Suns vence partida decisiva, Rockets afunda

O Phoenix Suns só tem pedreira nesse fim de temporada, isso a gente já tinha avisado. Mas chega uma hora que não há escolha, ou você ganha uma vez ou outra desses times mais complicados ou adeus playoffs. O time de Steve Nash estava fora da zona de classificação justamente porque o Utah Jazz havia conseguido complicada vitória contra o Dallas Mavericks enquanto eles tinham perdido para o OKC Thunder, era hora de ganhar um jogo mais difícil.

O adversário da noite foi o Los Angeles Clippers, que por sua vez está na briga com o Lakers pelo 3º lugar do Oeste. Manter o jogo disputado durante os 48 minutos já foi um trabalho árduo para o Suns, eles não são um lixo defensivo como já foram durante anos, mas ainda tem muita dificuldade na marcação 1-contra-1 porque alguns de seus jogadores, em especial Steve Nash e Channing Frye, não são bons defensores. Some-se isso com o fato do jogo individual ser a grande arma do Clippers e dá pra ver no que deu. Chris Paul (19 pontos, 10 assistências) estava fazendo miséria, costurando a defesa do jeito que Nash costuma fazer para depois soltar o passe para alguém livre. Até o técnico do Suns, Alvin Gentry, disse no fim do jogo que ele não sabe muito bem o que aconteceu, apenas que o time “arranjou um jeito de ficar perto no placar”.

Não sei explicar também, só sei que no final Steve Nash (13 pontos, 6 assistências) liderou uma virada fantástica, incluindo uma bandeja onde jogou a bola muito alta para fugir do toco do Griffin, coisa linda de ver. Logo depois ainda teve uma cena bizarra onde Sebastian Telfair deu um tocaço em CP3 quando ele podia empatar a partida!

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O Clippers ainda quase virou com Mo Williams, mas sua bola de 3 pontos bateu duas vezes na parte interna do aro antes de cair fora. No último segundo Blake Griffin pode empatar após receber passe de futebol americano de Kenyon Martin, mas também errou. Com o resultado Suns e Jazz estão empatados com 33 vitórias e 30 derrotas, Suns na frente no desempate mas os times ainda se enfrentam uma vez.

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Quem está cada vez mais longe da briga é o Houston Rockets, que Sixerizou de novo e perdeu um jogo no finalzinho. Aliás, eles foram bem no fim do jogo dessa vez, vamos ser sinceros. Só que ao invés de vencer, apenas levaram o jogo para a prorrogação para poder perder lá. Não faltou chance para vencer. Perdendo por 1, o Rockets tentou uma bola de 3 com Chase Budinger a 18 segundos do final, mas ele errou. No rebote, Courtney Lee ao invés de imediatamente fazer a falta, conseguiu roubar a bola de Greivis Vásquez e ainda sofreu a falta. Depois de acertar o primeiro lance-livre que empatou o jogo, errou o da virada. Aí na prorrogação só deu Hornets, com defesa pressionada brilhante e Carl Landry comandando o ataque levaram a partida por 105 a 99.

Agora o Rockets tem 3 jogos para tirar a vantagem de 1 vitória que Suns e Jazz tem sobre o time. Ou seja, eles precisam reverter essa sequência de 6 derrotas seguidas em 3 vitórias e ainda torcer contra. Vai ser foda. E o que dizer do Hornets? Venceram 5 dos últimos 6 jogos e Eric Gordon (27 pontos) está mostrando que eles poderiam ter feito algum barulho sem os problemas de contusão. Time muito legal de ver jogar e Monty Williams é um baita técnico.

Se o Bulls vencesse o Miami Heat ontem, confirmaria o 1º lugar no Leste, mas ficou pra depois. O Heat teve Dwyane Wade de volta e venceu com defesa brilhante no último quarto. Derrick Rose foi poupado, Luol Deng (11 pontos) voltou discreto, mas o Bulls é sempre pedreira. Jogo feio, brigado, físico (Wade e Rip Hamilton se cotovelaram, James Jones foi expulso) e o Heat só venceu porque a defesa encaixou no final e Wade e LeBron James (27 pontos, 11 rebotes, 6 assistências) conseguiram algumas infiltrações muito difíceis na fortaleza defensiva de Tom Thibodeau. 17-11 para o Heat no período final e 83-72 no placar.

No Leste a briga vai ficando cada vez menos briga. O Milwaukee Bucks não consegue ganhar de mais ninguém, ontem perdeu para o quentíssimo time do Indiana Pacers. O Bucks mais uma vez foi bem no ataque, mas na defesa não teve resposta para David West. O ala fez a tabuada com 21 pontos, 14 rebotes e 7 assistências e ainda ganhou elogios e mais elogios do técnico Frank Vogel: “Ele está nos levando a um nível muito alto, estou ansioso para ver até onde ele nos lidera nos playoffs”. Dá até pra atrasar em um treino, David, ninguém vai falar nada. Além dele, George Hill (22 pontos, 8 assistências) foi excelente como titular e Leandrinho, mesmo mais discreto (10 pontos) foi destaque com a jogada número 1 do Top 10 do dia.

Top 10 da Rodada

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Fotos da Rodada

Num jogo de luta da NBA (UMA GRANDE IDEIA) Carl Landry sempre comemoraria uma vitória assim

 

Kenyon Martin seria um dos personagens mais fortes…

 

…Jared Dudley sabe bem disso

 

Griffin só ia botar banca, mas não seria um personagem jogável

 

Jared Dudley seria sparring no modo tutorial
Celtics beira a perfeição, Bulls tem revanche

No começo da temporada parecia que o Leste seria uma enrolação simbólica até que finalmente chegássemos à final da conferência entre Chicago Bulls e Miami Heat. É bem possível que esse confronto realmente aconteça, mas antes disso um desses times terá a ingrata tarefa de bater o Boston Celtics. Sim, eles são velhos, sim, o começo de temporada deles não foi bom, mas agora o time está numa sequência fantástica e parece estar jogando como uma máquina, no maior estilo San Antonio Spurs. Ontem eles enfrentaram o Miami Heat pela segunda vez em 10 dias e venceram de novo, dessa vez em Miami: 115 a 107. Placar altíssimo para defesas tão boas.

Não vou dizer que o Heat fez uma apresentação fantástica na defesa, seria exagero, mas erraram pouco. Tirando algumas vezes que se atrapalharam em uns bloqueios no Rajon Rondo e a insistência em deixar o Kevin Garnett arremessar com liberdade do perímetro, o resto foi muito bem executado como sempre. Pressionaram Paul Pierce, fizeram de tudo pra manter Rajon Rondo longe do garrafão e etc. Mas não deu certo. Nada. O Boston Celtics estava concentrado e a partir da metade do 1º período fez um jogo coletivo, atento, forte e simplesmente impecável. Eles pegaram pela frente uma das melhores defesas da NBA e acertaram 60% de seus arremessos, 64% nas bolas de 3 pontos e 80% no lance-livre! Foi a 1ª vez na temporada que o Miami deixou um oponente acertar 60% nos arremessos gerais e nos de 3 pontos. E só uma vez eles deixaram o adversário acertar mais de 50% dos arremessos e 60% dos de 3, justamente em outra derrota para o Celtics.

Foi uma das melhores atuações de qualquer time durante a temporada e não é à toa que foi contra o Heat, o Celtics parece ser um dos poucos times que ainda vai enfrentar o Big 3 de South Beach com a mentalidade do ano passado de que o Heat era o vilão da NBA. Eles jogam com uma gana impressionante. Deveriam fazer mais vezes, porque jogadores como Kevin Garnett e Paul Pierce rendem muito mais quando se envolvem pessoalmente e emocionalmente nas partidas. Ontem Pierce foi cestinha do time com 27 pontos, Garnett foi um monstro como nos bons tempos de Wolves e teve 24 pontos, incluindo uma sequência de 8 em 4 posses de bola seguidas , justamente quando o Heat havia encostado no placar no último quarto. Destaque também para os 18 pontos (vários arremessos de longe!) e 15 assistências de Rajon Rondo, que continua jogando muito em jogos transmitidos em rede nacional nos EUA.

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No outro jogo da rodada dupla da ESPN gringa, o Chicago Bulls teve sua revanche contra o NY Knicks após aquela partidaça do último domingo que teve prorrogação e tudo. A diferença foi que dessa vez o Bulls jogou em casa e, surpresa, não teve Derrick Rose. O bichado armador do Bulls tinha perdido acho que só 6 jogos na carreira inteira antes de ficar fora de 23 nesse ano. Dessa vez culpa de um tornozelo torcido no jogo contra o Knicks.

O jogo começou com o Knicks e Carmelo Anthony dominando ataque e defesa. Muitos roubos de bola de um lado e Melo acertando tudo do outro. Mas não demorou muito para o banco do Knicks estragar tudo. Sem Jeremy Lin e Amar’e Stoudemire, machucados, e com JR Smith em dia pouco inspirado, ficou complicado para o Knicks marcar pontos. Toda jogada acabava com alguém do Bulls desviando um passe, atrapalhando alguém na hora de pegar a bola, era o inferno na terra para o Knicks. Para virar o jogo faltava o próprio Bulls embalar no ataque, o que aconteceu quando Rip Hamilton marcou 18 de seus 20 pontos no 3º período. No último foi a vez de Kyle Korver fazer 11 de seus 14 pontos e matar o jogo, 98 a 86. Durante o jogo Korver deu um toco (!) no Landry Fields e o Jeff Van Gundy, que comentava a partida, disse que deveria ter um lugar para punir os jogadores que tomassem toco de Korver. Bom, ontem foram 3: Chandler, Shumpert e Fields. Dá pra acreditar? Até ontem ele tinha 12 tocos em 58 jogos, ontem baixou o seu Dwight Howard interior.

O Knicks sofria com Carmelo mal das pernas quando tinha D’Antoni, aí Mike Woodson fez Carmelo renascer além de acertar a defesa de D’Antoni que já era muito boa. Mas agora falta poder ofensivo. Algum outro time passou por tantas fases e momentos tão distintos nessa curta temporada? Ou na última década?

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O resto da rodada não foi tão interessante quanto esses dois jogos. Em Dallas, o Mavs segurou o Kings e venceu por 110-100 na volta de Jason Kidd. Ele parece fazer pouco, mas o time sofreu um bocado nos jogos que ele perdeu machucado. Pelo Kings, 25 pontos e 18 rebotes para DeMarcus Cousins, um dos favoritos ao Prêmio Bola Presa de Melhor Jogador em Time Que Só Perde. Em New Jersey, outro lugar com candidatos a esse prêmio, o Philadelphia 76ers conseguiu importantíssima vitória para se manter dentro da vaga para os playoffs, 107 a 88 sobre o Nets. Já a palavra “playoff” nem sequer foi citada na vitória do Cavs sobre o Bobcats, que teve como destaque a atuação de Lester Hudson: 25 pontos, 8 rebotes e 6 assistências. Hudson veio da D-League no final de março, assinou um contrato de 10 dias com o Cavs e ontem passou dos 23 pontos pelo 3º jogo seguido. É o Jeremy Lin de Cleveland.

Fechando o dia, derrota bem triste para o Orlando Magic. Não há ausência de Dwight Howard que justifique perder do Washington Wizards com 24 pontos e 13 rebotes do Kevin Seraphin. Mas alguma surpresa? O Magic desse ano é o time bom que eu mais vi passar vergonha na minha vida. Para times ruins, do fundo da tabela, ter derrotas vergonhosas é comum, mas entre esses times que são certeza nos playoffs nenhum passou mais momentos embaraçosos que o Magic. “Ah, mas o jogo foi disputado”, pode dizer alguém. Tá aí, teve um jogo disputado contra o Wizards = vergonha.

Top 10 da Rodada

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Fotos da Rodada

Tom Thibodeau só fica bravo assim quando seu time sofre mais de 3 pontos em um jogo

 

Taj Gibson é Yao Ming

 

Máscara, meia, cotoveleira, ombreira, protetor bucal, protetor de saco, caneleira: Cyborg Hamilton

 

Vince Carter ainda gosta de enterrar

 

ATRÁS DE VOCÊ!!!!!

 

Vou querer 5 corações humanos, por favor

 

Uma imagem fala mais que mil turnovers

 

A boa e velha defesa libanesa

 

>Um fim necessário

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As maiores mãos do mundo agora acenam adeus

Foram 23 anos como técnico do Jazz. É quase o dobro da idade do Justin Bieber, é mais do que a idade da maioria dos nossos leitores, é mais do que a idade da maioria dos novatos que entram atualmente na NBA. Quando começou a treinar o Jazz, a Emma Watson sequer tinha nascido, e convenhamos que um mundo sem a Emma Watson não faz nenhum sentido. Faz tanto tempo que o Jerry Sloan estava no comando do Jazz que chegamos a pensar que era uma monarquia, que o cargo só seria abandonado quando ele morresse e seria assumido pelo seu filho, herdeiro do trono. Por isso tem gente dizendo que é a morte de uma era, o fim dos tempos, o apocalipse. Por ser o técnico que passou mais tempo em uma equipe em toda a história dos esportes americanos, imaginar Jerry Sloan fora do Jazz é sinal de horror para muita gente. Mas foram 23 anos, gente. Uma hora, tudo na vida dá no saco.

Jerry Sloan foi um gênio, daqueles que a gente usa para provar que prêmios e títulos são bobagem. Nunca foi campeão da NBA e nunca ganhou um prêmio de técnico do ano (se tivesse ganhado teria sido vítima da maldição e demitido no ano seguinte), mas sua carreira como técnico é fantástica. Comandou o Jazz em duas finais de NBA contra o Jordan, em 97 e 98, e só perdeu porque usar o Jordan é apelação. Treinou um dos melhores times de todos os tempos, com Malone e Stockton. É o terceiro técnico com mais vitórias na história da NBA. E o mais impressionante é a consistência: foram 13 temporadas com mais de 50 vitórias, e apenas 3 temporadas em que seu time não ganhou pelo menos metade dos jogos. Com tudo isso, foi parar no Hall da Fama mesmo estando ainda em atividade. Nenhum título, nenhum prêmio, mas ele sempre esteve lá treinando times incríveis e vencedores mesmo quando o elenco não ajudava, as contusões se acumulavam e os donos da equipe mandavam bons jogadores ou escolhas de draft embora para economizar dinheiro. Lembro de um Jazz horrível, sem nenhum jogador decente, que tinha o porcaria do Raul Lopez na armação e mesmo assim ganhou 42 jogos com atuações incríveis do armador. Lembro do Raja Bell ser longamente improvisado de armador e mesmo assim o time funcionar direitinho. Na época eu dizia que um macaco de circo seria um armador genial no esquema do Jerry Sloan, desde que ele conseguisse aturar o técnico.

Porque o Sloan é um gênio velhinho e todos nós sabemos que os gênios e os velhos são muito chatos. O Sloan obriga os jogadores a colocar a camiseta por dentro do calção, proíbe o uso de faixas na cabeça nos jogos e de celulares nas viagens da equipe. Quem entra em quadra pelo Sloan é quem se esforça mais, quem treina mais e quem obedece mais. Muitos jogadores talentosos como Andrei Kirilenko já mofaram no banco de reservas enquanto Matt Harpring, sem nenhum talento, dava cabeçadas em outros jogadores. Talento sempre foi secundário perto do esforço, o Jerry Sloan vem de uma infãncia difícil e valoriza dedicação e força de vontade acima de tudo. Por isso seus times são tão chatos de enfrentar, lutam até o final e mantêm o plano de jogo. No começo dessa temporada, o Jazz cansou de vencer jogos no final depois de perder por mais de 20 pontos. Coloquem o elenco do Cavs nas mãos do Jerry Sloan e eles não perderão 26 partidas seguidas porque antes disso acontecer terão matado a facadas os adversários. Tudo isso, claro, apoiado por um estilo de jogo rígido e eficiente, baseado em bandejas, pick-and-rolls e pouquíssimos arremessos de três, com pouca frirula e nenhum arremesso forçado. Quem sai do plano vai pro banco.

Com esse tipo de rigidez, é bem óbvio que o Jerry Sloan arrumou encrenca com muitos jogadores ao longo de seus 23 anos de Utah Jazz. As histórias podem não estar aí, podem não ter ido parar na Contigo!, mas os confrontos aconteceram. Teve muito jogador descontente no banco, muita bronca por cagada feita em quadra, muito jogador querendo fazer o que bem entendesse e tomando surra de chibata. Por isso, os boatos de que o Sloan resolveu abandonar o Jazz por causa das brigas com o Deron Williams me soam completamete absurdos.

Na partida contra o Bulls, na quarta-feira, Deron Williams desobedeceu o técnico em quadra e os dois bateram boca no vestiário, com gente dizendo que tiveram que segurar os dois pra não sair porrada (já pensou um soco das mãos gigantescas do Jerry Sloan?). O Deron disse que discutiram mas que não foi nada de mais, que os dois já tinham brigado mais feio antes e que outros jogadores também já tinham confrontado o técnico com mais violência antes. Ou seja, mais uma discussão na lista de bilhares de um técnico severo. Normal, quando um técnico quer estabelecer uma filosofia desse tipo em uma equipe, proibindo até coisas idiotas como faixa na cabeça, está pronto para enfrentar resistência, confronto e insatisfação. Sloan já lidou com isso por 23 anos, não há razão para imaginar que a discussão com Deron Williams tenha sido tão pior assim. Pelo jeito, ele só está de saco cheio. Sem Boozer, o Jazz tem dificuldades em estabelecer um jogo de meia distância e o pick-and-roll. Está brigando pelas últimas vagas do Oeste, perdendo jogos que deveria ganhar, cheio de altos e baixos nos últimos anos. E o Deron Williams é competitivo, se acha fodão, e quer ter mais liberdade nas mãos. O Sloan juntou tudo isso num pacote, viu que estava passando Big Brother na tevê, e resolveu tirar férias. É justo.

Realmente, Deron Williams é um armador bom o bastante para fazer mais em quadra do que faz atualmente pelo Jazz. Nas partidas em que o Jazz virou o jogo no segundo tempo durante essa temporada, todas foram mérito de um surto criativo do Deron, de ele colocar a bola debaixo do braço e resolver sozinho – ou seja, foram vitórias da desobediência. Jerry Sloan é um dos melhores técnicos que já existiram, é um gênio e está no Hall da Fama antes mesmo de se aposentar. Mas não é por isso que seu estilo não pode ser questionado, que cada situação não deve ser analisada individualmente. Sloan é o técnico ideal para comandar esse Jazz atual, para ensinar Deron Williams, trazer estabilidade a esse time? Talvez não – e isso não é nenhuma heresia. Ficar no time por 23 anos tornou proibido discutir se seria melhor o Sloan tomar outros rumos, e todos os times deveriam discutir continuamente se mudanças são ou não necessárias. Sem o Boozer em quadra e com o jogo de meia distância de Millsap e Al Jefferson tão abaixo do que se esperava, talvez fosse hora de mudar os planos de jogo e deixar Deron arremessar mais, jogar de costas para a cesta, usar o corpo contra os armadores adversários que são sempre menores do que ele. Talvez o time funcione melhor com mais liberdade, usando a criatividade do Deron, talvez o time precise da mudança de ares, de celular nos ônibus, da chance de provar que podem vencer mesmo sem o técnico Hall da Fama. Ou talvez o time simplesmente piore e desande de vez sem a tutela do melhor técnico de sua história. De todo modo, o importante é que agora o Jazz pode debater isso abertamente, pode escolher se mantém o mesmo rumo ou se toma caminhos diferentes. Com Sloan, nada era questionado. Agora, o Jazz pode pensar, matutar e tomar decisões. Por melhor que fosse Jerry Sloan, acho essa rigidez um preço alto demais a se pagar, e o time já estava há tempos demais nesse limbo eterno de se classificar para os playoffs com certa facilidade mas não ter nenhuma chance de título. Agora o time vai ser mais maleável e, quem sabe, simplesmente feder. Isso por si só já seria o bastante para injetar talento novo na equipe e romper o atual ciclo.

Os leitores do Jazz, que adoram tacar cocô na minha cabeça e sabem onde eu moro, vão dizer que eu sou herege. Na verdade sou um grande fã do Jerry Sloan e daquilo que ele faz com seus armadores – o Stockton é, para mim, um dos melhores de todos os tempos e um dos meus três jogadores favoritos deste universo. Ainda assim, Sloan vem de outros tempos. Enfrenta uma nova geração de treinadores nerds e carregados de estatísticas que não perdem tempo proibindo faixinha ou dando eletrochoque nos armadores que não seguirem tudo à risca. São treinadores novos que podem perder seus postos a qualquer momento, gerando mudanças, contrastes, evoluções. Sem isso, os times ficariam estagnados. Jerry Sloan deixa saudade, fico feliz que ele já esteja no Hall da Fama, que ele seja reconhecido mesmo sem ter nenhum anel. Mas era hora de ir embora e deixar o Jazz respirar um pouco, se virar sem ele. Tenho a mesma opinião com o Los Angeles Lakers: por melhor que seja Phil Jackson, já atingimos um momento em que o Lakers precisa urgentemente respirar novos ares para que exista contraste, mudança e evolução. Os finais são tristes mas necessários. O Jazz vai se sair bem, mesmo sem as mãos gigantescas do Jerry Sloan dando tabefes na bunda de todo mundo.

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Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...

Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!

George Karl, Denver Nuggets
Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.
O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.
Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de “The Glove“, ou “A Luva”, tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.
O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.
O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.
Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.
E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!
Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!

Randy Wittman, Minnesota Timberwolves
Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.
Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.
Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.
Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.
Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.
Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta “Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!“, ou “Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!” ou ainda “Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!“.
Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:
Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler
Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.

Nate McMillan, Portland Trail Blazers
Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.
McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.
Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.
A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.
Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.
Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o “Mr.Sonic” virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.
No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.

PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.
O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.
O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.
O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.
O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.
Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.
Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.

Jerry Sloan, Utah Jazz
Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.
O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.
Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.
Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.
No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.
Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).
Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.

Asilos de qualidade

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Sam Cassell toca a si mesmo pensando em ganhar um título

Tem uma coisa sobre os times bons de que muita gente se esquece: são os times bons que assinam jogadores livres, free agents, com a maior facilidade. Digo isso olhando para o caso do Boston Celtics nessa temporada, por exemplo. Se não bastasse o elenco que já possuiam com, insisto em dizer, três jogadores que farão parte do Hall da Fama no futuro, ainda me assinam o Sam Cassell pra fazer parte da brincadeira. É tão injusto que deveria haver uma regra que só permitisse ao Celtics assinar o Olowokandi ou o Kwame Brown, nada mais. Onde está David Stern quando se precisa dele?

Existe, correndo pela NBA, essa idéia de que, quando o time está fedendo muito, é hora de se livrar de todo mundo com salários caros e começar de novo. Liberando a folha salarial, o time ruim pra burro terá grana para contratar jogadores que terão o passe livre, se tornando, portanto, um time bom. Mas agora vamos ser sinceros: quantas vezes você já viu esse plano mirabolante dar certo?

A verdade é que os grandes jogadores, em geral, não estão nem um pouco interessados em ir passar vergonha no Bobcats ou no Grizzlies. Não importa quem eles mandem embora, quanta bufunfa tenham no bolso para contratar uma grande estrela. É claro que os jogadores da NBA querem enfiar dinheiro até nas orelhas, mas se eles podem fazer isso num time vencedor, com uma base formada, nunca irão para um time completamente capenga. O exemplo imediato que me vem à cabeça é o Atlanta Hawks de uns anos atrás. Se livraram de toda a galera num processo de reconstrução (chamado popularmente na gringolândia de “rebuild“), se encheram de pivetes, draftaram buscando talento e não posições específicas (tinham tantos alas na equipe que parecia escola de samba) e com a grana queriam uma grande estrela. Ótima idéia. Quem é que aceitou as verdinhas para ir jogar lá? Joe Johnson, na época terceira opção do Suns e com “role player” escrito na testa. Maior caso de “na falta de alguém melhor, vai tu mesmo” só quando o Cavs não conseguiu o Michael Redd e chamou o (irgh!) Larry Hughes no lugar.

Esse troço de rebuild é a maior furada. Achar que milagrosamente o Kobe ou o LeBron vão aceitar jogar no Grizzlies só porque lá eles vão receber oito ziribilhões de dólares é ridículo. Times em rebuild dependem de bons drafts, boas trocas e muita, muita sorte. Trocar o Iverson pelo Andre Miller pode até dar resultado. Trocar o Gasol por um peixe dourado, não. A vida é dura para os times ruins.

Para os times bons, a vida é mais fácil do que dar aquele chutinho da Chun-Li com controle turbo. Você tem Shaq e Wade na equipe? Os jogadores com passe livre vão implorar para jogar ao seu lado. Seja aceitando menos grana, abrindo mão de um ou dois iates, ou até mesmo ganhando a mesma grana que ganharia em outro lugar, mas com as chances de ganhar um título falando mais alto. Karl Malone aceitou jogar no Lakers em troca de um prato de feijão mais a grana do busão, só para ter chances de ser, enfim, campeão. Agora, Sam Cassell chorou e esperneou para ser mandado embora do Clippers para poder levar o que sobrou de pilha para o Celtics. Que não se enganem os que olham a data de nascimento, Cassell ainda é um dos jogadores mais inteligentes (e decisivos nas horas finais) de toda a NBA. E na onda dos velhinhos, até o idoso-porém-bom-em-tocos (não confundam com o Mutombo) Theo Ratliff foi para o Pistons. Legal, como se o Celtics ou o Pistons precisassem de alguma ajuda.

Na temporada que vem, vários grandes jogadores terão passe livre: Arenas, Baron Davis, Iverson, Shawn Marion, Elton Brand. Pense bem: você acha que algum deles vai aceitar jogar no Memphis Grizzlies, que acabou de trocar todo mundo por uns enfeites de mesa e pretende torrar os cofres da franquia na temporada que vem? É muito mais provavél que aceitem jogar no Celtics, no Lakers, ser a peça final no Houston ou no Hornets. Time bom atrai jogador bom. Se teu time é ruim e contratou alguma estrela, pense duas vezes, o cara deve ser bem pior do que você pensava. Ou você daria seu time nas mãos do Joe Johnson por uma fortuna multizilionária?