[Resumo da Rodada] O dia de vencer fora de casa

O nosso querido João Paredão era um homem com uma missão: não permitir um Jogo 7 na série de seu Washington Wizards contra o Atlanta Hawks. Sabe aquela mentalidade doentia e psicopata que as grandes estrelas volta e meia conseguem na pós-temporada? Aquela que a gente, vendo de longe, já percebe que “esse cara não vai deixar o time dele perder hoje”? Pois é, era John Wall.

Agressivo como sempre deve ser, o armador fez um pouco de tudo. No primeiro quarto entrou no garrafão na marra e cavou faltas e fez algumas bandejas. Depois, começou a punir o Hawks com os arremessos que meia distância, a sua arma mais inconsistente. Era demais para a ótima defesa montada por Mike Budenholzer. Mas o que matava mesmo o time de Atlanta eram os turnovers, inaceitáveis QUINZE desperdícios de bola só no primeiro tempo! Não à toa o Wizards foi para o intervalo vencendo por 19.

Mas a surra virou pesadelo quando o Hawks emendou uma corrida de recuperação no terceiro período. Foi quando Dennis Schröder voltou a jogar como nas últimas partidas e quando os chutes de 3 do time voltaram a cair. De repente a diferença caiu para míseros 3 pontos, 93 a 90, e aí isso aconteceu:

Como disse o técnico Scott Brooks após a partida, “apenas dois jogadores dão tocos como esse todo jogo e o outro vocês sabem quem é”. E Wall seguiu essa defesa MARAVILHOSA com a bandeja seguida de falta, impressionante. Foi o bastante para segurar a reação do Hawks, dar um boost de confiança para seu time e fazer o jogo voltar ao domínio do Wizards. No último quarto Wall fez DEZENOVE dos seus 42 pontos e simplesmente aniquilou com o jogo.

Seu parça Bradley Beal não foi mal também, fez 31 pontos. Nos 31 minutos que eles ficaram juntinhos em quadra, o Wizards teve saldo de +35 pontos! Impecável! E os 73 pontos que eles somaram, num dos jogos mais importantes da dupla em suas carreiras, foi o máximo deles combinado em qualquer partida:

Acho que ajuda o Wizards é um dos times mais confiantes da liga. Adoram criar rivalidade até onde não tem, são convencidos e adoram um trash talk. Nesse último jogo Wall foi se meter de discutir com Julio Jones, jogador da NFL do Atlanta Falcons que estava vendo a partida. Ele disse que iria marcar mais de 35 e que iria ganhar o jogo. Dito e feito. Na coletiva, Beal ainda finalizou a historinha com um “for the culture”, parodiando e dando uma cutucada no jogador de futebol americano…


O Boston Celtics, um dos rivais mortais do Wizards ao longo da temporada regular, fez exatamente o mesmo serviço de Wall e Beal: foram disputar um Jogo 6 fora de casa e fecharam o negócio. Mas se a lavada do Wizards teve um momento de susto no segundo tempo, a do Celtics foi um passeio por águas tranquilas por 48 minutos.

Um desavisado que viu só os últimos jogos deve estar se perguntando onde diabos foi parar o Chicago Bulls dos primeiros jogos e por que Rajon Rondo não está na lista de candidatos a MVP da temporada.  O time DESAPARECEU desde que o armador se machucou e ontem continuou sem respostas para a defesa verde. A despedida melancólica da montanha-russa da temporada do Bulls viu o time acertar só 39% dos arremessos de quadra, só 4 bolas de 3 pontos em 19 tentativas e Dwyane Wade fazer só um dos DEZ chutes que tentou, dando adeus ao ano (e ao Bulls?!) com 2 pontinhos feitos. Melancólico.

O Celtics, por outro lado, fez aquele típico jogo de time confiante que joga a partida inteira com 10 pontos na frente: muitas assistências (28), muitas bolas de 3 (16) e poucos turnovers (9). A bola estava voando de mão em mão como nos melhores momentos da temporada regular:

Ao contrário do começo da série, quando estavam contra a parede, Jae Crowder e Avery Bradley apareceram para converter as bolas de longa distância que eles precisam para abrir o jogo para todo o resto do elenco. Bradley, aliás, que foi um dos jogadores de perímetro que mais pegou rebotes na temporada regular (6.1 por jogo), voltou a contribuir nesse aspecto nas últimas partidas também. Nessa partida foram 5, sendo TRÊS deles de ataque, um número impressionante para ir com seus 23 pontos.

Após boas partidas em sequências, o jogador, que nem é muito de trash talk, se empolgou para “calar os críticos” na entrevista pós-jogo. O crítico em questão, porém, era Jimmy Butler:

“Depois do último jogo, alguém, acho que o Jimmy, disse que eles não poderiam deixar alguém como eu marcar 20 pontos num jogo. Acho que ele deveria mostrar mais respeito”

Bradley ainda se gaba de ter vencido as “últimas duas batalhas” contra a estrela do Bulls. Acho que não há dúvida de quem é o melhor jogador, mas nos últimos jogos realmente o ala do Celtics não ficou devendo em nada. E o teto do seu time fica bem mais alto se ele conseguir ser consistente nesse negócio de marcar 20 pontos todo jogo.

Ele tá confiante: “Vocês sabiam o que ia acontecer”!


Logo antes do Jogo 6 entre Utah Jazz e LA Clippers começar a transmissão gringa mostrou essa linda peça de PARIDADE:

LAC

Após seis partidas, os dois times tinham marcado os mesmo 495 pontos cada! Ambos tinham passado quase o mesmo número de MINUTOS na liderança e durante 76% da série os jogos não estiveram com mais de 6 pontos de diferença entre eles. Não dava pra esperar um jogo diferente, e após 48 minutos a série teve mais uma paridade: os dois times venceram 3 jogos. Deu Clippers, e a série que todos antecipavam como a mais disputada da primeira rodada será a única a ter um Jogo 7.

Esse jogo, apesar de pau a pau como os outros, viu algumas diferenças. Nas partidas anteriores, o Clippers costumava ter o comando do jogo quando Chris Paul estava em quadra com os titulares, mas sofria quando muitos reservas entravam em quadra e tinham que lidar com Rodney Hood e especialmente Joe Johnson. Dessa vez, porém, o ISO Joe, o melhor jogador do Jazz na série, teve péssima partida, acertando só 3 dos 9 arremessos que tentou. Já Hood fez 2 de 10 arremessos (0/6 de 3 pontos). A base do banco do time não apareceu para brincar e fechar a série.

Em busca de alguma contribuição dos reservas, o técnico Quin Snyder deu incríveis DEZ minutos de jogo para Raulzinho. Ele acertou um arremesso importante de 3 pontos e conseguiu recuperar uma bola perdida numa enterrada quase certa de DeAndre Jordan num contra-ataque, mas foi só. Em momentos críticos da partida, com o time precisando desesperadamente de cestas, ele forçou arremessos sem nenhum sentido. Legal ver o brasileiro ganhando confiança assim do treinador, mas ele ainda mistura muitos extremos de “excelente jogada!” e “o que ele faz em quadra num jogo de Playoff?”. Numa série tão disputada, faz diferença.

Pelo lado do LA Clippers, foi a vez do time funcionar com Jamal Crawford, Paul Pierce (que conseguiu umas boas jogadas pela primeira vez na série) e até Raymond Felton! Com eles em quadra o time finalmente pareceu DOMINAR a série por alguns bons minutos, e o quinteto de Paul, Crawford, Rivers, Pierce e Jordan conseguiu decisivos +8 de saldo nos pouco menos de 3 minutos que disputaram juntos, no terceiro período. A motivação desse grupo? Não deixar Paul Pierce se aposentar em Utah:

Com a corda no pescoço, Paul não quis que seu veterano visse sua carreira terminar em uma primeira rodada em Utah. Cada um com sua motivação! Mas quando finalmente parecia que teríamos um jogo que não seria decidido no último minuto, aí o Clippers CLIPPERIZOU, é claro!

A vantagem de CP3 e cia era de 10 pontos a 1:30 do fim. Bastante para um time experiente e maduro, mas NUNCA com o Clippers nos Playoffs. Nos 50 segundos seguintes o Jazz conseguiu dois pontos de lance-livre (Hayward!), uma enterrada após um passe errado de Chris Paul (Hayward!) e uma bola de 3 pontos após um passe desastroso de Paul para JJ Redick, que foi para lateral (Hayward!). Diferença em míseros TRÊS pontos a 43 segundos do fim. O Jazz ainda conseguiu impedir o Clippers de marcar, mas Joe Johnson não conseguiu repetir a mágica dos últimos jogos nos segundos finais. A sequência Clipperiana está toda no vídeo abaixo:

Como bem disse Chris Paul, “não seria a gente se não fosse dramático”

No fim, não sei se jogar em casa é lá taaanta a vantagem do Clippers. Cada time já venceu duas fora e os jogos foram iguais e próximos em qualquer ginásio. Se é pra se apegar a algo, o Clippers deve lembrar que o Jazz ainda não tem resposta para Chris Paul, o melhor jogador da série. Isso pode e deve ser decisivo no fim de mais um jogo apertado.

Comemora, Steve Ballmer, sua casa receberá o JOGO 7!


“BRAZILIAN KEVIN DURANT”

O Raptors 905, afiliado do Toronto Raptors na D-League, venceu a Final da Liga de Desenvolvimento da NBA. O destaque do último jogo contra o Rio Grande Valley Vipers, afiliado do Houston Rockets, foi o brasileiro Bruno Caboclo, que fez 31 pontos, 11 rebotes e 4 tocos no decisivo Jogo 3, sua melhor performance na CARREIRA:

O MVP das Finais, porém, foi o novato Pascal Siakam. Isso mostra bem a razão para ainda ter calma com Caboclo: ele mostrou o que PODE fazer, mas não tem feito consistentemente. É legal ver ele vencer e atuar em alto nível no jogo mais importante que disputou nos EUA, mas o nível da D-League ainda é baixo. Veremos como ele cresce na offseason e se receberá chance na próxima temporada do Raptors.

Destaque também para Jerry Stackhouse, técnico do Raptors 905. O grande pontuador do fim dos anos 90 é considerado um dos grandes novos nomes da NBA entre os técnicos, é elogiadíssimo por todos em Toronto e conseguiu um título logo no seu primeiro ano na D-League. E isso enquanto vence seus pupilos em disputas de 1-contra-1 em treinos! Se eventualmente o Raptors for trocar de técnico, não me surpreenderia se buscassem essa opção caseira. Esse vídeo do começo da temporada mostra um pouco do trabalho dele por lá:

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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