Danilo

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

Contra uma maldição

 

– Eu juro tacar a bola pra cima.
– Eu juro enterrar a bola, então.

Quem acompanha a NBA há pouco tempo nem imagina que o Los Angeles Clippers seja a franquia mais amaldiçoada da liga, mas quem é velho de guerra sabe que o Clippers foi fundado em cima de um cemitério indígena e usa a expressão “que Clippers” para designar qualquer coisa que deu muito errado sem nenhum motivo aparente. Guardou a chave direitinho no bolso e ela sumiu mesmo assim? Deixou o bolo o tempo certo no forno e ele virou carvão? Puxa, que Clippers!

Basta voltarmos um pouco ao passado recente da equipe para vermos o festival de horrores. São falhas de planejamento, escolhas táticas ruins, mas tem também muito azar puro e simples: escolhas de draft que pareciam geniais e foram horríveis, contusões sérias que terminaram carreiras, times talentosos que não se entrosaram, e uma caralhada de jogadores que simplesmente fugiram da equipe assim que tiveram chance.
Michael Olowokandi, escolhido em 1998, foi sem sombra de dúvidas a pior primeira escolha de um draft na história da humanidade. Se você acha que o Kwame Brown fede, então lembre que ao menos o Kwame continua arranjando emprego na NBA enquanto o Olowokandi coça o saco em casa. Já Shaun Livingston, que foi a quarta escolha do draft de 2004, era genial mas teve o joelho desmontado como se fosse construído com peças de Lego, e tudo numa jogada completamente banal. Dá pra ver o lance no vídeo abaixo, mas primeiro tire as crianças da sala:

O próprio Blake Griffin, que é uma das sensações da NBA e tem tudo para ganhar o campeonato mundial de seres humanos, não jogou toda sua primeira temporada de NBA graças a uma lesão adquirida numa jogada fantástica antes da temporada começar. Acabou fazendo sua estreia como novato apenas um ano depois, na temporada 2010-11. Já que o Griffin era a salvação da franquia, a maldição do Clippers deu um jeito de adiá-la ao menos por um ano com a lesão que acontece no vídeo abaixo:

Ao menos o Griffin é uma salvação que deu certo, apesar do susto da lesão inicial. Outros jogadores que carregaram promessa semelhante na franquia não conseguiram se estabelecer: Darius Miles nunca conseguiu render ao ser afastado do seu amigo de infância Quentin Richardson (há até mesmo um documentário fantástico sobre a dupla, chamado “The Youngest Guns”) e depois se lesionou gravemente; Chris Kaman tinha tudo para ser o pivô mais dominante da sua geração mas nunca conseguiu consistência graças às lesões constantes;  e até o Al Thornton, que não se contundiu e teve ótima temporada de novato, acabou sendo trocado por um pacote de bolachas graças a problemas de vestiário que nunca foram completamente esclarecidos.

Em 2006, o Clippers enfim foi aos playoffs e venceu sua primeira partida de pós-temporada em 13 anos, chegando até uma semi-final de conferência histórica. Acabou perdendo aquela semi-final para o Suns num jogo 7 dramático, numa série cheia de prorrogações, e desde então foi ladeira abaixo – na temporada seguinte, o joelho do Shaun Livingston viraria farofa. Um ano após isso, seria a vez da então estrela Elton Brand perder a temporada com uma lesão gravíssima (da qual, aliás, ele nunca parece ter se recuperado).
Tirando o azar, os novatos e as contusões (que ocorrem apesar de um dos melhores centros de treinamento de toda a NBA), o Clippers sempre teve problemas para contratar ou manter seus jogadores. Todos os jogadores sem contrato ignoravam as propostas do Clippers, enquanto os jogadores da franquia pareciam apenas aguardar o fim dos seus contratos para fugir para as colinas em liberdade. Elton Brand, estrela do Clippers durante anos, foi mantido à força na equipe quando virou free agent restrito, mas fugiu para o Sixers quando seu segundo contrato terminou. Os elencos no Clippers são notoriamente formados por descontentes, jovens jogadores que sentem-se ignorados pela NBA, presos na franquia mais amaldiçoada e ignorada das últimas décadas. É uma espécie de Sibéria do basquete.

O Clippers é um excelente exemplo de como funciona a distribuição de estrelas na NBA. Apesar de estar num dos chamados “grandes mercados”, cercado por uma grande economia, ter bom público, ser economicamente viável e se situar em uma localidade em que qualquer jogador gostaria de viver, nenhuma estrela importante aceita jogar no Clippers – franquia perdedora, com poucas aparições na televisão gringa e, por isso mesmo, com pouquíssima exposição na mídia. Nos Estados Unidos, dá pra acompanhar pela televisão todos os jogos da sua equipe local, de onde você mora, mas para assistir aos jogos das equipes do resto do país depende-se das redes nacionais, como a TNT, a ABC e a ESPN, que passam poucos jogos por semana e sempre com as equipes mais badaladas do momento. Hoje em dia, o Elton Brand joga no Sixers – em uma equipe que supostamente montou-se para disputar o Leste – e é motivo de piada por não jogar bulhufas e estar num time meia-boca. Ou seja, Elton Brand gastou seus anos de ouro, em que foi um dos melhores alas de força da NBA (por vezes o melhor) e fazia 20 pontos com 10 rebotes com a facilidade com que se cutuca o nariz, num time que não tinha qualquer tipo de exposição. A gente até ouvia falar que tinha um cara fodão lá no Clippers, mas ele nunca teve o reconhecimento que merecia. Num exemplo mais recente, podemos citar o Chris Bosh, que chutava traseiros no Raptors mas ninguém nunca viu, afinal a televisão nunca passava jogos da equipe. Agora que está no Heat e não é sombra do que foi, todo mundo pode dizer com propriedade que o Bosh “nunca foi grandes merdas”. Aí está, o jogador punido por ter jogado seu melhor basquete em Toronto, e motivo suficiente para demais jogadores pensarem três vezes antes de assinar com a equipe canadense.

É normal alegar-se que jogador nenhum quer morar no Canadá, ou em Milwaukee, ou em Minessota, assim como eu não quero ir morar em Tangamandápio, mas jogadores vão topar qualquer coisa por uma franquia vencedora, com chances de título, e com ampla exposição na televisão. Ninguém quer gastar seus melhores anos na NBA sendo ignorado pela mídia ou, como foi o caso do LeBron por exemplo, tendo seus recordes desdenhados pela falta de um título no currículo. Exposição na tevê, no entanto, não precisa ter a ver necessariamente com vitórias: pode ser simplesmente uma boa história, um time que as pessoas queiram assistir, a presença de uma ou mais estrelas juntas.

Nessa temporada, por exemplo, a ESPN gringa passará 16 jogos do Heat, 15 do Bulls, 15 do Lakers, 14 do Celtics, 14 do Knicks e 12 do Mavericks. O Knicks reconstruído com Amar’e e Carmelo, mais a chegada do Tyson Chandler, é história melhor e mais vendável do que o Mavs campeão mas com elenco desfeito. Já na TNT os times com mais aparições serão Celtics e Lakers, com 10 cada, o Heat com 9, e Knicks e Mavs com 8 jogos cada um.

Mas eis que, olhando mais pra baixo nas tabelas, encontramos finalmente o Clippers: são 3 jogos na TNT, 10 jogos na ESPN e 9 jogos na NBATV, que também é uma rede nacional. Ao todo são 22 jogos na televisão, recorde absoluto da história da franquia. É porque o Clippers é uma equipe vencedora, com chances de títulos? Vale lembrar que a programação das televisões saiu antes da troca do Chris Paul. Então a resposta é não: a presença do Clippers na televisão nacional se deve ao Blake Griffin.

Depois de tantas escolhas frustradas de draft, lesões e dificuldades de sequer chegar aos playoffs, Blake Griffin passou a colocar constantemente o Clippers na TV de um modo inusitado: através das melhores jogadas do dia. Foi uma tonelada de enterradas, bagos na cara de defensores desavisados, faltas-e-cestas, e até um tipo de “melhores momentos” que nunca existira antes: as melhores enterradas que não aconteceram, aquelas em que o Griffin pula por cima de todos os defensores dando uma pirueta e acaba enterrando no aro. De repente todo mundo queria ver os jogos do Clippers graças a essas jogadas, as vitórias são o de menos.

Ainda assim, quando Billups foi liberado pelo Knicks usando a regra de anistia, deixou claro que queria ir para algum time com chances de título e ficou puto da vida de ser chamado pelo Clippers. A NBA deixou claro que pelas regras o Billups não poderia negar o chamado, mas não queria ir nem a pau. É a história eterna do Clippers, o pessoal só fica por lá se for amarrado, se for dopado, se receber uma grana absurda que não se pode negar ou se for alguma brecha legal como no caso do Billups. Mas eis que a troca por Chris Paul, que comentamos aqui, acabou rolando e o Clippers ganhou subitamente chances de título. Escassas, é verdade, o elenco não está terminado, não teve tempo de treinar junto, não teve pré-temporada de verdade, não tem identidade tática. Mas a chegada de Chris Paul consolidou algo tão importante quanto: ao receber a notícia de que o armador fora trocado para o Clippers, Blake Griffin afirmou: “vai ser a cidade do lob“, ou seja, a cidade do passe para o alto, a cidade de jogar a bola para cima para que alguém venha enterrar. Além de Griffin e suas enterradas fantásticas, DeAndre Jordan é um pivô fantasticamente atlético que, na impossibilidade intelectual de criar o próprio arremesso (em palavras menos nobres: é uma anta), ao menos consegue pular até a Lua e enterrar os passes que chegam para ele.

Por enquanto, o Clippers não pode ser considerado verdadeiramente como um time de elite no Oeste. Ainda são apenas jogadores aleatórios, reunidos um tanto ao acaso. Chris Paul e Billups estão jogando ao mesmo tempo em quadra, então não há ainda uma definição sobre quem inicia as jogadas, quem finaliza, os armadores estão muito presos no perímetro, há pouca agressividade e muitos passes para o lado, tudo normal para quem ainda tenta se acostumar com um sistema tático meio feito às pressas. Ainda há indecisão nos contra-ataques e muitas jogadas de isolação, também comuns nos ataques em que as movimentações não foram aprendidas (ou que não existem, algo que só vamos descobrir se é o caso com o tempo). Mas mesmo com tantas indefinições, falta de entrosamento evidente e dúvidas sobre quem exerce a liderança da equipe (Billups pode arremessar 20 bolas num jogo como fez, Chris Paul deve segurar a bola, ou Blake Griffin deve ser o foco do ataque?), uma coisa é certa: o Clippers está consolidado como uma equipe que todos querem assistir. As ponte-aéreas têm presença garantida em todas as partidas, tanto para Griffin quanto para DeAndre Jordan, os contra-ataques quando funcionam geram jogadas espetaculares, e a presença na televisão vai ser cada vez maior. Para a próxima temporada, com certeza os jogos mostrados na íntegra serão vários, talvez no mesmo nível de equipes como Lakers, Heat, Knicks e Mavs.

Frente a esse tipo de exposição, com tanta atenção da mídia, com certeza Chauncey Billups está repensando seu desgosto em ter sido contratado – na marra – pelo Clippers. Do mesmo modo, Chris Paul vai ter muitas dificuldades em escolher deliberadamente abandonar a equipe ao fim da temporada, quando se encerra seu contrato. O Clippers, claro, não estava nos planos de nenhum dos dois. Mas depois de uma pré-temporada arrasadora com jogadas fantásticas, e de uma estreia contra o Warriors em que o Clippers conseguiu impor seu ritmo, a atenção da mídia – e os papos de que a equipe pode ter mais vitórias do que o Lakers, algo que não acontece desde a temporada 2004-05 e só havia acontecido antes em  93 – com certeza deixou os dois recém-chegados com água na boca. A derrota para o Spurs, que veio em seguida, veio apenas para mostrar em definitivo que a equipe tem muito a arrumar, mas o potencial dessa equipe é inegável.

Como convencer jogadores como Chris Paul e Billups a ficarem numa equipe fracassada? Fazendo trocas ousadas, arriscando, ganhando espaço na mídia com jogadas de efeito, e tendo um novato capaz de atrair a atenção de todo o planeta. Se o Clippers der certo nessa temporada, mais jogadores importantes vão querer entrar nessa brincadeira. Se der errado, se não chegar nem aos playoffs, ainda assim os jogadores que já estão lá serão obrigados a encarar a atenção que receberam, e as possibilidades futuras da franquia. Esse é o tipo de reconstrução que equipes desconsideradas pelos free agents precisam planejar, porque simplesmente abrir espaço salarial – que é a estratégia que toda equipe pequena usa – não serve para nada. De que adianta poder oferecer todo o dinheiro do universo se ninguém vai topar jogar no seu time porque ele não aparece na televisão e não tem chances de título? Por sorte, o Heat abriu o espaço salarial e convenceu a ficar e trazer seus amiguinhos. Mas se Wade fosse embora, o que o Heat iria fazer com aquela grana toda? Que jogador iria topar jogar numa franquia como o Heat, apesar das gostosas nas praias de Miami?

O Clippers está no caminho certo porque seus jogadores sabem fazer pontes-aéreas. É estranho de ouvir e pouco ortodoxo, mas é a mais absoluta verdade. E continuará funcionando até que a maldição retorne, puxe o pé do Blake Griffin enquanto ele dorme, e o avião da equipe caia no oceano. São 30 equipes, 66 jogos nessa temporada, uma caralhada de viagens de avião, e se um avião tiver que cair, já sabemos qual será. Na pior das hipóteses, se ninguém morrer e nenhum avião cair, o Clippers pode chegar à beira do título e aí estaremos em 2012: o mundo acaba e vamos todos pro saco. Esse Clippers fez tudo certo, mas não ignorem a maldição. Ela está à espreita.

League Pass

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League Pass, o Cálice Sagrado do basquete

Na temporada passada, nossa segunda utilizando o League Pass diariamente, escrevemos uma resenha sobre seu funcionamento. Para quem não conhece, o League Pass é um serviço por assinatura que permite assistir pela internet a todos os jogos da temporada da NBA. Nem precisa dizer que achamos o serviço fantástico, mas na temporada passada existiam várias versões do produto (uma mais simples e uma mais cara, e cada uma delas com ou sem playoffs) e foi necessário explicar as diferenças dos pacotes. Agora, para desespero de alguns que queriam pagar mais barato, os pacotes foram unificados – há apenas a opção nova de assistir aos jogos de apenas um time, se você quiser. Vamos explicar então exatamente como esse pacote fodão disponível funciona, quais são as vantagens e os valores, pra todo mundo assinar e ser feliz para sempre. Ao fim do post, ensinamos também a assinar o serviço gratuitamente até o dia 9 de janeiro, para testar e ficar com água na boca.

League Pass (completo)
Preço: 160 dólares (300 reais)
Preço parcelado: 5 vezes sem juros de 32 dólares (60 reais)

Pagando esse valor uma única vez (ou parcelado em 5 vezes), você tem acesso a todos os jogos dessa temporada da NBA, ao All-Star Game e aos playoffs inteiros. Mas quando queremos dizer que você tem acesso a todos os jogos, queremos dizer todos os jogos mesmo. Isso porque o League Pass é uma fantástica ferramenta mística capaz de moldar o espaço-tempo. Todos os jogos ficam disponíveis para serem vistos quando você quiser a partir do segundo em que começam. Então se você passou uma semana sem poder acompanhar a NBA e quer ver um jogo que aconteceu semana passada, pode assistir normalmente. Mês passado? Tranquilo. Mas o mais legal é que se você chegar 15 minutos atrasado para um jogo que queria ver, pode acompanhá-lo do começo! Fiz isso centenas de vezes na temporada passada, chegava em casa com jogos já começados, assistia do começo mas avançava o jogo na hora dos intervalos para cortá-los, alcançando rapidamente a transmissão ao vivo. Mas e se você chegou atrasado e está vendo um jogo do começo, mas aí vê no nosso Twitter que o final está emocionante e você quer acompanhar esse final ao vivo? Basta apertar um botão (“Live”) e o League Pass te coloca a transmissão ao vivo. Se quiser voltar para o ponto no passado em que você assistia, basta arrastar uma barra de tempo (daquelas que estamos acostumados em vídeos do YouTube) para o ponto em que você quiser.

Aliás, essa barra de tempo abaixo do jogo é um espetáculo à parte. Nela é possível ver pequenos ícones indicando todos os eventos que aconteceram na partida: assistências, enterradas, cestas de 3 pontos, rebotes, etc, tudo com o rosto do jogador que efetuou o lance. Quer ver apenas as enterradas do Blake Griffin em um jogo antigo? Basta abrir o jogo, escolher para ver apenas as enterradas do Clippers num menu, e aí passar o mouse pela barra de tempo esperando a cara do Blake Griffin aparecer. Ao clicar nela, o League Pass te manda para aquele lance imediatamente.

O League Pass é a ferramente de liberdade absoluta. Para nós, que sofremos com o fuso-horário, pode ser meio complicado ficar acordado a madrugada inteira esperando um jogo começar, ou então ter que correr para casa porque algum jogo vai começar mais cedo. Mas agora é possível ver o jogo que você quiser na hora que você quiser, sem problemas. Existem opções no próprio League Pass para que você acompanhe com o jogo que assiste as estatísticas da partida, o boxscore, e a barra de tempo que indica tudo que aconteceu no jogo até então. Mas se você está vendo um jogo velho e não quer nenhum tipo de informação que te dede o resultado, basta desligar a barra temporal e não utilizar as estatísticas. Você estará livre para ver o jogo que quiser, quando quiser, e fingir que está vendo ao vivo sem saber quem ganhou.

Para quem não conseguiu ver algum jogo que queria mas não tem tempo de vê-lo inteiro, é possível usar a barra temporal para pular pedaços que você não quer, usar o botão de “avançar” (que avança 10 segundos o jogo) para cortar lances livres, pular os intervalos comerciais e toda a enrolação de uma partida comum. Se mesmo assim você não tiver tempo, o League Pass te oferece um resumo de cerca de 5 minutos de cada jogo acontecido no dia anterior. Na temporada passada esse resumo às vezes era ótimo e às vezes parecia ter sido feito por um computador, escolhendo como melhores momentos erros de contra-ataque, tempos técnicos e cobranças de lateral, mas quando funciona é uma bela ajuda para quem tem pouco tempo.

E para quem não está interessado em moldar o tempo, assistindo aos jogos quando bem entender, é possível moldar o espaço: o League Pass deixa você estar em até quatro lugares ao mesmo tempo. Vendo jogos ao vivo, isso é espetacular. Numa barra no alto da tela, é possível ver os placares de todos os jogos que estão acontecendo em tempo real. Algum jogo interessou? Basta clicar no placar e arrastá-lo para a área em que você assiste aos jogos, e ele começa a passar imediatamente. Mas é possível fazer isso com até 4 jogos ao mesmo tempo! Muita gente diz que não consegue ver 4 partidas ao mesmo tempo, que isso é ridículo e que não serve pra nada, que é frescura. Mas funciona diferente do que se pensa: você pode escolher um dos 4 jogos para ser o “principal”, você vai ouvir o som dele e pode com um clique pedir para que ele tome a tela inteira. Mas assim que esse jogo for para o intervalo, você pode espiar os outros 3 jogos na sua tela para ver se algo interessante acontece em algum deles, e aí basta um clique para que esse jogo passe a ser o principal. Mas você continua acompanhando com o canto do olho o jogo mais importante para ver quando exatamente ele volta do comercial. Para quem é fã de NBA, isso permite que você assista a todos os finais disputados de partidas – não ao mesmo tempo, claro, mas poder ver 4 jogos ao mesmo tempo é o que te permite ficar de olho em qual jogo está ficando disputado para que você escolha ele como principal e veja em tela cheia se quiser.

Para acompanhar ao vivo, é perfeito porque você tem à disposição estatísticas, boxscore, os placares de todos os jogos, pode voltar o jogo para rever algum lance legal, e pode ver 4 jogos ao mesmo tempo para ter certeza de acompanhar como jogo principal aquele que estiver mais interessante. Para quem não vai ver jogos ao vivo, é perfeito porque você pode ver os jogos quando quiser, fica livre de ter que seguir os horários do mundo e corta os pedaços de jogo que não interessam. E para quem se dedica à NBA, tem blog, quer analisar os jogos, é ferramenta fundamental porque te permite encontrar os lances de algum jogador específico, pausar, tirar printscreen, e mandar o espaço-tempo à merda!

O pacote ainda permite que você assista aos jogos no seu celular ou tablet favorito através de qualquer conexão com a internet. Não sabemos ainda a qualidade do serviço, como funciona com o 3G nacional, mas assim que o Denis testar no brinquedinho modernex dele, atualizará esse post com todas as informações.


Team Pass (pacote para apenas um time)
Preço: 120 dólares (220 reais)


O pacote é idêntico ao anterior, mas você pode assistir apenas aos jogos de um time específico, à sua escolha quando assina o pacote. Esse é para quem quer ver só jogos do seu Lakers, do seu Houston, ou que é muito alternativo e quer ver apenas o Bucks. É legal para quem é muito fã e não se interessa muito pelo resto da liga, mas pelo preço vale bem mais a pena comprar a liga inteira com todos os times e se divertir com alguns jogos do Clippers só porque você merece ver o Blake Griffin enterrando!

O que é preciso para o League Pass funcionar

Hoje em dia, qualquer computador consegue rodar o League Pass numa boa, sem maiores problemas. A transmissão só depende mesmo é da qualidade da internet. Nos nossos testes, internet de 1MB já é o bastante para ver os jogos sem nenhuma travada e com qualidade superior à maioria dos links “genéricos” espalhados pela internet. Caso a velocidade da internet varie muito, ao invés do jogo travar o que acontece é a queda da qualidade da imagem, então o jogo pode ficar um pouco borrado mas você garante que terá o mínimo de travamentos possíveis. Com internet de 3MB (mesmo a minha, que é compartilhada com cerca de uma dezena de usuários), é possível assistir aos jogos quase sempre em qualidade HD, que é a máxima disponível. Quando tem mais gente usando a internet, ou estou vendo 4 jogos ao mesmo tempo, a qualidade da imagem cai um pouco mas nunca vira aqueles quadros do Monet como nos links genéricos. Um jogo de cada vez, com uma internet de 3MB ou mais só pra você, dá pra ter quase certeza de que os jogos estarão em qualidade HD – especialmente se você tiver uma televisão adequada para ligar no seu computador com um cabo HDMI, que é o que eu faço por aqui.

Como faço pra usar de graça?

O League Pass está disponível de graça do dia 25 de dezembro até o dia 9 de janeiro para quem quiser testar. Isso significa que você pode ver a lendária rodada de Natal na mamata mesmo se não puder bancar os pacotes. Como fazer? É simples, jovem padawan:

1. Clique aqui para ir para o site do League Pass.
2. Clique então na faixa vermelha no meio da tela, que berra “Free Preview”.
3. Preencha um rápido cadastro ou então use o seu cadastro antigo se você alguma vez já assinou o serviço.
4. Ganhe acesso instantâneo ao League Pass. Mesmo se você decidir comprar, o seu cartão é aceito na hora se tiver crédito (não leva nem 1 minuto) e você tem acesso imediato aos jogos que estiverem acontecendo ou já tiverem acontecido.

É tudo rápido, fácil, e mesmo que pareça caro a primeira vista (300 reais é salgado para qualquer um), lembrem-se que dá pra dividir em 5 vezes sem juros, e que vale para a temporada inteira – playoffs inclusos! É tanto basquete que você vai ter uma overdose, babar, seus olhos vão pular das órbitas e você vai acabar sofrendo um aneurisma. E quer saber? Vai ser o aneurisma mais feliz da sua vida!

Abaixo, os jogos da rodada de Natal com os horários no Brasil pra todo mundo testar o League Pass e nos dizer o que achou:

15h: Celtics e Knicks
17h30: Heat e Mavs
20h: Bulls e Lakers
23h: Magic e Thunder
1h30: Clippers e Warriors

E quem não ficar acordado até uma e meia da madrugada para ver o novo Clippers é a mulher do padre!

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Monstro de três cabeças

Antes da temporada passada começar, muito se especulava sobre como seria o Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh. A equipe parecia estar investindo todas as fichas no que podemos chamar de “modelo Celtics”: juntar três estrelas, colocar todo o foco na defesa, deixar que se virem como bem entenderem no ataque, e tapar os buracos da equipe com pivetes ou jogadores veteranos dispostos a receber salários minúsculos pela chance de ganhar um título. No caso do Celtics, a pivetada deu muito certo (Rondo, Perkins) e os vovôs continuam topando a brincadeira até hoje (Shaquille O’Neal ficou até onde deu, Jermaine O’Neal deve fazer o mesmo).

O modelo parecia perfeito para o Heat imitar, LeBron e Wade só falavam em defesa durante os primeiros treinamentos com o técnico Erik Spoelstra, o time apostou em um pirralho na armação (Mario Chalmers) e um no garrafão que só sabia defender (Joel Anthony), e os veteranos se acotovelaram pela chance de jogar: passaram pelo Heat em seu primeiro ano vovozinhos como Jerry Stackhouse, Ilgauskas, Dampier, Juwan Howard, Mike Bibby, Jamaal Magloire, Mike Miller e Eddie House (esse último, aliás, havia participado também desse modelo no Celtics). Não dava pra culpar o Heat, copiaram um modelo recentemente vencedor e, por não serem um grande mercado na NBA, aproveitaram o fato de que o Wade trouxe seus amiguinhos para finalmente se tornar um lugar interessante para jogadores veteranos. Afinal, como fica bem fácil de perceber, jogadores bons e velhos querem jogar em equipes boas, não nas franquias mais famosas.

O problema é que nenhuma cópia sai exatamente como o original, e já no primeiro mês de temporada dava pra ver os deslizes do projeto. O primeiro, e mais sério, era que a defesa simplesmente não funcionava como deveria. Contra equipes mais fracas, a defesa era sufocante e vencia o jogo sozinha como esperado, mas contra equipes dispostas a rodar a bola, atacar o garrafão, ou com pivôs um pouco mais competentes do que o normal, a defesa não conseguia acertar a rotação, cometia erros bobos, batia cabeça e acabava se frustrando, tentando tanto roubar bolas que acabava deixando jogadores completamente livres quando os roubos não aconteciam. No ataque a coisa também era bastante bagunçada e o time foi alvo de críticas, especialmente com aquele papo de que “não tem na equipe um armador de verdade pra botar ordem na casa”. Na prática, o ataque do Heat era tão organizado ou mais do que aquele do Celtics que foi campeão em 2008, justamente porque jogadores tão talentosos sempre dão um jeito de pontuar mesmo que seja na marra – por isso o foco das duas equipes sempre foi na defesa e há um desdém de ambos com relação à parte ofensiva.

Mas o técnico nerd Erik Spoelstra resolveu não deixar o ataque à deriva. Com seus bilhões de números e estatísticas, constatou que o Heat usava sempre as mesmas jogadas no ataque e que eventualmente isso seria um problema. A solução que ele propôs é um tanto videogame: sempre que o Heat tivesse sucesso na defesa, conseguindo um roubo de bola, um toco ou um rebote defensivo, o ataque poderia fazer o que bem entendesse; mas toda vez que o Heat levasse uma cesta era obrigado a seguir uma das jogadas “não-convencionais” que o Spoelstra havia desenhado para variar o ataque. A tática deu certo o bastante, afinal o Heat chegou a uma Final de NBA, mas ela tem vários problemas. Primeiro, ela assume que os problemas defensivos do Heat eram uma questão de comprometimento, não de posicionamento e entendimento da função de cada um em quadra. Depois, ela arrancou completamente pela raíz a espontaneidade do ataque da equipe. O sucesso que o Heat tinha com jogadas de velocidade ou um pick-and-roll simples era imenso, mas nos momentos de aperto cansei de ver a equipe se embananando toda tentando colocar em prática alguma movimentação do Spoelstra na linha de fundo da quadra. LeBron James passou boa parte da série contra o Mavs, na Final, acionando Chris Bosh para arremessos de média distância – em parte porque o garrafão do Mavs intimidava qualquer infiltração, é verdade, mas em parte também porque não tinha permissão para jogar na velocidade como bem entendesse. Os contra-ataques com LeBron e Wade são fulminantes, eles adoram, se divertem, fazem dancinhas, mas são muito raros numa equipe que poderia fazer isso o tempo todo se quisesse. A equipe tentou tomar para si uma identidade que não lhe correspondia. E até que simulou razoavelmente bem esse papel, uma Final de NBA não cai no colo de ninguém, mas em nenhum momento pareceu algo natural, orgânico. Os jogadores foram tirados de sua zona de conforto, do modo em que renderiam mais, e com isso tiveram dificuldades em contribuir em algumas situações.

No ano passado, escrevi sobre a diferença entre essência e aparência na hora de definir a posição de um jogador, e para isso usei uma cena do Chaves que infelizmente foi tirada do ar. Coloco um vídeo similar abaixo para retomar aquela ideia:

Tem jogador que parece de tamarindo e tem jogador que é de tamarindo, como saber a diferença? Definimos uma coisa pelo modo que ela se apresenta a nós, por como nos parece, ou há um modo de descobrir o que ela verdadeiramente é, além das aparências? Essa questão filosófica é importante para nós graças a dois jogadores: LeBron James e Chris Bosh. Ambos parecem alas: LeBron é alto, forte, gosta de infiltrar e é pontuador; Bosh é magro, fisicamente fraco, e sempre se lesionou tendo que jogar de pivô no Raptors. Na essência, naquilo que eles verdadeiramente são, embora o Bosh seja considerado um ala de força exatamente como ele aparenta (mesmo tendo jogado de pivô improvisado no Raptors por toda a carreira), considero LeBron um armador puro (como jogava no colegial, e assim que entrou na NBA) e não um ala como insistem para que ele seja.

LeBron foi o armador principal do Heat na maior parte da temporada, com Mario Chalmers ou Mike Bibby em quadra apenas para marcar o armador adversário na hora de defender, e para arremessarem de três pontos na hora do ataque tendo em vista a falta de arremessadores que o Heat tem (e a inconsistência de LeBron e Wade na função). Armando, LeBron teve alguns problemas para manter o esquema semi-rígido do técnico Spoelstra, muitas vezes tendo que se conter ou se limitar no ataque para cumprir as jogadas estabelecidas. Por outro lado, LeBron simplesmente desapareceu nos momentos em que a armação foi passada para outra pessoa e teve que jogar de ala. Quando LeBron e Wade revezaram a armação, com um fazendo corta-luz para o outro na cabeça do garrafão, foi tudo fantástico, mas com LeBron isolado no perímetro o negócio desandou. Está na hora de admitirmos que LeBron é o armador dessa equipe – talvez até deixando que ele finalmente marque o armador adversário, agora que Shane Battier pode garantir a marcação na ala – e que está tudo bem ele assumir essa função. Como comentamos anteriormente, grande parte dos problemas do Heat na temporada passada foram tentar ser um time que eles não eram.

O caso do Bosh, no entanto, é mais complicado. Depois de uma vida inteira como pivô improvisado (e de uma franquia que se destruiu tentando conseguir pivôs melhores para deixar que sua estrela fosse para a ala, onde queria), finalmente Bosh conseguiu jogar como ala de força no Miami Heat. Em geral o pivô foi Joel Anthony, que todo mundo adora dizer quão ruim é mas que na verdade está no topo da NBA naquelas estatísticas difíceis de contabilizar e que ninguém dá a mínima, como sucesso no corta-luz, proteção nos rebotes (box-out), faltas de ataque sofridas, etc. Bosh conseguiu então realizar seu sonho e jogar longe da cesta, marcar jogadores mais fracos e usar mais seu arremesso – e foi um fracasso. O arremesso do Bosh é ótimo, mas não tão bom quanto seus movimentos embaixo da cesta; sua velocidade na defesa não fica tão evidente contra jogadores mais ágeis e que jogam mais fora do garrafão; sua capacidade de bater para dentro do garrafão no ataque fica diminuída enfrentando alas, mais capazes de acompanhar sua velocidade. Descobrimos que o Bosh só era genial (e sim, ele foi absurdamente genial nos seus tempos de Raptors) porque era rápido, leve, ágil e inteligente contra pivôs grandões e descoordenados.

A parte legal é que o Bosh percebeu tudo isso. Recentemente alegou que ter arremessado abaixo de 50% (teve 49% de aproveitamento na última temporada) e ter conseguido menos de 10 rebotes (foram 8) é algo inaceitável para ele, que ele tentou fugir de ser pivô e que isso sempre volta e pega ele de algum jeito, então que para essa temporada resolveu fazer diferente: adicionou 5 quilos de massa muscular durante a greve e está decidido a ser o pivô da equipe sempre que necessário. Isso é ótimo porque Udonis Haslem volta da contusão que lhe tirou quase toda a temporada passada, e os dois tem tudo para serem muito melhores juntos do que qualquer outra dupla de garrafão do Heat.

No caso do ataque pouco orgânico do Heat e do LeBron contido na armação, Spoelstra também percebeu o problema e oficialmente tirou as amarras. Não haverá mais jogadas chamadas pelo técnico, eles não terão a obrigação de fazer jogadas específicas caso sofram cestas, não terão que evitar as jogadas mais eficientes apenas para “não usá-las demais”. Bosh, Wade e LeBron deram entrevistas dizendo que o ataque será livre, que seguirão o ritmo natural do jogo e usarão a experiência e a inteligência que possuem para fazer o que acharem melhor. Claro que com o foco na defesa, agora com mais tempo para que ela bata menos cabeça. É o “modelo Celtics”, agora livre e solto, com permissão para correr a quadra e jogar no contra-ataque como todo mundo pensou que eles fariam. E com o Bosh de pivô se precisar, enfim.

E como o “modelo Celtics” não está completo sem veteranos topando a brincadeira, vamos seguir nossa análise das contratações da offseason e dar uma olhada em como os recém-contratados se encaixarão no Heat:

Mario Chalmers
Miami Heat – 12 milhões por 3 anos

Volta para o Heat o armador que não precisa quase nunca armar o jogo, mas cujo arremesso de três é muitas vezes o desafogo da equipe. Com LeBron e Wade sendo tão bons na infiltração, faltou para o time na temporada inteira uma bola consistente de três pontos para abrir espaço no garrafão. Mike Miller chegou à equipe só para isso, passou boa parte da temporada contundido e aí quando finalmente jogou, fedeu. Chalmers não é o melhor arremessador disponível, mas criou fama como o cara cheio de bagos que converte os arremessos de três nas horas mais importantes, e o Heat precisa disso. Quer dizer, é meio bizarro ter LeBron, Wade e Bosh e acabar passando a bola importante para o Chalmers, mas não deveria ser vergonha pra ninguém, o Super Mario Chalmers merece.

Shane Battier
Miami Heat – 20 milhões por 4 anos

A melhor contratação que o Heat poderia fazer na história da humanidade conhecida. Shane Battier é o cara que torna um time bom em um time fantástico, é a peça que falta em qualquer equipe que esteja às portas de ganhar um título. Assisti a ele desperdiçar seus talentos no meu Houston Rockets porque, olha que estranho, o Houston realmente achava que dava pra vencer um titulo e por isso seguraram o Battier a todo custo (aliás, ao custo do Rudy Gay, mas isso é outra história). Battier ainda é um dos melhores defensores de perímetro da NBA, é um ótimo defensor no garrafão, o melhor da liga em cavar faltas de ataque, é tão obediente taticamente que fica até chato, e ainda não compromete no ataque – tem um ganchinho confiável e uma bola de três pontos mortal na zona morta. O Heat finalmente terá uma bola da zona morta para acionar depois das infiltrações de Wade e LeBron, e nenhum dos dois terá que se matar parando a estrela adversária. Colocando Wade, LeBron e Battier em quadra (com LeBron jogando de armador, como deve ser), o perímetro fica espetacular; mas dá pra colocar o Battier de ala de força com o Bosh de pivô dependendo do adversário. Defende, joga várias posições e acerta bolas de três pontos, é tudo que o Heat precisava da vida. E o Celtics. E o Mavs. E o Lakers. E o…

James Jones
Miami Heat – 6 milhões por 3 anos

A necessidade que o Heat tem por arremessadores é enorme. LeBron e Wade nem arremessavam uns anos atrás, melhoram a cada temporada, e na última melhoraram o aproveitamento na marra, porque as defesas fecham o garrafão e deixam os dois chutarem. O problema é que com tanto espaço para o arremesso de três, faltam no Heat especialistas. O James Jones é tão especialista, mas tão especialista, que levou meses na temporada passada para fazer seu primeiro ponto dentro do garrafão. Ou seja, faz aquilo que precisa. Seria péssimo para o Heat perdê-lo, não existem muitos arremessadores disponíveis no mercado por um preço bacana, e o James Jones acabou saindo a preço de banana.

Eddy Curry
Miami Heat – 1 ano, 1 milhão

Como sabemos, o fato de que o Eddy Curry perdeu 30 quilos (trinta!) para jogar pelo Heat acabou mudando a estrutura do espaço-tempo e quase fez com que a temporada não acontecesse! O Curry já foi um jogador relevante, é muito sólido atacando embaixo da cesta, muito técnico, e muito, muito, muito gordo. Recebeu um contrato bilionário no Knicks mas nunca conseguiu ficar em forma, teve problemas pessoais bizarros (de assédio sexual a homicídio na família), foi ficando uma bola e então finalmente saiu da órbita da Terra, girando ao redor do planeta como uma lua pequena. Nos seus bons tempos era bom no ataque, ruim na defesa, e um dos piores reboteiros a já jogar basquete. O Heat tem problemas sérios com rebotes defensivos (especialmente com o Bosh jogando longe da cesta como ala de força, e com o Haslem machucado), então o Curry não acrescenta muito. Só é legal de ver um cara tentando retomar a carreira, correndo as tripas para fora, perdendo tanto peso e conseguindo um lugar numa equipe como o Heat. Na falta de gente de garrafão, terá sua chance. O problema é que não garantirá rebotes nem acompanhará a velocidade dos contra-ataques. Se estiver bem fisicamente, no entanto, é sempre uma ajuda nem que seja para fazer faltas no Dwight Howard. Vale também lembrar o quanto já zoamos o Zach Randolph por ser gordo e hoje em dia ele é tão bom reboteiro que parece ter cola nas mãos. Aliás, o Randolph também andou perdendo peso e até pegando umas ponte-aéreas nos treinos do Grizzlies. Se o Curry fizer isso também, aí já era a nossa temporada, o espaço-tempo, vai ter greve mundial dos seres humanos e a Lua vai se chocar contra a Terra.

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Quem sabe defender, dá uma risadinha

Quando Kendrick Perkins foi trocado no meio da temporada passada, tudo levava a crer que o Celtics se sairia normalmente sem ele. Perkins era um bom jogador, pivô titular da equipe, mas não era nenhum gênio – até porque paredes sólidas de tijolos não costumam ser geniais. Havia passado todo o começo da temporada fora, contundido, e o Celtics nem por um segundo pareceu sentir sua ausência. Até, claro, ele ser trocado e a equipe inteira desandar como um bolo tirado do forno antes da hora.

Fizemos trocentos posts analisando aquela troca, as mudanças táticas que a saída do Perkins causou, os remendos que o Celtics fez para tentar tapar o buraco, mas a verdade é que o real estrago não aconteceu no campo tático, mas naquele campo intangível do emocional, do simbólico, do motivacional. A “família Celtics” foi desfeita e tudo aquilo que o Perkins representava, como âncora defensiva de uma equipe que se gabava justamente de sua defesa, virou farofa. Não foi a morte do Celtics, aos poucos a equipe até encontrou outros caminhos para refazer sua identidade, mas até hoje tem torcedor da franquia querendo voltar no tempo e matar  o Danny Ainge antes dele efetuar essa troca.

O Perkins permitia um estilo de jogo, representava um estilo de jogo, que ia muito além do seu simples talento individual. Mesmo no Thunder, equipe para o qual foi trocado, nunca teve grandes atuações e não passou de um jogador discreto em quadra – mas levou uma mentalidade defensiva, uma cara de quem iria proteger seus companheiros frente a qualquer contato mais agressivo do adversário, uma postura de quem vinha de time grande e podia chamar seus companheiros para dar bronca caso perdessem um jogo por bobagem. Repito: ele não é um grande jogador, teve uma temporada bem meia-boca, mas representa bem mais do que o seu talento em quadra deda à primeira vista.

Retomei o “caso Perkins” porque ele explica muito do que está acontecendo com outro jogador: Tyson Chandler escolheu sair do Mavs, onde acabou de ser campeão, para ir jogar com Amar’e e Carmelo em New York, com um contrato de 56 milhões por 4 anos. É tanta grana, mas tanta grana, que a contratação acabou virando uma bagunça só para conseguir fazer com o que valor funcionasse. Como o Knicks não tinha espaço na folha salarial, o Chandler teve que assinar com o Mavs, que podia oferecer esse contrato gigante porque estava reassinando o jogador. Aí o Knicks usou a anistia no Billups (que, até um dia antes, seria o armador titular da equipe) e teve que se livrar do pivô Ronny Turiaf. Mas o Mavs não queria o Turiaf, então entrou em cena um daqueles times oportunistas que estão abaixo do teto salarial – no caso, o Wizards – e aceitou o Turiaf só pra troca poder acontecer, levando como brinde 3 milhões de verdinhas do Knicks além de duas escolhas de segunda rodada do draft. O Mavs, por sua vez, levou de presente uma “trade exception”, que é uma espécie de vale-compra que pode ser usado em trocas por jogadores que custam mais caro do que aqueles que você está mandando – e que na prática o Mavs usou para conseguir o Lamar Odom do Lakers, mas dessa troca a gente fala outra hora. Ou seja, Wizards e Mavs se beneficiaram nessa bagunça apenas porque o Knicks fez questão de levar pra casa o Tyson Chandler por uma quantia surreal de verdinhas. Ele deve ser genial, não é mesmo?

Não, não é. Mas o que ele tornou possível em Dallas lembra o que o Perkins simbolizava em Boston. O Mavs da última década foi um time muito focado na parte ofensiva e que sempre teve problemas na defesa, especialmente no garrafão. Quando Avery Johnson assumiu a equipe em 2006 e levou o Mavs a uma Final de NBA, o foco na defesa transformou a equipe e mostrou que, embora faltassem os talentos individuais para formar uma defesa realmente competente, sobrava vontade e dedicação tática ao elenco inteiro. Tyson Chandler foi o talento individual defensivo que tanto faltou à equipe durante anos, mas acima disso ele mostrou que o esforço defensivo coletivo da equipe seria recompensado, que esse esforço teria um motivo para existir com a presença de Chandler embaixo do aro. Aquele esforço que sabíamos que o Mavs poderia efetuar, mas que não deu em nada, parecia mais justificável quando a pressão defensiva acabava afunilando o ataque adversário em direção à envergadura imponente do Chandler no garrafão. O Mavs continuou a ser aquele time de sempre, sem grandes estrelas defensivas no perímetro, com o Jason Kidd ancião quase de cadeira de rodas não conseguindo acompanhar os armadores adversários, mas o esforço e o comprometimento que mostraram culminou em título. Vale lembrar que nos playoffs contra o Mavs, Kobe conseguiu apenas um par de bandejas durante toda a série – o Mavs sabia que a dedicação na defesa resultaria no Tyson Chandler tendo a possibilidade de parar e intimidar qualquer infiltração no garrafão.

Tyson Chandler jogou por outras equipes e mesmo deixando claro suas capacidades, nunca teve um impacto tão grande nas partidas ou no funcionamento de uma equipe. Calhou de cair numa equipe que precisava dele, exatamente daquilo que ele era capaz de entregar, de representar tudo aquilo de que o Mavs precisava, e de mudar a mentalidade defensiva de uma equipe inteira – assim como o Perkins fez no Thunder. Mesmo na parte ofensiva o Mavs era a situação perfeita para o Chandler, que fez a festa nos passes de Jason Kidd assim como fazia nos passes de Chris Paul, só tendo que pular e enterrar sem movimentações complexas de costas para a cesta que ele nunca soube executar.

Quando o Knicks monta o circo para poder oferecer 14 milhões por ano para o Tyson Chandler, não está querendo um jogador cujo talento corresponda a esse valor. Está querendo comprar a mudança de postura, a presença, a justificativa para um esforço defensivo coletivo. O técnico Mike D’Antoni sempre focou exclusivamente no ataque, Amar’e Stoudemire sequer finge tentar defender, e o Carmelo Anthony até se esforçou em alguns momentos no Knicks, mas não consegue esconder que é um defensor medíocre. A esperança é de que Chandler mude tudo isso, que ele seja a presença defensiva que tire o Knicks das 10 piores defesas da liga sem, no entanto, comprometer no ataque porque pode acompanhar o resto do elenco na correria e finalizar em transição.

O único problema é que o Knicks não é o Thunder e nem o Mavs. Tyson Chandler não foi contratado pelo seu talento individual, ele não pode ser uma força defensiva solitária na defesa e com isso ter algum impacto no time. Seria necessário comprometimento de todo o elenco, esforço, obediência tática na defesa – coisas que o Knicks, mesmo se quisesse, não conseguiria ter. Pelo menos não sem comprometer o esquema ofensivo desenhado por D’Antoni. A intenção do Knicks é compreensível, eles precisam defender melhor especialmente no garrafão, mas a situação é muito diversa daquela em que Chandler fez a diferença e em que mereceria, forçando a barra, os 14 milhões por ano. Dificilmente sua presença será tão marcante quanto foi para o Dallas, o investimento foi muito maior do que ele pode oferecer realmente à equipe, mas é uma atitude desesperada de um time consciente de que só vai chegar em algum lugar com um sistema defensivo mais elaborado.

Com a mesma intenção, o Knicks contratou o ex-técnico do Hawks, Mike Woodson, para ser o responsável pelo sistema defensivo. O Hawks de Woodson tinha uma defesa forte e gostava de partir em velocidade para o ataque, então deve casar bem com aquilo que o Knicks pretende fazer. Jared Jeffries também assinou novamente com a equipe para manter seu papel de único defensor consistente do elenco – em muitos momentos, cabia ao Jeffries defender quem fosse, armador ou pivô, e o pior é que ele nem é tão bom defensor assim. O salário é pequeno, num contrato de apenas um ano (ao invés do contrato gigante ridículo que havia assinado com o Knicks na época do Isiah Thomas cuidando das finanças), então o Knicks faz bem de mantê-lo. Woodson e Jeffries são, ao menos, a garantia de que Tyson Chandler não será o único responsável por tornar o Knicks uma equipe defensivamente respeitável.

Para balancear e impedir o Universo de entrar em colapso, o Knicks também contratou um jogador puramente ofensivo, Mike Bibby, que está velho e pedindo arrego e mesmo assim teve uma temporada respeitável no Heat no papel de arremessador ocasional – armava pouco, defendia bulhufas, não forçava nenhum arremesso, mas manteve um aproveitamento bem alto quando acionado. O próprio Bibby disse que sempre sonhou em jogar para o D’Antoni, que seu estilo é perfeito para o treinador, e realmente acho que a união dos dois seria perfeita – uns 5 anos atrás, claro. No estado em que está, Bibby ainda será útil, especialmente agora que o Billups teve que ser jogado fora como modess usado, mas deve render mesmo apenas como arremessador eventual que vem do banco. Deve armar mais o jogo do que armava no Heat, mas nada  digno de nota, até porque o D’Antoni anda comentando que vai tentar usar o Carmelo mais tempo na armação nessa temporada, e Toney Douglas deve ser o armador titular.

Mas um time com Bibby vovô, Carmelo armando e Amar’e no garrafão não tem como ser transformado simplesmente com a chegada de Tyson Chandler. Será preciso um longo trabalho com Woodson e um comprometimento de gente que, em toda carreira, nunca pareceu capaz disso. Defesa não é só vontade, é compreensão, é costume, cacoete. Chandler e Perkins encabeçam uma lista de pivôs que recebem contratos gigantescos porque se imagina que possam mudar toda a mentalidade de suas equipes, transformar todo mundo em um defensor exemplar. Mas há tanta responsabilidade dos outros jogadores, da comissão técnica, da situação, que nem sempre essas apostas bilionárias podem dar certo. Se der, o Knicks dá o passo definitivo rumo à relevância nos playoffs, enfim, após décadas gastando mais do que qualquer outro time e não ganhando necas. Mas se der errado, é só mais um pivô de contrato milionário que ganha uma quantia que não tem nada a ver com os próprios talentos – e vai estar mais relacionada com a esperança de que Carmelo e Amar’e se empenhem em defender como fizeram Jason Kidd e Nowitzki. Não é esperança demais em cima de um simples pivô enquanto o D’Antoni e sua defesa pífia continuam intocáveis? Aos poucos o Knicks tenta mudar velhos hábitos, mas precisa encontrar um modo de conciliar essa vontade de ser defensivamente imponente e a presença de D’Antoni – que, no fundo, é o responsável por Carmelo e Amar’e (e agora Bibby) quererem jogar no Knicks.

Podcast – Edição Nº2

>Demorou mas chegou! Vocês podem finalmente ouvir ou baixar a 2ª edição do Podcast do Bola Presa. 

Confesso que esse era pra ter saído faz alguns dias, mas eu apanhei como uma mulher de malandro do programa de edição, sou apenas uma garotinha aprendendo a viver nesse mundo tecnológico! É que meu microfone deu um problema na hora da gravação e nós só fomos perceber no final, então tudo o que eu falo ficou baixo, com ruído e às vezes meio complicado de entender. Cogitei apagar tudo e gravar um novo, mas decidi ver o que eu poderia consertar e fazer na marra. Acho que o resultado é longe do ideal, mas escutável. Portanto se a minha parte não ficou tão boa, desculpem, melhoraremos na próxima!

Em compensação o microfone do Danilo está melhor que na primeira edição, quem sabe não gravamos um podcast bem feito antes da NBA chegar em um acordo com os jogadores? Está lançada a corrida.

Também estamos estreando as musiquinhas de background rolando ao fundo. Na edição de hoje são só músicas tiradas de jogos de Video Game. Desafio vocês a adivinhar todas, mas já dou a dica que umas 3 ou 4 músicas que tocam são do mesmo jogo!

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