Análise do Draft – Parte 2

Sem muita enrolação, continuamos aqui a Análise do Draft 2012. Na 1ª parte comentamos os times que fizeram as 3 primeiras escolhas: New Orleans Hornets, Charlotte Bobcats e Washington Wizards. Hoje seguiremos com mais 6 equipes, mas antes precisamos explicar nosso novíssimo sistema de avaliação, os Selos de Qualidade Bola Presa – Edição Redes Sociais. (entenda mais sobre a história dos Selos do Bola Presa na Parte 1 da Análise)

 

 Twitter: Eu sei que o Twitter pode ser um porre, acredite, já me irritei muito com comentários idiotas durante  jogos desses Playoffs. Mas ele é o que junta as melhores coisas das redes sociais: Pode ser engraçado, é o melhor jeito de acompanhar eventos ao vivos e informa bem. E você nem tem essa obrigação de ficar seguindo amiguinho. Lugar onde fakes ainda são respeitados e isso é bom. Selo para os times que mandaram bem demais, que tem jogadores completos na mão e que vão olhar pra trás com orgulho do Draft 2012.

 Orkut: Nem me venham falar em Orkutização,  elitismo social não tem vez no Bola Presa, mano! Admitam que o    Orkut tem bem menos frescura que o ~Feice~ e comunidades geniais como “Uma rodada de suco pra galera” e  “Qualquer coisa with lasers”. Bons tempos da internet malandra, moleque e menina. Sem frescuras, cutucadas e com muito stalk. Selo para os times que fizeram como o Orkut: não brilharam, mas fizeram a coisa certa.

 4square: Tal pessoa acabou de dar check-in no aeroporto para, sutilmente, dizer que está viajando para o  estrangeiro. Aquela mala sem alça se marcou na baladinha X para mostrar que tem amigos. Idiota, mas não  chega a ofender. Selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador, mas fizeram o que dava na hora.

 Instagram: Parece o máximo, parece que vale 1 bilhão, mas cedo ou tarde vão perceber que é só o maior  cardápio do mundo e todas as comidas parecem velhas. Tantos anos de evolução tecnológica para as fotos  parecerem velhas e borradas? Tá muito errado e não vai demorar para sacarem isso. É o selo para o time está achando que fez uma coisa boa,  mas que vai quebrar a cara em breve.

 Facebook: O cu das redes socias. A mais popular também. Por que a gente gasta horas da nossa vida vendo as  pessoas postarem indiretas para amigas falsas, frases motivacionais e versos de Caio F. Abreu? Não sei. Mas  aprendi que tenho muitos amigos felizes, bonitos, que viajam para a Europa e não veem a hora de chegar sexta-feira. Selo para os times que erraram feio e deveriam se envergonhar disso.

 

….

 Cleveland Cavaliers
 (4) Dion Waiters, SG
 (17) Tyler Zeller, C

O time mais difícil de analisar nesse Draft. Se confiarmos nos especialistas da imprensa americana, o Cavs pegou um jogador que não foi tão bem na NCAA mas que tem tudo para brilhar na NBA e outro que fez o contrário, foi ótimo no nível universitário mas as pessoas ainda não sabem como isso vai se transferir para o profissional. O Draft é louco assim.

O primeiro caso é o da surpreendente 4ª escolha, Dion Waiters. Assim como Marvin Williams (2ª escolha em 2005), Waiters foi um dos primeiros selecionados no Draft mesmo sem ter sido titular na temporada anterior da NCAA. Tinha minutos de titular, claro, mas por problemas de adaptação, faltas e comportamento (especialmente no 1º ano) foi relegado à reserva. Até algumas semanas atrás ele estava cotado para ficar no fim do Top 10, mas depois de espetaculares treinamentos de última hora, subiu até a 4ª escolha do Cavs. Os tais workouts são uma boa forma de se ver jogadores do Draft se enfrentando em situações de mano a mano, mas podem ter resultados diversos: O Wizards escolheu Kwame Brown em 2001 depois dele chutar a bunda do Tyson Chandler num treino entre os dois. Já o Celtics foi atrás de Rajon Rondo porque ele dominou os treinos físicos e individuais. Como confiar?

Mas não é só essa carreira mais ou menos na NCAA que me assusta, Waiters também era um jogador que controlava muito a bola, alguém que precisava da laranja na mão para criar situações de ponto. Na NCAA isso prejudicava o jogo coletivo do time de Syracuse, mas acreditam que na NBA pode dar mais certo. Ok, mas e Kyrie Irving? Já não é um armador que exige muito a bola em sua mão, dá pra criar um entrosamento entre os dois ou vai ficar aquela coisa Steph Curry e Monta Ellis? O cara pode acabar sendo bom mesmo, mas não se encaixa nem no caso do melhor talento disponível (Harrison Barnes parece bem melhor por enquanto) e nem no da posição e estilo que o time mais precisava (Thomas Robinson seria melhor parceiro de garrafão de Varejão do que é Tristan Thomspson).

Por outro lado, Tyler Zeller na 17ª escolha foi um achado. Muita gente acreditava que ele sairia na 11ª posição para o Blazers, mas ele foi caindo. Apesar de ter mostrado boa defesa e algum talento de costas para a cesta no basquete universitário, há preocupação com sua saúde. Mas não sei, confio que jogadores que já foram bons antes podem continuar sendo bons depois. Se não como estrelas como eram na faculdade, é só achar um jeito de usar seus talentos de outra forma. JJ Redick é o melhor exemplo disso, acho. E o bom é que Zeller nem precisa ser um titular incontestável, o time ainda confia em Tristan Thompson (eu não) para ser o ala de força titular e Anderson Varejão, se não for trocado, é o incontestável pivô titular. Ter um bom reserva é sempre valioso na NBA e pode ser útil para o ex-pivô de North Carolina começar mais escondido para a difícil transição para a NBA.

A escolha só pode ser criticada por um outro ponto de vista: A posição 17 não era do Cavs, eles precisaram mandar as posições 24, 33 e 34 para o Dallas Mavericks para isso. Muito caro? Por confiar que Zeller possa ter um futuro bom, achei boa a troca, mas teve gente que achou que pelo magro elenco o Cavs deveria ter apostado em sair do Draft com mais novatos.

 

 Sacramento Kings
 (5) Thomas Robinson, PF

O Sacramento Kings só tinha uma escolha no Draft, mas saiu como um dos vencedores da noite. Thomas Robinson foi o jogador que mais se emocionou na noite, chorou, mal conseguiu dar entrevista. Um fofo! Isso não combina em nada com o resto do elenco do Kings, que tem o marrento Marcus Thornton, o preguiçoso Tyreke Evans e o Balotelli DeMarcus Cousins. Dizem que Thomas Robinson, além de gente boa, é também conhecido por treinar muito, ser sério e concentrado. Será que ele consegue influenciar o time em volta dele ou são os outros que vão ser má companhia?

Questões de comportamento à parte, Robinson ajuda o Kings com algumas das muitas coisas que eles precisam dentro de quadra. Seu arremesso de meia distância o faz um bom parceiro de garrafão para Cousins, mas também parece ser forte o bastante para jogar lá dentro quando Cousins inventa de ser ala (não que o técnico peça isso pra ele, claro). Mas mais importante que isso é que Robinson é um excelente reboteiro, ótimo para um time que foi o 2º pior time de toda a NBA nessa categoria na última temporada. Ter Robinson também significa que o Kings pode se dar ao luxo de não gastar uma nota preta para renovar com Jason Thompson. Se sair barato, pode ficar para o banco, se pedir demais pode ir embora. Nada mal pegar um cara cotado para a 2ª escolha com sua 5ª posição, bom Draft do Kings.

 

 Portland Trail Blazers
 (6) Damian Lillard, PG
 (11) Meyers Leonard, C
                 (40) Will Barton, SG/SF

O Blazers já estava de olho em Damian Lillard faz tempo, se apaixonou mais nos treinos pré-Draft e parecia que nenhum time antes dele se interessava pelo armador. Era a aposta mais fácil da noite. Também ajuda que o experimento com Raymond Felton na temporada passada foi um desastre, o Blazers precisa de um armador.

Os questionamentos sobre Lillard se dão por duas coisas: Primeiro que ele jogou em uma divisão muito fraca do basquete universitário, sem adversários de peso. Depois que seu estilo é muito agressivo, daqueles caras que pensam em costurar a defesa adversária antes de chamar uma jogada. Será que isso não vai prejudicar um time que já disse pra todo mundo ouvir que vai ser formar em volta de LaMarcus Aldridge e Nicolas Batum? Será que ele é bom no pick-and-roll, melhor jogada de Aldridge? Acho que é possível que dê certo, mas confiar a armação a um novato sempre é um risco.

Outro risco na escolha 11. Com o sólido Tyler Zeller disponível, o Blazers escolheu o pivô mais novo e com mais “”””potencial””””, essa palavra tão perigosa. Meyers Leonard pode virar um daqueles defensores atléticos e empolgantes que conseguem dar tocos na defesa para 2 segundos depois estarem no ataque enterrando. Ou pode ser um dos que fazem 5 faltas em 5 minutos. De qualquer forma, não é estranho que o Blazers esteja atrás de Omer Asik na Free Agency, Leonard deve demorar uns anos para se desenvolver.

Com a escolha de 2ª rodada o Blazers, em contraponto com as decisões anteriores, foi seguro. Pegou o ala Will Barton, um cara que é limitado, mas entende o jogo, sabe defender e pode ter futuro na NBA como role player. Como o time está com elenco magro, pode acabar arranjando um contrato e aprendendo bastante com Wesley Matthews.

 

 Golden State Warriors
 (7) Harrison Barnes, SF
 (30) Festus Ezeli, C
                  (35) Draymond Green, SF/PF
                  (52) Ognjen Kuzmic, C

Por um lado gostei muito da escolha do Golden State Warriors, afinal pegaram um jogador que era certamente um dos melhores ainda disponíveis nessa altura do Draft e que ao mesmo tempo é da posição que eles mais precisam. Com um quinteto de Steph Curry, Klay Thompson, Harrison Barnes, David Lee e Andrew Bogut dá até pra sonhar com bons resultados nos próximos anos. Mas por outro lado achei que Barnes não cobre uma das maiores necessidades dessa equipe: Infiltração.

Pense bem, Steph Curry se consolidou como um dos melhores arremessadores da NBA, Klay Thompson fez bom ano de novato também com os chutes de fora, agora Barnes é o terceiro especialista na mesma coisa. Na temporada universitária Barnes estava brilhando até que seu arremesso de fora começou a não cair mais, nessa má fase teve dificuldades em pontuar como antes. Podemos comparar esse elenco ao Orlando Magic: Mesmo sem grandes infiltradores, conseguiam liberar seus arremessadores com um bom pivô (Dwight Howard) e boa movimentação de bola. O Warriors pode tentar repetir isso com entrosamento e bons jogos de Andrew Bogut, um dos melhores passadores da posição na liga. O problema é que o próprio Magic, mesmo em seus melhores dias, sentia falta de alguém atacando a cesta. Ótima escolha do Warriors, claro, Barnes parece que pode ser titular desde já, mas que fique claro que não resolve os problemas da equipe.

Com a 30ª escolha o Warriors pegou um pivô enorme, mas que “ainda precisa trabalhar seu jogo”. Ou seja, um gigante que não sabe jogar basquete. Quem sou eu pra discordar dos olheiros, mas nunca vou botar fé nesse tipo de escolha. Ainda mais vinda de um time que já escolheu Ekpe Udoh, Anthony Randolph e, irgh, Patrick O’Bryant. Esse último, na época do Draft 2006, admitiu com todas as letras que não era bom e não sabia porque o tinham escolhido na 9ª posição. Na 2ª rodada o Warriors nos presenteou com bons clichês: Primeiro um bom defensor em Draymond Green, depois um gigante europeu que tem anos e anos de contrato na Europa, o bósnio Ognjen Kuzmic. Esse ano em especial o 2º round pode ser resumido em um monte de gente draftando europeus jovens para esperar que eles virem alguma coisa no futuro.

 

  Toronto Raptors
 (8) Terrence Ross, SG/SF
 (37) Quincy Acy, PF

Juro que não sei o que achar de Terrence Ross. Não acompanhei sua carreira universitária de perto e quando fui pesquisar sobre ele achei coisas como “Raptors claramente pegou o melhor jogador disponível”, “Toronto não quis arriscar e pegou um bom role player”, “Caras atléticos que só sabem pular não me enganam” e, por fim, “Ótimo defensor, que sabe arremessar e atacar a cesta”. Quem é esse cara, afinal?! Estão todos falando do mesmo Terrence Ross?

Do pouco que sei dele e pelo o que pesquisei na imprensa canadense, apostaria que ele foi o cara da escolha segura. Pra quem arriscar com o instável Andre Drummond ou o estrelinha Austin Rivers? Ross sabe defender, faz seus pontos e pode dividir funções com DeMar DeRozan. Para um time que espera Jonas Valanciunas dominando o garrafão e possivelmente Steve Nash comandando o show, parece ser o bastante.

Na 2ª rodada eles não foram na modinha defensor/gigante europeu do resto da NBA, preferiram ser vintage e escolheram a moda verão 2006/07 de “ala-de-força-bom-mas-baixo-para-a-posição”. Na linha de Carl Landry, Jason Maxiell e Paul Millsap (entre outros que não deram certo), eles apostam que Quincy Acy pode ser, ao lado de Ed Davis, a parte suja de um garrafão finesse de Bargnani e Valanciunas.

 

 Detroit Pistons
(9) Andre Drummond, PF/C
 (39) Khris Middleton, SG/SF
                  (44) Kim English, SG

Mundo mundo, vasto mundo. O Detroit Pistons dominou a Força Nominal no Draft 2012. Pegou o poeta Andre “Carlos” Drummond, a princesinha do povo Khris Middleton e o agente secreto Kim English. Sei lá se tudo isso vai dar certo, mas juntando com Charlie Villanueva, Greg Monroe e Tayshaun Prince é o time com mais força nominal na NBA atualmente.

Gostei da escolha de Drummond na 9ª colocação. Ao lado de Greg Monroe eles podem tentar repetir a última dupla de sucesso no garrafão do Pistons, Ben e Rasheed Wallace. Como naquele caso, fica pouco claro quem é o pivô e quem é o ala na dupla, podendo variar durante o jogo dependendo da jogada chamada ou do adversário. Enquanto Monroe, apesar de forte, é bastante técnico, Drummond é um gigante em tudo (tudo que interessa no basquete, não me leve a mal): Braços longos, envergadura fora da realidade, 2,10m de altura, forte, impulsão magnífica. Tudo isso com boa noção defensiva e uma cabeça meio maluquinha. Em outro time um cara com a personalidade dele seria preocupação, mas na cidade que fez Isiah Thomas, Bil Laimbeer, Dennis Rodman e Rasheed Wallace campeões, chamamos de tradição.

Enquanto Drummond não desenvolver seu jogo, poderá ter impacto na defesa e eventualmente em enterradas, algo à lá DeAndre Jordan. Mas existe a chance dele virar um cara mais completo, bom que Monroe já seja melhor para tirar essa responsabilidade dele criar muito no garrafão de ataque. Se der entrosamento eles podem causar problemas no Leste nos próximos anos, principalmente com essa modinha dos times usarem cada vez mais alas improvisados de pivô. Gostaria de ver o Pistons mantendo Ben Wallace como tutor de Andre Drummond, pode dar resultado.

Também gostei das escolhas de 2º round do time. Kim English é bom arremessador e isso nunca é uma escolha ruim, qualquer coisa que adicionar a mais é lucro. Já a princesa Middleton é um daqueles magricelos chatos à lá Royal Ivey, mas com altura. Sabe fazer um pouco de tudo embora tenha o corpo de um subnutrido. Para um time empacado há anos não é nada mal sair do Draft com um ala de força titular, um especialista de longa distância e um role player.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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