Danilo

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.
LeBron passa a bola, Mavs afunda

Acabamos de sair do All-Star Game, em que LeBron James colocou sozinho seu time na disputa mas acabou errando um passe na jogada final ao invés de tentar o arremesso, e já estamos de volta à mesma polêmica. Na partida de ontem contra aquele-time-do-qual-não-falamos, LeBron teve 35 pontos, 10 rebotes, 6 assistências, 3 tocos e nenhum desperdício de bola. Mais do que isso: no minuto final, com o Heat atrás no placar por 2 pontos (após estar perdendo por 18), acertou duas bolas consecutivas para virar o jogo, uma bola de três depois de um corta-luz e uma outra bola desequilibrada, contestada, que o LeBron conseguiu colocar no ar na base do muque e que só não foi de três pontos porque seu pé tocou na linha. Foi surreal e lembrou muito os arremessos do próprio LeBron no All-Star, em que suas bolas de 3 espíritas transformaram o jogo. Mas o desfecho dos dois jogos foi o mesmo: Devin Harris virou o jogo para o time de Utah ao fazer uma cesta e sofrer a falta do Wade, e sobrou nas mãos do LeBron a última posse de bola. Ao dar o primeiro passo em direção à cesta e ver que a defesa acompanhou seu movimento, LeBron encontrou Udonis Haslem completamente sozinho na cabeça do garrafão para um arremesso. Haslem errou, perdeu o jogo, e LeBron está de volta à fogueira sagrada do “você não é Michael Jordan“.

Muitas coisas precisam ser lembradas num momento assim. A primeira é que Udonis Haslem é um excelente arremessador de dois pontos na cabeça do garrafão e na zona morta, quase automático, e faz sentido que lhe seja confiado um arremesso livre em qualquer momento do jogo. Outra coisa é que LeBron já fez isso outras muitas vezes. A primeira vez que recordo foi ainda no Cavs, quando LeBron deu um passe para o Donnyel Marshall livre arremessar da zona morta para a vitória e o arremesso não caiu, gerando críticas a LeBron. Marshall era um arremessador fantástico – aliás, era a única coisa que ele fazia da vida e o que ainda lhe mantinha na NBA. E pra terminar, vale lembrar do nosso perfil do LeBron escrito quando ele assinou com o Heat: sua posição natural é de armador principal e sua mentalidade tende a ser a do passe antes de tudo. Sua tendência é a fazer a jogada de basquete certa, a jogada correta, mesmo que isso vá contra aquilo que se espera.

Vou ser de novo acusado de estar protegendo o LeBron, de estar lambendo meladamente em seus bagos, mas como já fui também constantemente acusado de criticá-lo, acho que tudo se equilibra no final. A única coisa que me importa é que em algum momento do basquete o ato de tomar a decisão correta na hora de fazer uma jogada passou a ser algo mal visto, algo covarde, se esse ato não for um arremesso individualista. É preciso fazer a genealogia desse conceito, mas acho seguro dizer que surge com Michael Jordan e que comeu nossos cérebros como um pequeno Eddy Curry de insensatez. É um sinal dos nossos tempos, da falta de coletividade, do ódio fácil, da exigência de que um sujeito decida por todos, do colapso da democraria representativa. Mas aí vou parar em outro lugar, num daqueles posts gigantes misturando basquete e sociologia. Prometo para outra hora.

Fora essa polêmica, ainda restam algumas coisas. Wade não apenas fez a falta no Devin Harris que permitiu que o Jazz virasse o jogo como também fez uma falta algum tempo antes num arremesso de três do mesmo Harris, que cobrou os três lances-livres. A defesa do Heat é fantástica, mas ela é exageradamente agressiva às vezes, se arrisca demais tanto em roubos quanto em tocos, e acaba pagando caro volta e meia. Além disso, a defesa tem problemas graves especialmente contra jogadores fortes de garrafão, e o Al Jefferson passou boa parte dos minutos finais recebendo a bola na isolação sem que sequer precisasse haver uma

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jogada para ele. Esse garrafão do Jazz, insisto, ganha jogos sozinho e complica a vida de qualquer equipe, o Heat não foi exceção.

Outra equipe que complica a vida de qualquer um, mesmo fedendo, é o Hornets. Já faz um bom tempo que qualquer jogo do Hornets é brigado, sofrido e suado mesmo que acabem tomando uma surra nos 2 minutos finais de alguns jogos. Times ruins que se acham bons, como o Wizards, só tomam porrada. Times bons que se acham ruins não possuem confiança pra nada e acabam tomando porrada. Mas o Hornets é um dos raros times que são ruins, sabem que são ruins, e não acham que isso vai impedí-los de jogar basquete. Pessoalmente sou muito fã de jogadores ruins que sabem que são ruins, como o Chuck Hayes, por exemplo, porque eles dão a vida em quadra e acabam sendo muito úteis. O Hornets é inteiro assim e quem bobear contra eles sai não apenas com a derrota, mas também com a humilhação de perder para um dos piores elencos dos últimos anos.

Ontem foi a vez do Mavs descobrir essa assustadora verdade. Nowitzki teve problemas o jogo todo, o Mavs está sem Lamar Odom que tem quatrocentos problemas pessoais e agora talvez jogue na D-League para recuperar o ritmo depois de tantas paradas, e o jogo chegou no último quarto com o Mavs atrás no placar. Em geral é nessa hora que o Hornets começa a fazer merda e foi exatamente o que aconteceu, Roddy Beaubois aproveitou as falhas e acelerou o jogo, terminou a partida com 25 pontos e 4 roubos, e encostou o placar. Mas aí o Jarrett Jack mostrou que não tem medo de ser ruim e venceu o jogo num arremesso certeiro. Chris Kaman também está jogando muito desde que voltou de contusão, dessa vez foram 20 pontos e 13 rebotes contra um Mavs que ainda não sabe como compensar a falta de marcação individual no miolo do garrafão. São agora 4 derrotas seguidas para o Mavs, mas essa vale por quarenta.

Agora, pro resto da rodada. O Sixers se recuperou de péssima fase graças a 25 pontos em 27 minutos do Lou Williams, cestinha do time na temporada mesmo vindo do banco de reservas, e desafogo do ataque da equipe, e venceu o Warriors sem Stephen Curry, com lesão no pé. Aliás, o Cury tem as piores extremidades inferiores do mundo desde os 6 dedos da Cicarelli.

Suns e Clippers se pegaram num jogo sem vergonha, cheio de cabeçadas e péssima mira, cada time só tinha 30 pontos no intervalo e só passaram dos 80 no finalzinho e com uma ajudinha da arbitragem. Num jogo desses, o mais estranho é que o Suns garantiu a vitória na base da defesa. Sim, defesa, eu não tive um aneurisma cerebral. Nos minutos finais teve toco do Gortat no Caron Butler, rebote ofensivo com tapinha do polonês, e toco do Grant Hill de pontinha de dedo num arremesso de três decisivo do Chris Paul. Aliás, o que o Grant Hill fez na defesa parece piada, já faz uns jogos que ele é o homem designado para as marcações duplas nos pivôs adversários e está fazendo miséria, ontem ele simplesmente tornou a vida do Blake Griffin um inferno e pra mim é o defensor da temporada até agora. Sim, o velhinho do Suns. Esse é mesmo um mundo estranho.

Outro jogo de defesas fortes, mas com final bacanudo, foi Hawks e Bucks. Sem Joe Johnson, fora por pelo menos dois jogos com uma lesão no joelho, o Hawks teve que depender bem mais poder ofensivo de seu banco de reservas. Josh Smith teve uma daquelas estranhas partidas em que ele fica dentro do garrafão e aí percebe quão genial pode ser, com 24 pontos e 19 rebotes, mas o jogo foi decidido mesmo quando o antiga-estrela-e-agora-reserva Tracy McGrady encontrou o ex-relevante Radmanovic para uma bola de três que selou o jogo. T-Mac cumpriu muito bem o papel do Joe Johnson na armação da equipe e foi ajudado por Jannero Pargo, que também já foi relevante no Bulls não faz tanto tempo assim. Quando foi que o Hawks virou um asilo de ex-jogadores agora indesejados?

O Bucks teve 34 pontos, 9 assistências e 5 bolas de três pontos do Brandon Jennings, que tem carregado esse ataque inteiro nas costas, mas o Drew Gooden continua chutando traseiros, com 26 pontos e 10 rebotes dessa vez. Acho que é a primeira vez na vida que o Gooden não está sendo improvisado numa posição em que não consegue fazer nada e finalmente pode ser útil no ataque como sempre mereceu ser.

Se o banco do Hawks garantiu o jogo, o banco do Lakers quase jogou a vitória contra o Kings pela privada. O jogo estava uma mamata para o time de Los Angeles, Bynum usou todo seu tamanho para receber passes debaixo da cesta e envolver seus companheiros (teve 19 pontos e 15 rebotes no jogo), Kobe estava imparável (foram 38 pontos), mas bastou todo mundo ir sentar no que parecia um jogo ganho para os reservas começaram a fazer merda. O banco do Kings chutou traseiros: Chicão Garcia teve 18 pontos, Fredette teve 12 num par de bolas de três, e John Salmons teve outros 12. Os titulares do Kings jogaram bem, apenas não tiveram como competir com os titulares do Lakers que fizeram uma partida impecável. Mas na hora de comparar bancos de reserva, o Lakers sempre leva a pior. O problema é que quando a água bateu na bunda os titulares voltaram e Kobe e o outrora-conhecido-como-Artest mataram o jogo.

Tão manjado quanto o banco medonho do Lakers só o Rudy Gay decidindo jogos para o Grizzlies. Além dos arremessos que ele sempre mata no final dos jogos, ainda tem os arremessos que ele não mata mas que sempre, sempre viram rebotes ofensivos para alguém do Grizzlies vencer o jogo. Dessa vez Gay acertou o arremesso a 26 segundos do final e o Raptors não conseguiu pontuar do outro lado. Foram 23 pontos e 12 rebotes para o Gay, mas de brinde veio uma enterrada na cabeça por cortesia do James Johnson. Aliás, o James Johnson nunca teve chance nenhuma no Bulls, virou titular do Raptors meio do nada, sem nenhum aviso ou motivo aparente, mas não é que o desgraçado joga muito? É um defensor fantástico, atlético e que sabe incomodar, e ainda não compromete no ataque. Dá pra ver a enterrada no vídeo abaixo, vejam como ele é forte e consegue manter a jogada apesar das trombadas:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=ttW291PGDnw[/youtube]

No resto da noite, o Bulls venceu fácil o Cavs que não esboçou nenhuma reação porque o Kyrie Irving está muito “gribado” e nem sabe se consegue jogar no fim de semana. O Spurs venceu o Bobcats por 30 pontos e a única coisa minimamente interessante sobre o jogo, e isso só se você nasceu dentro dessas linhas imaginárias, é que o Splitter jogou 20 minutos e está recuperando a forma. O Celtics finalmente teve de volta Rondo (13 assistências), Garnett (20 pontos, 10 rebotes) e Paul Pierce (27 pontos, 8 assistências), mas aí o Ray Allen não jogou porque está “gribado” também, volta só no domingo. Ainda assim o Celtics venceu a partida contra o Nets, que teve 28 pontos e 3 rebotes para o Brook Lopez. Três. Eu adoro ele, reconheço que pega poucos rebotes porque marca jogadores fora do garrafão, mas três não dá, três é vergonha, três é vexame. Três. Eu, enquanto escrevia esse post, já peguei quatro rebotes então venci. E pra acabar, Ty Lawson teve 22 pontos e 15 assistências na vitória em cima do meu Houston, que ou deixa o Kevin Martin jogar sozinho e ninguém faz nada, ou então todo mundo joga e ignora o Kevin Martin. O meio termo mandou lembranças, pessoal.

Fotos da rodada:

Aquele momento de olhar para o horizonte depois de discutir a relação

 

“Será que o Kobe vai pegar no meu pinto?”

 

-dsaNSd?
-MDSAKNS!

 

O dia em que o técnico do Heat faz facepalm…

 

…e o do Cavs tá rindo à toa

 

-Desculpe não ser um técnico a sua altura, Scal.

 

Kemba Walker nem precisaria levitar para parecer grande perto de TJ Ford

 

DeSagana Diop é um péssimo trombadinha
Não para nós

O All-Star permite retomar velhos amores

O fim de semana do All-Star já terminou e a temporada acaba de voltar ao normal. Tivemos mais uma rodada de jogos, trocentos times enfrentando outros trocentos times, aquela bagunça assustadora para os novatos ou os que não podem acompanhar a NBA tão de perto (e nem ler nossos resumos das rodadas). Como o Denis abordou em seu post sobre o Jogo das Estrelas, o All-Star é um filtro fantástico para os fãs casuais conhecerem os jogadores mais importantes e suas respectivas famas – quem é bonzinho, quem é o vilão, quem é decisivo, quem amarela. Na temporada regular é mais difícil, com tantos jogos acontecendo e tantos jogadores envolvidos, conhecer os principais protagonistas e colocar à prova se suas famas são verdadeiras, então filtros como o All-Star são muito apreciados pelos fãs em geral. No ano passado, escrevi um post sobre isso levando para fora do esporte, explicando como usamos filtros para nos localizar nesse mundo cercado por informação excessiva, e que o ódio é um filtro poderoso: aprendemos que temos que odiar “Restart” e “Justin Bieber” e aí podemos cortá-los das nossas vidas, nos dedicar ao resto e não nos sentir culpados de não estar dando atenção a tudo o tempo todo. Odiar o LeBron significa que não preciso mais acompanhá-lo a fundo. Decidir que o Kobe nunca vai ser melhor que o Jordan faz com que, tendo visto o Jordan, eu já me sinta aliviado de “ter visto o melhor de todos os tempos jogar”. Estou filtrando o Kobe da minha vida para não me sentir oprimido o tempo inteiro.

Repito sempre que o ódio é um filtro perigoso e que acaba arrancando da nossa vida coisas inesperadas que podem ser incríveis. Há muita coisa legal para ser encontrada no modo de jogar de Kobe e LeBron – e também no modo de jogar de caras mais inexpressivos, de Kevin Martin a Alonzo Gee, e que acabam sendo filtrados caso deixemos que a discussão fique apenas no “quem é melhor”. O basquete oferece muito mais do que isso o tempo inteiro, e se não nos desesperarmos com o excesso de informação, de jogos, de jogadores e de anos de história, o prêmio é recompensador: simplesmente a capacidade de apreciar, em plena felicidade, toda a grandeza do esporte independente da época, do time ou da “marra” de um jogador. É o que tantamos, aos trancos e barrancos, fazer no Bola Presa.

Se retomo isso nesse momento é basicamente porque existe algo no esporte, presente em abundância no All-Star Game, que acaba sendo filtrada pelo ódio a esse jogo festivo e quase nunca chega aos nossos olhos. Trata-se do fato de que o esporte não é apenas um trabalho, ele não é como estagiar no escritório ou ser caixa de banco, ele é algo que inicialmente se faz sem relação com o mundo exterior. Fazemos por prazer, por diversão, por paixão, por expressão. Afinal, a imensa maioria dos praticantes de esporte do planeta não ganha um centavo para isso. Jogar é, na imensa maioria das vezes, apenas isso: jogar. O fato de que os jogadores da NBA ganham fortunas bilionárias não muda esse fato.

Ou seja: ao não olhar com carinho o All-Star Game, às vezes acabamos perdendo o fato de que ele não é necessariamente um espetáculo montado para nós, é também um espetáculo montado para eles, os jogadores. Uma oportunidade para que os melhores praticantes de algo que amam fazer possam se reunir e exercer essa prática juntos sem nenhuma obrigação de vencer. Podem, finalmente, se divertir com outras pessoas tão boas quanto eles. Ou você acha que o Chris Paul não acha genial poder mandar uma ponte-aérea para o Kobe só pra variar?

É claro que no esporte é preciso ter algum grau de competição para que a partida seja divertida. Quando jogamos uma pelada na rua o jogo não vale nada, mas tentamos manter a partida o mais competitiva possível para que todos se divirtam. No All-Star é a mesma coisa (teve até

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nariz quebrado do Kobe, em falta do Wade, pra manter o jogo apertado no final), mas a diversão está em primeiro lugar. E não se trata da nossa diversão, mas da deles. Para quem não acredita, vale a pena assistir ao fantástico vídeo abaixo com alguns bastidores da partida de domingo:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=V9dHWxPdtWs[/youtube]

São inúmeros momentos no vídeo de jogadores apenas felizes de estarem entre outros jogadores de mesmo nível. Tem o Nash pegando a assinatura do Bynum numa camiseta, colecionando autógrafos de seus colegas, e de repente é interrompido para autografar o tênis de outro jogador que está fazendo a mesma coisa. Tem o Wade e o Dwight Howard achando muito engraçado jogar basquete no aquecimento usando uma bolinha minúscula daquelas que o Denis tem no quarto dele. Scott Brooks, técnico do Oeste, deixa bem claro qual o espírito do jogo gritando antes da partida para que seus jogadores “se divirtam na quadra”. Dwight e Bynum fazem exatamente isso e se divertem pra burro apenas na expectativa pelo tapinha inicial. Carmelo Anthony depois tenta uma infiltração, acaba sendo atrapalhado sem querer pelo Dwight, e sai zoando o pivô avisando que “estão no mesmo time”. Dwight fica provocando o Kobe quando se encontram no mano-a-mano, e o Kobe acha muito engraçado ter partido pra cima do pivô e sofrido uma falta. E tem Dwight o tempo inteiro: a cara dele quando o Blake Griffin mete uma bola de três no fim do primeiro tempo (quebrando, aliás, o recorde de pontos para uma primeira metade na história do confronto) é simplesmente impagável.

No segundo tempo tem mais: LeBron fica em quadra pedindo defesa dos seus companheiros, pra manter o jogo competitivo (e, com isso, divertido). Wade fica na lateral da quadra apenas batendo um papo sobre quem ele acha que vai ser MVP, se será Durant ou o Kobe, como faríamos com nossos amigos. Carmelo vibra com orgulho das bolas de três pontos do LeBron – vale lembrar que os dois são amigos de longa, longa data, antes mesmo da NBA, e que adoram a chance de jogar juntos. E tem mais: que tal dar uma olhada agora na gravação das conversas dos jogadores durante a partida?

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=X4EuN7xpt2o[/youtube]

Quão legal é o Chris Paul confessando que demorou para se acostumar com o fato de que o Blake Griffin não quer passes logo acima do aro, onde são fáceis de enterrar, mas sim longe do aro onde viram “melhores momentos”? E pra fechar com chave de ouro: que tal o Iguodala nerd-de-basquete conversando com o Luol Deng sobre a mecânica de arremesso dos outros jogadores? Afinal, onde mais o Iguodala poderia perguntar para outras estrelas se elas olham para a bola ou para o aro depois do arremesso? (Segundo ele, Durant e Nowitzki olham para a bola e isso é muito esquisito). É o equivalente de uma convenção de fãs Star Trek em que é possível falar sobre sua maior paixão sem vergonha, a única diferença é que na NBA eles não são virgens.

Os jogadores ficam com suas equipes por 82 jogos por temporada, a chance de jogar com outros jogadores (especialmente se forem estrelas como eles, e ser convidado para o jogo ainda envolver reconhecimento pelas suas habilidades) é um prêmio precioso. A gente resmunga, reclama, corneta, chama de amarelão, diz que o jogo é inútil e não serve pra nada, mas – surpresa! – o basquete em si também não serve pra nada. Se acompanhamos por diversão, tenho certeza de que alguns podem compreender que os jogadores também merecem espaço para a diversão. Não, o All-Star Game não deveria valer mando de quadra nos playoffs, nem prêmio em dinheiro, nem grana pra caridade (aliás, me ofende que gente tão endinheirada mande dinheiro pra caridade só se ganhar alguma disputa). O All-Star é uma chance rara e merecida de diversão que os jogadores evidentemente agarram com unhas e dentes. Menos o Derrick Rose. Menos o Derrick Rose.

O Spurs tira uma folga, Hibbert não é piada

O Spurs tira uma folga, Hibbert não é piada

Bem-vindos de volta do Carnaval, ó viajantes desavisados! Na cobertura desses dias de festança, chegamos agora à rodada do dia 21 em nossa missão divina de deixar todo mundo inteirado do que andou acontecendo na NBA enquanto nosso hemisfério mergulhava em caipirinha. Até amanhã alcançaremos a linha de espaço-tempo correta e poderemos nos dedicar integralmente ao All-Star Weekend. O Bola Presa terá muitas novidades nesse fim de semana especial, então vamos cuidar logo das rodadas passadas pra pular no All-Star sem medo de ser feliz. Yay!

Comecemos com Heat e Kings, que foi um jogo inesperadamente difícil levando em consideração que o Heat costuma matar os seus jogos ainda no meio do primeiro quarto. O Isaiah Thomas continua chutando traseiros desde que virou titular e é parada obrigatória no League Pass de qualquer um, ontem ele manteve o Kings no ritmo certo para ficar perto do Heat no placar o jogo inteiro, meteu 5 bolas de três e acabou o jogo com 24 pontos. Mas o mais fantástico a respeito do Isaiah é que o Tyreke Evans vai aos poucos se acostumando a jogar na sua posição natural, de segundo armador, e vai voltando a ser capaz de tirar proveito da sua força, do seu tamanho e da sua visão de jogo. Tyreke teve uma partida fantástica com 21 pontos, 7 rebotes e 10 assistências, e ninguém no Heat conseguiu diminuir o ritmo da dupla de armação. Mas é claro que ninguém no Kings também conseguiu parar o pessoal de Miami: Wade teve provavelmente a sua melhor partida da temporada com 30 pontos, 10 assistências, 3 roubos e 2 tocos, Bosh teve 20 pontos e 10 rebotes, e Mario Chalmers meteu 6 bolas de três para acabar o jogo com 20 pontos. Aliás, foi a primeira vez na temporada que três jogadores do Heat marcaram pelo menos 20 pontos e um deles não era o LeBron – que teve “apenas” 18 pontos, 8 assistências, 2 bolas de três e 2 tocos fenomenais.

Quem acabou vencendo o jogo, no entanto, foi o banco do Heat. No começo do último quarto, com todo mundo cansado pelo ritmo acelerado de jogo, os dois bancos entraram em quadra e os reservas do Miami deram um pau. Norris Cole, Shane Battier e Mike Miller cuidaram do jogo e aí não deu pro Kings correr atrás quando os titulares voltaram. O Kings é um bom time, talentoso, mas precisa de mais profundidade e principalmente precisa saber como se manter no jogo durante o quarto período. Se não bastassem as decisões imbecis nos minutos finais, ainda falta fôlego para a pirralhada.

O Sixers é outro que não deixa de fazer merda no final dos jogos. Perderam todos os jogos da temporada que foram decididos por 4 pontos ou menos e o Iguodala não marcou um único ponto em quartos períodos durante os últimos seis jogos. Seis! Não é à toa que são 4 derrotas seguidas. Na partida contra o Grizzlies, mesmo com o time de Memphis visivelmente exausto, Iguodala voltou a não pontuar no quarto período, Jrue Holiday também não marcou unzinho sequer, e Marc Gasol acabou selando a vitória. Aliás, o Grizzlies fez bem em insistir num garrafão alto apesar da correria, porque quando sofreu contra o meu Houston e tentou uma formação mais baixa, tomou mais pau ainda.

O garrafão alto também garantiu a vitória do Pacers em cima do Hornets, ainda que tenha sido na prorrogação. O Hornets anda dando trabalho pra todo mundo, tornando os jogos difíceis e brigados, mesmo com esse elenco todo lesionado e furado. Mas não conseguiram sobreviver ao Roy Hibbert, com 30 pontos, 13 rebotes, e uma tonelada de pontos na prorrogação vindos de rebotes de ataque. O Hibbert virou piada por ir para o All-Star Game, mas é um dos melhores pivôs da NBA. O problema é seu jogo inconsistente, a mania de jogar como se fosse nanico contra alguns times, querendo só arremessar de fora, mas cada vez mais ele está topando as trombadas e está virando uma versão estranha do Jermaine O’Neal de uns anos atrás. Lembram quando o Brad Miller virou piada por ir para o All-Star no Leste, também pelo Pacers, e depois disso virou estrela e passou a colecionar triple-doubles? Pois dá pra esperar algo bem parecido do Hibbert. Outro membro do Pacers que vai estar no All-Star Game e chutou traseiros foi o Paul George: ele vai jogar com novatos e segundo-anistas na sexta e estará no campeonato de enterradas no sábado. Contra o Hornets foram 20 pontos, 6 rebotes, 6 assistências e uma demonstração de porque estará na competição de enterradas:

Pistons e Cavs, que se enfrentaram, também vão levar um monte de gente para o All-Star na partida de novatos e segundo-anistas. Mas sabe quem com certeza não vai? Ben Gordon. Eu sei, ele teve algumas partidas simplesmente geniais pelo Bulls, já ganhou jogos impossíveis sozinho, mas também já perdeu jogos fáceis sozinho. Essa fama de “cara que sabe decidir” acaba fazendo mal demais para a carreira dele e comeu um pedaço do seu cérebro. Contra o Cavs, no final do jogo, Brandon Knight tinha metido 2 bolas de três seguidas (marcou 24 pontos, acertando 4 de 5 bolas de três), Greg Monroe estava passeando no garrafão (foram 17 pontos, 11 rebotes e 7 assistências), mas com o jogo apertado no final é claro que o Ben Gordon resolveu que iria arremessar todas as bolas sozinho e jogou a partida pela privada. Do outro lado, o Cavs vai se tornando um time fantástico em quartos períodos: Kyrie Irving parece o “Coração Gelado” dos Ursinhos Carinhosos, contra o Pistons ele acertou os lances-livres da vitória pelo que parece ser a centésima vez nessa temporada. Pra termos uma ideia, Irving fez sozinho 17 pontos no quarto período – enquanto Alonzo Gee fez 13 pontos no mesmo período (acabou o jogo com 16 e 11 rebotes). Ou seja, os dois juntos marcaram 30 pontos na fase final enquanto Ben Gordon se achava o fodão. O Pistons tem potencial, mas é preciso se livrar do passado e aceitar algumas verdades. Tayshaun Prince errou 12 arremessos seguidos durante a partida, será que ele não deveria assumir um papel diferente?

Pra fechar, o jogo mais “bleh” da rodada. Com 11 vitórias seguidas e enfrentando um Blazers que anda despencando pela tabela, o Spurs (já desfalcado de Ginóbili e Splitter) resolveu descansar Duncan e Parker e colocou um time de reservas em quadra. Era o oitavo jogo de uma longa viagem de 9 partidas fora de casa, fez sentido deixar as duas estrelas velhinhas no banco, mas o Blazers entrou mordendo e venceu a partida nos primeiros minutos. Fato importante: Raymond Felton tinha acertado um máximo de 2 bolas de três no mesmo jogo durante a temporada, algo que Jamal Crawford – que agora começou como titular – repetiu nos primeiros 4 minutos de jogo. Acabou a partida com 5 bolas de três, todo mundo no Blazers jogou muito e até o Felton desencantou e meteu 4 bolas do perímetro. De bom para o Spurs, apenas mais minutos para a pirralhada: Kawhi Leonard terminou o jogo com 24 pontos, 10 rebotes e 5 roubos de bola. Como diabos esse time sabe draftar tão bem? É ofensivo.

Fotos da rodada:

 Drible da foca
 Cara de cachorrinho pego fazendo bobagem
Cabaninha para os recém-casados 
 Roy Hibbert com sua tradicional cara de PhD em Física Nuclear
Camby dá um passe espírita em Leonard

Estamos de volta com os resumos dos jogos que ninguém viu, os da semana de Carnaval. Porque, claro, doze horas de trânsito, calor e música capaz de ser ouvida da Lua sempre acabam dando um jeito de ser mais importantes do que a simplicidade deliciosa de sentar a bunda numa cadeira e assistir ao esporte que amamos. Mas ao voltar pro mundo real, o Bola Presa garante que todo mundo possa saber o que andou acontecendo na NBA nesses dias. Dessa vez, então, vamos falar da rodada do dia 20.

Primeiro, um segredo: ao ter um blog de basquete, somos obrigados por lei a assinar um contrato e falar sobre o Jeremy Lin em todo post, sob pena de pagar multa ou ser obrigado a ver 20 jogos do Bobcats. Então vamos acabar logo com isso: contra o Nets, Lin jogou bem, marcou 21 pontos e deu 9 assistências. Pronto, contrato cumprido. Agora, para os outros assuntos.

Lin foi totalmente secundário na partida entre Knicks e Nets basicamente porque Deron Williams entrou em quadra disposto a chutar todos os traseiros do mundo. Aliás, Deron Williams merece um post-tese-de-mestrado só pra ele mais tarde, porque é o exemplo perfeito de como mesmo um dos melhores jogadores da NBA consegue sair completamente dos olhos do público e da mídia por estar num time pequeno. Agora que todo mundo estava vendo, com a atenção voltada para o armador cheirando a carro novo, Deron lembrou o mundo de quão bom ele é e praticamente garantiu a vitória do seu time sozinho. Foram 38 pontos e 8 bolas certas de três, e o mais fantástico foram os 18 pontos no terceiro período – 10 deles marcados num período de 47 segundos! Deron Williams é uma força da natureza e, com um time melhor em mãos, pode fazer milagre. Contra o Knicks, bastou uma defesa que soube defender bem o pick-and-roll de forma física e agressiva e Lin e seus amigos começaram a se afastar cada vez mais do garrafão, voltando a ser uma equipe que se contenta em dar arremessos idiotas de longe. Aí, do ataque, Deron cuidou sozinho.

A defesa física do Nets acabou gerando um jogo bastante brigado. Pra se ter ideia, Anthony Morrow perdeu 4 dentes e os dois times tiveram problemas em conseguir chegar perto da cesta. Nessas horas o Knicks precisa de seus arremessadores, mas JR Smith errou as 5 bolas de três que tentou e Steve Novak estava num dia terrível. De consolo, apenas o primeiro jogo do Baron Davis pelo Knicks (foram apenas 10 minutos, mas ao menos ele consegue usar as duas pernas!), e o retorno do Carmelo Anthony, que com 6 assistências mostrou que está disposto a rodar a bola agora que não precisa ser o armador dessa budega.

Agora, o resto da rodada fora do nosso contrato. Começo com a indignação: quantas prorrogações o Nuggets consegue jogar em sequência? Depois de uma prorrogação sensacional na partida anterior, agora foi a vez de mais uma prorrogação contra o Wolves. O garrafão da equipe de Minessota, que anda comendo vários times da NBA vivos, sofreu com a saída de Pekovic, lesionado, e o Nuggets se aproveitou disso para usar uma escalação de anões: colocou Al Harrington como pivô e partiu para a correria. O incrível é como o Al Harrington se sai bem quando joga dentro do garrafão ao invés de no perímetro, como ele insiste em jogar – parece que tem complexo de Rasheed Wallace (que, pra quem não sabe, disse que aprendeu a arremessar de três porque estava ficando entediado de dominar jogos no garrafão). Al Harrington teve 31 pontos e 9 rebotes, dominou o Wolves e segurou as pontas mesmo quando o Nuggets ficou sem armador nenhum, já que Ty Lawson torceu o pé e Andre Miller foi expulso por dar piti. Nessa escalação de anões, Faried continua quebrando um galhão, dessa vez com 14 rebotes. Agora que o George Karl disse que o Nenê provavelmente não vai conseguir entrar em forma durante essa temporada, é bom que o Nuggets esteja disposto a usar todos os outros grandalhões e saiba improvisar Faried e Al Harrington lá embaixo para fazer o serviço.

O jogo foi uma correria biruta, bem disputado, teve prorrogação, mas o tempo extra foi uma calamidade: as duas equipes passaram 3 minutos sem conseguir uma cesta sequer, e o final do jogo foi pior ainda. Perdendo por 3 pontos, Martell Webster conseguiu roubar uma bola faltando 4 segundos no cronômetro. Ele parou na linha de 3 pontos e aí o que ele fez? Merda. Continuou correndo e deu uma enterrada fácil, cortou a diferença para 1 ponto mas aí já não dava mais tempo de ter outra posse de bola. Uma anta. Depois do jogo ele disse que achava que poderia sofrer uma falta, migué de quem fez cagada e não quer admitir. São coisas de time jovem que nunca passou por isso antes, é claro que na próxima vez todo mundo do elenco vai parar e arremessar de três, é o peso da experiência. Menos o Kings, que daqui há 20 anos vai cometer exatamente os mesmos erros.

A anti-matéria do Kings é o Spurs, que faz sempre as coisas certas nas horas certas há mais de 15 anos, sem brincadeira. Mesmo sem Ginóbili, o esquema continua impecável com Tony Parker mais agressivo do que nunca, dessa vez foram 23 pontos e 11 assistências. E mesmo sem o Splitter, o garrafão continua funcionando com o Matt Bonner, que aliás acertou 5 das 6 bolas de três que tentou no jogo. Mesmo o Richard Jefferson, que errou todos os arremessos que deu durante o jogo inteiro, acertou uma bola de três da zona morta (marca registrada do Spurs desde que me conheço por gente) no final do jogo para garantir a vitória em cima do time-do-qual-não-falamos.

A fama do Spurs de fazer tudo certo nos momentos decisivos é a mesma que Monta Ellis anda recebendo ultimamente. Muita gente está dizendo que ele é o melhor “fechador de jogos” da NBA nessa temporada. Dá pra colocar o jogo contra o Clippers nesse currículo: perdendo por 2 pontos nos minutos finais, o Warriors fez 9 a 0 liderados pelos 32 pontos de Monta Ellis e uma defesa simplesmente impecável do armador em cima do Chris Paul, que só conseguiu marcar 4 pontos no segundo tempo inteiro. O Warriors sempre é liderado por Ellis ou Stephen Curry, eles sabem revezar bem e de vez em quando funcionam juntos, mas as vitórias só aparecem mesmo quando o garrafão dá uma força. Contra o Clippers foi a vez do David Lee fazer a parte dele, com 24 pontos e 13 rebotes, mas a surpresa mesmo é o Ekpe Udoh, que ganhou a vaga de titular, teve 19 pontos e 8 rebotes (6 deles ofensivos) e tornou o garrafão do time muito mais ativo e atlético.

Falando em garrafão, o Blazers acabou de saber que Greg Oden vai precisar de OUTRA cirurgia no seu joelho. O instituto médico do Bola Presa estima que a volta do pivô deve acontecer lá por 2025. Enquanto isso, o garrafão do Lakers engoliu o Blazers com azeite e sal: só o Bynum teve 14 pontos e 19 rebotes e fez o Blazers inteiro se cagar de medo de entrar no garrafão. Kobe marcou 28 pontos, anda com a mira calibradíssima, mas está puto da vida com os boatos de troca do Gasol – ele quer que o time garanta que não vai trocá-lo, para que o espanhol se tranquilize e possa se dedicar integralmente ao time, ou então que o  Lakers troque o Gasol de uma vez e pare com esse lenga-lenga. Em termos técnicos, o que o Kobe quer dizer é “fode ou sai da moita”, o que faz sentido, mas é natural que o Lakers só possa ter uma resposta segura depois de estudar bem o mercado. Enquanto isso, Steve Blake acordou e meteu 5 bolas de três pontos em 6 tentativas vindo do banco, tudo que o time precisa para ganhar. Se ele fizesse isso sempre, uma troca do Gasol sequer precisaria ser cogitada.

Mais papo de garrafão (que alias parece nome de programa de entrevista com jogadores de basquete, apresentado por, sei lá, a Magic Paula): Dwight Howard foi anulado no jogo contra o Bucks pelo Larry Sanders. Constantemente isolado contra o Sanders, no mano-a-mano, Dwight tomou tocos, perdeu a bola em 3 jogadas consecutivas e teve problemas terríveis para ser eficaz no ataque. Mas ele é fantástico na defesa e, de um modo indireto, acabou garantindo a vitória: JJ Redick errou a bola da vitória no que deveria ser uma cesta fácil, mas Dwight conseguiu um tapinha no rebote que colocou a bola nas mãos do Jameer Nelson, que achou Ryan Anderson livre para uma bola de 3 pontos. Perdendo por 3 faltando pouco mais de 10 segundos é claro que o Bucks não soube o que fazer e errou algo como uns 4 arremessos seguidos ridículos. Pra se ter ideia, é a terceira derrota do Bucks para o Magic em 10 dias, as três com o Bucks vencendo o jogo no quarto período mas tomando uma virada porque não sabe o que fazer no final.

Larry Sanders acabou o jogo com 13 pontos, 12 rebotes, 2 roubos de bola e 3 tocos, e é a prova de que Dwight é um monstro, um dos melhores da NBA, mas não pode ficar sendo isolado no garrafão. Enquanto isso, Ersan “Lady Gaga” Ilyasova garantiu mais 15 rebotes (9 deles ofensivos) e ele sequer precisa sair do chão pra isso. Bizarro.

Ainda no assunto garrafão, tivemos uma rara demonstração da importância do Perkins para o Thunder. O pivô, que é uma parede de tijolos, tem pouco envolvimento na correria do Thunder, mas continua sendo genial para parar pivôs grandões em esquemas táticos lentos de meia-quadra. Contra o Hornets, Perkins simplesmente humilhou Chris Kaman e sua jornada rumo a uma troca digna. Perkins teve 6 tocos e 13 rebotes, e o coitado do Kaman só acertou 4 dos 17 arremessos que tentou. Quando o foco central de um ataque é anulado desse jeito, basta que Durant e Westbrook façam sua parte – cada um fez 31 pontos e aí o jogo foi pro saco. Quando o ritmo dos jogos diminui nos playoffs e o foco no garrafão é maior, Perkins vai voltar a ser essencial para esse Thunder.

Essencial, aliás, como Rajon Rondo e Garnett são para o Celtics. O Garnett continua fora por razões pessoais, e Rondo ficou de fora contra o Mavs porque cumpriu o primeiro dos dois jogos de suspensão por ter jogado a bola num juiz. Não preciso nem dizer que o Celtics parecia um time amador e que a movimentação ofensiva foi medonha. Me permito não falar do jogo, então, e no lugar abro um pequeno “8 ou 80” para suprir a falta do Denis, que está viajando:

8 ou 80 relâmpago sem o Denis que está viajando

Com 26 pontos, 16 rebotes e 2 tocos, Dirk Nowitzki se tornou ao mesmo tempo o vigésimo maior pontuador da história e também apenas o terceiro jogador da NBA a ter em sua carreira mais de 1000 tocos e mais de 1000 bolas de três pontos (os outros dois foram nosso amado Rasheed Wallace e também Clifford Robinson).

Além disso, Jason Kidd também subiu para o segundo lugar na história em roubos de bola: agora ele está apenas atrás de John Stockton tanto em assistências quanto em roubos na carreira.

Agora, o restinho final da rodada do dia 20. Derrick Rose finalmente voltou às quadras depois de tanto tempo fora com problemas nas costas, pareceu estar em ótima forma física, dominou o Hawks do começo ao fim do jogo, teve 23 pontos, 5 rebotes, 6 assistências, mas parece ter demonstrado sinais de dor no final do jogo. O Suns ganhou mais uma num dos jogos mais fáceis da equipe na temporada, contra o Wizards, tão fácil que até o Michael Redd passou um tempão em quadra sem precisar de cadeira de rodas. E pra fechar, meu Houston manteve a novíssima defesa forte de garrafão com Greg Smith e Patrick Patterson contra o Grizzlies, anulando Marc Gasol especialmente no quarto período, Kyle Lowry continua chutando traseiros com 24 pontos e 9 assistências, mas dessa vez Kevin Martin recebeu a bola desde o começo do jogo, foi super eficiente, seus companheiros confiaram no seu arremesso, e deu pra ter esperança num Rockets que não troque o rapaz. Por favor, mantenham Kevin Martin no meu time! Eu imploro!

Fotos da rodada:

 À esquerda, gente feliz; à direita, o Perkins
 Deron Williams mostra que o Lin tomou no fiofó
 Monta Ellis corre com cocô nas calças
 No fundo da foto, a imagem da derrota
 Ilyasova e sua defesa extravagante
 Mo Williams vítima de bala perdida
Acidente de carro

O Carnaval continua e todo mundo que não está foragido nas colinas continua fingindo que está se divertindo de montão, mesmo que ninguém saiba explicar o porquê. Enquanto isso a NBA também continua à toda, ainda que eu só perceba volta e meia, quando a internet me deixa. Ainda assim mantemos a promessa de cobrir todos os jogos dessas rodadas pra quem retornar da festança louco pra saber o que andou acontecendo no mundo real. No capítulo de hoje, vamos dar uma olhada – ainda que atrasada – nos jogos do dia 19.

A parte legal de ter League Pass é que você não é mais obrigado a obedecer as leis do espaço-tempo, pode ver os jogos onde estiver e quando quiser, mesmo com alguns dias de atraso. Por isso, se você é dono dessa maravilha e acabou de retornar à civilização depois do feriado, faça um favor a você mesmo e assista a dois jogos da rodada de ontem: Thunder contra Nuggets e depois Knicks contra Mavs. Se você é daqueles que não gosta de spoilers e prefere ver os jogos sem saber o que aconteceu, quem venceu, ou porque foram jogos tão especiais, então pode pular os próximos parágrafos. Pra quem não se importa, lá vai o resumo das duas partidas que, mesmo assim, merecem ser assistidas na íntegra.

[spoilers abaixo]

Primeiro, Thunder e Nuggets. Foi um jogo em alto nível, disputado, com as duas equipes abrindo vantagens que desapareciam logo em seguida. O Nuggets manteve seu jogo coletivo que já é marca registrada, botando todo mundo pra jogar e distribuindo a bola. A equipe de Denver dominou completamente o garrafão, mesmo sem Nenê: Chris Andersen jogou muito bem e até o Kosta Koufos, que só jogou 13 minutos, saiu de quadra com 13 pontos e 9 rebotes. No perímetro, Affalo assumiu a responsabilidade no ataque que seria do contundido Gallinari e acabou o jogo com 25 pontos.
Mas a parte surreal das estatísticas cabe ao Thunder: Kevin Durant saiu de quadra com 51 pontos, recorde da carreira (acertou 19 de 28 arremessos, 5 das 6 bolas de três pontos que tentou, além de 8 rebotes e 4 roubos de bola), Westbrook marcou 40 pontos (além de 9 assistências) e Ibaka conseguiu um triple-double que já se anunciava, com 14 pontos, 15 rebotes (oito deles no ataque) e 11 tocos. Para o Ibaka sequer é estranho dar mais de 10 tocos num jogo, ele está fazendo isso com uma constância bizarra, o estranho mesmo é ele conseguir mais de 10 pontos – quando isso ficar comum, os triple-doubles vão acontecer a rodo.

Essa combinação bizarra de um jogador com 50 pontos, outro com 40 e um um terceiro com um triple-double nunca aconteceu na história da NBA, ver o jogo é como presenciar o nascimento de um cabrito de 4 cabeças. E o mais legal é que o Thunder precisou dessa combinação bizarra de estatísticas para conseguir uma vitória no sufoco, então foi um jogão. Al Harrington meteu duas bolas seguidas de 3 pontos e aumentou a vantagem do Nuggets para 9 pontos no quarto período. O Thunder foi aos poucos cortando a vantagem e, quando perdia por 5 pontos, Durant acertou uma bola de 3 pontos a 30 segundos do final. Posse de bola do Nuggets, defesa completamente impecável do Thunder em todos os sentidos, e eis que o Durant tem então a chance de empatar o jogo com 7 segundos no relógio. Resultado? Foi brincadeira de criança: corta-luz do Ibaka, Durant partiu para a cesta e deu a enterrada mais fácil da carreira. O garrafão do Nuggets até segura as pontas no ataque, mas na defesa sente falta do tamanho de lua pequena do Nenê. Na prorrogação, depois desse balde de água fria, o Nuggets não conseguiu correr atrás de Durant e Westbrook, que marcaram literalmente todos os pontos do Thunder no período extra.

Ainda estou devendo meu post gigante sobre Westbrook e Derrick Rose, que um dia terminarei quando finalmente puder sentar a bunda tranquilo na frente de uma internet que funcione (mudar de casa é um inferno), mas o mais importante é isso: quando Westbrook está num desses dias fantásticos, o resto do Thunder é um time infinitamente melhor e o Durant tem espaço para marcar quantos pontos ele bem entender.

O outro jogo obrigatório no League Pass é Knicks e Mavs, basicamente porque Jeremy Lin voltou a alcançar o Sétimo Sentido e JR Smith finalmente entrou em quadra pelo D’Antoni, o técnico dos seus sonhos. O Knicks chegou a marcar 17 pontos seguidos no primeiro quarto com Lin chutando traseiros e JR Smith metendo 3 bolas de três pontos assim que pisou em quadra, todas bolas idiotas e fantásticas que renderiam surras de chibata de técnicos mais conservadores. JR Smith é o melhor no que faz: dar arremessos de longe pra burro com oito marcadores na sua cara, e dar enterradas violentas contra defesas em que não se deve infiltrar no garrafão. Ele não obedece a desenhos táticos, levou o técnico do Nuggets George Karl à loucura, arremessa quando bem entende, mas ele pode vencer o jogo para um técnico que sabe quando colocá-lo em quadra e quando tirá-lo. Nasceu para vir do banco de reservas e ser comandado por um técnico legal que se limite a controlar seus minutos. É bem simples entender o motivo de ter escolhido o Knicks ao invés de Mavs ou Lakers: JR Smith disse que jogar para o D’Antoni era um sonho antigo, e como se não bastasse ele ainda tem familiares em New York e é amigo do Carmelo. Dá pra perceber logo de cara que esse casamento deu certo: JR Smith jogou minutos limitados, tentou 16 arremessos (só acertou 6), D’Antoni disse que enquanto ele esteve em quadra o Knicks não chamou jogadas, apenas jogou no improviso passando pra ele e vendo a bola ser arremessada sem critério, e que o técnico simplesmente adorou essa possibilidade. Que outro técnico da NBA admitiria que um jogador destrói o sistema tático e ficaria feliz da vida com isso? Coisas de Mike D’Antoni.

Jeremy Lin cuidou do resto quando JR Smith sentou: nossa amante oriental favorita acabou o jogo com 28 pontos (11 de 20 arremessos certos, 3 bolas de três pontos certas em 6 tentadas), 14 assistências, 5 toubos de bola. A parte negativa é que foram 7 turnovers, ele continua perdendo demais a bola especialmente quando força demais as infiltrações usando o pick-and-roll, mas contra o Mavs ele gerou poucos contra-ataques e forçar o pick-and-roll significa que o ataque do Knicks já é duzentas vezes melhor do que era semanas atrás.

Mas o jogo não teve só Knicks: Dirk Nowitzki fez chover com 34 pontos e a defesa do Mavs, se ainda não é consistente como era na temporada passada em que garantiu um anel de campeão, ao menos consegue funcionar em toda sua capacidade durante trechos das partidas. Contra alguns adversários é o bastante, contra o Knicks quase foi. No terceiro quarto o Knicks não conseguiu jogar, a defesa do Mavs sufocou, Shawn Marion fez um bom trabalho em cima do Lin, e parecia que os atuais campeões iriam vencer fácil. Só não conseguiram manter a intensidade defensiva no final do jogo, quando Steve Novak meteu 4 bolas de três pontos e Jeremy Lin meteu outras duas, uma delas na cara do Shawn Marion. O Novak é um dos melhores arremessadores de três da NBA, acompanhei ele muito tempo no meu Houston, mas ele faz apenas isso – é um especialista assim como Jason Kapono e, por isso, ganha poucos minutos de quadra. Mas com o D’Antoni (e um bom armador) qualquer grande arremessador vira um gênio, e o Novak vai se aproveitar disso e deixar todo mundo impressionado. Com um armador de verdade finalmente veremos o que o D’Antoni faz com suas equipes, o elenco inteiro vai crescer muito e carinhas zé-ninguém vão ganhar jogos. O ponto sempre será a defesa e o jogo de garrafão, mas a defesa parece estar funcionando nessa temporada. Parece finalmente um bom momento de ser torcedor do Knicks.

[fim dos spoilers]

Pronto, os dois grandes jogos da rodada já foram, agora você pode jogar tudo para o alto e ir assistí-los no seu League Pass o mais rápido possível. Foi?

Se você ainda não foi é porque não tem League Pass ou então é muito fã do Bola Presa, mora numa cracolândia virtual do basquete, e deveria me dar uns trocados. De todo modo, vamos para o resto da rodada, que também foi bem legal.

Por exemplo, tivemos no dia 19 o fantástico duelo entre a primeira escolha do draft (o armador Kyrie Irving) e a última escolha do draft, a 60 (o armador Isaiah Thomas). Foi apenas o segundo jogo do Isaiah como titular, a equipe técnica já está apaixonada por ele, e agora Tyreke Evans pode finalmente jogar na sua posição natural, que é de SG. Quer saber o porquê de tanta babação no nanico? Esse é um jogo bom para entender: Isaiah teve 23 pontos , 8 rebotes, 11 assistências e controlou muito bem o ritmo do jogo, enquanto Irving teve 23 pontos, 3 rebotes e apenas uma assistência.

Ou seja, o Isaiah ganhou o duelo pessoal, o Cavs está desfalcado do Varejão, DeMarcus Cousins continua jogando muito bem desde que o Paul Westphal foi demitido, e até fez a cesta que colocou o Kings um ponto na frente com menos de 3 segundos para o fim do jogo. Mas, senhoras e senhores, esse é o Kings: Irving teve a última posse de bola, estava batendo todo descontrolado para a cesta, e aí o Tyreke Evans tentou roubar a bola e cometeu uma falta com 0.4 segundos sobrando no relógio. Irving cobrou e converteu os dois lances-livres e o Cavs venceu o jogo. Funhé. O problema dessa Kings sempre foi cabeça, o Cousins é um dos jogadores mais descontrolados da NBA e o Tyreke Evans não fica muito atrás. Eles simplesmente não sabem vencer. Do lado do Cavs, as vitórias improváveis continuam vindo, e com a lesão do Varejão pelo menos está surgindo o Tristan Thompson, jogando cada vez melhor. Dessa vez foram 15 pontos, 12 rebotes e 3 tocos.

Outro time que adora perder no finalzinho é o Sixers. Contra o Wolves foi a terceira derrota seguida (seria culpa do nosso post, na já clássica “Maldição Bola Presa”?), e o mais bizarro, foi a quinta derrota nos 5 jogos decididos por 4 pontos ou menos. Basta o jogo estar realmente disputado e o Sixers não faz a menor ideia do que fazer. O Wolves, por exemplo, estava perdendo por 1 ponto na última posse de bola, Kevin Love bateu para dentro para uma bandeja e o Iguodala fez uma falta muito boba – faltando 0.1 segundos para o fim! O Love começou absurdamente mal, acertou apenas 2 dos primeiros 15 arremessos, mas engrenou no quarto período, fez 12 pontos seguidos e é claro que converteu os dois lances-livres para virar o jogo. Acabou com 20 pontos e 15 rebotes, enquanto o Pekovic teve 17 pontos e 9 rebotes. Mesmo nos dias ruins, um garrafão desses pode vencer o jogo. E é claro que nossa esposa atual, Ricky Rubio, fez a parte dele: na “Jogada Rubio do Dia”, vale dar uma olhada em quão simples ele faz esse passe biruta parecer.

Agora para o resto da rodada. O garrafão do meu Houston, que foi engolido pela dupla Love-Pekovic no último jogo, resolveu chamar de volta da D-League o pirralho Greg Smith para dar uma força na defesa embaixo do aro, e dar mais minutos para o Patrick Petterson mostrar sua capacidade como defensor. Deu certo: o Houston tomou 30 pontos no garrafão contra Al Jefferson e Paul Millsap no primeiro tempo, mas apenas 10 pontos no segundo quando a defesa dos dois engrenou. Para selar a vitória, Kyle Lowry meteu 7 bolas de três pontos: foram 32 pontos e 9 assistências. Kevin Martin também jogou bem, mas continua sendo ignorado pela movimentação ofensiva do time e quase não recebe a bola, vai acabar sendo trocado mais cedo ou mais tarde.

Roy Hibbert, o jogador-criticado-da-vez-por-ser-All-Star, chutou o traseiro do Bobcats com 18 pontos e 14 rebotes, e foi uma força defensiva junto com Danny Grenger para fazer o Bobcats passar vergonha. Para se ter ideia, o técnico do Pacers, Frank Vogel, pediu um tempo técnico com só 2 minutos de jogo porque estava descontente com a defesa e o resultado foi que o Pacers começou o jogo vencendo por 21 a 2. O Bobcats chegou a estar perdendo por 44 pontos (quarenta e quatro!) e os titulares da equipe marcaram apenas 25 pontos. Eles meio que fedem.

Outro pivô do Leste ganhou atenção ontem por finalmente voltar às quadras, aliás consideravelmente antes do que se esperava. Trata-se de Brook Lopez, também conhecido como “a chance ambulante do Nets trocar pelo Dwight Howard”. Já falei isso num longo post sobre o Magic, acho que o Lopez se daria melhor no Magic do que o Dwight mesmo não tendo sua capacidade atlética ou defensiva, mas dá medo de que ele tenha sido apressado de volta às quadras apenas para que o Magic considere trocar por ele. Ao menos nesse primeiro jogo, em que esteve em quadra por 20 minutos, pareceu não estar sentindo nenhuma lesão: errou muitos lances-livres (sinal de falta de ritmo) e pegou apenas 2 rebotes (sinal de que ele é o mesmo jogador de sempre).

Mas toda a incapacidade de pegar rebotes do Lopez é compensada na balança do Universo pelo Ersan “Lady Gaga” Ilyasova. O ala do Bucks é o jogador mais estranho da NBA, tudo a seu respeito é pouco ortodoxo: a cara de branquelo psicótico, as meias altas, o arremesso torto, os pulos desequilibrados, a intensidade com que joga, mas ele é um defensor espetacular, sabe se posicionar para o rebote, e consegue arrumar pontos na marra de todos os lados da quadra. Contra o Nets foram 29 pontos e 25 rebotes. Vinte. E. Cinco. Treze desses rebotes foram de ataque e garantiram por si só a vitória do Bucks, mesmo que a intensidade necessária para conseguí-los tenha tirado o Ilyasova do jogo com 6 faltas. O Nets precisa ensinar o Brook Lopez a levantar os braços e pegar alguns rebotes, mas o Shelden Williams vai quebrando um belo galho: a menor cabeça do Universo pegou 15 rebotes dessa vez.

Tão ridículos quanto os dois rebotes do Brook Lopez, só a derrota do Celtics para o Pistons – a segunda do Celtics para o Pistons em 5 dias! São agora 3 vitórias seguidas para o Pistons e 3 derrotas seguidas para o Celtics, o bastante para o Universo sair do equilíbrio e morrer de vergonha. O Pistons está mais agressivo, Greg Monroe está fazendo estrago no garrafão (dessa vez foram 17 pontos e 10 rebotes) e aquela filosofia “não temos ninguém muito bom, mas juntos podemos chegar lá” está voltando à cabeça dos jogadores, mas nada disso é motivo para o Celtics tomar pau duas vezes. Dá pra ver que o desespero está batendo em Boston conforme a temporada passa e está faltando cabeça pra lidar com esse trem descarrilhando: sem Garnett, fora por motivos pessoais, o Rondo saiu esbravejando com os juízes até ser expulso no terceiro quarto e jogar na privada as chances do Celtics. Quanto pior vão as coisas por lá, mais desespero bate no time e pior eles jogam. É bola de neve.

Já o Suns não tem desespero nenhum, já que não tem chance nenhuma de coisa nenhuma. Volta e meia eles encaixam uns jogos fantásticos em que dá pra ver o que esse time foi na última década. Dessa vez foi contra o Lakers: Gortat continua um bom cosplayer de Amar’e Stoudemire com 21 pontos e 15 rebotes, Jared Dudley foi bom cosplayer de Joe Johnson com 25 pontos, e a marcação dupla em cima do Kobe (quase sempre feita pelo Grant Hill) foi impecável. Nós já comentamos aqui, o Kobe odeia o Suns e sempre vence os jogos contra eles sozinho, dessa vez foram 32 pontos, 7 rebotes e 5 assistências, mas a marcação dupla tirou ele da zona de conforto, obrigou a bola a rodar e fez com que Kobe cometesse 10 turnovers (foi um double-double maligno). Gasol e Bynum jogaram bem (Bynum com 16 pontos, 10 rebotes, 4 tocos, e Gasol com 17 pontos, 12 rebotes e 6 assistências), mas na correria do Suns não receberam nem metade das bolas que poderiam, o banco do Lakers apagou outra vez e os dois armadores principais (Fisher e Blake) somaram juntos 2 pontos e 4 assistências. Contra um Suns funcionando direitinho, não dá pro cheiro.

Pra terminar o resumo, tivemos o Heat jogando empolgado como sempre e, pra variar, acabando com o jogo logo no primeiro quarto. O Magic até tentou resistir, mas se você começa sendo atropelado desse jeito não tem mais volta e o jogo acaba mais cedo. Não ajudou o fato do Dwight Howard errar 8 dos 10 lances-livres que tentou. Depois tem gente perguntando por que é que ele não recebe mais bolas nos minutos finais de um jogo. Funhé.


Fotos da rodada
Especial Jeremy Lin:

 O Elvis asiático

 Lin escapa da famosa “Defesa Losango”

 Kidd faz com Lin aquilo que todo mundo faz com o irmão mais novo

 Shawn Marion tem nojo de contato

 Lin chora como a Chiquinha

 Lin dobra o joelho na área

 Lin corre fazendo cara de desenho animado

Trocadilho e pornografia: “Jeremy, quero você dentro de mim”.
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