Nets dá adeus à New Jersey

Quem acompanhou o blog na época da mudança do Seattle Supersonics para Oklahoma City sabe como a gente acha essa cultura de se mudar times de cidade um absurdo. Até nos EUA, onde a maioria tem uma visão mais de negócio do que de afeto pelos times, algumas mudanças são difíceis de engolir, imagina com a gente que tem como referência nossas relações mais do que passionais com os clubes de futebol. Acho um bocado estranho, pra não dizer também broxante e desrespeitoso, um time passar anos trabalhando para construir um grupo de torcedores e depois dar o fora deixando aqueles caras sem time. Era bom para os negócios, o Thunder é um sucesso, mas esporte é mais que isso. O Sonics não era um Grêmio Itinerante com poucos fãs, era um time com 40 anos de história na NBA, título e torcida apaixonada.

Vivemos agora uma nova mudança. Ontem o Nets jogou seu último jogo em New Jersey antes de se mudar de volta para New York, onde será o Brooklyn Nets. Comoção? Não. Revolta com a perda do time? Também não. Talvez um grupo de pessoas que gostava um pouco mais do time esteja triste, mas nada grande aconteceu. O governador do estado de New Jersey, Chris Christie, aliás apenas disse que não iria ao jogo final do time: “Minha mensagem para eles é de adeus. Eles não querem ficar aqui, nós não queremos eles”. 

O jogo de ontem contra o Philadelphia 76ers acabou com derrota, mais um jogo comum em uma temporada ruim de um dos piores times da atualidade. A organização do jogo ainda tentou fazer algo de legal, relembrando bons momentos da franquia, mas nem isso deu muito certo. A presença do troféu de Campeão do Leste de 2002 acabou sendo uma afronta a Kenny Anderson, um dos grandes ídolos da história da franquia mas que naquele ano estava no Boston Celtics, time que foi eliminado pelo Nets nos playoffs. “Esfregaram na minha cara”, disse ele ontem. E ainda justificou a falta de conquistas na sua era em New Jersey, quando fez boa dupla ao lado de Derrick Coleman: “Eles não queriam trazer um técnico bom, conhecido”. 

A história do Nets é assim, cheia de fracassos, a ponto de nem uma despedida conseguir ser algo emocionante e que una os que já fizeram parte do grupo. O time chegou a ser bi-campeão da ABA, mas depois que essa liga se juntou à NBA, nunca mais tiveram sucesso. Desde que saíram de NY e foram para New Jersey em 1977-78, o time disputou 35 temporadas, chegou aos playoffs somente 16 vezes e passou da rodada só em 6 ocasiões. Chegaram a animar a torcida durante algumas ocasiões, como quando tiveram a dupla Kenny Anderson e Derrick Coleman, já citada, mas que não foi  muito longe. Ou quando assistiram a ascensão de Drazen Petrovic, animação que acabou com a trágica morte do croata.

Sucesso de verdade só quando o Phoenix Suns foi santo e aceitou trocar Jason Kidd pelo capeta do Stephon Marbury, que amargurava a torcida do Nets com seu basquete individualista. Com Kidd no elenco o time renasceu das cinzas, dominou o Leste com Kenyon Martin, Kerry Kittles e Richard Jefferson e foi para duas finais seguidas, perdendo para o Lakers em 2002 e Spurs em 2003. Bateram na trave e Kidd só foi ser campeão quando saiu do Nets para ir para o Dallas Mavericks. E pior, mesmo nos bons tempos o ginásio do time não enchia. Diziam ser muito longe, no meio do nada, perto de um lixão. Como ir lá em plena quarta-feira na hora do rush? Nem a melhor fase deles foi brilhante.

Kenny Anderson, após resmungas sobre o troféu, também disse ontem que “New Jersey é um estado de basquete de alguma forma, mas New York, NY É o basquete”. Frases menos diretas, mas também de crítica a torcida local e exaltação de New York saíram da boca de Deron Williams algumas vezes nos últimos dois anos. Sabe Nets, era hora de ir embora mesmo.

 

Vamos tentar lembrar do pouco que foi bom. Primeiro um Top 10 com as melhores pontes aéreas de Jason Kidd para Kenyon Martin, 10 anos atrás Lob City era na outra costa dos EUA.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=D3xoDBiEHeY[/youtube]

Depois, grandes momentos do sensacional Drazen Petrovic com a camiseta do Nets:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=BPrLL5-YGDo[/youtube]

As reconstruções do Blazers

Gerald Wallace é tão durão que derruba as pessoas com o poder da mente

Por 5 minutos, o Blazers foi o melhor time da NBA e deixou seus torcedores com água na boca. Foi no começo da temporada, quando o Blazers tinha 7 vitórias e apenas 2 derrotas, líder do Oeste, e isso vencendo equipes como Clippers, Nuggets, Sixers, Thunder e Lakers. O elenco parecia profundo, cheio de opções ofensivas, defendia forte, jogava em velocidade e com mais vontade do que qualquer outra equipe da liga. O símbolo do começo arrasador do Blazers era Gerald Wallace, o homem que se joga em cima de trilhos se com isso tiver uma pequena chance de cavar uma falta de ataque do trem. Wallace jogou improvisado de ala de força boa parte da sua carreira no Bobcats e nunca afinou, trombando com jogadores bem maiores, se jogando atrás de bolas, conseguindo tocos e roubos ao não fugir do contato. Pagou o preço por isso com o seu corpo, aturou um sem número de lesões, mas esse tipo de intensidade rapidamente se tornou o coração do Trail Blazers. Nas primeiras semanas não se falava de outra coisa na NBA que não fosse as chances do Blazers de ganhar um título porque todo mundo no time tinha enfiado o dedo na tomada.

Aos poucos o time foi diminuindo o ritmo, mostrando sinais de cansaço, e começou a perder jogos no finalzinho – em parte porque não tinha fôlego, em parte porque desde que Brandon Roy se aposentou não há ninguém no time que seja especialista em fechar jogos. Pra se ter uma ideia, das 23 derrotas que o Blazers tem na temporada, 12 delas são por 5 pontos ou menos. É o time que mais perde jogos apertados na NBA. Conforme as derrotas foram surgindo, ainda que fossem por pouquinho, o time foi afundando. Os arremessadores são inconsistentes, não há nenhum especialista na função e o único grande arremessador de média distância é justamente LaMarcus Aldridge, que deveria jogar embaixo da cesta desde que o “projeto Greg Oden” virou farofa junto com os joelhos do pivô. Mas o maior problema da equipe é, disparado, Raymond Felton. Apesar de um pouco fora de forma e da dificuldade com a correria, o armador começou a temporada muito bem e foi fundamental para que alcançassem o primeiro lugar no Oeste. Mas desde então ele pisou num buraco do qual não consegue mais sair: todos os adversários, sem exceção, pagam pra ver ele arremessando, e ele não acerta nem que sua vida dependa disso. Tem espaço pra arremessar mas não converte, acaba insistindo e tira o resto do elenco do jogo. O time não tem gente com controle de bola o suficiente para chamar as jogadas, e os jogadores, com exceção do Nicholas Batum, possuem muita dificuldade em criar o próprio arremesso, então cabe ao Felton ter a bola nas mãos e criar espaços. Mas ele acaba apenas arremessando ou então andando em círculos, sem conseguir entrar no garrafão, e aí tendo que acionar alguém para um arremesso estúpido ou dando um arremesso estúpido ele próprio. É um desastre. Se os arremessadores do Blazers já não são especialistas, sem que haja espaço para arremessar passa a ser impossível converter qualquer coisa. Quer defender o Blazers? Basta fechar o garrafão e ver o ataque da equipe de Portland se desfazer sozinho. Quando os pontos de contra-ataque deixaram de vir e os adversários pegaram as manhas, o Blazers desintegrou e o Ray Felton se tornou um dos piores armadores da NBA.

O problema é que o começo fantástico da equipe impediu que o técnico Nate McMillan mudasse o estilo de jogo ou a rotação da equipe. Insistiu o quanto conseguiu nos mesmos erros, achando que eventualmente o time iria entrar em forma e recuperar o fôlego das primeiras semanas. A maior insistência foi justamente no Felton: quanto mais ele fazia merdas, mais perdia a bola e mais arremessos livres errava, mais minutos o McMillan dava para que ele pudesse se redimir, sair desse buraco, conquistar de novo seu espaço. O novato Nolan Smith, que foi tão bem em Duke e é um baita arremessador, nunca teve chances. Jogou no máximo 15 minutos num jogo, mas a média ficou na metade disso. Levou um século para o Jamal Crawford pegar a vaga de titular, melhorou a questão do time com arremessos por ter longo alcance e criar seus próprios pontos, mas ele não tem muita visão de jogo para acionar os companheiros como a equipe precisa. O buraco começou a parecer intransponível após a derrota por 20 pontos para o Pacers, em que ninguém no Blazers conseguiu produzir coisa alguma em quadra. Era um time apático, cansado, incapaz de se importar com o que quer que fosse. Não dava pra ficar pior. Aí foram e perderam por 42 pontos para o Knicks. Quarenta. E. Dois. Se havia qualquer esperança de retomar aquele começo de 7 vitórias e 2 derrotas, perder de tanto jogou essa esperança na latrina.

A coisa óbvia a se fazer era trocar o Ray Felton, e parte da insistência do Nate McMillan em lhe dar minutos pode ter sido preocupação em aumentar o valor do Felton para trocas. Mas quanto mais minutos teve, mais seu valor despencou – é o equivalente a tentar convencer alguém a comprar a Mara Maravilha mostrando a Playboy dela. O resultado final foi que time algum aceitou recebê-lo, e aí o Blazers se viu obrigado a conseguir um armador mais-ou-menos em troca de uma peça de garrafão: o meu Houston mandou o armador Jonny Flynn, o pivô Hasheem Thabeet e uma escolha de segunda rodada em troca de Marcus Camby.

Flynn e Thabeet foram jogadores que saíram barato para o Houston na época, e que agoram se transformar no homem de garrafão que o Rockets tanto queria. Desde que chegou à equipe, o técnico Kevin McHale quer um garrafão forte e bons defensores, tentou trocar Kevin Martin e Luis Scola por não defenderem nem ponto de vista, e tem horror ao Jordan Hill e sua incapacidade de obedecer ordens (jeito simpático de dizer que ele não é muito esperto). A filosofia de McHale é defensiva, jogo embaixo do aro, contra-ataque, e era necessário um homem de garrafão para cuidar disso. Na offseason tentaram Nenê (que preferiu ficar em Denver e, vejam só, se lascou, mas isso é pra outro post), Marc Gasol (que o Grizzlies segurou igualando a oferta), Pau Gasol (na famosa troca que o David Stern vetou) e por fim tiveram que se contentar com o Dalembert, que por vezes é dominante, mas compromete tanto com seu arremesso e com suas saídas malucas atrás de tocos que às vezes acaba ficando de castigo no banco. Camby é o sonho do McHale e um avanço enorme para que o Houston abrace de vez sua filosofia. Se não der certo, ou seus joelhos virarem farofa de novo, o contrato é expirante.

Para o Blazers, Flynn já é melhor do que nada. É um arremessador pontuador, pouco inteligente mas bastante agressivo, e com arremesso confiável. Na impossibilidade de trocar o Felton, Flynn ao menos permite que o Felton venha do banco ou jogue como segundo armador. Já Thabeet só é bom no videogame, foi uma aposta barata do Houston que até a mãe dele sabia que não daria certo, o cara é gigante só que mais cru do que sushi.

As duas equipes envolvidas na troca não pararam por aí. O Houston ainda mandou o Jordan Hill em troca de Derek Fisher e a escolha de draft que era do Mavs (o Denis analisou a troca em outro post, falando do Lakers), o que na prática significa que o McHale está se livrando de todo mundo que ele não gosta, trocando por defensores e muito me surpreende que Kevin Martin ainda esteja na equipe (talvez ninguém tenha se interessado em trocar por ele?). O Blazers, por sua vez, continuou apertando o botão do apocalipse e se livrou do “coração da equipe” que vinha tendo um ataque cardíaco, Gerald Wallace. O Nets mandou por ele o contrato expirante do Mehmet Okur, o Shawne Williams como sobremesa, e uma escolha de primeira rodada do ano que vem protegida se estiver entre as 3 primeiras.

Pro Blazers, a intenção é bem clara. Depois de um processo de reconstrução fantástico que criou rapidamente uma equipe capaz de brigar pelo topo do Oeste com Brandon Roy e Greg Oden, os dois passaram a morar no departamento médico e os engravatados da equipe apenas se preocuparam em arrumar substitutos aos dois, não querendo jogar fora essa chance que surgiu de brigar por títulos. Mas agora a realidade bateu e perceberam que é preciso mudar o foco e voltar a ter paciência. Se esse time for voltar a brigar por títulos será apostando em LaMarcus Aldridge e Nicholas Batum, e para isso será necessário esperar um pouco, ter paciência com a pirralhada outra vez, se livrar dos veteranos que vão morrer de velhice esperando o título chegar, essas coisas. O Blazers teve saco de encarar uma reconstrução muito bem feita, e agora terá que fazer algo parecido – ao menos dessa vez não terão que começar do zero. Para coroar o processo, mandaram Greg Oden embora, pagando o restante do seu salário, e demitiram o técnico Nate McMillan. É um novo começo para o Blazers.

Por isso é tão importante a escolha de draft do Nets. No momento a equipe de New Jersey nem está tão ruim assim, e é bem possível que na loteria acabe pegando a escolha número 4 ou 5, por exemplo. Se for o caso, a escolha vai imeditamente para o Blazers e acelera em muito a reconstrução. Foi uma troca esperta, que o Nets só topou porque está desesperado. O contrato do Deron Williams acaba no máximo ao fim da próxima temporada e o Nets precisa convencê-lo a ficar depois de ter trocado meio time por ele. O plano era trocar pelo Dwight Howard ou contratá-lo ano que vem, mas o pivô ficou com medo de dar uma de LeBron James e resolveu ficar mais uma temporada no Magic (falaremos disso em outro post em breve). Com isso, o Nets não sabe mais o que fazer. Acabou mandando tudo que conquistou com o processo de reconstrução até agora (o contrato expirante do Okur e a escolha de draft que teria) em troca de qualquer coisa que possa melhorar o time agora e dar uma animada no Deron. Foi presente de marido desesperado que acha que vai perder a esposa, mas não tem cara de que vai funcionar. Só que se tudo der errado, em duas temporadas o Nets praticamente não terá mais contratos e poderá começar tudo do zero – tendo que convencer, de novo, alguém a jogar por lá. Precisa ter umas aulas com o Blazers, que já virou craque em reconstruções, pena que elas sempre precisam começar de novo.

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Se eu fosse de Utah essa seria uma de minhas 8 esposas

Eba!!! Falta só um dia para começar a temporada! Juro que não sabia mais o que fazer nesse blog. Nem uma enquete nova eu sou capaz de criar, mas tudo bem, tudo acaba amanhã quando começa a coisa mais maravilhosa do planeta depois da Alinne Moraes, a temporada regular da NBA! 82 jogos de amor, ódio, intrigas e traição num enredo de tirar o fôlego.
Mas cumprimos nossas obrigações morais de terminar nosso preview da temporada. Como já explicamos, somos obrigados pela União Internacional dos Sites de Basquete de fazer um preview da temporada. A única liberdade que eles dão é de como fazer as previsões, pode ser no chute, tarô, borrão de café e, se você tiver contatos, leitura da mão dos jogadores.
Eu, como não sou bobo, fui atrás de mesma mulher que fez a amarração que fez minha namorada voltar pra mim depois da minha última cagada, e ela deu desconto na hora de fazer as previsões. Ela me garantiu que nesse ano o Kobe vai jogar bem, o Dwight Howard vai enterrar, o Rasheed vai tomar falta técnica, o Josh Howard vai falar besteira e que eu estou com mal olhado.
Mas vamos ao que interessa:
Utah Jazz

Motivos para assistir:
O Jazz é o mesmo há uns 20 anos. Por um lado isso é bom, porque é um estilo de jogo bem eficiente e que rende jogadas bonitas, mas é sempre mais do mesmo. Um mesmo que eu adoro, principalmente por causa do Deron Williams, que não me importa se é melhor, pior ou igual ao Chris Paul, o que interessa é que o moleque é muito, muito bom e dá gosto de ver.
Sou fã de armadores, acho que por ser um armador frustrado, com menos visão de jogo que o saudoso Gilmar Fubá do Corinthinas e um passe tão bom quanto o do Zach Randolph (essa é pegadinha, porque ele não passa a bola, pegou, malandro?). Mas mesmo preferindo os baixinhos, sobra tempo para assistir uns grandalhões mostrarem o que sabem fazer. E entre os gradalhões, dois em especial são de encher os olhos: Tim Duncan e Carlos Boozer. Nada contra Yao, Amaré, Garnett e Dwight, e nada a favor do Spurs, mas eu ainda fico impressionado em ver como o Duncan e o Boozer, apesar de serem muito fortes, conseguem jogar tão bem com tanta finesse, tanto estilo. O Boozer consegue ser um trombador brutamonte e uma lady ao mesmo tempo dentro do garrafão, é até difícil de explicar e eu não vou me dar ao trabalho de desenhar.
Mas se você não entendeu, melhor, mais um motivo para você ver o Jazz jogar e ficar de olho aberto para cada jogada do Homem do Alasca, Carlos Boozer.
Motivos para não assistir:
Algumas coisas na vida não enjoam nunca. Entre elas estão Coca-Cola, sexo, mortadela e Pink Floyd. Mas o Utah Jazz, infelizmente, não está na lista e eu entenderia perfeitamente se você disser que se ver mais um pick-and-roll vai vomitar.
Se você é daqueles entusiastas do streetball também não espere enterradas mirabulantes, as jogadas bonitas serão, no máximo, um daqueles crossovers secos que o Deron sabe fazer muito bem ou um toco do Kirilenko, se ele estiver afim de jogar, claro, porque tem dia que parece que ele prefere ficar em casa comendo Danoninho.
Portland Trail Blazers

Motivos para assistir:
Depois de tantos textos lambendo o saco do Blazers eu ainda preciso dar motivos para ver o Blazers jogar? Bom, o Rudy Fernandez vai ser o estrangeiro favorito de muito americano com aquele estilo de jogo agressivo e plástico. Ele já é um show à parte.
O Brandon Roy, depois de só dois anos de profissional, já está na elite da elite dos jogadores da NBA e só ele estar presente em quadra já é motivo para ver o Blazers jogar. E ainda tem o Greg Oden, que mesmo que não seja tudo o que dizem, e eu acho que vai ser, vale a pena nem que seja só pela curiosidade de ver como o vovô joga.
E depois de tanto puxa-saquismo Blazeriano do Bola Presa, você TEM QUE assistir eles jogarem, nem que seja para secar os caras e dizer que você sempre soube que não ia dar em nada.
Motivos para não assistir:
Se você é daqueles do contra que não gostam de alguma coisa só porque está na moda, então não assista.
Antes que qualquer um venha falar que o Blazers não está na moda porque é tradicional, digo que no ano 2000, no auge do hype daquele álbum “1”, Beatles era modinha. Estar na moda é ser o queridinho de todo mundo, seja lá por qual motivo, não tem nada a ver com ter história, tradição ou merdas do tipo.
Então se for um desses malas que não sabe abraçar uma boa modinha e que deixa de gostar de alguma coisa só porque está na capa da Capricho, Veja, Carta Capital e Superinteressante ao mesmo tempo, não perca tempo vendo o Blazers, vai te dar coceira e você não vai conseguir aproveitar o bom basquete que eles vão jogar.
Denver Nuggets:

Motivos para assistir:
O Nenê parece que está saudável e fez isso com o pobre Jamario Moon:

O Kenyon Martin é uma máquina programada para enterrar. O Carmelo faz 30 pontos por jogo mesmo com dor de barriga, o Iverson é um dos melhores jogadores de todos os tempos e o JR Smith, volta e meia, ilumina nossa vida com seus mometos de brilhantismo:
Ver o Denver jogar é celebrar a esperança. Você sabe que pode ver muita bobagem, muito turnover, um técnico ignorado, mas no meio disso tudo estão jogadores fora de série.
Motivos para não assistir:
Se o Blazers está naquela fase de encantamento, onde só se enxerga um futuro promissor, o Nuggets está naquela fase onde todo mundo está perdendo as esperanças. O time parecia ter um elenco fora de série e ano após ano só passa vergonha nos playoffs. Depois ainda mandaram o Marcus Camby em troca de um Toddynho vencido. Se você disser que não vai ver o Nuggets porque suas esperanças de ver o time vencedor foram para o ralo e você cansou de sofrer, vou entender perfeitamente.
Minnessota Timberwolves

Motivos para assistir:
Tá, vou forçar a barra. Mas se você gosta de um bom jogador de garrafão, vai gostar de ver o Al Jefferson em ação. Mas não prometo nada, porque o time é tão ruim que às vezes a bola nem chega redonda nele e o time apanha demais, deixando o jogo sem graça.
Mas você também pode apelar para a esperança. O Kevin Love parece que vai ser muito bom e o Randy Foye tá pegando as manhas da coisa, talvez junto com o Al Jefferson formem um jovem trio empolgante. Que perdem de todo mundo e são companheiros de time do Brian Cardinal, mas empolgante.
Você também pode ver o Wolves contra o Suns. Inexplicavelmente no ano passado foi contra o Suns que o Wolves fez seus melhores jogos, vencendo acho que 2 dos 3 duelos entre as equipes.
Motivos para não assistir:
Repito, são companheiros de time do Brian Cardinal. Pra que dar moral pra um time que tem ele no elenco? Pra mim já basta, mas se você quer mais eu posso mostrar esse vídeo do Corey Brewer. Nada em especial contra ele, mas é o tipo de coisa que você vê em jogos do Wolves hoje em dia:

Oklahoma City Thunder

Motivos para assistir:
O Kevin Durant foi novato do ano na temporada passada com todos os méritos e nesse ano deve passar facilmente dos 20 pontos por jogo. O Jeff Green terminou bem a temporada passada e o Russell Westbrook é um armador, digamos, promissor.
Pronto, acaba aí. Eles tem alguns bons jogadores novos, se você quiser ver eles num time desorganizado e perdendo, fique à vontade. Eu não vou ver, até porque mesmo o Durant, que é talentoso pra diabo, não é daqueles que dá gosto de ver jogar, como o Brandon Roy que eu citei hoje mesmo.
Você pode ver o primeiro minuto do primeiro jogo, só pra dizer que viu a estréia do Thunder para o seu filho. Mas eu vou dizer que boicotei a estréia do Thunder, sou um homem de princípios.
Motivos para não assistir:
É o Thunder!!! Eles afanaram o simpático Sonics. Precisa de mais motivos? Como defensor da moral, dos bons costumes e da família brasileira hoje no Brasil, eu não vou ficar dando audiência (pirata via internet) para esse afanadores de time!
Em nome de Gary Payton, amém.

Tá, vou falar a verdade. Se os afanadores de time tivessem o Kobe, o Amaré, o Chris Bosh e o Wade no elenco eu até abandonava um pouco do meu orgulho. Mas isso fica entre nós.
Revista Eletrônica é o Brasil na Libertadores
O Bola Presa foi formalmente convidado e aceitou fazer uma coluna na Revista Eletrônica “Lance Livre“. A revista está ainda tomando formas, tem seus erros e acertos mas tem futuro promissor.
Entre no site deles, baixe o primeiro número, leia nossa coluna e diga para eles o que acharam da revista e para nós o que acharam da coluna Bola Presa.
E que comece a temporada logo!

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Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...

Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!

George Karl, Denver Nuggets
Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.
O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.
Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de “The Glove“, ou “A Luva”, tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.
O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.
O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.
Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.
E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!
Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!

Randy Wittman, Minnesota Timberwolves
Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.
Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.
Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.
Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.
Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.
Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta “Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!“, ou “Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!” ou ainda “Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!“.
Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:
Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler
Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.

Nate McMillan, Portland Trail Blazers
Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.
McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.
Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.
A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.
Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.
Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o “Mr.Sonic” virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.
No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.

PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.
O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.
O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.
O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.
O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.
Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.
Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.

Jerry Sloan, Utah Jazz
Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.
O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.
Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.
Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.
No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.
Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).
Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.

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Diga adeus à vida boa dos vestiários, DJ…

O mês de dezembro já acabou mas eu tinha que esperar um momento decisivo da temporada de DJ Mbenga para fazer o último post sobre ele. O pivô do Congo tinha contrato garantido apenas até essa quinta-feira e o Warriors tinha que decidir se mantinha ele até o fim da temporada ou se o dispensava.

O dilema era duro. Mbenga vinha jogando, até foi bastante usado no jogo contra o Denver Nuggets e suas torres Camby, K-Mart e Nene, por exemplo, mas ao mesmo tempo o time sofre com a falta de um armador principal, já que Troy Hudson está fora da temporada com uma contusão e o Monta Ellis joga mais de segundo armador junto com Baron Davis no time titular do que como armador principal, deixando o pobre Baron, que já tem fama de se machucar fácill, jogando mais de 40 minutos toda noite.

Então hoje veio a resposta: DJ Mbenga foi dispensado. O manager Chris Mullin e o técnico Don Nelson disseram que não foi nada que Mbenga fez na quadra que rendeu sua dispensa, mas eles precisavam de flexibilidade no tamanho do elenco (o limite é de 15 jogadores) para adicionar novas peças.

O ideal, claro, era mandar embora o bichado do Troy Hudson. Mas o problema é que ele tinha um contrato garantido, e para mandá-lo embora o Warriors teria que desenbolsar uma grana preta, com o Mbenga, como ele não tinha o tal do contrato garantido, foi só comunicar a decisão de mandá-lo para rua. E é por isso, pessoal, que quando vocês forem jogadores da NBA, vocês têm que fazer como qualquer grande estrela faz: mande seu agente ir lá e brigar muito por um contrato bem longo e bem gordo, porque aí mesmo que você se esfole todo e nunca mais possa jogar basquete, você terá grana o bastante para que seus netos vivam numa boa em uma mansão em Miami. Claro que com isso o seu time não terá espaço nos salários para assinar um outro jogador bom, terá que mandar embora jogadores que estavam realmente ajudando e com isso nunca ganhará um título. Mas e daí, é sua grana que importa, né?

Mas o que mais me deixou revoltado nessa situação toda, devo adimitir, foi que o mais cotado para ganhar uma vaga no elenco do Warriors é o Gary Payton! Porra! Você é velho, não jogou nada no meu Lakers, já se vendeu barato pra ganhar um título no Miami e agora com 38 anos nas costas vai roubar a vaga do Mbenga?! Sacanagem! Aposto que depois de 10 minutos no ritmo do Warriors ele desmaia em quadra e vão ter que chamar os geriatras do time para socorrê-lo.

Também tinha guardado para esse último texto uma surpresa: uma entrevista exclusiva com DJ Mbenga. Conseguimos um contato no Warriors, um simpático relações públicas chamado Raymond. Ele nos tratou muito bem, aceitou receber as perguntas e entregar para o DJ. Demorou, demorou, demorou mas ele finalmente nos enviou uma resposta: que o DJ disse que não tava afim de responder na hora e que provavelmente não ia responder depois também. Broxante. Ficamos arrasados. E pra terminar, hoje ele mandou um e-mail dizendo que o Mbenga não está mais relacionado ao time então ele não pode fazer mais nada. Ficamos sem essa mas prometemos continuar tentando!

Mas se tem um lado bom nesse triste fim de nosso acompanhamento do mês de DJ Mbenga foi que ele acabou com o mito já muito espalhado por esse Brasil de meu deus que é de que nosso desconhecido do mês tinha sorte. Quer dizer, se você pensar bem, o azar do Mbenga foi no mês de janeiro, em dezembro, que era oficialmente o mês dele, ele foi muito bem, teve minutos e participou bastante dos jogos. O azar mesmo veio em janeiro, e com o nosso Desconhecido do Mês anterior a coisa foi parecida: Antoine Wright foi muito bem e teve até vários jogos como titular em novembro quando o acompanhamos e em dezembro ele se machucou e por causa disso perdeu muito espaço na rotação do Nets e já faz uns bons jogos que ele ou participa pouco ou simplesmente joga mal.

É a maldição do Bola Presa. Quem será o próximo a brilhar num mês e voltar a se apagar no outro? Aguardem.