Both Teams Played Hard #9

Estamos de volta com a seção de perguntas e respostas do Bola Presa, o “Both Teams Played Hard”. São duas colunas por semana (por enquanto, mas aguardem novidades) com respostas para qualquer coisa que vocês imaginarem enquanto tomam banho, vão para o trabalho ou precisam descascar batatas. Na edição passada o Denis respondeu perguntas sobre o começo do Curry, ver ídolos definharem, apelidos bizarros, Julius Randle, esteriótipos, Agatha Moreira e imposto de renda.


Rafael: Jogaram Last of Us? O que acharam? Estou jogando agora no PS4 e acho de longe o melhor jogo que joguei da geração anterior

Danilo: Joguei o The Last of Us na época, no PS3, e novamente agora em sua versão remasterizada. Embora eu tenho algumas reclamações com o jogo, concordo que é a melhor coisa da geração anterior nos consoles. O modo como sua narrativa está atrelada à jogabilidade (como os personagens interagem enquanto você joga, como é possível ver a evolução psicológica dos personagens na mudança de suas ações quando você aperta um botão, como a história daquele mundo está nos cenários que você explora, etc) é pra mim o que há de mais importante nos videogames. Já as cenas não-interativas, que em geral eu julgo mais problemáticas para a mídia, são de um primor de execução tal que fica até difícil reclamar de que elas existam em tanta abundância. As únicas duas coisas que eu acho que diminuem a experiência é o quanto ela é esticada, com quebra-cabeças repetidos, e como a dificuldade padrão proposta pelo jogo é muito simples, tirando qualquer senso de urgência, de temor das criaturas, e necessidade de estratégia e exploração. Nisso, a breve expansão é melhor: desafios mais bem construídos e uma narrativa sem delongas, condensada e emocionante – quem não chorar não tem coração!


Joel: Daew rapaziada! De boas? Queria dizer que eu nao consigo aprender a jogar basquete. Digo, jogo sempre, sou bom em pegar rebote, principalmente meter uns second chance ali. Passo o jogo todo pegando os lixo que sobra dos arremessos errados e passando pra fora ou metendo uns putback. Mas quando recebo a bola de costas pra cesta, NÃO CONSIGO dar uns bons arremessos, a maioria quando arrisco girar e arremessar sai um air ball. Também tenho um péssimo controle de bola e nao consigo infiltrar. Tenho 1,97, pela minha altura consigo ser útil.. mas a parte de dar fadeaway, stepback, qualquer coisa parecida com driblar a bola… sou simplesmente um desastre! Queria saber se realmente praticando eu posso melhorar. Porque já jogo a 3 anos e a melhora é muito pouca. É normal pela minha altura? (acho que nao porque nem sou tao alto assim, tem jogador dessa altura que é armador). Enfim. Algum de vcs tambem tem essa dificuldade? Desculpa pela pergunta enorme. Vcs sao foda, muito fodas, o blog é o melhor do país. Abs;

Danilo: Não sei se foi o caso, mas a sua altura costuma sofrer com um problema sério nas categorias de base, mesmo que tenha sido só na Educação Física na escola: o maior entre os jogadores é treinado para ser pivô, para fazer o trabalho sujo, pegar rebotes, e não desenvolver o controle de bola e os arremessos de fora. Isso não só atrapalha esses jogadores tecnicamente como também é destruidor se você estacionar no seu crescimento abaixo do que seria uma altura plausível para um pivô e tiver que aprender a jogar em outra posição, para a qual nunca recebeu treino ou preparo. Eu mesmo, com apenas 1,90m de altura, sempre joguei de pivô por onde passei, até ir fazer peneiras “sérias” e ser colocado pra jogar como armador graças à minha altura “diminuta”. Sofri muito mais para me ajustar do que teria sido necessário caso as crianças fossem sempre treinadas para todas as posições.

Tendo dito isso, acredito que simplesmente jogar (mesmo que por 3 anos) não seja o suficiente para você desenvolver essa parte mais técnica do basquete. Controle de bola só vai surgir se você treinar isso o tempo todo, fora de situações de jogo. Arremessos de costas pra cesta, ou girando, precisam ser treinados à exaustão antes e depois dos seus jogos, até que você encontre a mecânica certa para você e que as bolas caiam sem que você tenha que pensar ou se ajustar muito no ar. Encontre no YouTube um arremesso ou infiltração simples que você gostaria de fazer, assista milhões de vezes, domine cada detalhe, e tente reproduzir o tempo inteiro em treinos e jogos. Quando estiver bem executada, passe para a próxima. Pense que um único tipo de arremesso certeiro (um floater, um eurostep, um fadeaway) já foram suficientes para garantir carreira de muito jogador na NBA.


Carlos Augusto Ribeiro Junior: Olá, sou torcedor do Dallas Mavericks e esses dias estava pensando sobre o título de 2011. Vocês não acham que aquela temporada daria um roteiro perfeito de filme de hollywood (nem que seja nivel sessão da tarde)? É uma jornada clássica do herói (Dirk Nowitzki e cia) vencendo os supervilões de Miami (Paneleiros), lembro que praticamente o mundo inteiro torceu para o Dallas naquela final, inclusive narradores e comentaristas da ESPN BR que não fizeram muita questão de esconder a torcida.

Danilo: Na jornada do herói, o mocinho teria que passar por uma épica jornada em que seria transformado, chegando outro ao seu destino final. Acho que o mais interessante da trajetória do Nowitzki ao título é que ele passou a carreira inteira fazendo basicamente as mesmas coisas, fiel ao seu estilo de jogo, e foi a percepção dos torcedores e da crítica que foram mudando conforme ele foi obtendo mais sucesso. Confesso que uma parte de mim queria ver aquele Heat ser campeão (era também uma história bacana, de três jogadores sem sucesso recente em seus respectivos times unindo-se para alcançar um ideal coletivo), mas no fim era mais importante que o Nowitzki fosse campeão para que finalmente o estilo de jogo dele recebesse a admiração que deveria ter recebido desde o começo.


Paulo Oliveira: Salve Denis e Danilo! Com a boa safra de Big Men que vimos nos últimos drafts podemos esperar pra próxima década um jogo mais próximo dos anos 90, com uma briga mais destacada sob o aro? ou o Small Ball dos anos 00 tende a continuar esmagador e vai continuar deixando os jovens pivôs chupando dedo? Ou a tendência seria um meio termo? abração

Danilo: Acho que a boa safra de pivôs dos últimos anos garantiu que a posição não fosse extinta, como pareceu que ela iria ser na última década, quando a maior parte dos times optava por jogadores mais baixos de garrafão. Por outro lado, o “small ball” com jogadores menores correndo pela quadra e arremessando de fora consolidou-se, estatisticamente, como o melhor basquete para se vencer nas condições atuais do basquete da NBA. Juntando as duas coisas, vejo uma tendência dos times optarem por formações baixas e velozes com um único pivôzão lá embaixo da cesta, que vá para o banco sempre que não der conta do ritmo do jogo. Até o Warriors, que é o exemplo máximo desse basquete baixo de arremessos, tem o Bogut lá no garrafão protegendo o aro, e acho que isso será a tendência dos próximos anos.


Horry: Qual a relação de vocês com cultura japonesa? Acham estranha no geral ou apenas incompreendida por muitos?

Danilo: Quando eu era moleque e jogava muito videogame, cheguei a fazer aulas de japonês por um tempo. Na época eu era o único ocidental da turma e por mais inserido que eu tentasse ser, aquela cultura nunca parecia fazer nenhum sentido para a minha. Em geral, as relações da cultura ocidental com a japonesa são forradas de mal-entendidos, com uma cultura achando que a outra quer dizer algo que definitivamente não quer. Conforme passei a analisar o contexto cultural dos jogos de videogame mais antigos, isso foi ficando mais e mais evidente, com os japoneses fazendo jogos sobre temas “ocidentais” hilariantemente estabanados, e os ocidentais adorando esses jogos por motivos que o Japão jamais seria capaz de prever. Acho que mesmo quando achamos a cultura japonesa interessante ou fascinante, fazemos isso porque achamos fascinante a NOSSA leitura da cultura japonesa, e não como ela é de fato. A cultura chinesa parece ter feito nos últimos anos uma aproximação maior, especialmente com as Olimpíadas e com o papel de embaixador cultural dado a Yao Ming, que não vejo a japonesa fazendo. Quando tentam fazer jogos para o ocidente, cada vez mais eles criam algo que imaginam que a gente iria gostar, trancando a cultura deles o máximo possível dentro de uma caixinha. É muito complicado.


Juniorbsb: Li que o desgaste entre Bulls e Rose esta grande e que Chicago já pensa em seguir sem ele. Ok, o próximo passo é especula-lo nos Lakers ou Knicks, mas não é essa minha questão. Primeiro, falta dedicação à ele? O Barkley (que é meio babaca, eu sei) disse isso, depois o Jimmy Butler estaria incomodado com a falta de compromisso dele e agora dizem que a direção do Chicago não teria gostado que ele já esteja falando de aumento. Dai vem minha pergunta; se essa imagem se cristalizar, o valor de mercado dele cairia? Aliás, depois de tantas cirurgias, será que o Chicago conseguiria algum bom valor em troca ou vai ter que pegar meia dúzia de balas juquinha e se contentar em aliviar a folha? Enfim, espero que Rose se restabeleça na liga, pois tem talento demais e é muito novo ainda.

Danilo: Com 41 milhões de dólares a serem pagos somando essa e a próxima temporada, não acredito que o Derrick Rose tenha muito valor de troca. E isso não tem nada a ver com seu talento ou não: insisto que acho ele um dos melhores armadores da NBA na atualidade, mas ninguém vai querer comprometer esse tipo de grana com um jogador que volta de lesões sérias, carece de ritmo de jogo e de confiança, e que é tão talentoso que acaba deixando suas equipes reféns esperando as lesões passarem. Para o Bulls, uma troca seria provavelmente um contrato expirante, escolhas de draft, um trocadinho. Não vai rolar uma estrela indo para Chicago no processo.


Nicolas: Draftar o Porza na #4 e logo depois afirmar que ele é um lixo foi uma estratégia pra tirar a pressão dele e impedir uma expectativa tão alta?

Danilo: Se for, o Knicks é muito esperto, porque eles usam essa estratégia em TODAS as escolhas de draft, de todos os anos.

Uncle Drew: Olá. Teve um jogo entre Oklahoma X Rockets recentemente que nos minutos finais fiquei com muita raiva do James Harden, pelo fato de ele só ficar naquela mesmice de dar um crossover entre as pernas, fazer um step-back e arremessar de 3 ou de média de distancia nos minutos finais. As vezes ele acerta, como já ocorreu em momentos clutch dele na temporada passada, mas ele erra bastante tbem, nesse jogo q citei e em muitos outros, e continua tentando. Um jogador com tanto repertório ofensivo  e q cava faltas como ninguém, ficar toda hora nessa mesmice e sendo extremamente previsível . Nas vezes q ele erra tenho quase certeza de q é pq o responsável pela sua marcação  estudou o q ele faz nos momentos finais dos jogos e previa q isso iria acontecer.Agora vem a pergunta. Isso q eu citei me levou a pensar em: Porque diabos jogadores como LeBron James- q é muito bom infiltrando  e no Low-Post, Westbrook- um verdadeiro rolo compressor quando vem em alta velocidade e infiltra-e Carmelo Anthony- excelente no jogo de costa para cesta e tbem quando parte pra dentro do garrafão- preferem fazer esses pull-ups, Step-Bucks e arremessos de longa e média distancia (colocando o jogo a perder) quando tem habilidades muito melhores q essa é poderiam ser usadas? É porque quer imitar o Jordan, como faz o Kobe,? Porque é esteticamente mais bonito? Porque a maioria dessa jogadas é mano-a-mano e ele querem humilhar o adversário? Ou porque é mais difícil e por isso eles tentam?
Vocês têm alguma outra hipótese? Ou saberiam responder?
Espero q leiam e respondam    :=)Danilo: Aquilo que estamos chamando de jogadas finais costumam ser a última posse de bola de um time. Nessa situação, diz o senso comum do basquete que a maior parte dos jogadores tremem, que não possuem confiança para fazer um arremesso decisivo. Isso faz com que as defesas costumem preferir fechar o caminho de uma “estrela” e deixar um jogador mais secundário livre para decidir a partida. Nos primeiros anos do LeBron James, por exemplo, ao invés de forçar uma bola sozinho ele infiltrou, a defesa inteira fechou nele, e o arremessador Donnyell Marshall ficou livre na zona morta. LeBron lhe passou a bola, Marshall errou o arremesso e os torcedores e especialistas caíram matando: como assim um jogador do nível do LeBron deixa uma bola decisiva para ser decidida por um mané como o Marshall, mesmo que ele seja um especialista em arremessos? O público da NBA se acostumou com essa narrativa, que teve seu auge no Michael Jordan, de que o melhor jogador (o mais importante, o mais caro, o mais corajoso, etc) precisa decidir o jogo ao invés de deixar o rojão nas mãos de outros companheiros, mesmo que eles estejam em melhores situações de arremesso. As críticas foram tão grandes que LeBron aos poucos mudou suas decisões em quadra e passou a decidir sozinho as bolas decisivas. Só que essas bolas possuem a defesa inteira impedindo o caminho para a cesta, e o jogador não quer depender do juiz para marcar ou não falta (aliás, jogadores que tentam cavar contato em bolas decisivas tendem a ser criticados, porque supostamente “deixaram o juiz decidir” ao invés de decidirem eles mesmos). Aliás, a pressão da bola final tende a deixar juízes mais receosos de marcar falta em qualquer coisinha, o que também dificulta a infiltração. Some tudo isso e o que temos são grandes jogadores que precisam decidir os jogos em geral sozinhos, não podendo infiltrar porque as defesas estão todas concentradas nisso, e portanto tendo que forçar um arremesso de fora ou no mano-a-mano. Alguns times fogem da regra, mas eles não tem “estrelas” tradicionais, senão a mídia destruiria o sujeito.


Guilherme: Dênis e Danilo, essa semana estava fazendo minha ronda diária por portais basquetebolísticos brasileiros e me deparei com um texto muito interessante do Fábio Balassiano (Pode fazer propaganda da concorrência aqui, diretor?), do dia 04/11/2015, sobre o Curry. O ponto levantado pelo Bala é de que o Curry já está na história por ter mudado a forma como o basquete é jogado. Eu acho que essa afirmação tem muito potencial para se tornar verdadeira, mas nesse momento penso ser um pouco precipitada, pois, na minha opinião, só a partir do ano passado quando esse estilo dos warriors começou realmente a se provar vencedor, a liga passou a olhar para eles como uma possibilidade. Prova disso é o discurso do Barkley e tantos outros que esse estilo não levaria um time ao título. Gostaria de esperar as próximas temporadas e analisar o comportamento das equipes, dos calouros que chegarem à liga, para aí sim poder afirmar que houve essa mudança. Qual a opinião de vocês sobre o assunto? Acho que é quase consenso que o título dos warriors mudou muito a visão da liga sobre o jogo nesse momento, tudo isso simbolizado pelo Curry, mas vocês pensam que isso seja um efeito a longo prazo, ou algo passageiro, que logo será substituído?

Ahh muito bom também ver várias citações ao blog em outras páginas brasileiras. Two minute warning, jumper, o próprio bala, todos tem citado bastante o trabalho de vocês nos posts ou podcasts.

Danilo: Eu realmente acredito que o Stephen Curry é o jogador ideal de um modelo com o qual a NBA vem flertando faz um bom tempo, através das estatísticas avançadas e do basquete de alto rendimento. Ao meu ver, ele não mudou a NBA, ele apenas se encaixou perfeitamente bem numa NBA que já estava mudando sem ele. O Stephen Curry apenas provou que o modelo era viável, que fazia sentido, e que jogadores que eram antes desprezados poderiam funcionar dentro desse esquema. O que acho que vai acontecer por culta do Curry é uma tonelada de jogadores parecidos, minúsculos e arremessadores, sendo draftados por tudo quanto é equipe da NBA. E rapidinho essas equipes vão perceber (como perceberam quando tentaram draftar gringos arremessadores na época do Nowitzki, armadores velozes na época do Nash, etc) que o Curry é um eclipse solar, um caso raro que não dá pra ser reproduzido com qualquer mané por aí.


Marco Wolfgang: Oi amigos, sou leitor do blog desde a década passada – inclusive saudade dos posts sobre Arenas – e acreditem, uma vez, a resposta de uma pergunta que fiz para vcs me confortou muito em um período dificil, acho que nunca agradeci, mas valeu. Enfim, não to afim de perguntar de basquete hoje, o que vcs acham da industria pornográfica? A pornografia, em essência, geralmente é utilizada como válvula de escape e na busca do prazer, mas ao mesmo tempo a industria ganha milhões, provavelmente bilhões, explorando pessoas, principalmente mulheres. Comecei a pensar nisso, depois de ler uma vez sobre casos de ex-atrizes que se mataram ou que relataram o quanto suas vidas pessoais eram uma merda. É claro que é difícil que as pessoas parem de consumir pornô, porém acho que deveríamos pensar um pouco nesse aspecto e no quanto a indústria pornografica lucra com gangbangs hardcore. O que vcs acham?

Danilo: Acho que a indústria pornográfica tem uma possibilidade libertadora, que é mostrar para as pessoas que a sexualidade pode ser divertida, mostrar para os casais que o sexo é parte importante da intimidade, e mostrar para as mulheres que o sexo pode ser empoderador e natural à vida. Pode trabalhar na direção da liberdade do corpo, que foi tão podada no Ocidente especialmente depois da queda do Império Romano. Mas essa possibilidade é destruída por tudo isso que você falou: exploração de mulheres, que são colocadas em situações terríveis de submissão, humilhação, e que acabam criando um padrão irreal de sexualidade para os homens que são criados à base dessa violência. Existe algo de resistência, a Stoya escrevendo sobre a indústria pornográfica mostrando como ela pode ser emancipadora, pornografia feminista ou filmada por mulheres, sexo sem submissão, etc. No fim, acredito que mesmo que possa ser danosa, é melhor que ela existe – há algo de uma fresta libertadora que compensa todo o resto. Em seu “25 mil anos de liberdade sexual”, Alan Moore mostra com bastante clareza os perigos das sociedades que não lidam de maneira aberta com a sexualidade.


Genésio: Opa, lembram que eu tinha varias duvidas? Então…
Me peguei pensando esses dias, as vezes faço perguntas aqui com nomes fictícios só que sobre assuntos reais, momentos e problemas reais que passo na minha vida. E penso que se alguns amigos meus ouvirem e desconfiarem que sou eu, vão saber, pois sabem que as histórias batem muito com as minhas reais. Daí pensei, tem várias histórias que ouço aqui no BTPH também que batem muito com histórias que amigos meus vivem, algumas vezes levemente modificadas (como eu tbm faço), as vezes até com detalhes parecidos. Será que eu e meus amigos mandamos perguntas aqui e não sabemos que somos uns e outros? Ou seja, estou de certa forma me “comunicando” anonimamente com amigos que convivo no dia-a-dia e “não sabemos disso”? Louco isso né? Abraços!Danilo: Muito insano isso. Compartilhar coisas com a “comunidade Bola Presa” pode ser compartilhar problemas pessoais com gente do outro extremo do país, com nossos leitores lusófonos da Europa e da África, com gente que mal acompanha basquete mas gosta de ler as perguntas, com gente que ouve o podcast enquanto lava a louça do outro lado do mundo, e também com seus amigos mais próximos com os quais você não tem coragem de falar abertamente. Que lindo isso! Somos uma grande família, medrosa, mentirosa, e feliz!


Gui: não sei c vão entender oq quero dizer com minha pergunta mas oq vcs acham do dwight howard? quero dizer ele é bom e tal mas qndo o vejo tenho a impressão q ele num é tão bom qndo deveria ser as vezes é meio preguiçoso e tals apesar de c bem útil e num vejo ele como o pivô tão dominante e com anel de campeão hoje como o via há uns 6 anos atrás, oq acham?

Danilo: Minha relação de amor (pouco) e ódio (muito) com o Dwight Howard aqui no blog é conhecida. Ele é bastante dominante na defesa, tem bastante potencial no ataque, mas a verdade é que ele custa demais (em termos de dinheiro, mas também em ritmo de jogo, em acomodações táticas, em barulho na imprensa, em reclamações nos bastidores, em espaço salarial, etc) para fazer em alto nível algo que jogadores muito, muito piores, conseguem fazer de maneira não muito pior. Ele é sensacional, eu gosto que ele esteja no meu Houston, mas às vezes eu acordo pensando: será que ter o Omer Asik no seu lugar faria tanta diferença assim? Será que o espaço salarial não compensaria?


Leonardo Ávila: Tem coisas idiotas que só o Spurs faz; tipo fechar toda e qualquer infiltração do Lebron. Acham que o antídoto para o Warriors é trocar toda e qualquer bola de três por cestas de 2 pontos, seja mid shots ou bandejas/dunks?

Danilo: O problema é que o Warriors é um time de contra-ataques, com jogadores velozes, bons de infiltração e até mesmo atléticos perto da cesta. Se você só marcar as bolas de perímetro, eles vão engolir você com um quadribilhão de enterradas e bandejas. E mesmo que o Curry seja uma máquina de arremessar, bandejas são ainda mais fáceis de fazer! Sei que parece loucura, mas deixar o Warriors arremessar ainda é menos pior do que as outras opções.


 Darth Tyranus: Vi uma pergunta no BTPH #1 e me veio à cabeça uma coisa. A compra é essencial para a existência humana, independentemente de política, eu concordo com isso. Porém, a maioria das pessoas politicamente à esquerda, principalmente em debates sobre meritocracia, diz que quem é rico, é por exploração do proletário, exploração das classes inferiores. Ok, sendo assim, vocês não acham incoerente uma pessoa que diz isso, ir na loja e comprar um jogo de uma gigantesca empresa de entretenimento, ou melhor, comprar um produto que estimula a desigualdade e financia o rico “explorador”?Deixando claro, acredito na meritocracia, acredito na força de vontade, aliada à escolhas certas, que qualquer pessoa pode melhorar de vida economicamente. E também defendo que essas pessoas que subiram na pirâmide possam deixar sua herança, o que é um direito. Conservar o que ganhou por herança do ascendente, na maioria das vezes, envolve boas escolhas e mérito.

Danilo: Meritocracia é uma coisa muito complicada. Em geral, as análises sociais não comprovam essa ideia de que com força de vontade e boas escolhas qualquer um pode subir de vida, simplesmente porque até coisas como “força de vontade” e “boas escolhas” são adquiridas, ensinadas, dependem das condições sociais em que você nasceu e cresceu. Como seres sociais, todas as nossas construções de valores são estruturadas socialmente. Pense naquele caso famoso, da menina Beth, que virou um breve documentário: um bebê abandonado, abusado sexualmente, sem qualquer tipo de estrutura, sem nenhum tipo de educação ou estímulo, vai aprender onde a ter “força de vontade”, amor, empatia, fazer boas escolhas? Faz todo sentido que tudo que ela deseje é causar o sofrimento que ela recebeu, e que é a única interação social que ela conhece. A psicologia já entende que seus traumas, as violências que você sofre, definem como você consegue lidar com conceitos e valores. Em estruturas diferentes, com violências distintas, nós não temos as mesmas oportunidades. Isso tudo sem falar que há um certo grau de aleatoriedade: algumas pessoas conseguem uma oportunidade porque estavam no lugar certo na hora certa, enquanto outros não terão oportunidade de melhorar suas vidas. Aquilo que se chama de “capital social” é muito importante: as pessoas que você conhece, de que classe social elas são, quem está disposto a te ajudar, oferecer auxílio, oportunidades, educação. Se você nasceu numa família com mais posses, seus conhecidos criam uma série de auxílios e estruturas – você conhecerá pessoas que se darão melhor na vida, que te oferecerão contatos, apoio, emprego, etc – que pessoas nascidas por acaso em outras situações nunca terão. Já vi gente que nunca estudou e herdou negócio do pai e vive em situação excelente, e gente que rachou de estudar em situações adversas e simplesmente teve que abandonar tudo por um emprego merda porque precisava de um trocado para pagar as contas da família, impedindo qualquer avanço econômico. Agora, sobre o dinheiro vir da exploração, isso é uma questão ainda mais complexa, e tem a ver com o fato de que faz parte da lógica capitalista construir os meios de produção para que outros trabalhem neles por você. Isso não quer dizer que devemos abrir mão do consumo, ou da mercadoria, mas apenas ter consciência de que a mercadoria – construída pelo trabalhador – gera um dinheiro que nunca volta para a mão do próprio trabalhador; ou ainda mais bizarro: o trabalhador sequer tem o dinheiro para comprar aquilo que ele mesmo produz todos os dias numa fábrica, o que é obviamente um fenômeno relativamente recente, se pensarmos que antigamente o sapateiro, ou o marceneiro, tem imediatamente para si o fruto de seu próprio trabalho.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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