Essa a gente precisa esquecer”, nas palavras de Larry Krystkowiak.

Então vamos esquecer. Mais uma vez é melhor falar do Ivey fora da quadra, porque dentro a coisa tá feia. Janeiro foi marcante como o mês em que ele se firmou como titular e em que garantiu sua vaga na rotação do time, mesmo quando estiverem todos saudáveis.

Fora da quadra a coisa mais legal da vida do Royal Ivey e que deixei por último pra falar é sua principal qualidade. Não é defender, arremessar e nem jogar Samba de Amigo no Dreamcast (essa é a minha principal qualidade na vida!). O talento do Ivey, porém, tem até uma relação: ele é um exímio dançarino. Sim, dançarino. Ele entrou no colégio em que fez o colegial passando em um teste para dança! O cara fez aulas de ballet, hip-hop, sapateado e dança contemporânea. Vocês tem noção de como é difícil saber tudo isso? E imagine ainda como deve ser difícil pra um negão de 1,93m dançar balé. O cara é um vencedor, sem dúvida. Dançar balé deve ser mais difícil que sobreviver a guerras africanas, o Mbenga que me desculpe!

Já na universidade do Texas, perguntado sobre suas habilidades na dança, Ivey disse que ajuda seu jogo defensivo:
“Defesa é puramente coordenação e timing. Dançar ajuda muito a aprender as duas coisas”.

Pior que ele tem razão. No dia 23 do mês passado, ele mostrou alguns passos no intervalo do jogo, como diz essa notícia, uma pena que o YouTube não tem essa.

Mas o que o YouTube tem é uma trapalhada do Ivey. Querendo incentivar seu colega Charlie Bell depois dele ter sofrido uma falta, Ivey lhe dá um tapinha na cabeça. Mas acho que ele exagerou na força e, pela cara, o Bell não ficou nada feliz.

Alguma sugestão para o desconhecido de fevereiro? Coloque sua idéia nos comentários!