Análise do Draft 2013 – Parte 1

Demorou quase uma semana, mas começamos agora a primeira parte da análise enorme e detalhada do Draft 2013. Começamos com 5 times e ao longo dos próximos dias iremos analisar todas as equipes que escolheram novos jogadores. Aproveitem e, enquanto isso, acompanhem a movimentação dos Free Agents em nossa planilha e nosso novíssimo Podcast.

Stern Bennett

A tradição dos posts do Draft é assim: Analisamos time por time, na ordem das escolhas e damos a cada equipe um selo de qualidade que resume o que achamos das escolhas no geral. O tema dos selos muda todo ano, já foi baseado em mulheres, números, Michael Jackson, memes da internets e até seleções brasileiras em Copas do Mundo. No ano passado tivemos sucesso usando Redes Sociais como parâmetro.

Nesse ano, mantendo a tradição, fizemos selos de qualidade baseado em um assunto gostoso do momento: manifestações no Brasil.

Passe Livre Passe-Livre: Contra corporações que faturam em cima de um serviço básico, é apartidário mas não é anti-partidário, tem uma luta focada e organizada e conseguiu seu objetivo, revogar o aumento das passagens. Selo para os times que sabiam o que queriam, correram atrás e vão olhar para o Draft 2013 com orgulho.

Ruas Sair Na Rua: Muita gente só saiu na rua, meio sem saber o que fazer. O ideal pode ser ter um ideal, uma causa para lutar e assim forçar mudanças, mas não podemos ignorar a beleza e o poder de uma multidão concordando apenas em sua insatisfação. Selo para quem não foi perfeito no Draft, mas fez a coisa certa.

vandalismo ~Vandalismo~: Quem quebrou coisas na rua virou inimigo número 1 da multidão, mas nem por isso a pessoa é idiota. Teve gente que fez porque é babaca, teve gente que fez porque acredita que quebrar propriedades públicas ou privadas é um modo de lutar pelo o que se quer. Talvez não seja a forma ideal de conquistar as coisas, mas é válida e às vezes a única coisa que dá.  Selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador, mas fizeram o que dava na hora.

Guy Fawkes Máscara do Guy Fawkes: Símbolo de uma bizarra história real e que ficou famosa por uma história em quadrinhos fantástica, mas as pessoas insistem em estragar coisas boas. Usar a máscara por usar e movimentar um mercado paralelo de gente lucrando com isso parece fugir ao motivo original. É o selo para o time está achando que fez uma coisa boa,  mas que vai quebrar a cara em breve.

CoxinhaCoxinha: Sou brasileiro com muito orgulho e muito amor, estamos todos juntos aqui pelo Brasil, seja lá o que isso quer dizer. Vamos lutar contra a corrupção mesmo sem saber se existe alguém que é a favor. O mensalão é holocausto brasileiro. Imposto zero! Selo para os times que erraram feio e deveriam se envergonhar disso.

……

Guy FawkesCleveland Cavaliers
(1) Anthony Bennett / SF/PF
(19) Sergey Karasev / SG
(33) Carrick Felix / SF

O General Manager Chris Grant assumiu a posição de comando da equipe em Julho de 2010, desde então basicamente usou apenas o Draft para suas contratações mais importantes. É responsabilidade dele as polêmicas escolhas de Tristan Thompson, Dion Waiters e, agora, de Anthony Bennett. Por que ele odeia o óbvio?

Claro que foi surpreendente ver Bennett na primeira escolha, simplesmente NINGUÉM conseguiu prever essa. Mas por outro lado, Waiters e Thompson não eram também muito bem cotados para suas escolhas, Grant parece gostar de surpreender e de não ir com o gosto da mídia ou da maioria dos olheiros. O queridinho da mídia era Victor Oladipo, a escolha óbvia era Nerlens Noel e muitos achavam que o maior talento bruto era o de Ben McLemore. Bennett já chega com a missão de provar que eles estavam errados.

Mas vamos ignorar o fato de que outro jogador pode render mais que Bennett na NBA, o ponto do Cavs já não é a busca incessante por estrelas, mas sim a busca por um time e por resultados. Eles tem um ótimo pivô-faz-tudo experiente com Anderson Varejão, um dos melhores jovens da atualidade, Kyrie Irving e precisam rechear esse miolo com peças complementares para brigar por Playoff. Mesmo que Bennett não seja o melhor jogador ano, ele é a peça que falta nessa equipe? Meu palpite é que… mais ou menos. Por um lado ele é um pontuador que vai tirar peso das costas de Irving, mas como virão esses pontos? O time precisa de bolas de 3 e um confiável atacante de garrafão, Bennett oferece a segunda parte, mas ele se recusa a assumir que é um power forward. Será que alguém o convence do contrário? E, se sim, como ele se vira marcando alas mais altos do que ele? Ou, se jogar mesmo na posição 3, como se vira sem a velocidade dos caras dessa posição. Sem chance dele marcar Paul George, LeBron James, Kevin Durant, Carmelo Anthony e cia. Sua velocidade e explosão podem ser a resposta que o Cavs precisava para pontos no garrafão, mas superar a questão da falta de posição definida será fundamental. E podemos lembrar do passado recente, com Michael Beasley e Derrick Williams sofrendo com os mesmos problemas.

Com a escolha 19 o Cavs pegou o jovem russo Sergey Karesev, ótimo arremessador e grande promessa do basquete europeu. Muito pirralho e pode ficar na gringa mais um ano, mas a que tudo indica o Cavs deve chamá-lo já para a próxima temporada. Veremos se ele se desenvolve para mais alguma coisa, mas se só continuar sendo um especialista em 3 pontos já é algo que o Cavs precisa. Quanto mais chutadores, mais perigosas ficam as infiltrações de Irving. Fechando o Draft, o intenso e forte Carrick Felix, opção barata para um defensor de perímetro que joga alguns minutos por jogo.

 

Passe LivreOrlando Magic
(2) Victor Oladipo / SG
(51) Romero Osby / PF

O Orlando Magic já pode ser considerado um dos vencedores da troca do Dwight Howard, né?. Descobriram Nikola Vucevic e viram os outros envolvidos sofrerem com a falta de resultados com seus novos contratados, mas, além disso, federam o bastante para faturar essa segunda escolha e o queridinho Victor Oladipo. Fisicamente o cara impressiona, levando pessoas a comparar ele com o Michael Jordan da época de faculdade, além de ser um ótimo defensor e uma ameaça quando bate para dentro do garrafão. Alguns problemas de controle de bola e excesso de turnovers fazem muita gente ter medo que ele não seja eficiente o bastante no ataque, mas só o tempo vai dizer o que ele vira.

Gosto da comparação com o jovem Jordan porque MJ é um bom exemplo de como o Draft pode indicar muita coisa, mas não define o futuro de ninguém. Ele chegou na NBA fominha e com arremesso inconsistente, ralou para se tornar, ao longo dos anos, um dos jogadores mais completos da história. Poucos chegam prontos na NBA e Oladipo é mais um dos que precisam trabalhar demais. Se não desenvolve a capacidade de criar seu arremesso, pode virar um especialista em defesa que só faz ponto em contra-ataque, algo como Tony Allen. Se usa essa explosão para passar dos seus marcadores, nada o impede de virar uma versão de Russell Westbrook. Nesse mar de incertezas a escolha do Magic pode se justificar pela fama de Oladipo ser viciado em treinos, de ser um jogador obediente e de ter melhorado bastante a cada ano que passou na faculdade.

Na segunda rodada o escolhido foi o ala Romero Osby. Baixo para brigar no garrafão, mas é bom reboteiro e tem arremesso de meia distância. Padrão Brandon Bass-Udonis Haslem de ser. Teve sorte de cair em um time em reconstrução e provavelmente terá espaço para tentar mostrar serviço.

 

RuasWashington Wizards
(3) Otto Porter Jr / SF
(35) Glen Rice Jr / SG/SF

Faltou só o Neymar Jr nesse Draft cheio de juniores do Wizards. A escolha de Otto Porter era previsível (talvez a única previsibilidade nesse Top 10) porque ele faz tudo o que o Wizards precisa. Bom defensor de perímetro, tem jogo maduro o bastante para causar impacto já nesta temporada, onde todos imaginam que o time pode brigar por vaga nos Playoffs, e sabe se movimentar sem a bola. Conseguirá ser eficiente mesmo com John Wall e Bradley Beal comandando o ataque.

Por outro lado, quem poderia prever que Nerlens Noel iria cair e não seria a primeira escolha? Será que não surgiu aquela coceira e vontade de garantir um baita pivô defensivo e atlético? As qualidades de Noel se encaixam com o estilo de jogo do time, que chegou a investir pesado em Emeka Okafor buscando mais proteção do garrafão e que procura pessoas que possam jogar a transição ofensiva com velocidade compatível aos patins que John Wall tem nos pés. Por mais que Porter seja uma aposta segura e de perfeito encaixe, será que não valia a aposta em Noel? Difícil decidir já que a posição de Porter, small forward, é a posição do momento, enquanto ter um pivô de qualidade sempre foi um pré-requisito básico para se ter um time vencedor na NBA. Em uma franquia que já se ferrou tanto com lesões e decisões equivocadas, não os culpo por irem pelo caminho mais seguro, porém.

O filho do grande Glen Rice, 4ª escolha no Draft de 1989, foi a aposta da segunda rodada pelo Wizards. Como o pai, Rice tem bom arremesso de média e longa distância, mas peca em velocidade, limitando seu jogo na NBA. Por essas dificuldades, dificilmente será titular, mas acertando arremessos será bem vindo em um time que tem bons passadores e criadores de jogada com Wall, Beal e Nenê.

 

vandalismoCharlotte Bobcats
(4) Cody Zeller / C

 

Na hora do Draft parecia que o Bobcats poderia ser o time que ia ter coragem e apostar em Noel. O projeto deles, afinal, é para longo prazo e eles poderiam esperar a recuperação do joelho do garoto. Por outro lado, se lembrarmos a escolha de Michael Kidd-Gilchrist no ano passado, vemos que o Bobcats é um time tentando criar o que chamam nos EUA de “cultura de basquete”. Eles querem dar uma identidade para a equipe e para isso estão em busca de “substância ao invés de estilo”, para usar o termo do NBADraft.net. Em outras palavras, eles querem jogadores comprometidos, sérios, com ego sob controle, que não desejem fugir do time na primeira chance e que sejam eficientes, mesmo que não tenham o potencial de superestrela que outros caras possam ter.

Sob esse aspecto a personalidade expansiva de Noel não fazia muito sentido, além deles já estarem apostando em um jogador com característica parecida, Bismack Byiombo. Ao invés disso foram para Cody Zeller, pivô cheio de recursos ofensivos e que ainda gosta (e sabe fazer) de um jumper de média distância. Ele tem a velocidade e a agilidade para jogar em alguns momentos mais longe da cesta ou marcar um jogador mais baixo, isso dá flexibilidade para a dupla Byiombo-Zeller atuar junta por bastante tempo. O questionamento sobre ele ser forte, física e mentalmente, é padrão com pivôs magros e brancos, mas acho que Zeller supera isso. Diria que ele tem potencial para ser uma versão mais veloz de Chris Kaman. Talvez no futuro a gente se lembre de caras de melhor carreira que o Bobcats poderia ter escolhido, mas Zeller tem talento para causar algum impacto positivo na franquia.

 

Passe LivrePhoenix Suns
(5) Alex Len / C
(29) Archie Goodwin / SG
(57) Alex Oriakhi / PF/C

Muita gente acreditava que Alex Len seria a escolha do Cleveland Cavaliers na primeira posição. Pivôs rápidos, ágeis e cheios de recursos ofensivos não aparecem todo os dias e o Cavs não teria errado se realmente apostasse no ucraniano. Len consegue ter mais jogadas de ataque do que Noel (Len se saiu melhor no duelo entre os dois na faculdade) e fisicamente ele consegue se impôr mais do que Zeller. Pense em Len, especialmente no ataque, como um Brook Lopez em desenvolvimento. Entendo que Noel seja mais do tipo Defesa-Velocidade que é o que os times exigem de seus pivôs hoje, mas ainda acho que vale demais ter um cara que possa marcar pontos como um bom e velho pivô crássico. Nisso, sou #TeamOldSchool

Mas a escolha de Len vai além disso. Sua chegada libera o Suns para trocar Marcin Gortat, o ótimo pivô polonês que agora vira valiosa moeda de troca. Junte-se a isso o fato de que eles acabaram de trocar Jared Dudley por Eric Bledsoe e Caron Butler e temos um time cheio de possibilidades. Será que Len vai se aproveitar das infiltrações de Bledsoe ou do pick-and-roll de Dragic? Ou os dois jogam juntos como fazia Bledsoe com Chris Paul? Bom, de qualquer forma, eles podem montar o time e fazer suas trocas contando com o fato de que provavelmente já tem um bom pivô garantido para o futuro próximo.

No fim da primeira rodada o Suns apostou em Archie Goodwin, jovem shooting guard de Kentucky. O garoto sabe atacar a cesta e certamente tem o físico e a velocidade de um jogador titular na NBA, mas a impressão geral de todos os que acompanharam ele de perto é que ainda não está pronto para a NBA. Em outras palavras, a sua cabeça ainda não acompanha toda sua capacidade física. Compreensível que um jogador tenha ansiedade de ir para a NBA logo e assim ser pago ao invés de ser escravo da faculdade, mas Goodwin é um daqueles que poderia crescer bastante com mais um ano de desenvolvimento. Acredito que o Suns sabe disso e vai ter paciência com ele.

No fim do Draft uma escolha digna de fim de Draft, Alex Oriakhi. Um jogador de garrafão forte e atlético que briga e pega rebotes. Se por acaso ele virar um reboteiro brigador melhor que outros reboteiros brigadores da NBA, terá emprego por alguns anos. Sua Força Nominal é um bom começo, tem nome de sushiman que nunca sorriu.

 

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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