A vida sem Billups

Billups e Paul apontam lugares aleatórios para parecerem interessados no jogo

Foi confirmada na noite da última quarta-feira a notícia que o Los Angeles Clippers temia. A lesão no tendão de aquiles de Chauncey Billups foi realmente grave e ele está fora do restante da temporada. De todas as fontes gringas que eu li, 95% dão como certeza que ele não volta ainda nesse ano, uma outra fonte disse que Billups está confiante de que ainda é possível e irá consultar novos médicos. Mas a verdade é que uma lesão desse tipo até coloca em risco a carreira do vovô Billups. Sua presença nos Jogos Olímpicos também provavelmente foi para o ralo.

Analisando o lado pessoal, é bem triste. Ele já tinha decidido que iria se aposentar em Denver, sua cidade natal, jogando pelo Nuggets. Aí acabou sendo envolvido na troca do Carmelo Anthony e foi para o Knicks. Engoliu o sapo e disse “Ok, fico em Nova York”. Foi anistiado (dispensado pela nova regra) para que o Knicks tivesse espaço salarial para assinar Tyson Chandler e pela nova regra da anistia não pode escolher para onde iria, simplesmente foi escolhido pelo Los Angeles Clippers. Ele até cogitou encerrar a carreira no meio dessa confusão toda, mas acabou aceitando e incorporando o papel de líder no jovem e promissor time outrora amaldiçoado. E aí, quando o time estava embalando ele se machucou. Não tem como não ficar com dó do Mr.Big Shot.

Mas e o time, como fica? Na prática eles fizeram uma troca. O primeiro jogo que Billups não pode jogar foi o da estreia de Kenyon Martin, recém-chegado da liga chinesa. Curioso que desde o começo da temporada é bem claro que o Clippers tinha muitos armadores e precisavam de um defensor de garrafão. Apesar dos tocos alucinantes de DeAndre Jordan e da boa defesa de perímetro de Chris Paul e até então de Chauncey Billups, o time é apenas tem apenas a 19ª posição na lista de times que menos sofrem pontos no garrafão. Já sabemos que Blake Griffin precisa melhorar muito na defesa e que Reggie Evans, embora seja um dos melhores reboteiros da NBA, não é grande coisa no mano a mano e muito menos na defesa de cobertura. Eles precisavam de alguém como Kenyon Martin e conseguiram.

A troca, portanto, era uma barbada que iria acontecer assim que sobrasse o cara certo. O Clippers acabou dando sorte que Kenyon Martin veio de graça, mas a contusão do Billups equilibrou a balança da sorte que já estava pesando demais para o lado positivo em um time tão zicado quanto eles. A questão principal é que eles provavelmente cogitavam trocar Mo Williams, Randy Foye ou Eric Bledsoe por esse defensor, não o Billups. Mas isso era pelo nome ou pelo o que ele estava rendendo dentro de quadra?

O PER (número que mede a eficiência dos jogadores usando uma fórmula que só o Jeremy Lin entende) do Billups nessa temporada é o seu pior desde a temporada 2000-01. O aproveitamento de arremessos dele (36%) é o pior desde a temporada 99-2000. Seu jogo também estava bem mais simples que o que nos acostumamos a ver, ele tentava 7.2 bolas de 3 por partida, seu máximo da carreira e um dos que mais queimam arremesso de longa distância na NBA, mas seu aproveitamento, embora alto (38%) é mais baixo do que o dos últimos anos. Ou seja, ofensivamente o Clippers perde um bom jogador, mas que não estava no seu auge e que não estava fazendo muito mais, às vezes bem menos ,do que os substitutos Randy Foye e especialmente Mo Williams, esse em especial tem jogado muito bem no ataque.

O problema é na defesa. Ou nem tanto? Quando o Clippers tem Mo Williams em quadra eles sofrem, em média, 1.12 pontos a cada posse de bola, um dos piores números do time. Com Billups, assim como com Foye, o número cai para 1.04. Ajuda Billups que ele geralmente divide o quinteto titular com DeAndre Jordan, que tem o melhor rendimento do time: 0.99. Mas temos que ser legais com Billups porque em muitos momentos ele estava marcando jogadores mais altos que ele, por jogar agora na posição 2 volta e meia ele estava ficando cara a cara com jogadores como Kobe Bryant, Dwyane Wade ou Kevin Martin, pontuadores natos e maiores que ele. Quando Billups joga na posição 1 é ele que sempre tem a vantagem física.

O Billups, portanto, era útil na defesa, mas nada de outro mundo também. Não só Randy Foye quebra um baita galho, como ainda existe a chance de deixar Caron Butler, esse sim excelente defensor, para cuidar desses pontuadores enquanto Ryan Gomes pode assumir o jogador da posição 3. Lembrando que mesmo prejudicando o ataque, Kenyon Martin já defendeu alas mais baixos anteriormente na sua carreira e pode ser improvisado. A perda de Billups é sentida, como de qualquer bom jogador, mas não parece ter grande impacto assim na defesa ou no ataque, seja pelos bons reservas ou pela chegada de Kenyon Martin. Até mesmo nas decisões tomadas em quadra ele não estava muito bem, assumindo demais seu papel de arremessador e menos de organizador.

Aparece então a última questão dele, o título de Mr.Big Shot. O Clippers não precisaria dele para arremessos decisivos no fim dos jogos? Certamente não incomodaria ter ele lá a postos para vencer jogos, ele fez isso naquela partida contra o Mavericks, lembram?. Mas ele faz menos falta se lembrarmos que o Clippers tem hoje em mãos um dos melhores finalizadores de jogos dos últimos tempos, Chris Paul.

Não estou falando isso só porque sexta-feira ele simplesmente costurou a defesa perfeita do Sixers para derrotá-los quase no último segundo, digo baseado na carreira toda de CP3 desde que foi draftado em 2005. No ano passado a NBA.com calculou a eficiência de times em jogos decididos por 5 pontos ou menos desde o ano em que Paul entrou na NBA. Nesse tempo todo o Hornets, time de Paul até essa temporada, tinha até então 80 vitórias e 44 derrotas nessa situação, aproveitamento de 64%. Apenas o Mavs teve mais vitórias, 90, com 40 derrotas, nesse período, mas com o detalhe que essa diferença entre vitórias e derrotas era compatível com o recorde geral do time de Nowitzki. Ou seja, o Mavs vencia apertado uma quantidade de jogos que costumavam vencer normalmente. O Hornets não, o aproveitamento geral deles nesse tempo foi de 54%, mas em jogos disputados pulava para 64%, maior melhora na liga. Se o jogo chegava apertado no final a chance do Hornets vencer era gigantesca, seja contra quem fosse.

Normalmente os números ofensivos das equipes caem se você só contar os últimos minutos de jogos apertados. Existe o nervosismo, a defesa atenta, a pressão. Mas o Hornets de Chris Paul tinha média de 1.7 pontos a cada posse de bola nos últimos 24 segundos de jogo. É um número compatível ao que os melhores ataques da NBA tem em jogos inteiros. Ou seja, o Hornets não era um time bom sempre, mas finalizava os jogos como ninguém. A jogada deles era simples: pick-and-pop entre Chris Paul e David West. Ou Paul infiltrava, ou arremessava de meia distância ou achava West para o arremesso se recebesse marcação dupla. Praticamente infalível.

Com a diferença que Griffin prefere atacar a cesta a ficar parado para o arremesso, é o que acontece agora também com o Clippers. Ontem Paul tentou achar Griffin, que perdeu a bola, na segunda tentativa ele foi sozinho e acertou o arremesso espetacular sobre o Andre Iguodala. E eles ainda tem os arremessos precisos de Caron Butler e Mo Williams para abrir espaço na quadra para que essa jogada seja realizada.

Não que o Clippers vá ser um time melhor sem Chauncey Billups, estava longe de ser um daqueles caras que atrapalham, mas me arrisco a dizer com alguma segurança de que não fará tanta falta assim dentro de quadra. O time tem as peças necessárias para cobrir tudo o que ele fazia. A diferença é que agora se exige mais dos que sobraram. Eric Bledsoe, que voltou agora de contusão, terá que armar bem o jogo, já que Mo Williams passará mais tempo na posição 2. Randy Foye não pode se dar ao luxo de ficar apagado em muitos jogos. No ano passado muita gente precisou cobrir o buraco no ataque que Caron Butler deixou no Mavs e acabou dando certo. Claro que contaram com contribuições improváveis como JJ Barea, mas é possível.

E é importante que Chauncey Billups se mantenha dentro grupo. Se existe algo onde ninguém lá pode substituí-lo é na parte da experiência e liderança. O time confia no que ele diz e segue o que ele fala. Será importante durante todo o resto da temporada e principalmente nos playoffs, mesmo que só nos bastidores.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!