A vez de LeBron James

O post sobre o último jogo da Final da NBA vai aparecer aqui mais tarde, merece mais do que um blogueiro com sono no meio da madrugada. Mas não dá pra ir embora sem falar de LeBron James. Tanto se falou dele ser amarelão, de não conseguir ganhar um título nunca, de ser um cafajeste, de ter pinto pequeno e ser um bobão que não dá pra ignorar seu dia de redenção. Que fique claro que ele deu sementes para todas as críticas, embora elas tenham sido exageradas com o passar dos anos, mas se redimiu nessa temporada, especialmente nos Playoffs. Ele já era um dos melhores da história, agora tira do lado do seu nome o asterisco que irritantemente lembrava que ainda não havia sido campeão.

 

Ele teve jogos decisivos ruins (aquele Jogo 5 da série Cavs/Celtics, o último dele em Cleveland), foi um babaca pela maneira que conduziu sua mudança para Miami e ano passado foi bem mascarado ao abraçar a ideia de ser o vilão da NBA. Mas se disse arrependido disso mesmo antes da temporada começar, algo que confirmou na coletiva após o jogo de hoje. LeBron James afirmou que no ano passado jogou para provar que os outros estavam errados, para calar os críticos, que jogou com mais ódio e raiva do que por amor ao jogo. “Foi por isso que perder a final do ano passado foi a melhor coisa que aconteceu comigo”, completou. “Me deu humilidade, me fez repensar as coisas. Depois daquela final eu voltei para o básico, para o começo”. Em outras palavras, LeBron James amadureceu.

Sua concentração e amadurecimento fizeram ele render melhor em quadra, seja no 1º ou 4º período, e para isso não precisou mudar sua filosofia de passar para o cara livre em qualquer momento do jogo. Simbólico que ele não ganhe seu primeiro título com uma partida de 40 pontos, mas sim com um triple double. O que James mudou  mesmo no seu estilo de atuar foram na quantidade de bolas de 3 pontos (caíram de 3.4 por partida para 2.5), assim como menos bolas de longa distância, o que fizeram ele alcançar aproveitamento de 53% de seus arremessos na temporada, melhor marca dele na carreira. A outra mudança foi a adição do jogo de costas ao seu arsenal de jogadas. Os post-ups representavam 8% das jogadas ofensivas de James na temporada 2010-11 e pularam para 15% em 2011-12.

Mas além do estilo dentro de quadra, mudou a atitude também. Nos Playoffs não teve provocação, trash talk, ou entrevistas polêmicas. Estatística de ZERO mensagens publicadas no Twitter durante a fase decisiva da temporada. Entrevistas até sonolentas de tão centradas e focadas em não criar qualquer problema. Dizem que LeBron até evitou usar a internet em geral. Ou seja, até o motivo básico do ódio contra LeBron, sua personalidade pedante, não se sustentou nesse ano.

Sobre o torcer contra por causa da suposta apelação dele se juntar com Dwyane Wade e Chris Bosh, isso é ridículo. Que profissional, em qualquer área, iria recusar a chance de integrar um bom time, onde terá chance de conquistas e ainda trabalhará ao lado de bons amigos? E como vimos nesses dois anos, isso não quer dizer que vão passear na NBA. Nas temporadas regulares foram superados pelo Chicago Bulls, nos Playoffs perderam do Dallas Mavericks no ano passado e nessa temporada passaram sufoco contra Indiana Pacers, Boston Celtics e Oklahoma City Thunder. Como já disse antes, o que parecia um super time, é hoje campeão só como mais um dos bons times da NBA. Cheio de defeitos e que precisa de tática, bom técnico, coadjuvantes inspirados e muita defesa para ser campeão.

 

Mas ei, me empolguei! Essa seção do blog é sobre números. Então aí vão as estatísticas que eu me fizeram começar esse alongado texto. Os 26 pontos, 12 rebotes e 9 assistências de LeBron James no Jogo 4, o das cãibras, foram a primeira vez desde 1986 que um jogador alcançou tanto nessas três categorias no mesmo jogo. O último a conseguir esse feito foi Larry Bird. Já nesse Jogo 5, LeBron James conseguiu seu 2º triple-double em finais, 26 pontos, 11 rebotes e 13 assistências, e se tornou apenas o 7º jogador na história da NBA a conseguir mais de um triple-doubles em séries decisivas.

Mas apesar de LeBron se destacar pelo jogo completo, ele tem recordes de pontuação que nem Michael Jordan ou Kobe Bryant possuem. Nesse Playoff, pela segunda vez na carreira (a primeira foi em 2009), LeBron conseguiu 25 ou mais pontos em 14 jogos seguidos de pós-temporada. NENHUM outro jogador fez isso na história da liga. Ele também é o primeiro atleta a conseguir somar pelo menos 650 pontos, 200 rebotes e 100 assistência em uma edição dos Playoffs. Para completar, LeBron é apenas o 2º jogador a conseguir média de pelo menos 30 pontos, 9 rebotes e 5 assistências em um Playoff. Fez isso em 2009 e agora em 2012, apenas Oscar Robertson havia feito uma vez em 1963.

E sobre a suposta demora de LeBron James em conseguir seu anel de campeão: LeBron  é campeão aos 27 anos de idade, Michael Jordan só venceu o seu primeiro aos 28. Com essa idade Jordan tinha “apenas” 1 prêmio de MVP da temporada, LeBron já tem 3. Shaquille O’Neal também venceu seu primeiro campeonato aos 27 anos, assim como Isiah Thomas. Hakeem Olajuwon venceu o seu apenas com 31, Dirk Nowitzki com 33. Tudo varia muito com a circunstância, com a sorte de começar em um time bom, mas no fim das contas LeBron James está lá no meio, na média. O clichê da NBA é dizer que o jogador atinge seu maior equilíbrio entre físico e maturidade psicológica lá pelos 28 anos e com LeBron James não foi diferente. Daqui muitos anos contaremos a saga de LeBron e vamos dizer “Ele era mimado e pedante quando era um jovem rico e famoso, mas depois acalmou” e vão nos olhar com cara de “e a novidade?”.

Mais sobre os números de LeBron James nos Playoffs: No ano passado LeBron cobrou 156 lances-livres em 21 jogos de pós-temporada, nesse ano foram 225 em 22 partidas! Assustador como foi mais agressivo atacando a cesta. Nos rebotes também melhorou de 8.3 por jogo para 9.6! Contando só as Finais conseguiu ultrapassar a média de 10 rebotes por jogo. É o primeiro jogador desde Tim Duncan em 2003 (24.2 pontos, 17 rebotes) a ter média de pelo menos 20 pontos e 10 rebotes ao longo das Finais. Aliás não consegui encontrar, além de James, um cara que não fosse pivô a alcançar esses números.

Os números comprovam o que LeBron James sempre foi, um puta jogador de basquete. Suas atitudes mostraram ao longo da temporada a maturidade esperada para um homem de 27 anos de idade que parece ter pensado bastante sobre as (várias) cagadas que fez ao longo da carreira. O título encerra as discussões tolas sobre ele não ser “vencedor nato”. Como disse Kevin Arnovitz nesse excelente texto do True Hoop, agora nós podemos colocar todas essas babaquices de lado e falar só de basquete, finalmente. Da próxima vez que LeBron James conseguir ou não ser campeão poderemos argumentar apenas falando do que aconteceu de certo e errado dentro de quadra. Ufa! Um alívio para LeBron e todos nós. Página virada.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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