O que está em jogo

O que está em jogo

Faltam cerca de 10 dias para o fim da temporada regular da NBA. Isso quer dizer que alguns times já tem sua posição definida para a pós-temporada, uma porrada de equipes já estão oficialmente eliminadas e outras até estão descansando seus melhores jogadores para perder em nome do Draft. No meio disso tudo, porém, existem duelos que podem decidir quem pega quem nos Playoffs. Analisaremos aqui a quantas anda as disputas mais importantes desse fim de temporada regular.

O TOPO DO OESTE

O San Antonio Spurs chegou a liderar a conferência há pouco tempo, mas a alegria dos anti-Warriors não durou muito tempo. Mesmo sem Kevin Durant, o atual bi-campeão do Oeste embalou uma sequência absurda de vitórias desde que… bem, desde que Klay Thompson deu um autógrafo numa torradeira:

O que esperar de Devin Booker

O que esperar de Devin Booker

O Phoenix Suns tinha, até a última semana, uma temporada completamente esquecível. O time é muito ruim, mas não é O pior da NBA. Tem alguns bons jogadores, mas nenhum All-Star vivendo o seu auge. Coleciona alguns bons jovens, mas nenhum deles parece especialmente revolucionário.

O time é apenas o 23º melhor ataque da temporada e faz os olhos dos seus torcedores sangrarem com a 27ª marca defensivamente. O único quesito em que o time se destaca é na velocidade: SEGUNDO em toda a NBA em total de posses de bola por jogo. Herdaram do passado a velocidade dos velhos Suns de Steve Nash, mas sem o passe, a qualidade, os arremessos…

O ano já estava desinteressante, aí depois que o time mandou Eric Bledsoe e Tyson Chandler para as férias mais cedo para que a franquia pudesse “desenvolver os jogadores jovens” (*cof* TANKING *cof*), achei que eles já não eram capazes de oferecer nenhuma boa história. Ou ao menos nada que superasse o dia em que o GORILA mergulhou na quadra:

O incansável Miami Heat

O incansável Miami Heat

Em determinado momento desta temporada, o Miami Heat flertava, ao lado do tenebroso Brooklyn Nets, com a pior campanha de toda a Conferência Leste. Na exata metade do campeonato, o time da Flórida tinha apenas 11 vitórias e TRINTA derrotas! A equipe alcançou esta marca ao finalizar a primeira parte do ano com 15 derrotas em 17 partidas, sendo as únicas vitórias sobre os igualmente péssimos Los Angeles Lakers e Sacramento Kings. Parecia o fracasso inevitável de um time que viu escapar pelos dedos o trio mais poderoso e estrelado que a NBA viu nesta década: LeBron James decidiu voltar para casa, Chris Bosh foi barrado pela própria saúde e Dwyane Wade, o Sr. Miami Heat por excelência, decidiu pular fora ao não receber a proposta salarial que achava adequada. Como um time se recupera de perder todas suas estrelas em tão pouco tempo?

A receita mais óbvia estava na própria campanha ruim. O próximo Draft é considerado por muitos um dos mais férteis em possíveis “franchise players” e o Heat deveria, portanto, ficar lá embaixo na tabela para agarrar um desses pirralhos bons de bola e acelerar a reconstrução. Como ensinou Daryl Morey, manager do Houston Rockets, o grande objetivo da formação de um time é achar, antes de mais nada, a estrela da equipe. O time deveria então apelar para o tanking? Eu achava que sim. Especialmente porque neste ano menos times estão tentando perder de propósito, então é mais fácil ficar atrás de dragas como o Orlando Magic, o Philadelphia 76ers e outros que, por mais ou menos tempo, se iludiram de que poderiam brigar por vaga nos Playoffs. Uma simples troca de Goran Dragic, até mirando os 200 armadores que estarão no Draft do próximo ano, poderia dar mais chances do Heat emplacar essa renovação. Como em quase tudo que envolve montagem de times da NBA, era tão óbvio que claro que não aconteceu.

O clube dos 30 mil pontos

O clube dos 30 mil pontos

Dirk Nowitzki entrou essa semana para o seleto grupo de jogadores que marcaram ao menos 30 mil pontos na carreira. O alemão está agora ao lado das lendas Kareem Abdul-Jabar, Karl Malone, Kobe Bryant, Michael Jordan e Wilt Chamberlain, os maiores pontuadores da NBA em todos os tempos. Para imortalizar essa conquista de Nowitzki, o Bola Presa NÃO TEM OUTRA ALTERNATIVA a não ser apelar para a única ferramenta que não envelhece, a única capaz de enfrentar os rigores do tempo e da crítica: o Microsoft Paint. Quando as fotos holográficas estiverem dominando nossos nano-celulares, apenas as imagens em Paint ainda guardarão sua importância, seu charme e seu significado.

Não é a primeira vez que homenageamos Dirk dessa maneira: ele também recebeu um infográfico no Paint quando foi campeão da NBA em 2011, um feito tão ou mais inesperado do que os 30 mil pontos na carreira.

Infográfico

Clique para ver em alta resolução com seus óculos de realidade virtual 4K

Quer ver os outros infográficos imortais do Bola Presa? Além da homenagem para o primeiro campeonato de LeBron James em Cleveland, tem uma lista de outros DESENHOS MARAVILHOSOS que você pode conferir na nossa Retrospectiva de 2007 a 2012, confere lá!

O estilo Scott Brooks

O estilo Scott Brooks

O técnico Scott Brooks teve uma passagem inegavelmente vitoriosa pelo Oklahoma City Thunder, ganhando o prêmio de Técnico do Ano em sua primeira temporada completa no comando da equipe ao levar um elenco improvável aos Playoffs e, nas quatro temporadas seguintes, alcançando as Finais da Conferência Oeste duas vezes e as Finais da NBA uma vez. O problema é que nunca ficou evidente quanto desse sucesso do Thunder era, de fato, responsabilidade de Brooks. O time contava com Kevin Durant, Russell Westbrook e, em parte do tempo, com James Harden, o que facilitaria a vida de qualquer técnico. Além disso, em suas cinco temporadas no comando da equipe, o Thunder sempre sofreu com uma notória falta de criatividade ofensiva, ataques estagnados, pouco poder de variação nos momentos decisivos e uma dificuldade incrível de colocar seus melhores jogadores em condições adequadas para que pontuassem. A fama de Scott Brooks como um técnico que não sabia usar seu elenco – ou, no mínimo, um técnico que não sabia levar seu elenco “ao máximo” – foi se consolidando aos poucos na NBA. Na primeira temporada em que o time verdadeiramente escorregou, graças a uma lesão grave em Kevin Durant e a consequentemente não-classificação para os Playoffs com uma nona colocação nos critérios de desempate, Scott Brooks foi demitido para que assumisse Billy Donovan.

Os primeiros sinais de que Scott Brooks talvez não fosse o responsável pela estagnação da equipe vieram na primeira temporada de Donovan como técnico, já que o Thunder apresentou as mesmas limitações e não foi capaz de expandir seu arsenal de jogadas significativamente. Entrevistas de Kevin Durant e Russell Westbrook davam a entender que a ausência de jogadas elaboradas era e sempre havia sido PROPOSITAL, resultado da enorme capacidade dos dois jogadores de decidir qualquer ataque contra seus marcadores. O estilo de Scott Brooks e sua real capacidade de liderar equipes teria que esperar, portanto, a próxima experiência dele como técnico. Só assim teríamos possibilidades de comparar seus resultados e ver como seu modo de jogo ajusta-se a diferentes estilos de jogadores.