As assistências (acidentais?) de Kobe Bryant

Antes da temporada começar eu fiz um post chamado “O espaço na NBA”. Não sei se vocês lembram ou se vão ter disposição de clicar no link, mas ele fala basicamente da ocupação de espaços na quadra de basquete e sobre como estão surgindo novas maneiras de analisar um jogo baseando-se na questão espacial. Não é só mais importante quantos arremessos um cara tenta por jogo e seu aproveitamento, mas de onde ele arremessa e para onde a bola vai quando erra.

 

Provavelmente o nome mais conhecido nesse meio é o de Kirk Goldsberry, pesquisador de Análise Geográfica e professor assistente na Michigan State University. Usando um software chamado SportVU, que tem diversas câmeras capturando um jogo e transformando as imagens em dados em tempo real, Goldsberry tem feito estudos sobre o espaço no basquete. O primeiro, o mais famoso até agora, é o que eu coloquei no post de setembro que mostra a direção que os rebotes tomam após arremessos errados. Porém era um trabalho incompleto, como vocês devem lembrar.

Em um post no fórum APBRMetrics, o próprio Kirk Goldsberry diz que seu estudo não é completo, mas que tem alguns pontos positivos importantes. “Esse estudo faz a gente pensar nos arremessos errados de uma nova maneira. O efeito ‘Kobe-assist’ algo que merece ser aprofundado”. A tal Kobe-Assist que Goldberry se refere é aquela jogada onde um jogador ataca a cesta atraindo os pivôs adversários, que deveriam cuidar do rebote. Aí mesmo quando a bola não cai o rebote fica fácil para o time atacante. Alguns no fórum da APBRMetrics também chamam de “Derrick-Rose-Assist”. Goldsberry diz que esse estudo não analisa a situação onde esses arremessos são tentados e que isso é uma limitação, mas obviamente é algo bem interessante e importante.

 

Pois nessa semana Goldsberry publicou no Grantland seus primeiros resultados analisando a tal Kobe-Assist. E os últimos dias na blogosfera (pior termo da história humana) basquetebolística norte-americana tem sido intensos ao discutir o assunto.

Mas mais importantes que os nomes ou os resultados é o conceito por trás do termo. Goldsberry compara o basquete com o beisebol, esporte que começou a onda de análises estatísticas avançadas. A revolução no beisebol começou quando Bill James conseguiu cortar o jogo em ações mensuráveis, percebendo que o esporte não era exatamente coletivo, mas um conjunto de atos individuais. E antes que você pense em perguntar, não, não são todos os esportes assim. No futebol, no vôlei e, claro, no basquete, as ações de um jogador estão diretamente ligadas com a do outro jogador do seu time e do adversário. A ocupação do espaço, o passe, a bobagem que cada um faz. No beisebol a interação é muito menor, a maioria das ações são do indivíduo e é possível medir a qualidade disso sem muita interferência externa.

E não podemos esquecer também que o beisebol é um jogo parado. É um esporte onde as ações começam e pouco tempo depois terminam, sendo assim mais fáceis de serem analisadas. No basquete não é assim, cada jogada repercute na próxima e na próxima e na próxima até que finalmente o jogo para devido a um tempo ou turnover. Nós costumamos contar pontos de contra-ataque por jogo e eleger os melhores times nisso, mas estamos ignorando as milhares de maneiras que pode disparar um contra-ataque. Foi via turnover (que turnover?)? Foi via rebote defensivo (causado por qual arremesso? Quem pegou o rebote?)? São variáveis demais que os números não capturam.

No caso desse novo estudo de Goldsberry o que está sendo analisado é o resultado de um arremesso errado. Costumamos contar apenas se um cara acerta ou erra um chute, pegamos os dois resultados e contabilizamos seu aproveitamento. Com o passar dos anos, e falei disso no post anterior sobre o tema, começou-se a contar também o local que cada um tenta esse arremesso. Um exemplo: Dwyane Wade tem 49% de aproveitamento de seus arremessos nessa temporada. Nada de ganhar menção honrosa, mas um número ótimo para um jogador que não é pivô. Mas e se a gente cavar mais esse buraco? Descobriremos que ele tem impressionantes 76% de acerto em bolas “at the rim” como bandejas e enterradas, o que o coloca entre os melhores da NBA na categoria. Porém nos arremessos de meia distância ele tem aproveitamento de cerca de 30%, número ruim mesmo considerando que a NBA é péssima em chutes desse tipo. E durante um jogo, Wade tenta em média 5.4 arremessos “at the rim” contra 4.4 de meia distância. Não parece uma boa escolha.

A média boa de Wade é a soma de excelência em um tipo de arremesso contra a mediocridade em outro. O que esse tipo de análise permite é o técnico chegar no ouvido de Wade e falar pra ele treinar mais o jogo de meia distância ou, o que acho mais provável, evitar esse arremesso. Mais vale tentar forçar uma infiltração, mesmo que difícil e marcada, do que se contentar com esse arremesso que não é seu forte. Ou o técnico pode ver essa informação e redesenhar algumas de suas jogadas, procurando evitar situações onde Wade seja forçado a arremessar de onde não gosta. A interpretação desse dado é que vai mostrar a qualidade de técnico e jogador no fim das contas.

Mas isso tudo é o pré-arremesso. Às vezes não dá pra evitar, Wade ficou livre de meia distância e achou melhor chutar. E o que acontece quando ela erra esse chute? É aí que o novo estudo de Goldsberry entra. O que o professor defende é

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que não podemos picotar um jogo de basquete em situações isoladas e temos que considerar suas consequências. Sim, Wade erra muito de meia distância, mas o que raios acontece depois desses? Rebotes de defesa? De ataque? Contra-ataque dos adversários?

Talvez meu exemplo tenha sido cruel, afinal Wade não é citado no texto de Goldsberry e vamos morrer na dúvida das consequências de seus arremessos. Mas, novamente, o importante é o conceito. O que o professor tenta calcular aqui é quantas vezes um arremesso errado pode não ser ruim para o time que o tentou. Quantas vezes esses arremessos perdidos tornaram-se ou uma nova posse de bola, com 24 segundos novinhos para uma nova tentativa de ataque, ou dois pontos fáceis do jogador que pegou o rebote ofensivo. Quando um jogador marca os pontos é contabilizada uma Kobe-Assist para quem errou o arremesso.

Por que esse nome? Fácil. Nas últimas duas temporadas, Kobe Bryant somou 200 Kobe-Assists, disparado o líder da NBA. Nessa temporada, contando os jogos até dia 30 de Novembro, Kobe havia errado 146 arremessos, dos quais 50 viraram rebotes ofensivos e 22 deles pontos imediatos do reboteiro. Embora ele lidere o geral das duas últimas temporadas, nesse ano Dion Waiters e Carmelo Anthony estão na sua frente.

Antes que comecem a jogar as pedras, já aviso todos os poréns desse conceito. Não é à toa que os jogadores que são parceiros de Dwight Howard, Tyson Chandler e Anderson Varejão estejam nessa lista, claro que muito do mérito da Kobe-Assist está no cara que está embaixo da cesta para pegar a bola errada. Mas isso é natural, não vamos tirar crédito de alguém que dá 10 assistências tradicionais por jogo só porque ele joga ao lado de grandes arremessadores. O importante de notar aqui é que esses jogadores sabem quando arremessar. O exemplo de Goldsberry no texto é simples e perfeito. Um arremesso de meia distância em um contra-ataque é horrível, o mesmo arremesso quando o seu pivô está numa posição favorável para o rebote, é um ótimo chute.

Já vi muito o Kobe jogar e posso dizer que confiança nunca falta pra ele, mesmo nos dias em que ele não acerta um mísero arremesso sem marcação e até deveria perder um pouco de confiança e se acalmar um pouco. Mas se não hesitar já é marca registrada, ela fica ainda mais clara quando ele percebe um pivô bem colocado no garrafão. Podem reparar, acontecia com Andrew Bynum e acontece agora com Dwight Howard, se Kobe vê o seu pivô mais próximo da cesta que o adversário ele manda bala, ignorando a marcação sobre ele. Nessa temporada 15% dos arremessos de Kobe viraram rebote ofensivo, maior porcentagem da NBA.

Mas o número mais impressionante de Kobe são em suas infiltrações. Citando diretamente o texto do Grantland: “De cada 100 infiltrações de Kobe, 59 são cesta, 41 são erros. Desses 41, 22 viram rebotes do Lakers. Isso quer dizer que 80% das infiltrações de Kobe se tornam imediatamente pontos ou uma nova posse de bola”. E legal que a combinação não é automática. James Harden adora infiltrar, o tipo de jogada que mais rende rebote de ataque, e tem ao seu lado o pivô Omer Asik, terceiro em rebotes na NBA, mas mesmo assim apenas 8% dos erros do barbudo viram cesta.


Não sei se um dia o autor vai liberar todos os dados da temporada, mas certamente existem inúmeros bons casos a serem estudados. O citado Dion Waiters tem bons rebotes não em suas infiltrações, mas nas bolas de 3 pontos. Já Derrick Rose teve, na temporada passada, muitos rebotes em arremessos de meia distância. Já o Wolves praticamente não tem rebote quando Kevin Love sai para chutar de 3 pontos, quanto ele tem que acertar para o risco valer a pena?

O resultado desse estudo não é para dizer que o Kobe Bryant é bom até errando. Calma lá. Mas serve de bom argumento para quem defende que existem erros piores que outros, que nem todo arremesso errado é um arremesso ruim, além de ser um bom argumento para Tyson Chandler, Anderson Varejão e Reggie Evans usarem em suas próximas negociações de contrato. A média da NBA é de 44% de acerto em todos os arremessos de um jogo, saber o que acontece com os 56% que não caem parece algo essencial para entender um jogo tão dinâmico.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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