O sistema de Princeton

O sistema de Princeton

Vocês pediram, eu enrolei, mas agora chegou. O post sobre o sistema ofensivo conhecido como Princeton Offense, que ganhou as manchetes das NBA nas últimas semanas depois que o Los Angeles Lakers contratou Eddie Jordan como novo assistente técnico da equipe com o intuito de aplicar o sistema no time de Kobe Bryant, Steve Nash, Pau Gasol e Dwight Howard. Jordan foi um dos poucos técnicos que tentou abraçar o sistema de Princeton como o dominante de seu time quando treinou o Washington Wizards entre 2003 e 2008.

Pete Carril, técnico que consagrou a Princeton Offense

 

O sistema de Princeton tem esse nome por um motivo bem óbvio, alguém adivinha? 100 pontos para o rapaz na frente do computador que disse “Porque foi inventado na Universidade de Princeton”. Mas se engana quem pensa que é algo recente, moderno. Ele foi criado pelo técnico Franklin Cappon, o Cappy, que treinou o time da faculdade no final dos longínquos anos 30! A base mais simples do sistema permaneceu nos times de Princeton até ser aperfeiçoado e consagrado em todo os EUA depois que Pete Carril assumiu o comando do Princeton Tigers em 1967 e aplicou o sistema até sair do time em 1996.

É engraçado que Carril diz que apenas pegou o que o time tinha e tentou adicionar algumas jogadas usadas pelo Boston Celtics e pelo NY Knicks da época. Como não deu certo porque seus pivôs eram ruins (ou pelo menos piores que Bill Russell), foi fazendo pequenas adaptações. “Eu nunca dei um nome, é apenas basquete. Não sei porque chamam de Princeton Offense”, disse Carril ao New York Times. Até hoje ele não sabe porque dão tanta atenção para esse sistema e não para outros.

A Universidade de Yeshiva, instituição judia de Nova York, foi outra que adotou o sistema e ajudou ele a se perpetuar mesmo durante as dezenas de revoluções que o basquete sofreu nos meados do século XX. O técnico Bernard Sarachek aplicou a Princeton Offense de 1938 até 1977 e foi um dos responsáveis por várias das ideias que Carril usaria e aperfeiçoaria depois de volta em Princeton.  Pode-se até dizer que sem a criatividade de Sarachek o sistema não teria sobrevivido durante tanto tempo até chegar em Carril. O técnico de Yeshiva era conhecido na região de Nova York e diversos treinadores iam atrás dele para pedir conselhos e novas jogadas.  Um antigo assistente de Sarachek, Jonathan Halpert, chegou a dizer que “técnicos iam atrás dele pedir jogadas como pessoas vão atrás de rabinos para fazer perguntas”.

Mas eram esses times fortes e tradicionais naquela época? Por que uma inovação tão grande nasceu em Princenton e Yeshiva (Yeshiva!) e não em universidades mais tradicionais e vencedoras daquela época como Kentucky, Kansas ou Oklahoma? Simples, eles não precisavam disso. O sistema nasceu como um recurso para driblar a desvantagem técnica e principalmente física desses times contra os melhores do país, também foi criado com o intuito de diminuir o ritmo de jogo, já que na teoria os times mais poderosos no lado atlético teriam vantagem em um jogo corrido e veloz. Durante muitos anos Princeton foi um dos times que tinham jogos com menos posses de bola em toda NCAA Division I e assim eles conseguiram ser a melhor defesa dos EUA 19 vezes, incluindo todos os anos entre 1989 e 2000. Entre os fãs americanos, Princeton Offense foi, por muito tempo, “sinônimo de 5 branquelos tocando a bola por 35 segundos até alguém arremessar de 3 ou fazer uma bandeja” nas palavras do ex-jogador de Princeton e atual técnico de Georgetown John Thompson III.

Mas se o Princeton Offense funcionava tão bem em times como limitações atléticas, por que não era adotado por times mais tradicionais da NCAA? A Georgetown de Thompson começou a usar o sistema em 2006 e apesar de alguns resultados em quadra, muita gente questionou se aquilo seria interessante na hora de recrutar novos talentos do colegial. Afinal é um sistema que exige disciplina e onde o jogo é extremamente coletivo, não é exatamente o paraíso de quem quer colecionar estatísticas impressionantes para colocar no currículo e tentar uma vaga na NBA. Mas temporada após temporada o time de Thompson consegue ir mais longe no torneio da NCAA e nesses anos de Princeton já colocaram Jeff Green, Greg Monroe e Roy Hibbert na NBA. De qualquer forma, é o único time considerado grande a usar o sistema atualmente.

Rick Adelman foi o primeiro técnico a aplicar Princeton Offense na NBA

 

Mas se na NCAA é difícil times grandes usarem o sistema, como diabos ele foi parar na NBA?! Méritos para Rick Adelman, técnico do Sacramento Kings no começo dos anos 2000 que levou Pete Carril, já aposentado da NCAA, para ser seu assistente em Sacramento. A intenção de Adelman não era simplesmente copiar e usar o sistema com os profissionais, mas sim criar algo novo em cima do que já existia. Afinal um time com a velocidade de Jason Williams e a força de Chris Webber não devia nada fisicamente e muito menos tecnicamente a qualquer outro na NBA.

No caso da Princeton Offense de Carril, no basquete universitário, os times não tinham posições claramente definidas. O armador principal era o cara com mais habilidade para levar a bola da defesa para o ataque, mas chegando lá ele virava apenas mais um dos 4 jogadores de perímetro. Assistindo aos times jogarem parece uma equipe de 4 alas e 1 pivô. Todos se movimentam bastante, especialmente nas costas da defesa perto da linha lateral, o chamado backdoor. O objetivo principal é evitar o jogo 1-contra-1, onde perderiam, e fazer com que a movimentação deixe algum jogador livre, aí é só quem estiver com a bola passar para ele. Era essencial que todos os jogadores soubessem passar a bola com qualidade, até o pivô. Mas embora a movimentação fosse intensa, o objetivo não era conseguir uma cesta rápida, mas sim ficar rodando a bola até o adversário errar. Na NCAA são 35 segundos de posse de bola e não era estranho ver os times de Princeton gastando 30 deles até tentar seu arremesso, o segredo era ninguém parar, nem jogadores e nem a bola.

Abaixo um vídeo de 1996 do jogo entre UCLA e Princeton. Observem a superioridade atlética de UCLA e como isso parece menos relevante no ataque de Princeton, onde geralmente não há o confronto individual. Também reparem no primeiro movimento da Princeton Offense, que é quando o armador que traz a bola (1, no desenho) joga a bola num outro ala (o que está no mesmo lado do único pivô) e então corre em direção à zona morta oposta. É a partir daí que o time começa a rodar, às vezes no sentido horário, às vezes no anti-horário, às vezes as duas coisas em uma mesma posse de bola.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=4Yp4_EraSLw[/youtube]

 

No Sacramento Kings algumas coisas mudaram. Primeiro que o time passou a usar mais de um pivô em muitas das movimentações, isso porque eles tinham a excelente dupla de Vlade Divac e Chris Webber, uma das melhores daquela época, onde os dois eram excelentes passadores. Eles também tinham ótimos armadores, primeiro o inconsequente e genial Jason Williams, depois o menos espivetado e mais mortal Mike Bibby. Isso quer dizer que a bola se concentrava um pouco mais na mãos deles do que nos armadores tradicionais de Princeton. Um ataque normal do Kings poderia começar, portanto com um pick-and-pop entre Bibby e Webber. Bibby usaria o bloqueio e aí poderia arremessar de meia distância, jogada que adorava, ou então devolver a bola para Webber na cabeça do garrafão. De lá Bibby correria para a zona morta como manda o primeiro movimento de Princeton e Webber poderia continuar a movimentação tradicional.

A bola no pivô (ou em um dos pivôs, no caso do Kings) é o segundo movimento de Princeton. Com a bola no garrafão, o jogador que passou a bola para ele pode ir para a zona morta esperar um arremesso de 3 pontos caso exista a dobra de marcação. Enquanto isso o jogador que estava na cabeça do garrafão corta em direção à cesta para um passe. Para que o meio da quadra não fique vazio (risco de contra-ataque, além de dar mais uma opção de passe) o armador que estava na zona morta vai para o ângulo lateral e o que estava lá vai para a cabeça do garrafão, começando a rotação. A imagem abaixo, pegada de uma antiga página da ESPN, explica o movimento.

Os números são as posições. As linhas são a movimentações dos jogadores e a linha pontilhada a movimentação da bola. O armador 1 está na zona morta por causa do primeiro movimento. Ele segue para a posição do 4, que na rotação sobe para onde está marcado o 2.  Se o 2 não conseguir receber o passe do pivô quando corta para a cesta, vai para a zona morta antes ocupada pelo 1.

 

Ter dois jogadores capazes de fazer bloqueios e de receber a bola de costas para a cesta mudou um pouco a cara de Princeton, mas o princípio das movimentações era o mesmo. Esse Kings se consagrou pelos mesmos cortes no backdoor que fizeram a história do basquete universitário. A diferença era que ao invés de um passe tradicional depois de 30 segundos de posse, era um passe de costas de um cara de 2,10m logo no primeiro passe da posse. O Kings movimentava bastante a bola, mas era bem mais enfático que os times universitários que usaram o sistema. O objetivo era conseguir um arremesso rápido, o primeiro bom chute que aparecesse. Isso porque na NBA os jogadores são mais rápidos e maiores. Se na NCAA Princeton poderia esperar um erro de rotação para atacar, na NBA isso não acontecia com a mesma frequência. E mesmo quando acontecia não era sinônimo de arremesso sem marcação, LeBron James pode errar a rotação defensiva e com dois passos já se recuperou e está do outro lado da quadra dando um toco, é outro mundo.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=fMvrO51H9Oo[/youtube]

Como dá pra ver nessas jogadas do Kings de 2002 que perdeu, em 7 jogos, a final do Oeste para o Lakers, a coisa até parece o vídeo de Princeton de antes. Com a diferença que agora é executado por jogadores de basquete, claro.

A principal diferença é a quantidade de jogadas individuais. Com a qualidade do jogo da NBA os jogadores muitas vezes se encontram em uma situação de mano a mano onde podem simplesmente bater para dentro e resolver a parada. Em Princeton ninguém fazia isso e nem arriscava arremessos com a marcação próxima. O abuso de jogadas individuais ajudava o Kings a aumentar o ritmo do jogo. Se Princeton era um dos times mais lentos da NCAA, o Kings foi o time a impôr o ritmo de jogo mais veloz (contabilizando posses de bola por jogo) em 2001 e o segundo mais rápido de 2002, atrás apenas do insano run and gun de Don Nelson no Dallas Mavericks. O mesmo sistema entediante da faculdade virou o time mais excitante, veloz e adorado da NBA.

Outra variação é o aumento do números de jogadas de dupla. Contando com o talento de Bibby e Webber, por exemplo, às vezes os dois eram isolados de um lado da quadra para jogar um com o outro e somente se as coisas derem errado que a movimentação em círculos voltava a acontecer. Um conceito importante usado nos sistema universitário e no da NBA era o do espaço na quadra. Tirando o momento desse joguinho de dupla, nunca dois jogadores ficam muito próximos um do outro. Abaixo o próprio Eddie Jordan, futuro assistente do Lakers e que também era assistente nesse Kings de 2002, explica tudo isso em um vídeo educativo da NBA TV.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=X9WZoTYdsQE[/youtube]

Como ficou bem claro na explicação do Eddie Jordan, depois dos dois primeiros movimentos de Princeton, o terceiro pode ser qualquer coisa. Ou melhor, qualquer coisa que a defesa oferecer. Afinal depois que o pivô receber a bola, ele pode ir no mano a mano se tiver vantagem, ou pode virar o jogo se a defesa resolver dobrar a marcação, ou pode ainda retornar a bola para o seu passador se o corte de outro ala for impedido. A exigência da Princeton Offense, como era nos Triângulos que o Phil Jackson tanto usou no Lakers, é que todos os jogadores entendam o sistema, que olhem o jogo e que possam ter o discernimento de tomar a decisão certa na hora certa. E por que isso é ótimo para o Lakers? Porque Steve Nash, Kobe Bryant e Pau Gasol podem, tranquilamente, entrar em qualquer lista de Top 10 de jogadores que mais entendem de basquete na NBA.

Mas a NBA não viu só o Kings de 2002 executar a Princeton Offense, por isso podemos ver outras variações e imaginar que tipo de jogadas o Lakers vai usar. Outros times que usaram o sistema foram as outras equipes treinadas por Adelman, como o Rockets de 2007 a 2011 e o Minnesota Timberwolves da temporada passada. Também teve o Wizards comandado por Eddie Jordan de 2003 a 2008 e o Sixers do mesmo Jordan de 2009 e 2010. Além deles tem os trabalhos de Byron Scott no New Jersey Nets de 2000 a 2004, no Hornets de 2004 a 2009 e no Cavs de 2010 até hoje.

Dos times de Adelman acho que Eddie Jordan pode copiar o papel dos jogadores da posição 4, em especial Chris Webber. Webber, mais do que Luis Scola e Kevin Love nas outras formações, participava das jogadas com passes e arremessos de meia distância, especialidades de Pau Gasol. Scola muitas vezes era acionado apenas nas situações de finalização, como se fosse um pivô da posição 5 e Love joga, às vezes, muito longe da cesta. Gasol pode fazer jogadas de dupla com Steve Nash enquanto Dwight Howard se movimenta sem a bola, isso serviria para Howard agir mais como finalizador e reboteiro ofensivo do que como pivô que joga de costas para a cesta.

Dos times de Byron Scott acho que não há tanto o que copiar, com raras exceções. Tanto Nets, como Hornets e Cavs usavam um armador que centralizava muito a bola em sua mão. Primeiro Jason Kidd, depois Chris Paul e agora Kyrie Irving. A movimentação dos jogadores nesses times acontecia com a mesma intensidade, mas a bola não rodava tanto assim por falta de mais jogadores com habilidade para criar jogadas. Talvez a gente veja algo parecido quando Steve Nash jogar com os reservas, mas não vejo vantagem em ter Kobe, Howard e Gasol e deixar eles de lado no ataque. Os times de Byron Scott também eram famosos porque evitavam o ataque de meia quadra, preferindo roubar a bola e pontuar no contra-ataque, o Lakers não tem perna ou idade para isso.

O Sebastian Pruiti, genial colunista do Grantland, pegou alguns vídeos do Wizards do Eddie Jordan para analisar. Abaixo a movimentação de bola da equipe, Princeton Offense de primeira na melhor época desse time, com Gilbert Arenas, Caron Butler e Antawn Jamison no auge da forma.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=SVtjP6zLBVw[/youtube]

Uma das coisas interessantes desse vídeo é reparar que eles não chegam nem perto da intensidade doentia com que jogava o Kings de 2002. É algo muito mais apropriado aos senhores de idade que compõe o elenco do Lakers desse ano. Existe a movimentação, os cortes, a leitura da defesa adversária, mas existe também uma economia de movimentos e de energia. Mas não é só isso, como bem apontado por Pruiti, o sistema Princeton é completo o bastante para oferecer oportunidades para todos os jogadores do Lakers.

Para Dwight Howard e Pau Gasol existem as jogadas de costas para a cesta, toda a movimentação começa no pivô, estão lembrados? E mesmo que o primeiro passe não funcione, sempre que a bola roda em algum momento ela pode voltar para o pivô. Eles são parte importante do sistema e os dois não vão reclamar de tocar pouco na bola mesmo que Kobe Bryant force a barra de vez em quando.

E lembra no vídeo do Eddie Jordan onde tem uma hora que até o ala é enviado para jogar de costas para a cesta depois de uma dezena de trocas de posição? Na temporada passada Kobe Bryant foi 33º melhor jogador da NBA ao atacar de costas para a cesta, com aproveitamento de 44% de seus arremessos e com 0.93 pontos por posse de bola. Ótimos números para alguém da sua posição. Jogadas onde ele teve mais pontos por posse do que no post-up? Hand-off  (quando o companheiro faz o bloqueio e solta a bola na mão de quem arremessa), com espetacular 1.16,  spot-up (quando o jogador se posiciona para pegar o passe e chutar imediatamente) com 0.92 e Cut (o corte em direção à cesta, recebendo o passe na corrida) com 1.26 . Ou seja, tudo o que a Princeton Offense oferece. Se Kobe botar na cabeça que ele pode fazer menos jogadas individuais e se concentrar nas citadas aqui, pode ser uma de suas temporadas mais eficientes no ataque.

Por fim, e Steve Nash? Como um cara que gosta de passar o tempo inteiro com a bola pode se beneficiar disso? Bom, talvez ele não tenha mais 12 assistências por jogo, mas vai se dar muito bem. Primeiro porque não precisará jogar 40 minutos por jogo, depois porque ele é um dos melhores arremessadores da NBA. A gente às vezes esquece isso por causa dos passes geniais, mas ele pode ser útil demais para o time mesmo nas posses de bola que ficar mais distante, apenas preparado para o arremesso. E tem mais, já vimos com Mike Bibby no passado e na última temporada com Ricky Rubio no Wolves como a Princeton chama muitas jogadas de pick-and-roll (no momento do jogo em dupla), a especialidade de Nash. No Grantland tem um vídeo das jogadas de pick-and-roll de Gilbert Arenas no Wizards. São muitas e dá pra imaginar como seria Nash, um verdadeiro especialista na jogada, ao contrário de Arenas, comandando esse show.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=1cvjyAq6l-k[/youtube]

É sempre confuso explicar sistemas táticos com texto, mas espero que tenha ficado claro o que é o sistema ofensivo de Princeton. Tentei usar muitos exemplos do passado porque times que a gente cansou de ver como o Nets finalista de 2002 e 2003, o Kings que todo mundo amava e o Wolves que virou o queridinho do League Pass na última temporada todos usavam esse sistema. Ou seja, vocês todos conheciam o jogo, mas alguns não sabiam do que chamar.

Também espero que tenha ficado clara a diferença entre o sistema Princeton universitário e a maneira com que foi importado para a NBA. Não esperem o Lakers jogando em câmera lenta como os estudantes da faculdade. Também recomendo que assistam de novo e com atenção os vídeos acima, especialmente esses últimos sobre o Wizards, para perceber que muita coisa é decidida na hora. Depois dos dois passos iniciais para começar a rodar o ataque, tudo vira leitura da defesa. Rodar quando se deve rodar, cortar quando se deve cortar, passar quando se deve passar. Sistema e improviso juntos. É algo meio pai moderninho: Você pode fazer o que quiser, desde que dentro do sistema.

Por fim, vale a pena lembrar que o LA Lakers não deve usar a Princeton Offense durante os 48 minutos de todo jogo. É um sistema que precisa ser treinado, que precisa de entrosamento e não precisa ser utilizado o tempo todo. Ano passado mesmo o técnico Mike Brown trouxe as suas jogadas e mesmo assim continuou usando características deixadas pelo Phil Jackson e que estavam dando certo. Vai ser uma mistureba com grandes chances de sucesso.

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Brandon Roy entrega seu filho para adoção


Objetivo máximo: Final de conferência
Não seria estranho: Perder na primeira rodada de novo
Desastre: Ficar fora dos playoffs

Forças: Jogadores bons em todas as posições e forte banco de reservas
Fraqueza: Inúmeras contusões. Há anos não jogam com o time completo.

Elenco:


Portland Trail Blazers
Titulares
Reservas
Resto
PG
Andre Miller
Jerry Bayless
Patrick Mills
SG
Brandon Roy
Wes Matthews
Rudy Fernandez
SF
Nicolas Batum
Luke Babbitt*
Dante Cunningham
PF
LaMarcus Aldridge
Jeff Pendegraph
C
Greg Oden
Marcus Camby
Joel Pryzbilla


Técnico: Nate McMillan

Como descobrimos no último post, a maior parte dos nossos leitores tem entre 20 e 24 anos. Foi no mesmo ano que os mais velhos desse grupo nasceram que Nate McMillan foi draftado pelo falecido Seattle Supersonics. Sua carreira não foi espetacular, mas marcou os torcedores locais, que chamavam de Big Mac o trio que ele fazia com Xavier McDaniel e Derrick McKey. Logo depois da sua aposentadoria, 12 anos depois do draft, já virou assistente técnico e, em 2001-02, técnico principal até 2005. Seus 19 anos de serviços ao time renderam o apelido que ainda persiste de Mr. Sonic.

Foi como técnico em Seattle que ele conseguiu o maior feito de sua carreira. Em 2005 comandou o elenco mais limitado que já vi chegar em uma semi-final de conferência. Perderam em 6 jogos (e o jogo 6 foi decidido no último segundo) para o futuro campeão San Antonio Spurs. O forte do time estava nas posições 2 e 3 com Ray Allen e Rashard Lewis, máquinas de três pontos, mas tinha como armador principal Luke Ridnour, o homem que não defende, e o garrafão era uma piada: o agarrador de bolas Reggie Evans e o cara que é mais gordo que Eddy Curry e Zach Randolph juntos depois da feijoada, Jerome James. Os dois estavam em ano de contrato e jogaram uma defesa forte e suja que era a marca do time.

Aproveitando o embalo, McMillan surpreendeu a todos e pela primeira vez na carreira serviu a outro time na NBA, justamente o rival local do Sonics, o Blazers. Após disso o Sonics desabou de qualidade e seus jogadores aos poucos foram saindo (Jerome James ganhou na loteria ao ir para o Knicks por uma fortuna, Evans foi para o Nuggets e Rashard Lewis virou o Bill Gates da NBA com seu contrato com o Magic) Alguns torcedores do Sonics se sentiram traídos e a saída foi um pouco polêmica, mas ele foi bem recebido em Portland, onde era visto como o cara que levaria o jovem time a algum lugar depois dos anos do Jail Blazers. Nos últimos anos tem feito um bom trabalho, o time melhorou um pouco a cada ano e só no ano passado caiu de nível, mas mais pelas contusões do que por qualquer outra coisa. O próprio McMillan se machucou quando corria em um treino no começo da temporada passada!

Ele na verdade deve receber créditos por fazer o time funcionar mesmo com Jeff Pendegraph e Juwan Howard no time titular. McMillan é bom em tirar o melhor de seus jogadores: sabia usar bem a dupla Sergio Rodriguez e Rudy Fernandez quando os dois estavam por lá, sempre viu o potencial da defesa de Nicolas Batum e conseguiu achar um jeito de introduzir o fominha Jerryd Bayless na rotação sem estragar o conjunto da equipe. Não é um estrategista ou um gênio da motivação, mas é um dos bons técnicos da NBA. Não custa lembrar que ele também fazia parte da comissão técnica campeã olímpica em 2008 com Mike Kryzewski e Mike D’Antoni.

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Há anos que a gente sempre baba ovo nas offseasons do Blazers. Eles sempre pareciam não perder nada de mais e ganhar jogadores espetaculares. Mas em compensação durante a temporada tinham resultados abaixo do esperado. Não é que jogavam mal, longe disso, mas é que a expectativa era sempre a de um time forte que pudesse ir longe nos playoffs, não um time remendado que perde na primeira rodada.

O motivo desse desempenho bom mas abaixo do esperado pra mim é um só: contusões. E não estou pensando só no Greg Oden que perde a temporada inteira, mas das pequenas contusões que tiram LaMarcus Aldridge por uma semana, Brandon Roy por um mês, Rudy Fernandez por 10 dias, etc, etc, etc. Com esses problemas o McMillan está sempre improvisando. Lembram no ano passado dele usando o Juwan Howard de pivô ou o Jerryd Bayless de armador principal titular? Coisas que ele nunca faria numa situação normal. Aposto que o McMillan preferiria usar o Luke Ridnour com uma mão amarrada nas costas como armador ao invés do Bayless. Por isso ao invés de achar que o Blazers jogou abaixo do esperado nas últimas duas temporadas eu prefiro dizer que nunca vimos de verdade o que aquele time poderia ter feito.

Para essa temporada, algumas mudanças importantes. Primeiro no comando do time, o General Manager Kevin Pritchard, o responsável pela criação de todo esse elenco, foi demitido uma hora antes do Draft 2010 começar e fez nesse dia suas últimas movimentações. Pois é, vai entender essa cartolagem da NBA! Há anos ele é considerado o melhor e mais criativo GM da liga e aí chutam o cara no dia em que ele tem mais trabalho no ano.

Depois, no elenco, perderam Martell Webster numa troca com o Wolves e Rudy Fernandez ainda continua dando piti e dizendo que ou é trocado para um time que o use como titular ou volta para a Europa. Frescura e bichisse de moleque mimado. Nunca jogou com regularidade o bastante para ser titular e não é com showzinhos como esse que outros times irão fazer loucuras para tê-lo no time. Várias equipes se mostraram interessadas, como Knicks, Celtics e Bulls, mas ninguém quis correr o risco de dar uma de Spurs com o grego Vassilis Spanoulis. Há alguns anos o Spurs mandou os direitos de Luis Scola para o Houston para ter o insatisfeito Spanoulis, o grego decidiu que voltaria para a Europa mesmo assim e o Spurs ficou de mãos abanando, enfrentando o Scola quatro vezes por temporada enquanto usavam o Antonio McDyess no time titular.

A perda de Webster eu não acho que será tão sentida. O Luke Babbitt tem tudo para ser o melhor ou um dos melhores arremessadores de três dessa classe de novatos e só precisa acertar as bolas de longe para fazer qualquer torcedor achar que Webster é só mais um dicionário.

Já com o espanhol a sua ausência vai ser sentida só por aqueles torcedores que não entendem muito de basquete e querem ver enterradas, dribles e contra-ataque fulminantes, as especialidades de Rudy. Para o seu lugar, na reserva de Brandon Roy, foi contratado a peso de ouro (ou de uns 900kg de ouro) Wesley Matthews. Na temporada passada ele surpreendeu todo mundo ao ser um jogador que passou em branco pelo draft, ganhou um contrato mínimo de um ano e poucos meses depois era titular do Utah Jazz. Um ano depois é o jogador mais bem pago da classe de novatos do ano passado, com seu novo contrato está fazendo mais grana que Tyreke Evans, Blake Griffin ou Brandon Jennings. Matthews é ótimo defensor, tem um arremesso confiável de três pontos (38% na temporada passada) e logo no seu primeiro treino com o novo time recebeu trocentos elogios pela sua inteligência dentro de quadra. E acredite, se você é inteligente, sabe se movimentar e está no mesmo time que Andre Miller, vai se dar muito bem.

Como o time dessa temporada está montado e nenhuma troca é necessária até o próximo ano, não vai ser agora que eles vão sentir falta de Pritchard. Com Matthews e Babbitt também acho bem possível que Rudy e Webster não sejam lembrados. Nicolas Batum como titular também não deve fazer feio, muito pelo contrário, acho mais provável vê-lo recebendo votos de jogador que mais evoluiu na temporada. Portanto, eles simplesmente voltam à posição do ano passado: com um ótimo elenco e bom técnico, será que conseguem ficar inteiros?

Eu já não espero mais que Greg Oden seja o melhor pivô defensivo da NBA e justifique ter sido escolhido antes do Kevin Durant, nem penso mais nisso. Sinceramente só espero que ele vire um jogador de basquete. Quero ver ele jogar mais de 70 jogos em uma temporada e está ótimo. Se jogar mal, paciência, vira reserva do Marcus Camby, mas que jogue, esse time não suporta mais tanta gente com pequenas, médias ou grandes contusões. É ridículo, um ano depois da polêmica contratação, não poder ter uma opinião totalmente formada sobre se a combinação Andre Miller e Brandon Roy funciona bem. Tudo porque Roy perdeu muitos jogos e jogou outros tantos baleado no último ano. Se Oden jogar o tempo inteiro e as pequenas contusões não assombrarem o time de novo, poderemos, finalmente, ser capazes de ver não só as reais chances do Blazers, mas também seus reais problemas.

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Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...

Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!

George Karl, Denver Nuggets
Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.
O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.
Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de “The Glove“, ou “A Luva”, tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.
O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.
O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.
Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.
E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!
Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!

Randy Wittman, Minnesota Timberwolves
Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.
Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.
Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.
Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.
Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.
Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta “Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!“, ou “Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!” ou ainda “Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!“.
Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:
Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler
Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.

Nate McMillan, Portland Trail Blazers
Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.
McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.
Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.
A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.
Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.
Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o “Mr.Sonic” virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.
No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.

PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.
O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.
O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.
O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.
O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.
Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.
Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.

Jerry Sloan, Utah Jazz
Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.
O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.
Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.
Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.
No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.
Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).
Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.