Aprendendo com o Houston Rockets

Quem nos acompanha há algum tempo deve saber que eu adoro o Daryl Morey, General Manager do Houston Rockets. Para quem não lembra, eu explico os motivos: Morey é um dos primeiros caras importantes da NBA a não ter um passado dentro do basquete. Não era ex-jogador, técnico ou garoto da água, ao invés disso se formou em ciências da computação e aos poucos foi se metendo no mundo do basquete. Começou no Boston Celtics como Vice Presidente de Operações e Informações, onde introduziu na franquia mais tradicional da NBA novas maneiras de analisar, medir e interpretar um jogo de basquete. Sua maneira nerd de ver o basquete faz parte dessa revolução que vimos na liga nos últimos anos. Não pense que em 2002 as pessoas discutiam basquete falando de número de posses de bola por jogo, eficiência ofensiva ou que existia análise em vídeo que media o aproveitamento de arremesso de um jogador em jogadas de pick-and-roll do lado esquerdo da quadra. Esse processo de mudança começou com Billy Beane, o General Manager do time de beisebol Oakland Athletics. Como na história contada no livro e no filme Moneyball, o time usou da tecnologia, estatísticas avançadas e qualquer tipo de porcentagem que possa ser medida em um jogo para ser competitivo em uma liga onde não existe teto salarial. Em 2002, temporada retratada na história, o time foi campeão da sua divisão mesmo tendo a 3ª menor folha salarial da liga. Para se ter uma ideia, nesse ano eles gastaram 39 milhões de dólares em salários contra 125 milhões dos NY Yankees ou 103 milhões do Boston Red Sox. Claro que não demorou para essa revolução estatística chegar em outros esportes e Daryl Morey foi um dos primeiros a adotar as chamadas “estatísticas avançadas” na NBA. Com seus próprios modelos de análise de atletas o Houston Rockets tem achado muitos jogadores bons, montado times divertidos e competitivos, mas estão empacados no meio da tabela. Não são bons o bastante para lutar pelo título e nem ruins o bastante para ganhar boas escolhas no Draft. Afinal, o que estava dando errado no plano de Morey?   O ponto é que na NBA existem muitos times bons, acabam sendo campeões os times que são bons e ao mesmo tempo tem pelo menos um jogador muito acima da média para fazer a balança pesar. Os últimos 20 anos da NBA podem se resumir a múltiplos títulos de Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Shaquille O’Neal, Tim Duncan e Kobe Bryant. Entre os intrometidos com “apenas” uma conquista ainda estão jogadores bastante razoáveis como LeBron James, Dirk Nowitzki e Kevin Garnett. Exceção mesmo só aquele Detroit Pistons sem estrelas de 2004, um exemplo tão raro que nunca conseguiu ser repetido. Ou seja, Morey estava tendo muito sucesso em achar bons jogadores espalhados pela liga ou até no exterior. Que atenção a NBA dava a Luis Scola antes dele ir para o Rockets? E quem eram Chase Budinger, Chandler Parsons, Kyle Lowry ou Aaron Brooks? Ninguém. Eles sabem analisar jogadores e tirar o melhor deles, mas faltava uma estrela que pudesse fazer a diferença. Foi percebendo isso que Morey resolveu que faria tudo o que fosse possível e imaginável para conseguir o grande Free Agent da próxima temporada, Dwight Howard.   Mas existe mais coisas legais em Daryl Morey além de sua tara por números. Ele, como bom nerd que é, tratou de estudar todo o novo contrato entre times e jogadores (o bendito CBA) que foi assinado para encerrar o último locaute. E é com ajuda de Morey e do Rockets que vamos entender algumas dessas regras. Anistia A regra da anistia já existiu uma vez, era chamada de Allan Houston Rule porque parecia ter sido feita sob medida para que o New York Knicks pudesse se livrar do contrato gigantesco do seu eterno machucado ala. Segundo essa regra, um jogador anistiado continuaria recebendo todo seu salário como combinado, mas seria dispensado e o time poderia limpar aquele dinheiro todo da conta do teto salarial. Ou seja, o jogador não perde grana mas o time ganha flexibilidade para novas contratações. Ironicamente o Knicks não usou a Regra do Allan Houston com o Allan Houston, mas a ideia ficou. Ela foi recuperada na última temporada e continua valendo agora, mas com algumas diferenças. A mais importante é que o jogador dispensado não fica livre para assinar com qualquer time, ao invés disso ele fica disponível para um leilão entre todos os times que estão abaixo do teto salarial. Cada um dos times comportados economicamente oferece uma quantia para o jogador e quem deu o maior lance leva. A única obrigação de quem dá o lance é que a duração do contrato deverá ter a mesma duração do contrato antigo. Ah, a anistia também só vale para contratos feitos antes do locaute. Darei um exemplo real. Ontem o Rockets anunciou a anistia de Luis Scola, então times que estão abaixo do teto salarial (como Mavericks ou Bobcats, por exemplo) poderão oferecer algo pelo argentino, mas terão que dar um contrato de 3 anos, que era o que restava de tempo no seu contrato em Houston. Entendida a regra (que já foi usada também em Elton Brand pelo Sixers), vem a pergunta: Pra que dispensar um baita jogador como Scola?! O bom senso faz a gente pensar que um cara como Scola deveria valer alguma coisa numa troca, mas um veterano com 21 milhões sobrando em 3 anos de contrato nem sempre apetecem muitos times. Coisas dos negócios da NBA. Aí o Rockets achou que o melhor caminho para abrir espaço salarial era dispensar um de seus melhores jogadores nos últimos anos. Com o contrato de Scola fora do caminho, o Rockets ganha duas coisas na batalha por Dwight Howard: Mais espaço para adquirir contratos ruins do Orlando Magic (se quiserem mandar Jason Richardson ou Hedo Turkoglu o Rockets pode aceitar) e assim ficam com espaço para assinar dois contratos máximos da NBA (os mais caros) na próxima temporada. Além de Dwight Howard, Chris Paul, que recusou uma extensão com o LA Clippers, poderá mudar de time também. Isso nos leva ao próximo assunto.   Contratação de Free Agents Times podem contratar Free Agents de duas maneiras: Ou estão abaixo do teto salarial e oferecem um contrato com esse espaço livre ou usam as chamadas “exceções”. As exceções são contratos baixos criados para times gastões continuarem com chance de se mexerem, mas não costumam ter valor quando se trata dos grandes nomes da NBA. Para esses caras o que interessam são contratos grandes, caros e longos. Ou seja, na briga por Dwight Howard e Chris Paul no ano que vem só vão estar os times que estão comprometidos com poucos e baratos contratos. Importa que Dwight Howard queira jogar em Brooklyn com o Nets? Não mais, com os contratos novos de Deron Williams, Joe Johnson e Brook Lopez não há mais como eles contratarem o pivô, passaram do teto. Só poderia ser por troca, uma possibilidade que o Magic já descartou.   Peças valiosas É bem simples o motivo que leva o Nets a não conseguir fechar o negócio: eles não tem peças de troca interessantes. Pra que o Orlando Magic iria querer o limitado Brook Lopez com um contrato longo e caro? Eles querem jogadores jovens, baratos e o máximo de escolhas de Draft possíveis, é assim que se faz uma reformulação. Contratos baratos, curtos e muitos pirralhos. Sabem qual a mais nova proposta do Rockets por Dwight Howard? Respirem fundo porque demora: Kevin Martin (está no último ano de contrato), Patrick Patterson, Marcus Morris, Chandler Parsons e todos os três jogadores escolhidos por eles no Draft desse ano: Jeremy Lamb, Royce White e Terrence Jones. Claro que ainda adoçaram a proposta com pelo menos mais duas escolhas de 1ª rodada, incluindo a valiosa escolha do Toronto Raptors que receberam na troca de Kyle Lowry na semana passada. Tudo isso ainda aceitando receber os contratos que não interessam mais ao Magic: Glen Davis, Chris Duhon e Jason Richardson. Sinceramente eu não pensaria duas vezes na hora de aceitar o pacote.  

A carinha de nerd denuncia. Já fechou todos os pokemons 17 vezes

Bird Rights Muitas pessoas estão criticando esse plano do Daryl Morey de dar até a mãe, esposa, filho e passarinho para ter Dwight Howard. Afinal ele é Free Agent e ano que vem e pode decidir ir embora mesmo assim, certo? Sim, mas é pouco provável. Pense bem, quem poderia dar um contrato grande para Howard no ano que vem? Entre os times bons praticamente ninguém, talvez só o Dallas Mavericks. Mas o Mavs com Nowitzki em fim de carreira é tão atraente assim? Deron Williams já não quis ir jogar por lá. E com o Brooklyn Nets fora da briga não sobram muitas opções vencedoras para o Dwight Howard, que diz querer sair do Magic para brigar por títulos. Se não tem opções em times prontos, o Houston Rockets passa automaticamente a ser a melhor opção em termos financeiros e basquetebolísticos. O
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primeiro caso por causa dos Bird Rights, que é uma regra que dá uma vantagem aos times que estão prestes a perder um Free Agent. É assim, enquanto todos os outros times podem oferecer 4 anos de contrato para um jogador, o time que tem seus Bird Rights (o time onde ele acabou seu contrato) pode oferecer 5 anos. Em contratos grandes isso pode significar uma diferença de mais de 20 milhões entre uma oferta e outra. Deron Williams recusou 4 anos/78 milhões com o Mavs para receber 5 anos/98 milhões no Nets. Mesmo que Dwight Howard faça birra, será que ele recusaria esses 20 milhões? Eu duvido. E tem a questão do time também. Com a anistia de Luis Scola o Rockets poderá oferecer essa fortuna toda a Dwight Howard e mesmo assim ter espaço para assinar mais uma super estrela. Aí Howard pode usar todo seu carisma para xavecar Chris Paul, Josh Smith, James Harden ou qualquer outro cara que estará livre na próxima temporada e assim tentar montar seu esquadrão da morte em Houston.   Mas e o resto do time? Outra crítica ao plano maligno de Morey diz “Os dois times só vão trocar de elenco então? Qual a diferença?”. É aí que Morey volta a acreditar em sua análise estatística. Ele já achou dezenas de ótimos role players antes, é só fazer de novo. Existe um novo Chase Budinger, Chandler Parsons ou Kyle Lowry espalhado pela NBA ou até fora da liga. Ele está tentando conseguir a raridade primeiro, o super pivô, para depois rodear o cara com o mais simples. Free Agents Restritos e a Regra Gilbert Arenas O trabalho para montar o elenco em volta de Dwight Howard já começou. E é claro que Daryl Morey está tentando fazer tudo de um jeito pouco tradicional. É assim, ele foi atrás de dois Free Agents Restritos, Jeremy Lin e Omer Asik, e fez ofertas muito sacanas. Acho que antes é necessária uma rápida explicação para os novatos: Free Agents Irrestritos podem ir para qualquer time. Free Agents Restritos (como Lin, Asik, Eric Gordon, Nicolas Batum) podem assinar com qualquer time, mas a equipe anterior deles tem o direito de igualar a oferta e segurar o jogador. O Houston Rockets queria dois dos caras restritos, mas precisava de um jeito que seus antigos times pensassem duas vezes antes de igualar a oferta. Foi quando Morey folheou o CBA e viu a Regra Gilbert Arenas. Em 2006 o Washington Wizards ofereceu um contrato de 60 milhões por 6 anos (antigamente o máximo era de 6 anos) pelo jogador que estava no outro lado do RPG, o Warriors. Só que havia um problema, como Arenas tinha sido uma escolha de 2ª rodada, ele não era um Free Agent Restrito, mas irrestrito e o Warriors nem tinha nenhum Bird Right sobre o jogador. Sem espaço salarial, perderam um grande jogador em sua melhor forma. Então mudaram a regra, fazendo com que jogadores escolhidos na 2ª rodada ou mesmo não draftados (casos de Asik e Lin) pudessem ter esses direitos para favorecer os times que apostaram neles. Até aí parece que a regra está ajudando o Chicago Bulls, time de Omer Asik, e o Knicks, equipe de Jeremy Lin. Mas não, tem mais: Nos dois anos seguintes do contrato esses jogadores podem receber no máximo cerca de 5 milhões de dólares, mas para o resto do contrato o limite é muito maior. Ou seja, a proposta do Rockets por Omer Asik de 24 milhões por 3 anos daria ao pivô turco 5 milhões no 1º ano, 5 milhões no 2º ano e assustadores 14 milhões no último. E é aí que entra a pegadinha de Morey. Essa regra dos 5 milhões de limite serve apenas para o time que já tinha o jogador, no caso Bulls e Knicks, não para o Rockets. Então na conta do teto salarial o Rockets pagaria 8 milhões nos 3 anos de contrato, algo justo para um bom pivô defensivo. Mas se ele ficar no Bulls, eles não tem essa vantagem da divisão igual e daqui 3 anos terão que gastar 14 milhões do seu espaço salarial para um pivô reserva. Assim na temporada 2014/15 o Bulls teria salários de 14 milhões ou mais para Carlos Boozer, Derrick Rose, Joakim Noah e Omer Asik. Simplesmente muito caro e sem chance de manter Luol Deng. Se o Bulls quer ter alguma chance de manter Asik pode só torcer para o Rockets se arrepender. Afinal eles não estavam próximos de Dwight Howard quando acertaram essa oferta com Asik, que mesmo podendo jogar de ala é bem menos necessário se o Howard for contratado. Como a proposta não foi assinada ainda, o Rockets pode dar pra trás, mas não é de bom tom. Causaria uma impressão ruim na NBA com jogadores e agentes. Mas a proposta de Jeremy Lin, de 25 milhões por 4 anos, com o mesmo crescimento súbito nos anos finais, já foi assinada hoje. O Knicks tem 3 dias para decidir se fica ou não com o jogador que mais vendeu camisetas na última temporada. Só um pitaco sobre isso. Apesar de caro, acho que o Knicks deveria igualar a oferta. Jeremy Lin foi muito bem na última temporada, seu único problema foi o excesso de desperdícios de bola. É um problema grave para um armador, mas é o que acontece quando você coloca todo o ataque de um time nas costas de um pirralho. Novatos cometem erros e na prática Lin era um novato. Com o tempo ele deve melhorar, é natural. Sem contar que gostei da entrevista de Jason Kidd, contratado pelo Knicks, dizendo que terá muito prazer em ensinar coisas para Lin. Nas palavras do vovô com nome de criança, “Lin joga muito bem, mas em só uma velocidade. Espero ensinar ele a jogar em outro ritmo também”. Será que não vale a aposta? O Rockets não vai se incomodar, Daryl Morey encontra mais gente parecida por aí.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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