A melhor parte, mas a mais importante?

Foi em 2008, mas a gente ainda lembra que foi falta nesse lance

 

Semana passada dei algumas ideias de post para vocês votarem. Muita gente participou e acabou vencendo a opção 1, que era baseada na declaração do Jeff Van Gundy de que o basquete “é um jogo de último período da mesma forma que é de primeiro período”, indo contra a nossa tradicional maneira de ver o último quarto de um jogo como algo especial, diferente ou, como dizem os mais bregas, onde se separam os homens dos meninos.

Para começar, uma entrevista do irmão de Jeff, o Stan Van Gundy, técnico do Orlando Magic. Durante um treino perguntaram para ele por que o Magic, ou outros times mesmo, não usavam suas movimentações ofensivas tradicionais durante os minutos finais do jogo. Ele respondeu que é uma parte diferente do jogo, em que o adversário coloca sua melhor equipe defensiva e quando os jogadores se dedicam mais do que nunca. Segundo o treinador com cara de pizzaiolo, nesse momento da partida é muito mais difícil e arriscado fazer uma jogada comum, não é fácil um jogador sair livre para um passe depois do bloqueio e ter um arremesso tranquilo. Ele finaliza dizendo que todos os grandes times na história da NBA tinham jogadores capazes de criar um arremesso sozinho, alguém para improvisar e individualizar o jogo quando os segundos iam acabando.

Isso vai contra o que pensa o colunista Henry Abbott do TrueHoop, blog da ESPN gringa. Ele sempre disse que o Lakers da era Phil Jackson não era um time tão bom nos momentos decisivos como era no resto do jogo porque mudava a sua maneira de jogar. Ele defendia que eles deveriam continuar usando os triângulos ao invés da variação entre isolações de Kobe Bryant e pick-and-rolls entre Kobe e Pau Gasol. Outro dia mesmo comentamos aqui que o Philadelphia 76ers tinha muitas dificuldades em executar seu jogo nos últimos minutos de jogo, e vinham sofrendo com algumas más atuações de seu escolhido para comandar o time no final, Louis Williams. Consigo lembrar de outro time que, como o Sixers, dependia muito dos contra-ataques e não conseguia executá-los no final dos jogos, o New Jersey Nets de Jason Kidd do começo dos anos 2000. Todas as equipes sofriam com os ataques em velocidade do time bi-vice da NBA em 02 e 03, mas no final dos jogos nem sempre eles davam certo, os outros times mudavam sua defesa, abriam mão dos rebotes ofensivos, tudo para evitar tomar cestas fáceis. Tanto que o próprio Kidd tem alguns arremessos históricos em fins de jogos, coisas que ele não tentava no resto da partida. Deu certo com eles como não dá hoje com o Sixers, mas o fato é que eles tinham que se adaptar.

O que esses, e posso pensar em muitos outros, exemplos indicam é que Stan Van Gundy está certo. O jogo é diferente no final da partida porque os times são diferentes. Talvez Henry Abbott possa achar que o ataque do Lakers no final dos jogos não era o ideal, mas fazer o mesmo do resto do jogo poderia não dar certo como antes. O esquema dos triângulos envolve muitos passes e em momentos decisivos os times adversários, especialmente os que estão atrás no placar, estão mais dispostos a se arriscar por um roubo de bola. Passar reto numa tentativa de roubo pode significar cesta fácil para outro time, é uma atitude considerada burra durante a maior parte do tempo, mas que valeria a pena o risco caso o time precise forçar um erro para continuar vivo no jogo. O mesmo vale para tocos, nos momentos decisivos de um jogo, com o time não podendo tomar cesta de jeito nenhum, é capaz que um jogador se entregue com mais afinco, sem medo de errar ou até mesmo de cometer uma falta.

Números do homem que inspirou essa coluna comprovam isso. LeBron James tem cerca de 0.8 toco por 36 minutos de jogo “normal“, enquanto tem 1.4 toco por 36 minutosdecisivos“. Seus números em rebotes também quase dobram na situação, já que nesses casos é mais importante garantir a posse de bola do que partir para o ataque para tentar uma ponte aérea. As assistências sobem de 6.6 para 9.9 também, já que nesses momentos ele gosta de manter a bola nas sua mão e organizar o jogo. Se suas decisões são acertadas ou não, isso já foi amplamente discutido, não é o caso aqui, o mais importante é que LeBron, assim como a maioria dos técnicos, age diferente nos minutos finais em relação ao resto da partida. E se jogadores e técnicos agem diferente, não há números que tentem provar o contrário, se na cabeça de quem está lá é diferente, eles vão fazer coisas diferentes e jogar de maneira distinta do resto da partida. Os números de LeBron também comprovam outra coisa: Ele é espetacular nesses momentos finais da partida. Como lembrado nesse post do Hardwood Paroxysm, às vezes achamos que ser decisivo é acertar a bola no último segundo, mas todas as posses de bola nos últimos dois minutos de uma partida são decisivos, e LeBron costuma ser espetacular neles.

Mas embora o jogo seja claramente diferente e Stan Van Gundy tenha razão nisso, não quer dizer que os técnicos fazem as coisas certas ao mudar a cara da partida. As jogadas de isolação, maior crítica de Abbott sobre aquele Lakers de Phil Jackson e tantos outros times, não são garantia de sucesso e provavelmente LeBron James não venceria mais jogos se resolvesse jogar o que se chama nos EUA de “Hero Ball”. A história da NBA, de Jerry West, o “Mr.Clutch”, até Michael Jordan e a imagem dele acertando arremessos de último segundo, criou a ideia do jogador macho, o que tem sete bolas no saco para decidir o jogo. Isso faz os técnicos utilizarem jogadas de isolação para seus machos-alfa resolverem o jogo, é a tal “jogada de segurança”. Porém, um levantamento da SynergySports afirma que as isolações são as jogadas menos efetivas de toda a NBA, com aproveitamento de 0.78 pontos por posse de bola. Muito atrás da líder, os “off-ball cuts”, cortes em direção à cesta do jogador sem a bola (1.18 pontos por posse) e jogadas de transição (1.12 pontos por posse). E tem mais, segundo a mesma SynergySports, as isolações, mesmo com esse aproveitamento péssimo, são a quarta jogada mais usada na NBA e a segunda mais utilizada nos últimos 5 minutos de um jogo, atrás apenas dos arremessos parados, aquele que o jogador não dribla antes do chute.

Embora tudo indique na direção do último período ser diferenciado (mesmo que do jeito menos efetivo) não foi qualquer mané que disse que o basquete é um jogo tanto de primeiro quarto como de último, foi o genial Jeff Van Gundy. Fui ver se achava algum número que pudesse ajudar a explicar a afirmação dele. Encontrei então as estatísticas de margem de vantagem no último período, por quanto, em média, as equipes ganham ou perdem o quarto decisivo de um jogo. O melhor time no período é o Bulls, que tem margem média de +2.6 pontos por 4Q, logo depois aparecem Knicks (+2.4), Hawks (+1.7), Wolves

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(+1.3) e Blazers (+1.2). Alguns times de destaque na temporada não estão bem posicionados na tabela, o Thunder é 14º, Clippers 18º e Heat 23º.

Você deve pensar que isso não quer dizer grande coisa. Afinal esses times muitas vezes já chegam no último quarto com o jogo dominado, vencendo por 10 ou mais pontos de diferença, por isso jogam relaxados ou até com os reservas em quadra por longos minutos. E é nessa observação que vemos onde Jeff Van Gundy está certo. Não é que a gente dá valor exagerado ao último quarto, mas talvez a gente dê muito pouco valor para os outros três períodos. Para que Jason Terry seja o deus dos minutos finais, algum Shawn Marion da vida tem que fazer pontos nos outros quartos, se o Sixers fede nos minutos que resolvem um jogo e mesmo assim são o 4º melhor time do Leste é porque estão fazendo algo muito certo no resto da partida.

E podem ver isso nos resumos da rodada que fazemos aqui todos os dias. Em rodadas de 10 jogos, costumamos dar destaque para as poucas partidas disputadas e resolvidas no finalzinho, acabamos passando reto nos outros 6 ou 7 jogos que foram disputados só até o segundo ou terceiro quarto. Não damos o devido valor para um time que vence um segundo período por 25-10 e não deixa mais o outro time voltar para o jogo, preferimos transformar em heróis os caras que fedem por quase o jogo todo e vez ou outra conseguem compensar com bolas em sequência nos últimos minutos da partida.

Vamos voltar para os números que mostram por quanto um time costuma vencer ou perder cada período. Os times que melhor jogam o 1º quarto são Heat (+3.5), Bulls (+3.4), Clippers (+2.6), Magic (+2.3) e Mavs (+2.1). Muito mais condizente com as posições dos times na liga, certo? O Top 10 ainda tem times como Lakers e Thunder. No 2º quarto as coisas também mostram um cenário mais realista: o líder ainda é o Heat (+3.9), depois aparecem Nuggets (+3.9), Thunder (+3.7), Sixers (+3.3) e Bulls (+2.8). Não por coincidência esse Top 5 tem 3 dos melhores bancos da NBA, Nuggets, Sixers e Bulls, que dão no segundo período minutos extensos para seus reservas engolirem os adversários. O Spurs, outro time com bom banco, aparece logo depois dos citados.

Cada time tem sua rotação, suas escolhas, mas a grosso modo pode-se resumir o jogo da NBA assim: O 1ºquarto é quando os times tentam colocar em prática o que foi decidido nos treinos e vestiário, é quando os titulares tentam executar o plano de jogo para ver o resultado. O 2ºperíodo é quando os reservas costumam ter mais tempo para atuar, dando descanso e fôlego para que os titulares resolvam o jogo no após o intervalo. O 3ºperíodo costuma ser uma resposta às falhas e sucessos da leitura inicial. Já o 4ºquarto, quando necessário, é um desafio de se manter a calma para finalizar o que foi batalhado até então.

A conclusão disso tudo é que o quarto período é simplesmente mais glamouroso. Tem mais emoção, nervosismo e técnica pura. Os times precisam se arriscar mais, os jogadores e torcedores estão inseridos no clima da partida, as táticas já estão mais manjadas e fica mais difícil surpreender, é preciso que os jogadores mais talentosos e os técnicos mais criativos tirem coelhos da cartola para resolver situações difíceis. Não é de se surpreender que exista todo um mito sobre esses momentos finais, eles são mais envolventes na narrativa de um jogo do que o primeiro período, mais tático e cerebral. Mas não é porque o clímax seja mais marcante (alguém lembra de um segundo quarto histórico?) e emocionante que a introdução da história seja menos importante.

O que Jeff Van Gundy quer dizer com a afirmação que introduziu esse texto é que fechar bem um jogo é tão importante quanto começar uma partida atuando com qualidade. É preciso saber como começar bem logo o primeiro período para não passar o jogo inteiro correndo atrás, ou saber usar os reservas no quarto seguinte para não ter o trabalho dos titulares jogados no lixo. E vemos isso o tempo todo. Quantas vezes o Sixers não venceu jogos porque abriu 20 de vantagem com o banco em quadra? Ou quantas vezes um bom primeiro quarto do Lakers não foi pro ralo por causa dos reservas? Ou mesmo apagões no período final não foram salvos pela vantagem acumulada no primeiro tempo? E, repetindo o mais importante, quantos e quantos jogos simplesmente nem chegam a ser resolvidos nos últimos instantes? É a grande ironia do LeBron James ser crucificado pela última bola depois do seu time vencer 9 jogos seguidos por 12 pontos ou mais de diferença. Como diz o nerd-mor da NBA, o General Manager do Rockets Daryl Morey, “Times bons não vencem jogos disputados, eles os evitam”.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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