Rápido no gatilho

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Se você não chorou com a primeira bola
ao alto da temporada, não tem coração

Finalmente começou mais uma temporada da NBA, com quatro jogos na primeira rodada ontem e a gente aqui curtindo como se tivéssemos 4 anos de idade e fosse véspera de Natal com a Alinne Moraes de Mamãe Noel (se você quer acompanhar também, dê uma olhada em nosso post sobre como assistir aos jogos na TV e na internet). A empolgação é tão grande que nosso Twitter fervilhou de comentários durante as partidas e eu não vejo a hora de poder começar a fazer previsões. Não deveria começar ainda porque os primeiros jogos não valem muita coisa, os times ainda estão se acostumando com os novos elencos, pegando o jeito da coisa, e qualquer comentário ou palpite agora é precipitado e desnecessário. Mas sabe de uma coisa? Com um sabor subversivo na boca, típico de quem acorda de madrugada para abrir os presentes de Natal antes da hora, vou listar todas as minhas impressões precipitadas, apressadas e desnecessárias sobre as equipes que jogaram ontem. Para quê esperar se a gente pode errar agora mesmo? Não é como se eu fosse esperar para opinar com mais cautela e fosse acertar alguma coisa mesmo…

– O Ron Artest se encaixou no esquema dos triângulos do Lakers de um jeito bastante diferente do Trevor Ariza, o que vai exigir um tempo para todo mundo acostumar. Se a gente lembrar que em seu primeiro jogo com a equipe, quando tinha acabado de ser trocado no meio da temporada, Ariza parecia que já tinha jogado com o técnico Phil Jackson a vida inteira, o encaixe do Artest parece ainda mais complicado. No Houston, que colocou em prática ontem o esquema “corra pela sua vida”, o Ariza tem muito mais dificuldade de criar o próprio arremesso do que o Artest tinha, e mal conseguiu pontuar. Ou seja, os dois times deveriam destrocar de jogadores imediatamente!

– O Greg Oden cometeu 5 faltas, é verdade, mas passou 26 minutos em quadra – uns 20 minutos a mais do que ele costumava passar porque cometia faltas quando coçava o nariz. Ele ainda faz um monte de besteira, de perder a bola a ficar parado olhando com cara de babaca, mas é notável o cuidado muito maior que ele está tendo em seus movimentos defensivos para não descer a marretada em ninguém. Simplesmente estar presente em quadra já muda bastante a postura defensiva do Blazers, então é bom sinal para a equipe o amadurecimento do Oden nesse sentido. Para aqueles que duvidam do nosso vovô favorito, podem ficar tranquilos!

– A campanha “Gilbert Arenas com média de 10 assistências por jogo” continua em bom caminho. Foram 9 no primeiro jogo, e isso sem deixar de ser o cestinha da equipe. Um leitor nosso perguntou se ele dá primeiro 10 assistências pra se livrar logo e depois volta a arremessar como um maluco, do jeito que ele gosta. Mas o bizarro é que o Arenas está muito mais controlado e inteligente em quadra, vai ser um dos líderes da NBA em assistências numa boa (pode muito bem ser o grande líder ao fim da temporada) e tudo isso enquanto o Wizards fica lá no topo do Leste.

– O mundo que me desculpe, mas continuar colocando o Mavs como um dos favoritos da Conferência Oeste é tipo acreditar na virgindade da Sandy: a gente sabe que não rola, mas tem gente que prefere fingir que é real para ter alguma esperança na humanidade. O Shawn Marion faz o trabalho sujo, mas milagre não tem.

– O Rockets vai ser o time mais asqueroso de se assistir em toda a NBA, vou ter que ver todas as partidas num banheiro porque vai dar até diarreia. Mas isso não quer dizer que a equipe não vai dar certo, ganhando uma quantidade considerável de jogos. Sem pivô, o Houston usa o Chuck Hayes na posição, um cara chato que fica desviando passes, cutucando, caindo, trombando, tornando o jogo uma grande luta de sumô de anões (ontem o Greg Oden perdeu a paciência com o nanico do Hayes torrando o seu saco). E com o garrafão mequetrefe o time acaba ficando na linha de três pontos, onde as coisas não costumam ser muito boas para a equipe. Vários times vão acabar perdendo para a correria, para a profundidade da equipe (todo mundo é carregador de piano e especialista em alguma coisa), mas não vai dar pra levar a sério e nem ter estômago de assistir, até o Bucks vai ser mais divertido.

– O Celtics é bom demais, todo mundo que disse que eles não vão ser campeões esse ano tem memória curta. Eles levam o Leste esse ano numa boa, mas é claro que para escrever isso eu me esqueci do Magic. Vai ver que meu cérebro só pode lembrar de uma dessas equipes de cada vez, é uma lei da física. E por falar nisso, achei que existia uma lei da física que impedisse Shaq e Ilgauskas de ficarem em quadra ao mesmo tempo, mas não, o gênio do técnico Mike Brown deixou os dois juntos um tempão. Que tal a experiência? Uma dica: fedeu.

– O LeBron James vai ser o melhor jogador de defesa do ano. Todo mundo percebeu nos playoffs que o Dwight Howard não é grande defensor coisa nenhuma, ele apenas pega rebotes e distribui tocos geralmente nos jogadores que ele não está marcando. Mas tudo bem, é um erro comum, em geral o prêmio acaba indo para quem parece jogar bem na defesa mas no fundo não é tudo isso. E é justamente por isso que o LeBron vai ganhar, ele está empolgado, distribuindo tocos a torto e a direito (já deu uma passadinha no nosso Tumblr hoje para ver os dois tocos do LeBron ontem?) e destruindo nas suas ajudas defensivas e roubando bolas cortando as linhas de passe. Não precisa nem marcar o homem dele, ninguém vai perceber até o prêmio já ter sido entregue.

– O circo do Clippers parece dar sinais de que pode dar certo. Os jogadores sempre pareceram uma mistura aleatória mas agora dá pra ver que é talento demais junto para não funcionar pelo menos um pouquinho. Sinal de que o Clippers daria certo: a maldição teve que contundir o Blake Griffin porque senão era capaz deles ganharem do Lakers.

Primeira noite de jogos e já arrisco campeão do Leste, prêmio de melhor defensor, líder de assistências, time mais feio, e o sucesso do Greg Oden. Pressa? Coragem? Burrice? Provavelmente um pouco de tudo. Se algum palpite te ofendeu, no entanto, não se preocupe. Hoje a noite tem mais uma rodada de jogos e posso mudar completamente de opinião sobre tudo. Não é divertido? Ah, que saudade da NBA…

Preview da Temporada – Divisão Pacífico

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-Sabia que uma vez um cara entrou no vestiário enquanto eu
tomava banho dizendo que queria me ajudar a ser campeão?

Vocês podem ter chegado atrasados e não pegaram nosso preview da Divisão Sudeste. Mas tudo bem, às vezes você quis ver a estréia do Thiago Lacerda na novela e não teve tempo de ligar o computador, acontece. Explicamos para os noveleiros que o nosso preview funciona.

São 6 posts, cada um sobre uma divisão. Os times são listados de acordo com a ordem que achamos que eles vão terminar a temporada regular e no texto sobre cada um dizemos como seria a temporada ideal e a pior temporada possível para cada um. Você lê as duas hipóteses e acha o seu meio termo mais realista.

Mas como é sem graça chamar de “a melhor temporada possível”, chamamos de “Temporada Filme Pornô“. Quem já viu um filme pornô sabe que lá é o mundo perfeito, como o nosso planeta deveria ser. Só existem mulheres lindas e elas querem fazer sexo o tempo todo e não tem frescura, lindo. A pior temporada possível, portanto, é a “Temporada Drama Mexicano“. Lá tudo o que pode dar errado, vai dar errado e a mulher dos seus sonhos será dublada e irá trair você com seu irmão gêmeo.

Entendido? Então bora pra Divisão do Pacífico que meu time irá vencer de novo.

Divisão Pacífico

Los Angeles Lakers
Temporada Filme Pornô: Imaginem só se o Ron Artest encaixa perfeitamente no esquema do Lakers, acerta seus arremessos de 3, não força jogadas como fazia no Rockets, aceita seu papel secundário no ataque e volta a ser o melhor defensor de perímetro da NBA. Andrew Bynum não machuca o joelho em um jogo em janeiro contra o Grizzlies e, com as ausências de Shaq e Yao, vira um All-Star. Lamar Odom ganha o prêmio de melhor reserva e o Lakers é bi-campeão da NBA se vingando do Celtics na final.

Até dá pra ser campeão sem tudo isso junto acontecer, mas melhor que isso não fica. E qualquer coisa menor que o título já é drama para o Lakers.

Temporada Drama Mexicano: Ron Artest briga com Kobe Bryant e exige ser trocado. Ninguém (nem o Grizzlies!) quer ajudar o Lakers, que só consegue trocar Ron Ron pelo Dan Gadzuric e um bolo de cenoura. Andrew Bynum machuca o joelho em um jogo contra o Memphis Grizzlies e o Adam Morrison deixa o bigode crescer no estilo Salvador Dalí. Nos playoffs o time perde de 4 a 0 para o Spurs. DJ Mbenga cobra mais empenho de Kobe Bryant no fim do jogo 4.

Los Angeles Clippers
Temporada Filme Pornô: Não esqueci do Suns não, estou colocando o Clippers na frente mesmo. O que é um bom preview se não tiver uma polêmica? Já aproveito pra dizer que o Galo leva o Brasileirão e o Fluminense ganha a Sul-Americana. Tá, tá bom, mais fácil a Vivi Fernandez ser virgem do que o Flu ganhar alguma coisa.

Mas falando sério, acho que o Clippers vai ter uma temporada melhor que a do Suns e irá brigar pela oitava vaga nos playoffs. Sabemos da zica que vive nas entranhas do time, do histórico de contusões de Baron Davis, Chris Kaman e Marcus Camby e sabemos que faz tempo que o Mike Dunleavy faz muita merda no banco de reservas.

Mas o time ganhou um ar de esperança com os novatos. Primeiro foi Thornton dois anos atrás, Eric Gordon no ano passado e o espetacular Blake Griffin nesse ano. Nenhum com histórico de contusão, todos regulares e talentosos e todos falando que não ligam para a história do Clippers, ligam apenas para o futuro. Pode ser um discurso vazio, padrão, mas li bastante sobre o time nessa offseason e eles parecem dispostos a mostrar que são uma nova equipe. Entrei na onda deles e estou aí para quebrar a cara junto com o primo pobre do Lakers. Ou para quebrar o joelho, o tornozelo, vai saber…

Temporada Drama Mexicano: A pior coisa que pode acontecer com o Clippers é ser o Clippers de sempre. Time desmotivado, torcida sem esperança, Baron Davis desinteressado e/ou contundido e um elenco que parece entrar em quadra para cumprir tabela desde a primeira rodada.

Parece a maior balela e lugar comum do esporte mas tem time que precisa mesmo de mentalidade vencedora. Times se acostumam a perder e entram em desespero ou desânimo quando o jogo ainda poderia ser vencido. Com o Clippers acontece isso direto, estão indo bem e basta alguma coisa dar errado para tudo desmoronar. Times como o Celtics, quando estão perdendo, parecem pensar “porra, como vamos perder se somos melhores que todos?”. Para um atleta tão ou mais importante do que ser bom é acreditar que é bom.

Phoenix Suns
Temporada Filme Pornô: Os torcedores podem sonhar com muita coisa para seu time, mas a verdade é que se tudo der perfeitamente certo eles chegam, no máximo, na primeira rodada dos playoffs. Sim, em uma temporada perfeita com o Nash jogando tudo o que sabe, J-Rich e Leandrinho fazendo milhares de pontos e o Amar’e quatro-olhos dominando o garrafão, o time não passa da primeira rodada. Não tem jeito, o melhor filme da Babalú não é comparável à pior cena da Mônica Mattos.

O time tem um bom elenco, tem um sistema ofensivo que já deu certo no passado mas no mesmo passado, quando o esquema era quase perfeito, já não foi o bastante. Voltar para a correria foi o jeito do Suns voltar a ser alguém na liga, mas não alguém com um anel de campeão.

Temporada Drama Mexicano: Para o Suns seria deprimente ficar fora dos playoffs de novo. Ano passado colocaram a culpa no técnico, no esquema defensivo e na falha de adaptação do Shaq. Trocaram tudo e se não der certo o time irá entrar em modo de desespero e aí uma enxurrada de trocas podem estar a caminho. Amar’e quase já foi para o Warriors no dia do draft e pode muito bem ir embora se o time não andar nos trilhos.

O Suns lembra muito o Kings do começo da década que encantava todo mundo mas não venceu nada. Com o passar dos anos o time foi ficando para trás e sendo desmontado bem aos poucos, eles pioravam a cada temporada mas todo mundo tinha medo de colocá-los como carta fora do baralho. Desde então caíram até ser o pior time da NBA. Que o Suns saiba se sair de maneira melhor.

Golden State Warriors
Temporada Filme Pornô: Para o Warriors uma temporada pornô não seria um bom filme de carnaval, seria um gang bang sem regras, sem controle, de enlouquecer qualquer um. O time do 8 ou 80 entra em todos os jogos com chance de vencer por 30 ou perder por 40 dependendo se a Lua está em Aquário ou em Peixes.

Na temporada perfeita do Warriors eles encaixariam uma sequência de vitórias e ganhariam a confiança que tiveram na última vez que foram para os playoffs. Talvez uma sequência impulsionada por jovens talentos que estão brilhando na pré-temporada como os dois Anthonys, Morrow e Randolph.

Somente bons resultados um atrás do outro contra bons times seriam capazes de juntar o time mais desunido da liga. Com vitórias é bem capaz que Stephen Jackson e Monta Ellis sejam só sorrisos e o time deslanche. Times com problema de relacionamento e que começam a dar certo depois de vencer algumas partidas me lembram casais que só brigam, não tem nada em comum mas que vão se aturando porque o sexo é bom.

Temporada Drama Mexicano: Vencendo, os problemas do Warriors diminuem demais, mas tem a pergunta que vocês devem estar se fazendo: como um time desses, desunido e com elenco limitado, vai conseguir uma sequência de vitórias contra bons times? Claro que Maria Alfreda seria muito mais feliz se conseguisse dar um filho a Renato Augusto, mas como será possível se ela é estéril? Dramas…

Bom, tudo pode acontecer com um time do Don Nelson ou se o Don Nelson comer a Maria Alfreda, mas também não apostaria nisso. Tudo indica uma temporada bem dramática para o Warriors. Terão sorte se a Jessica Alba se der ao trabalho de ir ao ginásio assistir alguns jogos como fazia antigamente. Ela não é pornografia mas deixaria qualquer novela mexicana assistível.

Sacramento Kings
Temporada Filme Pornô: Se tudo der certo no Kings eles talvez acabem em penúltimo, yes! Não tem jeito, é pornô de baixo orçamento e achar uma mulher que pareça uma mulher para o papel principal já é lucro.

O foco do Kings para essa temporada tem que ser desenvolver os seus três bons jovens jogadores: Tyreke Evans, Jason Thompson e Spencer Hawes. Depois disso arranjar um jeito do Kevin Martin não pedir pra ser trocado por desgosto e por fim conseguir usar algumas boas peças de troca, como Andres Nocioni, para conseguir mais jovens talentos e investir no futuro. Assim o time continua um lixo completo mas tem a desculpa de ser mais um “time do futuro”.

Temporada Drama Mexicano: No filme Sonicsgate que eu anunciei há um tempo e que já está no ar, um torcedor fala de como a situação do povo de Seattle é complicada porque a única chance do time voltar a ganhar uma equipe é com outra cidade perdendo a sua, já que o David Stern falou que de 30 times a liga não passa. Isso quer dizer que outros vão ter que sofrer a perda de um time, de uma paixão, para o torcedor do Sonics poder voltar a ter suas alegrias.

Um dos fortes candidatos a perder um time é Sacramento e pelo menos o time parece estar fazendo de tudo para a cidade não sentir nenhuma falta da equipe. Depois de uma temporada lastimável como o pior time de toda a NBA, não conseguiram nenhum reforço sequer, só adicionaram o Tyreke Evans porque veio no draft, que até parece bom mas só ajudará o time a ser bi-Ipatinga da NBA.

Dono da Bola – Philadelphia 76ers

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Ed Snider sabe que tem alguém falando dele

Comcast (Ed Snider)
Temporadas: 13
Playoffs: 7
Títulos de divisão: 1
Títulos de conferência: 1
Tiítulos da NBA: 0

Riqueza estimada: 310 milhões de dólares
Comprou o time por: 125 milhões de dólares (1996)
Valor atual da equipe: 360 milhões de dólares
Maior contrato oferecido: Allen Iverson (80 milhões de dólares)
Técnicos contratados: 8 (Johnny Davis, Larry Brown, Randy Ayers, Chris Ford, Jim O’Biren, Maurice Cheeks, Tony DiLeo e Eddie Jordan)

Oficialmente quem é a dona do 76ers é a empresa de comunicação Comcast-Spectacor, mas na verdade o homem por trás do Sixers é Ed Snider. Snider vendeu 66% de sua Spectacor para a empresa Comcast, criando a nova empresa. Porém, continuou como presidente da companhia que, em 1996, comprou o Philadelphia 76ers.

A compra no meio da década de 90 não foi por acaso. Nos anos 60 o Sixers teve Wilt Chamberlain, Hal Greer e Billy Cunningham em um time histórico, o melhor dos primeiros 35 anos da NBA segundo votação realizada pela liga. No final dos anos 70 foi a vez de aparecer Dr. J e nos anos 80 dele fazer dupla com Moses Malone, que rendeu o último título do time, em 83.

Após o título a equipe viveu a “Era Barkley“, 8 temporadas de onde não saíram anéis mas pelo menos algumas alegrias. Após isso, entre 91 e 96 foi o que alguns torcedores chamam de “Idade das Trevas” do Sixers, em que a equipe colecionava resultados patéticos. Foi após essa era, quando o Sixers estava mais em baixa, que Ed Snider e a Comcast abocanharam o time por um bom preço. Com a sorte ao lado deles, no mesmo ano o time conseguiu a primeira escolha do draft, Allen Iverson, o líder do time que conseguiu o primeiro título de conferência para o Sixers desde a era de Dr. J e Moses Malone em 2001.

Após alguns anos discretos, Snider voltou a ser personagem dos noticiários no ano passado quando explicitamente demonstrou seu apoio à campanha presidencial de John McCain. Doou mais de 32 mil dólares para candidatos republicanos, 20 mil dólares para o comitê republicano e mais 4 mil dólares exclusivamente para McCain.
Apesar dos republicanos não estarem exatamente em alta no ano passado nos EUA, o que pegou para o Snider foram as outras maneiras que ele usou para apoiar seus candidatos. Primeiro foi acusado de usar dinheiro de sua rede de cassinos para apoiar seus candidatos, nos EUA é expressamente proibido cassinos usarem dinheiro vindo de apostas em qualquer atividade política.
Para completar, ele chegou a chamar a antológica Sarah Palin, vice de McCain, para dar um simbólico pontapé inicial em um jogo do Flyers, time de hockey da Philadelphia que Snider também comanda, contra o Rangers. Usar um time que chegou a receber dinheiro público para bancar seu ginásio para promover um candidato político causou uma polêmica estrondosa na cidade, que não aprovou a decisão do chefão do Sixers.
Só não entendo o porque de toda essa revolta. O que é dar uns 50 mil pra um político comparado a pagar 10 milhões para um cara que consegue a proeza de dar só 18 assistências em mais de 2.000 minutos jogados ao longo de 82 jogos? O salário do Dalembert que merecia revolta pública.

Donos da Bola é uma seção esporádica onde contamos a história dos desconhecidos donos das equipes da NBA.

Dono da Bola – Boston Celtics

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Ray Allen, seu patrão e duas cocotas no casamento do RayRay

Como anunciado ontem, começamos hoje uma de nossas colunas, a “Dono da Bola“. Nela vamos conhecer o dono de cada um dos times da NBA. Começo re-postando algo que já coloquei no BasketBrasil, o perfil de Wyc Grousbeck, dono do Boston Celtics.

Wyc Grousbeck
Temporadas no comando: 7
Playoffs: 5
Títulos de divisão: 3
Títulos de conferência: 1
Títulos da NBA: 1

Riqueza estimada: 360 milhões de dólares
Comprou o time por: 360 milhões de dólares (2002)
Valor atual da equipe: 447 milhões de dólares
Maior contrato oferecido: Paul Pierce (US$59 milhões, 2006)
Técnicos contratados: 3 (Jim O’Brien, John Carroll e Doc Rivers)

O pai de Wyc Grousbeck, Irving, foi o co-fundador da gigante da TV americana Continental Cablevision, empresa que foi vendida anos atrás por míseros 11,5 bilhões de doletas. O dinheiro era bom e o filho Wyc também estava bem de vida. Em 1992 estava casado e teve um filho. Porém, depois de algum tempo, Wyc e sua mulher Corinne perceberam que o filho era cego. Decidiram então levá-lo à Perkins School of Blind, nas proximidades de Boston. A escola era reconhecida como a melhor do mundo para cegos e se gabava de ter sido o local de estudos de Helen Keller, famosa e importante escritora e feminista que era surda-muda.

Apenas pela necessidade do filho e pela vontade deles de colocá-lo na melhor escola do país, eles abandonaram a Califórnia em direção a Boston. E somente por isso o desejo da família de comprar o Oakland Athetics (time de baseball) ou o San Francisco Giants (de futebol americano) se transformou no desejo de comprar o Boston Celtics. O basquete era a terceira opção nos sonhos da família, no âmbito pessoal talvez ficasse ainda mais atrás. Na universidade o esporte pelo qual Grousbeck mais se dedicou foi o remo, em que até ganhou títulos.

Wyc Grousbeck comprou a equipe ao lado de seu pai e do investidor Steve Pagliuca (não o goleiro da Itália!). Os três foram atrás de outros endinheirados e formaram o fundo de investimento “Banner 17″, em referência aos banners (bandeiras, painéis) que se penduram nos ginásios a cada título de uma equipe da NBA. O objetivo do grupo era óbvio: comprar a equipe e conseguir o 17º título para o Celtics depois de mais de 20 anos de fila.

Foi Grousbeck quem foi atrás de Danny Ainge para ser o General Manager da equipe. A decisão pareceu duvidosa após inúmeras trocas questionáveis feitas por Ainge, incluindo o bizarro fato de Antoine Walker sair do time num ano, voltar em outro e então ser trocado de novo.

A insistência em Ainge, porém, rendeu frutos. Foi o mesmo Ainge que montou o time com Pierce, Allen e Garnett que rendeu o sonhado 17º título em 2008. Esse time, porém, não foi barato. Todos os salários deixavam o Celtics acima do teto salário e um valor alto em multas deveria ser pago, Ainge não poderia ter feito nada sem o aval financeiro de Grousbeck, como disse o próprio Danny Ainge:

“O grupo de investidores que me contratou sempre me encorajou a gastar dinheiro. Wyc e os outros caras são muito competitivos. Acho que os outros times de Boston (Patriots e Red Sox) estão reestabelecendo o padrão de nível dos times daqui e eles não querem ficar pra trás”

Abaixo um vídeo onde o Grousbeck conta sobre o processo de design do anel de campeão de 2008 e conta que a idéia para colocar a assinatura do Red Auerbach no interior do anel foi dele. Rico, bem-sucedido, dono do Celtics e ainda dá pitacos em design de jóias. Meio gay, mas o cara é um sucesso absoluto.

O doping e a nobreza no esporte

Sorriso simpático do novo inimigo dos
defensores da nobreza do esporte

O Danilo tratou um dos aspectos do caso de doping do Rashard Lewis no seu último post, mas eu acho que o assunto é tão complexo que merecia um texto só sobre isso.

Devemos começar entendendo o caso do Rashard Lewis em si antes de vermos o caso do doping em toda a NBA. Ele foi pego por ter tomado um composto chamado DHEA, que não é em si uma substância ilegal. Ela se torna, depois de ingerida, androstenediona, que depois se transforma em testosterona, substância essa achada além do nível permitido no teste do Rashard Lewis.

Segundo a lei americana, por mais características de esteróides que a substância tenha, é considerada um suplemento alimentar, por isso é encontrado em lojas do ramo. O Rashard Lewis diz que apenas tomou um suplemento, sem a intenção de melhorar desempenho.

Pela WADA, a Agência Mundial Anti-Doping, o DHEA é considerado um tipo de esteróide e por isso é proibido. As discrepâncias entre as leis nacionais e as leis anti-doping, portanto, fazem com que substâncias proibidas para a prática do esporte sejam tão facilmente encontradas em qualquer lugar.

Um médico entrevistado pelo jornal Orlando Sentinel diz que o produto não é lá muito eficiente na hora de melhorar o desempenho de um atleta do nível de NBA. Essa opinião reforça a idéia de que o Rashard Lewis foi apenas descuidado e não é alguém que se dopa regularmente para melhorar o desempenho. Segundo o mesmo médico, existem até substâncias de características semelhantes e que dão um resultado muito maior, se o Rashard foi infiel aos princípios do esporte, foi burro ao fazê-lo dessa forma tão ineficaz.

O Shaquille O’Neal deu uma entrevista recentemente à rádio da ESPN dizendo que acredita que o Rashard simplesmente deu azar. Ele diz que muitos jogadores da NBA, incluindo ele mesmo, vão nessas lojas de suplemento esportivo e simplesmente compram qualquer coisa que tenha um rótulo bacana que diga alguma coisa que eles querem. “Se diz que emagrece a bunda gorda em dez dias, compramos, mas agora teremos que ter mais cuidado depois desse caso”, em uma tradução livre do que o Shaq disse.

O testosterona é uma das formas mais antigas do doping, foi famosa nas décadas de 70 e 80 junto com os anabolizantes e eram bem óbvios em atletas de esportes femininos. Testosterona é um hormônio masculino e se tomado por mulheres resultam em algumas características masculinas. Em caso famoso, nas olimpíadas de Montreal em 76 as nadadoras da Alemanha Oriental, com estranhas vozes muito grossas, dominaram todas as provas da competição. Quando incomodadas pelas americanas que questionavam suas vozes masculina, as alemãs responderam “Nós viemos para nadar, não para cantar”.

Na NBA, onde todo mundo tem voz grossa, principalmente o Mutombo, não é tão fácil perceber quem toma e quem não toma. Para isso existem os exames anti-doping. Na NBA eles são feitos 4 vezes por temporada, sem aviso prévio da data, em cada atleta. Para muitos críticos é muito pouco, mas a maior crítica está no fato de que não são feitos testes durante a offseason, entre junho e outubro. Para alguns médicos seria tempo o bastante para o atleta usufruir de algumas substâncias que tem poder a longo prazo e ao mesmo tempo se ver livre dos rastros dessa substância quando a temporada começar.

Certa vez o Nowitzki deu uma entrevista a uma TV alemã dizendo não conhecer nenhum envolvido com doping na NBA mas que “alguém pode provar que ele está errado”, seguido de um sorriso que pode ser interpretado de várias maneiras. É comum ver jogadores, principalmente os mais jovens, mudarem bastante o corpo entre uma temporada e outra. Eles chegam magros das universidades, encorpam um pouco antes da sua primeira temporada e para a segunda aparecem já com aquela cara de jogador da NBA. Eles dizem que é apenas musculação e ninguém tem como provar o contrário, mas a falta de testes nesses meses deixa um espaço amplo para as suspeitas.

Só que, embora estejamos falando de esteróides, de homens mais bombados e de mulheres másculas, isso é coisa antiga. O doping não é mais só isso, hoje em dia as drogas de melhoria de desempenho podem ser simplesmente para melhor respiração, ganho de potência, recuperação rápida depois de esforço físico, diminuição de peso, etc. O ciclismo, esporte em que mais se fala em doping, é a maior prova de que um cara não precisa ser do tamanho de um armário para estar dopado.

Os testes feitos pela NBA não são controlados pela WADA. A Liga, assim como praticamente todos os esportes americanos, tem sua própria política anti-doping. O David Stern, inclusive, já criticou abertamente a WADA depois de como foi conduzido o caso do ciclista Floyd Landis em 2006. E assim como os testes são outros, a lista de substâncias proibidas é outra e as punições também.

Alguns podem dizer que a punição foi branda para o Rashard Lewis mas ela segue o padrão da NBA. São 10 jogos de suspensão na primeira vez em que se é pego, 25 jogos de punição para a segunda fez, 1 ano de suspensão na terceira vez e o jogador sai da NBA na quarta. O caso do Chris Andersen, banido por dois anos, não se aplica a essa regra porque envolvia uso de drogas ilícitas socialmente, não de melhoria de desempenho esportivo.

Nos EUA, porém, quando o assunto é problema com doping o esporte que vem à tona é o baseball. Há alguns anos a MLB, liga profissional de baseball, viveu um drama descomunal quando inúmeros jogadores foram acusados de doping. A maioria dos casos acabaram se revelando realmente verdadeiros e ídolos do esporte, que poucos anos antes tinham quebrado recordes históricos de home runs, como Barry Bonds, Marc McGwire e Sammy Sosa, ficaram marcados como dopados e seus recordes ganharam um asterisco.

Para o colunista da CBS Gregg Doyel, que cobria o baseball na época em que McGwire e Sosa começaram a quebrar recordes usando substâncias ilegais, a imprensa americana do basquete sofre do mesmo problema que eles sofriam na época que cobriam o baseball no final dos anos 90: são ingênuos. Vêem os jogadores com físico absurdo, vêem poucos casos de doping revelados (foram apenas 6 desde 1999 na NBA) em um mundo esportivo empesteado com casos todos os dias e acham que isso acontece porque no basquete é diferente, é um mundo “sem a cultura do doping”.

O mundo do esporte é realmente entupido de casos de doping. Uso aqui um exemplo dado na matéria “Atletas, dopai-vos” da Dorrit Harazim na revista piauí número 23. A matéria é simplesmente espetacular e trata de vários campos da discussão do doping. Usarei alguns trechos de entrevistas que estão na matéria aqui, mas o ideal é ir lá depois e ler a matéria inteira.

O exemplo dado no início da matéria para mostrar como funciona o mundo do doping é dado pelo fisiologista molecular H. Lee Sweeney. Ele trabalha há anos tentando fazer com que camundongos alterados geneticamente ganhem massa muscular mesmo sem fazer exercícios físicos. A intenção é aplicar esses conhecimentos em humanos com distrofia muscular. Porém, as primeiras ligações que ele recebeu foram de fisiculturistas, levantadores de peso e técnicos e atletas de outras modalidades esportivas que queriam participar de testes mesmo depois de terem sido alertados de que existiam até riscos de morte.

O que leva os atletas a se doparem é bem óbvio: resultados. A grande maioria dos atletas profissionais que chega às grandes competições passa por muitos estágios difíceis e só chega longe por ser obstinada a vencer. Geralmente os que se vêem satisfeitos em competir não chegam longe. Os que chegaram longe também sabem que não chegaram lá só por causa de esforço, chegaram porque o esforço rendeu um resultado. De nada adiantariam as mesmas horas de treino se não rendessem títulos ou medalhas depois. Sem títulos não tem patrocínio, técnicos interessados, clubes interessados e etc.

Porém, nem todos podem vencer, questão estatística. E no desespero por algum resultado se aposta em qualquer coisa, até no doping. Um atleta que veja a si mesmo em vias de perder sua carreria de atleta, à qual dedicou tanto tempo, é uma boa vítima para quem quer vender algum produto e ainda depois lucrar com a vitória. Em um mundo em que o esporte se tornou algo tão grande como negócio e na vida dos atletas, que tem que se dedicar integralmente, o doping tem uma entrada mais fácil.

Mas tudo bem, o doping é comum e sabemos porque existe, mas há uma pergunta mais importante a ser feita atualmente: por que ele é errado?

Os que defendem o anti-doping acima de tudo dizem que lutam pelo esporte limpo, justo, sempre com o culto do amadorismo, da superação humana. Mas ainda há espaço para isso atualmente? Faz sentido defender isso hoje em dia? Primeiro porque estamos chegando na era do doping genético, a própria WADA acredita que o momento desse tipo de doping está chegando (se ainda não chegou e eles não sabem) e contra ele os testes anti-doping são dificílimos, os atletas podem passar impunes. Em segundo lugar e mais importante, transformar o esporte nessa atividade pura seria colocar o esporte como algo à parte da sociedade da qual ele faz parte.

A matéria da piauí coloca essa questão nas palavras do professor de política comparada da Universidade de Michigan Andrei Markovits: “Me horroriza este ambiente inquisitorial à la Torquemada que cerca a questão do doping hoje em dia. Podemos tomar Viagra, antidepressivos, essa pílula, aquela outra – tudo o que quiser. Só os atletas não podem. E por quê? Devido ao ultrapassado ideal de amadorismo e virtude no esporte – conceitos desenvolvidos pela classe dominante inglesa de Oxford e Cambridge, no século XIX”.

Markovitz pode parecer exaltado e exagerado, mas traz à tona boas questões. Essa nobreza do esporte ainda faz sentido hoje em dia? Ela não funciona apenas como discurso para nos emocionar e valorizar o esporte enquanto mascara como nossa sociedade realmente funciona? Afinal, hoje somos uma sociedade movida a lucro e resultados em que tomamos remédios se queremos deixar de ficar tristes para ficarmos felizes e simplesmente diminuímos o tamanho do nosso estômago se queremos ficar mais magros.

Na mesma matéria é citada uma entrevista do Sylvester Stallone dada à revista Time, em que ele não só diz ter usado o HGH, um hormônio de crescimento proibido pela WADA, como diz que recomenda a testosterona para todos com mais de 40 anos porque faz muito bem à sua saúde. Como deixar o esporte e os esportistas de fora de uma sociedade que cada vez mais apela à farmácia na busca de qualquer coisa? Até empresários, jogadores de pôquer e músicos tem usado drogas que aumentam seu poder de concentração. Apenas os esportistas são considerados vilões quando tomam algo para melhorar seu desempenho.

E ao mesmo tempo alguns esportistas sofrem intervenções que melhoram sua qualidade como praticantes do esporte, mas que não são consideradas doping. O Tiger Woods fez uma operação para ficar com a visão perfeita, enquanto na NBA o Gilbert Arenas usa câmaras hiperbáricas para simular grandes altitudes, criar mais glóbulos vermelhos e melhorar sua resistência física. Tudo isso não só altera o físico do atleta como é caro e não está disponível para todos. Isso sem entrar no polêmico assunto dos maiôs na natação, em que parece haver, em paralelo à disputa dos atletas, uma competição entre empresas de material esportivo.

Isso tudo foi para fazer a gente pensar um pouco na questão do doping que é vista tão “preto-no-branco” pela crítica esportiva em geral. Acho que esse texto serve para entender como funciona o doping na NBA, no esporte em geral, no caso do Rashard Lewis e principalmente para começarmos a pensar no assunto como um todo ao invés de simplesmente fazer a parte mais fácil que é demonizar o atleta e culpar penas brandas.

Se nem sabemos direito mais o que é doping e qual é o real papel do esporte na sociedade atual (negócio ou nobreza?), não podemos sair disparando críticas para todo lado. Para fechar acho que sou obrigado a terminar da mesma maneira que a Dorrit Harazim finalizou a matéria que inspirou esse texto, com a definição de esporte pelo historiador Christopher Lasch: “O esporte, do qual os Jogos Olímpicos representam o apogeu, mistura talento, inteligência e concentração máxima de propósito – numa atividade que em nada contribui para o bem-estar ou riqueza da coletividade, nem para a sua sobrevivência física. Mas ela é, ao mesmo tempo, a atividade que melhor evoca a perfeição da infância, com regras e limites criados só para aumentar o prazer da dificuldade, e aos quais os participantes aderem por livre e espontânea vontade.”