Interpretando um urso

Interpretando um urso

Depois das primeiras derrotas do Sixers na temporada passada, ficou óbvio que ninguém – nem mesmo o próprio time – esperava que eles vencessem. Derrotas, que são uma coisa perfeitamente normal dentro de qualquer prática esportiva e que acontecem com qualquer equipe por melhor que ela seja, se tornaram para o Sixers muito mais do que meros acidentes de percurso – viraram a própria identidade do time. Perder se tornou uma marca, uma característica fundamental, um traço identitário. Ficou evidente na primeira metade da última temporada que ninguém no elenco sequer julgava que vencer fosse uma possibilidade válida.

Todos nós que já passamos por uma vida escolar sabemos que a historinha que contamos ao nosso respeito determina em grande medida aquilo que somos dentro de um ambiente social restrito. Isso é particularmente verdadeiro em escolas, já que os alunos são crianças ou adolescentes com pouca experiência de vida, poucas vivências significativas fora do ambiente escolar, e fica muito fácil acabar acreditando que a escola é todo o mundo que existe. Quando nesse mundo se espera que você seja engraçado, é muito difícil acordar de manhã e não tentar ser engraçado. O mesmo vale para a alcunha de preguiçoso, de inteligente, de burro, de simpático ou qualquer outra que lhe seja imposta.

Protegido: 🔒Quando um time se lesiona

Quando assistimos a um jogo da NBA, esperamos ver grandes jogadores, grandes estrelas, grandes equipes se enfrentando – e de vez em quando o Sixers, claro. Toda equipe tem ao menos algum atrativo, algum jogador interessante que está fora da curva média da NBA. Mas às vezes nosso plano de ver os melhores jogadores em quadra é destruído pelo terrível poder do acaso: lesões acontecem sem aviso prévio e podem deixar alguns times completamente pelados e, ao menos aparentemente, desinteressantes.

Lembro de uma época triste em que os jogos da NBA na televisão eram raríssimos, não havia o poder do “League Pass” pela internet e vivíamos de pequenas migalhas na esperança de ver as melhores estrelas jogando. Certa vez a ESPN anunciou que o jogo da semana seguinte seria uma partida do Raptors de Vince Carter e passamos dias aguardando aquele jogo ansiosamente, até que o dia chegou e na hora de anunciar as estrelas de cada equipe, surgiu lá a cara simpática-porém-desimportante do Antonio Davis. Vince Carter estava contundido. A partida era uma perda de tempo total.

As primeiras trocas

A “trade deadline”, data limite para realizar trocas nessa temporada, se aproxima. No fim da tarde de quinta-feira, times não poderão mais realizar nenhuma troca até a temporada seguinte. A tendência é que a maioria das trocas aconteça na quinta-feira, já que todos os times querem garantir a melhor situação possível e supostamente conforme o horário limite for chegando, a ganância vai dando lugar ao desespero e times admitem trocas mesmo em situações fora do seu ideal almejado. É no estouro do cronômetro que as trocas realmente impactantes acontecem.

Nessa temporada com a tabela de classificação tão embolada, com tantos times querendo um ou outro jogador para melhorar ou consolidar suas chances de playoff e tão poucos times dispostos a abrir mão de bons jogadores e reconstruir, é perfeitamente possível que nenhuma grande troca se consolide. Mas as pequenas trocas sempre acabam rolando e dessa vez começaram com antecedência: dois dias antes já temos duas trocas interessantes para analisar.

Joga bonito

Joga bonito

A partida de ontem entre Grizzlies e Sixers foi um horror estético: gente despencando no chão, passes bizarros, 53 turnovers somados, péssimo aproveitamento nos arremessos, pouquíssimas assistências, um time cometendo 29 faltas e jogadas quebrando o tempo inteiro. Numa época considerada “a era dos armadores”, dos arremessos de três, das jogadas de efeito e que acabou de ver o Warriors campeão com um basquete bonito, veloz e cheio de jogadas plásticas, é interessante que uma partida entre Grizzlies e Sixers nos lembre de o “basquete feio” ainda sobrevive. Mais do que isso, ele resiste bravamente, e em algumas vertentes pode ser justamente a arma certa para vencer as equipes que ainda sonham em se tornar clones do Warriors campeão.

Primeiramente é importante apontar que “basquete feio”, ainda que seja um termo relativo, é menos sobre a opinião pessoal  estética de cada torcedor e mais sobre designar um tipo específico de abordagem no basquete. Consigo pensar em três modelos principais que estão incluídas nessa enorme caixa que é o “basquete feio”, e que injustamente são muitas vezes confundidos entre si simplesmente porque recebem coloquialmente a mesma designação.

[Resumo da Rodada] A bola mais importante dos playoffs não pera

O Hawks é instável, o Hawks não tem estrelas, o Hawks entrega a paçoca, o Hawks não vai vencer a NBA, o Hawks é o Hawks. Todas essas afirmações são verdadeiras, mas já passou da hora de entendermos o Hawks como um time que sabe vencer adversidades.

Talvez nosso erro tenha sido a irreal expectativa de que o Hawks continuasse a dominar jogos como se ainda estivesse na temporada regular, especialmente com um estilo de jogo que é notoriamente cheio de altos e baixos e que está sendo testado em séries de melhor de 7, com os adversários dissecando sua movimentação ofensiva e explorando as limitações da defesa. É normal que o Hawks oscile, e normal que algumas movimentações ofensivas simplesmente não funcionem com a mesma eficiência depois de 12 jogos de pós-temporada.

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