Preview 2012/13 – Miami Heat

Acaba agora o melhor preview já terminado minutos antes da temporada começar. 

Abaixo os links para a análise de TODOS os times da NBA:

Leste: Boston CelticsCleveland CavaliersBrooklyn NetsIndiana PacersAtlanta HawksWashington WizardsChicago BullsOrlando MagicToronto RaptorsPhiladelphia 76ersCharlotte BobcatsDetroit PistonsMilwaukee Bucks e New York Knicks

Oeste: Memphis GrizzliesSacramento KingsDenver NuggetsGolden State WarriorsSan Antonio SpursLos Angeles ClippersPhoenix SunsOKC ThunderMinnesota TimberwolvesUtah Jazz e Dallas Mavericks,  New Orleans HornetsPortland Trail Blazers Houston Rockets e LA Lakers

Nesse ano vamos repetir uma ideia de uns vários anos atrás. Ao invés de só comentar as contratações e fazer previsões, vamos brincar de extremos: O que acontecerá se der tudo certo para tal time, qual é seu teto? E o que acontecerá se der tudo errado, onde é o fundo do poço? Em outras palavras, como seria um ano de filme pornô, onde qualquer entrega de pizza vira a trepa do século? E como seria um no de novela mexicana, onde tudo dá errado e qualquer pessoa pode ser o seu irmão perdido em busca de vingança?

Para encerrar, o campeão Miami Heat.

 

Miami Heat

 

 

 

 

 

 

Vamos ir direto ao assunto, LeBron James é de outro planeta. Não é questão dele ser melhor ou pior que tal jogador, LeBron simplesmente faz coisas que ninguém faz e não para de melhorar. Olhem a rotação do time aí em cima, ela não tá errada, é assim que a coisa pode e vai funcionar.

Armador o LeBron James sempre foi, mesmo que disfarçado. Ele leva a bola da defesa para o ataque, pede a jogada e começa a sua execução, ele que faz a redonda chegar de um lado para o outro e dita a velocidade da equipe. Mas desde o fim dos Playoffs do ano passado ele também passou a jogar mais dentro do garrafão, de costas para a cesta, perto do aro. Lá arrebentou com o OKC Thunder, gostou da brincadeira e passou toda a offseason treinando seu jogo de garrafão. Disse até que vai começar a jogar na posição 4 e “viver no garrafão”. Muita gente diz, desde 2003, que a NBA ia acabar quando o LeBron aprendesse a chutar de longe, mas eu acho que o fim dos tempos é agora, com ele descobrindo que ninguém pode o parar perto dentro da área pintada.

O LeBron James já domina a NBA faz uns anos, mas tinham coisas que o atrapalhavam. Primeiro o elenco fraco, especialmente de ataque, do Cleveland Cavaliers. Depois as derrotas nos Playoffs onde muitos culpavam a ansiedade, nervosismo ou “amarelice” do ala. A juventude de LeBron já foi usada contra ele após algumas derrotas também. Agora LeBron está com 27 anos, o auge do equilíbrio físico/experiência, não pareceu nada nervoso ao fazer 45 pontos no Jogo 6, fora de casa, contra o Celtics a beira da eliminação. E elenco fraco? Que tal Dwyane Wade, Chris Bosh, Ray Allen, Shane Battier e Rashard Lewis como amiguinhos? Eu torço para o Lakers, gosto do Thunder, respeito o Spurs e admiro o Celtics, mas não vejo ninguém passando pelo Miami Heat.

A versão coringa de LeBron James é incentivada pelo técnico Erik Spoelstra, que disse que pretende montar um time sem posições definidas. Onde todo mundo pode fazer um pouco de tudo dependendo do quinteto em quadra, do adversário ou mesmo variando a cada posse de bola. Acho uma ideia criativa, fantástica, mas que não pode ser adotada por qualquer time ou técnico, é preciso ter elenco para isso. O Heat tem e a versatilidade de LeBron James é parte fundamental da brincadeira.

Caso 1: Vamos imaginar o Miami Heat enfrentando o OKC Thunder, como nas Finais do ano passado. O Thunder é (1) veloz, (2) ágil, (3) ataca pelo perímetro, (4) não tem ameaça no garrafão. O Heat então pode liberar um pouco de altura no garrafão e usar o time que fez sucesso nas Finais: Chalmers, Wade, Battier, LeBron e Bosh. 

Caso 2: O Heat enfrenta o Lakers e o garrafão dos Vingadores de Howard e Gasol. O Lakers (1) é um time alto, (2) joga meia quadra, (3) tem Kobe Bryant, (4) começa jogadas pelo garrafão. Então o time pode apelar para a altura, mas sem perder a agilidade para abusar da defesa mais durona do adversário: Wade, LeBron, Battier, Bosh e Anthony. 

Caso 3: O adversário é o agressivo Los Angeles Clippers. (1) Muitas pontes aéreas, (2) time alto, (3) veloz e (4) com poder de fogo de longe. Mas defende mal times que sabem mexer a bola. O Heat então apela para um time atlético e que sabe passar: Wade, Allen, LeBron, Lewis e Bosh.

Caso 4: Pegam o Chicago Bulls e sua defesa sufocante. (1) não deixam a bola girar, (2) Carlos Boozer é o ponto fraco da defesa, (3) time poderoso nos rebotes. O Heat pode se concentrar na altura e usar LeBron James para criar jogadas para ele mesmo como armador: LeBron, Wade, Jones, Bosh e Haslem. 

Eu poderia passar o dia fazendo isso. Você simplesmente encaixa o LeBron onde bem entender e cerca eles de especialistas no que você precisar. Dwyane Wade para atacar a cesta e puxar contra-ataques, Mario Chalmers para defender e rodar a bola, Ray Allen e Rashard Lewis para arremessar de 3 pontos, Chris Bosh para atacar os pivôs, Joel Anthony para defendê-los.

Acho importante ressaltar também o quanto o título de 2012 pode ter ajudado na cabeça dos jogadores. Quando LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh se juntaram, eles sabiam que teriam que vencer o campeonato. Até confessaram, um tempo depois, que acharam que seria mais fácil. Aprenderam, quebraram a cara e amadureceram com a derrota e o nariz empinado de 2011. Agora tiraram um peso enorme das costas, aliviaram a pressão e sabem o caminho da vitória. Quando ficarem contra a parede poderão pensar “já passamos por isso” ao invés de “de novo não”. Parece que não, mas faz muita diferença na hora dos Playoffs.

 

Temporada Filme Pornô

Isso mesmo, o Heat não tem foto de atriz pornô. No lugar é o glorioso Rocco que representa o time.  O Lakers pode ter a atriz número 1, Tori Black, em seu preview, mas é o Heat que vai foder com todo mundo.

Só o título interessa para o Miami Heat. Mas creio que nesse ano eles irão tentar fazer isso com mais autoridade que na temporada do locaute. Isso quer dizer acabar a temporada regular em primeiro (desde que LeBron chegou, sempre ficaram atrás do Bulls), chegar na Final com mando de quadra e não sofrer tanto no meio do caminho. Não custa lembrar que o Heat ficou atrás na série contra o Pacers e ficou a uma derrota fora de casa de ser eliminado pelo Celtics. Eles se reforçaram para não correr tantos riscos.

 

Temporada Drama Mexicano

A contusão do Chris Bosh na última temporada mostrou como o Heat não é invencível. Sem seu melhor jogador de garrafão o time ficou bem mais frágil, assim como tinham dificuldade de vencer quando as bolas de longe não caiam. Será que Mike Miller e Shane Battier mantém o ritmo das Finais ou voltam a arremessar mal como antes dela? Ray Allen foi outro que, com lesões, não rendeu muito no fim da temporada passada. O Heat é o dotado Rocco, mas ele também pode broxar.

 

Top 10 – Melhores jogadas do Heat na temporada

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>O time da criatividade

>

Ball

Pessoal, antes de tudo foi mal pelos dias sem atualização. Como o Danilo disse no formspring, foi uma série de fatores que nos deixaram uns dias de longe, mas já passou e estamos de volta em ritmo normal. Durante a temporada, com coisas acontecendo de verdade, garantimos que vamos fazer de tudo para manter o ritmo de um post por dia, combinado? E se não cumprirmos, foi mal, não temos palavra.

E já que estamos sem postar faz um tempo e precisamos nos redimir, vou pegar um assunto popular, o Phoenix Suns, que apesar de ter chegado na final do Oeste do ano passado e ter ficado bem perto de bater o Lakers, mudou bastante seu elenco.
Duas contratações do time a gente já tinha comentado quando aconteceram, a do Hakim Warrick e do Channing Frye. Elas podem ser lidas aqui, mas resumo aqui mesmo: o Frye saiu caro para um cara tão limitado, mas o pouco que ele faz é perfeito para o Suns e pensando só em basquete, não em grana, é importante ter ele no time. O Warrick também é limitado, mas sabe atacar a cesta e saiu barato. Vai ser uma das poucas opções do time no garrafão.
Os dois foram só o começo e estamos aqui para falar de tudo o que mudou no Suns até agora, então segura firme que o post é grande.
Como todos sabem, Amar’e Stoudemire foi para o New York Knicks. Como muitos também devem saber, ele foi o principal cestinha do Suns nos últimos anos, a única opção de pontos entre os jogadores de garrafão (tirando momentos esporádicos do Robin Lopez) e o parceiro ideal do Steve Nash no famoso pick-and-roll, a jogada de segurança do time.
Ao lembrar disso tudo não tem como não achar que a perda foi desastrosa. Por mais que ele não seja perfeito, se encaixava perfeitamente no estilo do Suns, tinha ótimo entrosamento com o Nash e é um dos melhores jogadores ofensivos de garrafão da NBA. Perder ele e não receber nenhum jogador em troca faria qualquer time despencar de nível, por melhor que fosse o resto do elenco.
Eu fiquei triste com a saída do Amar’e principalmente porque achei que ele finalmente tinha achado o seu parceiro ideal de garrafão. Durante muito tempo ele foi o pivô do time e não só ele não gostava de ficar limitado a ficar embaixo da cesta, como lá era mais difícil dele usar seu bom arremesso de meia distância e a sua infiltração, uma arma bem poderosa para conseguir pontos fáceis ou lances livres. Para tentar resolver isso chamaram o Shaquille O’Neal, mas os dois não se deram bem juntos, o time ficou lento e Amar’e participava pouco. Na temporada passada tentaram o Channing Frye, mas ele era pivô só no box score, na prática ficava na linha dos três e o Amar’e era o pivô de novo. No meio da temporada então resolveram promover o Robin Lopez para o time titular. Foi quando o Suns deslanchou e quando Stoudemire passou dos 25 pontos por jogo de média. Não seria exagero dizer que o Amar’e estava entre os dois ou três melhores jogadores da liga inteira nos últimos dois ou três meses da temporada quando jogou ao lado de Lopez.
O Robin Lopez sai bastante do garrafão para fazer corta-luz ou só para rodar a bola, abrindo espaço para o Amar’e infiltrar, coisa que o Shaq não fazia. Mas ao contrário do Frye, por exemplo, o Robin depois voltava para o garrafão para pegar rebotes de ataque, assim como ficava no rebote quando o Amar’e saía para arremessar. Os dois também eram velozes o bastante para não empacar o jogo veloz (não tão rápido quanto aquele time de 2005 e 2006, mas ainda baseado na transição) do Suns. Acontecia até do Lopez ser o responsável pelo corta-luz do pick-and-roll do Nash e o passe acabar saindo pro Amar’e! Achei um mix com enterradas do Amar’e na última temporada e é legal ver as que o Robin Lopez está em quadra, sempre abrindo espaço para o STAT. Ah, sem contar que o Robin Lopez livrava a barra do Amar’e ao sempre marcar o cara mais forte do garrafão adversário.
Triste então que bem quando a dupla perfeita de garrafão do Suns foi encontrada, também foi desfeita. E pior, assim como Lopez fazia o Amar’e parecer melhor, o contrário também era verdade. Ter Stoudemire fazendo 25 pontos por jogo disfarçava o quanto o Robin Lopez é limitado no ataque, embora seja até melhor do que parecia quando chegou na NBA. Todos perderam.
Mas como ela já estava consumada e o Suns não estava afim de entregar a rapadura e pensar em uma reestruturação geral, partiram para trocas e contratações. Hakim Warrick e Frye são bons, mas seus contratos indicavam que deveriam ser reservas, eles precisavam de um novo ala de força, de um novo parceiro para Robin Lopez. Mas quem? Chegou-se a cogitar David Lee, mas logo ele fechou com o Warriors. Bosh nem cogitou ir pra lá, Nowitzki, dizem, pensou em se juntar de novo com Steve Nash, mas preferiu ficar no forte time do Mavs. Com os grandes nomes de fora, a solução foi inovar. De novo.
Em 2005 o Phoenix Suns revolucionou a NBA com o seu ataque chamado “7 segundos ou menos“. Era um sistema ofensivo em que o time tinha que definir a posse de bola em sete segundos ou menos, antes que a defesa adversária conseguisse se armar direito. Uma das coisas legais desse time era justamente usar o Stoudemire, um jogador relativamente baixo, como pivô, deixando o time mais veloz. No ano seguinte, com Amar’e machucado, o time foi além e usou Boris Diaw, que tinha sido contratado para ajudar o Nash na armação (absurdos de apenas 4 anos atrás!), como pivô! Era um time baixo, sem um cara de físico imponente e mesmo assim o melhor ataque da NBA.
Depois disso eles conseguiram surpreender ao encaixar com relativo sucesso caras que ninguém nunca apostaria que funcionariam em um sistema rápido, como Grant Hill e Shaquille O’Neal. Transformaram jogadores aleatórios em grandes arremessadores, como Jared Dudley e Channing Frye.
O Suns tem feito isso ano a ano. Sempre aparece uma dificuldade nova e eles vão arranjando as peças de reposição e organizando de maneira criativa, mantendo sempre o time rápido e ofensivo. Em alguns anos mais ofensivo e rápido que outros, mas existe uma base, um padrão. E o legal é que isso tem acontecido desde a chegada do Steve Nash e só ele sobrou daquela época! Já saíram todos os jogadores com exceção do canadense, mudaram de técnico umas três vezes e de General Manager duas. Dá até pra considerar que é o time, e não um ou outro lá dentro, que tem essa identidade. Sem as mesmas proporções, porque no exemplo que vou dar essas coisas estão acontecendo há muito mais tempo, mas me lembra um pouco o Barcelona no futebol. Mudam gerações, times inteiros, técnicos, dirigentes, mas existe uma filosofia básica que quem é contratado deve ter condição de seguir.
A base do Phoenix Suns eu definiria como velocidade, esquema de jogo ofensivo e mismatches.
Como disse antes, uns podem ser mais rápidos que outros, o esquema de jogo pode variar de acordo com as peças, mas todos são focados em fazer muitos pontos antes de pensar em defesa e sempre em velocidade. A exceção pode ter sido aquele time de 2007-08 que tentou virar o Spurs e ser certinho e só deu merda. E todos, com exceção desse mesmo time de metade da temporada 07-08, apelava para os mismatches.
Um mismatch é quando o time usa um jogador com alguma característica física ou técnica diferente do padrão para incomodar um adversário acostumado com o habitual. É colocar um armador alto para abusar dos baixinhos, um ala de força ágil para ganhar da maioria pesadona na velocidade, essas coisas. O Suns já usou Tim Thomas e Channing Frye para fazer pivôs pesadões saírem do garrafão para marcar bolas de três, fez armadores principais serem marcados por caras altos como Grant Hill, Shawn Marion ou Jared Dudley, colocou o ala Boris Diaw como um pivô passador, o mesmo Marion como um ala de força que puxava contra-ataque. E se puxar da memória dá pra achar outras bizarrices do tipo que sempre fazem o jogo contra o Suns ser diferente do normal para os adversários.
Nada mais justo, portanto, do que repôr a peça perdida em Amar’e Stoudemire com um improviso, um mismatch. Foi aí que o Suns enviou o brazuca Leandrinho para o Toronto Raptors em troca de Hedo Turkoglu.
Segundo diversos relatos de gente próxima ao Suns, a idéia é ter o Turkoglu para ele jogar na posição número 4, como um ala de força, por mais bisonho que isso possa parecer. Eles querem usar o time com Steve Nash, Jason Richardson, Grant Hill, Turkoglu e Robin Lopez para depois colocar aquele grupo de reservas que apavorou o Lakers nos playoffs da última temporada.
Turkoglu seria útil, nesse esquema, para enlouquecer os alas de força adversários, que acostumados a marcar gente com o estilo de Tim Duncan, Kevin Garnett e Zach Randolph, que são lentos e jogam perto da cesta, teriam que marcar um cara rápido, que sabe controlar a bola, driblar, passar e arremessar de três. É a velha idéia de colocar um time baixo para obrigar o outro a jogar baixo também, com a diferença que eles não estão acostumados a isso.

Outra idéia dita por lá é que com o Turkoglu em quadra, o Nash irá se desgastar menos. Durante alguns momentos do jogo, em especial quando estiverem fazendo ataques de meia quadra ao invés de transição, o Turkoglu será o armador enquanto o Nash irá se posicionar para fazer outra coisa que sabe muito bem: arremessar. Mas que fique claro, ninguém confirmou que isso vai acontecer, a idéia pode ser jogada no lixo depois de um mês se der errado.

Mas se eu tiver que apostar, acho que vai dar muito certo. Provavelmente não tão certo quanto manter o Amar’e Stoudemire e ter um cara que faça pontos no garrafão (isso vai fazer falta, pode ter certeza), não tão certo a ponto de brigar pelo título, mas o suficiente para fazer com que, de novo, a gente sinta aquela vontade de ver jogos do Suns ao invés dos outros times. Vai ser outro Phoenix Suns estranho, improvisado, criativo e inovador.
E uma coisa legal é que o Suns não perdeu quase nada para conseguir essa revolução tática que pode manter o time na elite do Oeste mesmo depois de perder sua estrela. O Leandrinho é bom, não me entendam mal, mas ele simplesmente não era mais necessário por lá. Até por isso a troca foi boa pra ele também! Com o crescimento alucinante do Goran Dragic, ficou desnecessário usar o Leandrinho como reserva do Nash. E com o Jason Richardson acertando tantos arremessos quanto o Barbosa, e o Dudley marcando bem melhor do que ele, sobravam apenas alguns minutos por jogo para o brasileiro. Mesmo quando ele jogava bem, era por poucos minutos. Ele foi um daqueles casos de bom funcionário que perdeu o emprego depois que ninguém sentiu falta dele nas férias.
No Toronto, Leandrinho provavelmente não vai ser titular, de novo não por falta de talento, mas porque o Raptors, sem esperança de ir longe, vai querer dar o máximo de tempo de jogo possível para a prata da casa e esperança do futuro, DeMar DeRozan. Mesmo assim ele terá mais espaço e menos concorrência lá do que em Phoenix. E tempo regular de quadra é só do que ele precisa para voltar a chamar a atenção da NBA. Ao voltar a fazer o que fazia antes, provavelmente vai conseguir um bom contrato quando virar Free Agent. Já estamos cansados de falar que o Leandrinho tem uma renca de defeitos no seu jogo, principalmente a defesa, mas ele pode muito mais do que fez na temporada passada. Um bom mundial pela seleção brasileira e um recomeço no Raptors pode ser o que ele precisava para voltar aos bons tempos. Mas vamos esperar que ele não fique muito bravo em perder, no Suns estava acostumado a ganhar e nesse ano o Raptors tem tudo pra ser saco de pancadas.
A última contratação do Suns para a temporada foi o Josh Childress, dono de um dos penteados mais legais da última década na NBA e que passou as últimas duas temporadas jogando na Grécia. Vi pouco o Childress jogar nos últimos anos se comparado ao que vi de jogadores da NBA, mas pelo que deu pra acompanhar ele só melhorou nos dois anos jogando na Europa. Childress é o exemplo perfeito para a definição “all-around player“. Faz um pouco de tudo e faz tudo bem, deve ser um coringa nesse time do Suns. Pode ser o segundo armador titular se o time precisar de mais defesa, pode ser o ala titular se eles preferirem deixar o Grant Hill como organizador do time reserva ou pode mesmo ser reserva, fazendo o papel de segundo responsável pela armação que o Turkoglu fará no time titular. Foi uma ótima contratação, jogadores completos e inteligentes como o Childress são essenciais em equipes que gostam de inovar em esquemas táticos.
A nota triste da offseason do Suns é que eles decidiram não renovar o contrato do Louis Amundson! Ter Nash, Amundson, Robin Lopez e Childress no mesmo time deixaria o Suns como o time com maior força capilar (parente não muito distante da Força Nominal) desde a seleção da Romênia da Copa de 98, quando todo mundo descoloriu o cabelo ao passar da primeira fase.

Minha aposta para o começo de temporada do Suns é a seguinte rotação:


PG: Steve Nash / Goran Dragic
SG: Jason Richardson / Josh Childress
SF: Grant Hill / Jared Dudley
PF: Hedo Turkoglu / Hakim Warrick
C: Robin Lopez / Channing Frye
Mas atenção para possíveis entradas de Warrick ou Frye caso a experiência usando o Turkoglu como point-forward não dê certo e também com a ameaça do Josh Childress sobre Jason Richardson e Grant Hill, nenhum dos dois são intocáveis no time titular.
Não gosto de dar nota para a offseason dos times como muitos sites americanos fazem, não acho justo. O Suns, por exemplo, já recebeu muitas notas baixas por ter perdido o Amar’e, mas eles ofereceram um contrato enorme pra ele, que simplesmente achou que era a hora de sair e tentar vida nova em Nova York, não dá pra culpar o time por uma atitude que foi totalmente do jogador. Então acho que apesar do time ter tudo para ser pior do que o do ano passado, principalmente por não ter força no garrafão, a offseason foi boa. Dentro das limitações salariais e frente à perda de um Free Agent, se viraram muito bem. Perderam apenas uma escolha de 2ª rodada e Leandrinho para ter os multi-uso Turkoglu e Childress, ótimos negócios.

Como primeiro passo foi muito bom e criativo, mas julgaremos de novo daqui uns meses quando as peças começarem a ser treinadas para formar um time.

>A prancheta do Phoenix Suns

>

Atacar a defesa do Lakers faz parte da tática do Suns. Fazer careta, não.

Como prometido mais cedo, estou aqui para falar do jogo de ontem entre Suns e Lakers, em que o time de Phoenix conseguiu vencer mais uma em casa e igualar a série em 2 a 2. O que eu achei mais legal desses dois jogos em Phoenix foi ver como eles não tiveram nada a ver com os dois jogos de Los Angeles. Os playoffs estavam chatos até agora porque a maioria das séries começava de um jeito e acabava do mesmo jeito, o time que parecia melhor nos primeiros jogos mantinha a hegemonia até o final, e mesmo nos jogos em que perdia não parecia que corria risco de perder a série. E o legal de uma série de sete jogos em relação ao mata-mata em um jogo só (como ocorre no Final Four da Euroliga ou na NCAA) é justamente ver os ajustes que um time faz contra o outro no decorrer dessas longas séries.

O Suns tomou duas surras devastadoras em LA, sofrendo mais de 50 pontos por jogo dentro do garrafão e sem conseguir utilizar direito Amar’e Stoudemire, a maior potência ofensiva do time. Nos jogos 3 e 4 o Lakers ganhou, nos números, a disputa de pontos no garrafão, mas de maneira enganosa e dessa vez sem chegar aos 50 pontos. Digo de maneira enganosa porque o Suns só não fez mais pontos dentro do garrafão porque quando tentava, o Lakers descia o sarrafo e mandava os jogadores do Suns para a linha do lance livre. Foram 42 lances livres tentados no jogo 3 (contra só 20 do Lakers) e 32 no jogo 4 (contra 13 do Lakers). Então nos números brutos o Lakers fez uns 10 pontos a mais no garrafão, na prática foi o Suns que comandou a área pintada. Outro número que indica isso são os rebotes ofensivos, que nos primeiros jogos tinham sido uma das principais armas do Lakers. No jogo 3 o Suns venceu a batalha de rebotes de ataque por 10 a 9 e no jogo 4 por 18 a 13.
Um dos principais fatores que levou a essa superioridade do Suns no garrafão foi a volta efetiva do Robin Lopez, que havia jogado poucos minutos nos primeiros jogos. Apenas sua presença na quadra já faz diferença para igualar o tamanho dos jogadores de garrafão das duas equipes e com ele jogando bem dos dois lados da quadra (até arremesso de meia distância está acertando) o trabalho do Suns ficou bem mais fácil.
O seu companheiro de garrafão Amar’e Stoudemire também foi peça importante nessa reviravolta e é falando nele que vamos abordar como o Suns mudou seu esquema ofensivo para os jogos 3 e 4. Nos primeiros jogos o time tentou jogar aberto demais, usando muito o Channing Frye e isolando o Amar’e no meio do garrafão. Quando ele recebia a bola estava longe da cesta e cercado por Gasol, Odom e/ou Bynum. Foi inútil. Ao mesmo tempo os arremessadores de fora estavam pouco inspirados, deixando tudo mais complicado. Nos jogos em Phoenix o Suns começou a usar mais Robin Lopez e com dois jogadores de garrafão saindo para o pick-and-roll ao invés de um, a defesa do Lakers entrou em colapso.
Vou tentar ser mais claro usando nomes. Vamos supor que Steve Nash tenha a bola em mãos e chame Amar’e Stoudemire para um pick-and-roll, jogada clássica do Suns. Depois do corta-luz, o Nash geralmente ataca a cesta e espera o momento exato para o passe para o Amar’e. Para evitar essa situação o Lakers chama um terceiro marcador para fechar essa linha de passe e cobrir um dos jogadores que ficou para trás. Nos primeiros jogos essa estratégia deu certo porque os jogadores do Suns estavam distantes e errando seus arremessos, mas nos últimos jogos havia um jogador mais perto da cesta, uma dupla de garrafão, não um pivô isolado. Então após o corta sempre havia mais e melhores opções de passe. E tanto Amar’e como Lopez estavam acertando seus arremessos de meia distância, deixando a defesa do Lakers sem saber que lugar da quadra deixar livre para eles atuarem.
A preocupação com essa jogada fez com que o Lakers avançasse mais a sua defesa, deixando o garrafão mais exposto e tentando fazer o Nash soltar a bola mais longe da cesta. Deu certo em alguns momentos, mas às vezes os arremessos de longe caíam e, quando não caíam, o Suns pegava os rebotes ofensivos. Com a defesa do Lakers mais avançada ficava mais fácil para eles pegarem o lado de dentro da cesta para se posicionar para o rebote.
Tudo isso é tática, mas só dá certo com boa execução e talento. E depois que começa a dar certo tem o fator emocional, a confiança e aí até as jogadas que não são tão bem pensadas começam a funcionar. Ontem até arremessos forçados no 1-contra-1 do Jason Richardson e do Grant Hill estavam caindo.
Para terminar a parte do ataque, devemos dar crédito às instruções do técnico Alvin Gentry para que seus jogadores atacassem mais a cesta. Apesar de ser um time de bons arremessadores, o Suns atacou muito o garrafão do Lakers, principalmente Stoudemire, que sempre que se via isolado com Pau Gasol ou Andrew Bynum partia para o drible e a finalização forte na cesta. Em 90% desses ataques Amar’e saía com uma cesta ou uma falta. Alguns torcedores do Lakers podem até questionar algumas delas, mas a maioria das marcações foram corretas e deve-se aceitar que existem mesmo mais marcações de falta quando não se consegue impedir o adversário de chegar muito próximo da cesta. Lá qualquer contato vira falta.
Melhor posicionamento no ataque, garrafão mais cheio de gente, melhor movimentação após e durante o pick-and-roll e, principalmente, atacar a cesta. Tudo isso fez do Suns um time mais perigoso no ataque. Mas o que fez eles empatarem a série foi a defesa.
O que eles fizeram desde o jogo 3 é uma defesa zona 2-3. Que consiste em deixar dois jogadores marcando o perímetro e três mais perto da cesta, um lá embaixo dentro do garrafão e dois mais aberto nas alas. Eles se movimentam de acordo com a movimentação de bola do outro time e não se fixam em marcar um ou outro jogador. Achei um vídeo que deixa bem claro como se comporta uma defesa assim, mas o curioso é que o vídeo nem é sério, é um comercial da NCAA que mostra o time de Syracuse jogando sem adversário e sem bola para promover a compra de um pacote de jogos do March Madness.
Sem nada (literalmente) para distrair, fica fácil de entender a movimentação dessa defesa. A defesa 2-3 tem dois benefícios claros: ela cria a ajuda defensiva, já que todos se movimentam junto com a bola, fechando um dos lados da quadra, e também minimiza os defeitos de jogadores que não são bons marcadores individuais. Com essa cobertura causada pela movimentação dos defensores, caras que marcam mal como Steve Nash, Amar’e Stoudemire ou Channing Frye nunca ficam sozinhos contra atacantes melhores, eles sempre têm alguém na sobra ou alguém vindo do perímetro para dobrar a marcação. Os desenhos abaixo mostram bem como a defesa se movimenta.

Procurando fotos para colocar no nosso Tumblr, vi uma que exemplifica perfeitamente o que aconteceu com o Pau Gasol toda vez que ele tentou se posicionar contra o Amar’e Stoudemire no ataque.
A cara de perdido do espanhol já diz tudo, mas mais importante que isso são os três jogadores em volta dele deixando sua vida um inferno. Nessa situação o Gasol só tem duas opções, ou ele força um arremesso ou procura quem está livre para passar a bola. Ele fez as duas coisas ontem, forçou bastante (acertou 6-14 arremessos) mas também passou muito, geralmente para o Ron Artest, o cara que o Suns elegeu para ficar livre sempre que houvesse uma dobra de marcação. Nos desenhos acima o Ron Artest é a bolinha azul que fica sozinha do outro lado da quadra.

Segundo a teoria de quem estuda basquete, o passe direto de um lado para o outro procurando quem ficou livre é uma ótima maneira de furar essa zona, mas para o Lakers ela não funciona quando Artest está na quadra, já que o ala não tem acertado seus arremessos de longa distância.

Para saber outras maneiras de furar essa defesa, eu procurei um vídeo do Coach K, o técnico da Universidade de Duke e da seleção americana, em que ele ensina como lidar com uma defesa Zona 2-3.

Nesse vídeo o Coach K dá 5 dicas de como furar a zona. Será que o Lakers tem feito alguma coisa disso tudo?

1. Uso inteligente do drible
Usar o drible para atacar o buraco que fica entre os dois defensores da frente, fazendo-os fechar no mesmo homem e assim deixar um dos jogadores livres. O Lakers não tem feito nada disso, ao contrário, tem tentado furar a zona apenas com passes, nunca com o drible.

2. Mudar o lado da bola
Isso o Lakers tem feito e é isso o que o Suns quer que o Lakers faça. Ao invés de atacar a cesta, ficar mudando a bola de lado. Mas o Suns tem tido a preocupação de deixar livre Lamar Odom ou Ron Artest, raramente Fisher ou Kobe. Uma solução para o Lakers pode ser usar outros jogadores no lugar desses dois durante alguns momentos do jogo. Duas ou três bolas de três do Sasha Vujacic, por exemplo, poderiam fazer a diferença.

3. Usar o meio da zona
Se essa zona 2-3 tem um ponto fraco ela é o ponto do meio entre as duas linhas de defesa. Alguns técnico até dizem que isso é tão básico que se aprende na sétima série. O Lakers, no entanto, tem feito isso muito pouco, mas quando o faz, dá certo. Por exemplo, em uma jogada do último jogo em que o Kobe atrai a marcação dupla e solta a bola para o Lamar Odom, que corre para o meio da zona e faz a cesta.

O passe para o meio não precisa resultar sempre numa bandeja, pode ser também um arremesso curto ou até outro passe, mas é importante colocar um jogador depois da linha dos dois marcadores e sem um marcador próximo. E quando os defensores se preocupam demais em fechar o meio, algum outro ponto da quadra acaba ficando livre.

4. Manter os pivôs atrás da zona
Esse é o ponto chave que o Lakers não tem feito e é o que falta para superar essa zona. Pau Gasol e Andrew Bynum estão tentando ficar na frente da defesa para conseguir receber a bola no meio daquela procissão de passes que o LA tem dado, quando na verdade eles devem ficar atrás da linha de três defensores.

Como o Coach K mostra muito bem no vídeo, quando se fica atrás da zona o atacante tem melhor posição do que o defensor para o rebote ofensivo em caso de um arremesso errado. E com a vantagem de altura que o Lakers tem sobre o Suns em vários momentos do jogo, isso pode ser decisivo. A outra vantagem é não ter o defensor sempre controlando você, ao ficar atrás do pivô pode-se cortar para a frente a qualquer momento sem ser visto e fazer um movimento de ataque rápido, antes que a marcação dobre. Pode-se dizer que o defensor pode ir mais para trás na linha de fundo para tentar ficar atrás do atacante, mas isso seria marcação individual, o garrafão ficaria aberto para infiltrações e o princípio da zona seria quebrado.

5. Uso do corta-luz
Aqui os pivôs usam o corta-luz para deixar um dos jogadores do perímetro livres. O corta faz com que a movimentação da zona seja interrompida e o ataque tenha algum espaço. O Lakers fez uma jogada perfeita nesse sentido no segundo tempo do jogo 4, quando o Amar’e Stoudemire até acabou fazendo falta no Gasol ao tentar passar pelo bloqueio, mas foi pouco repetida ao longo da partida. Bynum, que tem tido dificuldade no ataque, poderia ser mais útil fazendo bloqueio e criando espaços para o Lakers atacar a cesta.

Após o jogo o Kobe deu uma entrevista dizendo que a maior preocupação dele está no que eu disse na primeira parte desse texto, o ataque do Suns contra a defesa do Lakers. Ele disse que é na defesa que se ganha títulos e que lá está o problema do time. Ele tem seu argumento sustentado quando se vê que o Lakers, apesar de estar visivelmente sofrendo contra a Zona 2-3, marcou 109 e 106 pontos nos dois jogos em Phoenix. Uma defesa que segurasse o Suns a 100 pontos já teria garantido a varrida.

Eu não tenho moral pra discordar do Kobe, mas não gosto de ver os jogos com tanta diferença entre as duas partes da quadra. O Lakers precisa de ajustes da defesa e talvez (só talvez) isso seja o bastante para voltar a vencer, mas basta ver os jogos pra perceber que o ataque está sofrendo e algo precisa ser feito para mudar a situação.

Para o Suns resta manter o que está dando certo, mas também não custa pensar num plano B caso o Lakers descubra como voltar a render mais no ataque e na defesa. O técnico que escreve no site Bballbreakdown, por exemplo, sugere que o Suns mude sua defesa para um Box and one. Nessa defesa quatro jogadores mantém a zona como ela já está sendo feita enquanto outro jogador fica na marcação individual, para esse técnico o Grant Hill deveria ficar marcando Kobe no mano a mano enquanto o resto marca em zona.

Vale a pena ver o vídeo em que ele conta tudo isso, lá ele selecionou várias jogadas do jogo 4 em que mostra como o Lakers lida com a zona. Destaque para as duas cestas do Odom que aparecem na compilação. Em uma ele se movimenta atrás da zona e na outra correndo para o meio da zona (a jogada que citei alguns parágrafos acima), tudo do jeitinho que o Coach K ensinou. Também é legal (ou um saco, se você torce para o Lakers como eu) ver como o Lakers insiste em passar a bola sem parar ao invés de atacar a zona.

Para os que pediram, espero que a defesa por zona 2-3 tenha ficado mais bem explicada.

>Passatempo até o próximo post

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Amar’e Stoudemire tem uma espinha na testa bem no dia da formatura!

Pessoal, hoje estou bem atarefado e a análise do jogo entre Lakers e Suns vai vir só de noite. Mas acho que a espera vai valer a pena, achei um material legal para explicar como funciona uma defesa zona 2-3, a defesa que o Suns usou para mudar absurdamente a cara dessa série e também algumas formas que existem para furar essa defesa. Vamos analisar o que deve ser feito e se o Lakers tem time para realizar essas mudanças.

Mas também falaremos do outro lado da quadra que está fazendo muita diferença e recebendo menos atenção: como o Suns conseguiu mudar seu esquema ofensivo e por que o Lakers está cometendo tantas faltas (não, os juízes não estão roubando!).

Até o post ficar pronto vocês podem fazer duas coisas: A primeira é responder a esse questionário sobre consumo de produtos de basquete no Brasil. Um colega nosso está fazendo uma tese sobre o assunto na sua pós-graduação e precisa que basqueteiros respondam sobre o consumo de produtos do esporte. Que marca você mais gosta, qual mais tem a ver com basquete, que tipos de produto compra, o que valoriza e coisas assim. Depois até vou ver com ele se consigo alguns dados para publicar aqui quando a tese estiver pronta! Clique aqui e ajude um dos raros trabalhos acadêmicos sobre nosso esporte!

A segunda coisa que você pode fazer para esperar é assistir vídeos:

Que tal essa bandeja insana do Goran Dragic? “Dwyane Wade da Eslovênia” é um apelido muito brega ou será que pega?

E se Dragic é Wade, o que é Robin Lopez? É o cabelo do Varejão, com a animação do Ronny Turiaf e as drogas do Chris Andersen.

Por fim, achei essa coletânea com as 40 melhores enterradas da temporada regular. Também acharam que os efeitos de vídeo fizeram parecer que o vídeo está acontecendo no diário de bordo do Lucas Silva e Silva? Mas beleza, a lista é boa.

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“Sei que sou feio, mas pelo menos sou pivô, pessoal!”

Quando saiu a lista com os reservas para o All-Star Game, o nome de Al Horford como pivô do Leste foi o que causou mais indignação ao redor do mundo, incluindo greves de fome em todos os continentes, revoluções armadas, indícios de guerra nuclear e até uma ameaça da Tessália, do Big Brother, de não sair pelada na Playboy caso os técnicos da NBA não revejam a escolha. É claro que existem outras escolhas polêmicas na lista, jogadores que mereciam muito ter aparecido, e concordo plenamente com as escolhas e os comentários do Denis em sua análise dos reservas. Mas não consigo digerir o Al Horford indo para o jogo das estrelas quando, pela primeira vez em tanto tempo, temos pivôs de verdade disponíveis para a brincadeira.

Na última década, ainda antes do declínio do Shaquille O’Neal, vivemos uma época muito escassa em termos de pivô. Ter um jogador decente nessa posição era algo raro e que garantia enorme vantagem sobre os outros times. No entanto, como pouquíssimas equipes tinham qualquer pivô que prestasse, não ter ninguém na posição também não prejudicava muito ninguém. Foi assim que uma série de alas de força começaram a ser improvisados dentro do garrafão, numa reação em cadeia: se quase todos os times estão fazendo, e meu pivô é um bobão que não sabe nem amarrar os próprios cadarços, por que não faço também? Justamente por isso, todos os grandes pivôs que podemos citar nos últimos anos não são pivôs porcaria nenhuma, como o Duncan improvisado na posição até o Spurs desistir de procurar um pivô, o Amar’e Stoudemire dominando o garrafão do jogo de anões velozes do técnico Mike D’Antoni, ou o Chris Bosh rezando todos os dias para poder voltar a ser ala em algum dia de sua vida. É tanto improviso que até esquecemos como são os pivôs de verdade, o que eles fazem debaixo da cesta, como se alimentam e como procriam. O cara-de-nada conhecido como Tim Duncan é um dos melhores alas de força de todos os tempos (e ele nem sorri frente a essa constatação), mas colocá-lo na lista dos melhores pivôs da história é apenas um problema dos nosso tempos. Pergunte ao Duncan e ele vai te dizer que não é nem nunca foi um pivô de verdade, e depois disso vai dar um bocejo e ir tirar um cochilo.
Por causa da falta de jogadores na posição, o draft dos últimos 10 anos tem sido uma corrida desesperada para conseguir o carinha mais alto que não seja um monte de carne desforme e imprestável. Em 2001, as quatro primeiras escolhas foram Kwame Brown, Tyson Chandler, Pau Gasol e Eddy Curry (com o Desagana Diop não muito depois, em oitavo). Yao Ming foi a fácil primeira escolha em 2000, Darko Milicic foi escolhido na segunda posição antes de Carmelo Anthony (todo mundo sabe quão imbecil foi essa escolha) e seguido por Bosh e Chris Kaman em 2003, Dwight Howard e Okafor foram as primeiras escolhas de 2004 (e a porcaria do nosso brazuca Baby foi a oitava escolha, pra gente ver como qualquer merda comprida estava valendo), Andrew Bogut foi a primeira escolha de 2005, o lixo do Patrick O’Bryant (que nunca chegou a ter minutos de quadra na NBA) foi escolhido entre os dez primeiros em 2006, Greg Oden foi o primeiro draftado de 2007 (imagina só se o Blazers tivesse o Durant, que já é All-Star, ao invés do gigante de vidro), Brook Lopez estava entre os dez primeiros em 2008 e em 2009 tivemos a porcaria do Hasheem Thabeet sendo draftado com a segunda escolha. Isso sem falar na quantidade absurda de gigantes de todas as partes do mundo que foram draftados mas nunca chegaram a jogar na NBA ou simplesmente desapareceram antes de conseguir colecionar dez minutos de jogo na carreira.
A falta de pivôs fez com que o All-Star game tivesse umas aberrações, tipo o Brad Miller reserva em uma temporada medíocre ou o Ilgauskas ir duas vezes para o All-Star Game porque não tem ninguém melhorzinho. Era sempre um monte de estrelas e um pivô mais ou menos para dar número, tipo aquele moleque gordo que só é escolhido no futebol porque precisa ter um segundo goleiro. A solução para essa situação constrangedora foi ir aos poucos liberando alas de força para sempre escolhidos como pivôs, permitindo que Duncan e Amaré, por exemplo, pudessem fazer carreira nessa posição em All-Stars. Mas cedo ou tarde aquela caralhada de pivôs draftados na última década ia acabar rendendo alguém decente. Yao Ming é titular todo ano mesmo se não jogar, Dwight Howard ganhou seus votos na força e no carisma, mesmo que eu bata bastante na tecla de que ele nunca evolui seu jogo, mas o resto dos gigantes não poderia ser de todo ruim. Pivô é uma baita posição ingrata, não apenas porque é mais física e portanto está sempre sofrendo nas mãos da arbitragem inconsistente e das constantes alterações de leitura das regras que abrem o garrafão, mas também porque leva um tempão para se acostumar com os rigores da NBA e as mudanças táticas necessárias. Armadores costumam demorar para pegar o jeito, mas pivôs tendem a demorar ainda mais (em geral, a maioria leva a vida inteira pra pegar o jeito e mesmo assim não consegue bulhufas).
Nesse ano finalmente vemos os pivôs maduros de verdade. Muitos davam sinais de talento, dava pra ter esperança, mas foi só nessa temporada que pudemos ter certeza de que vários deles são pra valer. Chris Kaman está conseguindo aos poucos manter sua saúde afastada da maldição do Clippers e está ganhando jogos sozinho com médias 2o pontos, 9 rebotes, 2 assistências e 1 toco por jogo. Andrew Bogut mostrou que é o novo pilar da equipe, que segura as pontas até o Brendon Jennings dominar a armação e ganhar uns pelos na cara, e está com médias de 16 pontos, 10 rebotes, 2 assistências e mais de 2 tocos por partida. Brook Lopez é o grande ponto positivo da campanha terrível do Nets, provando que ele pode dominar jogos no garrafão, com médias de 19 pontos, 9 rebotes, 2 assistências, 2 tocos e acertando quase 83% dos seus lances livres, digno de Yao Ming. Andrew Bynum mostra cada vez mais consistência no Lakers, com médias de quase 16 pontos, 8 rebotes e 1 toco e meio por partida, segurando as pontas na contusão do Gasol. E até o irmão gêmeo do Brook Lopez, o cabeludo Robin Lopez (que, insisto, é secundário até no nome de ajudante!), está se saindo melhor do que a encomenda, defende melhor do que o irmão, tem um talento ofensivo escondido na manga (ou no cabelo), e na miúda roubou a vaga de pivô titular do Suns, tendo desde então médias de 13 pontos, 6 rebotes, 1 toco, e tudo em minutos limitados por partida.
E como é que a NBA premia essa safra de pivôs que finalmente apareceu depois de uma década esperando esses draftados mostrarem talento? Fácil: mantendo alas de força elegíveis como pivôs. É por isso que todos os pivôs citados acima ficarão de fora do All-Star Game enquanto alas de força improvisados, como Al Horford e Pau Gasol, estarão na partida. Seria legal ver o David Lee na partida? Seria, ele tá tendo uma temporada absurda, mas ele é mais um ala improvisado (oitocentas vezes melhor do que o Al Horford, pelo menos). O caso do Gasol é ainda pior porque faz um bom tempo que ele não joga de pivô improvisado no Lakers, mais motivo ainda para até o Bynum ter mais direito de comparecer do que ele. O que me tranquiliza nessa bagunça toda é que será difícil manter essa safra de pivôs fora do All-Star Game por muito tempo. Esqueçam Dwight Howard, pra mim Brook Lopez é fácil o melhor pivô da NBA no momento, e olha que eu assisti mais jogos do Nets na temporada do que qualquer ser humano com bom senso deveria experimentar. Ele tem velocidade, recursos, repertório, arremesso, lance livre, sangue frio e é um excelente defensor homem-a-homem. No Oeste, o cargo de melhor pivô é do Kaman, que é inclusive melhor e mais versátil do que o Amar’e (que anda se negando a pegar rebotes, vai entender) mesmo pra quem considera o jogador do Suns um pivô de verdade. Sem esquecer do Bogut, que rapidinho vai ser estrela conforme mais e mais gente assistir a jogos do Bucks querendo espiar o Jennings. O talento deles é grande demais e os times não devem feder por muito tempo, o Nets tem um núcleo jovem que vai fazer barulho se eles não caírem em depressão nessa temporada e não vai dar mais pra usar a desculpa de que “o time fede então o cara não pode ser All-Star”. Ou seja, em um ou dois anos vamos ver um monte de pivôs de verdade sentados no banco de reservas do All-Star Game. E continuando sentados lá durante o jogo porque ninguém quer ver esses grandalhões sem graça numa partida que deveria ser divertida. Ué, do que é que eu estava reclamando mesmo?