As primeiras trocas

A “trade deadline”, data limite para realizar trocas nessa temporada, se aproxima. No fim da tarde de quinta-feira, times não poderão mais realizar nenhuma troca até a temporada seguinte. A tendência é que a maioria das trocas aconteça na quinta-feira, já que todos os times querem garantir a melhor situação possível e supostamente conforme o horário limite for chegando, a ganância vai dando lugar ao desespero e times admitem trocas mesmo em situações fora do seu ideal almejado. É no estouro do cronômetro que as trocas realmente impactantes acontecem.

Nessa temporada com a tabela de classificação tão embolada, com tantos times querendo um ou outro jogador para melhorar ou consolidar suas chances de playoff e tão poucos times dispostos a abrir mão de bons jogadores e reconstruir, é perfeitamente possível que nenhuma grande troca se consolide. Mas as pequenas trocas sempre acabam rolando e dessa vez começaram com antecedência: dois dias antes já temos duas trocas interessantes para analisar.

James Harden é do Houston Rockets

A notícia pegou todo mundo de surpresa. O OKC Thunder, que tinha passado a offseason inteira como o time mais discreto da NBA, o que menos fez trocas ou contratações, mandou seu glorioso e barbudo James Harden para o Houston Rockets em troca de Kevin Martin e do bom novato Jeremy Lamb. O Rockets ainda enviou duas escolhas de 1ª rodada de Draft (a do Mavis e a do Raptors em 2013) e uma de 2ª rodada (a do Bobcats de 2013). O Thunder, além de Harden, abriram mão dos pouco utilizados Cole Aldrich, Daequan Cook e Lazar Hayward.

A notícia que saiu hoje é a de que o General Manager do Rockets, Daryl Morey, estava há meses enviando propostas e tentando convencer Sam Presti, GM do Thunder, a trocar James Harden. O problema é que Presti não queria ouvir, o objetivo era assinar um novo contrato com o barbudo e manter intacto o

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grupo que venceu o Oeste na última temporada. O problema, claro, era dinheiro. O jogador queria o contrato máximo que poderia receber de acordo com os anos de NBA que tem: 60 milhões de dólares por 4 temporadas. O Thunder ofereceu um máximo de 52 milhões pelas mesmas 4 temporadas.

Em teoria o impasse poderia ter se estendido por mais tempo, mas a NBA tem algumas regras estranhas. Jogadores que estão em seu contrato de novato, aquele assinado no Draft, só podem receber uma extensão de contrato até o dia que começa a última temporada desse acordo. Ou seja, o Thunder tinha até o dia 31 de Outubro para conseguir esse acordo com Harden, se isso não acontecesse ele viraria Free Agent Restrito ao fim da temporada. Nesse caso ele provavelmente conseguiria seu contrato máximo (seja via Rockets, Suns, Magic ou outro interessado) e o Thunder teria que, ou igualar a oferta e pagar mais do que queria, ou perdê-lo em troca de nada.

O Thunder segurou a troca até os últimos dias porque realmente não queria desfazer esse grupo. Sempre que o contrato novo de James Harden era levantado, Presti, Kevin Durant ou mesmo o técnico Scott Brooks diziam que não havia dúvida que o jogador continuaria no time por muitos anos. Mas não deu certo. O Thunder comprometeu seu teto salarial quando assinou nos últimos anos os novos contratos de Kevin Durant, Kendrick Perkins, Serge Ibaka e Russell Westbrook. Dar 60 milhões a Harden não daria a despesa só dos 8 milhões a mais do que os 52 oferecidos, contando as multas por ultrapassar o teto salarial o time poderia gastar o dobro e ainda ficar mais travado na hora de contratar novos jogadores.

Por outro lado, Harden, sabendo disso, não quis que de todos ele fosse o que tivesse que abrir mão de uma boa grana para continuar no time. Por um lado podemos pensar que tudo o que você faz com 60 milhões, você faz com 52, certo? Mas por outro, quem aqui já teve a chance de dizer “deixa quieto” para 8 milhões de doletas? Sem contar que além do salário menor, Harden estaria aceitando o papel de reserva que tinha no time. É compreensível que ele queira jogar em outro lugar, mesmo que isso signifique ficar muito mais longe de um título.

Atualização: O Vitor, do Two-Minute Warning, me mostrou um texto do Bill Simmons onde ele diz que o Thunder teve lucro (LUCRO) de 35 milhões de dólares na última temporada. Isso muda algumas coisas. O Thunder tem um elenco pronto nas mãos para o título, para que arriscar com essa troca se o time está dando resultado E lucro?! Paga as coisas a mais para o Harden, segura a barra no lucro e, porra, vença um título! Não é para isso que se tem um time de basquete? Se é para ter lucros, há investimentos melhores em outros setores.

Na teoria as mudanças não atrapalham o Thunder. Eles tem Kevin Martin em seu último ano de contrato, podem aproveitar o bom veterano por uma temporada e depois abrir mão dele para não gastar muita grana. Se ele topar ganhar pouco pela chance de título, melhor. Martin é bom complemento a Durant e Westbrook porque produz muito fazendo pouco. K-Mart sempre foi o queridinho dos viciados em estatísticas (presente!) porque faz muitos pontos mesmo arremessando poucas bolas. Bom aproveitamento de bolas valiosas (as de 3 pontos) e muitos lances-livres cavados são o segredo.

Em um time que tem Westbrook e Durant controlando o jogo, é bom ter alguém que possa brilhar sem entrar em conflito. sem exigir a bola o tempo todo. Mas tem um porém, pensando assim Martin é ideal para jogar ao mesmo tempo que Westbrook e Durant! Sozinho, como pontuador do time, ele tem que ser mais acionado, precisa forçar arremessos e deixa de ser tão eficiente como poderia. E o que Harden oferecia era justamente isso, uma chance do time continuar produtivo mesmo com as duas estrelas descansando. Em termos de produtividade, os dois podem ser parecidos, mas Harden tem características que o faziam um melhor 6º homem, ele sabia comandar os reservas. Sem contar que Kevin Martin não defende nada, mas é para isso que eles tem o Thabo Sefolosha, não?

Jeremy Lamb foi um dos meus jogadores favoritos na última Summer League. Pontua com facilidade, puxa contra-ataques e tem boas chances de, num futuro próximo, ser esse 6º homem que o Thunder quer para o lugar de Harden. E tudo isso ganhando aquela mixaria de contrato de novato. Mas como está em seu primeiro ano e não foi testado, não sei se vai produzir tudo o que pode logo de cara, e o Thunder precisa de gente com condições de encarar jogos difíceis de Playoff.

Para o Rockets, um alívio. Depois de passar a offseason inteira atrás de uma estrela, encontraram uma. Não é do nível de Dwight Howard, o sonho de consumo, mas é um cara com talento de sobra e vontade de falar “esse é o meu time”. O Rockets joga com velocidade, vários jogadores abertos e o sistema do técnico Kevin McHale é focado em pick-and-rolls altos, na linha dos 3 pontos, como era o OKC Thunder. James Harden não terá nenhuma dificuldade em se adaptar e deve fazer pontos a rodo desde o primeiro dia. É o franchise player que eles esperavam para sair do meio da tabela.

Vou ser sincero, a primeira coisa que eu pensei quando vi a troca foi “que sorte do Jeremy Lin!”. O armador tinha sido a principal contratação do Rockets para a temporada e tem muita gente esperando os números absurdos que ele fez no New York Knicks. Mas calma lá, né? O cara ainda só tem meia dúzia de jogos na NBA, está se adaptando e acaba de voltar de uma cirurgia no joelho. Mesmo que ele dê certo, e eu aposto que vai, será com dias ruins, turnovers e uma adaptação um pouco demorada. Ter Harden do seu lado tira muito dessa pressão. É o time do Harden, não o de Lin. Em um dia ruim de Lin, Harden coloca a bola embaixo e comanda o ataque.

O barbudo chama a atenção ofensivamente, além de Lin ele tirará pressão de outros no ataque e fará mais fácil a vida de Omer Asik, Chandler Parsons, Terrence Jones e por aí vai. Harden não vai lutar por título nesse ano, talvez nem jogue os Playoffs, mas experimentará a sensação nova de ser o dono do time.

Nenê na capital

JaVale McGee vai levar seus talentos (pular) para Denver

Como o pessoal do RealGM disse no Twitter ontem, “Nenê/Young/McGee ganhou o Troféu Perkins/Green de Troca Que Veio do Nada”. Não poderia concordar mais. Por mais que o Lakers abrir mão de Derek Fisher tenha chamado a atenção, todo mundo sabia que eles estavam prontos para mexer no elenco. Como sabíamos que Monta Ellis poderia ser trocado e

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que o Rockets estava doido para mudar qualquer coisa e que o Blazers iria fazer algo para sair da crise. Mas o Nenê? O McGee? Doideira. A troca foi a seguinte:

Denver recebe: JaVale McGee e Ronny Turiaf (Wizards)
Wizards recebe: Nenê (Nuggets), Brian Cook e Escolha de Draft (Clippers)
Clippers recebe: Nick Young (Wizards)

Comecemos pelo Denver Nuggets. Um termo resume o que aconteceu: Buyer’s remorse. Quem estuda economia, comportamento de consumidor ou qualquer coisa do tipo sabe o que é. Mesmo quem não estuda certamente já sentiu. O remorso do comprador é aquele sentimento de culpa e arrependimento logo depois de uma compra, geralmente de algo caro. Tipo comprar o carro dos sonhos e um dia depois pensar “putz, agora são 72 meses pagando essa merda, será que eu consigo revender logo?”. Ou comprar um eletrônico de 3 mil reais e logo depois já pensar “Mas eu precisava mesmo? Tenho tanta conta pra pagar”. Foi o que aconteceu com o Nuggets. Mesmo com o time todo desmontado depois da última temporada, sem saber se estava em reconstrução ou não, ofereceram 70 milhões de dólares por 5 anos para o

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Nenê. Pivôs são difíceis de encontrar, ele está com a gente faz tempo, superou um câncer com a gente, a torcida o ama. Por que não? Vamos fazer história juntos!

Mas aí passaram os meses e eles viram a realidade além dessa tal lealdade e história bonita. Nenê é um ótimo pivô, mas ele é tão raro assim? 70 milhões de dólares por um cara com média de 13.7 pontos e 7.4 rebotes? Sem contar as sempre constantes contusões. A gota d’água, na minha opinião, foi quando Nenê se machucou e em seu lugar entrou o novato Kenneth Faried. George Karl não é dos técnicos fanáticos por colocar novatos em quadra, mas Faried, aquela estranha mistura de Bob Marley e Kenyon Martin, chegou defendendo tão bem quanto Nenê (até melhor às vezes), mil vezes melhor no rebote e dando outra intensidade no ataque. Não com mais talento, técnica ou arremesso, mas se virando muito bem na vontade. No suspeito, mas indicativo +/-, o placar dos jogos enquanto certo jogador está na quadra, os números de Faried só não são melhores do que o de Danilo Gallinari. Ou seja, será que Nenê é tão essencial assim? Vale a pena ficar com ele por 5 anos e aguentar suas limitações e contusões por um valor tão alto?

O que dizem hoje é que já faz algum tempo que o Nuggets está explorando a chance de trocar o brazuca, tentaram trocar ele por DeMarcus Cousins durante a briga que o pivô teve com seu ex-técnico em Sacramento, mas sem sucesso. Conseguiram agora, para o Washington Wizards em troca de Ronny Turiaf (que deve ser dispensado) e JaVale McGee. O Nuggets, antes de tudo, economiza muito dinheiro. O contrato de McGee é pequeno e acaba logo ao fim dessa temporada, com o espaço aberto eles já estão negociando a volta de Wilson Chandler, que estava na China, por exemplo.

Já dentro da quadra é um risco. Depois de livrar o técnico George Karl de jogadores individualistas e problemáticos como Carmelo Anthony e JR Smith, parece castigo colocar ele para treinar McGee, mas tudo parece ser um grande experimento de um mês. Vão colocá-lo para jogar e ver se ele mostra mais do seu lado positivo do que o negativo agora que está longe daquele ambiente horrível de Washington. Se ele se mostrar apenas um grande bloqueador de arremessos, pode ganhar uma chance de ficar, o Nuggets não ligaria de colocar mais um especialista em tocos na sua história recente que tem Dikembe Mutombo, Marcus Camby e até Chris Andersen. Mas se não for tudo isso e pedir 14 milhões de dólares por ano, como ele disse que iria fazer quando virasse Free Agent, adeus. O Nuggets abriu mão da certeza cara que era Nenê para tentar achar algo mais barato e novo, seja McGee ou não.

Para o Nenê deve ter doído um bocado. Quando ele foi Free Agent poucos meses atrás, teve opção e propostas de ir para vários lugares. Poderia ter ido para o Houston Rockets, New Jersey Nets e até para o Miami Heat, onde ganharia bem menos dinheiro mas teria grandes chances de se tornar o primeiro brazuca a ser campeão da NBA. Mas ao invés disso aceitou a proposta lucrativa do Nuggets, os dois lados enalteceram a história do pivô na cidade, sua identificação com os fãs, com o fato de ter família lá e tudo mais. Lindo. Poucos meses depois o mandam para um dos piores times da liga. Depois perguntam porque o LeBron James saiu de Cleveland para o Heat? É isso, é melhor definir você mesmo para onde quer ir e onde quer resultados, os times não vão pensar duas vezes em te mandar para um buraco se o negócio for bom. Lá ele pode ajudar John Wall e o técnico Randy Wittmann a mudar a filosofia do time, que certamente tem talento no elenco, mas será que ele quer isso? Será que nesse ponto da carreira ele quer ser o líder veterano que se mata para levar um time para a primeira fase dos playoffs? Será que ele é capaz disso? O Wizards certamente acredita, porque encarar esse contrato monstruoso dele não é pra todo mundo. Perderam até uma boa parte do espaço salarial que iam abrir no fim ano que vem com a saída do Rashard Lewis. Já perceberam que ano que vem eles estarão gastando 43.8 milhões de dólares com o trio Rashard Lewis, Nenê e Andray Blatche? É pouco menos do que Knicks e Heat gastam em seus Big 3.

Mas para o Wizards, além da garantia de ter um pivô bom, é mais um passo para virar a página na história do time. De novo. Não faz muito tempo que eles se livraram de Caron Butler, Gilbert Arenas e Antawn Jamison para simbolizar uma nova fase na franquia. Mas essa fase trouxe gente como Nick Young, Andray Blatche e JaVale McGee, jogadores individualista, mimados e preocupados apenas com jogadas de efeito e estatísticas. Nessa troca duas das laranjas podres vão embora, sobrando Andray Blatche, muito caro e com contrato até 2015, certamente ninguém aceitou. O negócio é ver se ele aprende a jogar ou se a regra de anistia vai durar mais anos. Apesar de gastar horrores no Nenê, acho que eles estão felizes de ter um jogador de verdade no elenco e com a escolha de Draft que receberam.

Por fim, o Clippers. Eles já merecem um prêmio por trocar o Brian Cook, que é a única coisa inteligente a ser feita depois de ter feito a burrice de contratá-lo. Lembro de quando ri à toa por meses depois que o meu Lakers mandou Cook e Maurice Evans por Trevor Ariza! O Clippers não ganhou um jogador tão bom para o grupo como Ariza, mas faturou um cara que no talento bruto poderia ser titular em qualquer time da NBA. Nick Young pode explodir para uns 30 pontos a qualquer momento, mas nada garante que ele vai passar a bola nesse período ou que não vá arremessar step back de três pontos sobre a marcação tripla.

Desde a contusão do Chauncey Billups o Clippers está interessado em ter mais um jogador da posição 2 para ajudar do banco de reservas. Acho que Young pode ser esse cara, mas deverá ser observado de perto pelo técnico Vinny Del Negro e por Chris Paul. É bom que o armador já avise, “Quando receber a bola, chute, não invente nenhuma merda!”. É um experimento de pouco tempo, como McGee para o Nuggets, ao fim da temporada Young é Free Agent. Mas com um porém parecido ao de Mcgee: Young já disse que quer contratos que paguem uns 9 milhões por ano. Ele é retardado. Sério, um imbecil. Boa sorte para o Clippers com ele, mas certamente é melhor que o Brian Cook.

Captain Jack volta ao Spurs

Casais apaixonados sempre acabam voltando

 

Quando comentamos a ida de Andrew Bogut e Stephen Jackson para o Golden State Warriors, dissemos que o Captain Jackson é daqueles jogadores que fazem o que dá na telha. Se ele está afim, pode de ser um jogador exemplar que faz o que o técnico pede, defende jogadores da posição 1 até a 4, é preciso nas bolas de 3 pontos e até sabe distribuir o jogo. No Golden State Warriors, na sua primeira passagem, ele era “O” cara da defesa, é, o único autorizado por Don Nelson a fazer aquela coisa estranha chamada “atrapalhar o adversário”. Foi ele que defendeu Dirk Nowitzki magistralmente quando o Warriors eliminou o Mavs em 2007. Além disso era líder do time, dava discursos motivacionais e era amado pela torcida.

Mas quando o time começou a cair de produção ele também se encheu. Aí corre quando quer, marca quando quer, obedece só se ganhar algo em troca. No Charlotte Bobcats, mesma história. Enquanto se dava bem com Larry Brown e acreditava no time, era o líder e o cara responsável por organizar o jogo nas posses de bola finais. Depois virou “uncoachable”, nas palavras do próprio técnico.

Sabe o único time em que ele só teve bons momentos? No San Antonio Spurs, em que foi campeão da NBA em 2003. Não sei se porque ele respeita muito Tim Duncan e Gregg Popovich ou se simplesmente porque foi embora logo depois, mas em SA ele só mostrou seu lado bom e é pra lá que volta agora. O Warriors nem esperou o avião de Jackson chegar em Oakland e o enviou para o Spurs em troca de Richard Jefferson, do recém-aposentado TJ Ford e de uma escolha de 1ª rodada do Draft do ano que vem. Logo Manu Ginóbili já postou no Twitter a recepção ao velho amigo, ele será bem vindo. Lá ele pode repetir o que fazia quase 10 anos atrás: Ficar parado na linha dos três pontos para bolas de 3 precisas e marcar bons jogadores de perímetro do adversário. Eventualmente ele pode fazer mais, mas hoje o Spurs precisa dessa atitude-Bowen que ele pode muito bem oferecer.

A troca é boa para o Spurs porque Richard Jefferson, por mais que tenha se esforçado e melhorado, não era nem regular e nem bom defensor. Fazia o que podia, mas deixava a desejar. O salário de Jackson é alto (cerca de 10 milhões por ano), mas o de Jefferson também, e Jackson tem a vantagem de só ter mais um ano além desse, acabando junto com o de Ginóbili (hora de renovação depois disso?). O de RJ é um ano mais longo. Perder uma escolha de Draft é irrelevante para um time preocupado apenas em tentar ganhar um título enquanto Tim Duncan não é um senhor aposentado. Aposto nessa para ser aquela troca de último dia que pode fazer toda a diferença nos playoffs.

Para o Warriors quase tudo ótimo. Eles pegaram Jackson meio na obrigação, era o preço do Bucks para se conseguir Andrew Bogut, não era um desejo deles. Então mandar um garoto problema como ele por outro da mesma posição, mesmo salário, mas bem menos chato, é ótimo. Ainda ganharam uma escolha de 1º round (mesmo que lá do fim) que sempre pode ajudar. A troca só não é perfeita por um motivo: Depois dessa temporada e da próxima, Richard Jefferson tem um “player option“, ou seja, o jogador define se quer que seu contrato dure mais um ano. Esse ano extra tem o valor de 11 milhões de dólares, que provavelmente Jefferson não irá recusar. Jackson não tem essa cláusula e liberaria espaço salarial um ano antes. Preço alto demais para simplesmente uma escolha de Draft e se livrar de um bad boy? Vamos descobrir com o tempo.

As reconstruções do Blazers

Gerald Wallace é tão durão que derruba as pessoas com o poder da mente

Por 5 minutos, o Blazers foi o melhor time da NBA e deixou seus torcedores com água na boca. Foi no começo da temporada, quando o Blazers tinha 7 vitórias e apenas 2 derrotas, líder do Oeste, e isso vencendo equipes como Clippers, Nuggets, Sixers, Thunder e Lakers. O elenco parecia profundo, cheio de opções ofensivas, defendia forte, jogava em velocidade e com mais vontade do que qualquer outra equipe da liga. O símbolo do começo arrasador do Blazers era Gerald Wallace, o homem que se joga em cima de trilhos se com isso tiver uma pequena chance de cavar uma falta de ataque do trem. Wallace jogou improvisado de ala de força boa parte da sua carreira no Bobcats e nunca afinou, trombando com jogadores bem maiores, se jogando atrás de bolas, conseguindo tocos e roubos ao não fugir do contato. Pagou o preço por isso com o seu corpo, aturou um sem número de lesões, mas esse tipo de intensidade rapidamente se tornou o coração do Trail Blazers. Nas primeiras semanas não se falava de outra coisa na NBA que não fosse as chances do Blazers de ganhar um título porque todo mundo no time tinha enfiado o dedo na tomada.

Aos poucos o time foi diminuindo o ritmo, mostrando sinais de cansaço, e começou a perder jogos no finalzinho – em parte porque não tinha fôlego, em parte porque desde que Brandon Roy se aposentou não há ninguém no time que seja especialista em fechar jogos. Pra se ter uma ideia, das 23 derrotas que o Blazers tem na temporada, 12 delas são por 5 pontos ou menos. É o time que mais perde jogos apertados na NBA. Conforme as derrotas foram surgindo, ainda que fossem por pouquinho, o time foi afundando. Os arremessadores são inconsistentes, não há nenhum especialista na função e o único grande arremessador de média distância é justamente LaMarcus Aldridge, que deveria jogar embaixo da cesta desde que o “projeto Greg Oden” virou farofa junto com os joelhos do pivô. Mas o maior problema da equipe é, disparado, Raymond Felton. Apesar de um pouco fora de forma e da dificuldade com a correria, o armador começou a temporada muito bem e foi fundamental para que alcançassem o primeiro lugar no Oeste. Mas desde então ele pisou num buraco do qual não consegue mais sair: todos os adversários, sem exceção, pagam pra ver ele arremessando, e ele não acerta nem que sua vida dependa disso. Tem espaço pra arremessar mas não converte, acaba insistindo e tira o resto do elenco do jogo. O time não tem gente com controle de bola o suficiente para chamar as jogadas, e os jogadores, com exceção do Nicholas Batum, possuem muita dificuldade em criar o próprio arremesso, então cabe ao Felton ter a bola nas mãos e criar espaços. Mas ele acaba apenas arremessando ou então andando em círculos, sem conseguir entrar no garrafão, e aí tendo que acionar alguém para um arremesso estúpido ou dando um arremesso estúpido ele próprio. É um desastre. Se os arremessadores do Blazers já não são especialistas, sem que haja espaço para arremessar passa a ser impossível converter qualquer coisa. Quer defender o Blazers? Basta fechar o garrafão e ver o ataque da equipe de Portland se desfazer sozinho. Quando os pontos de contra-ataque deixaram de vir e os adversários pegaram as manhas, o Blazers desintegrou e o Ray Felton se tornou um dos piores armadores da NBA.

O problema é que o começo fantástico da equipe impediu que o técnico Nate McMillan mudasse o estilo de jogo ou a rotação da equipe. Insistiu o quanto conseguiu nos mesmos erros, achando que eventualmente o time iria entrar em forma e recuperar o fôlego das primeiras semanas. A maior insistência foi justamente no Felton: quanto mais ele fazia merdas, mais perdia a bola e mais arremessos livres errava, mais minutos o McMillan dava para que ele pudesse se redimir, sair desse buraco, conquistar de novo seu espaço. O novato Nolan Smith, que foi tão bem em Duke e é um baita arremessador, nunca teve chances. Jogou no máximo 15 minutos num jogo, mas a média ficou na metade disso. Levou um século para o Jamal Crawford pegar a vaga de titular, melhorou a questão do time com arremessos por ter longo alcance e criar seus próprios pontos, mas ele não tem muita visão de jogo para acionar os companheiros como a equipe precisa. O buraco começou a parecer intransponível após a derrota por 20 pontos para o Pacers, em que ninguém no Blazers conseguiu produzir coisa alguma em quadra. Era um time apático, cansado, incapaz de se importar com o que quer que fosse. Não dava pra ficar pior. Aí foram e perderam por 42 pontos para o Knicks. Quarenta. E. Dois. Se havia qualquer esperança de retomar aquele começo de 7 vitórias e 2 derrotas, perder de tanto jogou essa esperança na latrina.

A coisa óbvia a se fazer era trocar o Ray Felton, e parte da insistência do Nate McMillan em lhe dar minutos pode ter sido preocupação em aumentar o valor do Felton para trocas. Mas quanto mais minutos teve, mais seu valor despencou – é o equivalente a tentar convencer alguém a comprar a Mara Maravilha mostrando a Playboy dela. O resultado final foi que time algum aceitou recebê-lo, e aí o Blazers se viu obrigado a conseguir um armador mais-ou-menos em troca de uma peça de garrafão: o meu Houston mandou o armador Jonny Flynn, o pivô Hasheem Thabeet e uma escolha de segunda rodada em troca de Marcus Camby.

Flynn e Thabeet foram jogadores que saíram barato para o Houston na época, e que agoram se transformar no homem de garrafão que o Rockets tanto queria. Desde que chegou à equipe, o técnico Kevin McHale quer um garrafão forte e bons defensores, tentou trocar Kevin Martin e Luis Scola por não defenderem nem ponto de vista, e tem horror ao Jordan Hill e sua incapacidade de obedecer ordens (jeito simpático de dizer que ele não é muito esperto). A filosofia de McHale é defensiva, jogo embaixo do aro, contra-ataque, e era necessário um homem de garrafão para cuidar disso. Na offseason tentaram Nenê (que preferiu ficar em Denver e, vejam só, se lascou, mas isso é pra outro post), Marc Gasol (que o Grizzlies segurou igualando a oferta), Pau Gasol (na famosa troca que o David Stern vetou) e por fim tiveram que se contentar com o Dalembert, que por vezes é dominante, mas compromete tanto com seu arremesso e com suas saídas malucas atrás de tocos que às vezes acaba ficando de castigo no banco. Camby é o sonho do McHale e um avanço enorme para que o Houston abrace de vez sua filosofia. Se não der certo, ou seus joelhos virarem farofa de novo, o contrato é expirante.

Para o Blazers, Flynn já é melhor do que nada. É um arremessador pontuador, pouco inteligente mas bastante agressivo, e com arremesso confiável. Na impossibilidade de trocar o Felton, Flynn ao menos permite que o Felton venha do banco ou jogue como segundo armador. Já Thabeet só é bom no videogame, foi uma aposta barata do Houston que até a mãe dele sabia que não daria certo, o cara é gigante só que mais cru do que sushi.

As duas equipes envolvidas na troca não pararam por aí. O Houston ainda mandou o Jordan Hill em troca de Derek Fisher e a escolha de draft que era do Mavs (o Denis analisou a troca em outro post, falando do Lakers), o que na prática significa que o McHale está se livrando de todo mundo que ele não gosta, trocando por defensores e muito me surpreende que Kevin Martin ainda esteja na equipe (talvez ninguém tenha se interessado em trocar por ele?). O Blazers, por sua vez, continuou apertando o botão do apocalipse e se livrou do “coração da equipe” que vinha tendo um ataque cardíaco, Gerald Wallace. O Nets mandou por ele o contrato expirante do Mehmet Okur, o Shawne Williams como sobremesa, e uma escolha de primeira rodada do ano que vem protegida se estiver entre as 3 primeiras.

Pro Blazers, a intenção é bem clara. Depois de um processo de reconstrução fantástico que criou rapidamente uma equipe capaz de brigar pelo topo do Oeste com Brandon Roy e Greg Oden, os dois passaram a morar no departamento médico e os engravatados da equipe apenas se preocuparam em arrumar substitutos aos dois, não querendo jogar fora essa chance que surgiu de brigar por títulos. Mas agora a realidade bateu e perceberam que é preciso mudar o foco e voltar a ter paciência. Se esse time for voltar a brigar por títulos será apostando em LaMarcus Aldridge e Nicholas Batum, e para isso será necessário esperar um pouco, ter paciência com a pirralhada outra vez, se livrar dos veteranos que vão morrer de velhice esperando o título chegar, essas coisas. O Blazers teve saco de encarar uma reconstrução muito bem feita, e agora terá que fazer algo parecido – ao menos dessa vez não terão que começar do zero. Para coroar o processo, mandaram Greg Oden embora, pagando o restante do seu salário, e demitiram o técnico Nate McMillan. É um novo começo para o Blazers.

Por isso é tão importante a escolha de draft do Nets. No momento a equipe de New Jersey nem está tão ruim assim, e é bem possível que na loteria acabe pegando a escolha número 4 ou 5, por exemplo. Se for o caso, a escolha vai imeditamente para o Blazers e acelera em muito a reconstrução. Foi uma troca esperta, que o Nets só topou porque está desesperado. O contrato do Deron Williams acaba no máximo ao fim da próxima temporada e o Nets precisa convencê-lo a ficar depois de ter trocado meio time por ele. O plano era trocar pelo Dwight Howard ou contratá-lo ano que vem, mas o pivô ficou com medo de dar uma de LeBron James e resolveu ficar mais uma temporada no Magic (falaremos disso em outro post em breve). Com isso, o Nets não sabe mais o que fazer. Acabou mandando tudo que conquistou com o processo de reconstrução até agora (o contrato expirante do Okur e a escolha de draft que teria) em troca de qualquer coisa que possa melhorar o time agora e dar uma animada no Deron. Foi presente de marido desesperado que acha que vai perder a esposa, mas não tem cara de que vai funcionar. Só que se tudo der errado, em duas temporadas o Nets praticamente não terá mais contratos e poderá começar tudo do zero – tendo que convencer, de novo, alguém a jogar por lá. Precisa ter umas aulas com o Blazers, que já virou craque em reconstruções, pena que elas sempre precisam começar de novo.

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