Análise do Draft 2012 – Parte 1

Mais uma etapa da nossa existência passou, o Draft de 2012. É, também estou bem triste que as milhares de trocas que eram esperadas não aconteceu. Ninguém se seduziu com as centenas de escolhas do Houston Rockets, o Charlotte Bobcats não cedeu aos encantos do Cleveland Cavaliers pela 2ª escolha e pelo jeito o boato de James Harden pela escolha 3 do Wizards eram só isso mesmo, um boato. Mas tudo bem, ainda aconteceu muita coisa legal e temos muita coisa o que analisar. Começamos hoje pegando leve, só falando do Top 3, pode ser? Claro que pode, eu que mando. Até a semana que vem teremos abordado os 30 times que selecionaram ninfetas na noite de ontem.

 

A tradição dos posts do Draft é assim: Analisamos time por time, na ordem das escolhas e damos a cada equipe um selo de qualidade que resume o que achamos das escolhas no geral. O tema dos selos muda todo ano, já foi baseado em mulheres, números, Michael Jackson e até seleções brasileiras em Copas do Mundo. No ano passado tivemos sucesso usando Memes da internet para julgar os times no Draft. Nesse ano, como no ano passado, resolvi ficar na modinha. Gosto de mostrar pra essa galera IRADA que eu estou super por dentro da REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES. Uh tererê! Então o tema escolhido são as… Redes Sociais! Afinal as pessoas tem telefone hoje pra que, né? Pra ficar integrado com seus amigos (que nem são tão amigos assim). É a maior prova de que nós gostamos de ser sociais, desde que seja cada um na sua tela.

Vamos aos selos?

 

 Twitter: Eu sei que o Twitter pode ser um porre, acredite, já me irritei muito com comentários idiotas durante  jogos desses Playoffs. Mas ele é o que junta as melhores coisas das redes sociais: Pode ser engraçado, é o melhor jeito de acompanhar eventos ao vivos e informa bem. E você nem tem essa obrigação de ficar seguindo amiguinho. Lugar onde fakes ainda são respeitados e isso é bom. Selo para os times que mandaram bem demais, que tem jogadores completos na mão e que vão olhar pra trás com orgulho do Draft 2012.

 Orkut: Nem me venham falar em Orkutização,  elitismo social não tem vez no Bola Presa, mano! Admitam que o    Orkut tem bem menos frescura que o ~Feice~ e comunidades geniais como “Uma rodada de suco pra galera” e  “Qualquer coisa with lasers”. Bons tempos da internet malandra, moleque e menina. Sem frescuras, cutucadas e com muito stalk. Selo para os times que fizeram como o Orkut: não brilharam, mas fizeram a coisa certa.

 4square: Tal pessoa acabou de dar check-in no aeroporto para, sutilmente, dizer que está viajando para o  estrangeiro. Aquela mala sem alça se marcou na baladinha X para mostrar que tem amigos. Idiota, mas não  chega a ofender. Selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador, mas fizeram o que dava na hora.

 Instagram: Parece o máximo, parece que vale 1 bilhão, mas cedo ou tarde vão perceber que é só o maior  cardápio do mundo e todas as comidas parecem velhas. Tantos anos de evolução tecnológica para as fotos  parecerem velhas e borradas? Tá muito errado e não vai demorar para sacarem isso. É o selo para o time está achando que fez uma coisa boa,  mas que vai quebrar a cara em breve.

 Facebook: O cu das redes socias. A mais popular também. Por que a gente gasta horas da nossa vida vendo as  pessoas postarem indiretas para amigas falsas, frases motivacionais e versos de Caio F. Abreu? Não sei. Mas  aprendi que tenho muitos amigos felizes, bonitos, que viajam para a Europa e não veem a hora de chegar sexta-feira. Selo para os times que erraram feio e deveriam se envergonhar disso.

…..

 New Orleans Hornets
 (1) Anthony Davis, PF/C
 (10) Austin Rivers, PG/SG
                 (46) Darius Miller, SF

Não tinha como eles errarem com a primeira escolha. O mundo sabia que Anthony Davis seria o número 1 e não tinha como ser diferente, é aquele caso que o universo do basquete concorda e ninguém poderá cornetar caso dê errado. Mas é pouco provável que não seja um sucesso, o cara tem um físico surreal e já mostrou ótima defesa em nível universitário, onde foi campeão com a Universidade de Kentucky. Como já nos falaram os olheiros, esforço e boa defesa costumam se transferir bem para o nível profissional.

A questão agora é o ataque, o que ele melhorar mostrará o quanto poderá impactar a liga. Temos Ben Wallace para provar que dá pra fazer diferença sem saber fazer nada no ataque, temos Dwight Howard mostrando que dá pra ser o melhor pivô da NBA mesmo melhorando apenas de pouquinho em bem pouquinho, mas o Hornets espera mais. Após o Draft o técnico do time, Monty Williams, frisou e repetiu mil vezes que quer que todos tenham paciência com Anthony Davis. Ele admitiu que o garoto ainda tem muito o que evoluir e que é possível que não seja um LeBron James ou até Blake Griffin que já chegaram na NBA mudando tudo.

Foi até pensando nessa pressão que Monty Williams justificou a escolha de Austin Rivers. O filho do técnico do Celtics é conhecido pelo sua auto confiança fora da realidade, algo meio Mario Balotelli, sabe? Mas assim como o jogador mais divertido do futebol atual, Rivers justifica a confiança com muito talento. Ele sabe bater pra dentro, sabe chutar e controla muito bem a bola. Williams disse que gosta de ter jogadores competitivos na sua equipe e que a atenção que Rivers vai receber irá tirar um pouco da pressão de Davis. O único problema é que o Hornets já disse que irá igualar qualquer oferta por Eric Gordon, que é Free Agent Restrito. É possível misturar Gordon e Rivers no mesmo time? Vai ser um baita trabalho transformar o pontuador Rivers em um armador. Pode ser algo demorado e complicado, meio como foi com Russell Westbrook, que ainda hoje recebe críticas por não ser um “armador puro”.

Acho que para um time que precisa de uma nova cara, é sempre melhor negócio pegar o jogador que eles julgam mais talentoso ao invés de ficar selecionando por posição. Já pensou se selecionam Kendall Marshall, armador nato, e daqui um mês o Eric Gordon pede para ser trocado ou se machuca feio mais uma vez? Pegaram os caras bons e agora tem um bom tempo para se acertar dentro de quadra sem pressão por resultados imediatos. A proximidade de Rivers com Williams, que é grande amigo de seu pai, certamente ajudou a escolha e poderá ser útil para conter um pouco o ego do armador.

A escolha de 2ª rodada deles foi o ala Darius Miller. Geralmente escolhas lá pra casa dos 40 não tem muitas chances de NBA, mas como o elenco do Hornets não está grande e eles querem apostar em jovens, o cara pode acabar conseguindo um contrato. Ele é bem forte fisicamente e se der certo competirá por minutos com Al-Farouq Aminu. Bom nome para acompanhar durante a Summer League de Las Vegas que começa no próximo dia 13.

 

 Charlotte Bobcats
 (2) Michael Kidd-Gilchrist, SF
 (31) Jeffrey Taylor, SG/SF

Dá pra julgar a escolha do Bobcats por Michael Kidd-Gilchrist de 3 maneiras diferentes: (1) Foram corretos, não arriscaram e pegaram um cara que pode contribuir desde já. (2) Foram covardes, deveriam ter arriscado em um cara que pode virar uma estrela. Ou (3) Porra, esse negócio de Força Nominal funciona mesmo!

Eu tendo a ficar mais com a primeira. O Bobcats já se arriscou muitas vezes no passado atrás desse super cara que fosse virar estrela: Adam Morrison, DJ Augustin, Raymond Felton, Emeka Okafor… no fim ninguém virou grande coisa. A última foi Kemba Walker, que não foi ruim no ano passado, mas também não inspirou muita confiança por mudança. Escolher Bradley Beal ou Harrison Barnes poderia acabar sendo outro cara que faz um punhado de estatísticas, mas que não muda a cara de um time que é o menos respeitado da NBA na atualidade. O mesmo vale para o bonzinho e chorão Thomas Robinson.

Com Michael Kidd-Gilchrist eles tem em mãos um cara competitivo, esforçado, viciado em defesa, que está o tempo inteiro treinando e que se destacou na Universidade de Kentucky (sim, a mesma de Anthony Davis) justamente por sua liderança dentro de um time cheio de jogadores bons. O novo técnico do time, Mike Dunlap, afirmou após o Draft que decidiram por Gilchrist justamente para que ele seja o líder nessa renovação do Bobcats. Faz sentido, a única boa fase do time em seus 8 anos de história foi quando tiveram um elenco razoável liderado pelo clone de Kidd-Gilchrist, Gerald Wallace, em sua melhor forma. A nova “cara da franquia” não é necessariamente o melhor jogador disponível.

Se por acaso Bradley Beal, Harrison Barnes ou Thomas Robinson virarem ótimos jogadores vão acabar criticando ainda mais o Charlotte Bobcats, mas entendo a decisão deles após acabarem uma temporada como o pior time da NBA em todos os tempos. Precisavam de alguém que fosse macho alfa o bastante para fazer esse ambiente derrotado dar uma reviravolta. Mas o cara ter a capacidade de virar um dos melhores defensores de toda a liga certamente contribuiu com todo esse papo de liderança, claro.

Se Gilchrist é uma cópia de Gerald Wallace, a escolha de 2ª rodada deles, Jeffrey Taylor, pode ser comparado ao ala Jared Dudley do Phoenix Suns. Outro especialista de defesa, versátil o bastante para marcar desde o armador até o ala e sabe colocar uns arremessos na cesta quando está livre. Esse Draft não resolveu o problema do time em marcar pontos, longe disso, mas deixou o time bem mais forte defensivamente. É o primeiro passo de muitos que o Bobcats precisa dar para virar um time relevante.

Precisamos lembrar também que o Charlotte Bobcats, dias antes do Draft, trocou Corey Maggette com o Detroit Pistons para receber Ben Gordon e uma escolha de 1ª rodada de Draft. Muito bom adicionar escolhas, sempre. Já Ben Gordon pode tentar resolver um pouco desse problema de pontuação deles. Claro que vendo tanta grosseria do seu lado, BG vai sorrir e tentar 97 arremessos por partida, mas melhor isso do que o Tyrus Thomas tentando qualquer chute.

 

 Washington Wizards
 (3) Bradley Beal, SG
 (32) Tomás Satoransky, PG

Essa escolha caiu na mão do Wizard, não tinha o que pensar duas vezes. Após as trocas que eles fizeram nas últimas semanas o único buraco no elenco era na posição 2, justamente a de Bradley Beal. Mas não é só a posição, Beal tem também outras duas características que o Wizards procurava: Arremessos de longa distância e personalidade.

Depois de Gilbert Arenas, Javaris Critentton, JaVale McGee, Nick Young e Andray Blatche, cansaram dos caras malas. Se Beal pudesse virar um cara assim é possível que até tentassem trocar a escolha, mas ele parece ser um jogador mais tranquilo que esses citados. Apesar de saber controlar a bola e atacar a cesta, sua maior qualidade é o arremesso de longa distância. Talvez a comparação com Ray Allen chame muita atenção por tudo que Ray Ray fez na carreira, mas o estilo pode ser considerado o mesmo, especialmente comparando ao começo da carreira do veterano, quando ele ficava mais com a bola na mão. Com Nenê e Wall entrando no garrafão adversário, Beal terá boas chances de mostrar que é um bom chutador. Ótima escolha!

A briga de Beal pela posição de Shooting Guard (2) com Jordan Crawford pode ser interessante, mas apostaria em Beal desde já porque ele não parece ser o cara que arremessaria uma bola de 3 do pontos de quase do meio da quadra com 20 segundos sobrando de posse de bola. Mas sei lá, só um palpite. Um dos dois vira titular, o outro deve ser o 6º homem do time.

A decisão pelo armador tcheco Tomás Satoransky na 2ª rodada foi boa também. E não é só porque o Wizards pegou 2 caras dos 9 melhores em Força Nominal, mas porque eles precisam de um reserva melhor que Shelvin Mack para John Wall. O armador ainda não sabe se vai para a NBA ou se passa mais um ano na Europa, disse que ainda está em 50% de chance pra cada lado, mas seria bom se viesse logo. Além da necessidade de um jogador de sua posição, o único outro jogador tcheco da liga está também no Wizards, Jan Vesely. O beijoqueiro do Draft 2011 teve um ou outro jogo bom ano passado, mas não encantou e precisa mostrar serviço para entrar na nova rotação do time. Ele é amigo próximo de Satoransky e isso pode ajudar os dois na transição para a vida nos EUA. Se criarem um entrosamento bom também dentro de quadra poderão deixar o banco de reservas do Wizards bem forte.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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