>Preço de banana

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Mike Bibby agradece por ter sido trocado por um pacote de Trakinas

Algumas trocas na NBA já são mais manjadas do que engravidar do Mick Jagger. O Bibby está para ser trocado do Kings desde que o ICQ ainda era moda. E foi bem no meio do fim de semana do All-Star que, na miúda, ele foi parar no Atlanta Hawks. Coisas de time que tem vergonha do que está fazendo e quer passar despercebido.

No meio da nossa cobertura do All-Star não havia tempo para criticar o Kings, mas em plena segunda-feira, com aquele mal-humor desgraçado de quem foi dormir tarde pra burro vendo o LeBron ser coroado MVP, me sinto no direito de soltar alguns impropérios. Ou seja, mas que troca de merda! Acho que eu não via uma troca tão estapafúrdia desde quando o Nets mandou Kerry Kittles para o Clippers em troca de dinheiro e nada mais. Pô, não tinha nenhum novato pé-de-chinelo que podia ser mandando em troca? Ser trocado por dinheiro é uma baita ofensa, é tipo ser chamado de pé de alface.

Não me importa se o Bibby está em decadência, fora de ritmo, acabando de voltar de contusão. Mike Bibby teve uma péssima temporada passada, desmotivado, sentindo que o time pelo qual tanto lutara havia sido completamente desmontado. Não me importa se ele tinha problemas de relacionamento com o Artest, se ia dar o fora dali quando o contrato acabasse. Só o que me importa é que Bibby é um baita de um armador e, se trocá-lo era tão essencial assim, o Kings deveria tirar algum proveito disso.

Para quem ainda não viu, a troca foi Mike Bibby para o Hawks e Shelden Williams, Lorenzen Wright, Anthony Johnson, Tyronn Lue e uma escolha de draft de segundo round para o Kings. Ou seja, um jogador jovem e grande que só sabe pegar rebotes em Shelden Williams, um contrato que vai expirar esse ano em Wright, e dois armadores com “reserva” escrito na testa em Johnson e Lue. O Kings, então, vai ter dois armadores reservas novos e vai dar o barco para o Beno Udrih comandar. Pelo jeito, eles devem ter gostado mesmo do esloveno esnobado pelo Spurs.

Fora isso, a equipe tem um reserva para o garrafão que não deve acrescentar muito e, principalmente, espaço pra burro no limite salarial. Pra mim, isso significa que eles devem querer manter o Ron Artest, que aliás já disse que agora pretende mesmo ficar em Sacramento. Parece que ele odiava mais o Bibby do que se imaginava.

Minha tristeza é que esse Kings não teve tempo para funcionar com todas as peças saudáveis. Quando um estava saudável, o outro estava morrendo de dengue. Quando um finalmente lembrou como é que se joga basquete, o outro foi trocado. Era muito difícil deixar o elenco junto, sem contusões, pelo menos mais esse fim de temporada? A pressa não permitiu. Mas agora me diz uma coisa: será que nenhum outro time ofereceu algo melhorzinho do que Shelden e Tyronn Lue? Nenhum time ofereceu sequer um Big Mac caprichado?

Para o Hawks, a troca parece um assalto a mão armada de tão sacana. O time cansou de ficar sofrendo com a pirralhada e, ao menor sinal de que eles finalmente poderiam ir para os playoffs, arranjou um armador experiente, pontuador e que sabe botar ordem na casa. Taí, o Hawks que já era uma surpresa passa a ser uma certeza para os playoffs no Leste. Não que isso signifique alguma coisa, claro. Hoje em dia, estar nos playoffs do Leste é mais fácil do que não estar. Para ficar de fora da disputa, só fazendo pior do que propaganda do Guaraná Dolly.

Enquanto isso, a troca do Kidd continua sendo mais confusa do que a última temporada do Lost. Parece que vai rolar mesmo, mas o Stackhouse (que na troca original iria para o Nets mas seria mandado embora para voltar ao Mavs após o prazo obrigatório de 30 dias) vai ficar no Mavs mesmo e em seu lugar vai o defensor-e-nada-mais Trenton Hassel. Como o Devean George vetou a troca, arranjaram outro mané em seu lugar. Trata-se de Keith Van Horn, aquele cara que tinha um topete engraçado, meias até os joelhos e era tão amarelão que fazia o Nowitzki parecer o Reggie Miller. Além disso, o cara é tão preguiçoso que abandonou a NBA faz um tempo enorme mas não se deu ao trabalho de assinar os papéis de aposentadoria. Levantar uma caneta é tã-a-ao desgastante…

Portanto, Van Horn ainda não está oficialmente aposentado e deve ser reassinado pelo Dallas só para que o valor dos contratos sejam equilibrados na hora da troca. O único problema é que a NBA não quer que esse bando de cara semi-morto fique sendo envolvido em trocas, então obriga que os jogadores envolvidos pelo menos compareçam aos times para os quais foram trocados, tipo o Aaron McKie que tem 420 anos, tem os pés fossilizados, mas teve que aparecer lá em Memphis na troca do Pau Gasol.

A dúvida agora é a seguinte: o sujeito que nem se deu ao trabalho de se aposentar vai conseguir levantar do sofá, vestir suas pantufas e comparecer a New Jersey? Acho que vai depender da graninha que rolar por fora. Se ele também não topar, a troca não rola.

Para o Nets, é bom que a troca aconteça mesmo. Faz muito tempo que todos nós samemos que o Nets atingiu um máximo e que dali não passa. Foram algumas finais da NBA mas ainda faltava algo para o anel chegar. Lapidaram aqui, rebocaram ali, mas o negócio é que o Nets sempre foi piorando aos poucos apesar de ser sempre bom. Esse time não ia ser campeão nunca e era óbvio que tava na hora de parar de ficar concertando, tem que tacar tudo fora e começar de novo. É melhor feder por uns tempos e ter chances de crescer do que ficar para sempre sendo meia-boca sem conseguir novatos decentes no draft, como aquele Wolves que tinha o Garnett.

Em breve o Carter não vai conseguir mais nem ir ao banheiro e o Nets será de Devin Harris e Richard Jefferson, com um banco razoável. Pelo menos muda um pouco os ares e o pessoal pára de bocejar em New Jersey. Lembrando sempre que pior do que o vizinho New York não tem como ficar.

Para o Mavs, eu sei que o preço pode ser um pouco alto mas eu nunca negaria o Kidd no meu time. Ele não sabe arremessar, não vai pontuar loucamente, mas não tem problema. Coloca ele em qualquer time e assista o experimento dar certo, não tem como ficar pior do que estava. Coloque ele numa jaula com gorilas e todos trabalharão em equipe e terão a mesma quantidade de bananas. Se o Dallas com ele vai ganhar um título, aí é outra história. Mas depois do fracasso em Golden State na temporada passada, tentar uma coisa nova não faz mal a ninguém.

E se nenhum desses motivos convencer os torcedores do Mavs, basta lembrar que agora está na moda no Oeste fazer trocas por jogadores all-star, deixando a conferência tão forte que o Leste inteiro deveria se mudar para a liga de basquete do Canadá. Pensando assim, levar o Kidd para casa pega bem. E deixa o All-Star Game da temporada que vem ainda mais disputado.

Sabadão com o Gugu

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Se o Superman dos quadrinhos fosse assim, eu até leria mais HQ

Já acabou. Campeonato de enterrada de novo só no ano que vem. Eu sei, também estou deprimido e vou ficar assim muito tempo ainda. Por um dia pra ser exato. Até o jogo das estrelas, aí fico bem de novo.

Mas não estou aqui para desabafar sobre minhas tristezas, estou aqui para falar de tudo o que aconteceu ontem na noite de sábado. Então vamos logo, sem enrolar, para uma passada em cada um dos eventos!

Haier Shooting Stars

Esse foi o único evento que não participou do bolão. O motivo é que estávamos com medo de que, como em anos anteriores, os participantes fossem revelados muito em cima da hora. Até que não foi assim mas, quando saíram, a promoção já estava no ar.

Mas de qualquer forma, não importa, ninguém ia acertar mesmo! Quem acreditaria que dois caras com mais de 2,10m de altura iriam vencer uma competição de arremessos? O negócio é que se você junta o Tim Duncan e o David Robinson, algo de bom acontece e eles vencem. Acho que se eles participassem do campeonato de NBA Live, já era pro Tony Parker e era capaz até de algum deles ganhar a Eva Longoria. Estou com a maioria dos que votaram na última enquete e não sou muito fã do Spurs, não gosto do Bowen, do Ginobili cavando faltas e de ver eles ganhando em cima do meu Lakers, mas do Duncan, apesar da cara de sonso, eu gosto. E ver ele e o David Robinson vencendo foi divertido.

E se você quer saber, acho que ontem a maioria das pessoas torceu para o San Antonio. O motivo não é nenhuma das torres gêmeas, mas sim aquela delícia da Becky Hammon! É o que eu sempre digo, por que deus é tão injusto e dá talento e beleza pra mesma pessoa? Ela podia ser só mais uma burra bonita, mas não, é uma puta jogadora de basquete. Quantas baranguinhas por aí não gostariam de ter o talento dela pra, pelo menos, descontar a raiva de ser feia na quadra? Mundo cruel.

Destaque para o time de Chicago que, se tivesse mais pontaria no arremesso do meio da quadra, teria levado o título. Mas pra NBA foi melhor ter Duncan e Robinson ganhando do que o Chris Duhon, que só foi bom uma vez na vida, semanas atrás quando meteu 34 pontos no Warriors. Seu dia de Gilert Arenas, comentaram por aí.

E a decepção do torneio foi o Mr. Big Shot, Chauncey Billups. Errou muitas e muitas bolas seguidas em seu primeiro local de arremesso. Pior que ele só a bola que o Laimbeer jogou na torcida.

Aqui os melhores momentos:

Playstation Skills Challenge

Aqui era o duelo de um veterano já campeão, Jason Kidd; o atual bi-campeão, Wade; e a melhor rivalidade da NBA, Deron Williams e Chris Paul.

Pra começar, o vovô Kidd. Ele mostrou ao Dallas o que pode fazer se for pra lá. Muitos dribles, velocidade, pontaria nos passes e NENHUM arremesso. Foi naquele arremesso da cabeça do garrafão que ele perdeu a chance de ir pra final do desafio. Ele nunca foi conhecido por seus arremessos, mas parece que ele está piorando com a idade. Mas nada contra ele, como dizem alguns (e eu concordo), ele é um dos únicos jogadores da NBA a conseguir dominar um jogo sem arremessar uma bola sequer. Ben Wallace era o outro que era capaz disso nos seus bons tempos.

Tinha grande expectativa para ver D-Wade atuar. Ele tem tido problemas físicos mas ainda é o “Flash” e tem seu orgulho a defender. Até apostei nele como MVP do All-Star Game porque acho que ele vai jogar bem sério para conseguir ter algo de bom nessa temporada. Mas até agora não tem nada de bom.O cara está zicado até o osso.
Primeiro errou um drible que ele nunca deve ter errado na vida, depois não conseguia acertar um arremesso sequer e, pra terminar, errou bandejas que nem aquele seu primo de 10 anos que você chama pra jogar com você quando está entediado erraria. Foi feio.

Na primeira rodada, tanto Chris Paul quanto Deron Williams foram bem, nada espetacular, mas já os garantiu na final. E quando o assunto é CP3 contra Deron, o cara de Utah sempre vence. É assim desde a primeira temporada dos dois. Paul pode até ser melhor no geral, regularmente, mas na hora do duelo de um contra o outro, o Deron Williams SEMPRE vence. Votei no Deron para esse Skills Challenge só porque sei do prazer que ele tem em vencer seu rival.

E, pelo menos nessa, eu acertei. Deron foi impecável e não deu chances ao garoto da casa. Uma bela e divertida vitória que você pode assistir abaixo.

FootLocker 3 point Shootout

Eu cheguei a pensar duas ou até mais vezes antes de colocar meu voto no bolão. Primeiro pensei que nunca é bom apostar contra o Kobe, depois pensei que o Hamilton sempre vence o Kobe nos duelos Pistons-Lakers e que ele poderia repetir a dose, depois pensei que o Nash nunca erra arremessos livres nos jogos. Mas depois vi esse vídeo e lembrei: ninguém arremessa como Jason Kapono.

E foi assim mesmo, Kapono não foi lá pra brincar e simplesmente destruiu os outros oponentes. Ontem nem Larry Bird era capaz de parar o Novak Djokovic do basquete. Por outro lado, a disputa pelo segundo lugar foi bem emocionante!

Rip Hamilton foi o primeiro a arremessar e, depois que esquentou, foi espetacular, teria feito 17 pontos se não tivesse pisado na linha nos arremessos finais. Depois foi a vez de Daniel Gibson arremessar muito bem, embora, como Hamilton, tenha demorado pra pegar o ritmo. Ele também fez 17, mas sem pisar na linha. Nowitzki, que tem o arremesso que eu vou ensinar para os meus filhos, foi bem parecido com os outros e só pegou o embalo depois de ouvir a torcida ameaçar uma risada depois de uma airball. 17 pro alemão.

A vergonha foi Steve Nash. Além de demorar uns mil anos pra arremessar cada uma das bolas, andou na velocidade de seu novo companheiro Shaq entre uma sequência e outra de bolas. No fim acertou apenas 9! Até o amigo do César, leitor do Bola Presa, que outro dia meteu 12, se sairia melhor. Já Peja não foi ruim, mas também não foi bom o bastante. Foi, como gosto de dizer, bege.

Espero ano que vem ver o Hamilton de volta pra não pisar na linha, o Kobe mostrando o que pode fazer, quero ver o Leandrinho e, claro, quero ver o Kapono ser o primeiro jogador a não errar nenhum arremesso em um campeonato de três pontos!

O resumo da disputa você pode ver aqui:

Sprite Slam Dunk Contest

Primeiro um desabafo: Rudy Gay, por que você pediu ajuda no YouTube se você não usou nenhuma daquelas idéias?! Ou, se usou, foi uma das mais chatas, porque eu vi coisas absurdas por lá e você foi o pior competidor de ontem! Uma vergonha!
Pronto, falei o que queria falar sobre o Rudy Gay e não vou mais tocar no seu nome porque ele não merece. A ponte aérea vinda do Kyle Lowry foi legal mas não convenceu.

Minha segunda revolta é contra os juízes. Eles não foram tão injustos como no ano passado com Dwight Howard mas nesse ano, por um ponto, deixaram o Jamario Moon de fora das finais.

A primeira cravada do jogador do Toronto merecia um 50! O problema da enterrada foi que ela não desceu forte no chão, ela bateu um pouco no aro e isso causou uma impressão pior para a plástica da ação, mas mesmo assim eu daria um dez. Já a segunda enterrada dele foi muito legal, mas quem ferrou ela não foram os juízes, mas ele mesmo. Primeiro por colocar o Kapono pra dar o passe. Com Calderon e TJ Ford no time, ele vai me escolher o Kapono pra dar o passe só porque ele já estava lá? Pagou o preço, o passe saiu bem mais ou menos.
Outro ponto negativo foi que ele passou longe DEMAIS daquela linha que ele mesmo colocou antes da linha do lance-livre. Quero acreditar que se ele colocou aquela linha lá é porque ele consegue pular de tão longe. Gostaria de ver ele de volta à ação no ano que vem, pulando daquele lugar e usando um bom passador para a enterrada.

Falando dos dois finalistas, Gerald Green foi o que mais tentou inventar. Primeiro foi aquele apagar de velas que me fez morrer de rir. Depois usou Rashad McCants segurando a bola na escada que, não foi uma enterrada pra 50, mas mostrou o quanto aquele maluco consegue pular!
Na final ele cometeu um erro que até é comum em concursos de enterradas: ao invés do mais bonito, ele foi para o mais difícil. Enterrar descalço não é fácil, dói, você não pega a mesma impulsão e nem a mesma velocidade. Mas quem é que se importa com isso se o resultado é uma enterrada que já vimos várias vezes antes?
Sua melhor enterrada, porém, veio na final. Foi aquele passe que veio do McCants (depois de mil tentativas) por trás da tabela e que ele pegou, passou por baixo das pernas e enterrou. Aquela foi linda demais!

Sobre a polêmica dele ter jogado o tênis na mesa dos jurados, achei aquilo invenção, não vi nada demais. Ele deu uma de mala só, qual o problema? Faz parte do personagem que está no campeonato de enterradas.

Agora, o que falar de Dwight Howard? Ele abusou da criatividade em todas as suas enterradas. Nos fez rir ao mesmo tempo que nos impressionávamos com suas fortes cravadas. Foi fabuloso.

Ele começou com aquela jogando a bola atrás da tabela, que, merecidamente, recebeu um 50. Depois fez a enterrada que é a imagem que ficará guardada desse campeonato de enterradas: a enterrada do Superman! Por um instante achei que ele ia tentar pular do lance-livre e enterrar com as duas mãos, como o Carter fez em 2000 e que recebeu o nome de “Superman Dunk”, mas não, ele só pulou de muito longe e arremessou a bola na cesta! Nem enterrou, ARREMESSOU! Foi o máximo!!! Respondendo à enquete aí do lado, eu deixava a Jessica Alba de lado fácil fácil pra poder ver um campeonato de enterradas!

Na final, D-Ho usou uma enterrada que só não era nova pra quem viu o vídeo dele treinando. Aquele tapinha na tabela antes de enterrar, já no ar, foi algo lindo demais e que nunca tinha sido feito em um campeonato de enterradas! Coisa de doido! E pensar que hoje ele disse que começou a preparar as enterradas há duas semanas apenas. Haja criatividade!
Depois da enterrada da meia do Gerald Green, o Howard só precisava de uma boa enterrada pra garantir o título. E fez até mais do que isso. Fiquei um pouquinho triste com o fato dele não ter colocado a cestinha pequena em um lugar mais alto, como na altura de 2,60m que ele tinha pedido. Mas mesmo assim foi uma bela enterrada para finalizar um belo campeonato. Campeonato este que você pode ver os melhores momentos aqui:

Espero, do fundo do coração, ver Dwight Howard de volta no ano que vem para defender seu título. Por enquanto vamos ver se ele, pelo menos, garante umas boas enterradas hoje no All-Star Game.

Ah, e o Bibby foi para o Hawks em troca de uma escolha de segundo round, Shelden Williams, Tyronn Lue, Anthony Johnson e Lorenzen Wright. Mas falamos disso a fundo quando o All-Star Weekend acabar.

Bom All-Star game para todos e boa sorte na nossa promoção!

>Desconhecido do mês – parte final

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Dance, Dance, Dance. Todas as noites, na Band!

Acaba o mês de Royal Ivey. Primeiro parecia que ia ser o desconhecido mais fracassado até agora, ele não estava tendo o sucesso que Antoine Wright teve no seu mês nos Nets e sua vida não tem a história espetacular de DJ Mbenga. Mas não é que o Royale with Cheese acabou se saindo bem?

Meio que na obrigação, o técnico do Bucks foi forçado a colocá-lo na rotação. Aproveitou sua versatilidade pra enfiar o cara em qualquer roubada, jogou em inúmeras posições e está se dando bem. Para terminar o mês, foram três atuações de alto nível.

O primeiro jogo foi espetacular. Em casa contra o Wizards, Butler vinha tendo uma noite muito boa mas o Bucks estava ainda melhor. Faltando pouco menos de um minuto de jogo, o time de Milwaukee vencia por 11 pontos. Mas conseguiram jogar no lixo. Com 22 segundos faltando e quatro pontos na frente, o Bucks deixou Jamison pegar o rebote de um lance livre, diminuir para dois pontos e ainda sofrer a falta. Jamison também perdeu o lance livre e dessa vez foi Caron Butler quem pegou o rebote ofensivo e empatou o jogo. Prorrogação.
Na prorrogação o jogo pegou fogo, a torcida estava delirando e a partida foi decidida por quem conseguiu seu máximo de pontos na carreira. Não Caron Butler que fez 40, mas Royal Ivey que fez a cesta da vitória faltando 6 segundos para o fim do jogo e com isso atingiu o seu máximo na carreira, 17 pontos.

Para qualquer time minimamente regular, uma vitória dessas seria um belo impulso para uma sequência de vitórias, ainda mais quando os próximos dois oponentes são o Nets, vindo de 9 derrotas seguidas, e o Sixers, que não está nenhuma beleza também. Mas para o Bucks isso não quer dizer nada, ainda mais quando se joga fora de casa. A última vitória do Bucks fora de casa foi no dia 8 de janeiro, então em New Jersey o jogo acabou 89-80 para o Nets e como boa lembrança para o Bucks nesse jogo apenas a enterrada de Yi sobre Sean Williams. Mas ei, o Ivey apareceu nos melhores momentos sim, vejam aqui. É o mínimo de amor por um cara que em dois jogos seguidos quebrou seu recorde de pontos em um jogo, foram 19 contra o Nets.

O jogo contra o Sixers pareceu bom para o Ivey, fez 17 pontos mais uma vez, foi o cestinha do time e mais uma vez foi titular e um dos jogadores com mais minutos no time. Mas para o Bucks em geral foi um joguinho bem ruim. Ruim não, humilhante. E com “humilhante” eu quero dizer que é do nível dos 7 a 2 que a Portuguesa meteu no São Paulo em 98. O placar do jogo foi 112-69 pro Sixers, a maior vitória da equipe nos últimos 25 anos! “Essa a gente precisa esquecer”, nas palavras de Larry Krystkowiak.

Então vamos esquecer. Mais uma vez é melhor falar do Ivey fora da quadra, porque dentro a coisa tá feia. Janeiro foi marcante como o mês em que ele se firmou como titular e em que garantiu sua vaga na rotação do time, mesmo quando estiverem todos saudáveis.

Fora da quadra a coisa mais legal da vida do Royal Ivey e que deixei por último pra falar é sua principal qualidade. Não é defender, arremessar e nem jogar Samba de Amigo no Dreamcast (essa é a minha principal qualidade na vida!). O talento do Ivey, porém, tem até uma relação: ele é um exímio dançarino. Sim, dançarino. Ele entrou no colégio em que fez o colegial passando em um teste para dança! O cara fez aulas de ballet, hip-hop, sapateado e dança contemporânea. Vocês tem noção de como é difícil saber tudo isso? E imagine ainda como deve ser difícil pra um negão de 1,93m dançar balé. O cara é um vencedor, sem dúvida. Dançar balé deve ser mais difícil que sobreviver a guerras africanas, o Mbenga que me desculpe!

Já na universidade do Texas, perguntado sobre suas habilidades na dança, Ivey disse que ajuda seu jogo defensivo:
“Defesa é puramente coordenação e timing. Dançar ajuda muito a aprender as duas coisas”.

Pior que ele tem razão. No dia 23 do mês passado, ele mostrou alguns passos no intervalo do jogo, como diz essa notícia, uma pena que o YouTube não tem essa.

Mas o que o YouTube tem é uma trapalhada do Ivey. Querendo incentivar seu colega Charlie Bell depois dele ter sofrido uma falta, Ivey lhe dá um tapinha na cabeça. Mas acho que ele exagerou na força e, pela cara, o Bell não ficou nada feliz.

Alguma sugestão para o desconhecido de fevereiro? Coloque sua idéia nos comentários!

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Esse ano não teremos Gilbert Arenas no All-Star tentando adivinhar como diabos Damon Jones foi parar lá

Após os titulares para o All-Star Game serem decididos pelo público através de votação pela internet, chegou a hora dos técnicos usarem o máximo de bom senso que lhes cabe (o Isiah, por exemplo, não tem nenhum) e votar nos jogadores que serão os reservas. As escolhas saíram ontem e podem ser vistas aqui, num artigo do site oficial da NBA.

Esse é o momento perfeito, então, para a gente brincar de fazer nossas próprias escolhas. Como os titulares são votados pela internet, em geral o atributo mais importante para levar um jogador ao All-Star é nacionalidade chinesa. Escolhemos nossos titulares ignorando a votação oficial pela internet, elegendo nossos escolhidos por mérito e não por nacionalidade, cor dos olhos ou propinas pagas para o Bola Presa. Embora tenhamos que admitir que só não levamos em conta as propinas porque ainda não recebemos nenhuma.

Os reservas são compostos por dois armadores (G), dois alas (F), um pivô (C) e dois jogadores de qualquer posição. Sinta-se livre para colocar sua lista de escolhidos nos comentários, respeitando o número de jogadores de cada posição mas colocando o jogador que você quiser na posição que você quiser. Se você acha que o Shaq pode jogar de armador, não sou eu que vai discordar de você. Vamos às nossas escolhas:

Denis:

Titulares:
G – Steve Nash
G – Kobe Bryant
F – Dirk Nowitzki
F – Tim Duncan
C – Yao Ming

Reservas:
G – Baron Davis
G – Chris Paul
G – Allen Iverson
F – Carmelo Anthony
F – Josh Howard
F – Carlos Boozer
C – Amaré Stoudemire

– O Dirk não é Small Forward mas All-Star não é pra ser certinho nas posições, é pra colocar quem merece mais pra jogar e o Dirk merece ser titular, bem mais que o Carmelo, que não é nem o melhor do time dele.

– Ao contrário da escalação oficial, não pude deixar o Baron Davis de fora, o cara tá jogando demais, no mesmo nível ou melhor que o Chris Paul. Então os dois entram, os dois atrás do Nash, claro, que ainda é o melhor armador da NBA.

– O David West só foi porque o jogo é em New Orleans, achei forçada de barra. Levaria no lugar dele o Josh Howard sem pensar duas vezes. Aliás, levaria o Tyson Chandler antes de levar o West.

– Vai ser chato um All-Star Game sem o T-Mac mas é assim que funciona, ele não está jogando tão bem, se machucou de novo e aí fica de fora.

Titulares:
G – Jason Kidd
G – Dwyane Wade
F – LeBron James
F – Kevin Garnett
C – Dwight Howard

Reservas:
G – Jose Calderon
G – Ray Allen
G – Richard Jefferson
F – Paul Pierce
F – Caron Butler
F – Hedo Turkoglu
C – Chris Bosh

– Não, eu não estou louco e nem nasci na Espanha. Mas é que eu não sei que outro armador está jogando mais que o Calderon nos últimos meses no Leste, só o Kidd. Billups está ótimo como sempre, mas o que o Calderon está fazendo é fora do normal, os números não mostram nem o que ele e nem o que o Billups fazem de melhor, e na subjetividade, fico com o espanhol.

Dwyane Wade poderia ser questionado também por estar no pior time da liga, mas o cara é fora de série, já teve uns jogos em que fez coisas surreais e, por incompetência dos outros, o time perdeu. E também a eleição é dos melhores jogadores, não dos melhores times.

– E não é por causa do sucesso do Boston que coloquei todas as 3 estrelas do Celtics, os três é que estão jogando muito.

– Quem eu não me conformei que ficou de fora da lista oficial e coloquei na minha foi Richard Jefferson, o cara tá jogando demais, demais mesmo, muito mais que o Hamilton, que também está ótimo, mas eu deixaria de fora.

– Outro que devem me matar por colocar na minha lista é o Turkoglu. O cara nem é Power Forward, mas joga assim no Magic e está jogando muita bola, decidindo jogos, chamando a responsabilidade e nesse ano além de chutar resolveu aprender a bater pra dentro e fazer bandejas lindas, All-Star pra ele.

Danilo:

Titulares:
G – Steve Nash
G – Kobe Bryant
F – Carmelo Anthony
F – Carlos Boozer
C – Yao Ming

Reservas:
G – Baron Davis
G – Chris Paul
G – Allen Iverson
F – Dirk Nowitzki
F – Tim Duncan
F – Al Jefferson
C – Amaré Stoudemire

– O Brandon Roy que me perdoe, mas vê-lo tomando o lugar que deveria ser do Baron Davis me dá uma tristeza tão grande que até cogitei não assistir ao All-Star Game, mas quem eu estou querendo enganar, é claro que eu não conseguiria. Brandon Roy só conseguiu a vaga porque o Blazers tá mais na moda do que flagra da Natália do Big Brother. Baron Davis está tendo o ano de sua carreira e o mais assustador de tudo é que ele continua saudável. Pode ser a única vez em que ele estará saudável na época do All-Star pelo resto da sua vida e ele merecia ir jogar para comemorar.

Carmelo foi votado pelos fãs para ser titular e a vaga é muito justa, na minha opinião. Ele não é o melhor do time mas, na opinião de alguns, o Nowitzki também não é. Carmelo está tendo uma temporada monstruosa ofensivamente, muito mais madura e consciente na hora de escolher os arremessos.

– Com Carmelo de titular, Nowitzki vai de reserva. Para mim, ele só tira a vaga das mãos do seu colega de time Josh Howard graças às atuações do último mês de temporada. Seu começo foi fraco, meio preguiçoso, com cara de quem não queria começar tudo de novo, mas de uns tempos pra cá ele tomou as rédeas do Mavericks de volta.

– O Josh Howard merecia uma vaga, mas o Nowitzki leva leve vantagem sobre ele e eu não posso deixar de levar o ala Al Jefferson, então o Josh vai ter que esperar a sua vez. Eu sei que o Wolves fede horrivelmente mas as atuações e as médias assustadoras do Al Jefferson falam mais alto do que esses meros detalhes. Não é como se o time estivesse perdendo por sua causa, muito pelo contrário: nas suas poucas vitórias, o Wolves deve ao Al Jefferson qualquer coisa que lembre, nem que seja de longe, sucesso. Acho que ele merece mais uma vaga no All-Star do que o Duncan, e eu até pensei em tirar o Duncan para levar o Josh Howard, mas imaginando o tipo de polêmica cósmica que essa atitude espalharia pelo universo, colocando em risco o continuum do espaço-tempo, resolvi deixar pra lá. No entanto, o Boozer foi mais constante durante toda a temporada e merece ser titular no lugar do nosso famoso ex-nadador.

– É muito triste ver que Josh Howard, Shawn Marion e o meu escolhido Al Jefferson vão ficar de fora da lista oficial porque o David West, que é bom-mas-nem-tanto, vai pro All-Star por causa de um bairrismo mais descarado do que os chineses votando no Yi Jianlian toda vez que seus personagens de Ragnarok acabam morrendo.

Titulares:
G – Jason Kidd
G – Paul Pierce
F – LeBron James
F – Kevin Garnett
C – Dwight Howard

Reservas:
G – Andre Iguodala
G – Hedo Turkuglu
F – Caron Butler
F – Richard Jefferson
F – Gerald Wallace
F – Antawn Jamison
C – Chris Bosh

– Eu gosto muito do Pistons, gosto do basquete coletivo, do modo de jogo. Adoro o Billups mas sou particularmente fã do Hamilton. Ainda assim, me vejo obrigado a deixar os dois de fora. Não só não têm estatísticas pessoais que sejam convites óbvios para o All-Star (até porque no Pistons todo mundo tem números meio parecidos), como também não combinam muito com o jogo em si por serem eficientes mas não darem espetáculos visuais. No lugar de Billups, levaria Andre Iguodala, que merece reconhecimento pelo que está fazendo na Philadelphia. Ainda não é a hora do Calderon, principalmente pelo começo de temporada atrás de TJ Ford. No lugar de Hamilton, Richard Jefferson precisa estar no All-Star. Minha indignação com sua ausência é quase tão grande quanto a com a ausência de Baron Davis.

– Dwyane Wade passou tempo demais contundido para merecer estar no All-Star, muito embora tenha feito chover enquanto esteve em quadra. Tanto ele quanto Tracy McGrady são desqualificados nas minhas regras graças a contusões demais. Com isso, Pierce é titular e no lugar do Wade eu levaria Gerald Wallace. Já está mais do que na hora de que a NBA perceba o moço, que é um monstro na defesa mas de uns tempos para cá vem sendo também um monstro no ataque, com médias de quase 22 pontos por partida.

Turkoglu precisa estar nesse jogo, na minha opinião no lugar do Joe Johnson que está tendo uma grande temporada mas cujo aproveitamento de arremessos é patético. O fato de eu colocar o Turkoglu na minha lista de armadores e o Denis na lista de alas já mostra a versatilidade do turco que vem tendo a melhor temporada da carreira, provando ser quatrocentas vezes melhor que o bilionário Rashard Lewis e ganhando um punhado de jogos com arremessos de último segundo. Esses arremessos decisivos, por si só, já garantem Turkoglu à frente de Joe Johnson e Hamilton, por exemplo.

– Se o Caron Butler não fosse All-Star eu iria parar tudo e ir jogar gamão, então fiquei muito feliz com sua convocação. Mas estava mesmo é preocupado com o Jamison, que merecia demais ser chamado mas que não era uma escolha tão óbvia quanto seu companheiro de time Butler. Vibrei demais em ver que Jamison participará do jogo, ele merece sem sombra de dúvidas, e o mais assustador é justamente o seguinte: se o Arenas estivesse jogando, certamente estaria na lista e o Wizards seria o único time da NBA com três jogadores All-Star. É ou não é para botar um medinho?

>Humanos

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Eddie House, em um momento Manu Ginobili, finge ser atingido por uma granada

A NBA tem dessas coisas: às vezes, os times mais meia-bocas é que têm exatamente a fórmula perfeita para vencer as melhores equipes da Liga. Na temporada passada, Gilbert Arenas e Baron Davis tiveram uma conversa telefônica sobre as chances de cada um nos playoffs. Arenas dizia que o Warriors poderia até pegar a 8a vaga no Oeste mas que eles não conseguiriam avançar para a próxima rodada. A resposta do Baron Davis foi categórica: “Se enfrentarmos o Mavs, podemos ganhar.” O Arenas achou engraçado, quis saber o motivo, mas o Baron Davis não soube explicar. “Eu não sei, a gente simplesmente sabe como ganhar deles.” Poucos meses depois, a profecia de Davis se mostrava real. Por algum motivo qualquer, o Warriors era especialista em vencer o Dallas Mavericks. Poderiam perder para qualquer um, mas para eles o time de Dallas era mamata.

Do sucesso do Golden State Warriors, muita coisa conseguiu ser absorvida por outros times, como o modo de marcar Dirk Nowitzki, por exemplo. Marcá-lo muito de perto, de maneira física, impede Dirk de arremessar imediatamente e o obriga a coloca a bola no chão, passando ou batendo para dentro. Assim, suas principais virtudes são anuladas e suas deficiências são exploradas. Stephen Jackson faz essa marcação com maestria, esfolando o pobre alemão, mas as outras equipes da NBA, agora, tentam fazer o mesmo.

Nessa temporada, o Blazers é que tem a fórmula perfeita para vencer o Jazz. O motivo responsável, diz a lenda, é uma impecável defesa por zona que obriga o time de Utah a arremessar de fora. Das 4 partidas entre os dois times, o Blazers ganhou 3. Aliás, eles não aguentam mais jogar um contra outro, graças a esse calendário mequetrefe da NBA que coloca trocentos jogos entre as mesmas equipes num intervalo ridiculamente curto de tempo. Mas, deixando isso de lado, podemos dizer com certa segurança que o pavor que o Mavs sofreria ao ver que teria que enfrentar o Warriors nos playoffs de novo seria exatamente o mesmo do Utah descobrindo que enfrentará o Blazers. Tem coisas que não se explica.

Talvez ainda seja cedo para arriscar, mas ouso dizer que o time mais-ou-menos que descobriu a forma para enfrentar o Celtics é, dentre todos os times possíveis, justamente o Bobcats. Mas eu não faço nem idéia de qual fórmula é essa. Da primeira vez em que as equipes se enfrentaram, o Celtics só ganhou graças a uma falha bizarra do Jason Richardson e uma cesta espírita do Ray Allen no estouro do cronômetro. Agora, da segunda vez, Ray Allen estava contundido e o Celtics precisou do outro Allen, o Tony, aquele que é tão burro que se contundiu seriamente na temporada passada numa enterrada em que o jogo nem estava mais valendo. Comparar o Ray Allen com o Tony Allen é como comparar a beleza da Alinne Moraes com a beleza do Vinícius de Moraes, por exemplo.

O Bobcats resolveu usar dois armadores principais (se é que o Jeff McInnis pode ser chamado de armador, ou de jogador, ou de ser humano) e teve uma atuação monstro do Jason Richardson com 34 pontos, provavelmente tentando compensar a cagada do último confronto. Mas quem realmente deitou e rolou em cima do time de Boston foi, quem diria, o Nazr Mohammed. Bem, eu avisei que ele iria chutar uns traseiros agora que se livrou do banco amaldiçoado do Pistons, e é justamente o que está acontecendo. Nos últimos 5 jogos, suas médias são de 17 pontos e 11 rebotes. Se você escutou o que o titio Danilo te disse, seu time de fantasy está colhendo os frutos agora do mesmo jeito que o Bobcats colheu a vitória em cima do Celtics.

O pessoal em verde agora finalmente descobriu que é humano. Um time fracassado pode vencê-los, pode ter um estilo de jogo que encaixa perfeitamente com as fraquezas do Boston. Assustados depois da derrota, passaram um sufoco desgraçado para virar o jogo contra o Nets no último período. E, em seguida, perderam para o Wizards num jogo em que ninguém nos dois times acertaria nem o dedo no nariz. Parece que a humanidade do Celtics começa a ficar óbvia e eles deixam de ser os monstros do começo da temporada. Eles sofrem, como a maioria dos outros times, com a falta de profundidade na hora das contusões. A derrota para o Bobcats foi sem Ray Allen, a para o Wizards foi sem o Rajon Rondo. Nas duas, Tony Allen estava lá para incomodar o nariz de todo mundo, fedendo pra burro. Que o Celtics é de botar medo, ninguém ainda duvida, mas fica cada vez mais claro que eles precisam de todo mundo saudável. Que eles podem ser vencidos. E que estudar fitas dos jogos contra o Bobcats é indispensável.

O time de Charlotte, aliás, depois de vencer o Celtics, ainda levou o jogo contra o Pistons para a prorrogação e a partida contra o Cavs para a segunda prorrogação. Contra o Pistons, era a vingança de Mohammed. “Ah, eu poderia estar sendo All-Star no Leste e vocês me deixaram aqui aprisionado, com a bunda afundada na marca que o Darko deixou na cadeira?” Os 19 pontos, 13 rebotes e 3 tocos do Mohammed vão garantir que o Pistons se lembre dele por algum tempo, enquanto as aquisições Brezec e Herrmann mal tiveram chance de participar da brincadeira. Se gostam de suas carreiras, é melhor que dêem o fora de Detroit rápido.

Já contra o Cavs, os 21 pontos e 15 rebotes do Mohammed quase garantiram a vitória se não fosse por partidas insanas de LeBron e Varejão. Foram 31 pontos, 8 assistências, 3 tocos, 4 roubos e 19 rebotes para LeBron. Dezenove. Vá lá, releia os números do senhor James, eu espero. Pronto? Esse é o tipo de partida que faz a gente se beliscar enquanto está assistindo, e que faz alguns blogueiros baterem a cabeça contra a parede de arrependimento por não terem visto o jogo. Não tem sensação mais frustrante do que acordar no dia seguinte, abrir o boxscore e descobrir que você perdeu o LeBron fazendo chover e o Varejão com 16 pontos e 18 rebotes. É como perder o Big Brother justo naquele dia em que uma das gostosas “paga peitinho”.

O LeBron pode não ser humano, mas o resto do Cavs é, e a ajuda do Varejão é mais do que “uma forcinha”, é essencial para qualquer esperança do time em repetir a campanha da temporada passada. Se alguém em Cleveland ainda se lembra da “polêmica Varejão”, vai fingir que esqueceu e ficar bem quietinho na platéia para não ser linchado. O Varejão voltou numa forma física tão impecável que até parece que o tempo longe da equipe foi melhor para seu condicionamente. Eu também queria melhorar o físico não jogando, afinal ficar deitado no sofá é minha especialidade.

O Cavs parece enfim engrenar e mostrar melhoras, enquanto o Celtics se mostra um time defensável. Vai ser legal ver como os dois estarão quando chegar a hora de se enfrentarem nos playoffs. Mas, pessoalmente, depois de ter vibrado loucamente naquela série história entre Mavs e Warriors, eu não vou torcer para assistir um Cavs e Celtics. Vou torcer é pelo milagre do Bobcats conseguir a 8a vaga no Leste, e aí ver que tipo de coisa Mohammed e seus amigos são capazes de aprontar contra o elenco mais assustador da NBA.

– Numa nota triste, nosso brazuca Nenê Hilário anunciou que se afastará do Denver Nuggets por tempo indeterminado para cuidar de um problema médico ainda não revelado. Pelo tom do Nenê, do técnico e de seus companheiros de equipe, a coisa parece séria mas Nenê se mostrou grato de ter descoberto a tempo de iniciar um tratamento. Acho que todos nós meio que podemos adivinhar do que se trata, portanto. Piadas sobre peso à parte, o Nenê abriu as portas da NBA aos jogadores brasileiros, foi um desbravador, e seu boicote à seleção brasileira, seguido por seu retorno recheado de críticas à comissão técnica, abriu caminho para a chegada de um técnico gringo à nossa seleção. Numa hora difícil dessas, acho essencial que o Nenê possa ler, durante sua recuperação, mensagens de carinho e admiração que o levem a acreditar numa melhora e num retorno às quadras. Mensagens para ele podem ser enviadas nesse link aqui e acho que todos nós temos algo a dizer para aquele que fez tanto pelo nosso esporte favorito. Dizer que ele é bem melhor que o Kenyon Martin já é um começo. Vamos lá, não custa nada escrever. Da nossa parte aqui no Bola Presa, enviamos os mais sinceros votos de melhoras para o Nenê. Tomara que o Denver não tenha que usar o Najera por muito tempo.