League Pass

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League Pass, o Cálice Sagrado do basquete

Na temporada passada, nossa segunda utilizando o League Pass diariamente, escrevemos uma resenha sobre seu funcionamento. Para quem não conhece, o League Pass é um serviço por assinatura que permite assistir pela internet a todos os jogos da temporada da NBA. Nem precisa dizer que achamos o serviço fantástico, mas na temporada passada existiam várias versões do produto (uma mais simples e uma mais cara, e cada uma delas com ou sem playoffs) e foi necessário explicar as diferenças dos pacotes. Agora, para desespero de alguns que queriam pagar mais barato, os pacotes foram unificados – há apenas a opção nova de assistir aos jogos de apenas um time, se você quiser. Vamos explicar então exatamente como esse pacote fodão disponível funciona, quais são as vantagens e os valores, pra todo mundo assinar e ser feliz para sempre. Ao fim do post, ensinamos também a assinar o serviço gratuitamente até o dia 9 de janeiro, para testar e ficar com água na boca.

League Pass (completo)
Preço: 160 dólares (300 reais)
Preço parcelado: 5 vezes sem juros de 32 dólares (60 reais)

Pagando esse valor uma única vez (ou parcelado em 5 vezes), você tem acesso a todos os jogos dessa temporada da NBA, ao All-Star Game e aos playoffs inteiros. Mas quando queremos dizer que você tem acesso a todos os jogos, queremos dizer todos os jogos mesmo. Isso porque o League Pass é uma fantástica ferramenta mística capaz de moldar o espaço-tempo. Todos os jogos ficam disponíveis para serem vistos quando você quiser a partir do segundo em que começam. Então se você passou uma semana sem poder acompanhar a NBA e quer ver um jogo que aconteceu semana passada, pode assistir normalmente. Mês passado? Tranquilo. Mas o mais legal é que se você chegar 15 minutos atrasado para um jogo que queria ver, pode acompanhá-lo do começo! Fiz isso centenas de vezes na temporada passada, chegava em casa com jogos já começados, assistia do começo mas avançava o jogo na hora dos intervalos para cortá-los, alcançando rapidamente a transmissão ao vivo. Mas e se você chegou atrasado e está vendo um jogo do começo, mas aí vê no nosso Twitter que o final está emocionante e você quer acompanhar esse final ao vivo? Basta apertar um botão (“Live”) e o League Pass te coloca a transmissão ao vivo. Se quiser voltar para o ponto no passado em que você assistia, basta arrastar uma barra de tempo (daquelas que estamos acostumados em vídeos do YouTube) para o ponto em que você quiser.

Aliás, essa barra de tempo abaixo do jogo é um espetáculo à parte. Nela é possível ver pequenos ícones indicando todos os eventos que aconteceram na partida: assistências, enterradas, cestas de 3 pontos, rebotes, etc, tudo com o rosto do jogador que efetuou o lance. Quer ver apenas as enterradas do Blake Griffin em um jogo antigo? Basta abrir o jogo, escolher para ver apenas as enterradas do Clippers num menu, e aí passar o mouse pela barra de tempo esperando a cara do Blake Griffin aparecer. Ao clicar nela, o League Pass te manda para aquele lance imediatamente.

O League Pass é a ferramente de liberdade absoluta. Para nós, que sofremos com o fuso-horário, pode ser meio complicado ficar acordado a madrugada inteira esperando um jogo começar, ou então ter que correr para casa porque algum jogo vai começar mais cedo. Mas agora é possível ver o jogo que você quiser na hora que você quiser, sem problemas. Existem opções no próprio League Pass para que você acompanhe com o jogo que assiste as estatísticas da partida, o boxscore, e a barra de tempo que indica tudo que aconteceu no jogo até então. Mas se você está vendo um jogo velho e não quer nenhum tipo de informação que te dede o resultado, basta desligar a barra temporal e não utilizar as estatísticas. Você estará livre para ver o jogo que quiser, quando quiser, e fingir que está vendo ao vivo sem saber quem ganhou.

Para quem não conseguiu ver algum jogo que queria mas não tem tempo de vê-lo inteiro, é possível usar a barra temporal para pular pedaços que você não quer, usar o botão de “avançar” (que avança 10 segundos o jogo) para cortar lances livres, pular os intervalos comerciais e toda a enrolação de uma partida comum. Se mesmo assim você não tiver tempo, o League Pass te oferece um resumo de cerca de 5 minutos de cada jogo acontecido no dia anterior. Na temporada passada esse resumo às vezes era ótimo e às vezes parecia ter sido feito por um computador, escolhendo como melhores momentos erros de contra-ataque, tempos técnicos e cobranças de lateral, mas quando funciona é uma bela ajuda para quem tem pouco tempo.

E para quem não está interessado em moldar o tempo, assistindo aos jogos quando bem entender, é possível moldar o espaço: o League Pass deixa você estar em até quatro lugares ao mesmo tempo. Vendo jogos ao vivo, isso é espetacular. Numa barra no alto da tela, é possível ver os placares de todos os jogos que estão acontecendo em tempo real. Algum jogo interessou? Basta clicar no placar e arrastá-lo para a área em que você assiste aos jogos, e ele começa a passar imediatamente. Mas é possível fazer isso com até 4 jogos ao mesmo tempo! Muita gente diz que não consegue ver 4 partidas ao mesmo tempo, que isso é ridículo e que não serve pra nada, que é frescura. Mas funciona diferente do que se pensa: você pode escolher um dos 4 jogos para ser o “principal”, você vai ouvir o som dele e pode com um clique pedir para que ele tome a tela inteira. Mas assim que esse jogo for para o intervalo, você pode espiar os outros 3 jogos na sua tela para ver se algo interessante acontece em algum deles, e aí basta um clique para que esse jogo passe a ser o principal. Mas você continua acompanhando com o canto do olho o jogo mais importante para ver quando exatamente ele volta do comercial. Para quem é fã de NBA, isso permite que você assista a todos os finais disputados de partidas – não ao mesmo tempo, claro, mas poder ver 4 jogos ao mesmo tempo é o que te permite ficar de olho em qual jogo está ficando disputado para que você escolha ele como principal e veja em tela cheia se quiser.

Para acompanhar ao vivo, é perfeito porque você tem à disposição estatísticas, boxscore, os placares de todos os jogos, pode voltar o jogo para rever algum lance legal, e pode ver 4 jogos ao mesmo tempo para ter certeza de acompanhar como jogo principal aquele que estiver mais interessante. Para quem não vai ver jogos ao vivo, é perfeito porque você pode ver os jogos quando quiser, fica livre de ter que seguir os horários do mundo e corta os pedaços de jogo que não interessam. E para quem se dedica à NBA, tem blog, quer analisar os jogos, é ferramenta fundamental porque te permite encontrar os lances de algum jogador específico, pausar, tirar printscreen, e mandar o espaço-tempo à merda!

O pacote ainda permite que você assista aos jogos no seu celular ou tablet favorito através de qualquer conexão com a internet. Não sabemos ainda a qualidade do serviço, como funciona com o 3G nacional, mas assim que o Denis testar no brinquedinho modernex dele, atualizará esse post com todas as informações.


Team Pass (pacote para apenas um time)
Preço: 120 dólares (220 reais)


O pacote é idêntico ao anterior, mas você pode assistir apenas aos jogos de um time específico, à sua escolha quando assina o pacote. Esse é para quem quer ver só jogos do seu Lakers, do seu Houston, ou que é muito alternativo e quer ver apenas o Bucks. É legal para quem é muito fã e não se interessa muito pelo resto da liga, mas pelo preço vale bem mais a pena comprar a liga inteira com todos os times e se divertir com alguns jogos do Clippers só porque você merece ver o Blake Griffin enterrando!

O que é preciso para o League Pass funcionar

Hoje em dia, qualquer computador consegue rodar o League Pass numa boa, sem maiores problemas. A transmissão só depende mesmo é da qualidade da internet. Nos nossos testes, internet de 1MB já é o bastante para ver os jogos sem nenhuma travada e com qualidade superior à maioria dos links “genéricos” espalhados pela internet. Caso a velocidade da internet varie muito, ao invés do jogo travar o que acontece é a queda da qualidade da imagem, então o jogo pode ficar um pouco borrado mas você garante que terá o mínimo de travamentos possíveis. Com internet de 3MB (mesmo a minha, que é compartilhada com cerca de uma dezena de usuários), é possível assistir aos jogos quase sempre em qualidade HD, que é a máxima disponível. Quando tem mais gente usando a internet, ou estou vendo 4 jogos ao mesmo tempo, a qualidade da imagem cai um pouco mas nunca vira aqueles quadros do Monet como nos links genéricos. Um jogo de cada vez, com uma internet de 3MB ou mais só pra você, dá pra ter quase certeza de que os jogos estarão em qualidade HD – especialmente se você tiver uma televisão adequada para ligar no seu computador com um cabo HDMI, que é o que eu faço por aqui.

Como faço pra usar de graça?

O League Pass está disponível de graça do dia 25 de dezembro até o dia 9 de janeiro para quem quiser testar. Isso significa que você pode ver a lendária rodada de Natal na mamata mesmo se não puder bancar os pacotes. Como fazer? É simples, jovem padawan:

1. Clique aqui para ir para o site do League Pass.
2. Clique então na faixa vermelha no meio da tela, que berra “Free Preview”.
3. Preencha um rápido cadastro ou então use o seu cadastro antigo se você alguma vez já assinou o serviço.
4. Ganhe acesso instantâneo ao League Pass. Mesmo se você decidir comprar, o seu cartão é aceito na hora se tiver crédito (não leva nem 1 minuto) e você tem acesso imediato aos jogos que estiverem acontecendo ou já tiverem acontecido.

É tudo rápido, fácil, e mesmo que pareça caro a primeira vista (300 reais é salgado para qualquer um), lembrem-se que dá pra dividir em 5 vezes sem juros, e que vale para a temporada inteira – playoffs inclusos! É tanto basquete que você vai ter uma overdose, babar, seus olhos vão pular das órbitas e você vai acabar sofrendo um aneurisma. E quer saber? Vai ser o aneurisma mais feliz da sua vida!

Abaixo, os jogos da rodada de Natal com os horários no Brasil pra todo mundo testar o League Pass e nos dizer o que achou:

15h: Celtics e Knicks
17h30: Heat e Mavs
20h: Bulls e Lakers
23h: Magic e Thunder
1h30: Clippers e Warriors

E quem não ficar acordado até uma e meia da madrugada para ver o novo Clippers é a mulher do padre!

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Monstro de três cabeças

Antes da temporada passada começar, muito se especulava sobre como seria o Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh. A equipe parecia estar investindo todas as fichas no que podemos chamar de “modelo Celtics”: juntar três estrelas, colocar todo o foco na defesa, deixar que se virem como bem entenderem no ataque, e tapar os buracos da equipe com pivetes ou jogadores veteranos dispostos a receber salários minúsculos pela chance de ganhar um título. No caso do Celtics, a pivetada deu muito certo (Rondo, Perkins) e os vovôs continuam topando a brincadeira até hoje (Shaquille O’Neal ficou até onde deu, Jermaine O’Neal deve fazer o mesmo).

O modelo parecia perfeito para o Heat imitar, LeBron e Wade só falavam em defesa durante os primeiros treinamentos com o técnico Erik Spoelstra, o time apostou em um pirralho na armação (Mario Chalmers) e um no garrafão que só sabia defender (Joel Anthony), e os veteranos se acotovelaram pela chance de jogar: passaram pelo Heat em seu primeiro ano vovozinhos como Jerry Stackhouse, Ilgauskas, Dampier, Juwan Howard, Mike Bibby, Jamaal Magloire, Mike Miller e Eddie House (esse último, aliás, havia participado também desse modelo no Celtics). Não dava pra culpar o Heat, copiaram um modelo recentemente vencedor e, por não serem um grande mercado na NBA, aproveitaram o fato de que o Wade trouxe seus amiguinhos para finalmente se tornar um lugar interessante para jogadores veteranos. Afinal, como fica bem fácil de perceber, jogadores bons e velhos querem jogar em equipes boas, não nas franquias mais famosas.

O problema é que nenhuma cópia sai exatamente como o original, e já no primeiro mês de temporada dava pra ver os deslizes do projeto. O primeiro, e mais sério, era que a defesa simplesmente não funcionava como deveria. Contra equipes mais fracas, a defesa era sufocante e vencia o jogo sozinha como esperado, mas contra equipes dispostas a rodar a bola, atacar o garrafão, ou com pivôs um pouco mais competentes do que o normal, a defesa não conseguia acertar a rotação, cometia erros bobos, batia cabeça e acabava se frustrando, tentando tanto roubar bolas que acabava deixando jogadores completamente livres quando os roubos não aconteciam. No ataque a coisa também era bastante bagunçada e o time foi alvo de críticas, especialmente com aquele papo de que “não tem na equipe um armador de verdade pra botar ordem na casa”. Na prática, o ataque do Heat era tão organizado ou mais do que aquele do Celtics que foi campeão em 2008, justamente porque jogadores tão talentosos sempre dão um jeito de pontuar mesmo que seja na marra – por isso o foco das duas equipes sempre foi na defesa e há um desdém de ambos com relação à parte ofensiva.

Mas o técnico nerd Erik Spoelstra resolveu não deixar o ataque à deriva. Com seus bilhões de números e estatísticas, constatou que o Heat usava sempre as mesmas jogadas no ataque e que eventualmente isso seria um problema. A solução que ele propôs é um tanto videogame: sempre que o Heat tivesse sucesso na defesa, conseguindo um roubo de bola, um toco ou um rebote defensivo, o ataque poderia fazer o que bem entendesse; mas toda vez que o Heat levasse uma cesta era obrigado a seguir uma das jogadas “não-convencionais” que o Spoelstra havia desenhado para variar o ataque. A tática deu certo o bastante, afinal o Heat chegou a uma Final de NBA, mas ela tem vários problemas. Primeiro, ela assume que os problemas defensivos do Heat eram uma questão de comprometimento, não de posicionamento e entendimento da função de cada um em quadra. Depois, ela arrancou completamente pela raíz a espontaneidade do ataque da equipe. O sucesso que o Heat tinha com jogadas de velocidade ou um pick-and-roll simples era imenso, mas nos momentos de aperto cansei de ver a equipe se embananando toda tentando colocar em prática alguma movimentação do Spoelstra na linha de fundo da quadra. LeBron James passou boa parte da série contra o Mavs, na Final, acionando Chris Bosh para arremessos de média distância – em parte porque o garrafão do Mavs intimidava qualquer infiltração, é verdade, mas em parte também porque não tinha permissão para jogar na velocidade como bem entendesse. Os contra-ataques com LeBron e Wade são fulminantes, eles adoram, se divertem, fazem dancinhas, mas são muito raros numa equipe que poderia fazer isso o tempo todo se quisesse. A equipe tentou tomar para si uma identidade que não lhe correspondia. E até que simulou razoavelmente bem esse papel, uma Final de NBA não cai no colo de ninguém, mas em nenhum momento pareceu algo natural, orgânico. Os jogadores foram tirados de sua zona de conforto, do modo em que renderiam mais, e com isso tiveram dificuldades em contribuir em algumas situações.

No ano passado, escrevi sobre a diferença entre essência e aparência na hora de definir a posição de um jogador, e para isso usei uma cena do Chaves que infelizmente foi tirada do ar. Coloco um vídeo similar abaixo para retomar aquela ideia:

Tem jogador que parece de tamarindo e tem jogador que é de tamarindo, como saber a diferença? Definimos uma coisa pelo modo que ela se apresenta a nós, por como nos parece, ou há um modo de descobrir o que ela verdadeiramente é, além das aparências? Essa questão filosófica é importante para nós graças a dois jogadores: LeBron James e Chris Bosh. Ambos parecem alas: LeBron é alto, forte, gosta de infiltrar e é pontuador; Bosh é magro, fisicamente fraco, e sempre se lesionou tendo que jogar de pivô no Raptors. Na essência, naquilo que eles verdadeiramente são, embora o Bosh seja considerado um ala de força exatamente como ele aparenta (mesmo tendo jogado de pivô improvisado no Raptors por toda a carreira), considero LeBron um armador puro (como jogava no colegial, e assim que entrou na NBA) e não um ala como insistem para que ele seja.

LeBron foi o armador principal do Heat na maior parte da temporada, com Mario Chalmers ou Mike Bibby em quadra apenas para marcar o armador adversário na hora de defender, e para arremessarem de três pontos na hora do ataque tendo em vista a falta de arremessadores que o Heat tem (e a inconsistência de LeBron e Wade na função). Armando, LeBron teve alguns problemas para manter o esquema semi-rígido do técnico Spoelstra, muitas vezes tendo que se conter ou se limitar no ataque para cumprir as jogadas estabelecidas. Por outro lado, LeBron simplesmente desapareceu nos momentos em que a armação foi passada para outra pessoa e teve que jogar de ala. Quando LeBron e Wade revezaram a armação, com um fazendo corta-luz para o outro na cabeça do garrafão, foi tudo fantástico, mas com LeBron isolado no perímetro o negócio desandou. Está na hora de admitirmos que LeBron é o armador dessa equipe – talvez até deixando que ele finalmente marque o armador adversário, agora que Shane Battier pode garantir a marcação na ala – e que está tudo bem ele assumir essa função. Como comentamos anteriormente, grande parte dos problemas do Heat na temporada passada foram tentar ser um time que eles não eram.

O caso do Bosh, no entanto, é mais complicado. Depois de uma vida inteira como pivô improvisado (e de uma franquia que se destruiu tentando conseguir pivôs melhores para deixar que sua estrela fosse para a ala, onde queria), finalmente Bosh conseguiu jogar como ala de força no Miami Heat. Em geral o pivô foi Joel Anthony, que todo mundo adora dizer quão ruim é mas que na verdade está no topo da NBA naquelas estatísticas difíceis de contabilizar e que ninguém dá a mínima, como sucesso no corta-luz, proteção nos rebotes (box-out), faltas de ataque sofridas, etc. Bosh conseguiu então realizar seu sonho e jogar longe da cesta, marcar jogadores mais fracos e usar mais seu arremesso – e foi um fracasso. O arremesso do Bosh é ótimo, mas não tão bom quanto seus movimentos embaixo da cesta; sua velocidade na defesa não fica tão evidente contra jogadores mais ágeis e que jogam mais fora do garrafão; sua capacidade de bater para dentro do garrafão no ataque fica diminuída enfrentando alas, mais capazes de acompanhar sua velocidade. Descobrimos que o Bosh só era genial (e sim, ele foi absurdamente genial nos seus tempos de Raptors) porque era rápido, leve, ágil e inteligente contra pivôs grandões e descoordenados.

A parte legal é que o Bosh percebeu tudo isso. Recentemente alegou que ter arremessado abaixo de 50% (teve 49% de aproveitamento na última temporada) e ter conseguido menos de 10 rebotes (foram 8) é algo inaceitável para ele, que ele tentou fugir de ser pivô e que isso sempre volta e pega ele de algum jeito, então que para essa temporada resolveu fazer diferente: adicionou 5 quilos de massa muscular durante a greve e está decidido a ser o pivô da equipe sempre que necessário. Isso é ótimo porque Udonis Haslem volta da contusão que lhe tirou quase toda a temporada passada, e os dois tem tudo para serem muito melhores juntos do que qualquer outra dupla de garrafão do Heat.

No caso do ataque pouco orgânico do Heat e do LeBron contido na armação, Spoelstra também percebeu o problema e oficialmente tirou as amarras. Não haverá mais jogadas chamadas pelo técnico, eles não terão a obrigação de fazer jogadas específicas caso sofram cestas, não terão que evitar as jogadas mais eficientes apenas para “não usá-las demais”. Bosh, Wade e LeBron deram entrevistas dizendo que o ataque será livre, que seguirão o ritmo natural do jogo e usarão a experiência e a inteligência que possuem para fazer o que acharem melhor. Claro que com o foco na defesa, agora com mais tempo para que ela bata menos cabeça. É o “modelo Celtics”, agora livre e solto, com permissão para correr a quadra e jogar no contra-ataque como todo mundo pensou que eles fariam. E com o Bosh de pivô se precisar, enfim.

E como o “modelo Celtics” não está completo sem veteranos topando a brincadeira, vamos seguir nossa análise das contratações da offseason e dar uma olhada em como os recém-contratados se encaixarão no Heat:

Mario Chalmers
Miami Heat – 12 milhões por 3 anos

Volta para o Heat o armador que não precisa quase nunca armar o jogo, mas cujo arremesso de três é muitas vezes o desafogo da equipe. Com LeBron e Wade sendo tão bons na infiltração, faltou para o time na temporada inteira uma bola consistente de três pontos para abrir espaço no garrafão. Mike Miller chegou à equipe só para isso, passou boa parte da temporada contundido e aí quando finalmente jogou, fedeu. Chalmers não é o melhor arremessador disponível, mas criou fama como o cara cheio de bagos que converte os arremessos de três nas horas mais importantes, e o Heat precisa disso. Quer dizer, é meio bizarro ter LeBron, Wade e Bosh e acabar passando a bola importante para o Chalmers, mas não deveria ser vergonha pra ninguém, o Super Mario Chalmers merece.

Shane Battier
Miami Heat – 20 milhões por 4 anos

A melhor contratação que o Heat poderia fazer na história da humanidade conhecida. Shane Battier é o cara que torna um time bom em um time fantástico, é a peça que falta em qualquer equipe que esteja às portas de ganhar um título. Assisti a ele desperdiçar seus talentos no meu Houston Rockets porque, olha que estranho, o Houston realmente achava que dava pra vencer um titulo e por isso seguraram o Battier a todo custo (aliás, ao custo do Rudy Gay, mas isso é outra história). Battier ainda é um dos melhores defensores de perímetro da NBA, é um ótimo defensor no garrafão, o melhor da liga em cavar faltas de ataque, é tão obediente taticamente que fica até chato, e ainda não compromete no ataque – tem um ganchinho confiável e uma bola de três pontos mortal na zona morta. O Heat finalmente terá uma bola da zona morta para acionar depois das infiltrações de Wade e LeBron, e nenhum dos dois terá que se matar parando a estrela adversária. Colocando Wade, LeBron e Battier em quadra (com LeBron jogando de armador, como deve ser), o perímetro fica espetacular; mas dá pra colocar o Battier de ala de força com o Bosh de pivô dependendo do adversário. Defende, joga várias posições e acerta bolas de três pontos, é tudo que o Heat precisava da vida. E o Celtics. E o Mavs. E o Lakers. E o…

James Jones
Miami Heat – 6 milhões por 3 anos

A necessidade que o Heat tem por arremessadores é enorme. LeBron e Wade nem arremessavam uns anos atrás, melhoram a cada temporada, e na última melhoraram o aproveitamento na marra, porque as defesas fecham o garrafão e deixam os dois chutarem. O problema é que com tanto espaço para o arremesso de três, faltam no Heat especialistas. O James Jones é tão especialista, mas tão especialista, que levou meses na temporada passada para fazer seu primeiro ponto dentro do garrafão. Ou seja, faz aquilo que precisa. Seria péssimo para o Heat perdê-lo, não existem muitos arremessadores disponíveis no mercado por um preço bacana, e o James Jones acabou saindo a preço de banana.

Eddy Curry
Miami Heat – 1 ano, 1 milhão

Como sabemos, o fato de que o Eddy Curry perdeu 30 quilos (trinta!) para jogar pelo Heat acabou mudando a estrutura do espaço-tempo e quase fez com que a temporada não acontecesse! O Curry já foi um jogador relevante, é muito sólido atacando embaixo da cesta, muito técnico, e muito, muito, muito gordo. Recebeu um contrato bilionário no Knicks mas nunca conseguiu ficar em forma, teve problemas pessoais bizarros (de assédio sexual a homicídio na família), foi ficando uma bola e então finalmente saiu da órbita da Terra, girando ao redor do planeta como uma lua pequena. Nos seus bons tempos era bom no ataque, ruim na defesa, e um dos piores reboteiros a já jogar basquete. O Heat tem problemas sérios com rebotes defensivos (especialmente com o Bosh jogando longe da cesta como ala de força, e com o Haslem machucado), então o Curry não acrescenta muito. Só é legal de ver um cara tentando retomar a carreira, correndo as tripas para fora, perdendo tanto peso e conseguindo um lugar numa equipe como o Heat. Na falta de gente de garrafão, terá sua chance. O problema é que não garantirá rebotes nem acompanhará a velocidade dos contra-ataques. Se estiver bem fisicamente, no entanto, é sempre uma ajuda nem que seja para fazer faltas no Dwight Howard. Vale também lembrar o quanto já zoamos o Zach Randolph por ser gordo e hoje em dia ele é tão bom reboteiro que parece ter cola nas mãos. Aliás, o Randolph também andou perdendo peso e até pegando umas ponte-aéreas nos treinos do Grizzlies. Se o Curry fizer isso também, aí já era a nossa temporada, o espaço-tempo, vai ter greve mundial dos seres humanos e a Lua vai se chocar contra a Terra.

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Quem sabe defender, dá uma risadinha

Quando Kendrick Perkins foi trocado no meio da temporada passada, tudo levava a crer que o Celtics se sairia normalmente sem ele. Perkins era um bom jogador, pivô titular da equipe, mas não era nenhum gênio – até porque paredes sólidas de tijolos não costumam ser geniais. Havia passado todo o começo da temporada fora, contundido, e o Celtics nem por um segundo pareceu sentir sua ausência. Até, claro, ele ser trocado e a equipe inteira desandar como um bolo tirado do forno antes da hora.

Fizemos trocentos posts analisando aquela troca, as mudanças táticas que a saída do Perkins causou, os remendos que o Celtics fez para tentar tapar o buraco, mas a verdade é que o real estrago não aconteceu no campo tático, mas naquele campo intangível do emocional, do simbólico, do motivacional. A “família Celtics” foi desfeita e tudo aquilo que o Perkins representava, como âncora defensiva de uma equipe que se gabava justamente de sua defesa, virou farofa. Não foi a morte do Celtics, aos poucos a equipe até encontrou outros caminhos para refazer sua identidade, mas até hoje tem torcedor da franquia querendo voltar no tempo e matar  o Danny Ainge antes dele efetuar essa troca.

O Perkins permitia um estilo de jogo, representava um estilo de jogo, que ia muito além do seu simples talento individual. Mesmo no Thunder, equipe para o qual foi trocado, nunca teve grandes atuações e não passou de um jogador discreto em quadra – mas levou uma mentalidade defensiva, uma cara de quem iria proteger seus companheiros frente a qualquer contato mais agressivo do adversário, uma postura de quem vinha de time grande e podia chamar seus companheiros para dar bronca caso perdessem um jogo por bobagem. Repito: ele não é um grande jogador, teve uma temporada bem meia-boca, mas representa bem mais do que o seu talento em quadra deda à primeira vista.

Retomei o “caso Perkins” porque ele explica muito do que está acontecendo com outro jogador: Tyson Chandler escolheu sair do Mavs, onde acabou de ser campeão, para ir jogar com Amar’e e Carmelo em New York, com um contrato de 56 milhões por 4 anos. É tanta grana, mas tanta grana, que a contratação acabou virando uma bagunça só para conseguir fazer com o que valor funcionasse. Como o Knicks não tinha espaço na folha salarial, o Chandler teve que assinar com o Mavs, que podia oferecer esse contrato gigante porque estava reassinando o jogador. Aí o Knicks usou a anistia no Billups (que, até um dia antes, seria o armador titular da equipe) e teve que se livrar do pivô Ronny Turiaf. Mas o Mavs não queria o Turiaf, então entrou em cena um daqueles times oportunistas que estão abaixo do teto salarial – no caso, o Wizards – e aceitou o Turiaf só pra troca poder acontecer, levando como brinde 3 milhões de verdinhas do Knicks além de duas escolhas de segunda rodada do draft. O Mavs, por sua vez, levou de presente uma “trade exception”, que é uma espécie de vale-compra que pode ser usado em trocas por jogadores que custam mais caro do que aqueles que você está mandando – e que na prática o Mavs usou para conseguir o Lamar Odom do Lakers, mas dessa troca a gente fala outra hora. Ou seja, Wizards e Mavs se beneficiaram nessa bagunça apenas porque o Knicks fez questão de levar pra casa o Tyson Chandler por uma quantia surreal de verdinhas. Ele deve ser genial, não é mesmo?

Não, não é. Mas o que ele tornou possível em Dallas lembra o que o Perkins simbolizava em Boston. O Mavs da última década foi um time muito focado na parte ofensiva e que sempre teve problemas na defesa, especialmente no garrafão. Quando Avery Johnson assumiu a equipe em 2006 e levou o Mavs a uma Final de NBA, o foco na defesa transformou a equipe e mostrou que, embora faltassem os talentos individuais para formar uma defesa realmente competente, sobrava vontade e dedicação tática ao elenco inteiro. Tyson Chandler foi o talento individual defensivo que tanto faltou à equipe durante anos, mas acima disso ele mostrou que o esforço defensivo coletivo da equipe seria recompensado, que esse esforço teria um motivo para existir com a presença de Chandler embaixo do aro. Aquele esforço que sabíamos que o Mavs poderia efetuar, mas que não deu em nada, parecia mais justificável quando a pressão defensiva acabava afunilando o ataque adversário em direção à envergadura imponente do Chandler no garrafão. O Mavs continuou a ser aquele time de sempre, sem grandes estrelas defensivas no perímetro, com o Jason Kidd ancião quase de cadeira de rodas não conseguindo acompanhar os armadores adversários, mas o esforço e o comprometimento que mostraram culminou em título. Vale lembrar que nos playoffs contra o Mavs, Kobe conseguiu apenas um par de bandejas durante toda a série – o Mavs sabia que a dedicação na defesa resultaria no Tyson Chandler tendo a possibilidade de parar e intimidar qualquer infiltração no garrafão.

Tyson Chandler jogou por outras equipes e mesmo deixando claro suas capacidades, nunca teve um impacto tão grande nas partidas ou no funcionamento de uma equipe. Calhou de cair numa equipe que precisava dele, exatamente daquilo que ele era capaz de entregar, de representar tudo aquilo de que o Mavs precisava, e de mudar a mentalidade defensiva de uma equipe inteira – assim como o Perkins fez no Thunder. Mesmo na parte ofensiva o Mavs era a situação perfeita para o Chandler, que fez a festa nos passes de Jason Kidd assim como fazia nos passes de Chris Paul, só tendo que pular e enterrar sem movimentações complexas de costas para a cesta que ele nunca soube executar.

Quando o Knicks monta o circo para poder oferecer 14 milhões por ano para o Tyson Chandler, não está querendo um jogador cujo talento corresponda a esse valor. Está querendo comprar a mudança de postura, a presença, a justificativa para um esforço defensivo coletivo. O técnico Mike D’Antoni sempre focou exclusivamente no ataque, Amar’e Stoudemire sequer finge tentar defender, e o Carmelo Anthony até se esforçou em alguns momentos no Knicks, mas não consegue esconder que é um defensor medíocre. A esperança é de que Chandler mude tudo isso, que ele seja a presença defensiva que tire o Knicks das 10 piores defesas da liga sem, no entanto, comprometer no ataque porque pode acompanhar o resto do elenco na correria e finalizar em transição.

O único problema é que o Knicks não é o Thunder e nem o Mavs. Tyson Chandler não foi contratado pelo seu talento individual, ele não pode ser uma força defensiva solitária na defesa e com isso ter algum impacto no time. Seria necessário comprometimento de todo o elenco, esforço, obediência tática na defesa – coisas que o Knicks, mesmo se quisesse, não conseguiria ter. Pelo menos não sem comprometer o esquema ofensivo desenhado por D’Antoni. A intenção do Knicks é compreensível, eles precisam defender melhor especialmente no garrafão, mas a situação é muito diversa daquela em que Chandler fez a diferença e em que mereceria, forçando a barra, os 14 milhões por ano. Dificilmente sua presença será tão marcante quanto foi para o Dallas, o investimento foi muito maior do que ele pode oferecer realmente à equipe, mas é uma atitude desesperada de um time consciente de que só vai chegar em algum lugar com um sistema defensivo mais elaborado.

Com a mesma intenção, o Knicks contratou o ex-técnico do Hawks, Mike Woodson, para ser o responsável pelo sistema defensivo. O Hawks de Woodson tinha uma defesa forte e gostava de partir em velocidade para o ataque, então deve casar bem com aquilo que o Knicks pretende fazer. Jared Jeffries também assinou novamente com a equipe para manter seu papel de único defensor consistente do elenco – em muitos momentos, cabia ao Jeffries defender quem fosse, armador ou pivô, e o pior é que ele nem é tão bom defensor assim. O salário é pequeno, num contrato de apenas um ano (ao invés do contrato gigante ridículo que havia assinado com o Knicks na época do Isiah Thomas cuidando das finanças), então o Knicks faz bem de mantê-lo. Woodson e Jeffries são, ao menos, a garantia de que Tyson Chandler não será o único responsável por tornar o Knicks uma equipe defensivamente respeitável.

Para balancear e impedir o Universo de entrar em colapso, o Knicks também contratou um jogador puramente ofensivo, Mike Bibby, que está velho e pedindo arrego e mesmo assim teve uma temporada respeitável no Heat no papel de arremessador ocasional – armava pouco, defendia bulhufas, não forçava nenhum arremesso, mas manteve um aproveitamento bem alto quando acionado. O próprio Bibby disse que sempre sonhou em jogar para o D’Antoni, que seu estilo é perfeito para o treinador, e realmente acho que a união dos dois seria perfeita – uns 5 anos atrás, claro. No estado em que está, Bibby ainda será útil, especialmente agora que o Billups teve que ser jogado fora como modess usado, mas deve render mesmo apenas como arremessador eventual que vem do banco. Deve armar mais o jogo do que armava no Heat, mas nada  digno de nota, até porque o D’Antoni anda comentando que vai tentar usar o Carmelo mais tempo na armação nessa temporada, e Toney Douglas deve ser o armador titular.

Mas um time com Bibby vovô, Carmelo armando e Amar’e no garrafão não tem como ser transformado simplesmente com a chegada de Tyson Chandler. Será preciso um longo trabalho com Woodson e um comprometimento de gente que, em toda carreira, nunca pareceu capaz disso. Defesa não é só vontade, é compreensão, é costume, cacoete. Chandler e Perkins encabeçam uma lista de pivôs que recebem contratos gigantescos porque se imagina que possam mudar toda a mentalidade de suas equipes, transformar todo mundo em um defensor exemplar. Mas há tanta responsabilidade dos outros jogadores, da comissão técnica, da situação, que nem sempre essas apostas bilionárias podem dar certo. Se der, o Knicks dá o passo definitivo rumo à relevância nos playoffs, enfim, após décadas gastando mais do que qualquer outro time e não ganhando necas. Mas se der errado, é só mais um pivô de contrato milionário que ganha uma quantia que não tem nada a ver com os próprios talentos – e vai estar mais relacionada com a esperança de que Carmelo e Amar’e se empenhem em defender como fizeram Jason Kidd e Nowitzki. Não é esperança demais em cima de um simples pivô enquanto o D’Antoni e sua defesa pífia continuam intocáveis? Aos poucos o Knicks tenta mudar velhos hábitos, mas precisa encontrar um modo de conciliar essa vontade de ser defensivamente imponente e a presença de D’Antoni – que, no fundo, é o responsável por Carmelo e Amar’e (e agora Bibby) quererem jogar no Knicks.

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Quem parece mais feliz, Eric Gordon ou Chris Paul?

Acabou a novela Chris Paul. Ah, sempre sonhei em acompanhar uma negociação do mundo esportivo na imprensa tradicional e chamar algo de “novela”. Só não é mais legal do que chamar o período de um treinador de “era”, mas tá quase lá. Vocês devem lembrar do enredo dessa que contamos nesse post aqui. Se não lembra, vai lá ler que a gente espera aqui antes de começar o último capítulo.

O grande final da novela Chris Paul teve uma reviravolta interessante. Ele foi para Los Angeles como deveria ter ido semana passada, mas ao invés do Lakers ele vai jogar no Clippers: Como em uma boa novela, é o pobre bonzinho que se dá bem em cima do rico esnobe. Depois que as trocas feitas pelo General Manager Dell Demps foram vetadas pela NBA, dona do New Orleans Hornets, o próprio David Stern conduziu as negociações. E, se querem saber a verdade, ele foi muito bem. O Hornets manda Chris Paul e em troca recebe Eric Gordon, Al-Farouq Aminu, Chris Kaman e uma escolha de 1ª rodada do Draft do ano que vem, bem valiosa por ser originalmente do Minnesota Timberwolves.

O negócio é muito bom, antes de mais nada, porque eles recebem um baita jogador em troca. O Eric Gordon fez uma temporada muito boa ano passado, com 23 pontos e 4.4 assistências de média e um jogo muito mais completo do que qualquer um imaginava dele. Aquele simples (e eficiente) arremessador de longa distância passou a driblar, infiltrar e até a dar umas enterradas monstruosas. Ele tem apenas 23 anos e já flerta com uma qualidade de jogo que pode levá-lo à condição de estrela na NBA. Na pior das hipóteses será “apenas” um excelente pontuador. Ao trocar um grande jogador, nada melhor do que receber um que é mais novo e que indica que pode chegar em nível parecido com o que está deixando o time.

Junto dele vêm outro promissor jogador, Al-Farouq Aminu, que no seu primeiro ano de NBA na última temporada foi discreto, mas longe de ser um fracasso. Pecou mais pela falta de consistência do que de talento. É mais um clássico jogador que foi muito cedo jogar entre os profissionais mas ainda pode dar certo. Ironicamente o seu melhor jogo foi contra o Hornets, quando fez 20 pontos, 8 rebotes e 2 roubos em 29 minutos. Aminu tem apenas 21 anos.

O mais velho da troca é Chris Kaman, de 29, curiosamente menos do que Luis Scola, Lamar Odom e a mesma idade de Kevin Martin, os três que o Hornets receberia naquela troca vetada com o Lakers. Kaman tem sofrido com contusões ao longo de sua carreira, mas quando joga é um dos melhores pivôs ofensivos de toda a NBA. Caso eles queiram investir apenas na garotada, podem conseguir uma troca para Kaman num futuro próximo. O seu salário é alto, mas vimos nessa offseason como a maioria dos times não liga de pagar muito alto por pivôs apenas razoáveis, que dirá de um que sabe jogar basquete. E caso queiram ficar com ele, não seria absurdo. Jogadores técnicos como Kaman costumam render bem durante muitos anos, é só as contusões não voltarem.

Mas a grande vitória do Hornets na troca foi ter conseguido a escolha do Wolves. O Clippers quase pulou fora do negócio quando a NBA disse que queria a escolha e mais Eric Gordon, o time de Los Angeles insistia que era um ou outro, mas acabou cedendo para ficar com Chris Paul. A escolha é essencial para apressar o processo de reconstrução do time. O Draft do ano que vem é considerado o com melhores jogadores desde 2003 e agora eles tem grandes chances de terem duas das 5 primeiras escolhas. Por mais evolução que o Wolves possa ter nessa temporada e de bons jogos que Eric Gordon possa ter, é inegável que os dois times são fortes candidatos às últimas colocações do Oeste.

A troca é o oposto da vetada com o Lakers. Aquela focava em jogadores mais velhos, prontos para render e nenhuma garantia para o futuro. Com Scola, Odom e Martin o time não teria a escolha do Wolves e era capaz deles ainda jogarem bem o bastante para a escolha do próprio Hornets não ser tão boa assim. O fato da NBA ser dona de um time e sair por aí vetando trocas é ridículo, isso não muda. Mas David Stern já pode pensar em largar a vaga de comissário da liga e entrar no mundo dos General Managers, ele mandou bem demais e deu boas perspectivas para o futuro do Hornets.

Por outro lado o Clippers abriu mão de muita coisa com a esperança de ter dado o passo definitivo para o mundo dos grandes times. Entre perdas e ganhos diria que eles fizeram a escolha certa. Muitos críticos nos EUA dizem que em uma troca o vencedor é sempre o time que sai com o melhor jogador. O argumento é que jogadores medianos ou até bons podem ser encontrados aos montes, mas que estrelas são raras. Ou seja, o Knicks pode fuçar a NBA e aos poucos recuperar gente do nível de Danilo Gallinari e Wilson Chandler, mas não teria outra chance de ter um cara como Carmelo Anthony. Não sei se a regra se aplica sempre, não é tão simples assim, mas ela definitivamente faz sentido muitas vezes e o caso do Clippers é um deles.

O Chris Kaman é um bom pivô que daria segurança à jovem dupla de Blake Griffin e DeAndre Jordan, mas não daria para segurar uma troca por causa dele. Griffin já é um All-Star e DeAndre Jordan acaba de ser reassinado pelo Clippers pela quantia assombrosa de 43 milhões de dólares por 4 anos! Se você paga isso para o seu pivô é porque confia nele e vai ser titular. O cara ainda é bem cru no ataque, ponto forte do Kaman, mas foi o terceiro jogador que mais enterrou na NBA no último ano (o segundo foi Griffin, atrás apenas de Dwight Howard) e pode segurar a barra numa boa. É uma perda sentida, mas contornável.

O mesmo vale para o Eric Gordon, que é fora de série, mas se destaca por ser um pontuador e pontos não vão faltar para o Clippers se o Chris Paul jogar no nível que costuma atuar. O elenco do Clippers tem uma ótima base no Griffin, uma boa aposta e defesa no DeAndre Jordan e ganhou reforço do Caron Butler, que assinou um contrato de 24 milhões por 3 anos. O ala ex-Mavs defende bem, ataca com consistência, sabe criar o seu próprio arremesso e é experiente. Uma contratação dessas pede outras que sinalizem algo mais do que ser só mais uma grata surpresa.

Os pontos que eram de Gordon também podem vir dos dois armadores que ficaram da temporada passada e que podem atuar tranquilamente na posição 2: Eric Bledsoe, que atuou assim no basquete universitário, e Mo Williams, que no Cavs cansou se ser efetivo sem a bola na sua mão. Ou seja, o Clippers perdeu um grande jogador, mas tem no elenco gente que pode de alguma forma compensar o que ele oferecia.

Agora, existe alguém que possa fazer o que Chris Paul faz? O cara é um dos melhores ladrões de bola da liga (talvez o melhor em tirar a bola da mão do adversário, não em interceptar passes), um dos passadores mais precisos, é rápido, sabe criar o próprio arremesso e até rebotes consegue pegar. Sua criatividade já levou um time bem mais ou menos do Hornets até o jogo 7 da semi-final do Oeste em 2008. Em resumo: Um pontuador como Eric Gordon não é o que faz um bom elenco dar o passo do meio da tabela para o topo, mas um grande armador, pela sua função, pode conseguir o feito. O Clippers percebeu isso e decidiu arriscar.

O risco é alto, mas eles deram um jeito de diminuí-lo. O Chris Paul já havia dito que ao fim dessa temporada iria optar por sair do seu contrato e se tornar um Free Agent, indo provavelmente para o New York Knicks. Mas o Clippers fechou o negócio com a garantia de Paul de que ele não irá optar por sair do contrato, garantindo assim pelo menos duas temporadas de pontes aéreas entre Paul e Griffin para povoar o Top 10 semanal da liga. Se dois anos não for tempo o bastante para o time engrenar e Paul decidir ir para Nova York de qualquer jeito, paciência, mas ninguém pode dizer que o Clippers foi acomodado. Amaldiçoados eles são e tudo, de repente, pode dar errado, mas estão correndo atrás do que podem fazer.

O time está se movimentando tanto nessa curta offseason que está até com excesso de jogadores. Sem saber que conseguiriam Chris Paul e prevendo a citada necessidade de um armador mais experiente e que organizasse o jogo mais do que Mo Williams e Bledsoe, eles tinham acabado de contratar ninguém menos do que Chauncey Billups. O armador foi anistiado pelo Knicks e, ao contrário da última vez que a anistia valeu, dessa vez os jogadores dispensados ficaram à disposição dos times abaixo do teto salarial para uma espécie de leilão. Só virariam Free Agents irrestritos, disponíveis para todos os times, se os abaixo do teto não dessem nenhum lance. O Clippers aproveitou a vaga preferencial e foi o que deu a oferta mais alta, 2 milhões de dólares, para levar o armador.

O porém era a vontade do Billups. Assim que foi anistiado ele se mostrou bem frustrado e disse que não estava mais em idade de ficar mudando de time por aí, que queria só ir para um lugar onde pudesse brigar por títulos e sossegar até o fim da carreira. O Clippers certamente não passava essa impressão. Tanto que a NBA fez questão de mandar um e-mail para o Billups avisando-o de que ele seria punido se não se apresentasse ao time que venceu o seu leilão. Para não ser punido, Billups teria que se apresentar ou anunciar a aposentadoria.

A questão é se essa troca pelo Chris Paul muda a opinião de Billups. Talvez colocar o Clippers já na categoria de candidato ao título seja um grandíssimo exagero, mas certamente é elenco para ir para os playoffs. E difícil imaginar um time que vá ser mais divertido do que esse! Será que o Billups não quer ser um mentor, um líder de vestiário, para a dupla Griffin e Paul? E, assim como Bledsoe e Williams, ele pode jogar na posição 2 e poderia até ter vaga no time titular. Já jogou assim no começo de carreira, tem bom arremesso e é forte fisicamente para dar conta na defesa. A altura e a velocidade atrapalham na hora de marcar caras mais altos, mas Jason Kidd está aí para mostrar que esses obstáculos podem ser superados com a experiência. É motivação o bastante?

Não duvido que o Clippers esteja planejando uma troca para conseguir um shooting guard clássico para a posição, mas não vejo porque ter um desespero para isso. Os outros armadores dão conta do recado. Paciência, como tiveram para conseguir Chris Paul, é essencial. E é necessário lembrar que o Billups, pela forma que foi adquirido, não pode ser trocado até o fim da temporada e como Bledsoe é novo e barato, não deve sair tão cedo também por vontade da diretoria. O mais forte candidato a possível troca é o Mo Williams.

E sabe quem precisa muito dele? O Lakers, que ainda não conseguiu o armador que tanto sonha. O Clippers deveria mandar o Mo Will de presente e dizer que é um favor para um primo pobre.

Monte sua liga de fantasy

>Acho que hoje em dia quase todo mundo já sabe o que é um jogo de fantasy, certo? Chegamos a fazer um post explicando os princípios do jogo alguns anos atrás, mas de lá pra cá já temos fantasy de futebol brasileiro, futebol europeu e até mesmo de basquete brasileiro, no Basketeria. Isso sem contar as ligas de futebol americano e beisebol que são cada vez mais jogadas por aqui.

Para quem não entende, recomendo o post citado acima, mas resumo: Uma liga de fantasy é um campeonato virtual onde você monta o seu time e os resultados são gerados de acordo com o desempenho real dos jogadores. Se o Kobe faz 81 pontos na vida real, vale pra você. Se o Kris Humphries pega 20 rebotes, conta para o seu time. Se ele termina com a Kim Kardashian, fica deprimido e para de jogar, você se ferra.
O Bola Presa, sempre na vanguarda dos joguinhos infantis, tem uma liga de fantasy própria que irá começar sua 4ª temporada agora. Não é relevante, mas devo dizer que eu sou o atual campeão da liga. O sucesso do nosso divertido campeonato rendeu muitos pedidos de entrada, o que me fez criar uma segunda liga, que também deu muito certo, funciona direitinho e os participantes do Brasil todo até se encontraram recentemente em São Paulo para um basquete na vida real.
A experiência dessa segunda liga foi bem interessante porque depois de participar da escolha dos participantes e do desenvolvimento da liga, eu praticamente a deixei de lado. Vários integrantes diferentes foram assumindo algumas funções e hoje a liga funciona de maneira independente sem que eu precise mexer um dedo: Eles se entendem, eles arrumam o que precisam e até podem votar nas próprias novas regras. Eu joguei a ideia, juntei as pessoas e elas se viraram.
O sucesso dessa empreitada na Liga 2 e a lista de espera que não para de crescer me fez ter a ideia de abrir para todo mundo aqui as regras do nosso fantasy. Já que não temos a tecnologia para fazer tudo de maneira automática (seria um sonho, mas trabalhoso e caro) e nem o tempo para cuidar individualmente de cada liga, por que não divulgar as regras e deixar as pessoas organizarem as suas ligas? Com mais gente jogando fantasy até nos abre o espaço para comentar sobre isso aqui no blog.
É o que fazemos aqui. 
Dei uma atualizada rápida no texto da regra da liga e elas estão disponíveis nesse link.
Os comentários ficam abertos para o pessoal se organizar e se juntar. Nossas regras são para uma liga de 24 times, mas nada impede que sejam menos ou mais. Quanto mais times, mais trabalhoso e mais jogadores ruins seus times vão ter (essa é a graça, eu acho), com menos times dá pra ter esquadrões de estrelas (o que é chato, também na minha humilde opinião), mas é mais fácil de juntar uma galera e jogar. A escolha é de vocês, as regras funcionam pra qualquer tipo de liga. Nada impede que vocês peguem o espírito da coisa e mudem o que achar melhor, o importante é se divertir!
Nosso e-mail, bolapresa@gmail.com, fica para qualquer dúvida, que resolveremos sempre que necessário.
Também trabalharemos em divulgar as ligas que vocês criarem, para ajudar a juntar a galera. 
Como exemplo, cito novamente a liga original, a primeira. O endereço do blog da liga é esse aqui.
Lá vocês podem copiar qualquer ideia. E para ajudar ainda mais, disponibilizo aqui os modelos de planilhas que usamos por lá:

Rookie Scale (nossa sugestão de salário para os novatos, já que uma das propostas é a liga ter seus próprios salários ao invés de usar os da NBA)

Elencos e Salários (modelo de planilha com o espaço para todos os times, jogadores, salários, escolhas de Draft e tudo mais que os times precisam)

Painel de Free Agents (na nossa liga todo Free Agent vai para leilão e leva quem oferecer mais, usamos esse painel para nos organizar na época mais legal da temporada)

Classificação (básico, a classificação da liga dividida por divisões e conferências)

Calendário (aqui o calendário que usamos na temporada passada, a pré-locaute. Ainda estamos fazendo a nova, com calendário reduzido, mas vale pelo modelo)

Lembro que não estamos organizando novas ligas. Só queremos ajudar quem quer fazer o que fizemos anos atrás quando criamos a nossa, com as nossas regras, nossos gostos e em que fazemos tudo na mão. Estamos aí para divulgar nosso modelo, ajudar em juntar gente e dar dicas para iniciantes. Divirtam-se!