Meu pedido de desculpas para Tim Duncan

Meu pedido de desculpas para Tim Duncan

Vinte temporadas em uma única equipe, cinco títulos da NBA, nome garantido no Hall da Fama do basquete: foi com esse currículo exemplar que Kobe Bryant se aposentou após um tour de despedida em que cada jogo de sua derradeira temporada foi celebrado como se fosse o último. Quando o último jogo de fato chegou, contamos com transmissão televisa e cobertura total para uma partida que de outra maneira seria inteiramente desimportante. Com 60 pontos em sua despedida, Kobe deixou a NBA com todos os holofotes sobre si, monopolizando a atenção de uma Liga que não precisava mais dele. Tivemos toda uma temporada para trabalhar o luto, preparar a despedida, organizar as memórias e acrescentar uma última, o brilho mais intenso de uma estrela a instantes de se apagar para sempre. Torcedores atravessaram o planeta para acompanhar seus últimos momentos, com fãs mais devotos de diversos países abandonando suas vidas cotidianas para seguir Kobe jogo a jogo até o apoteótico fim.

Quem é que manda?

Quando eu trabalhei no Club Atlhetico Paulistano e convivi mais de perto com a galera que vive o basquete nacional, me impressionei com a aversão que todos por aqui tinham com a ideia de um time ter uma “estrela”. No Paulistano isso foi um pouco fácil de evitar durante um tempo porque o time era realmente feito de atletas com menos fama e nome no mercado, mas aí apareceram os americanos Kenny Dawkins e especialmente Desmond Holloway, uma máquina de fazer pontos. De uma hora para a outra surgiu a preocupação de que a ideia de ter os americanos como rostos do clube pudesse prejudicar o grupo. Na parte que me cabia do trabalho, era importante lidar com a imprensa para que quando falassem do Paulistano (e não era sempre, como vocês devem imaginar), dessem atenção e moral também para os outros jogadores e não só para os cestinhas.

No fim das contas deu tudo certo. Outros jogadores davam entrevistas esporádicas, os americanos eram meio avessos a aparecer demais , não queriam falar em português na TV e o grupo, que chegou a uma final de NBB, seguiu sem grandes problemas de relacionamento. Foi o bastante, porém, para me deixar bem impressionado. Era óbvio que os dois americanos eram MUITO superiores tecnicamente a qualquer outro jogadores, mas todos, sempre, ficavam reforçando a ideia de que todos tinham sua função, que todos eram importantes e que ninguém iria ganhar sozinho. Quanto mais espetacular a atuação individual de um, mais repetiam a questão de jogar em equipe. A minha questão é: uma coisa elimina a outra? Claro que ninguém ganha sozinho, mas também é claro que todo time depende mais de uns jogadores que de outros.

[Resumo da Rodada – 02/05] O Jogo da Coxa

A série entre Clippers e Spurs foi certamente a Série das Séries nessa primeira rodada dos playoffs, e todo mundo já sabia disso mesmo antes do Jogo 7 por conta do alto nível jogado, dos jogos inesperados e de um par de finais eletrizantes. Teve até um jogo-surra só para mostrar que a gente achar que a série estava parelha não iria impedi-la de ser inteiramente inesperada. Para consagrar essa série só faltava mesmo um Jogo 7 épico, daqueles pra entrar pra história. E dessa vez, tivemos exatamente o que a gente esperava.

Embora seja comum sermos presenteados com jogos históricos nos playoffs, dificilmente eles acontecem na primeira rodada dos playoffs, quando os confrontos são supostamente menos parelhos. Mas o Oeste desta temporada foi uma anomalia no espaço-tempo: uma mísera derrota no último jogo da temporada regular tirou o Spurs da segunda colocação da Conferência e o derrubou para a sexta vaga nos playoffs, sem mando de quadra. É triste que dois times tão espetaculares como Spurs e Clippers sejam obrigados a se eliminar tão cedo nos playoffs, mas o resultado foi um confronto épico que, embora seja doravante conhecido como “O Jogo da Coxa”, teve presença de todas as principais peças de cada equipe, até mesmo aquelas que não haviam aparecido no restante da série até aqui. Foi um jogo para não ser esquecido.

[Resumo da Rodada – 28/4] O jogo do dedo

A série até deveria ter sido mais divertida, mas o Dallas Mavericks, além de ser um time mais fraco que o Houston Rockets, acordou tarde demais. Gosto muito de Rick Carlisle, mas acho que dessa vez ele vacilou bastante. Esperou demais para mexer no time, para aceitar o fracasso de Rajon Rondo e só no meio do Jogo 3 que o Mavs passou a realmente fazer frente ao adversário. Lá tiveram um pouco de azar de ver James Harden acertar arremessos decisivos e aí, com 0-3 no placar não tinha muito o que fazer. Evitaram a varrida em casa e ontem até deram uma canseira, mas foi só pra ver Terrence Jones matá-los com uma falta-e-cesta, uma bola de 3 pontos e um roubo seguido de enterrada. Que cara é essa? Vocês não esperavam ver Terrence Jones decidindo uma série de Playoff? Ingênuos.

Resumo da Rodada – 22/4

Antes das lesões arruinarem o Portland Trail Blazers, antes de Kevin Durant ficar fora da temporada, antes do Dallas Mavericks derreter, o que esperávamos de todas as séries de primeira rodada no Oeste é o que estamos vendo entre San Antonio Spurs e Los Angeles Clippers. Mas já que os outros confrontos ficaram no plano das ideias, trataram logo de nos dar um clássico na segunda partida. Horas de batalha depois e tínhamos a única série em 1-1 em todos os Playoffs de 2015.

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