Both Teams Played Hard #1

Estamos de volta com o modelo clássico do Both Teams Played Hard, nossa seção de perguntas e respostas em que a regra é não ter regra: vale perguntar sobre qualquer coisa, de basquete ao sentido da vida. Responderemos às perguntas dos leitores duas vezes por semana, então não perca tempo e envie já sua dúvida no formulário que está em nossa barra lateral. Na semana passada começamos a temporada da seção com perguntas sobre o dólar, Filosofia, jornalismo, chorume de internet, terapia, fuso horário, podcasts e até a Xuxa.


Nathan – Estou no último semestre da faculdade, nos últimos meses de estágio, e não faço ideia do que fazer ano que vem, quando esse período da minha vida terminar. Como foi a experiência pós-faculdade de vocês? Tiveram esses questionamentos do que fazer, ou já tinham algumas coisas encaminhadas em suas vidas? Voltem a vender as camisetas, as minhas já estão velhinhas, só servem para ficar em casa ou usar de pijama. Um abraço! Ass: Nathan.

Danilo: Acho curioso que, em geral, a faculdade seja uma escolha de afinidade por um conteúdo e não de um caminho profissional. O resultado é bastante gente satisfeita com aquilo que estuda, mas que não faz ideia do que fazer com esse conteúdo quando terminar a faculdade. No período em que fizemos Letras, era normal ver alunos veteranos desesperados andando pelos corredores sem saber o que fazer quando terminassem a faculdade (alguns cogitavam, de piada, virar letreiro, daqueles “COMPRO OURO”). Quando percebemos que o mesmo aconteceria com a gente, simplesmente pulamos do barco. Nossas próximas faculdades já foram parte de um plano um pouco maior, e não um fim em si, na tentativa de evitar esse desespero pós-faculdade. Interesse, gosto, hobby, são coisas que não precisam de faculdade para se desenvolver. Meu conselho é ver qual sua relação com os conteúdos do curso, se algum dos seus favoritos leva para uma profissão mais óbvia, se faz sentido seguir uma carreira acadêmica caso você goste muito do assunto e não queira usá-lo num emprego convencional, ou se é hora de pensar em opções para fora do seu curso – o que, às vezes, pode até levar a uma outra faculdade.


Danilo, acha que o novo NBA Live vai conseguir fazer um pouco de sombra no 2K ou vai continuar a ser um esporte de um game só? Os trailers parecem interessantes…

Danilo: Não foi dessa vez. A série Live ficou muito pra trás, teve que reformular muitas vezes, e chegou no ponto de que eles não possuem nada consolidado, nenhuma mecânica, nem a física, nem a engine gráfica. Tudo pode ter que começar do zero de uma edição para a outra, sempre correndo atrás da 2K que só está melhorando e melhorando um pacote consagrado e praticamente sem falhas. Chegou no ponto da EA jogar a toalha e sequer lançar seu jogo em 2013, porque simplesmente não havia competição possível. Não dá pra imaginar o NBA Live virando o jogo num futuro próximo, mas é bom que pelo menos seja lançado, esteja no mercado, porque suas boas ideias vão fazendo a série 2K se coçar e volta e meia incorporar alguma coisa que deu bem certo no concorrente. Nesse ano, por exemplo, o “NBA 2K16” usa a sensacional mecânica de pick and roll que o NBA Live implementou no ano passado.


Raul – É incoerente eu ser de esquerda e corroborar com a cultura consumista, por exemplo comprando muitos jogos de vídeo game ou camisas de time?

Danilo: O consumo não é uma escolha política, é uma condição de existência no mundo no atual estado em que as coisas se encontram. Não importa sua visão política, é necessário pagar para comer, para jogar, para vestir. Ser de esquerda não significa negar essa realidade estrutural, mas sim, em algumas vertentes, encontrar brechas nessa estrutura para que pensemos novos modelos e modos de estar no mundo. Por isso não é uma contradição (embora seja muito engraçado) o carinha de camiseta do Che Guevara e iPhone na mão, porque ele está inserido na realidade do mundo.


Valdo – O que estão achando da mais nova (não tão nova) franquia da NBA, Brooklyn Nets? Sinceramente, eu esperava que uma nova equipe em NY iniciaria uma boa rivalidade e chamaria mais atenção da mídia. Parece, na verdade, que ainda é o New Jersey Nets que está lá com outro nome…

Danilo: Mais atenção da mídia até rolou, mas a equipe não vai ter um impacto real no imaginário da NBA até conquistar um título ou, ao menos, chegar bem perto. O Knicks não é um time de basquete, é uma FORÇA DA NATUREZA, uma unanimidade entre os torcedores da região, com fãs no país inteiro e em todo o planeta. A mudança do Nets tornou o time mais visível para o torcedor desfiliado, o cara que quer só ver um basquetinho, especialmente os turistas. Ajudou a trazer mais gente para o ginásio e rendeu uma graninha, mas nada além disso. Se não bastasse o Nets não ser um time vencedor e ter comprometido todo o seu futuro trocando escolhas de draft para montar um elenco ridículo, ainda há o fato de que o time é incrivelmente burocrático em quadra, uma das equipes com menos identidade na NBA. Sem ter um time reconhecível, não vai conquistar torcedores nem da sua própria região, quanto mais pra fora dela.


Felipe Maurer de Barros – Fala galera do Bola Presa, o que vocês acham do rebuild do estilo SIXERS? Muita gente crítica esse estilo de rebuild, mas todo mundo torce para Celtics, Bulls e Lakers que são times de grife. Abraço e até mais.

Danilo: Reconstruir um elenco é uma coisa complicada, não tem receita de sucesso. Focar só no draft e estocar molecada pode só funcionar quando os jogadores já estão mais velhos, no fim dos seus contratos, e portanto prontos para mudar para uma equipe mais vencedora, de modo que a reconstrução acaba dando frutos para as equipes adversárias. Trocar escolhas de draft e assinar contratos muito altos compromete o futuro da reconstrução caso ela não dê certo rapidamente, dando pouca margem de manobra para arrumar eventuais problemas. Focar em alguma jovem estrela pode demolir a equipe caso o pirralho se machuque seriamente, e pode afastar veteranos essenciais para trazer experiência e segurança ao elenco. Reconstruções recentes de muito sucesso, como o Thunder e o Blazers, bateram na trave por motivos diferentes: lesões, jogadores debandando, problemas com o teto salarial na hora de reassinar os contratos, etc. Um que deu certo até o final que me vem à mente foi o Celtics, que acumulou pirralhos talentosos, trocou todo mundo por estrelas consagradas e conseguiu fazer essa mistura funcionar, conquistando um anel. A reconstrução do Sixers é um caso particular porque não dá pra perceber qual é a intenção da franquia, as lesões são infinitas, os jogadores não funcionam juntos, nenhuma estrela quer ir para lá, e a diretoria parece não ter pressa nenhuma pra fazer a reconstrução funcionar. Se der certo, talvez consigam algo como a reconstrução do Bulls nos anos 2000. Se der errado, o garrafão fabuloso do Sixers vai estar finalmente pronto quando seus contratos tiverem expirado e irão chutar traseiros em outras equipes.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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