Phoenix Suns vai ao ataque

Phoenix Suns vai ao ataque

O Phoenix Suns foi um dos times que mais se mexeram em toda a Offseason, mas por mais coisas que tenham adicionado, esse vai ser o ano marcado pelo que perderam: Steve Nash. Mas será que a perda do melhor jogador da franquia nos últimos 10 anos foi realmente algo ruim? Acho que não e vou tentar explicar o motivo.

O motivo mais óbvio é que Steve Nash não estava levando eles a lugar nenhum. Não poque ele seja ruim, longe disso, no ano passado ele teve ótimas médias de 12.5 pontos, 10.7 assistências (aos 37 anos!) e ainda manteve outros ótimos números como os 39% de aproveitamento de 3 pontos e 52% de arremessos em geral. Mas o time simplesmente não era bom o bastante para ir longe mesmo com um grande armador. E fazer o que nesse caso? Das duas uma: ou o Suns conseguia juntar um monte de grandes nomes para dar uma última tentativa para Nash, ou o trocaria para que Nash gastasse seus últimos anos em um time decente enquanto o Suns iria para a reconstrução.

O General Manager do Suns, Lance Banks, foi para a vitória e tentou a primeira alternativa. Logo no dia 4 de Julho, no começo das negociações de jogadores, assinou gordo contrato com o Free Agent Eric Gordon, pontuador espetacular que poderia colocar o Suns de novo na briga dos Playoffs. Mas o problema é que Gordon, por mais que tenha demonstrado interesse em ir para Phoenix, era um Free Agent Restrito e o Hornets logo avisou que não importando o valor oferecido, iria igualar a oferta. No dia seguinte então o Suns já foi para a segunda opção, mandou Steve Nash para o LA Lakers em troca de 4 escolhas de Draft e uma “trade exception”, um vale-troca que o Lakers havia recebido quando mandaram Lamar Odom para o Dallas Mavericks.

A partir dessa troca, sem Nash e sem Gordon, o time tinha que se reconstruir. Para substituir Nash eles foram buscar no Houston Rockets o armador esloveno Goran Dragic, que já havia brilhado no próprio Suns há alguns anos. Pensando historicamente essa contratação foi idiota: Eles tinham Dragic lá com ele há 2 anos, o trocaram (junto com uma escolha de 1ª rodada!) por Aaron Brooks e aí logo depois perderam Brooks e tiveram que desembolsar 30 milhões por 4 anos para ter Dragic de volta. Ele foi um dos melhores armadores de toda a NBA na segunda metade da última temporada, principalmente no ataque, onde tem ótimo aproveitamento quando tem liberdade com a bola na mão e um sistema tático onde pode atacar a cesta constantemente. Deve ter isso no Suns e ser um dos principais nomes da equipe na próxima temporada.

Mas não foi só Steve Nash que foi embora, outros caras que estavam no Suns há algum tempo deram o fora. Grant Hill foi arriscar seu pobre tornozelo na maldição do Los Angeles Clippers, Michael Redd ainda está sem time e a dupla de reservas Robin Lopez e Hakim Warrick foram enviados para o New Orleans Hornets em uma troca de 3 times que mandou Wes Johnson, Jerome Dyson e mais 2 escolhas de Draft para o Suns. Estocar escolhas de Draft tem sido o plano do GM Lance Banks para reconstruir o Suns e é uma grande ideia. Não só existe a chance de achar bons novatos a cada ano, mas também funciona como atraentes iscas em possíveis negociações futuras. Qualquer outro time em busca de um recomeço pode querer mandar bons jogadores para Phoenix em troca de algumas dessas dúzias de escolhas de Draft que o Suns acumula.

Mas dessa troca quem terá impacto imediato é Wes Johnson. Ele deve ser o shooting guard (posição 2) do Suns na próxima temporada, dividindo minutos com Shannon Brown, que teve contrato renovado. Ambos são fisicamente impressionantes, saltam absurdo e se destacam por usar esse porte físico na defesa, mas precisam oferecer mais. Se Shannon Brown já não promete grandes mudanças em seu estilo de jogo, Wes Johnson ainda é bem jovem e dá esperança de que cedo ou tarde pode estourar. Ele fez uma boa Summer League ainda pelo Wolves, mas muitos realmente questionam o quanto Johnson pode ser referência ofensiva na NBA. De qualquer forma ele terá minutos para mostrar serviço e será um jogador interessante de acompanhar de perto.

 

Outro ex-Wolves irá ser companheiro de Johnson em Phoenix, é o ala Michael Beasley. O melhor maconheiro canhoto com cabelos esquisitos da NBA terá no Suns o que ele sempre sonhou: A chance de ser titular, de poder arremessar bastante e de ser o cestinha do seu time. Quando ele chegou no Wolves essa função deu certo com ele, mas assim que o time começou a se acertar, que ele virou reserva

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por questões defensivas e teve que dividir funções que Kevin Love e Derrick Williams a coisa logo complicou. Agora no Suns boa parte do ataque irá passar por ele e devemos ver o ala sorrindo o tempo todo. Só não espere os sorrisos vindo dos torcedores do Suns, ele irá fazer seus 20 pontos por jogo forçando arremessos dos mais idiotas que você pode imaginar.

Um achado fechou o verão do Suns. Todo mundo foi pego de surpresa quando o Houston Rockets anistiou Luis Scola, aquele monstro que matou o Brasil pela milésima fez em Londres. O Suns, como um dos times abaixo do Salary Cap que poderia entrar no leilão pelo argentino, aproveitou a chance e vai pagar a mixaria de 4 milhões de dólares por ano para ter um baita jogador por 3 temporadas. Com Scola e Beasley atuando juntos o Suns mantém uma tradição recente de ter ótimos jogadores de ataque que não irão gastar uma gota de suor para evitar cestas de outros times. Para tentar compensar a falta defensiva, o Suns contratou o veteraníssimo Jermaine O’Neal, pivô em sua 17ª temporada na NBA. Mas acho que essa não foi uma contratação pensando no basquete, só mais um desafio para a melhor equipe médica da NBA. Eles já curaram Grant Hill e Michael Redd, se Jermaine O’Neal ficar saudável lá aí é a prova que a cura do câncer será encontrada em Phoenix.

Com um grupo de Goran Dragic, Wes Johnson, Michael Beasley, Luis Scola e Marcin Gortat o Suns deve ser um dos times mais divertidos da próxima temporada. São jogadores empolgantes, que gostam de atuar em velocidade e que vão ter alguns jogos de 120 pontos para entreter nosso fim de noite. Tá bom que é bem possível que sofram 130, mas vai valer pelos pick-and-rolls entre Dragic e Scola ou Dragic e Gortat. Em outras palavras: O Suns é o novo Warriors e adeus Playoffs!

Mas se o futuro próximo é esse, o Suns mantém a porta aberta para melhorar ainda mais nos próximos anos. E é essa perspectiva que faz com que essa offseason, mesmo com a saída de Steve Nash, seja um sucesso. Com o atual time, o Suns deve ficar 7 milhões abaixo do teto salarial na próxima temporada, facilitando negociações dentro da temporada, onde poderiam absorver contratos grandes sem maiores problemas. Caso isso não aconteça, entrarão na offseason do ano que vem com 15 milhões disponíveis para oferecer para Free Agents. E temos que admitir que um time bem montadinho como esse, que tem tudo para explodir ofensivamente, será um grande atrativo para jogadores que queiram trocar de time.

O fim da reconstrução do Wolves

Uma pequena pausa no espírito olímpico. Afinal ainda somos um blog de NBA e esses dias de basquete feminino são uma boa folga

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para assistir o que realmente interessa: Esgrima, saltos ornamentais sincronizados e um bom e velho hóquei na grama. Também uma pausa para falar sobre o Minnesota Timberwolves e seu eternamente criticado General Manager, David Kahn.

A mente por trás do elenco do Wolves é um dos caras mais criticados de toda a liga. Não sem razão: Deu contrato para Brian Cardinal, escolheu 4 armadores no mesmo Draft (2009) e conseguiu trocar o único que teve impacto naquele ano (Ty Lawson), além de fazer a torcida broxar com a espera de 2 anos por Ricky Rubio. Escolheu Wes Johnson antes de DeMarcus Cousins no Draft seguinte, trocou Al Jefferson por farinha de rosca e um pote de ervilhas e, claro, pegou o suspeito Derrick Williams com a 2ª escolha do Draft do ano passado. O mesmo onde escolheu o promissor Donatas Motejunas e o trocou pelo aposentado Brad Miller.

Mas também é cruel lembrar só das coisas ruins. Apesar da demora, Ricky

Rubio é um sucesso, trouxe o bom JJ Barea, mandou embora muitos contratos que encontrou quando chegou (Randy Foye, Mike Miller), conseguiu Michael Beasley a preço de banana e achou Nikola Pekovic na Europa e o trouxe com sucesso para a NBA. Entre erros e acertos ele montou um dos times mais empolgantes da NBA na última temporada. Um que chegou a frequentar a zona de Playoff até a contusão de Rubio. Agora era a hora de dar os passos definitivos para colocar o Wolves na briga pelo Oeste e Kahn, como de costume, não parou quieto.

Não dá pra acertar sempre

A primeira coisa feita foi trocar a escolha 18 do Draft 2012 (que virou Terrence Jones) pelo ala Chase Budinger do Houston Rockets. O branquelo que foi muito bem no campeonato de enterradas do ano passado fez bonito também nos jogos de verdade: 10 pontos por jogo, 4 rebotes de média e 40% de aproveitamento em bolas de 3 pontos. Pensando no time do Wolves ele se encaixa perfeitamente, pode ser mais um dos vários arremessadores do time mas também sabe cortar em direção à cesta para ir para a enterrada em passes do Rubio. É exatamente o que Wes Johnson fazia nos seus poucos jogos bons na última temporada.

Por falar em Wes Johnson, ele faz parte das mudanças, foi trocado para o Phoenix Suns. Depois de uma promissora Summer League em Las Vegas o ala foi mandado para o time do Arizona em troca de duas escolhas de 2ª rodada. Parece loucura, não? O cara foi a 4ª escolha no Draft de 2010 e em 2012 está sendo trocado por escolhas ridículas. Mas embora seja uma atitude contestável, tem uma explicação. O Wolves precisava se livrar de alguns contratos para abrir espaço na folha salarial para então poder oferecer um contrato para seu real alvo, o russo Andrei Kirilenko. A saída foi dispensar Martell Webster (o cara que não sabe contar) e trocar Wes Johnson e Brad Miller em troca dessas escolhas de Draft. Deu certo e eles assinaram o AK-47 por um contrato de 18 milhões de dólares por 2 anos.

Claro que Wes Johnson poderia estourar nessa temporada, era uma jovem promessa, mas poderia não dar em nada também. O mais provável é que ele melhorasse, mas será que o bastante para realmente fazer alguma diferença? Há alguns anos eu diria que era hora

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de esperar o cara amadurecer, mas o time vive outra fase agora, já basta de reformulação pós-Kevin Garnett, é hora de brigar por alguma coisa. Triste ter que se livrar de mais uma escolha Top 10 a troco de nada, foi assim com Jonny Flynn também, mas se você pensar que o trocaram por Kirilenko tudo faz mais sentido. É hora de declarar o fim da reconstrução, mostrar que agora o Wolves é um time forte como outro qualquer no Oeste.

O ala russo, que já estreou mandando 35 pontos nos Jogos Olímpicos, pode ser o cara que vai levar o Wolves para outro nível. Nos seus bons tempos de Utah Jazz Kirilenko era aquele cara que quando estava bem fazia o time parecer o melhor da NBA. Ele não é só bom passador como tem cabeça de armador, tem timing de passe, sabe ler a defesa, organizar o time. São características também de Ricky Rubio, Luke Ridnour e até Kevin Love. Imagine os 4 em quadra ao mesmo tempo quando tiverem entrosamento! O esquema tático do técnico Rick Adelman usa bastante os alas e pivôs como peças ativas na criação das jogadas e dá bastante espaço para o improviso e criatividade, coisa que Kirilenko tem de sobra. Isso sem contar na defesa, onde é bom na parte das estatísticas, roubos e tocos, e também no que não é medido, como coberturas e marcação mano a mano. No Jazz ele tinha jogos inteiros onde parecia dormindo, apagado, mas é um dos atletas mais talentosos do mundo. Vale a pena o investimento (e vale ver o vídeo abaixo com jogadas do Kirilenko pelo Jazz)

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=MwI06YzO-j8[/youtube]

O próprio Kirilenko disse que está gostando do time que o Wolves está construindo, é “muito europeu” na opinião do ala, com estilo de jogo coletivo e baseado nos passes. Kirilenko estava se referindo também aos outros europeus do elenco, o pivô Nikola Pekovic, que ganhou a vaga do dispensado Darko Milicic como pivô titular na última temporada, e de seu compatriota Alexey Shved, que também está disputando a Olimpíada em Londres. No primeiro jogo do torneio Shved mandou 16 pontos e 13 assistências! Ele joga como shooting guard, a posição 2, mas também sabe improvisar como armador principal e eventualmente só se posicionar como arremessador. Jogador completo e que também se encaixa no sistema de jogo: 3 dos 6 quintetos mais usados pelo Wolves na última temporada tinham 2 jogadores com características de armador principal atuando ao mesmo tempo e dividindo funções. Shved não deve ter problemas com esse papel no time.

Outro que sabe bem como atuar nas posições 1 e 2 é Brandon Roy. Lembram que ele se aposentou e tal? Durou pouco, é agora uma das apostas do Wolves para a próxima temporada. Conhecemos Roy, mas não conhecemos seu estado físico e de seus joelhos, que o forçaram a tomar a decisão de encerrar a carreira antes da última temporada. Se voltar fazendo metade do que fazia no Blazers será um dos melhores reservas da NBA. Na pior das hipóteses será um bom líder nos vestiários. Comentamos mais sobre a contratação do Roy nesse post.

Mas nem tudo foram aquisições. O Wolves também deixou Michael Beasley, que era Free Agent, ir embora, ele vai ser companheiro de Wes Johnson de novo, dessa vez no Phoenix Suns. Nunca é bom perder um bom jogador por nada, mas Beasley era um caso complicado. Defendia mal, jogava às vezes sem vontade e queria arremessar demais, deixava o jogo muito individualizado. Foi bom como 6º homem em muitos jogos, mas seu ego era grande demais para aceitar essa função por muito tempo. Sem dúvida fará alguma falta, mas nada que uma boa temporada de Derrick Williams não possa resolver. Será que uma 2ª escolha de Draft decepcionante pode fazer o Wolves esquecer de outra 2ª escolha decepcionante?

 

A verdade é que embora a contratação de Andrei Kirilenko tenha sido fantástica, não foi a primeira opção do Wolves. O europeu que eles miraram na verdade era o francês Nicolas Batum. O ala era Free Agent restrito do Portland Trail Blazers, que disse que ia igualar qualquer oferta feita por qualquer equipe. O Wolves, sabendo disso, tentou de tudo para fazer um sign-and-trade com o Blazers, oferecendo até Derrick Williams para que eles não igualassem a oferta de 45 milhões por 5 anos que eles fizeram a Batum. Não deu certo. Mesmo com Batum afirmando com todas as letras que queria ir para o Wolves “porque sou a peça que falta para eles”, o Blazers manteve a palavra e seu jogador. Nicolas Batum seria o defensor de perímetro que o Wolves sonhava, levando também bolas de 3 e tudo isso sem perder a juventude do elenco. Andrei Kirilenko não é jovem e nem tão bom arremessador, mas vai fazer o Wolves superar a decepção de não ter conseguido Batum.

No fim das contas, depois de tantas mudanças, o que ficou fraco no elenco do Wolves era o seu garrafão. Afinal a magra rotação de Kevin Love, Nikola Pekovic e Darko Milicic tinha perdido essa última peça, dispensado. Anthony Randolph, outro ala de força, saiu como Free Agent e até o improvisado Anthony Tolliver ainda não teve seu contrato renovado. Para corrigir isso o time mandou o bom arremessador Wayne Ellington para o Memphis Grizzlies em troca de Dante Cunningham. Em 3 temporadas pelo Wolves, Ellington só piorou em seu aproveitamento de 3 pontos, sua especialidade, mas era um dos que ajudavam o time a deixar a quadra sempre aberta. Pelo menos Cunningham é bom jogador e irá ajudar a descansar Kevin Love por alguns minutos toda partida.

Como reserva para Pekovic o Wolves caçou Greg Stiemsma, que no ano passado fez boa temporada como banco do Boston Celtics. Guardadas as devidas proporções, é um caso meio Jeremy Lin e Houston Rockets: assim como o time de Houston fez com o fenômeno pop da NBA, o Wolves tinha Stiemsma no elenco algum tempo atrás, mas o dispensou na hora de fechar o elenco. Vendo o sucesso do cara em outro time, trouxeram ele de volta. Steimsma foi novato na última temporada, mas já tem 26 anos e não vai evoluir muito, ele é o que vimos na temporada passada, um cara grosseiro mas que sabe se impôr na defesa e conseguir seus tocos.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=9Oi0aKZoOkM[/youtube]

Foi mais uma offseason estranha do Wolves, muitas trocas e dispensas de jogadores relativamente bons em um time que estava dando certo, mas gosto das decisões polêmicas de David Kahn. O fracasso da contratação de Nicolas Batum esconde um aspecto que é muito importante que foi pouco comentado. Há alguns anos Kahn disse que seu principal objetivo era fazer o Wolves um time relevante, bom de se jogar e interessante o bastante para fazer bons jogadores quererem ir para lá. Batum, que poderia ficar no Blazers e jogar ao lado de LaMarcus Aldridge disse por vontade própria que queria ir para o Wolves. Isso sem contar que Andrei Kirilenko escolheu o Wolves, e não o Nets do dono também russo Mikhail Prokhorov, para sua volta à NBA. Por mais erros que tenha cometido no meio do caminho, especialmente em Drafts, o objetivo principal foi alcançado. Hoje o elenco é bom, deve brigar por Playoffs, é uma equipe que todos tem gosto de assistir e onde os Free Agents consideram na hora de decidir onde jogar. Preparem seu League Pass, em novembro tem Wolves com Kirilenko em quadra.

Destaques da Summer League de Las Vegas

Vocês sabem que não é sempre que Summer Leagues rendem boas histórias, atuações marcantes ou, enfim, qualquer coisa digna de relatos. Mas não foi o caso da liga de Las Vegas que acabou nesse domingo: 24 times participantes, uma renca de novatos e alguns veteranos querendo provar que tem jogo pra NBA, muitos jogos bons e jogadas de efeito. Com tempo para essa liga de verão, training camp e um calendário mais espaçado é de se esperar que esses garotos irão brilhar mais do que a turma de Kyrie Irving na última temporada. Abaixo os 10 pontos de destaque do torneio:

 

Damian Lillard é descolado demais para rir durante um simples Draft da NBA

 

10 – As decepções

Já vamos começar falando de coisas ruins pra tirar isso logo da frente. Já que na liga de Orlando tive que abaixar a cabeça e admitir que o Miles Plumlee, pivô do Pacers, poderia ser bem melhor do que eu previa, vou ter o gostinho de dizer “eu avisei” para o Dion Waiters. A 4ª escolha do Cleveland Cavaliers no Draft teve alguns bons momentos quando atacou a cesta, mas foi mal quando tentou fazer o que fará regularmente no time: jogar sem a bola na mão, arremessar de média e longa distância, ver um outro jogador armar a equipe. Se Waiters não aprender a jogar sem ser no mano a mano, sem centralizar o jogo, não vejo ele atuando bem ao lado de Kyrie Irving. Se isso acontecer ele virá um 6º homem secundário em um time que precisa de muito mais que isso.

Outro que broxou muita gente foi o armador Marquis Teague do Chicago Bulls. É provável que Derrick Rose não volte a atuar até Março do ano que vem, é quase uma temporada inteira para que Teague tenha papel importante no time. Mas se repetir o que fez em Las Vegas só vai esquentar banco de Kirk Hinrich. Foi mal no ataque (10 pontos por jogo) com baixo aproveitamento de arremessos e também não soube organizar o time, foi discreto e burocrático demais. E nem dá pra condenar o resto do elenco, já que o ala Jimmy Butler (21 pontos, 7 rebotes de média), jogador que entra no seu 2º ano de NBA, e o não-draftado Malcom Thomas (11.4 pontos, 12.5 rebotes de média, 4 double-doubles em 5 jogos) foram eleitos alguns dos melhores jogadores do campeonato.

Alguns outros jogadores não foram tão mal, mas esperava-se mais. Luke Babbitt, ala do Blazers, precisa finalmente se firmar na NBA ou cair fora. Começar a temporada com média de 13 pontos e menos de 40% de aproveitamento dos arremessos não foi bom para quem era o mais experiente da equipe. O mesmo vale para Derrick Williams, 2ª escolha do Draft 2011. O ala do Wolves foi OK com 15 pontos por jogo, mas esperava-se mais agressividade, performances para mostrar que pode ser titular do time na próxima temporada: Sem Rubio ou Love, que obviamente não disputam essa Summer League, o time era dele. Outro que tinha na Summer League uma chance para mostrar a que veio era Jimmer Fredette, mas não rolou. Baixíssimo aproveitamento de arremessos e muita dificuldade para se adaptar à posição de armador, com a chegada de Aaron Brooks no Sacramento Kings, Jimmer Fever está destinado a mais um ano esquentando banco.

 

9- O bom Draft (do ano passado) do San Antonio Spurs

O pessoal do San Antonio Spurs disse que o objetivo dessa Summer League para o ala Kawhi Leonard era envolvê-lo mais no ataque do time. No ano passado ele era o novo Bruce Bowen da franquia, defendendo o melhor jogador adversário e no ataque só ficar na zona morta esperando um eventual arremesso. Mas o time espera mais dele e o próprio disse que queria mais para seu futuro, com tempo para treinar, sem aquela pressa de locaute, essa era a hora. No primeiro jogo de Leonard na Summer League ele fez 23 pontos, depois marcou 27 e não jogou mais. Não precisava. Atacou a cesta, cobrou 19 lances-livres em 2 jogos e deixou claro que se precisarem dele no ataque, tem recursos para contribuir. Podem esperar um novo Leonard na próxima temporada.

Não custa também citar o bom torneio do companheiro de Leonard no Spurs, o armador Cory Joseph, escolhido no Draft de 2011 junto com Leonard. Fez 17 pontos por jogo, deu 5 assistências e roubou quase 2 bolas por partida. Foi eleito para a Seleção da Summer League!  Ao contrário de Leonard, Joseph não é titular, longe disso, é reserva de Tony Parker. Mas Gregg Popovich cada vez mais gosta de usar rotação com muitos jogadores, com um ano de experiência nas costas poderemos ver mais do bom armador jogando a temporada regular.

 

8- Foi pouco, mas foi bom

Uma das melhores estreias no começo do torneio foi do ala Michael Kidd-Gilchrist pelo Charlotte Bobcats. Foram 18 pontos, 8 rebotes, 5 assistências e 4 roubos de bola em apenas 22 minutos em quadra. Um monstro! Mas logo depois disso Gilchrist sentiu uma contusão e acabou sendo poupado nas outras partidas de seu Bobcats. Não vamos ser tontos de julgar um cara por 22 minutos de Summer League, mas é fato que para uma amostragem tão pequena o cara fez muita coisa.

Vale também citar o ala Chandler Parsons do Houston Rockets. Titular na última temporada, um dos melhores novatos do ano, só fez uma partida na Summer League, mas meteu 16 pontos, 5 rebotes e 4 assistências em 26 minutos de partida. É bizarro demais dizer isso, mas Parsons, com uma mísera temporada completa de NBA, pode ser um dos jogadores mais experientes do Houston Rockets na próxima temporada!!! Sem zoeira. Deixou a Summer League para os pirralhos.

 

7- O Big 3 de pobre em Milwaukee

Tem time que tem Durant-Westbrook-Harden, outros tem Kobe-Gasol-Bynum, uns por aí se arriscam com LeBron-Wade-Bosh. Mas o Bucks foi para a Summer League exibir seu trio de Tobias Harris, John Henson e Doron Lamb. Tremeu só de ler os nomes, não? Os 3 lideraram o Bucks a 4 vitórias em 5 jogos e foram bem em todas as partidas.

O ala Tobias Harris saiu com média de 20.8 pontos por jogo mesmo fedendo da linha dos 3 pontos. Forçou às vezes até demais os chutes de fora, mas quando resolveu atacar a cesta foi difícil de ser parado. Mas melhor que ele foi o novato John Henson, que fez 18.3 pontos por partida com um estilo que vai agradar muito ao Bucks: jogo de garrafão, mas velocidade para acompanhar contra-ataques. Não é o pivô que o time precisava, mas vai brigar pela vaga de ala de força titular se continuar com a intensidade mostrada em Las Vegas. A média de 6.8 rebotes por partida só não foi maior porque em seu último jogo acabou pegando só 1 rebote, o que estragou a média, antes disso tinha média de 9 por jogo.

Fechando o trio está Doron Lamb, escolha de 2ª rodada do Draft 2012. O ala/armador, ao contrário do que muita gente esperava, não conseguiu acertar uma mísera bola de 3 em 5 jogos, mas mostrou que pode pontuar mesmo assim. Fez 14 pontos por jogo e mostrou bom repertório ofensivo para um cara da 2ª rodada.

 

6- A perigosa promessa do Wolves 

Se Derrick Williams decepcionou pelo Wolves, Wes Johnson fez bonito em Las Vegas. O ala que briga com Williams pela titularidade na posição 3 do time de Rick Adelman, impressionou com 20.5 pontos por jogo e 45% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos. Destaque para o jogo contra um selecionado da D-League quando meteu 28 pontos e fez 5/7 bolas de 3 pontos. Nada mal para um cara que no ano passado entrava no time mais para defender e para completar pontes-aéreas de Ricky Rubio.

O problema é que todo santo ano existe aquela eterna promessa que brilha na Summer League e faz todo mundo dizer “agora vai” e não vai. Durante esses jogos Wes Johnson foi bem, mas será que foi uma boa semana ou seu arremesso realmente melhorou? Essa já vai ser a 3ª temporada de Johnson e está na hora de mostrar mais. Ceticismo a parte, falaremos do que aconteceu: Wes Johnson jogou 5 ótimas partidas e saiu na frente de Derrick Williams na briga por minutos no Wolves. É torcer para que não seja algo isolado.

 

5- O arremesso mais bonito da cidade

Confesso que ainda não sei se Terrence Ross (14.4 pontos por jogo) deveria ter sido escolhido na 8ª posição pelo Toronto Raptors. Será que não tinha opção melhor àquela altura? Talvez Austin Rivers, que fedeu fedido (10 pontos, 21% de aproveitamento dos arremessos) nessa Summer League, pudesse tacar fogo em um time morno como o Raptors, por exemplo. Ou Jeremy Lamb pudesse ser o cestinha que DeMar DeRozan nunca vai ser. Mas tudo bem, está tudo perdoado porque Terrence Ross tem o arremesso mais lindo do planeta.

Não ligo que ele tomou várias broncas e pressão do técnico para que não tivesse apagões no meio do jogo, só porque ficou famoso por às vezes sumir das partidas na NCAA. Também não me importo que ainda precise ganhar massa para jogar na posição 2 na NBA. O que importa é que o arremesso dele é uma preciosidade. Seja parado, seja recebendo na velocidade, girando. O vindo do bloqueio é para fazer o Ray Allen dar tapinha nas costas de Ross e elogiar. Ou a bola cai ou parece que vai cair e você fica indignado achando que tá batendo uma ventania dentro do ginásio que tirou a bola de sua trajetória original.

Todo mundo só vai reparar na enterrada que o Ross dá após belo giro, mas prestem atenção mesmo nos seus arremessos. Coisa linda de ver!

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=4Vne2xeTSkA[/youtube]

 

4- O banco do Memphis Grizzlies 

O Memphis Grizzlies perdeu seu melhor reserva nessa offseason, OJ Mayo. Pare repôr a peça contrataram o irregular (mas às vezes fora de série) Jerryd Bayless. Pensando na parte do irregular é bom ver que Josh Selby foi eleito o MVP da Summer League de Las Vegas! O armador saiu com média de 24.2 pontos por partida e passou dos 30 em duas ocasiões. Na temporada passada o novato foi obrigado a se arriscar na armação reserva algumas vezes e não foi nada bem, mas em Las Vegas mostrou qual é o seu negócio: marcar pontos. Teve espetaculares 64% de aproveitamento em bolas de 3 pontos, marcou pelo menos 5 bolas de longa distância em 4 das 5 partidas e também atacou a cesta quando preciso. Se o Grizzlies viu isso com atenção agora sabe como usar Selby e não sentir falta de Mayo.

O problema é continuar sem um armador reserva. Quem entra quando Mike Conley for descansar? Na Summer League Tony Wroten (13.2 pontos e 4 assistências por jogo) tentou dar conta do recado, mas mostrou que é uma versão mais inexperiente de Bayless, um cara que pensa primeiro em atacar a cesta e depois em organizar o jogo. Mas se o Grizzlies não sai da offseason com tudo resolvido, pelo menos ganhou um banco de reservas bem mais forte. Se Selby continuar mandando bala de 3 pontos o Grizzlies é um novo time.

Abaixo um vídeo da NBA destacando Selby como um dos melhores da Summer League após seus 3 primeiros jogos. Vale para ver alguma das bolas de 3 absurdas que ele acertou.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=l2p7Z-cSSLo[/youtube]

 

3- Shooters shoot

Falando em arremessos, vou citar de novo o meu ditado gringo favorito sobre basquete: Shooters shoot. Ou, em português, “arremessadores arremessam”. É simples assim mesmo. Se seu trabalho no time é chutar de longe, é o que você deve fazer, sem hesitar, sem pensar duas vezes, sem crise de confiança. Não importa se você acertou os últimoas 10 ou errou os últimos 40, arremessadores só arremessam e pronto. Foi o que a dupla Klay Thompson e Harrison Barnes do Golden State Warriors fez, com sucesso, em Las Vegas.

No ano passado Klay Thompson brilhou quando ganhou a vaga de titular do Warriors após a troca de Monta Ellis. Manteve a mão pegando fogo nos dois jogos que fez nessa Summer League, meteu 24 pontos sobre o Lakers e 17 sobre o Nuggets, tudo com 71% de aproveitamento da linha dos 3 pontos (!!!). Já o novato Harrison Barnes teve números mais humilides: 16 pontos por jogo, 57% de acerto nos 3 pontos. Vocês tem noção que esses dois caras vão jogar ao lado do Steph Curry, um dos melhores arremessadores de longa distância da NBA? Vai ser bola de longe pro NBB morrer de inveja.

 

2- Esse é o Houston Rockets 2012-13

As Summer League são momentos de imaginação e especulação. Será que Selby vai ter espaço para repetir essas atuações com o Grizzlies? Será que Wes Johnson vai ter espaço no Wolves? Mas para o Houston Rockets não teve nada disso. O que vocês viram em Las Vegas é o que verão o ano inteiro. O time entrou em quadra com os 3 novatos desse ano: Jeremy Lamb, Terrence Jones e Royce White. Adicionou ao grupo o já veterano Chandler Parsons e fechou com o lituano Donatas Motiejunas, escolha do ano passado mas que ainda não estreou na NBA. Adicionem apenas Jeremy Lin e Omer Asik e está aí seu Houston Rockets 2012-13!

Ainda podemos adicionar ao grupo o americano/brazuca Scott Machado, que fez ótima Summer League pelo Rockets e tem grandes chances de ganhar um contrato para ser reserva de Lin. Com lindos passes, Machado acabou o torneio com média de 5.6 assistências por jogo, 4ª melhor marca do campeonato. E isso num tipo de campeonato que nem sempre favorece os armadores que gostam de organizar o jogo, afinal ninguém aí joga junto ou tem entrosamento, sem contar que o que não falta é fominha querendo mostrar serviço. Passando por cima disso Machado impressionou e minha aposta é que ele tem vaga no Rockets para o ano que vem.

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Mas Machadão foi só um dos vários destaques do Rockets, que deu espetáculo e venceu 4 de seus 5 jogos. Primeiro com Jeremy Lamb, cara que precisa pegar pouco na bola para fazer muitos pontos. Teve 18.3 pontos de média sem se esforçar, sem concentrar o jogo, um estilo parecido com o seu companheiro de time Kevin Martin. Ao seu lado jogou Royce White, a maior aberração do torneio: gordo, habilidoso, tentou armar o jogo mesmo sendo um ala de força com jeitão desengonçado. Foi irregular, mas nos bons momentos parecia o melhor jogador do campeonato! Pensem num cara com a versatilidade do Lamar Odom, o estilo do Charles Barkley, a barriguinha do Raymond Felton e a ambição de ser Magic Johnson. Isso é Royce White:

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Fechando o time, o garrafão mais potente de Las Vegas. Terrence Jones é o oposto de White, sem frescura simplesmente vai pra cima para fazer pontos e pegar rebotes. Com 18.2 pontos e 8 rebotes em 5 jogos, mostrou velocidade para o ritmo frenético desses jogos de verão, mas força para marcar pontos perto da cesta. Ao lado dele impressionou Motiejunas, que tirando uma partida péssima onde fez só 1 ponto, foi o melhor pivô da competição. Estreou fazendo 25 pontos (11/13 arremessos) contra o Raptors, foi embora metendo 20 pontos e 12 rebotes no Blazers. Sei lá se algum desses vira estrela, mas o Rockets tá se saindo um belo Spurs e achando gente boa em todos os cantos dos últimos Drafts.

 

1- O Portland Trail Blazers voltou a brilhar em um Draft

Até alguns anos atrás quem era o queridinho dos novatos era o Portland Trail Blazers. Acharam Brandon Roy e LaMarcus Aldridge em um Draft horrível onde tinham poucas escolhas, caçaram Nicolas Batum, sempre tinham trocas malucas no dia da seleção de novatos. Mas contusão após contusão a fama foi indo para o ralo.

Mas eles tem a chance de se redimir nesse ano. Apostaram sua 6ª escolha no armador Damian Lillard, que vinha com questionamentos sobre ter jogado em uma divisão fraca do basquete universitário, mas parece que acertaram em cheio. Lillard foi o cestinha da SL de Las Vegas com 26.5 pontos por partida, também foi eleito co-MVP do torneio ao lado de Josh Selby do Grizzlies. E não foi só por ter sido cestinha que levou o prêmio, mas porque fez muitos pontos mantendo bom aproveitamento dos arremessos (44%) e também por ter dado mais de 5 assistências por partida. Foi um jogador completo, agressivo e não teve um jogo mais ou menos, arrebentou todo santo dia.

Claro que ele vai ter outra realidade quando precisar dividir o ataque com Aldridge e Batum, sua dificuldade em jogar sem a bola na mão o tempo inteiro poderá aparecer, mas isso não diminui seus feitos na sua primeira Summer League da carreira onde foi o melhor jogador.

 

Top 10 – Melhores Jogadas da Summer League de Las Vegas

(Destaque para os dois passes geniais de Royce White na posição 9, para a enterrada à lá Derrick Rose de Lillard na poisção 4 e, claro, o absurdo de Jeremy Pargo no topo da lista)

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Bônus – Outros destaques

Não mereceram textos enormes, mas vale ressaltar a boa e estável (o que é difícil para esses pirralhos) Summer League de Bradley Beal, escolha do Washington Wizards. Fez 17.6 pontos por jogo com 41% de aproveitamento dos arremessos. Não teve nenhum jogo brilhante, mas foi bem em todas as 5 partidas que disputou.

Também vale destacar o bom campeonato do pivô Tyler Zeller, do Cavs, que saiu da liga com boas médias de 11.4 pontos e 7.2 rebotes por partida. Já Jared Sullinger, do Celtics, teve números quase iguais: 11.2 pontos e 8.6 rebotes, é impressionante como ele é genial dentro do garrafão, mas não dominou jogos como havia feito na Summer League de Orlando. E falando nesse torneio, lembram que Adam Morrison tinha ido mal lá pelo Nets? Jogou a SL de Las Vegas pelo Clippers (Adam Morrison + Clippers, pois é) e de alguma forma deu muito certo: 20 pontos por jogo, 60% de acerto nos arremessos de 3 pontos! Seria legal demais se ele conseguisse um contrato, a força do bigode de Adam Morrison (ele está sem agora, mas vai crescer de novo!) com o bigode de Chauncey Billups resultaria na maior força facial-capilar da liga! Que contratem James Harden pra fechar o time.

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Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...

Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!

George Karl, Denver Nuggets
Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.
O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.
Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de “The Glove“, ou “A Luva”, tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.
O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.
O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.
Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.
E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!
Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!

Randy Wittman, Minnesota Timberwolves
Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.
Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.
Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.
Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.
Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.
Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta “Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!“, ou “Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!” ou ainda “Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!“.
Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:
Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler
Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.

Nate McMillan, Portland Trail Blazers
Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.
McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.
Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.
A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.
Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.
Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o “Mr.Sonic” virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.
No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.

PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.
O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.
O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.
O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.
O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.
Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.
Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.

Jerry Sloan, Utah Jazz
Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.
O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.
Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.
Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.
No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.
Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).
Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.

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“Vamos lá, primeiro a gente mata o Scott Skiles, depois eu vou para
o garrafão, você passa a bola pra mim, e aí…”

Apesar do pequeno atraso no cronograma (sabe como é, minha mãe comeu minha lição de casa, passei num buraco e furei os quatro pneus, essas coisas) estamos de volta com nossa Semana dos Técnicos. Dessa vez vamos dar uma olhada na Conferência Leste, mais especificamente na Divisão Central. São alguns dos técnicos mais jovens de toda a NBA, incluindo dois treinadores novatos e, para finalizar, o cara mais insuportável desse hemisfério, tentando sua sorte com um time novo. Vamos lá!

Vinny Del Negro, Chicago Bulls

Lembra quando o Bulls impressionou todo mundo ganhando 49 partidas na temporada regular com um elenco jovem composto por Deng, Ben Gordon e Hinrich? E quando o time fedeu perdendo 49 partidas na temporada passada e dando um jeito de se livrar de Ben Wallace, contratado como a peça que faltava para chegar a um título? Bem, o fracasso foi demais para a diretoria do Bulls, mandaram o técnico e pé-no-saco Scott Skiles embora e foram atrás de dois possíveis substitutos: Mike D’Antoni, que prefiriu ir comandar o Knicks, e Doug Collins, que preferiu continuar comentando jogos na televisão. Sem os dois favoritos para o cargo, o Bulls resolveu apelar para um treinador novato, o ex-jogador Vinny Del Negro.

Gostaria de ser capaz de explicar o motivo dessa escolha, mas não consigo pensar em nada que não seja sua força nominal. Del Negro não tem qualquer experiência como técnico ou auxiliar técnico, apenas foi comentarista, trabalhou na parte administrativa do Suns e tem um nome bacana capaz de vender vários CDs de música pop para garotas.

Os responsáveis pelo Chicago Bulls afirmaram que Vinny foi o que se saiu melhor nas entrevistas para o emprego, cheio de novas idéais e uma vontade enorme de aprender. Mas não é o que todo mundo diz em entrevistas de emprego? “Sim, senhor, tenho muita vontade de aprender, sim. Defeito? Ah, eu sou perfeccionista, sabe? Gosto de tudo feito direitinho, faço até hora extra se for necessário.” O pessoal no Bulls não tem experiência em mentiras de escritório.

Ao menos o discurso do Vinny ao assumir o time foi sensato. Alegou estar ansioso para dar mais e mais minutos para Thabo Sefolosha, Tyrus Thomas e Joaquim Noah, ou seja, colocar pra jogar o núcleo jovem do time que passou muito tempo no banco na época do Skiles. Além disso, contratou como assistentes técnicos dois veteraníssimos: Del Harris, de 71 anos, e Bernie Bickerstaff, de 63. Os dois foram técnicos de moderado sucesso e afirmaram que Vinny, de apenas 41 anos, absorve cada palavra deles com o respeito e o afinco de um pirralho nerd que senta na primeira fileira da sala de aula (mas não usaram essas palavras, claro). O resultado disso a gente vai ver em breve, mas deve levar algum tempo para que o treinador consiga uma voz própria e dê uma identidade ao time. Como o elenco é jovem, parece que o clima é oficialmente de apagar qualquer rastro de pressa em Chicago. Hora de pensar no futuro.

Mike Brown, Cleveland Cavaliers

Se montar um esquema de ataque no basquete fosse um teste de QI, o resultado do Mike Brown diria que “sua inteligência é equivalente a um mico de circo”. Uma criança de 2 anos ou a Luciana Gimenez – que são inteligências equivalentes – seriam capazes de montar uma tática mais complexa do que “passem a bola para LeBron e saiam do caminho”.

Embora o Cavs seja seu primeiro time de verdade, Mike Brown foi assistente técnico de Gregg Popovich, naquele Spurs campeão da NBA em 2003, além de assistente técnico do Rick Carlisle no Pacers que foi para a Final do Leste em 2004. Ou seja, o sujeito sabe o que são times vencedores, tem experiência nos playoffs e é famoso por ser um grande especialista em defesas. Comandando o Cavs, colocou sua equipe sempre entre as melhores defesas e entre os líderes em rebotes defensivos e ofensivos. Foi campeão do Leste e sempre faz estrago nos playoffs, então como pode ser tão criticado e chamado de burro por aí? Basta assistir um punhado de jogos do Cavs e dar uma olhada em como o ataque funciona, na bagunça, na falta de movimentação, na falta de jogadas planejadas. A não ser, é claro, que ele tenha planejado e treinado deixar quatro jogadores parados olhando para o teto enquanto o LeBron faz chover e anda sobre as águas para fazer qualquer coisa acontecer.

Se sou um defensor do LeBron James, isso deve-se em grande parte à existência do técnico Mike Brown. Eu vejo LeBron querendo envolver seus companheiros, querendo passar a bola, tendo físico para jogar de costas para a cesta, dentro do garrafão, versatilidade para jogar em várias posições, armar o jogo volta e meia. Mas também vejo o técnico mais bocó da atualidade usando o LeBron sempre da mesma forma, mesmo quando ele recebe marcação dupla ou até mesmo tripla. Kobe e Jordan foram treinados pelo Mestre Zen, Phil Jackson. O que teria sido deles se fossem treinados pelo mosca-morta do Mike Brown? É insuportável ver um dos melhores jogadores da NBA, um dos maiores talentos físicos a jogar essa budega, ser tão pessimamente utilizado por seu técnico. Se LeBron sair de Cleveland como dizem todos os boatos, não será apenas porque a diretoria não consegue colocar à sua volta um elenco decente. Será também porque seu técnico não presta, mesmo montando defesas poderosas e tendo vencido o Leste. Tá certo, ele é o técnico mais novo da NBA com apenas 38 anos (só alguns meses mais novo que o Lawrence Frank), mas não parece mostrar nenhum sinal de que está disposto a aprender e mudar seu modo de lidar com o jogo.


Michael Curry, Detroit Pistons

Ex-jogador do Pistons e assistente técnico da equipe nos últimos anos, Michael Curry acabou ganhando pontos de experiência o bastante para evoluir para o posto de técnico depois que o Flip Saunders rodou. O Saunders era um bom técnico, especialista na parte ofensiva, com uma defesa questionável, que levou o Wolves e o Pistons para os playoffs quinhentas vezes mas seus times sempre amarelam na hora mais importante. Coisas como motivação e confiança do elenco passaram a se tornar um assunto comum e o Pistons decidiu tomar uma providência.

Michael Curry não tem experiência alguma como treinador mas foi escolhido simplesmente porque o elenco confia nele. Como assistente técnico, era muito respeitado por todos os jogadores como sendo um cara durão e exigente. É esse tipo de exigência, motivação e confiança que, espera-se, seja o que leve o Pistons a não ser um time que joga no piloto automático muitas vezes e perde justamente quando não pode.

O Michael Curry já vinha sendo cotado para ser técnico faz um tempo. Quando o Suns mandou o D’Antoni empilhar coquinho na descida, tentou entrar em contato com o Curry mas o Pistons não deixou. Eram dois os assistentes técnicos em Detroit, Michael Curry e Terry Porter, e apenas o segundo teve permissão para falar com o Suns. Acabou sendo contratado e, pouco tempo depois, o Curry assumiu o Pistons. O mercado está em alta para assistentes técnicos de Detroit.

Nas declarações que deu até agora, Michael Curry reclamou da preparação física do Pistons e já avisou que vai exigir muito mais. O que ele quer é o físico de seus jogadores aguentando os playoffs numa boa, então todo mundo tem que se apresentar antes da temporada começar com o condicionamento em dia. Além disso, já avisou que Rasheed Wallace, em especial, terá que estar melhor fisicamente justamente porque jogará muito mais no garrafão durante essa temporada. Ou seja, o cara chegou chamando todo mundo de gordo, colocando todo mundo para correr e fazer abdominais, e obrigando o Sheed a ficar lá embaixo do garrafão, algo que mataria ele de tédio? Quanto tempo vai levar para os jogadores do Pistons se encherem dessa mané e tacarem ele pela janela?

Jim O’Brien, Indiana Pacers

Lembrar de Jim O’Brien é lembrar daqueles bons tempos em que o Celtics desafiava as leis da lógica e do bom senso e vencia jogos, mas sem ter um elenco que parece um All-Star Game e ganha anéis mesmo com o babaca do Doc Rivers. Naquela época, o Celtics era formado por Paul Pierce e Antoine Walker, quebrava todos os recordes em bolas de 3 pontos arremessadas e era muito divertido de assistir. Me sinto velho lembrando de um Antoine Walker retardado porém sensacional, que levava seu time às vitórias. Naquela época a gente podia atravessar a rua sem olhar para os lados e continuar se perguntando quando é que o Papa João Paulo II ia finalmente morrer.

Jim O’Brien era responsável por um ataque veloz, de contra-ataques, baseado no jogo de perímetro, arremessando muito de fora do garrafão. Seu assistente técnico, Dick Harter, era uma das maiores mentes defensivas do mundo desde os bons tempos do goleiro Zetti, do São Paulo. Juntos, levaram o elenco limitado do Celtics até a final do Leste em 2002, mas foi aí que o maluco do Danny Ainge começou a lascar com tudo. Trocou o Walker sem motivo nenhum, passou a obrigar a utilização de novatos sem talento e afundou o time de vez com trocas absurdas que sonhavam apenas com o futuro. Jim O’Brien, então, falou que estava saindo para comprar cigarros e nunca mais voltou.

Foi para o Sixers e levou o time para os playoffs imediatamente, com um ataque que deixou Iverson feliz da vida. Mas como a diretoria do time queria contratar Mo Cheeks (vá entender o porquê), mandou o pobre Jim embora. Passou um tempo como comentarista e então assumiu o Pacers na temporada passada, o pior Pacers para se ter nas mãos nos últimos tempos. Além de Jermaine O’Neal contundido, o time de Indiana é uma tentativa do dirigente Larry Bird de construir um colégio católico para moços politicamente corretos. Todo mundo que arruma encrenca ou tem uma vida fora das quadras conturbada foi, aos poucos, sendo trocado ou afastado. O resultado final é um time que perdeu talentos como Stephen Jackson e Ron Artest e tenta vencer com o branquelo do Troy Murphy, que já tem no nome a certeza de que tudo vai dar errado. Jamaal Tinsley, um jogador que tinha tudo para se dar bem no esquema ofensivo do técnico O’Brien, foi cada vez mais punido por sua conduta e pelas contusões, até chegar ao ponto atual: ele não tem sequer um armário no vestiário, mesmo ainda não tendo sido trocado ou mandado embora. Estão apenas fechando os olhos e fazendo pensamento positivo para que ele desapareça, no melhor esquema “O Segredo”.

A dupla Jim O’Brien e seu assistente defensivo Dick Harter têm uma árdua tarefa nas mãos. O elenco do Pacers está em total reconstrução, tendo se livrado inclusive do Jermaine O’Neal, e agora só tem uma pivetada para cheirar a talco e participar da brincadeira. Mas Jim O’Brien é um ótimo professor de novatos e ensina um ataque espontâneo e livre em quadra. Com ele, o eterno fracasso Mike Dunleavy e a futura estrela Danny Granger (também conhecido no mundo do tracadilho como Granny Danger) tiveram o melhor ano de suas carreiras. O Pacers acabou muito bem a temporada, chegou a tentar pegar a oitava vaga no Leste apesar das contusões e da bagunça que estava acontecendo no time, e era um dos times mais divertidos de se assistir jogar. Eu gosto do O’Brien e coloco uma fé em seu ataque veloz e talento com a pirralhada.

Scott Skiles, Milwaukee Bucks

O Skiles é a esposa que ninguém quer ter: faz uma comida deliciosa mas critica o marido o tempo todo e em todo lugar, na cozinha, na cama, no banheiro e na frente dos amigos. Grita o tempo todo, cola na geladeira a lista de regras da casa (se não levantar a tampa da privada antes de mijar, tem que pagar 50 flexões) e nunca dá o braço a torcer. Ou seja, Scott Skiles é um divórcio sempre esperando para acontecer.

Poucos técnicos são tão bons estrategistas quanto ele, é verdade. Se eu tivesse que escolher alguém para desenhar a jogada final de uma partida que levasse à cesta da vitória, escolheria o Skiles. Mas vá ser pentelho assim no inferno! A palavra principal com ele é “disciplina”. O que ele exige do time não é talento, mas obediência irrestrita. Grita com os jogadores de forma exigente, o que pode ser até motivador a princípio, mas quando ele grita por qualquer coisa, critica os jogadores o tempo inteiro e não tem vergonha de esculachar seus jogadores quando está falando com a imprensa, está criando um clima insuportável em seu elenco.

Sua especialidade é a defesa e é exatamente isso que ele cobra de seus jogadores sem parar, integralmente. Quem não defende não tem vez, vai parar no banco, assim como quem não obedece. Na ditadura de Scott Skiles, o Bulls viu Eddy Curry e Tyson Chandler indo parar na reserva e sendo trocados por ordens suas. Curry é um gordo que ainda é um talento ofensivo, mas Tyson Chandler é um dos melhores pivôs da NBA e não pára de evoluir um ano sequer – a troca foi uma cagada. Às vezes, a visão rígida de Skiles acaba prendendo ele próprio, evitando que use seus melhores jogadores e entregue o melhor resultado em quadra. Não faz sentido a sua visão de disciplina ser mais importante do que as vitórias dentro das partidas. Por exemplo, Ben Gordon não defende e então é punido com o banco de reservas, com minutos limitados, com castigos físicos. E assim o time perde, todo mundo fica descontente e não vê a hora de dar o fora. Quando o Luol Deng e o próprio Ben Gordon pedem quatrocentos bilhões de dólares por ano para jogar no Bulls, acho até justo: é um valor mínimo para encarar o Scott Skiles diariamente durante uma temporada.

Diz a lenda que, desde seus tempos de Phoenix Suns, o Skiles não grita mais. Mas isso não quer dizer que ele não reclame o tempo todo, não cobre o impossível e não castigue seus jogadores fisicamente. No Bulls, sob seu regime, quem não atinge o padrão “paga 100”, e uma visão comum por lá é um bando de jogadores crescidos correndo ao redor da quadra porque erraram uma bandeja. Eu sei, tem gente que adora esse tipo de coisa, que acha que basquete se aprende na porrada, que criança se educa no chicote. Mas a fama do Skiles no Bulls é o bastante para fazer jogadores free agents evitarem jogar pra ele. Ninguém quer ficar sofrendo só de alegre, a não ser masoquista, mas é melhor nem entrar nesse assunto.

Quando o Ben Wallace chegou ao Chicago Bulls como a grande esperança de tornar o time um real candidato ao título, acabou trombando de frente com Skiles. Logo de cara, o Skiles obrigou os jogadores a enfaixarem seus tornozelos antes de treinos e partidas, algo que o Big Ben nunca tinha feito e assumidamente achou uma merda ter que botar em prática. Além disso, estava em voga no elenco uma lei idiota que proibia o uso de faixas na cabeça. Quando o Big Ben entrou em quadra com uma, o Skiles colocou ele no banco assim que percebeu. Todos os assistentes técnicos foram falar com o Wallace, pedir para ele tirar, mas ele não obedeceu. Só tirou a faixa no fim do primeiro quarto e, segundos depois, sem falar nada, Skiles colocou ele de volta em quadra. No segundo tempo, Ben Wallace voltou com a faixa do vestiário e nem foi colocado em quadra. Assim que tirou para coçar a cabeça, foi colocado em quadra. Tudo um jogo de crianças, uma brincadeira de mentes entediadas, uma vontade grande demais de ter poder. Por que alguém se importaria com faixas de cabeça? Que vontade é essa de ser obedecido que faz ele só colocar o Ben Wallace nos segundos em que ele tira a maldita faixa da cabeça? Freud explica, algo a ver com falos e mães.

O clima com o Ben Wallace ficou insuportável e ele teve que ser trocado. Mas quando o clima com o resto do time ficou insuportável, não dava pra trocar o time inteiro, a não ser que mandessem eles para Seattle. O jeito foi mandar o Skiles pro olho da rua e aguardar alguém apaixonado por seu estilo “obedece essa merda e defende direito” dar uma chance para o rapaz. Rapidinho ele se tornou o novo técnico do Bucks. A troca do fominha maluco Mo Williams deve ter tudo a ver com a chegada de Skiles, ele não duraria nem 5 segundos nesse esquema, e agora é o elenco de Milwaukee que deve sofrer. Se a disciplina vai dar algum resultado nesse elenco cheio de modificações e mais atlético, só saberemos na próxima temporada. Mas eu sempre acho que esse tipo de coisa dá errado a longo prazo, você pode até se esforçar mais no começo, mas ninguém fica sofrendo em silêncio por anos a fio. A não ser masoquistas, mas, bem, deixa pra lá.