Denis

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

8 ou 80: Salary Cap – Parte 2

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Descubra a relação de Allan Houston com a “Regra Allan Houston”

Antes de ler esse texto é importante ler o de ontem, a Parte 1, onde explico sobre o tal limite de salário, multas e algumas regras que fazem com que os times possam até mesmo ultrapassar esse limite (e mesmo assim tudo faz sentido!) Leia lá e depois volte, a gente espera assistindo sem parar a gafe mais engraçada da década.

Leu? Se informou? Riu e morreu de vergonha alheia com a guria do SporTV? Então bola pra frente para falar de muitas regras e muitas exceções. Vamos analisar o que talvez seja a parte mais interessante para os torcedores, que é como as regras de teto salarial se aplicam na hora da contratação de jogadores. É comum vermos jogadores muito interessantes como Free Agents e a mídia dizer que apenas um certo número de times tem espaço na folha salarial para arcar com aquele jogador. Como nesse ano somente Nets, Knicks, Heat, Clippers e Bulls tem para conseguir um salário máximo de LeBron James, por exemplo.

A princípio essa informação é para estranhar, já que vimos no texto passado que os times podem ultrapassar o limite salarial, apenas precisando pagar multas por isso. Então, em teoria, qualquer um poderia contratar qualquer um e simplesmente arcar com o prejuízo. Mas não é bem assim. Um time não pode oferecer para um jogador sem contrato um contrato que ultrapasse a quantia que o time tem sobrando abaixo do teto salarial.

Por exemplo, se o teto salarial da liga fosse de 50 milhões de dólares e um time tivesse 40 milhões em salários para seus atuais jogadores, poderia apenas oferecer um contrato que começasse em 10 milhões de dólares para um Free Agent, sacaram? E digo “começar” porque essa regra se aplica apenas aos números da temporada seguinte. Se no contrato desse exemplo o contrato começasse em 10 milhões de dólares e aumentasse para 11 na temporada seguinte não haveria problema, mesmo que esses 11 ultrapassassem o teto no ano seguinte, aí o time poderia passar o limite e simplesmente pagar as multas necessárias. A regra exige planejamento para que um time tenha espaço salarial em certos anos e não favorece times com recursos milionários que topariam pagar multas o tempo todo.

É normal ver contratos que começam com um salário mais baixo e vão aumentando com o passar dos anos. Mas alguns times já fizeram o oposto. Começaram um contrato com um salário mais alto e que em um certo ano tinha uma queda drástica. O Bulls fez isso com os contratos de Kirk Hinrich e Andres Nocioni há alguns anos e foi uma questão de estratégia. O ano em que os salários caíam era um ano em que o Bulls via boas opções de contratações no mercado de Free Agents. A queda do salário dos dois abriria espaço para contratações e os jogadores seriam recompensandos com salários maiores em outras temporadas.

Quem é esperto já deve ter feito uma associação que talvez tenha se deixado confuso. No texto passado eu disse que o Lakers era o time com maior folha salarial e que por isso iria pagar 21 milhões de dólares apenas em multas. Depois eu disse que um time pode apenas oferecer o que tem de espaço salarial livre para um Free Agent. Então como diabos o Lakers ofereceu um contrato de uns 7 milhões de dólares por ano para o Lamar Odom antes da última temporada quando o Sr. Kardashian era um Free Agent? De onde veio esse espaço milagroso?

É aí que entram as exceptions, as exceções. Como a sabedoria popular nos ensina, se alguma coisa tem muitas regras, teremos muitas exceções também. São artifícios criados para que um time possa ter alguma flexibilidade de elenco mesmo se tiver ultrapassado o limite salarial. Permite que os times possam adicionar jogadores novos a cada temporada e não fiquem estagnados mesmo se presos a contratos grandes.

As exceções mais importantes:

Larry Bird Exception: Essa é a exceção usada pelo Lakers para assinar o Odom. É uma vantagem que a NBA dá aos times para reassinar seus jogadores que acabaram de virar Free Agents. Assim, o time pode oferecer até um contrato máximo para esse seu jogador sem precisar ter necessariamente espaço salarial para isso. Em uma disputa por um Free Agent, portanto, estão na disputa os times com espaço salarial e o seu antigo time, se tiver vontade de arcar com os gastos para manter o jogador no elenco. Por isso é que na lista de times que tem espaço para conseguir o LeBron eu não coloquei o Cavs. Eles não tem espaço, mas tem a chance graças a essa exceção.

Ela tem o nome de Larry Bird porque o Celtics foi o primeiro time a usufruir dessa chance em meados dos anos 80 para manter Bird na equipe.

Porém, não são todos os jogadores que podem usar dessa regra. Para isso eles devem estar sob contrato há pelo menos 3 anos. Esse adendo dos anos foi criado em meados dos anos 90 depois que Chris Dudley (Blazers) e Danny Manning (Suns) abusaram da boa vontade da liga. Eles assinaram contratos pequenos de um ano e logo depois usaram a Larry Bird Exception para serem reassinados por um contrato muito maior. Foi o jeito deles entrarem como Free Agents em times de teto salarial comprometido e, obviamente, forçou a NBA a criar essa exigência mínima de 3 anos de contrato, já que a regra havia sido criada para ajudar os times a manter seus elencos. Incrível como sempre tem malandro para passar a perna na regra.

Um detalhe importante é que mesmo se o jogador for trocado nesse período de 3 anos de contrato, o seu novo time ainda tem o direito de usar a exceção Larry Bird. Ele só perde a exceção se trocar de time quando virar Free Agent ou se for dispensado. Quando falarem de “Bird rights” numa discussão de troca, é disso que estão falando.

Early Bird Exception: É uma pequena variação da Larry Bird Exception. Ao invés de precisar esperar 3 anos para ser usada, pode ser usada após 2 anos de contrato. Também tem a diferença de não poder ser usada para assinar um contrato máximo como no caso anterior, só pode ser usado para contratos de no máximo 5 anos e só pode aumentar o salário anterior em, no máximo, 175%. O que pode parecer muito mas que não é tanto quando usado em jogadores com salários muito baixos, abaixo do 1 milhão de dólares, por exemplo.

Non-Bird Exception: Os jogadores que não se qualificam para a Larry Bird ou para a Early Bird exception podem ser reassinados pela Non-Bird. Nesse caso não tem número mínimo de anos de contrato mas o jogador só pode ganhar 120% de salário a mais do que em seu contrato anterior.

Mid-Level Salary Exception: Todo ano a NBA pega todos os salários da liga no ano anterior e faz uma conta bizarra. Divide esse montante por 13,2 vezes o número de times da liga e então adiciona 8 por cento. Sacou? Eu não cheguei perto de enteder. Mas é assim que eles definem um salário médio da NBA e esse salário médio é o valor dessa exceção. Em 2009-10 o salário médio foi de 5,8 milhões de dólares.

Todo ano cada time que está acima do teto salarial recebe uma mid-level exception e pode usar para contratar jogadores, é o jeito dos times que passaram do limite não ficarem engessados.

Esses 5,8 milhões podem ser usados para pagar apenas um jogador ou pode ser dividido, pagando 3 milhões para um e 2,8 para o outro, por exemplo. Os contratos de mid-level podem, no máximo, ter duração de 5 anos e ter um aumento de 8% de salário de um ano para outro. Isso inibe a possibilidade de um jogador aceitar 5 milhões por uma temporada via mid-level e receber então 15 milhões na seguinte.

Bi-Annual Exception: Como o próprio nome sugere, é uma exceção que um time não pode usar dois anos em sequência, é bienal. Se usa agora só poderá usar de novo depois de passar um ano sem aproveitá-la. O valor máximo dessa exceção é pequeno em relação ao salário médio, na temporada passada foi de 2,08 milhões de dólares.

Você pode vê-la por aí sendo chamada de “1 million dollar exception” porque quando ela foi usada pela primeira vez, na temporada 2005-06, ela tinha o valor de 1 milhão de dólares, mas o nome ficou para trás nos primeiros reajustes.

Rookie Exception: É a exceção dada a todos os times para que eles possam contratar os novatos pegos via draft. É uma exceção necessária para que todos os times, mesmo os com folha salarial mais alta, possam participar normalmente da escolha anual de novatos. Mesmo assim, porém, o salário dos novatos conta na folha salarial e pode render multas. Para evitar isso, por exemplo, times aparecem por aí vendendo suas escolhas de draft em troca de nada. É só para fugir do salário do novato e, logo, de mais multas.

Minimum Player Salary Exception: A exceção do salário mínimo não paga só 500 reais pra um atleta, fiquem tranquilos. Mas paga, sim, um salário mínimo, o definido pela NBA.
Todos os times tem a opção de ofecer um salário mínimo para um ou mais jogadores (a quantia pode ser dividida, como a mid-level) a cada temporada. Vários jogadores mais velhos que buscam um título já usaram dessa exceção para fazer parte de equipes vencedoras. O Karl Malone abdicou de um salário milionário no Jazz para ganha um mínimo no Lakers em 2004, por exemplo. O Marbury fez a mesma coisa ao ir para o Celtics antes dos playoffs de 2009.

O salário mínimo varia de jogador para jogador, depende de quanto tempo de NBA ele tem. Um jogador novato e que não foi draftado na primeira rodada do draft tem um salário mínimo de 473 mil dólares por temporada. Já um veterano com 8 anos de NBA tem um mínimo de 1,1 milhão de dólares por temporada. Todo ano o salário mínimo recebe reajustes mas sempre valoriza mais quem tem mais anos de experiência na liga.

Disabled Player Exception: Essa é uma exceção usada para compensar um time que acabou de perder um jogador para a temporada seguinte. Essa opção foi usada na última temporada pelo Houston Rockets quando eles perderam o Yao Ming, que não jogou toda a temporada 2009-10. O time ganha a opção de assinar um novo jogador por até metade do salário do jogador substituído ou pelo salário médio da NBA, o que for menor.

O time também ganha essa exceção se um jogador da equipe morrer. O caso mais recente foi quando o pivô Jason Collier, do Hawks, morreu em outubro de 2005.

Essas são as principais exceções que um time pode usar para conseguir contratar jogadores mesmo com o limite salarial estourado. São recursos um pouco confusos mas que fazem a NBA ter uma mobilidade mesmo usando o recurso do teto salarial. A NBA sem essas exceções teria times empacados com salários grandes e sem poder fazer trocas ou contratar novos jogadores, deixando donos de times, jogadores e torcedores insatisfeitos.

Existe ainda uma outra regra curiosa e que foi criada para dar mais flexibilidade a algumas equipes e que vale a pena ser comentada. É a chamada Regra de Anistia, que ficou mais conhecida como a Regra de Allan Houston.


A regra foi adotada logo antes da temporada 2005-06 e permite que os times dispensassem alguns jogadores e assim tirassem os seus salários da contagem das multas. O time continuaria pagando o jogador normalmente (mesmo ele sendo dispensado e atuando em outro time) mas esse salário não renderia multas.

Por exemplo, o Dallas Mavericks dispensou o Michael Finley, que na época ganhava por volta de 17 milhões por temporada. Continou pagando os 17 milhões para o Finley mas não pagava os outros 17 milhões que pagava de multa por esse salário ultrapassar o limite aceito pela liga. Foi uma baita economia mas que lhes fez perder o Finley para o Spurs. Em San Antonio ele ganhava os seus milhões do Mavs e mais um salário mínimo do Spurs.

A regra ganhou o nome de Allan Houston porque diziam que ela havia sido criada para beneficiar o Knicks, que na época pagava um dos maiores salários da NBA, cerca de 20 milhões de dólares por ano, para o armador que estava sempre machucado. Os gastos com multas eram enormes no Knicks, que na época tinha a maior folha salarial da NBA, beirando os 100 milhões de dólares. Porém, quando chegou a data de anúncio dos jogadores dispensados sob essa regra, o Knicks decidiu manter o Allan Houston e dispensar apenas o Jerome Williams. Mesmo assim o nome pegou e podemos dizer que o Allan Houston não usou da regra Allan Houston. Só porque as regras não estavam confusas o bastante.

Ficou mais alguma dúvida? Mande nos comentários que vamos tentar responder (se a gente souber a resposta, claro! Baita assunto complicado!)
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Respostas às perguntas feitas na caixa de comentários
Fernando Araujo
1- Pela regra dos Bird Rights você pode dar o contrato máximo para todo mundo que estava no seu time há pelo menos 3 temporadas. Então o Lakers poderia dar um salário máximo para Kobe, Gasol e Bynum se eles virassem FA ao mesmo tempo.
2- Durante a offseason, quando o time não tem seu elenco completo, conta-se na folha salarial algo chamado “Roster Charge”, que tem o valor de um contrato mínimo para novatos. Então se faltam 4 vagas no elenco, o time tem 4 “Roster Charges” ocupando o salary cap, não somando esse valor ao que o time tem disponível para ofertar. Um time sem jogador nenhum, por exemplo, não tem 0 de cap, mas sim 14 Roster Charges. Portanto sempre existe espaço para se assinar, no mínimo, novatos pelo menor contrato possível.
3- Sim, isso poderia acontecer. Tirando alguns jogadores que tem nos contratos cláusulas onde eles podem vetar trocas, os jogadores podem ficar sendo trocados como objetos o tempo todo.
Rodrigo da Silva
As exceptions contam sim para as multas. O time acima do teto salarial ganha elas para poder fazer alguma mudança no time mas acaba em multas.
Denis Rodrigues
Um xará! E aí Denis, tudo certo?
Não dá para somar a Mid-Level com a Bi-Annual, mas elas podem ser divididas para se usar em mais de um jogador.
Pedro
Não, as exceções não podem ser trocadas.
O melhor site para tirar suas dúvida sobre o Salary Cap é o Salary Cap FAQ. É em inglês.

8 ou 80: Salary Cap – Parte 1

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LeBron parece entender bem o sistema financeiro da NBA

O texto abaixo foi postado no começo da temporada passada no BasketBrasil, quando a coluna “8 ou 80” ficava por lá. Agora que ela é feita aqui só no Bola Presa eu resolvi reaproveitar (com as correções e atualizações necessárias) esse texto que pode ser muito útil nesse período de offseason. Com muita gente comentando sobre que time tem ou não espaço salarial para contratar os LeBrons e Wades da vida, vale a pena entender como funciona esse complicado sistema de salários e regras da NBA.


O meio da offseason pode parecer uma época sem grandes assuntos na NBA, mas não nesse ano. A verdade é que agora esse se tornou o momento ideal para falar muito de muita coisa, em especial de números, de grana.

São 10 milhões de dólares por ano pra cá, limite salarial pra lá, mid-level exception e outros nomes estranhos acolá e de repente o sucesso de um time na busca de um elenco digno de título está em saber lidar com as nuances das complicadas regras salariais da NBA. Então, para nós que estamos sempre dando palpite na hora de dizer se um jogador merece tal salário ou se outro time é burro na hora de suas contratações, é essencial entender essas regras.

Por isso vamos entender o que é o tal “salary cap“, o teto salarial da NBA. O teto salarial foi criado na temporada 1984-85, estabelecendo o limite de 3,6 milhões de dólares em gastos para cada equipe. Antes disso ainda havia acontecido uma outra tentativa de implantação de teto salarial nos anos 40 mas foi abandonada depois de apenas uma temporada. O teto salarial é definido pela CBA antes do início de cada temporada, em julho, usando previsões de ganhos da liga na temporada seguinte, o BRI (Basketball Related Income) como parâmetro.

A CBA não é a “Continental Basketball Association”, liga de basquete famosa nos EUA, e sim a “Collective Bargaining Agreement“, um contrato legal entre a NBA e a Associação de jogadores que define o salary cap e outras questões relacionadas a contratos e direitos dos jogadores. É esse novo acordo, inclusive, que está causando uma grande polêmica entre jogadores e NBA e que pode causar uma nova greve, como houve antes da temporada 1998-99.

Já o BRI, usado para definir o valor da teto, implica basicamente em tudo o que a NBA vai faturar. Isso quer dizer dinheiro de ingressos para jogos de temporada regular e playoffs, direitos de transmissão para TV, estacionamento das arenas, patrocínios, dinheiro ganho por aparições de mascotes e equipes de cheerleadres em eventos, porcentagem por uso de área de propaganda nas arenas, venda do pacote de League Pass ao redor do mundo, aplicativos da NBA para iPhone e etc.

Depois de analisar tudo isso, o teto-salarial da temporada passada, por exemplo, ficou em 57,7 milhões de dólares, 1 milhão a menos do que na temporada anterior. Essa queda de um ano para o outro não é normal, foi apenas a segunda vez que isso aconteceu. A primeira foi entre as temporadas 2001-02 e 2002-03, quando caiu de 42,5 milhões para 40,3. A justificativa foi que a crise econômica atual faria o dinheiro ganho pela NBA cair um bocado.

Uma característica importante do salary cap da NBA é que ele é um “soft cap“, ao contrário das ligas de hockey e de futebol americano que são “hard cap”. Isso quer dizer que o teto dessas outras ligas são duros como pedra, não há como escapar dele, o da NBA tem um teto solar pra dar uma escapadinha.

As ligas com “soft cap” tem algumas exceções que fazem com que o limite possa ser ultrapassado em alguns casos. E a verdade é que quase sempre os times da NBA estão acima desse limite. Apenas 5 equipes, Grizzlies, Thunder, Clippers, Blazers e Nets, jogaram a temporada 2009-10 dentro do limite do teto salarial.

Se dá pra escapar, por que ter um limite salarial, afinal? A sacada do “soft cap” é que você pode escapar do limite mas paga por isso, ou seja, você pode escapar mas não tanto, com o risco de ter enormes prejuízos. Isso faz com que a diferença entre a maior folha salarial da NBA na temporada 09-10, do Lakers (91 milhões de dólares) e a menor, do Grizziles (53 milhões de dólares) seja de “apenas” 38 milhões. Você entende o “apenas” quando vê que na MLB, liga profissional de baseball, que não tem teto salarial, a diferença entre a folha salarial do NY Yankees e do Florida Marlins é de aproximadamente 165 milhões de dólares.

As punições a quem ultrapassa o teto faz essa diferença ficar menor e assim a discrepância entre os resultados também. Alguns estudos matemáticos feitos na Universidade Estadual de NT em Oswego dizem que ter maiores salários não se traduz em vitórias na NBA (só ver que o Knicks foi o time que mais gastou na última década), ao contrário da MLB em que, entre 95 e 2001, apenas times entre os sete maiores salários venceram o título.

A primeira mamata na hora de ultrapassar o teto salarial da NBA está no chamado “tax level” que é uma quantidade determinada pela NBA da qual os times podem ultrapassar o teto salarial sem serem punidos por isso. Na temporada 09-10 o valor foi de 69,9 milhões de dólares. Ou seja, embora apenas 5 times estejam dentro do limite salarial, não são todas as outras 25 equipes que pagarão multas, serão na verdade apenas 12. Porém as 5 antes citadas dentro do teto terão benefícios que outras não terão.

Essas 12 equipes que passaram desses 69,9 milhões de dólares terão que pagar 1 dólar de multa para cada dólar excedido. Ou seja, se o Lakers paga 91 milhões de dólares em salário, terá que pagar 21,1 milhões de dólares em multas para a NBA. De todo o dinheiro arrecadado, cada time dentro do salary cap (aqueles cinco já mencionados) recebem 1/30 dessa grana cada um, o resto do dinheiro fica para a NBA gastar com ações da própria NBA, como eventos internacionais, jogo das estrelas e em alguns casos até podem ser repassados para algumas equipes caso seja necessário, como foi no ano passado quando alguns times estavam em apuros. Atualmente equipes como o Charlotte Bobcats, o New Orleans Hornets e o Memphis Grizzlies sofrem grandes problemas financeiros. Não é à toa que Hornets fez inúmeras trocas no último ano (desde Tyson Chandler por Emeka Okafor até a do draft na semana passada) só para fugir do tal “tax level” e não precisar pagar multas.

Isso foi o básico para entender os mecanismos dos salários na NBA. Mas não é tão simples assim, pessoal, quando tem pessoas e dinheiro no mesmo lugar nunca é tão simples. As regras deles são mais confusas que cabeça de mulher na TPM. Ainda temos que falar da regra do Larry Bird, da regra do Allan Houston, dos mid-level exceptions, dos bi-annual expections, non-bird exceptions, dos limites de salário mínimo e máximo e por aí vai.

Agora só espero que aquela tolice de “O Segredo” esteja certa e que falar tanto de dinheiro sirva para atrair um pouquinho pra mim.

8 ou 80 – A briga interna do Oeste

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Marc Gasol descobre que estaria nos playoffs se estivesse no Leste

O Oeste é, pelo trocentésimo ano seguido, a conferência mais interessante e divertida da NBA. O Leste tem Cavs e Magic sobrando e com grandes chances de título, mas somando todos os times é uma conferência fraca e com times entre os oito primeiros que nem sonhariam com playoffs se estivessem do outro lado.

Atualmente a diferença entre o segundo colocado do Oeste, o Jazz, para o oitavo, o Blazers, é de apenas 4 vitórias. Do segundo para o quinto é de apenas uma! Isso quer dizer que essas últimas partidas da temporada regular vão ser uma batalha para decidir quem pega quem e quem vai ter mando de quadra nos playoffs.
O que vamos fazer nesse post é descobrir para qual confronto cada time precisa torcer, com quem cada time se deu melhor e pior durante a temporada e para quem é mais decisivo ter o mando de quadra. Sem mais enrolações porque o trabalho é grande!
Los Angeles Lakers
O time já está garantido no primeiro lugar, mas pra quem eles devem torcer para ficar com a oitava vaga? E quem é melhor pegar na semi ou na final de conferência? Nada que o Lakers tenha poder de controlar, mas é importante ficar atento.
Jazz: 2 vitórias, 1 derrota (o último jogo é hoje, em Los Angeles)
Mavs: 2 vitórias, 2 derrotas
Suns: 3 vitórias, 1 derrota
Nuggets: 1 vitória, 2 derrotas
Thunder: 3 vitórias, 1 derrota
Spurs: 2 vitórias, 1 derrota
Blazers: 1 vitória, 1 derrota
O Lakers, mesmo sobrando na classificação geral, não varreu ninguém. A série mais fácil foi a contra o Suns, com 3 a 1. Mesmo a do Thunder, que teve o mesmo placar, teve jogos difíceis e uma derrota humilhante. Apesar de não dominar, também quase não perdeu, a única série ainda negativa é a contra o Nuggets. O Denver atualmente está em quinto lugar e pegaria o Lakers em uma semi-final de conferência, péssimo para o time do Kobe.
Para a primeira rodada a coisa parece tranquila, nem Spurs e nem Blazers deram muito trabalho nessa temporada. O Spurs perdeu dois jogos de maneira exemplar depois de roubar uma vitória e o Blazers perdeu em casa naquela época em que o Lakers estava jogando sem Kobe.
Ao contrário do ano passado, o Lakers tem tido muito mais dificuldades fora de casa. Das 21 derrotas do time, 16 foram longe de LA. A liderança da conferência existe porque o Lakers é quase imbátivel no Staples Center, o que deixa o time ainda como favorito para o tri-campeonato do Oeste.
Utah Jazz
Com 32 vitórias e 12 derrotas desde janeiro, é um dos melhores times de toda a NBA nesse período, ressurgiram das cinzas depois de começar a temporada com um modesto recorde de 17 vitórias e 13 derrotas. Mas será que as vitórias vieram contra os times que eles vão pegar nos playoffs?
Lakers: 1 vitória, 2 derrotas (último jogo hoje à noite em Los Angeles)
Mavs: 2 vitórias, 1 derrota
Suns:2 vitórias, 1 derrota
Nuggets: 1 vitória, 3 derrotas
Thunder 0 vitórias, 3 derrotas
Spurs: 4 vitórias, 0 derrotas
Blazers: 4 vitórias, 0 derrotas
Seguindo o pensamento da temporada regular o Jazz precisa muito acabar em segundo lugar. E do jeito que está hoje a classificação é o melhor jeito. Na primeira rodada eles pegam o Spurs, que venceram todas as vezes! Na segunda rodada tem grandes chances de pegar o Mavs, que derrotaram 2 vezes e perderam só uma e aí só na final de conferência correriam o risco de pegar Lakers, Nuggets ou Thunder, os três times que mais trouxeram dificuldade para o time do Jerry Sloan.
O Jazz tem o assustador número de 19 vitórias e 18 derrotas fora de casa, ficar nesse limite dos 50% de aproveitamento é muito pouco para um time que quer ser campeão, mas se levar a segunda vaga no Oeste só teria que lidar com a falta de mando de quadra nas finais de conferência e se o Lakers sobreviver até lá.
Dallas Mavericks
No Leste aquela sequência de 13 vitória do Mavs significaria pular umas 40 posições na tabela, no Oeste serviu apenas para ganhar umas duas posições e não abrir distância de ninguém. Como em toda sequência de vitória tem uns chatos que vão pentelhar dizendo que no caminho só pegaram time ruim, então bora ver como o Mavs se saiu contra seus adversários de playoff.
Lakers: 2 vitórias, 2 derrotas
Jazz:1 vitória, 2 derrotas
Suns:2 vitórias, 1 derrota
Nuggets: 2 vitórias, 1 derrota
Thunder 2 vitórias, 1 derrota
Spurs: 2 vitórias, 1 derrota
Blazers: 0 vitória, 3 derrotas
A única varrida foi sofrida para o oitavo colocado Blazers, se o Portland passar o Spurs é melhor para o Mavs fugir e ficar em terceiro mesmo, por incrível que pareça pra eles parece ser melhor enfrentar o Thunder do que ver o Andre Miller marcando 52 pontos na fuça deles de novo.
O time não se destacou muito contra ninguém, mas ganhou a maioria das disputas, além do Blazers, perdeu apenas para o Nuggets, time que já eliminou o Mavs dos playoffs do ano passado. Esses números não dizem toda a verdade sobre o Mavs porque o time está no grupo dos que mudou muito durante a temporada, é outra equipe desde que chegaram Caron Butler e Brendan Haywood, a análise fica prejudicada porque vários dos confrontos foram feitos antes da troca.
O Mavs estranhamente tem quase o mesmo recorde em casa e fora: 26 vitórias e 12 derrotas em casa, 24 vitórias e 14 derrotas fora.
Phoenix Suns
Eles podem chegar a qualquer momento à segunda melhor campanha do Oeste e a terceira melhor de toda a liga e mesmo assim ninguém aposta um centavo neles. Eu não aposto e meu motivo é porque eu não acredito que eles jogam seu melhor basquete contra os melhores times, vamos ver se eu estou certo.
Lakers: 1 vitória, 3 derrotas
Jazz: 1 vitória, 2 derrotas
Mavs: 1 vitória, 2 derrotas
Nuggets: 2 vitórias, 1 derrota
Thunder 1 vitória, 1 derrota
Spurs: 1 vitória, 1 derrota
Blazers: 1 vitória, 2 derrotas
E não é que dos 7 confrontos o Suns só está vencendo um em toda a temporada? Para a sorte deles é bem contra o Nuggets, o time que eles enfrentariam na primeira rodada se a temporada regular acabasse hoje.
Com o melhor ataque (115 pontos a cada 100 posses de bola) e apenas a 24ª melhor defesa (110 pontos sofridos a cada 100 posses de bola) o Suns é o mesmo de antes e tem tudo pra morrer na praia como antes. Com 29 vitórias e apenas 9 derrotas em casa o time é, porém, um time difícil de ser batido em Phoenix, garantindo o mando de quadra talvez até passem da primeira rodada.
Denver Nuggets
Passou boa parte da temporada como segundo colocado do Oeste e para muita gente, eu inclusive, ainda é o segundo melhor time quando tem Kenyon Martin em quadra. Com a contusão do K-Mart o time ficou mais exposto na defesa, perdeu alguns jogos que não deveria ter perdido e no Oeste qualquer vacilo significa perda de várias posições.
Lakers: 2 vitórias, 1 derrota
Jazz:3 vitórias, 1 derrota
Mavs: 1 vitória, 2 derrotas
Suns: 1 vitória, 2 derrotas
Thunder 2 vitórias, 1 derrota
Spurs: 2 vitórias, 1 derrota
Blazers: 3 vitórias, 1 derrota
Até essa semana eles só tinham um recorde negativo contra o Suns, com quem tentam impôr um jogo veloz (até mais veloz do que o Suns está jogando nessa temporada) e se dão mal. Mas depois de perder para o Mavs, estão atrás no duelo contra eles também. Não dá pra esquecer que o Nowitzki destruiu com o Nuggets nesse jogo e que era o K-Mart quem deveria estar marcando o alemão.
O Nuggets tem mais time que todo mundo no Oeste e talento pra pegar o Lakers de igual pra igual numa série de 7 jogos, mas sem o K-Mart eles ficam com a defesa de garrafão muito fragilizada e isso num confronto contra Gasol, Boozer ou Nowitzki pode ser fatal.
Oklahoma City Thunder
Ver o Thunder jogar impressiona pela velocidade dos seus jovens jogadores se movimentando, parece que eles estão sempre pegando a defesa adversária desprevenida. Mas sabe que isso acontece por causa da defesa deles, não do ataque! Os Ladrões de Franquia tem apenas o 14º melhor ataque da NBA mas a 7ª melhor defesa, um feito impressionante para um time com um garrafão tão baixo.
Lakers: 1 vitória, 3 derrotas
Jazz:3 vitórias, 0 derrotas
Mavs:1 vitória, 2 derrotas
Suns:1 vitória, 1 derrota
Nuggets: 1 vitória, 2 derrotas
Spurs: 1 vitória, 3 derrotas
Blazers: 1 vitória, 1 derrotas
O Thunder é um time que daria tudo para mudar de conferência. Eles estão crescendo, estão jogando bem, assustando todo mundo, mas ainda não conseguem ter grandes resultados contra os grandes. Da zona dos playoffs tem domínio apenas sobre o Jazz, do resto perde de todo mundo. Os que deveriam ser o Sonics tem 24 vitórias e 20 derrotas contra times do Oeste e 22 vitórias e 8 derrotas contra times do Leste! Deveriam ter roubado a franquia e levado para o outro lado do país!
Com 24 vitórias e 13 derrotas em casa e 22 vitórias e 15 derrotas fora, não parece fazer muita diferença pra eles onde jogar, mas aposto que nos playoffs um time tão novo vai acabar jogando dez vezes melhor em casa. Lembram do Hornets dois anos atrás? Um monte de pivete que não conseguia jogar nada fora de casa na pós-temporada, vejo o Thunder do mesmo jeito.
San Antonio Spurs
Outro dia me convenceram que o Spurs é um time legal! Como chamar eles de previsíveis e mecânicos se na mesma semana conseguem vencer o Celtics, o Cavs e depois perder do Nets? Viva, o Spurs virou um time comum e imprevisível!
Lakers: 1 vitória, 2 derrotas
Jazz: 0 vitórias, 4 derrotas
Mavs: 1 vitória, 2 derrotas
Suns: 1 vitória, 1 derrota
Nuggets: 1 vitória, 2 derrotas
Thunder 3 vitórias, 1 derrota
Blazers: 0 vitórias, 3 derrotas
Que surra! 7 vitórias e 15 derrotas contra os futuros adversários de playoff! E 3 das 7 são contra o mesmo time, o Thunder, que por algum motivo ainda não pegou o jeito de enfrentar o Spurs. É, por mais que o Ginobili tenha sido um dos melhores jogadores de toda a liga nas últimas semanas ainda é muito pouco para o Spurs conseguir alguma coisa na pós-temporada.
Pra falar a verdade eles só estão na zona dos playoffs porque ainda são muito bons em explorar os defeitos daqueles times bem mais fracos. Sabia que o Spurs detinha até essa semana as duas maiores sequências de vitórias sobre um time na NBA? Eram 14 vitórias seguidas contra o Nets e 16 contra o Clippers, eles não dão sopa para esses timecos e garantem sua boa colocação assim. A derrota para o Nets foi uma pequena aberração mas até tem a desculpa do time estar sem Parker e sem Manu.
Portland Trail Blazers
O time teve 31 vitórias e 24 derrotas antes do All-Star Game e 15 vitórias e 6 derrotas depois, não por acaso foi nessa época que eles pegaram o Marcus Camby naquela troca com o Clippers. O Blazers entra na mesma categoria do Mavs, os números aqui até são importantes, mas não são tão confiáveis assim porque muitos dos jogos não foram contra o Blazers de hoje, com Brandon Roy recuperado de contusão e Camby como força defensiva no garrafão.
Lakers: 1 vitória, 1 derrota
Jazz:0 vitórias, 4 derrotas
Mavs: 3 vitórias, 0 derrotas
Suns: 2 vitórias, 1 derrota
Nuggets: 1 vitória, 3 derrotas
Thunder 1 vitória, 1 derrota
Spurs: 3 vitórias, 0 derrotas
Tirando aquela derrota em casa para o Lakers sem Kobe, que quebrou uma série de uns 4 anos de invencibilidade contra o Lakers em Portland, e essa lavada descomunal de 4 a 0 para o Jazz, os outros resultados estão mais do que bons para um time que está em oitavo lugar! São 11 vitórias e 10 derrotas contra esses adversários.
O Blazers tem uma média de pontos maior fora de casa do que dentro do Rose Garden, mas a defesa sofre um colapso difícil de explicar. Acho que eles tem time para passar da primeira rodada, mas pra isso precisam de duas coisas: roubar o sétimo lugar do Spurs para fugir do Lakers e torcer para o Jazz sair da segunda colocação. Contra qualquer um dos outros seis times eles tem condição de jogar de igual pra igual.
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Claro que tudo isso são só números, nada impede e nunca impediu que nos playoffs tudo fique diferente. Tem times (Lakers!) que começam a jogar com mais vontade e concentração nos playoffs, outros mais jovens sentem a pressão, outros mais experientes sabem como roubar um jogo fora de casa. E ainda tem contusões, suspensões, muitas variáveis.
Mas não dá também para ignorar esses números, lembro sempre do caso do Warriors contra o Mavericks em 2007. Muita gente ficou surpresa de ver o oitavo colocado eliminar o primeiro, mas quem viu os jogos daquele ano viu que o Mavs não teve resposta para o estilo de jogo insano do Don Nelson em nenhuma das partidas que jogaram na temporada regular, foi um desastre anunciado.

Ma engrish two bad – As respostas

Ma engrish two bad – As respostas

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Silêncio, crianças! Hora de aula de inglês com a professora Juliana Silveira
 
 
Os leitores mais antigos devem lembrar dessa foto, postamos no nosso primeiro post didático, que explica o que são Free Agents. Então aqui estamos de volta com a professora mais deliciosa do bairro para uma aulinha de inglês.
 
Depois de pouco mais de uma semana, aqui estão as respostas do nosso primeiro Ma Engrish two bad. No post anterior as pessoas postaram termos gringos que são usados no basquete e que elas não sabiam o significado, aqui a gente separou por categoria, explicou todos e ainda colocou alguns outros.
 
Nos comentários vocês podem colocar mais, explicaremos em breve!
 


Posições dos jogadores

Point Guard (PG) – A palavra “guard” é a que designa o que chamamos aqui no Brasil de armador. Entre os dois guards, o point é o armador principal ou, na nossa denominação numérica, o número 1. Claro que existem diversos sistemas ofensivos, mas esquecendo um pouco as exceções podemos dizer que o armador principal, o point guard, é aquele cara que comanda o ataque, é o que chama as jogadas, é a cabeça do técnico dentro da quadra. Também costuma ser o jogador mais baixo do time.

Exemplos de jogadores: Jason Kidd, Chris Paul, Steve Nash, Rajon Rondo e John Stockton.

Utilização em uma frase: O Chuck Hayes é um pivô com tamanho de point guard. / Leandrinho é ótimo jogador, mas não é um point guard.

O termo “Point” é usado para se referir à armação do jogo. Quando se diz que em determinado momento do jogo o LeBron James está “running the point” quer dizer que é ele quem está ditando o estilo de jogo do seu time.

Shooting Guard (SG) – Na denominação numérica é o número 2 e aqui no Brasil chamamos também de segundo armador ou ala-armador. Algumas pessoas até já usam a tradução ao pé da letra de armador arremessador.
Na concepção mais clássica do basquete o shooting guard é o cara que faz pontos, daí o nome de arremessador. Ainda hoje grande parte dos cestinhas da NBA jogam nessa posição e tem como características serem mais altos que os armadores principais mas ainda com bastante habilidade no controle da bola, coisa que vai se perdendo quando entrarmos no mundo dos alas.
Hoje existem muitos shooting guards que não marcam pontos, que vivem da sua defesa, como o Arron Afflalo ou o Anthony Parker, por exemplo. É uma variação da posição, fugindo da sua função clássica de ser a posição do cara que marca pontos, mas ainda com o mesmo nome.
Exemplos de jogadores: Kobe Bryant, Joe Johnson, Ray Allen, Brandon Roy e Michael Jordan.
Utilização em uma frase: Como o Kobe é o melhor jogador da história se não é nem o melhor shooting guard da história?
Small Forward (SF) – Na denominação numérica é o jogador da posição 3. Apesar do nome small (‘pequeno’ em inglês), os jogadores dessa posição não são tão baixos assim, muito pelo contrário, já nessa posição podemos encontrar caras na faixa dos 2,05m. Aqui no Brasil podem ser chamados de alas, ala-pequeno, ala-menor, escolta ou lateral. A palavra “Forward” sozinha é como os gringos chamam os alas.
No time da escola onde eu, com meu tamanho todo, era o small forward, costumávamos dizer que a posição 3 era daquele que não tinha característica nenhuma. Geralmente os jogadores dessa posição são rápidos e baixos demais para jogar no garrafão mas altos e sem a habilidade o suficiente para a armação. Nesse limbo eles podem ser considerados uns zé ninguém ou, se quiser agradar, diga que é nessa posição que se encontram os jogadores mais completos do basquete.
Exemplos de jogadores: LeBron James, Trevor Ariza, Tayshaun Prince, Grant Hill e Larry Bird.
Utilização em uma frase: Você acha que o Kevin Durant rende mais jogando como shooting guard ou small forward?
Power Forward (PF) – Nos números é a posição 4 e se você for o piadista da turma pode dizer que os power forwards são os jogadores que jogam de quatro. Aqui no Brasil são chamados de alas-pivô ou, na tradução literal, alas de força.
Os jogadores dessas posições costumam ser enormes, alguns até mais altos que muitos pivôs, mas costumam ser também mais habilidosos que estes longe da cesta. Jogadores como o Tim Duncan viraram power forwards e não pivôs porque mesmo com o tamanho para jogar lá dentro, faziam mais diferença usando o seu talento no jogo de meia distância.
Exemplos de jogadores: Tim Duncan, Dirk Nowitzki, Kevin Garnett, Chris Bosh e Karl Malone.
Utilização em uma frase: O Amar’e Stoudemire deveria jogar apenas como power forward.
Center (C) – Aqui chegamos na posição 5. Também chamado de pivô, pivozão, gigante ou montanha.
Costuma ser o jogador mais alto da equipe. Ao contráro do power forward, ele nunca se distancia muito da cesta (a não ser nas raras exceções, como Mehmet Okur e Zydrunas Ilgauskas) e, se bem treinado, desenvolve um jogo importante de costas para a cesta, seja em movimentos de ataque ou até na visão do jogo. Muitas vezes é o único jogador da equipe a não estar de frente para o alvo.
Interessante observar que em português podemos dizer que qualquer jogador joga “no pivô”, é uma situação de jogo. Então dizemos que durante a rotação ofensiva do Lakers o Kobe acaba no pivô e joga lá de costas para a cesta. Nos termos em inglês nunca se usa o termo Center para designar alguém que está jogando, momentâneamente, naquela posição. O Center é o jogador que sempre joga de pivô e estar lá embaixo da cesta é estar no “post“.
E dentro do termo post existem dois tipos, o “high post“, que é o topo do garrafão e o “low post” que é a área do garrafão próxima à cesta.
Exemplos de jogadores: Shaquille O’Neal, Zydrunas Ilgauskas, Andrew Bynum, Dwight Howard e Bill Russell.
Essas foram as cinco posições clássicas e principais, mas ainda existem outras que são bastante usadas para se referir a alguns jogadores em especial.
Combo Guard – Como disse antes, guard é o termo para armador, um Combo Guard é um jogador que pode jogar nas duas posições de armador, tanto como point guard (1) quanto como shooting guard (2). Dois bons exemplos são Kirk Hinrich ou o novato Tyreke Evans.
Point Forward – Essa aqui é só juntar as peças, criançada. Lembra que o “running the point” era para alguém que estava na armação? E lembram que “forward” é para ala? Um Point Forward é um ala que joga armando o jogo. Não é algo muito comum no basquete, mas os dois times com melhor campanha na NBA usam: o Cavs com LeBron James e o Lakers com Lamar Odom. Volta e meia o Jazz também usa o Andrei Kirilenko como Point Forward quando o Deron Williams está descansando.
Swingman – Embora tenha nome de jogo trash do Nintendinho ou de filme de lambada da Sessão da Tarde, um swingman é um jogador que pode mudar da posição de shooting guard para a de small forward quando bem entender. Geralmente é um jogador com altura o bastante para jogar de SF mas com a habilidade de um SG. Kobe Bryant e Kevin Durant são dois bons exemplos.

Gírias iradas da galera do Gigabyte
Trey – Ao contrário do que falaram nos comentários, não é o nome de um rapper. Quer dizer, também é, mas no mundo do basquete é um termo para se referir à bola de 3 pontos.
Dime – Além de ser o nome da revista bem legal, dime é um termo usado para se referir à assistência. O termo “dime“, originalmente, é como os americanos chamam a moeda de 10 centavos, uma história não comprovada diz que a moeda virou assistência por causa de pessoas que entregavam outras para a polícia! Os telefones públicos costumavam custar 10 centavos, um dime, e aí a pessoa ligava e entregava alguém para os homi, ou seja, assistia (no sentido de ajudar) a polícia a prender a pessoa.
Board – A palavra pode significar várias coisas, como tabuleiro, tábua, prancha, quadro e mais um monte de coisa, mas no basquete significa rebote.
Jam/Slam/Flush/Dunk – Tudo isso para dizer a boa e velha enterrada. A primeira palavra para se referir a enterrada foi “dunk“, que significa embeber, ensopar. É um termo usado para quando alguém, por exemplo, afunda um biscoito em um copo de leite e é o verbo que batizou os deliciosos “Dunkin’ Donuts”.
Slash – Além de ser um guitarrista, o termo pode significar cortar, acho que todo mundo que jogou Pokémon sabe disso. No basquete slash é cortar para dentro da defesa e um jogador “slasher” é um jogador que tem como base do seu jogo a infiltração. O Dwyane Wade é um slasher.

Adjetivos
Clutch – É um dos termos que você mais vai ler e ouvir por aí. Um jogador clutch é um jogador que sempre joga bem nos momentos decisivos de um jogo. Então quando o Kobe acerta aquele arremesso difícil com o jogo empatado a 7 segundos do fim você irá ouvir que foi um “clutch shot” do Kobe. Um jogador pode ser clutch em um jogo ou ganhar fama de ser clutch na carreira, como foi o caso do Robert Horry.
Overrated / Underrated – A palavra “Rate” significa classificar, avaliar. “Over” significa superior, acima e “Under” significa inferior, abaixo. Assim, um jogador “overrated” é um jogador que é classificado como sendo acima do que deveria. Quando todos diziam que o Antoine Walker era um baita jogador quando na verdade ele era uma peça de Lego gigante que arremessava de 3, ele vira um jogador overrated. Já quando ninguém lembra que o Joe Johnson existe mesmo ele sendo um All-Star, ele vira um jogador underrated.
Nos fóruns sobre NBA da gringolândia é bem comum abrirem tópicos apenas para discutir quem é overrated e underrated na NBA. E essas discussões costumam ser tão vazias e vagas como qualquer uma do tipo “Quem é melhor?”, por favor não caia nessa.
Overpaid / Underpaid – O princípio é o mesmo do item anterior, mas ao invés de se avaliar a qualidade do jogador, é analisado o seu salário. “Paid” quer dizer pago. Então o Nenê pode ser um baita pivô, mas se você acha que ele não é bom o bastante para ganhar 10 milhões por temporada você diz que ele é overpaid.
Highflyer – High” pode ser chapado e “Fly” pode ser mosca, mas isso não tem nada a ver. “High” também pode ser alto e “Fly“, voar. Um jogador highflyer é aquele que pula muito alto e costuma sair enterrando por aí. Durante boa parte da sua carreira todo mundo se referia ao Vince Carter como um grande highflyer.

Conquistas individuais
Double-Double- O famoso duplo-duplo. É quando um jogador consegue pelo menos 10 em dois quesitos diferentes das estatísticas, o mais comum é conseguir pelo menos 10 pontos e 10 rebotes.
Triple-Double- Ao invés de dois, três quesitos. O mais comum são pelo menos 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências, mas volta e meia um pivô faz um triplo-duplo com tocos.
Double-Trible-Double- Esse aqui é uma raridade. É conseguir pelo menos 20 em três quesitos diferentes. Na história da NBA aconteceu apenas um vez: Wilt Chamberlain (o céu é azul) fez 22 pontos, 25 rebotes e 21 assistências em um jogo contra o Pistons em 1961.
Five-by-Five (High-5) – Os dois termos são pouco usados mas existem, assim como o feito em si. Ele consiste em conseguir pelo menos 5 nos 5 quesitos principais do basquete: 5 pontos, 5 rebotes, 5 assistências, 5 roubos e 5 tocos. Atualmente quem mais tem flertado com essa marca é o brazuca Nenê. No passado recente, que eu me lembre, apenas o Andrei Kirilenko conseguiu completar um five-by-five.

Termos de jogo, Jogadas
Tear Drop/Floater – O Danilo explicou muito bem o Tear Drop (que também pode ser chamado de Floater ou Runner) no Both Teams Played Hard, mas infelizmente o site está com problemas e não está dando para ver as respostas mais antigas. De qualquer forma, explico aqui rapidamente: esse arremesso é quando um jogador, geralmente mais baixo, solta a bola antes e com um arco mais alto do que a bandeja comum. Por ser diferente da bandeja ela costuma enganar os pivôs e é marca registrada de jogadores como Tony Parker e Chris Paul.
Não achei o ótimo vídeo que o Danilo tinha postado antes, mas por enquanto vale esse bonito tear drop do Rajon Rondo:
 
Backdoor – A porta de trás, na tradução literal, é quando um jogador consegue cortar para receber um passe por trás da defesa sem ela perceber. O Utah Jazz vive brincando de correr por trás da defesa, no backdoor, até alguém aparecer livre embaixo da cesta para marcar pontos fáceis.
Inside Score – São todos os pontos marcados dentro do garrafão. Quando dizem que um time precisa de mais “inside score” é porque estão dizendo que a equipe precisa jogar mais perto da cesta.
Basketball IQ – É o “Q.I. de basquete”. Às vezes um cara não sabe ler, escrever e nem qual é a fórmula de bhaskara, mas dentro de uma quadra de basquete ele entende tudo, saca o posicionamento de todo mundo e sempre toma a decisão certa. Quer dizer que ele tem um alto Q.I. de basquete. Por outro lado tem jogadores que sabem arremessar, são atléticos, pulam, driblam bem mas não sabem o que fazer com a bola e estão sempre ferrando com o seu time, são os caras com baixo Q.I. de basquete. Alô, Stromile Swift, tudo beleza?
Down the stretch – Vamos testar seus conhecimentos até agora. “O Dwyane Wade é um shooting guard slasher que é clutch down the stretch“. Sacou, turminha do CCAA? “Down the stretch” é o termo para se referir à partida em seus momentos decisivos.
Footwork – É o termo deles para se referir ao jogo de pernas de um jogador. Aquele pivô paradão que não consegue se movimentar não tem bom footwork.
Turnover – Um turnover é um erro, é a perda da posse de bola. Um time que cometeu 20 turnovers em um jogo é aquele que por 20 vezes cometeu algum tipo de erro e ficou sem a bola, pode ter sido ter jogado a bola pra fora, ter estourado os 24 segundos de posse, ter tido a bola roubada ou qualquer coisa do tipo.
Buzzer-Beater / Game Winner – “Game Winner” é a bola que ganhou o jogo, é o arremesso decisivo, o último do jogo. Já o “buzzer beater” é aquele que foi exatamente no estouro do cronômetro. O arremesso do Kobe a 6 segundos do fim contra o Celtics foi o game winner porque o Celtics não conseguiu virar depois, já o seu arremesso contra o Heat, quando o tempo acabou com a bola no ar, foi um buzzer-beater.
Screen – Esse é simples, o screen é o corta-luz. E o famoso “Illegal screen” é o corta ilegal, com o jogador se mexendo, impedindo e acertando o adversário.
Fade Away – O verbo “to fade away” quer dizer desaparecer, mas no basquete é o termo utilizado para se referir àqueles arremessos que o jogador faz enquanto joga o corpo para trás. Michael Jordan foi o grande mestre nesse arremesso e hoje ninguém faz tão bem quanto o Kobe Bryant.
O fade away não é o tipo de arremesso que você vai aprender do seu técnico nos primeiros treinos de basquete. Logicamente pensando, não é inteligente pular para trás na hora de arremessar, pra que ficar ainda mais longe da cesta? Mas em algumas situações, para evitar o toco e marcadores mais altos, acaba sendo uma boa opção. Abaixo um vídeo do Jordan sobre o seu principal arremesso.
Matchup – No basquete a palavra é usada para se referir a um confronto individual. Quando jogam Cavs e Celtics, por exemplo, o matchup mais importante é o duelo entre LeBron James e Paul Pierce.
Já no confronto de playoffs do ano passado entre Magic e Cavs, o Rashard Lewis, rápido e jogando fora do garrafão, venceu o seu matchup contra o Anderson Varejão. Esses matchups onde um jogador tem alguma característica, física ou técnica, que não bate com as características de seu defensor é o chamado Mismatch. Dizem na NBA que o Lamar Odom é um mismatch ambulante, porque ele pode ser rápido e jogar longe da cesta contra marcadores altos ou perto da cesta usando sua altura contra os mais baixos.
Pick-and-roll- Perguntaram de “pick and run” no post, mas como não conheço esse, imagino que estava tentando se referir ao famoso pick-and-roll. Essa é a jogada mais básica do basquete, onde um jogador, geralmente um pivô, faz um corta-luz para o jogador que está com a bola e logo em seguida corta em direção à cesta para receber a bola. Abaixo a dupla que mais faz pick-and-rolls na NBA, Steve Nash e Amar’e Stoudemire:
Pick-and-pop- O princípio é o mesmo do pick-and-roll, mas depois do corta, ao invés de correr em direção à cesta, o jogador que fez o bloqueio fica parado para fazer o arremesso. No próprio Phoenix Suns essa jogada é bem comum entre o Nash e o Channing Frye, mas acho que ninguém faz tanto essa jogada quanto Chris Paul e David West.

Estilos e estratégias de jogo
Tempo- Esquisito ver uma palavra nossa sendo usada pelos gringos, mas em inglês a palavra “tempo” é usada para se referir a andamento, ritmo.
Up-tempo system- Um sistema de up-tempo é aquele que usa um andamento de jogo rápido. O New York Knicks e o Golden State Warriors, por exemplo, são um time de estilo up-tempo.
Run and Gun- É o sistema de jogo (up-tempo) que ficou famoso nas mãos do Mike D’Antoni quando ele comandava o Phoenix Suns. Trata-se de uma estratégia onde o time tenta sempre jogar em velocidade, correndo (run) e arremessando (gun) o mais rápido possível, aproveitando os primeiros segundos de posse de bola, momento em que a defesa adversária ainda não se postou de maneira adequada.
Diamond – Em tradução literal quer dizer “diamante” e no basquete pode ser várias coisas. Tem treinos chamados de diamantes, além de posicionamentos defensivos e até algumas jogadas de ataque. Creio que o uso mais comum, no entanto, seja a defesa “Diamond and 1” que é quando 4 jogadores formam um losango (um diamante) dentro do garrafão e um jogador fica livre para marcar um jogador em especial, geralmente o armador adversário. Essa é uma imagem da defesa “Diamond and 1”.
Motion Offense – É um sistema ofensivo de jogo baseado em muita movimentação dos jogadores e cortas para deixar esses jogadores livres. O conceito básico foi criado pelo técnico Henry Iba, mas ficou famoso no basquete universitário com o lendário Bob Knight. Hoje em dia existem muitas variações da Motion Offense, algumas baseadas em drible e infiltração dos armadores, outras com um Power Forward (posso falar em ingreis agora?) aberto e muitas e muitas outras. Em comum todas tem a contínua movimentação dos jogadores (daí o nome ‘motion‘, movimento), mas grande parte do resto pode ser adaptado.

Frases e Expressões
“Nice Jay” (Nice J) – Os americanos usam muito a primeira letra das palavras para dizer a palavra toda. Então J é jumper (arremesso), W é win (vitória), D é defense (defesa) e por aí vai. Já “nice” quer dizer bom, então um “nice J” é um bom arremesso.
“Pierce |nox| down”- A grafia correta é “Pierce knocks it down”. “Knock it down” quer dizer derrubar, é algo como “Pierce derruba a bola”, é uma expressão para dizer que algum jogador acertou seu arremesso.
Tough Guy – “Tough” é uma das palavras mais difíceis de traduzir para o português. Alguns dicionários traduzem como “forte”, outras como “valentão” ou “brigão”. No fim das contas é um misto disso tudo, se fosse um nome de filme da Sessão da Tarde “Tough Guy” viraria “Um cara duro na queda”.
From Downtown – Um arremesso “from downtown” é um arremesso de longe, de 3 pontos. E nos comentários contaram uma história divertida que eu não conhecia sobre a história da expressão. Com a palavra, nosso leitor Derica:
“Downtown, ao pé da letra, significa ‘centro da cidade’. Ouvi uma história antiga de que “fulano from downtown” é porque a maioria das quadras se concentravam na periferia e antigamente diziam que o arremesso foi lá do centro da cidade, dando a entender de tão longe que foi.”
back-to-back – É o termo para se referir a coisas em sequência. Back-to-back games são jogos em dias consecutivos, back-to-back titles são títulos em sequência, um bi-campeonato.
 
“Finger road”- O termo correto é “Finger roll“. Finger é dedo, roll é fazer rolar. É aquela bandeja, inventada pelo grande George Gervin, em que a bola vai rolando pelas pontas dos dedos até sair da mão e ir para a cesta, é uma das jogadas mais bonitas do basquete.
Procurei um vídeo do Gervin para mostrar aqui, mas preferi mostrar esse do Jordan, olhem que obra-prima!
Sag-off – Esse é uma expressão usada para dizer quando um jogador deixa outro livre de propósito. Quando você deixa o Sasha Vujacic livre para dobrar a marcação no Kobe você sag-off o The Machine (e com razão!)
Sink or swim- Sério que alguém já viu esse termo em jogos de basquete? Essa é uma expressão que quer dizer algo como “É tudo ou nada”. Ao pé da letra quer dizer “afundar ou nadar”.
 
Termos de contrato
Mid-Level exception – O sistema de teto salarial da NBA não é rígido, então permite algumas exceções para que os times possam ultrapassar esse teto. O Mid-Level é uma dessas exceções. Nesse caso o time pode oferecer um contrato com o salário médio da NBA para um jogador mesmo que o limite já tenha sido atingido pela equipe. O salário médio é definido somando todos os salários pagos nos últimos anos de liga e dividindo por 13,2. (pois é, faz tanto sentido quanto jogos de video game japoneses)
Buyout – É quando um jogador e o seu time entram em um acordo para que uma certa quantia do salário do jogador seja paga de uma vez e esse atleta seja dispensado da equipe sem mais nenhuma obrigação contratual.

Pornô
POV- Até aqui fazem pergunta de coisa pornô? Que obsessão! Mas tudo bem, fui correr atrás para descobrir. POV é uma sigla para “Point of View” ou “Ponto de Vista”. Um pornô POV é um filme com o ponto de vista do próprio cara que está fazendo sexo, são aqueles filmes em que o ator come a guria com uma câmera na mão e a gente fica assistindo como se fosse ele.

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Sabe que o “Both Teams Played Hard“, apesar de estressante porque tem um número infinito de perguntas, tem sido muito útil nesse fim de temporada regular? Depois de tantos meses de temporada a gente vai ficando sem assunto e o que queremos mesmo é que os playoffs comecem logo pra gente voltar a sentir alguma emoção nesses jogos. Claro que sempre vai ter um assunto a mais pra falar, mas não tão empolgante assim. Como no outro dia que pediram pra eu falar do Jazz, que mudou completamente de postura desde que eu disse que eles pareciam um time já acabado.

Acontece que comentamos, no meio de outros posts, que o Jazz tinha ressurgido das cinzas. Assim como comentamos que os maiores adversários deles eram eles mesmos, que trocaram Eric Maynor e Ronnie Brewer por um cacho de bananas e um bem-casado. Ou seja, até do Jazz que a gente nem gosta tanto já falamos mal, bem e mal de novo, é sinal de que a gente precisa de inspiração.
E é aí que entram as perguntas que vocês mandam pelo BTPH. Com tantas perguntas é possível sentir uma tendência de interesse dos leitores, o que querem saber da gente. E percebi que, assim como eu, vocês tem interesse por um prêmio de fim de ano em especial, o de jogador que mais evoluiu na temporada. Não tem uma pergunta sobre MVP, nenhuma de jogador de defesa, nenhuma de técnico, uma ou duas de novatos e uma caralhada querendo saber em quem votaríamos para jogador que mais evoluiu. Eu até já respondi uma vez, me criticaram por não ter citado o Joakim Noah e mesmo assim perguntam de novo e de novo.
Não gosto de só opinar porque não sou eu quem voto. A NBA ainda não se tocou que somos importantes e que devemos ter poder de palpitar oficialmente, mas beleza, até lá eu uso os números para saber quem mais melhorou em que em relação à temporada passada. Bora abrir o Oswald de Souza que vive dentro de cada um de nós!
Pontos
Carl Landry +8.1
Aaron Brooks +7.8
Channing Frye +7.3
Chris Kaman +6.9
Corey Brewer +6.8
Levando em consideração os pontos por jogo esse é o Top 5 de jogadores que mais evoluíram em relação à temporada passada. Na lista oficial vocês ainda podem encontrar Gilbert Arenas, Martell Webster e Anthony Tolliver, mas os três jogaram tão pouco na temporada passada que de qualquer maneira entrariam na lista. Oficialmente o Webster é o líder com +9.7, mas isso porque só jogou um jogo na temporada passada, em que não fez nenhum ponto. Assim até o Baby Araujo!
Curioso nessa lista que apenas um dos jogadores evoluiu bastante em pontos ao mudar de time, o Channing Frye. Chegar no Suns revolucionou o seu jogo, ele começou a arremessar de três e começou uma nova fase na sua carreira, em um time que sabe usar o seu grande trunfo que é ser um cara alto que sabe arremessar.
São dois jogadores do Rockets no Top 5, Brooks e Landry. O segundo foi trocado para o Kings mas os seus números da temporada ainda refletem a grande parte do ano que passou em Houston. Os dois souberam se aproveitar do momento da equipe: eles perderam Yao, machucado, T-Mac não voltou e o Artest deu o fora. O Ariza foi contratado para essa função e até arremessou bastante, mas mesmo assim sobrou espaço para Brooks e Landry, ambos aumentaram seus números de arremessos tentados por jogo em mais de 6 por partida.
Porém, nesse quesito eu daria destaque para dois jogadores que não aparecem no Top 5: Monta Ellis e Kevin Durant. Ellis melhorou em 6.6 pontos sua marca e Durant em 4.4. A diferença dos dois em relação aos outros foi que eles saíram de números já muito altos para alcançar outros maiores ainda! Uma coisa é melhorar em 4.4 como Courtney Lee, que saiu de 8.4 para 12.8 pontos por jogo, outra é conseguir sair de uma marca já impressionante, 25.3, para 29.8, caso do Durant. Tanto Durant como Ellis fizeram o que Danny Granger fez na temporada passada, continuaram evoluindo mesmo quando seus números já pareciam estar chegando ao limite de seus potenciais. Na hora de votar em quem mais evoluiu vale a pena reparar em quem sai do zero como o Webster e quem sai de 25, como o Durant.
Rebotes
Kris Humphries +3.7
Kenyon Martin +3.6
Ben Wallace +3.3
Joakim Noah +3.3
Nazr Mohammed +3.2
A grande surpresa da lista é ver o fedido do Humphries no topo, mas ele tem feito uma boa temporada para os seus padrões, principalmente desde que chegou no Nets. Porém, seus minutos aumentaram bastante em relação à temporada passada, caso bem diferente do Kenyon Martin, que pega 3.6 rebotes a mais com apenas 2 minutos a mais de quadra em média. Aliás, seus 9.6 rebotes por jogo já são sua segunda maior média da carreira, atrás apenas dos 10.0 do seu primeiro ano no Nuggets. É sempre legal quando um cara continua evoluindo alguma coisa em seu jogo mesmo quando já está na liga há 10 anos, e ainda mais simbólico para um cara que sempre foi conhecido mais pelo seu físico do que pela técnica.
Não dá pra dizer a mesma coisa de Ben Wallace porque melhorar em relação a temporada passada era o mínimo que ele poderia fazer, já que no ano passado foi tão útil para o Cavs quanto eu sou para a economia brasileira. O caso do Noah, que vem em seguida, é interessante porque todo o seu aumento de rebotes veio no lado defensivo, o número de rebotes ofensivos é idêntico, legal porque é na defesa que o Noah vem construindo uma reputação de bom pivô e excelente reboteiro. É um forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada, uma campanha que infelizmente perdeu um pouco de força com sua contusão e a saída do Bulls da zona de playoff.
Assistências
Russell Westbrook +2.6
Aaron Brooks +2.1
Will Bynum
Trevor Ariza
Josh Smith +1.8
A liderança de Westbrook era esperada. O moleque já jogou muito como novato e dava a entender que seria grande em um futuro breve, era só ser mais regular. Bastou mais um ano para que suas esporádicas grandes atuações fossem mais constantes e aí está ele com boas médias e clara evolução, é um candidato claro e óbvio ao prêmio. Ter o Kevin Durant acertando tudo ao seu lado não atrapalhou, claro.
A primeira figurinha repetida das nossas listas é Aaron Brooks. Ele foi o segundo que mais evoluiu em pontos e em assistências, mas não custa lembrar que está entre os que mais cresceu em números de turnovers, ou seja, tudo isso só mostra que o Brooks é hoje um jogador mais importante para o Rockets. Com mais tempo de bola na mão ele arremessa mais, pontua mais, assiste mais e, logo, erra mais. Eu diria que ele foi o jogador que mais evoluiu na NBA em quantidade, não necessariamente em qualidade. Com Will Bynum a explicação não é muito diferente, só por ele estar no Pistons e não estar na enfermaria já explica muitas evoluções estatísticas.
Um grande destaque da lista são os não-armadores. Legal ver Trevor Ariza e Josh Smih entre os que mais evoluíram em assistências. O Ariza é fácil de explicar, ele foi contratado pelo Rockets para ser o líder de um time que compartilha muito a bola e fez isso quando chegou lá. Aumentou bastante o seu número de erros também e é o segundo entre os que mais arremessam de três em relação ao ano passado, deixou de ser só um coadjuvante para ser o maestro de um time de coadjuvantes.
Já o Josh Smith ganhou nas assistências, um campo onde nunca foi destaque, a maior prova numérica de como ele evoluiu em relação ao ano passado. Mas poderíamos também sustentar o óbvio fato de que hoje ele é um jogador mais inteligente vendo que ele aumentou seu número de tocos em 0.5 por jogo sem fazer mais faltas e, principalmente, ao ver que ele chuta -1.1 bola de três por jogo. Isso quer dizer que no ano passado ele chutou 87 bolas de 3 e nesse ano apenas 6. Josh Smith merece grande consideração ao prêmio de jogador que mais evoluiu simplesmente porque descobriu os seus talentos e suas funções no time. Raríssimos são os jogadores que aceitam suas limitações e se tornam melhores jogadores assim, juro que não esperava isso de um jogador tão impulsivo como o Josh Smith.
Roubos
Carl Landry e Chris Douglas-Roberts +0.7
Ninguém melhorou muito em roubos, os dois maiores destaques pouco passaram do 0.5 por jogo e fizeram isso com 15 minutos a mais de jogo do que no ano anterior, o que deixa tudo bem explicável.
Tocos
Andrew Bogut +1.5
Esse número é alucinante! Tirando o infame Greg Oden que na sua meia dúzia de jogos melhorou em 1.1, o resto da liga comemora se chega a uma melhora de 0.5 como o Josh Smith. O Bogut deixou de ser um pivô que tinha os tocos como defeito para brigar pela liderança da categoria! Não estou brincando quando digo que Scott Skiles e Larry Brown sabem fazer milagres com seus times, o Skiles fez o Bogut dar tocos! O próximo passo é fazer o Luke Ridnour liderar a liga em enterradas.
Turnovers
Stephen Jackson -0.7
Nenhum número chamou a atenção nos poucos décimos de diferença nos erros por jogo, a não ser no caso do Stephen Jackson. Ele é o único jogador a diminuir o número de erros por partida ao mesmo tempo que teve mais minutos por jogo em relação à temporada passada. O Bobcats é o novo Pistons.
Arremessos por jogo
Trevor Ariza +7.2
Carl Landry +6.3
Chris Kaman +6.2
Aaron Brooks +6.2
Corey Brewer +5.7
Precisa explicar Ariza, Landry e Brooks de novo? O Rockets causou uma revolução nessas estatísticas, basta dizer isso. Já Kaman ganhou esses arremessos na marra, com o Baron Davis jogando cada vez menos, a decadência inexplicável do Al Thornton na equipe e até algumas contusões do Eric Gordon foi bem lógico que o Kaman fosse ter mais arremessos, e como ele começou a acertar boa parte deles, virou a primeira opção ofensiva. Pra falar a verdade me surpreende que são apenas 6 arremessos a mais por jogo, imaginava que fossem mais.
Minutos
Carl Landry +16.2
Channing Frye +15.8
Chris Douglas-Roberts +14.9
Sonny Weems +12.6
George Hill +11.9
Interessante ver que de todos os nomes que foram citados várias vezes durante o post apenas o de Carl Landry tem grande destaque entre os que mais tiveram minutos adicionados nessa temporada. Claro que outros tem números significativos, como o Brooks que tem 9 minutos a mais, mas a lista prova que não são apenas os minutos a mais na quadra que são sinônimos de melhores estatísticas, assim como não são só estatísticas que mostram como um jogador melhorou. Sonny Weems e George Hill não ganharam um quarto a mais de jogo só porque são bonitos, alguma coisa que os números não mostram eles estão fazendo.
Considerando agora os minutos a mais de todo mundo, as novas oportunidades e as dificuldades de se melhorar certos aspectos do jogo fica um pouco mais fácil votar. Em quem você votaria? Josh Smith e seu grande cérebro? Aaron Brooks, Carl Landry e as toneladas de estatísticas? Kevin Durant e o passo mais difícil da evolução? Andrew Bogut? Westbrook? Acho que os números deixaram os candidatos mais fáceis, escolher ainda é difícil, e idiota. Aguardo o convite oficial do David Stern para dar meus palpites.