Both Teams Played Hard #5

Estamos de volta com nossa seção de perguntas e respostas do Bola Presa, o “Both Teams Played Hard”. São duas colunas por semana com respostas para qualquer coisa que vocês arrancarem de dentro da orelha. Na edição passada, foi a vez de outros esportes gringos, hack-a-alguém, a importância do “BTPH”, brasileiros na NBA e o fenômeno Jeremy Lin. Ou seja: o céu é o limite. Enquanto a temporada não começa, vamos pra mais uma rodada de perguntas!


Pedro: Seguindo a linha da pergunta do Raul no BTPH #1 (excelente resposta, aliás), às vezes me pego em crise por ser de esquerda e ser tão entusiasta do esporte profissional. Dirigentes e empresários enchem os bolsos (muitas vezes ilegalmente), casas de apostas e patrocinadores ganham rios de dinheiro e tudo é um grande pão e circo. Em suma: sinto que o esporte profissional não produz transformação social sequer comparável ao lucro de quem lucra com isso. Vocês tem essas brisas também?

Danilo: É que transformação social não é fácil de perceber nem de analisar, porque seus avanços não são retas para cima e sim um monte de curvas, recuos e concessões, especialmente através do caminho democrático. É inevitável que o processo seja cheio de contradições internas que abram possibilidades para novos caminhos, novas abordagens ou novos pensamentos. Aliás, essa contradição interna é inerente ao esporte, mesmo aquele que não é profissional, porque o esporte ao mesmo tempo delimita e liberta, ao impor um conjunto de regras e permitir que o jogador possa ser criativo dentro delas. No esporte profissional existe a questão do lucro e da exploração ao mesmo tempo em que existe a mobilização social pelo jogo, o debate em cima das suas consequências e da sua estrutura, a humanização dos seus participantes, a libertação dos jogadores de suas limitações socio-econômicas, etc. É um passo pra trás, dois pra frente, e a gente vai tirando o máximo de sentido e de possibilidade daquilo que temos disponível.


Alex Xavier: Quero parabenizar o trabalho de vocês, espero que continuem postando cada dia mais e mais. Pergunta para o Danilo: Porque passou tanto tempo longe do blog, e como via, ou sabia dos inúmeros pedidos para que voltasse pra cá, para nós. rsrs. Abraço!

Danilo: Nos momentos em que não pude escrever no blog, por questões principalmente profissionais, continuei acompanhando o Bola Presa como fã, lendo os posts, os comentários e as postagens no facebook. Pode parecer piegas, mas o Bola Presa surgiu porque queríamos ler um blog sobre basquete em um modelo que não existia, então resolvemos criá-lo nós mesmos. Embora a gente volta e meia fique descontente com nossos próprios textos porque eles acabaram sendo paridos de uma maneira que a gente não previa, somos um tanto fãs dos textos um do outro, e eu sempre leio as postagens do Denis com empolgação e a certeza de que, caso eu não o conhecesse, seria fascinado pelo blog dele!


Don Vincenzo Corleone: Qual a sua opinião quanto o trabalho do Phil Jackson no NY Knicks? Sou torcedor do time e me custa ser otimista quanto a possibilidade do Carmelo Anthony liderar uma franquia a pelo menos uma final… e sei que para isso não depende só dele, mas muito também do Phil. Confio no potencial dele, acredito na filosofia de que não é só com estrelinhas que se forma um time campeão (corrigindo o erro anterior, do Amar’e por exemplo). Ao mesmo tempo sonho com KD-Melo, posso acreditar que um dia isso poderá ser possivel?

Danilo: Analisar o Phil Jackson no Knicks agora é pedir para se complicar, porque pode acontecer qualquer coisa num futuro próximo. Se por um lado tendo a achar que o Phil Jackson está insistindo num estilo de jogo que já não se encaixa tão bem com o momento atual da NBA (e que exite um conjunto específico de jogadores que não brotam mais por aí, com a molecada tendo sido influenciada por outros jogadores e outros estilos nos últimos aos), por outro ainda acredito que ele pode ser suficiente para convencer jogadores importantes e consagrados a toparem seu projeto de reconstrução. Sem ele na franquia, Carmelo Anthony certamente teria dado o fora e estaria em uma situação muito, muito melhor do que agora. Mas se outros jogadores vierem ajudar nos próximos dois anos, talvez o sacrifício valha a pena. Sou um daqueles malucos que insiste que Carmelo Anthony simplesmente nunca esteve numa situação adequada na NBA para que pudesse ser julgado justamente pelos torcedores. Seu jogo é muito mais versátil e sua capacidade de criar jogadas para os outros é muito maior do que os elencos e os planos táticos de sua carreira permitiram que víssemos em prática. Na situação ideal, imagino Carmelo levando um time a uma Final da NBA e mudando completamente a visão geral a respeito do seu jogo, mas nesse momento toda a história de sua carreira depende da lábia de Phil Jackson de convencer outros jogadores a entrar nesse barco furado.

FRP: Fui procurar Modern Family e estou achando bem legal!  Nesse mesmo estilo tem Arrested Development. Não sei se conhecem, mas fica a sugestão. Abraços!
Danilo: “Arrested Development” é a melhor série de comédia do planeta! E se o estilo parece estranho, gerando mais constrangimento do que risadas genuínas, é porque não existe nada na televisão feito com tanta identidade e cuidado: o modo como as piadas vão se acumulando, e se cruzando, e fazendo referências umas às outras ao longo de toda uma temporada, vai te acostumando a não piscar nunca pra não perder nenhum detalhe. É uma coisa de louco!

E aproveitando a deixa, não posso deixar de citar duas das minhas séries favoritas de todos os tempos que também tem esse cuidado com uma construção de cenário a longo prazo cheio de referências: “Breaking Bad” e “Mad Men”. Nível altíssimo!


 Clutch T-Mac: Por que a 2k, todo ano, muda os comandos do 2k16? Que saco.
Danilo: É pra gente não achar que tudo que eles fizeram foi atualizar os elencos.

Igor Costa: Agora que o financiamento coletivo deu certo, vocês não pensam: por que merda não fizemos isso antes?!

Danilo: É que a gente tentou evitar esse tipo de financiamento ao máximo. Tivemos parcerias silenciosas com portais de televisão musical, grandes marcas de roupas e calçados esportivos, fomos ajudados por leitores de grandes empresas de mídia, tivemos longos contatos com canais por assinatura famosos de esportes diversos para levar nosso conteúdo para dentro de seus portais, e todo ano parecia que alguma coisa ia finalmente dar certo e tornar o Bola Presa financeiramente viável. Quando absolutamente nada disso resultou em autonomia financeira e a gente não tinha como pagar as contas porque o mercado não aceita “promessas futuras”, percebemos que só os fãs poderiam ajudar a gente a dar uma pausa em outros trabalhos para dedicar mais tempo ao Bola Presa.

Leonardo: Vocês acreditam que o Jason Kidd ainda vai realizar o sonho dele de jogar com 5 jogadores da mesma altura? – Ou seja, armadores altos e pivôs baixos. Eu não sei se é tão valoroso quanto ele pensa que é e nem acho q será uma revolução ter armadores mais altos possíveis mas ele tem coragem, vamos admitir.

Danilo: Não sei bem qual seria o resultado desse modelo proposto pelo Kidd, mas definitivamente seria um pouco diferente do temos hoje – o que é suficiente para dar uma chacoalhada nos nossos modos padronizados de imaginar como deve ser um time de basquete. Armadores muito altos possuem uma série de vantagens, como facilidade na visão da quadra, rebotes e a possibilidade de explorar seus defensores fisicamente. Pivôs mais baixos são mais rápidos nos contra-ataques, espaçam melhor o garrafão e tendem a explorar seus defensores com arremessos no perímetro. A parte dos pivôs já está se tornando realidade, mais por ausência de pivôs grandes e habilidosos do que por opção real. Já a parte dos armadores está indo em outra direção, com uma tendência de armadores arremessadores ou que ataquem a cesta. Armadores que jogam de costas para a cesta são raridade e estatisticamente geram arremessos de maior dificuldade quando estão em quadra, mas talvez justamente por serem poucos, usar um time de armadores gigantes criasse um tipo de ataque que os outros times teriam dificuldade de defender. No fundo, as dúvidas reais são as seguintes: é possível encontrar uma dupla de armadores enormes que se encaixe no resto do elenco? E é possível vencer na NBA de hoje sem ter um time especialista em bolas de três pontos?

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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