Um Joe Johnson a menos

Um Joe Johnson a menos

Quando o Brooklyn Nets mandou Joe Johnson embora a troco de nada (a não ser uma pequena economia, já que Joe Johnson aceitou receber 3 milhões a menos do seu contrato de 24 milhões como “incentivo” para ser liberado), cogitou-se que o time iria afundar de vez. Se o time já era o terceiro pior time da NBA com ele (na frente apenas de Sixers, Lakers e Suns), imagina sem ele. Não que Joe Johnson seja, hoje, uma grande estrela que carregue o Nets nas costas, claro. Seu contrato gordíssimo atual ainda é resquício de uma época em que Joe Johnson era visto como um dos jogadores mais completos da NBA, uma máquina de pontuar que precisava apenas da oportunidade certa para liderar um time rumo a um título. Essa promessa nunca se realizou, seu estilo de jogo nunca foi capaz de decidir jogos sozinho, a oportunidade não se concretizou e Joe Johnson foi rebaixado ao numeroso grupo de jogadores talentosos-porém-esquecíveis – e ao seleto grupo de piores contratos da NBA. Ainda assim, Joe Johnson era um dos últimos bastiões de talento e versatilidade numa equipe completamente carente de qualquer coisa, de um jogador capaz de fazer a diferença, de um futuro, de um chamego. Sem ele, o que restaria?

Protegido: 🔒Quem gosta de Dwight Howard?

Protegido: 🔒Quem gosta de Dwight Howard?

Após cinco anos seguidos de títulos divididos entre Shaquille O’Neal e Tim Duncan, de 1999 a 2003 apenas uma super dupla de garrafão, Ben Wallace e Rasheed Wallace, parou a dupla. Se as pessoas tinham alguma certeza no começo desse século era que somente com um jogador de garrafão muito fora de série era possível desafiar os melhores times da NBA.

No miolo disso tudo, em 2004, surgiu um pivô adolescente com um porte físico digno de bater de frente com qualquer um desses: Dwight Howard era aquele tipo de jogador que surge uma vez a cada década e que muda o centro de gravidade da NBA. Se ele se desenvolvesse no grande jogador que prometia ser, iria obrigar times a contratar e se armar pensando em como encarar o gigante e como defendê-lo. Algo como Shaquille O’Neal, que mesmo no fim de sua carreia, nem de perto produzindo como antes, ainda obrigava adversários a montar esquemas específicos que não o deixassem receber a bola no mano-a-mano muito perto da cesta. O Orlando Magic havia ganhado na loteria.

Protegido: 🔒 O garrafão resiste

Protegido: 🔒 O garrafão resiste

Não é novidade nenhuma que as mudanças de regras pelas quais a NBA passou na última década tornaram a vida dos pivôs mais difícil. Restrições aos toques na defesa de perímetro facilitaram a infiltração dos armadores que atacam constantemente os pivôs em movimento, enquanto o fim das restrições de marcação dupla e defesas por zona fizeram com que pivôs tenham mais dificuldade de jogar de costas para a cesta e até de receber a bola no garrafão. Essa forte ênfase no perímetro levou a uma super geração de armadores e alas, tornou o jogo mais rápido e dinâmico, consagrou a bola de três pontos e a bandeja na transição como as melhores jogadas do basquete, e fez com que uma nova geração de pivôs que jogam fora do garrafão – assunto de um dos nossos posts especiais – se tornassem cada vez mais populares, assim como os times sem alas de força ou os alas de força que arremessam de fora.

Mas é surpreendente que no meio dessa transformação da NBA, surjam ainda jogadores de garrafão que resistem aos novos tempos: pivôs fortes, defensivos, incapazes de arremessar de longa distância e que atacam a cesta.

Protegido: 🔒 Pivôs e os lances livres

Protegido: 🔒 Pivôs e os lances livres

Nessa segunda-feira, DeAndre Jordan alcançou um recorde na NBA capaz de fazer nossos olhos sangrarem: ao errar 22 lances livres ao longo de um jogo, o pivô do Clippers empatou a marca de Will Chamberlain em 1967 de mais lances livres não convertidos em uma única partida. DeAndre Jordan cobrou 34 lances livres, converteu apenas 12, e protagonizou com isso um dos jogos mais medonhos que a NBA já viu. Para ter uma ideia do horror, os mais corajosos podem assistir a uma compilação com todos os lances livres errados pelo pivô durante a partida. Tirem as crianças da sala, por favor:

https://www.youtube.com/watch?v=1ralEhcRPsE

Foguetes sem rumo

Foguetes sem rumo

Quando Kevin McHale chegou para ser técnico do Houston Rockets em 2011, disse que estava aguardando ansiosamente pelo retorno de Yao Ming, pivô que perdera quase a temporada anterior inteira com múltiplas lesões. McHale disse que o corpo do chinês seria o fator fundamental para determinar seus minutos e seu papel na quadra, mas que de qualquer maneira seria fantástico poder treiná-lo. Um mês depois, Yao Ming se aposentou da NBA. Parabéns aos envolvidos.

O Houston Rockets se acostumou, desde o draft de Yao Ming em 2002, com uma cultura focada no garrafão – uma reedição dos bons e velhos tempos quando Hakeem Olajuwon, um dos maiores pivôs de todos os tempos, levou o Rockets ao título em anos seguidos. Nesse contexto, Kevin McHale era o homem ideal para a equipe. Um dos raros casos de técnico de basquete que jogou no garrafão durante sua carreira como jogador na NBA, McHale montou times altos, focados no jogo de costas para a cesta e sempre soube desenhar jogadas para tirar o melhor proveito possível dos pivôs. Infelizmente, ele chegou a Houston justamente quando essa cultura estava sendo desmantelada e seu primeiro pivô após a aposentadoria de Yao Ming foi o incrivelmente cocô Samuel Dalembert. Claro que não deu pra fazer muita coisa. Na temporada seguinte seu pivô foi Omer Asik, limitado ofensivamente mas muito sólido na defesa, e os resultados começaram a melhorar um pouco. Logo depois recebeu Dwight Howard, e começou então seu pesadelo de tentar torná-lo uma ferramenta impactante no ataque da equipe.

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