Não para nós

O All-Star permite retomar velhos amores

O fim de semana do All-Star já terminou e a temporada acaba de voltar ao normal. Tivemos mais uma rodada de jogos, trocentos times enfrentando outros trocentos times, aquela bagunça assustadora para os novatos ou os que não podem acompanhar a NBA tão de perto (e nem ler nossos resumos das rodadas). Como o Denis abordou em seu post sobre o Jogo das Estrelas, o All-Star é um filtro fantástico para os fãs casuais conhecerem os jogadores mais importantes e suas respectivas famas – quem é bonzinho, quem é o vilão, quem é decisivo, quem amarela. Na temporada regular é mais difícil, com tantos jogos acontecendo e tantos jogadores envolvidos, conhecer os principais protagonistas e colocar à prova se suas famas são verdadeiras, então filtros como o All-Star são muito apreciados pelos fãs em geral. No ano passado, escrevi um post sobre isso levando para fora do esporte, explicando como usamos filtros para nos localizar nesse mundo cercado por informação excessiva, e que o ódio é um filtro poderoso: aprendemos que temos que odiar “Restart” e “Justin Bieber” e aí podemos cortá-los das nossas vidas, nos dedicar ao resto e não nos sentir culpados de não estar dando atenção a tudo o tempo todo. Odiar o LeBron significa que não preciso mais acompanhá-lo a fundo. Decidir que o Kobe nunca vai ser melhor que o Jordan faz com que, tendo visto o Jordan, eu já me sinta aliviado de “ter visto o melhor de todos os tempos jogar”. Estou filtrando o Kobe da minha vida para não me sentir oprimido o tempo inteiro.

Repito sempre que o ódio é um filtro perigoso e que acaba arrancando da nossa vida coisas inesperadas que podem ser incríveis. Há muita coisa legal para ser encontrada no modo de jogar de Kobe e LeBron – e também no modo de jogar de caras mais inexpressivos, de Kevin Martin a Alonzo Gee, e que acabam sendo filtrados caso deixemos que a discussão fique apenas no “quem é melhor”. O basquete oferece muito mais do que isso o tempo inteiro, e se não nos desesperarmos com o excesso de informação, de jogos, de jogadores e de anos de história, o prêmio é recompensador: simplesmente a capacidade de apreciar, em plena felicidade, toda a grandeza do esporte independente da época, do time ou da “marra” de um jogador. É o que tantamos, aos trancos e barrancos, fazer no Bola Presa.

Se retomo isso nesse momento é basicamente porque existe algo no esporte, presente em abundância no All-Star Game, que acaba sendo filtrada pelo ódio a esse jogo festivo e quase nunca chega aos nossos olhos. Trata-se do fato de que o esporte não é apenas um trabalho, ele não é como estagiar no escritório ou ser caixa de banco, ele é algo que inicialmente se faz sem relação com o mundo exterior. Fazemos por prazer, por diversão, por paixão, por expressão. Afinal, a imensa maioria dos praticantes de esporte do planeta não ganha um centavo para isso. Jogar é, na imensa maioria das vezes, apenas isso: jogar. O fato de que os jogadores da NBA ganham fortunas bilionárias não muda esse fato.

Ou seja: ao não olhar com carinho o All-Star Game, às vezes acabamos perdendo o fato de que ele não é necessariamente um espetáculo montado para nós, é também um espetáculo montado para eles, os jogadores. Uma oportunidade para que os melhores praticantes de algo que amam fazer possam se reunir e exercer essa prática juntos sem nenhuma obrigação de vencer. Podem, finalmente, se divertir com outras pessoas tão boas quanto eles. Ou você acha que o Chris Paul não acha genial poder mandar uma ponte-aérea para o Kobe só pra variar?

É claro que no esporte é preciso ter algum grau de competição para que a partida seja divertida. Quando jogamos uma pelada na rua o jogo não vale nada, mas tentamos manter a partida o mais competitiva possível para que todos se divirtam. No All-Star é a mesma coisa (teve até

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nariz quebrado do Kobe, em falta do Wade, pra manter o jogo apertado no final), mas a diversão está em primeiro lugar. E não se trata da nossa diversão, mas da deles. Para quem não acredita, vale a pena assistir ao fantástico vídeo abaixo com alguns bastidores da partida de domingo:

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São inúmeros momentos no vídeo de jogadores apenas felizes de estarem entre outros jogadores de mesmo nível. Tem o Nash pegando a assinatura do Bynum numa camiseta, colecionando autógrafos de seus colegas, e de repente é interrompido para autografar o tênis de outro jogador que está fazendo a mesma coisa. Tem o Wade e o Dwight Howard achando muito engraçado jogar basquete no aquecimento usando uma bolinha minúscula daquelas que o Denis tem no quarto dele. Scott Brooks, técnico do Oeste, deixa bem claro qual o espírito do jogo gritando antes da partida para que seus jogadores “se divirtam na quadra”. Dwight e Bynum fazem exatamente isso e se divertem pra burro apenas na expectativa pelo tapinha inicial. Carmelo Anthony depois tenta uma infiltração, acaba sendo atrapalhado sem querer pelo Dwight, e sai zoando o pivô avisando que “estão no mesmo time”. Dwight fica provocando o Kobe quando se encontram no mano-a-mano, e o Kobe acha muito engraçado ter partido pra cima do pivô e sofrido uma falta. E tem Dwight o tempo inteiro: a cara dele quando o Blake Griffin mete uma bola de três no fim do primeiro tempo (quebrando, aliás, o recorde de pontos para uma primeira metade na história do confronto) é simplesmente impagável.

No segundo tempo tem mais: LeBron fica em quadra pedindo defesa dos seus companheiros, pra manter o jogo competitivo (e, com isso, divertido). Wade fica na lateral da quadra apenas batendo um papo sobre quem ele acha que vai ser MVP, se será Durant ou o Kobe, como faríamos com nossos amigos. Carmelo vibra com orgulho das bolas de três pontos do LeBron – vale lembrar que os dois são amigos de longa, longa data, antes mesmo da NBA, e que adoram a chance de jogar juntos. E tem mais: que tal dar uma olhada agora na gravação das conversas dos jogadores durante a partida?

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=X4EuN7xpt2o[/youtube]

Quão legal é o Chris Paul confessando que demorou para se acostumar com o fato de que o Blake Griffin não quer passes logo acima do aro, onde são fáceis de enterrar, mas sim longe do aro onde viram “melhores momentos”? E pra fechar com chave de ouro: que tal o Iguodala nerd-de-basquete conversando com o Luol Deng sobre a mecânica de arremesso dos outros jogadores? Afinal, onde mais o Iguodala poderia perguntar para outras estrelas se elas olham para a bola ou para o aro depois do arremesso? (Segundo ele, Durant e Nowitzki olham para a bola e isso é muito esquisito). É o equivalente de uma convenção de fãs Star Trek em que é possível falar sobre sua maior paixão sem vergonha, a única diferença é que na NBA eles não são virgens.

Os jogadores ficam com suas equipes por 82 jogos por temporada, a chance de jogar com outros jogadores (especialmente se forem estrelas como eles, e ser convidado para o jogo ainda envolver reconhecimento pelas suas habilidades) é um prêmio precioso. A gente resmunga, reclama, corneta, chama de amarelão, diz que o jogo é inútil e não serve pra nada, mas – surpresa! – o basquete em si também não serve pra nada. Se acompanhamos por diversão, tenho certeza de que alguns podem compreender que os jogadores também merecem espaço para a diversão. Não, o All-Star Game não deveria valer mando de quadra nos playoffs, nem prêmio em dinheiro, nem grana pra caridade (aliás, me ofende que gente tão endinheirada mande dinheiro pra caridade só se ganhar alguma disputa). O All-Star é uma chance rara e merecida de diversão que os jogadores evidentemente agarram com unhas e dentes. Menos o Derrick Rose. Menos o Derrick Rose.

Hora de fazer a fama

Dwight Howard sempre vai ser o palhaço da última fileira

 

O All-Star Game da NBA é o que mais recebe atenção da mídia entre todos os jogos festivos dos esportes americanos. No Futebol Americano a imprensa deita e rola no Superbowl, no beisebol é na World Series, mas no basquete todos se reúnem para o All-Star Weekend. Não sei bem se é porque a NBA é boa em organizar um baita show para esse fim de semana, se é porque no basquete um jogo de espetáculo é bem mais atrativo do que em outros esportes ou simplesmente porque nesse esporte existe mais atenção, pelo menos nos EUA, para o individualismo do que para as grandes equipes. Provavelmente um pouco disso tudo. E não é só nos EUA, diga-se de passagem, quando se trata de basquete estamos sempre comentando e relembrando dos grandes jogadores, muito mais do que dos grandes times. Até no dia-a-dia da temporada regular, somos capazes de trocar um jogo do Sixers ou do Spurs só pra ver os passes lindos do Ricky Rubio no Wolves, time que nem deve ir aos playoffs.

E se isso vale para nós, blogueiros e leitores do Bola Presa, bitolados em basquete que acompanhamos todas as rodadas e somos fanáticos por basquete e pela NBA, o que dizer dos chamados “fãs casuais”, aqueles que assistem basquete bem de vez em quando? Alguns só nos playoffs e, claro, no All-Star Game? Eles só conhecem as estrelas mesmo, talvez nem saibam em que times cada uma delas jogam. Por isso o All-Star Game é pico de audiência mundial da NBA e importantíssimo para definir a imagem que muitos jogadores carregaram nas costas por um bom tempo. Se você for um imbecil só uma vez no ano, mas for no jogo das estrelas, é assim que todos irão te enxergar no grande universo dos fãs casuais.

Porque para a fama e imagem de um jogador para o grande público, não importa tanto o que ele faz regularmente, mas o que faz na hora certa. Faz alguns anos, por exemplo, que LeBron James lidera, ou pelo menos está entre os 5 primeiros, de pontuação e eficiência nos últimos 5 minutos de partidas em quenenhum time lidera por mais de 5 pontos. Ou seja, faz anos que LeBron é um dos caras mais decisivos da NBA. Porém, se ele faz isso durante toda a temporada regular, mas falha em um jogo importante transmitido na ESPN para o mundo todo e logo depois erra mais uma vez em uma série de playoff, toda a estatística acumulada vai para o lixo. Pode-se dizer o contrário de Kobe Bryant, e daí que seu aproveitamento de arremessos não é dos melhores, ele foi decisivo, preciso e importante em 3 playoffs seguidos, quando chegou nas finais 3 vezes e venceu 2 títulos. É o que todo mundo viu, é o que ficou guardado.

E o que tudo isso tem a ver com o All-Star Game? Bom, todo mundo estava vendo, poderia ser o momento de mudar ou de confirmar estereótipos. Mas nesse ano foi a vez de se confirmar todos os rótulos que os jogadores tinham. Todos. LeBron James foi surreal, absurdo, o melhor em quadra e imparável, mas nas últimas posses de bola resolveu passar a redonda ao invés de arremessar. Pior, errou um dos passes e os outros não terminaram em cesta. Depois de ser o melhor em quadra em um jogo com os melhores do mundo, só se comenta da “amarelada” de LeBron. “Por que ele não arremessou?”, questionam os mesmos que criticam Kobe por querer arremessar tudo.

Kobe Bryant manteve a imagem do fominha marrento. Precisava de poucos pontos para passar o recorde de Michael Jordan de mais pontos em All-Star Games e o fez com certa facilidade. Mas, claro, sem escapar do alvo de críticos que sempre acham que ele arremessa quando deveria passar. Até críticas por ele não ter entrosamento com Andrew Bynum eu li. Não importa que Bynum jogou só 6 minutos e recebeu uma ponte aérea de Kobe, que ele não finalizou por pura desatenção. Kobe Bryant mantém a imagem de macho alfa da NBA, de líder, recebeu a bola nos minutos finais, mas nunca é bom o bastante. Seu companheiro Bynum jogou só os 6 minutos porque durante o fim de semana estava fazendo tratamento no seu sempre bichado joelho. E isso mantém outro rótulo bem intacto: Bynum é bom, mas nunca será 100% saudável.

Outras imagens foram reforçadas: Kevin Durant, MVP da partida e cestinha (empatado com LeBron) com 36 pontos, é a nova cara da NBA, provável MVP da temporada inteira se seu Oklahoma City Thunder se mantiver em primeiro no Oeste. Derrick Rose é o novo Tim Duncan da liga, não sorri, não participa das dancinhas pré-jogo, não vê graça no All-Star Game porque o jogo não vale nada. Competidor, vencedor e sério. Por outro lado, Dwight Howard é o oposto. Brinca o tempo todo, sorri, aceita ser zoado pela galera, tenta bolas de 3 pontos e tá tudo certo. Muitos acham que falta mais seriedade de Howard para ser mais decisivo na NBA, que ontem era dia de jogar sério e ser MVP já que o jogo era em Orlando. Se Magic Johnson ganha dando gargalhada na quadra tá beleza, se perde é porque falta seriedade. Ainda morro de desgosto com opiniões de resultado.

Muito desses rótulos tem um fundo de verdade, não foram invenções tiradas do acaso, mas simplificam muito assuntos mais complexos que isso. Mas não tem jeito, quem não vê a NBA de perto gosta dos rótulos para entender o que está acontecendo e assim até passar a se interessar. LeBron é do mal? Durant é do bem? Nash é vovô engraçado? Ótimo. Para a NBA foi ótimo que os rótulos foram feitos, agora todo mundo pode acompanhar a NBA de perto e saber o que esperar. Agora é certeza que esses caras vão ter que ralar muito para provar o contrário. Se é que eles querem provar o contrário.

Abaixo jogadas da partida de ontem em câmera lenta, que eu amo de paixão. Só a enterrada do Russell Westbrook que não dá pra ser em câmera lenta porque ele é uma aberração da natureza.

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Para falar de Lin, não da Linsanity
Mais famoso que John Lennon, que era mais famoso que Jesus Cristo, que…

A imprensa, ou a mídia em geral, sabe como destruir um assunto interessante. Ela faz isso o tempo inteiro, aliás. Se uma música faz sucesso, tocam até ela se tornar a que você mais odeia na vida. Se alguém faz algo de interessante, tudo o que essa pessoa faz vira notícia, até se cutuca o nariz ou almoça salada com frango. Pensando nisso hesitei muito em começar esse post sobre o Jeremy Lin, que acaba de aparecer pela segunda semana seguida na capa da revista Sports Illustrated, a mais importante sobre esportes nos EUA. Ele também já foi capa da TIME e aqui no Brasil até na Globo já apareceu. Outro dia até vi uma notícia rápida sobre ele naquela TV Minuto que fica passando manchetes dentro do Metrô de São Paulo. Sobre LeBron James ou Kobe Bryant não lembro de ter visto nada.

Essa atenção exagerada quase me fez desistir de falar sobre Linsanity. Ou melhor, me fez desistir sim, ao invés de falar sobre a Linsanity, vou falar apenas sobre Jeremy Lin. Nade de fanatismo, histórias curiosas, o passado diferente da maioria dos jogadores ou tudo o que eu sei que vocês já leram. É hora de uma análise basquetebolística: Por que esse novo armador fez o New York Knicks voltar a vencer? Continuará a dar certo?

Antes vamos entender por que estava dando errado. Para isso ajuda ler esse post que fiz um tempo atrás, falando de Knicks e Lakers. Nele tento deixar claro que por mais que se tente colocar a culpa das falhas do Knicks no técnico Mike D’Antoni, não acho que ele seja de todo mal. É limitado, não sabe se adaptar aos diferentes tipos de elenco, mas o contrataram sabendo disso e não deram pra ele o que precisava. Pelo contrário, parece que deram o oposto. Talvez não haja na NBA jogador que menos combine com D’Antoni do que Carmelo Anthony.

O famoso “7 seconds or less” que D’Antoni usou no Phoenix Suns não existe no Knicks, mas alguns dos princípios são parecidos. Entre eles o de fazer muitos bloqueios para quem controla e bola e o desejo de espaçamento da quadra, evitando aglomeração no garrafão e obrigando a defesa a abrir para cobrir todos os arremessadores do time. Não podemos esquecer do detalhe de que esses arremessadores não podem ficar em qualquer lugar, uma das bolas mais mortais daquele Suns eram as da zona morta. De Joe Johnson até Leandrinho, passando por Raja Bell, muitos se consagraram com o chute lá do cantinho. Ela obriga a defesa a abrir mais que o normal, dando espaço para a infiltração ou liberando o arremesso em caso de ajuda. Isso não é nem exclusividade de D’Antoni, é um princípio básico de qualquer esquema baseado em abrir espaço na quadra. O Spurs usou muito isso com Bruce Bowen, era o cara que sobrava sempre que dobravam a marcação sobre Tim Duncan.

E o que tudo isso tem a ver com Carmelo Anthony? Um olheiro da NBA entrevistado pelo Eye on Basketball lembra bem que o lugar onde Carmelo mais gosta de atuar é o menos indicado para espaçar a quadra. É na diagonal da cesta, não muito perto do garrafão e nem na linha dos 3 pontos, mas no meio termo. Não tem espaço para o pivô receber a bola e embola o arremessador da zona morta. Sem Melo, contra o Mavs, o Knicks acertou 5 bolas de 3 pontos da zona morta e errou 3, contra o Nets, com o time completo, foram 3 erros e só um acerto.

Mas não que Melo seja burro ou se posicione mal, é uma posição mortal e perfeita para as jogadas de isolação. Carmelo pode jogar de costas pra cesta, de frente, driblar, arremessar na cara, infiltrar para os dois lados e até dar um step back e chutar de 3 pontos. Nesse ponto da quadra ele vira imprevisível e perigoso.

O problema é que o Knicks não queria isso, queria outras jogadas, queria os bloqueios para poder envolver Amar’e Stoudemire e Tyson Chandler no jogo. E aí vinham outros problemas: Se Amar’e virar o homem do bloqueio no pick-and-roll, onde fica Chandler? Embolando o garrafão para impedir Stoudemire de infiltrar? Ou longe da cesta, onde é inútil? A solução foi fazer a maior parte dos bloqueios com Chandler e deixar Amar’e no chamado “weak side” da quadra, no lado oposto dos bloqueios, esperando o colapso da defesa para receber a bola. Ou seja: Carmelo e Amar’e faziam coisas que não eram suas melhores armas só para se encaixar no esquema. Lógico que estava dando errado.

Aí chegou Jeremy Lin. Pouco depois Carmelo Anthony se machucou e Amar’e Stoudemire se afastou devido ao falecimento de seu irmão. Isso fez com que D’Antoni pudesse acabar com todas as improvisações, era só seu armador comandar o show, o pivô fazer os bloqueios e os outros jogadores se posicionarem bem abertos na quadra, com eventuais cortes em direção à cesta. Com isso Landry Fields, que tem ótimo senso de posicionamento, começou a pontuar mais, Tyson Chandler passou a receber um bom passe atrás do outro embaixo da cesta e Steve Novak passou a ser arma mortal dos 3 pontos. Até Iman Shumpert se beneficiou mesmo indo para o banco, ao invés de causar impressão ruim por más decisões tomadas com a bola passou a chamar a atenção pela excelente defesa.

Nas palavras do próprio D’Antoni, o segredo do sucesso de Lin no time é simples: “Ele pensa como armador e joga como armador”. A defesa do Knicks, por mais estranho que isso seja se levarmos em consideração os últimos anos, já estava bem, bastou o ataque se organizar que tudo passou a fluir com eficiência assustadora. Some isso à confiança absurda de Lin, a forma com que o time abraçou a Linsanity de maneira positiva e temos um caso de sucesso.

Tem outras coisas interessantes nesse êxito do Jeremy Lin. Todo time que tem sucesso nesse tal espaçamento da quadra tem que ter uma ameaça no garrafão. É assim com o Magic e Dwight Howard, era assim com todo time que o Shaquille O’Neal jogou, foram assim os bons times do Spurs com Tim Duncan. Mas o Phoenix Suns que matava todo mundo de 3 pontos não era assim por causa de Amar’e Stoudemire, tanto que manteve sucesso mesmo quando ele se machucou e usaram o Boris Diaw de pivô, a grande ameaça ao garrafão adversário era o Steve Nash. A capacidade do Nash de usar múltiplos bloqueios e manter o drible vivo obrigava os adversários a sempre mandar ajuda para cobri-lo. Ele é bom arremessador, tem boa bandeja com qualquer uma das mãos e forçava o outro time a correr pra cima dele, aí era só distribuir os passes e os arremessos caíam.

Nesse Knicks agora acontece a mesma coisa. Amar’e Stoudemire não era ameaça porque jogava longe da bola, Chandler não é grande jogador ofensivo e Carmelo Anthony tem jogo baseado na meia distância. Nesse novo time Jeremy Lin passou a ser o homem do garrafão, suas impressionantes infiltrações não estão conseguindo ser paradas por ninguém. Por mais que não pareça, ele tem muita força e é capaz de finalizar mesmo sofrendo marcação bem pesada fisicamente. Entre todos os armadores da NBA, ele é o 5º em porcentagem de seus pontos marcados no garrafão. Apenas caras como Derrick Rose e Tony Parker estão à sua frente. Basta ele passar por seu marcador que a defesa tem que se mexer e aí a máquina do D’Antoni funciona do jeito que ele sempre quis.

Agora vamos tentar dar umas respostas menos óbvias do que as lidas por aí para algumas perguntas que estão pipocando pela internet:

– Jeremy Lin vai dar certo por mais tempo ou é fogo de palha?


Tem jogadores que atuam bem por uma temporada inteira antes de cair muito de produção. Lembram do Channing Frye, que era “introcável” no seu primeiro ano no mesmo Knicks? É divertido até ficar brincando de prever o futuro às vezes, eu costumava fazer posts de Mãe Dinah sobre os novatos, mas no fundo não é mais do que uma adivinhação com só um pouquinho de base racional. Não dá pra saber no que vai dar. O próprio Jeremy Lin é uma prova de como coisas improváveis podem acontecer.

O que sabemos é que até agora ele mostrou características de jogadores que costumam dar certo na NBA: Treina bastante, tem cabeça para lidar com pressão e expectativas, boa visão de jogo e capacidade para criar o próprio arremesso. Dá pra dizer com alguma certeza que ele tem lugar na liga por um bom tempo, com que nível e responsabilidade dentro do time é melhor esperar mais tempo antes de responder.

– Não estão exagerando com o Lin? Ele comete muitos turnovers!


Até agora a média de Jeremy Lin é de 3.4 desperdícios de bola por jogo. É bastante? Sim, mas não absurdo. Russell Westbrook lidera a NBA com 4.2 turnovers por jogo, empatado com John Wall e Deron Williams. Pouco abaixo deles aparecem Kobe Bryant, Steve Nash, LeBron James e, empatado com Lin, Ricky Rubio.

Todos tem em comum o fato de serem jogadores espetaculares. O Russell Westbrook é fora de série, talentosíssimo e é sua função e característica controlar a bola durante boa parte do tempo pelo Thunder, além de tentar costurar a defesa adversária sempre que possível. Ele é ótimo nisso, mas eventualmente erra. Em alguns jogos esses erros custam mais caro, alguns podem ser bobos, mas olhando o geral vale a pena. Não é à toa que o Thunder nem cogita trocar Westbrook, pelo contrário, já ofereceu uma extensão de contrato bem grande e gorda. O mesmo vale para Kobe Bryant, volta e meia ele tem jogos com 7 ou até 10 desperdícios. Acontece. Ele é o começo, meio e fim do ataque do Lakers, tudo passa por ele em todas as situações de jogo, erros vão acontecer.

O estranho nessa história toda é o Lin ser, de repente, tão importante para o ataque do Knicks, não que cometa erros por ser tão importante. Alguns anos atrás, John Hollinger, um dos grandes especialistas em estatísticas na ESPN gringa, escreveu um texto sobre armadores jovens. Ele dizia que apesar de todo o hype em cima do OJ Mayo e de Derrick Rose, ele apostava que Westbrook seria o melhor depois de alguns anos. E dizia, “Ele tem mais turnovers que os outros dois, mas por incrível que pareça jogadores com mais erros como novatos costumam ter evolução maior nos anos seguintes”.

Curioso pelo lado estatístico dessa afirmação, o Ian Levy, do Hickory-High, foi fazer uma pesquisa com números sobre o tema. Ele encontrou dificuldades porque é algo difícil de medir. Hoje claramente Kobe protege melhor a bola do que quando era um jovem jogador, mas não necessariamente isso se reflete só no número de turnovers cometidos. De qualquer forma ele fez um levantamento com vários jogadores, comparando seus anos de novato com a média da carreira. Nenhum grande padrão se revelou exatamente como Hollinger afirmou, mas é bem claro que boa parte dos jogadores passaram a ter um número de erro por posse de bola bem menor com o passar dos anos. Em outras palavras, o óbvio: Lin erra bastante, mas não muito mais ou menos que qualquer outro armador jovem na NBA. A afirmação de Hollinger não pode ser totalmente comprovada por números, mas a história mostra que muitos armadores que começaram a carreira cometendo muitos erros não deixaram de ser grandes jogadores por isso.

O que talvez seja mais importante e que Ian também fez em seu post é descobrir que erros ele comete. Ele compara os erros de Jeremy Lin com o de outro novato que perde bastante a bola, Kyrie Irving.

Jeremy Lin é bem cuidadoso com as faltas de ataque para alguém que infiltra tanto, também erra até menos em passes que Kyrie Irving. Seu problema mesmo está no controle do drible. As infiltrações em lugares complicados, tentar manter o drible vivo mesmo dentro do garrafão, essas tem sido as maiores fontes de erros para o armador do Knicks. Nada muito preocupante, acho. Fazer isso é difícil para qualquer armador e é bem mais fácil de treinar e ganhar experiência do que o passe, esse um talento mais difícil de aprender. Daqui uns anos Irving e Lin podem muito bem serem provas vivas da teoria de Hollinger.

– Lin é previsível, bate sempre para a direita!


Essa eu ouvi bastante semana passada e acho uma bobagem sem tamanho. Só ver alguns jogos dele, ou até só os melhores momentos, para ver como ele tem capacidade e talento para cortar e infiltrar para os dois lados. Tem apenas uma preferência. Mas até aí o Tim Duncan prefere receber a bola do lado direito do garrafão, o Ginóbili gosta de cortar para a esquerda, o Ricky Rubio prefere receber o bloqueio no seu lado esquerdo, o Paul Pierce gosta de arremessar driblando para a direita, o Tyreke Evans usa e abusa do Euro-Step e por aí vai. Todo mundo tem preferências e a liga inteira sabe quais são, parar elas é que é um trabalho muito mais difícil. E até agora ninguém parou Lin.

– Tá bom, mas ele pode jogar ao lado de Carmelo Anthony?

Eu acho que pode, mas alguns ajustes devem ser feitos. O primeiro deles é que se D’Antoni é o técnico e ele só sabe montar o time de um jeito, que seja esse. O sistema está dando certo para Lin, Novak, Chandler, Jeffries, Fields e Shumpert. Todos melhoraram individualmente com ele e as vitórias apareceram. Cabe a Melo e Stoudemire se adaptarem.

Para Melo é só ele aceitar que não precisa agir como macho alfa para ser a estrela do time. Todo mundo sabe que ele é o jogador com mais talentos e recursos no elenco, mas não é por isso que ele deve controlar a bola o tempo todo e chutar mais que o resto do mundo inteiro. Carmelo é tão completo que eu acho ele um dos poucos jogadores na NBA que podem ser cestinha de um time mesmo arremessando pouco, e deveria usar isso a seu favor. Lembra na seleção americana como várias vezes o jogo acabava com show de Kobe ou LeBron e no fim das contas o cestinha do time tinha sido Carmelo Anthony? Um arremesso de 3 aqui, um contra-ataque ali, uma bola que sobrou ali e

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ele mata todas, fazia 20 pontos sem ninguém nem citar o nome dele.

Já que comparamos tanto esse Knicks ao velho Suns de D’Antoni, Melo seria o Shawn Marion: Tem pouquíssimas jogadas desenhadas pra ele mas mesmo assim faz 20 pontos por jogo. Melo nem precisa ser tão extremo, já que tem cem vezes mais recursos de ataque que Marion, mas pode usar sua versatilidade ofensiva para se movimentar com liberdade no ataque e fazer pontos de qualquer canto da quadra. Mais produtivo, veloz e eficiente do que ficar isolando ele o tempo todo.

A situação de Amar’e Stoudemire é mais delicada porque não consigo lembrar de uma vez que ele tenha jogado ao lado de um pivô e que tenha dado certo. Lembra quando ele jogou com o Shaq no Suns? Os dois reclamavam de não ter espaço, do garrafão embolado e o time nunca embalou. Amar’e não gosta de jogar de costas para a cesta, prefere se virar e bater pra dentro, para isso precisa de espaço e ninguém na cobertura de seu defensor. Com Chandler lá é o contrário que acontece. A solução de usá-lo do lado oposto do pick-and-roll é até funcional porque ele tem bom arremesso de meia distância, mas isso é função de um Udonis Haslem da vida, não de um cara caro e completo como é Stoudemire. Sei que mesmo quando não está em seus melhores dias e mesmo quando não é tão bem aproveitado, o pivô é bom o bastante para conseguir seus pontos. Acho que é um problema que pode ser resolvido ou contornado sem que o time perca muitos jogos por causa disso. Será que é ousadia demais pensar em usar Amar’e numa espécie de time reserva com Baron Davis e JR Smith, enquanto Chandler passa mais tempo com Carmelo e Lin no time titular?

Não é de surpreender que falem tão pouco do lado do basquete na história de Jeremy Lin. É simples demais. O Mike D’Antoni não sabia como contornar sua necessidade de um armador agressivo que se tornasse a ameaça ao garrafão adversário, achou um jovem que se destacou na Liga de Desenvolvimento da NBA e o contratou. Deu certo. Sem falar de nomes de faculdade ou etnia a história não parece tão boa assim, mas a revolução dentro da quadra é enorme e merece, também, toda atenção do mundo.

8 ou 80
As estatísticas bizarras de Jeremy Lin

– Jeremy Lin é o jogador que mais marcou pontos em seus primeiros 8 jogos como titular na NBA. Apenas Michael Jordan, Bernard King, Shaquille O’Neal e Brandon Jennings marcaram mais que os 200 de Lin. Em assistências, nem Magic Johnson ou Isiah Thomas conseguiram números melhores que os de Lin em seus primeiros 8 jogos como titular.

– Voltando aos turnovers. Lin foi o primeiro jogador da história a ter pelo menos 6 desperdícios de bola em 6 jogos seguidos. Se compensa, seu time venceu 5 dessas partidas.

– O Knicks marca apenas 40% de seus pontos no garrafão quando Jeremy Lin está fora da quadra, o número sobre para 47% quando ele está jogando. Outro número que sobe é o aproveitamento de arremessos: 48% com ele jogando, 41% com Lin fora da quadra.

Spurs retocado

Splitter não se assusta com as enormes narinas de JJ Hickson

Podemos ficar oficialmente com medo do San Antonio Spurs? Desde sempre eles são aquele time que você pensa mil vezes antes de deixar fora da briga pelo título, e quando você toma coragem e afirma “é um bando de velho” eles aparecem lá para encher o saco. Ano passado o time surpreendeu acabando a temporada regular em 1º lugar no Oeste, mas caíram logo de cara nos playoffs. O que esperar da versão 2012 do Spurs que atualmente está em 2º na conferência, vêm de 9 vitórias seguidas e perdeu apenas 1 jogo em casa?

No ano passado os números de ataque eram absurdos, o segundo mais eficiente de toda a NBA. Mas ver o time correndo tanto e mandando bolas de 3 na cabeça de todo mundo era não só esquisito demais como também falhou na hora H, nos playoffs. Nessa temporada algumas coisas parecem diferentes, estão com um jogo mais consistente e vencendo com coisas mais confiáveis e resistentes que bolas de 3 de Matt Bonner. Ao invés disso eles tem Tim Duncan em boa forma, Tony Parker imparável nas infiltrações e, isso é bem importante, Tiago Splitter envolvido no ataque.

Quem nos lê há algum tempo sabe que não somos nem um pouco patriotas. Tipo, nem um pouco mesmo. Não gosto mais ou menos do Leandrinho do que gosto do Anthony Morrow, por exemplo. Por isso nada de patriotada em reconhecer a importância de Tiago Splitter nesse time do Spurs. Há anos que eles estão a procura de um parceiro de garrafão para Tim Duncan, e não só não encontram como veem Duncan envelhecendo e piorando cada vez mais. O Duncan de hoje em dia não tem metade dos recursos ofensivos que tinha até 2005, por exemplo. Até um tempo atrás a vontade era ter um jogador de garrafão que pudesse liberar Duncan para jogar na posição 4, de ala de força, mas hoje isso nem importa tanto. Duncan até rende melhor de pivô mesmo e apenas precisa de outro jogador que pegue rebotes e que o deixe descansar. Com menos minutos em quadra ele tem parecido menos cansado, mais veloz e, portanto, mais decisivo. Splitter tem tido valor duplo: Joga ao lado de Duncan ou na posição dele.

A presença de Splitter também é importante porque, nas palavras de Gregg Popovich, ele tem “uma inteligência para o basquete fora do comum”. Ao saber se posicionar no pick-and-roll ele tem feito a vida de Tony Parker bem mais fácil nas infiltrações. Não que o francês não infiltre mesmo no meio de um corredor polonês, mas qualquer ajuda é bem vinda. E se aos poucos Splitter vai pegando pontinhos no ataque, na defesa ele também tem ajudado. Ele é um dos vários responsáveis pelo Spurs tomar 3 pontos a menos, em média, dentro do garrafão em comparação a temporada passada. Parece pouco, mas na média faz bastante diferença e a evolução de Splitter faz diferença nessa conta.

Contando os pontos marcados e feitos a cada 100 posses de bola, resultados parecidos em relação ao ano passado. O ataque marca 4 pontos a menos, a defesa sofre 4 pontos a menos. Como esses números se repetem em muitos times e até nas estatísticas gerais da liga, acho que podemos colocar isso na equação locaute + calendário + falta de training camp. Mas mais importante que os números totais é como o Spurs consegue ou evita esses pontos. Como citei acima, a defesa pode ter eficiência parecida no geral, mas melhorou no garrafão, justamente onde perdeu a série para o Memphis Grizzlies nos playoffs do ano passado.

No ataque alguns números ainda são bem parecidos. O time ainda marca 23% de seus pontos em bolas de 3 pontos, marca altíssima, a 5ª da liga, atrás apenas de atiradores pirados como Magic, Warriors, Nets e Clippers. Os pontos no garrafão ainda são os mesmos 42 por jogo, maior parte deles cortesia de Tony Parker, não tanto dos pivôs. Onde finalmente vemos um número que chama atenção pela mudança é nos pontos de contra-ataque. Ao invés de 15 por jogo como no ano passado, agora são só 11. O time não tem menos jogadores capazes de jogar assim, pelo contrário, mas simplesmente escolheu correr menos e tomar mais conta da bola. Não à toa o time subiu de 8º para 2º no ranking de turnovers por posse de bola, só o Sixers erra menos.

Com tantos chutadores de 3 pontos, como Gary Neal, Danny Green e mesmo Manu Ginóbili, o Popovich não tem muita opção senão usar o que tem e esperar que as bolas caiam. Mas por experiência em vencer o Suns ele sabe que somar bolas de 3 e correria já é suicídio demais, então baixou um pouco o ritmo da equipe e cortou erros. Ele Spurizou um pouco seu Spurs, pra não perder a identidade, acho. Outra coisa que mudou em relação ao ano passado é a distribuição de minutos. Na temporada passada 3 jogadores (Parker, Jefferson e Ginóbili) tinham mais de 30 minutos por jogo, com outros 5 tendo mais de 20. Nesse ano apenas Parker passa dos 30 e são 10 jogadores no total jogando pelo menos 20 minutos por jogo.

Com o time confiando em mais gente e poupando melhor seus jogadores, ao mesmo tempo que joga num ritmo menos alucinado, podemos esperar o Spurs pelo menos mais inteiro e com pernas nos playoffs, algo que pareceu faltar no ano passado. Mas a conclusão que podemos ter mesmo é que no fundo esse é o mesmo time de 2011, com alguns pequenos e pontuais ajustes. Embora isso possa soar desanimador, não é. O Spurs do ano passado teve muito azar. Pegou na pós-temporada um time que sempre o deu problemas, que estava em ótima fase e mesmo assim a série foi disputada. Todos os times venceram seus jogos em casa com exceção do Jogo 1, que o Spurs jogou sem Manu Ginóbili.

Se você pensar bem e com calma, lembrará que aquele time era sim muito bom. Apenas teve azar e alguns defeitos expostos naquela série. Mas ao invés do time entrar no desespero e querer tacar tudo para o alto, atacaram na medida do possível esses problemas. O ritmo é mais lento, o time erra menos, chuta duas bolas de 3 a menos por jogo (embora a porcentagem de pontos vindos desse tipo de chute seja a mesma, como vimos) e Tiago Splitter tem sido trabalhado para melhorar a defesa de garrafão. Somente na hora do vamos ver, de novo, saberemos se foi o bastante. Mas fizeram o possível e são o time em melhor forma na NBA no momento. Quer dizer, não que isso importe para eles, segundo o Richard Jefferson: “Em San Antonio sequências de vitórias não significam nada. Popovich ainda quer que a gente melhore e vai estar muito bravo a cada pedido de tempo”.