Os desempregados

Os desempregados

Como é típico de um meio de Setembro no mundo da NBA, praticamente ninguém mais está contratando. A maioria dos times já gastou sua cota de espaço salarial, número de jogadores no elenco e as tais exceptions, as brechas do Salary Cap para poder contratar novos jogadores mesmo com o time tendo gastos excessivos. Mas embora a maioria das equipes já esteja engessada, isso não quer dizer que não existam mais bons nomes disponíveis no mercado. Abaixo alguns dos esquecidos.

 

Leandrinho Barbosa / SG

Cheguei a conversar com algumas pessoas que conhecem o Leandrinho e o que eles deram a entender é que o brazuca não conseguiu ainda um time por querer demais. Pelo jeito ele queria um contrato longo e relativamente caro, algo para ser seu último bom contrato na NBA, mas ninguém mais parece ter tanta confiança assim nele. Lembram da entrevista que ele deu aqui no Brasil dizendo que tinha proposta de 7 times? Pelo jeito 7 times o queriam, mas não ofereceram o valor esperado pelo jogador. Leandrinho tem bom arremesso, melhorou muito sua defesa nos últimos anos e ainda tem boa parte da velocidade que o consagrou. Mas também já passou dos 30 anos e o auge da sua carreira está no passado.

Querem um exemplo disso? Lembra quando apareceu a notícia de que o Lakers estava interessado nele? Pouco tempo depois a informação esfriou e o Lakers contratou o Jodie Meeks. Meeks é simplesmente um bom arremessador de 3 pontos, só isso. Não oferece tudo o que o Leandrinho pode dar a um time, mas em compensação saiu baratinho e com contrato curto, algo que fez a diferença para o Lakers que só poderia oferecer pouca coisa por já ter toda a grana comprometida com outros jogadores. O mesmo vale para o próprio Indiana Pacers, que preferiu o mais jovem e barato Gerald Green ao brasileiro.

Uma solução seria topar um contrato de um ano para mostrar serviço, ganhar uma grana e tentar de novo ano que vem, algo como o que o Chris Kaman fez com o Dallas Mavericks, mas onde? Para Kaman é mais fácil porque quase todo time precisa de um pivô, mas e caras da posição 2 como o Barbosa?  No Leste, Bulls e Sixers já estão com todos os armadores e alas que precisam apesar de terem perdido alguns que estavam com eles na última temporada, o Hawks já trouxe Anthony Morrow e Kyle Korver. No Oeste o Mavs já conseguiu OJ Mayo para substituir Jason Terry e até times com menos ambições como o Warriors já tem elenco fechado. São exemplos aleatórios do que acontece ao redor da liga, caras da posição de Leandrinho estão sobrando. Sendo que ficar um ano parado seria horripilante, resta o que para ele? Buscar algum time mediano na Europa? Pelo o que sei os principais times já estão fechados também. E alguém teria grana para bancar um ano de Leandrinho no NBB? Acho que nem o Flamengo dessa vez. Talvez ele comece a temporada sem time, esperando alguma situação momentânea onde uma equipe acabe precisando de ajuda extra na sua posição. Situação nada confortável para quem queria um último contrato grande na liga.

 

Kenyon Martin / PF

O ala que disputou a última temporada no Clippers vive situação parecida com a de Leandrinho. Teve uma temporada em um time de Playoff no ano passado para tentar mostrar que ainda tem jogo para a NBA, mas mesmo assim morreu sem contrato renovado. Como o brasileiro, não foi mal na temporada 2011/12, mas também não convenceu ninguém a apostar pesado nele. Para um cara que dependia tanto de seu físico no começo da carreira até acho que K-Mart sobreviveu bastante tempo na NBA, mas agora vive um limbo difícil de superar.

Sem a velocidade e agilidade dos tempos áureos de New Jersey Nets, ele é cada vez menos perigoso no garrafão, onde usava esses atributos para compensar a falta de altura para a posição. Nos últimos anos de Denver Nuggets e até mesmo no ano passado no Clippers acabou ganhando destaque na marcação de perímetro. Parece estranho, mas Kenyon Martin costuma ter algum sucesso na marcação de caras como Kobe Bryant ou Rudy Gay, que jogam no perímetro mas não tem a velocidade de um armador. Numa época onde os times usam cada vez menos pivôs e gostam de atuar com 4 jogadores abertos, K-Mart é uma boa solução híbrida de defesa: Não deixa de ser um ala/pivô da posição 4 mas tem mobilidade o bastante para marcar longe da cesta quando preciso. O problema é que no ataque ele não tem a mesma versatilidade, longe disso, aliás. Seu arremesso de meia distância é pouco confiável (além de ser mais feio que bater na mãe) e não tem mais jogo de costas pra cesta. Com tantas limitações é compreensível que os times da NBA tenham apostado em outros jogadores, não me surpreenderia se ele voltasse para a China, onde jogou o começo da temporada passada.

 

Josh Howard / SG-SF

O maconheiro mais sincero da NBA (por ser o único a se admitir maconheiro) ainda sabe jogar bola, mas é outro caso de um jogador na descendente. Não é que ele seja pior do que aquele cara achado na 2ª rodada do Draft, mas é que só uma parte dos times da NBA pensam no que um jogador irá oferecer nessa temporada, a maioria costuma pensar no futuro. Josh Howard não ter time é uma prova de como funciona a cabeça dos General Managers da NBA.

Vejamos o Utah Jazz, time que foi o de Howard na temporada passada, como exemplo. Eles vão ganhar o título? Não. Vão para os Playoffs? É possível, mas vai ser complicado. Seria um desastre não ir para os Playoffs e acabar com uma escolha Top 10 do Draft 2013? De jeito nenhum. O Jazz está com um time pela metade. Eles tem bons talentos em Al Jefferson, Derrick Favors, Gordon Hayward e Paul Millsap, mas não é Josh Howard que vai dar o toque final para transformar esse time num timaço. Então é melhor arriscar os jovens Alec Burks e Jeremy Evans ou até mesmo dar uma nova chance na carreira para o ainda jovem Marvin Williams. O pensamento comum de um time da NBA que não tem chance imediata de título é preparar jogadores que poderão melhorar no futuro, não ter bons jogadores hoje.

No futebol brasileiro o Josh Howard seria contratado por aquele time que precisa se manter na 1ª divisão. Chama um cara com experiência, que ainda tem bola e ele vai ajudar a equipe a ficar no meio da tabela. Mas na NBA não tem rebaixamento, longe disso, você é premiado por ser ruim! E nessa brincadeira alguns veteranos como Josh Howard ficam com opções limitadas de onde jogar.

 

Tracy McGrady / SG-SF

O mesmo que eu disse para Josh Howard vale para T-Mac: Uns 70% dos times não querem caras na parte descendente da carreira. E pode levar esse comentário para explicar outros veteranos sem contrato como Michael ReddDerek Fisher e Mehmet Okur.

McGrady chegou a ter chance em um time com pouca ambição (o que é raro) quando jogou no Detroit Pistons, mas era algo tão sem propósito que eles acabaram se separando mesmo com o sucesso da parceria. T-Mac queria jogar em time de Playoff, o Pistons queria alguém que pudesse tirar o time do lixão onde se encontra. Mas aí McGrady foi para o Atlanta Hawks e apesar de algumas boas partidas (lembra quando ele arrasou com o Miami Heat no começo da temporada passada?) não se firmou no elenco. É triste porque lembramos do tempo que ele era cestinha da liga, mas com seus problemas nas costas ele é uma aposta arriscada. Dificilmente voltará a ter espaço na NBA.

(Perguntaram sobre o Charlotte Bobcats nos comentários. Sim, apareceram uns rumores de possível interesse deles no T-Mac, mas até agora não passam de boatos)

 

Anthony Tolliver /SF-PF

Esse me deixou triste. Anthony Tolliver, o cara capaz de enforcar alguém em nome de um rebote, era a alma do banco de reservas do Minnesota Timberwolves! O cara tava lá sempre gritando, pulando e quando entrava dava muito gás para o time. Sem contar que não tinha medo de arremessar (talvez esse fosse o problema…) quando precisavam de pontos no último quarto. Para o esquema de Rick Adelman era importante porque ele fazia o mesmo que Kevin Love: Jogava no garrafão na defesa mas poderia abrir para os 3 pontos no ataque. O que o matou foi essa última temporada, muito irregular e até bem ruim se comparada a anterior. A NBA tem memória curta, caras que sempre jogam mal mas atuam bem no último ano de contrato conseguem coisas boas, caras bons que fedem em ano de lutar por um novo contrato passam batidos. Só espero que ele faça um novo The Decision quando arrumar um time novo.

 

Terrence Williams / SG-SF

Tem um talento absurdo e é capaz de algumas das melhores enterradas da NBA. T-Will começou muito bem sua carreira na liga pelo Nets e foi um dos melhores novatos da temporada 2009/10, chegou a encerrar a temporada com média de 15 pontos, 7 rebotes e 5 assistências nos últimos 2 meses daquela temporada. Porém depois disso foi só desgraça. Foi afastado do Nets durante uma Summer League por arremessar seguidas bolas, ignorando qualquer jogada ou ordens do técnico. Na temporada regular se atrasou tantas vezes para treinos que deixou de receber multas para ser suspenso pelo time. Eventualmente foi para a D-League e depois para o Houston Rockets, onde novamente causou problemas ao deixar o banco de reservas no meio de um jogo para não voltar mais. Quem conseguir domar o rapaz terá um ótimo talento em mãos, mas ninguém parece querer arriscar.

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Descrição parecida serviria também para Andray Blatche, anistiado pelo Washington Wizards. Quando um cara jovem que teve 16 pontos e 9 rebotes de média há pouco tempo é dispensado assim e ninguém o quer é porque tem algo grave rolando. A era das estrelinhas preguiçosas já acabou na NBA.

 

Louis Amundson / PF-C

O pivô do rabinho de cavalo é o oposto de Andray Blatche. Tem vontade e faz tudo o que o técnico mandar, mas não tem a parte do talento. Será que a era dos jogadores ruins também já acabou? Brian Scalabrine também não conseguiu contrato, mas tudo indica que ele fará parte da comissão técnica do Chicago Bulls na próxima temporada. Bizarro, né? Mas pelo o que me avisaram nos comentários ele recusou a proposta e agora vai comentar jogos do Celtics em Boston, melhor pra gente. Brian Cardinal está sem time também e faz parte desse grupinho seleto.

Alonzo Geeque viveu nos Top 10 de melhores jogadas na temporada passada acabou de confirmar novo contrato com o Cavs. Dominic McGuire fez um acordo com o Raptors nesse fim de semana. Ou seja, ainda existem alguns espaços, mas são cada vez mais raros. Outros nomes conhecidos ainda estão sem contrato: Os bons defensores Mickael Pietrus e Matt Barnes;  Gilbert Arenas não achou alguém para cuidar do seu joelho; Ivan Johnson, o novato velho, que teve momentos de herói pelo Hawks no ano passado; Josh Childress, que piorou desde que foi jogar na Grécia. Quais ainda conseguem voltar para a NBA antes da temporada começar?

>Você está demitido!

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Eddie Jordan: cagando mas não andando

Depois do PJ Carlesimo ser o primeiro técnico demitido da história do Thunder ontem, foi a vez do Eddie Jordan ser mandado embora do Wizards. Eu não lembro de dois técnicos serem mandados embora tão cedo numa temporada da NBA, mas minha memória não é a do PVC então eu posso estar errado.
A situação dos dois é bem parecida, os dois estão no comando de times medíocres, com elenco fraco e que todo mundo sabia que ia dar errado. Mesmo assim os dirigentes foram lá e mandaram eles pra casa mais cedo. Mas por quê?
Para o Thunder (ainda me sinto ridículo dizendo esse nome) eu não sei direito o que houve. O Carlesimo nunca teve fama de grande técnico mas ele tinha conseguido sua grande função no time, que era desenvolver o Kevin Durant e o Jeff Green em jogadores muito bons, com o resto não dá pra fazer milagre, não era culpa dele que todo pivô que os enfrenta arregaça com o jogo. Mas talvez os dirigentes simplesmente não vissem mais futuro com o Carlesimo, ele fez a parte dele em desenvolver o jogo do Durant e do Green e agora é hora de outro continuar o serviço.
Outra opção é que eles podem achar que o time é bom o bastante para ter resultados melhores do que esses. Mas será que um time com Earl Watson, o novato Westbrook em seu primeiro mês de NBA, Durant, Jeff Green e a pior combinação de pivôs e alas de força de toda a liga tem alguma chance de ser melhor do que isso? É como mulher feia, você pode vestir ela melhor, maquiá-la e melhorar um pouco, mas mulher feia é mulher feia pra sempre. O capitão do time de futebol americano sempre vai preferir a cheerleader loira a ela.
Tem ainda outra teoria sobre a demissão, que é a que mais me convenceu. É que foi para agradar a torcida. O time é recém-chegado à cidade, teve seus ingressos de temporada esgotados e a cidade está em êxtase por ter um time da NBA. Aí eles vão lá, perdem 12 dos seus primeiros 13 jogos e com um mês de vida o ginásio antes tomado por festa é assombrado por vaias. Pega mal. A diretoria mandando o técnico embora mostra que está do lado da torcida, mostra que está fazendo o possível para fazer o time se tornar um sucesso. Pura jogada de marketing associada com a falta de competência do Carlesimo, ninguém mandaria um técnico insubstituível só pra agradar a torcida.
A situação do Wizards é um pouco diferente. Embora o time seja realmente ruim e com elenco limitado, esse elenco é limitado por contusões, não por deficiências na hora das contratações. Não é culpa nem da diretoria e nem do Eddie Jordan que o Arenas e o Haywood, armador principal e pivô titular do time, não estejam com a equipe.
Mas se ano passado a gente tinha visto um Wizards se superando com o Arenas fora da equipe, hoje vemos o oposto. Cansei de falar na temporada passada que o Wizards jogava melhor sem o Arenas porque, ao invés de parar e ver o Agente Zero jogar, eles viram que precisavam jogar como um time, defender, rodar a bola, atacar os rebotes e tudo isso que um time de basquete faz se quer mesmo vencer. E deu certo, eles foram um bom time no ano passado.
Mas nesse ano, lá estão eles na mesma situação. O que era pra ser uma superação apenas temporária aconteceu de novo e teve o agravante da perda do Haywood. Então parece que eles desanimaram de vez. Ao invés de um ataque mais organizado e uma defesa mais dedicada, eles responderam aos desfalques com uma atitude de “cada um na sua”. Todo mundo faz o que bem entende no ataque, tenta os arremessos que quer a hora que quer e, se der tempo antes da novela, volta pra defesa.
Ver um jogo do Wizards hoje é ver tudo o que não deve ser feito em uma quadra de basquete. Eles conseguiram perder do Knicks sendo que o time de NY só tinha 7 jogadores prontos pra jogar e nem tinha garrafão. Abriram as pernas pro ataque do Knicks e se deram mal. Pessoas mais próximas ao time falaram pela imprensa americana que os jogadores nem ouviam mais o que o Eddie Jordan falava.
Era mesmo a hora de mudar. É como naqueles times que estão prestes a ser rebaixados no futebol, você sabe que a estrela do time foi vendida pra Europa, que o lateral-direito é amador, que o atacante não sabe nem cortar a unha sozinho, mas mesmo assim finge que a culpa é do técnico e traz um outro que tenha um discurso novo para ver se os jogadores mudam de atitude. Porque de talento não vão mudar de uma hora pra outra, mas de atitude é até possível.
Sim, a solução hoje para o Wizards é o Joel Santana. Eles precisam de alguém que faça os caras se animarem a jogar basquete de verdade outra vez. Então a demissão foi justa embora as derrotas não fossem culpa do técnico, faz sentido? A vida também não, nessas horas que a gente vê como o basquete é filosoficamente profundo.
O que eu não achei nada legal foi o que li num jornal de Washington, com um cara dizendo que o Wizards deveria desde já abandonar essa temporada, pegar um cara bonzão no draft do ano que vem e montar um time forte com a volta do Haywood e Arenas. Já começam a sonhar com um trio de Arenas, Butler e Brandon Jennings.
Em época que todo mundo tá pensando nos Free Agents de 2010, nem parece tão absurdo já pensar no draft do ano que vem, mas é! Estamos no primeiro mês de temporada, o Arenas volta em janeiro e qual é a graça de só ficar pensando no futuro? Planejamento é essencial, mas jogar fora o presente pra isso é tirar toda a graça do jogo, do campeonato. Se eu fosse torcedor do Wizards não assistiria mais jogos do meu time se ficasse claro que eles já estão pensando na temporada que vem. Mas confio no instinto competitivo do Arenas pra acreditar que isso não vai acontecer.
E uma dica para o novo técnico do Wizards: o Nick Young tem que jogar mais minutos por jogo do que o DeShawn Stevenson. O resto é com você.

>O dia da volta

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Carter sempre fez isso em Toronto

Eu queria mesmo conhecer quem faz esse calendário da NBA. Não deve ser nada, nada fácil. O cara tem que colocar jogos bons para a televisão na quinta-feira para favorecer a TNT de lá, às sextas tem que ter os jogadores que a ESPN quer mostrar em jogos bons e ao mesmo tempo eles tem que fazer com que os times não tenham que fazer viagens insanas todos os dias. Isso sem contar os contratempos, como o Circo (Circo! E não é o Circo Espacial) que todo ano vai ao ginásio do Chicago no fim de novembro, ou quando tem rodeio no ginásio de San Antonio.
E no meio de toda essa palhaçada eles ainda conseguem fazer dias temáticos. Ontem foi o “Dia da volta para casa”. Então tivemos o Vince Carter voltando a Toronto, o Elton Brand enfrentando seu velho Clippers, Kevin Garnett jogando em Minessota e o Hornets jogando em Oklahoma City.
Comecemos com o melhor jogo da noite: Raptors e Nets. Foi um daqueles jogos pra você virar fã de todo mundo. Todos jogaram bem, todos mostraram o que sabem, os dois times beiraram os 130 pontos, foi uma festa, principalmente se você não torce para o Raptors. Se você torce para eles é um jogo a ser esquecido.
Jose Calderon finalmente está de volta à equipe e fez a festa com o Chris Bosh nos três primeiros quartos de jogo. Os dois estavam simplesmente brincando com a defesa do Nets de todas as maneiras possíveis e imagináveis e até o Andrea Bargnani, o melhor jogador da NBA com nome de menina, estava na melhor noite da sua carreira.
Aí tudo começou a desmoronar, começando pelo joelho do Jermaine O’Neal. Tava bom demais ele passar 12 jogos sem nenhuma dorzinha sequer. Depois do Yao, T-Mac e Baron Davis já terem perdido jogos por contusão, estava na hora do Jermaine estourar o joelho. E pode ter sido grave o negócio, não tem nenhuma notícia oficial mas a imagem foi bem feia.
Com um Jermaine a menos, o Raptors conseguiu desperdiçar uma vantagem de 18 pontos, sendo 7 deles nos últimos 25 segundos de jogo. Tudo por causa do Vince Carter, que fez 12 pontos seguidos no final do jogo para levar para a prorrogação. Os últimos três foram em um arremesso sensacional de muito longe com a marcação do Anthony Parker grudada nele, um arremesso histórico que o Carter comemorou como um doido, como eu não via ele comemorando há anos.
Ele estava comemorando por vários motivos, não era só porque foi um arremesso tão foda que você sairia pulando até se fosse naquela cestinha que você deixa atrás da porta do quarto, era porque foi contra o Raptors. De maior ídolo da história da franquia, ele se tornou o maior vilão depois de ter implorado para sair de lá, toda santa vez que bota o pé em Toronto ele é vaiado. Aposto que as camareiras do hotel vaiam ele, o motorista do ônibus vaia ele, a mulher dele deve vaiar ele na cama quando estão em Toronto. O Carter fez um dos arremessos mais fodidos da carreira dele com vaias e mais vaias na orelha, não é à toa que vibrou tanto.
Com o jogo na prorrogação, foi mais um show de grandes jogadas. Primeiro dois arremessos do Devin Harris sobre o Calderon para abrir uma boa diferença, depois o Chris Bosh acertou um arremesso de 3 para diminuir a diferença pra 1, e com a vantagem de volta a três pontos o Anthony Parker acertou um arremesso-Raja-Bell para empatar o jogo. Foi então a vez do Carter brilhar mais uma vez, agora vencendo o jogo contra o seu maior rival pessoal com uma enterrada de costas em uma ponte-aérea. Que tal? Cinematográfico o bastante? Foi o bastante para ser um dos melhores jogos da temporada até agora, ou pelo menos o com o melhor final.
Para quem gosta de números (eu!), dêem uma olhada no nível das atuações de ontem. Defesa? Coisa de viado!
Jose Calderon: 26 pontos, 15 assistências
Andrea Bargnani: 29 pontos, 10 rebotes
Chris Bosh: 42 pontos, 9 rebotes
Devin Harris: 30 pontos
Vince Carter: 39 pontos, 9 rebotes, 2 arremessos de último segundo e 1 torcida irada.
O Raptors não é um time ruim, mas sempre me dá a impressão de que eles podem mais do que fazem. Eles são bons o bastante para não desperdiçar com derrotas o segundo jogo de mais de 40 pontos do Bosh (ele fez 40 pontos e 18 rebotes contra o Orlando outro dia). Assim como são bons o bastante para não perder uma vantagem de 18 pontos contra o Nets.
Para as principais jogadas do jogo de ontem, tem esse vídeo aqui com os melhores momentos:
Mais sobre o Vince Carter:

Sempre questionaram (eu também) a motivação do Carter. Nunca pareceu que ele realmente se importava em vencer jogos, ele parecia querer se divertir, fazer suas enterradas e então ir pra casa. Quando pareceu que ele queria vencer, criou inimigos – foi quando cansou de perder no Raptors e exigiu ser trocado.
No Nets ele começou a ser criticado porque não ajudou o Nets a ser o time vencedor que seu elenco mostrava que poderiam ser, aí quando o Kidd foi trocado estava todo mundo esperando ele exigir sua próxima troca. Mas surpreendeu todo mundo dizendo que não queria ser trocado, que gostava da molecada do Nets e queria ser um líder em New Jersey.
Mas além dessa idéia de ser líder, estou gostando mais do Carter nessa temporada porque ele está jogando melhor mesmo. Talvez essa motivação criada por ele em ser o líder seja o motivo, não sei, mas o fato é que está tomando decisões melhores dentro da quadra. Ontem ele soube perfeitamente quando arremessar de longe, quando usar sua habilidade de outro mundo de ilfiltração e, mais importante, quando ficar de lado e deixar o Devin Harris jogar.
Nada contra o Knicks, mas se eu fosse o LeBron eu iria preferir ir para o New Jersey (Brooklyn?) Nets jogar com Carter e Devin Harris do que ir para Nova York jogar com o Chris Duhon e o Al Harrington.
Ah, além disso tudo que eu disse, o Carter é também um grande e gigantesco mentiroso:
“Minha atuação contra o Cleveland foi inaceitável. Eu me considero o líder desse time e preciso jogar bem. Não tem nada a ver com o lugar em que estamos jogando ou contra quem, tem a ver com jogar melhor para ajudar meu time.”
Tá bom. E se o Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim.
Já as outras visitas não renderam grandes jogos:
Com o Garnett em Minessota, a torcida o aplaudiu de pé antes do jogo, coisa que eu não teria feito se fosse torcedor do Wolves, pelo menos não depois daquele final de jogo no ano passado em Boston, vocês lembram? Mas eles esqueceram e ontem deram essas boas-vindas, com as quais o KG pareceu não se importar muito:

O confronto do Elton Brand com o Clippers pode ser definido em três partes:
1. Baron Davis: “Eu não tenho nada pra falar pra ele.”
2. O técnico Mike Dunleavy: “Tivemos 5 anos ótimos com o Elton aqui, eu amava ele. Mas agora existe um certo desapontamento porque eu não sei o que aconteceu, não sei porque ele foi embora. Nunca deixávamos passar 10 ou 15 minutos depois de uma mensagem ou ligação sem nos respondermos, de repente ele ficou em silêncio”.
3. Elton Brand faz a cesta da vitória no último minuto de jogo. Sixers 89, Clippers 88.

A volta do Hornets foi bizarra. Esse vai-e-vem de times é uma confusão difícil de entender. Aposto que muita gente em Oklahoma City torce para o New Orleans por ter visto os dois primeiros anos da carreira do Chris Paul, quando o Hornets foi para Oklahoma City jogar temporariamente devido ao furacão Katrina. Imagina ter dois times diferentes na sua cidade em tão pouco tempo, deve ser uma sensação muito estranha mesmo. Mas se alguém estava na dúvida para quem torcer, o jogo serviu para o cara se lembrar que o Hornets é bom e que o Thunder é o pior time da NBA. Eita joguinho sem graça.

Pelo menos não foi um jogo completamente inútil:

“Visitei minha filha e vim no meu restaurante favorito em Oklahoma City”.

Boa, Byron Scott. Alguma coisa de emocionante tinha que acontecer.

O Thunder, aliás, acaba de demitir o técnico PJ Carlesimo. Será que eles acham que a culpa do início de 1 vitória e 12 derrotas é por causa do técnico e não porque eles usam o Robert Swift e o Johan Petro de pivôs? Estranho.

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Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...

Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!

George Karl, Denver Nuggets
Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.
O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.
Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de “The Glove“, ou “A Luva”, tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.
O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.
O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.
Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.
E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!
Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!

Randy Wittman, Minnesota Timberwolves
Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.
Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.
Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.
Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.
Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.
Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta “Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!“, ou “Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!” ou ainda “Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!“.
Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:
Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler
Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.

Nate McMillan, Portland Trail Blazers
Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.
McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.
Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.
A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.
Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.
Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o “Mr.Sonic” virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.
No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.

PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.
O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.
O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.
O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.
O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.
Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.
Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.

Jerry Sloan, Utah Jazz
Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.
O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.
Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.
Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.
No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.
Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).
Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.