Confrontos de sábado

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Duncan e Popovich não se aguentam de ansiedade pelo começo dos playoffs

Hoje é dia de playoff! Depois de muitas noites sem dormir para assistir atrocidades como Knicks e Heat, é hora de sermos recompensados pelo deus do basquete com, talvez, os melhores playofs de todos os tempos. Ao menos no Leste, claro. Para aquecer os motores, vamos dar uma olhada em cada confronto deste sábado e analisar: o que cada time precisa fazer para sair de quadra com a vitória?

Também gostaríamos de avisar que você tem compromisso marcado aqui com o Bola Presa às 16h de hoje para assistirmos, juntos, a partida entre Suns e Spurs. Até vocês, fãs-esquisitos do Spurs, precisam marcar presença para encher nosso saco! Teremos uma cobertura ao vivo aqui no blog, comentando os principais lances, criticando, tirando sarro da cara do Duncan (e, de preferência, dando links para que todo mundo possa assistir o jogo), e você está intimado a acompanhar e ir batendo papo ao mesmo tempo na caixinha de comentários.

Leia nossa análise dos jogos imperdíveis de hoje e não se esqueça de voltar às 16h para ver esse jogão com a gente!

Cavs vs Wizards

por Danilo

O que o Cavs precisa fazer para vencer a série: Só se eu fosse cego, surdo e mudo eu seria capaz de deixar de lado o fato de que, para vencer, o Cavs precisa de atuações de alto nível de LeBron James. As razões são mais óbvias do que resposta do Show do Milhão. Com um elenco fraco e que, depois das trocas, não conseguiu encontrar nem entrosamento e nem identidade, é LeBron quem tem que imprimir ritmo ao jogo e, obviamente, decidir nos minutos finais. Por esse mesmo motivo, é essencial que LeBron consiga superar as dores nas costas que vem sentido e que podem limitar consideravelmente seu jogo. Se bem que o LeBron limitado vale por uns duzentos Delonte West.

O Cavs precisa se focar no rebote. Como a pontaria de fora é inconsistente, os rebotes ofensivos são importantes para manter o time de Cleveland na partida, assim como aconteceu nos playoffs passados. Isso significa que o Cavs precisa de atuações sólidas de Varejão, Ben Wallace e Ilgauskas. E as atuações sólidas a que me refiro são simplesmente defensivas, fazendo o trabalho sujo, mas até isso às vezes parece ser pedir demais.

O diferencial do Cavs precisa ser um outro jogador que surja para levar o fardo ofensivo da equipe em alguns momentos aleatórios da partida. Seja o Daniel “tive 10 minutos de fama nos playoffs” Gibson, seja Damon Jones ou Delonte West. Alguém precisa passar alguns minutos por jogo acertando arremessos seguidos, enquanto LeBron é isolado no resto do tempo.

O que o Wizards precisa para vencer a série: Antes de mais nada, DeShawn Stevenson precisa fazer um bom trabalho em LeBron James. Como essa série virou um clássico instantâneo em parte por causa do duelo entre esses dois, é bem capaz que DeShawn consiga complicar a vida de LeBron e isso será mais do que suficiente para ter o jogo em mãos.

A defesa, aliás, será um fator importante. Se o Wizards se aplicar na defesa como fez em alguns momentos da temporada regular, o frágil ataque do Cavs será praticamente anulado, o que pode vir a tornar as partidas até mesmo tranquilas para o time de Washington. A defesa de garrafão pode vir a ser um problema, então o Wizards tem que se focar em tirar os jogadores de Cleveland de perto do aro e pegar rebotes, evitando as segundas-chances adversárias.

A saúde de Arenas, Jamison e Butler é algo a se preocupar. Todos eles voltam de contusões, umas mais, outras menos recentes, mas o importante é tentar mantê-los todos saudáveis (se isso fosse tarefa fácil, o Clippers não seria tão ruim assim). Arenas deve vir do banco e é importante não forçá-lo muito a princípio, guardando-o para os momentos decisivos.



Spurs vs Suns

por Denis

O que o Spurs precisa fazer para vencer a série: O Spurs tem a vantagem de sempre conseguir impôr o seu ritmo, mesmo quando perde. Então é essencial que o jogo seja lento e bem trabalhado, mesmo que o Suns consiga se adaptar melhor a isso do que nos anos anteriores.

Para parar Steve Nash, deve seguir usando a fórmula de usar Bruce Bowen em cima dele. Com faltas, sem faltas, jogando sujo ou não, isso não vem ao caso. O fato é que Bowen incomoda o canadense. Para marcar o garrafão, vai ser necessária a experiência de Kurt Thomas e uma rotação entre ele e Duncan para marcar Amaré e Shaq. Nenhum dos dois vai anular o poder ofensivo de Amaré, mas atrapalha o adversário ir para cima dele com diferentes marcadores e diferentes formas de marcar, a variação defensiva pode incomodar muito o Suns.

No ataque é preciso explorar as infiltrações de Ginobili e toda vez que Duncan sobrar sendo marcado por Amaré. É velha já a dificuldade de Amaré Stoudemire de ficar fora de problemas de falta quando é muito pressionado na defesa. Eles vão tentar deixar Shaq em Duncan para liberar Amaré disso, mas quando vacilarem, é bom o Spurs aproveitar.

O que o Suns precisa fazer para vencer a série: Não dá pra jogar na correria com o Spurs o tempo todo, faz anos que o Phoenix tenta e não consegue. Mas isso não quer dizer para não correr nunca. Todo turnover do San Antonio, ou rebote longo ou qualquer vacilo em geral, deve ser transformado em pontos fáceis. Mas quando o Spurs remontar sua defesa, o que é rápido, Nash e os outros jogadores devem ter a percepção necessária para parar e começar o ataque de novo.

No jogo de meia-quadra deve-se explorar os jogadores que são bons nisso. Usar Amaré toda vez que ele ficar no 1-contra-1, especialmente contra Oberto e Kurt Thomas, usar Grant Hill e seus arremessos de meia-distância e, claro, usar Shaq sempre que ele conseguir um bom posicionamento embaixo da cesta. Tudo isso, além de virar pontos, vira espaço para que Bell, Nash e Leandrinho tenham o tempo necessário para chutar de longe.

Também é necessário que a defesa se ajude. Steve Nash não vai parar Tony Parker e qualquer defensor, mesmo o bom Raja Bell, não pára Ginobili sozinho. E cada infiltração bem sucedida acaba em bandejas, lances livres, ou com Bowen ou Finley livres da linha dos três.

Hornets vs Mavericks

por Danilo

O que o Hornets precisa fazer para vencer a série: Manter a bola nas mãos de Chris Paul a maior parte do tempo é meio jogo ganho. Não que isso não aconteça em todos os jogos, mas deve ser ainda mais frequente nessa série. É preciso que Chris Paul pense mais em pontuar, em decidir, como aconteceu na primeira vez em que os dois times se encontraram após a troca do Kidd e ficou óbvio que o armador-vovô não consegue segurar o Paul. Quanto mais Chris Paul abusar de sua velocidade e partir para dentro, agressivamente, melhor para o Hornets.

Parar Dirk Nowitzki, em grande fase, deve ser também o foco principal. Vale até puxar os bagos e morder orelha. Mas o quinteto titular do Hornets terá problemas graves para marcar Dirk e Josh Howard ao mesmo tempo, porque Stojakovic não consegue defender nem tese de mestrado. O novato Julius Wright pode ser um fator fundamental vindo do banco para parar o alemão, que notoriamente tem problemas com bons defensores mais baixos e mais físicos do que ele.

Jannero Pargo pode ser a peça decisiva do jogo. Com o ritmo de jogo elevado que se espera nessa série, Pargo pode vir do banco com licença para atirar, chutar todas as bolas que conseguir. Quando está em um de seus grandes dias, isso pode ser o bastante para criar uma vantagem no placar que o Mavs não seja capaz de reverter.

O que o Mavs precisa fazer para vencer a série: Colocar Kidd na fonte da juventude ia ser uma boa, mas como vimos no cinema em filmes como “De Repente 30” com a tetéia da Jennifer Garner ou aquele clássico da Seção da Tarde em que o Tom Hanks quer namorar a professora, é muito mais fácil ficar velho do que ficar mais jovem. Então o Kidd tem que arranjar fôlego nas entranhas e dar um jeito de parar Chris Paul. Jogadores como Eddie Jones e Devin George, se estiverem vivos, podem ajudar nessa função.

Dirk Nowitzki deve ser mais utilizado do que nunca, principalmente no fim da partida, quando tem mostrado ser cada vez mais decisivo. Caso a marcação em Dirk aperte, é importante que Jason Kidd (ou Ason Kidd, para aqueles que acham que ele não tem “jumper”) acerte seus arremessos livres. O Dallas pode viver ou morrer nos arremessos de 3 pontos de Kidd, o que, cá pra nós, é um problema.

O Dallas precisa cadenciar mais o jogo e evitar rebotes longos e turnovers bobos, de modo a evitar que Chris Paul passe o dia inteiro correndo pela quadra e fazendo bandejas. Para mim, se o ritmo de jogo diminuir um pouco, é o Dallas quem sai favorecido, com mais armas para o duelo de meia-quadra.

E o mais importante, o essencial, a coisa mais óbvia e banal que todo mamífero bípede deveria saber mas TODO MUNDO parece esquecer por completo: o Dallas NÃO PODE deixar o David West livre na cabeça do garrafão nas jogadas decisivas. Se ele acertar mais um arremesso dali só porque ninguém nem sequer sabe quem é esse tal de West, eu vou vomitar.



Rockets vs Jazz



por Danilo

O que o Rockets precisa para vencer a série: O maior problema do Houston nessa série é o jogo de garrafão. Na série contra o Jazz nos playoffs passados, a maior dificuldade foi em descobrir um modo de marcar dois jogadores de garrafão com características tão diferentes, Boozer e Okur. O turco é um problema defensivo porque fica passeando pela linha de 3 pontos, e Boozer pode jogar tanto debaixo da cesta quanto arremessando de meia distância. O Houston terá que conseguir colocar em quadra uma escalação equilibrada capaz de marcar tanto Boozer quanto Okur sem, ao mesmo tempo, perder toda a capacidade ofensiva do outro lado da quadra. Os melhores defensores de interior no elenco são Chuck Hayes e Mutombo, completamente nulos no ataque. Os novatos Luis Scola e Carl Landry, por outro lado, têm problemas defensivos embora sejam excelentes ofensivamente. Saber equilibrar as duas coisas será fundamental sem a presença de Yao Ming.

Além disso, é essencial que Tracy McGrady não queira decidir sozinho. Os melhores momentos da sequência de 22 vitórias seguidas aconteceram apoiados por um forte jogo coletivo, com T-Mac sabendo dar aquele “passe a mais” que faz toda a diferença. Quanto mais T-Mac forçar os arremessos, quanto mais ele quiser decidir para finalmente se ver livre da maldição de nunca ter vencido uma primeira rodada de playoffs, menores são as chances do Houston sair com a vitória.

O Rafer Alston também é uma peça central nas chances do Houston Rockets. Meu odiado Alston é um jogador que tem grande influência para o jogo do Houston, tanto positiva quanto negativamente. Sua vontade constante de decidir é justamente o que faz o Houston perder e vencer jogos, dependendo de como a mira do “Skip to my lou” está no dia. Com Skip no banco, os reservas Bobby Jackson e Aaron Brooks são menos decisivos, participam menos do jogo. Cabe ao Rick Adelman saber quando o Rafer Alston está decidindo para pior e sentá-lo imediatamente.

O que o Jazz precisa para vencer a série: O Jazz deve apostar o jogo o máximo que puder no garrafão, alimentando Boozer e Okur embaixo da cesta. Quanto mais agressivo o Jazz for no garrafão, mais o Houston terá que abrir mão de seu ataque em nome de sua defesa, além de que sobrarão lances livres para o time de Salt Lake cobrar. É importante para o Jazz manter o ritmo de jogo o mais lento possível, e jogar com tranquilidade e segurança. Embora o Houston tenha o mando de quadra, o Jazz sabe que não perderá em casa, bastando apenas uma vitória em Houston para colocar um pé no próximo round.

O jogador que poderá decidir a série é, da mesma forma que nos playoffs passados, Andrei Kirilenko. Ainda que a defesa do Houston seja uma das melhores da liga, contribuições de Deron Williams, Boozer e Okur são esperadas. Basta um jogo ofensivamente considerável de Kirilenko para que as armas ofensivas do Jazz sejam mais do que o Rockets pode segurar. Kyle Korver, vindo do banco, pode ter o mesmo papel. Caso o Jazz se foque no ataque, acertando a mão na execução ofensiva, dificilmente deixará de levar a série para casa.

Do mesmo modo, Paul Millsap pode ganhar o jogo vindo do banco, acertando a mão com pontos de rebotes ofensivos e sendo mais um corpo grande que o mirrado Houston não vai ter idéia de como defender.

Como aproveitar os playoffs

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O Duncan sabe lidar com a mulher dele em época de playoff, e você?

Nesse sábado começam os playoffs, certo? Certo. E você viu os horários dos jogos? Pois é, se não viu, são estes:

13h30 – Wizards x Cavaliers
16h – Suns x Spurs
20h – Mavericks x Hornets

22h30 – Jazz – Rockets

Ou seja, você tem o dia inteiro ocupado com o momento mais esperado da temporada, os playoffs. No domingo é a mesma coisa, os mesmos horários para as outras quatro séries. Você até pode perder o massacre do Celtics sobre o Hawks, mas o resto você tem que ver. E depois do fim de semana cheio, vai ter jogo todo dia à noite do mesmo jeito e isso traz uma série de problemas que só o Bola Presa pode te ajudar a resolver.

1. Eu acordo cedo pra ir pra escola/faculdade/trabalho e não posso ir dormir tarde, o que fazer?

Você é um ser humano e como ser humano, tem caganeira – use isso a seu favor. Faltas acontecem. Se o Kareen Rush disse que ia faltar no treino do Pacers pra ver o irmão jogar a final da NCAA, por que você não pode faltar? Seu trabalho é bem menos importante que o Pacers.

Mas a melhor idéia é guardar as faltas para os dias mais importantes. Não saia faltando por aí só porque a vitória do Orlando sobre o Toronto acabou meio tarde e você extendeu a noite vendo desfile de lingerie no Superpop. Guarde para faltar no dia em que o Jazz e o Rockets jogarem duas prorrogações eletrizantes até as duas da matina.

Sobreviver aos playoffs requer muita estratégia, como em um jogo, e faltar na escola, trabalho ou faculdade são como os pedidos de tempo, você tem que guardar sempre um pra usar nas horas principais. Para quando você não puder usar, faça o que você sempre faz, ou por acaso é só na época dos playoffs em que você vai dormir tarde e acorda cedo? Durma na aula de espanhol, matemática, inglês ou química se você está na escola, mate ou durma qualquer aula que comece com “Introdução a…” na faculdade e vá dormir no banheiro se estiver trabalhando. Se o seu trabalho é daqueles chatos em que tem um supervisor do supervisor do assistente do presidente junior que tá sempre com um relógio na mão contando o tempo de tudo o que você faz, você precisará de malícia. Use tudo o que você aprendeu nos anos de trabalho e coloque em prática. Enrole no telefone, finja que está no telefone, faça cara de doente, sei lá, qualquer coisa, mas não trabalhe. Trabalhar depois de uma noite exaustiva de playoff significa que você não aguentará ver o jogo 6 do Suns e do Spurs no dia seguinte, o que é inaceitável!

O seu trabalho pode esperar até junho, ele não é tão importante assim.

2. Mas amanhã eu tenho prova, o que eu faço?

Depende, é de múltipla escolha? Se for, não tem segredo, é só ler as respostas, cancelar as absurdas e usar um pouco de bom senso. Eu acertei 9 de 11 perguntas de química no vestibular e nem sei o que é um mol, tudo porque sei ler perguntas. Provas de múltipla escolha não exijem que você durma bem e nem que estude no dia anterior.

Se a prova for dissertativa, aí a coisa fica mais difícil, mas não impossível. Se for uma matéria fácil tipo História ou Geografia é só pegar o que você aprendeu no Discovery Kids e botar em prática usando palavras mais difíceis. Palavras difíceis vocês podem aprender aqui mesmo no Bola Presa, volta e meia somos prolixos e usamos termos como “turnover”, “triple-double” ou “matchup” que podem enganar bem se forem bem usadas.

Se, ao invés de uma prova, é um trabalho que você precisa entregar, eu tenho a solução aqui mesmo. É esse site AQUI. Basta colocar o título do trabalho que o programa criará tudo o que você precisa. Aí é só colar no Word, pegar umas dicas com o clipe e enfeitar o trabalho, já que a aparência é o que realmente importa.

Conclusão: Dê um jeito, mas não perca um jogo só para ficar estudando.

3. Sou velho e meu filho fica no PC e não me deixa ver os jogos, o que fazer?

Pô, você não manda nessa budega? Explique para o seu filho que mais importante do que o jogo do Ben 10 no site do Cartoon Network é saber um pouco de ciência e que isso ele pode aprender no Discovery Kids. Explique para o pirralho que no futuro ele saberá a importância de se aprender essas coisas, principalmente na hora de enrolar em provas. E claro que com “explique” eu quis dizer “obrigue o pivete a”.

Outra opção é começar a mostrar para seu filho o que realmente importa na vida. O Basquete. Futebol também importa, claro. Fórmula 1 para alguns, tênis. Mas o que mais importa é o basquete e ver alguns jogos pode ser bom para o seu filho. Mas pegue leve com o baixinho, não vá mostrar o Bruce Bowen batendo no Nash logo de cara, ou o Dwight Howard quebrando umas cestas ou ainda o Kirilenko e a cara de assassino em série que ele tem, deixa isso pra depois. Comece com o bonzinho do Chris Paul dando passes para o barbudo-como-seu-pai Stojakovic, ele aceitará melhor e irá dormir antes mesmo do terceiro período.

A outra coisa que importa na vida são as mulheres, e isso nos leva à quarta questão.

4. Minha namorada quer sair comigo bem no dia do jogo, e agora?

Essa é uma situação delicada, meu filho. Mais para frente, na época das finais de conferência ou das finais da NBA mesmo, fica mais fácil. Volta e meia tem um dia de descanso sem jogos e é nesse dia que você vai sair com a sua namorada e tratá-la como uma rainha. Aproveite para, quando surgir a oportunidade, comentar o quanto você ama basquete, o quanto assistir um bom jogo te faz feliz, como basquete é a segunda coisa que você mais ama no mundo, atrás apenas do sorriso dela. Todo paparico é essencial para ganhar dias de jogo. Estudiosos dizem que para cada elogio/presente que você dá pra sua namorada, você ganha um período de jogo sem reclamação, crise no relacionamento e ligações telefônicas.

Mas durante esse começo de playoff, com jogo todos os dias, a coisa fica difícil. Durante a semana, quando ainda não tem jogo durante a tarde, use isso a seu favor. Se você não estuda à noite, trabalha meio período ou é vagabundo, use o período da tarde para sair com a sua namorada. O cinema é mais barato, o parque está vazio pedindo um pic-nic e você já leu o Bola Presa de manhã mesmo… aproveite a tarde para fazer todos os elogios a ela de novo. E lembre-se de que nessa época do ano ela é dona do futuro de vocês, deixe ela falar de viagens, casamento, filhos, morar junto, qualquer coisa. Enquanto ela estiver planejando o futuro sem você fazer cara feia, ela não incomodará o presente, que é o que importa.

E um detalhe importante: nunca negocie diretamente. A pior coisa é falar “Olha, hoje eu saio com você até às 17h, depois vou ver jogo e amanhã não vai dar porque é o Lakers. Mas no domingo eu tenho duas horas livres porque não vou ver o Hawks, vamos ver Faustão juntos?”

Nunca! Elas não podem saber que estão sendo encaixadas no meio da sua programação. Elas vão se sentir a Adriane Galisteu nas mãos do Sílvio Santos, e elas não querem ser a Adriane Galisteu, acreditem. Todas as negociações tem que ser implícitas, você vai na casa dela espontâneamente no dia em que não tem jogo e no dia seguinte você não vai só porque já foi no dia anterior, ou porque tem trabalho da facu, cite o jogo bem por cima, sem dar ênfase.

5. Se mulher dá tanto trabalho, por que não largar ela e pegar uma que goste de NBA?

Na teoria faz muito sentido essa pergunta, mas na prática não é bem assim. Primeiro que se você está namorando com alguém, deve gostar da pessoa de verdade, do jeito que ela é. E se está só pegando, só de curtição, só na azaração no GigaByte, você não precisa dar satisfação nenhuma! Simplesmente veja o jogo e pronto. Se você gosta da garota terá que seguir os passos da pergunta anterior.

Outra razão é porque tem poucas garotas que gostam de NBA. Imaginem se todos os caras que comentam aqui no blog quisessem namorar com a Tamiris, nossa solitária visitante feminina que deve estar odiando esse texto, ia dar muita confusão.

Mas se você pensar bem, se a NBA é uma paixão sua, a sua namorada, como cúmplice em todos os momentos e a única que te entende, deveria conhecer o mínimo de basquete. É! Ela deveria, depois de conviver com você por tanto tempo, saber algumas coisas. Isso provaria que ela escuta o que você diz, que ela se importa com você e que ela, em um caso extremo, entenderia a sua apelação de que você tem que voltar mais cedo pra casa no dia do aniversário de namoro de vocês porque é o jogo 7 do Wizards contra o Cavs.

Para saber se sua namorada é uma dessas raras jóias que conhecem o mínimo de basquete para entender a sua paixão, aqui está um quiz que você deve entregar a ela. A idéia do quiz é do Answerman, do InsideHoops, mas coloco com algumas várias adaptações.

1- Para que time eu torço? (1 ponto)
Isso é o básico, ela deve saber para que time você torce!

2- Cite três jogadores do meu time favorito. (0,5 ponto por jogador)
Mas se você torce para o Cavs e ela souber só do LeBron James, também vale. Se ela falar “Michael Jordan”, perde 2 pontos, se falar “Pernalonga” ganha 0,5 pelo bom humor.

3- Em que canal passam os jogos? (1 ponto)
É importante para caso você precise sair para trabalhar e ela fique em casa gravando pra você.

4- Quem é meu jogador favorito de todos os tempos? (1,5 ponto)
Essa ela tem que saber. É aquele cara que você sempre comenta, que você imita, que você tem a camiseta usada, que você tem o card dos anos 90. Como ícone da sua vida, ela tem que conhecer.

5- Quem é meu jogador favorito que ainda está jogando? (1 ponto)
Se ela não souber é porque nunca ouve você falando “Kobe de trêeeees… bingo!”, tipo o Everaldo Marques, quando arremessa uma bolinha de papel no lixo.

6- Quem é o jogador que eu mais odeio? (2 pontos)
Se tem alguém de que você fala mais do que de quem você ama, é de quem você odeia. Você sempre xinga mais o Bruce Bowen do que elogia o Nash, fato.

7- Diga algum dado relevante sobre basquete. (1 ponto)
É só pra saber se ela presta atenção em qualquer coisa sobre basquete. Vale dizer que o Oscar é chorão, que o Brasil ganhou o Pan de 87, que a Hortência respirava fundo antes de arremessar um lance livre, que um americano pulou um francês gigante, essas coisas.

8- Quem é o melhor jogador de todos os tempos?
Como tem poucas respostas pra essa pergunta, cada uma delas tem uma pontuação diferente:

1 ponto – Michael Jordan (Básico)

1,5 ponto – LeBron James ou Kobe Bryant (ela pelo menos chutou os melhores de hoje em dia)

2 pontos – Magic Johnson ou Larry Bird (viu eles no E! True Hollywood Story do Magic e lembrou, parabéns!)

3 pontos – Wilt Chamberlain (Uau! Ela guardou quando você disse pra ela dos 100 pontos, impressionante!)

4 pontos – Bill Russell (Ela lembrou do cara que vencia o Wilt Chamberlain! Assustador! Deve ser a Tamiris)

100 pontos – Oscar Robertson (2.000 pontos e um anel de casamento se chamar ele de “Big O”)

Se ela conseguir uns 7,0 ela está apta a namorar com você e te deixar ver os playoffs em paz, não precisa terminar.

E é isso, pessoal. Qualquer outra dúvida amorosa ou sobre como superar dificuldades para conseguir assistir aos playoffs em paz, é só perguntar. Se não der, pelo menos venha no Bola Presa  e leia tudo o que você perdeu!

Bons playoffs!

Cabeça de Melo

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Melo é mala

Uma das grandes noticias de hoje foi a de que Carmelo Anthony foi pego dirigindo sob o efeito de álcool em Denver. Ele foi parado na rua, não passou em nenhum dos testes feitos pela polícia e só não foi detido porque a lei de lá não prevê isso. Mas como disse o Rodrigo Alves em seu texto hoje no Rebote, essa notícia ruim vem logo depois de uma sequência de jogos horríveis de Carmelo e que são jogos decisivos para o Denver se classificar para os playoffs.

Eu não gosto quando a imprensa dá muito valor para coisas que acontecem fora da quadra. Quando falamos da NBA, falamos dos melhores, mais bem pagos e mais assistidos jogadores do planeta, mas ao mesmo tempo estamos falando apenas de jogadores. Cada um com sua personalidade, história de vida, qualidades, defeitos e qualidades que outros pensam ser defeito. Esquecem que não é porque aquela pessoa joga um jogo muito bem, que ela deve ser (ou parecer na televisão) perfeita, acho que não existe pior exemplo para uma criança do que alguém perfeito, já que é um exemplo que ela nunca conseguirá seguir. O que cada jogador faz fora da quadra nem deveria ser notícia, mas vira, como qualquer outra celebridade, não tem como escapar. O que não pode acontecer de jeito nenhum é a NBA punir jogadores pelo que eles fizeram fora das quadras, e é justamente isso que pode estar tirando o Warriors dos playoffs, já que no começo da temporada Stephen Jackson sofreu uma suspensão de 7 jogos, dos quais o Warriors perdeu 6. A suspensão aconteceu por ele ter sido considerado culpado em uma acusação de ter atirado para o alto no lado de fora de um strip club em Indiana.

Eu realmente acho que a NBA perde muito dinheiro com um jogador indo num strip club. Imagina os pais deixando de levar os filhos nos jogos e impedindo-os de jogar basquete só porque o Stephen Jackson anda armado e vai ver as Flávias Alessandras da vida dançarem no queijo. Se já não bastasse aquele ridículo “dress code” que dita o tipo de roupa que os jogadores usam, a NBA também quer controlar tudo o que os jogadores fazem fora das quadras.

Pelo menos o David Stern acha que dirigir alcolizado não pega nada, então o Carmelo não deve receber punição nenhuma. E se recebesse também, não faria muita falta levando em consideração os últimos jogos. Como diz um amigo meu, o Iverson é o único com três bolas no saco no elenco do Denver. Não posso discordar, o Carmelo é um talento fora do comum, o Camby é um ótimo bloqueador e o JR Smith tem um talento bruto que pode transformá-lo, num dia distante, em um All-Star, mas na hora em que o bicho pega, ninguém age tão bem quanto Iverson.

O Carmelo marca pontos de todos os jeitos imagináveis mas ele parece meio indiferente ao jogo, parece sempre que joga do mesmo jeito, não importando se está ganhando por 10 ou perdendo por 20. Por um lado, isso pode parecer bom, uma frieza de vencedor, mas quando o time está com a corda no pescoço é bom ver o jogador um pouco alterado, buscando algo novo, mudando seu estilo de jogo durante a partida para conseguir ajudar sua equipe. Mas o que vemos no Carmelo é que ele chuta as bolas que vão pra ele e se cair, caiu; se não cair, ele continua chutando do mesmo jeito, não muda os arremessos, não ataca mais a cesta, em resumo, ele não lê o jogo. Ele faz o que dá na telha, quando quer. Além de dar aquela risada sem graça à lá Cristiano Ronaldo quando faz merda, o que irrita qualquer um que torce por ele.

Por outro lado, tem um número que contraria tudo isso: somando a temporada passada e a retrasada, Carmelo é o líder da NBA em arremessos de último segundo e arremessos da vitória no minuto final. Talvez seja o lado bom da tal frieza com a qual ele enfrenta todos os momentos do jogo, além disso, Carmelo tem no currículo um título universitário e, como vimos esse ano com Memphis e Kansas, é precisa muita concentração e sangue frio pra ganhar um campeonato como o da NCAA.

Então afinal de contas, quem é Carmelo? Ele é o cara que se envolve em polêmica e alimenta a mídia bem na semana em que está jogando mal e em que eles podem cair fora dos playoffs e decepcionar todo mundo, ou é o cara que marca pontos até dormindo e pode decidir jogos e campeonatos? A resposta, na minha opinião, é simples: ele é quem ele quiser.
Quando Carmelo está focado, concentrado, ele tem talento para tomar conta de um jogo; quando está desinteressado, chateado, desconfortável (vide Atenas 2004), ele pode ser um zero à esquerda.

Nos playoffs, se eles realmente se classificarem, vão pegar Lakers ou Hornets provavelmente. E, para vencer equipes fortes como essas, o Denver vai precisar do Carmelo querendo vencer, querendo superar as dificuldades e, acima de tudo, querendo não ser o novo Tracy McGrady, que só empaca na primeira rodada dos playoffs. Desde seu primeiro ano na liga, Melo leva o Nuggets para os playoffs e nenhuma vez passaram da primeira rodada, até do Clippers já conseguiram perder. Só não acho que o Carmelo choraria depois de perder um jogo 7 como o T-Mac chorou no ano passado. Acho mais fácil ele chamar o Stephen Jackson e ir para um strip club.

Veremos se o Nuggets se classifica mesmo para os playoffs hoje, caso o Warriors perca para o Suns, ou quarta, caso o Nuggets vença o Grizzlies ou com uma derrota do Warriors para o Clippers.

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O Elton Brand ameaça chorar se não deixarem ele brincar também

Agora, a última moda é jogador voltar de contusão. Parece que todos os contundidos estão voltando das tumbas, alguns com esperança de playoffs, outros sem razões aparentes. Apesar do número surreal de contusões que assola uma NBA que tem uma temporada desse tamanho, acabamos dando sorte. Porque em geral a maioria das contusões acaba acontecendo no finalzinho da temporada, quando os jogadores estão mais desgastados. E, dessa vez, prestes a iniciar um dos playoffs mais disputados da história, estamos justamente vendo as estrelas voltando a tempo de disputar a pós-temporada.

Já era o meio do primeiro quarto da partida entre Wizards e Bucks quando Gilbert Arenas entrou correndo dos vestiários rumo ao banco de reservas, vestindo seu uniforme. O Arenas não havia participado nem do treino e nem do aquecimento para o jogo, entrou de sopetão sem o técnico nem estar sabendo e antes que se pudesse dizer “paranguaricutirimirruaru” já estava em quadra, com a bola nas mãos. Foi uma entrada digna de um dos jogadores mais polêmicos da NBA, mas não foi o bastante para garantir a vitória do Wizards, que perdeu graças a um arremesso de último segundo do Ramon Sessions. Perder uma partida não é nenhum problema, mas você teria coragem de ligar para sua mãe e dizer “Perdi por causa do Ramon Sessions“? É muita vergonha.

Além de Arenas, Gasol também voltou para o elenco do Lakers, que estava sentindo falta. Por alguma razão cósmica, Lamar Odom é simplesmente um dos melhores jogadores da NBA quando está em quadra com Kobe e Gasol, e até que conseguiu manter (em parte) o ritmo mesmo com a contusão de Gasol. Mas, com o espanhol de volta, Odom já está pronto para comandar ainda mais e chutar uns traseiros. O Lakers é um caso inexplicável porque a química entre Kobe, Gasol e Odom é incrível e está lá desde o começo, sem necessidade de grandes modificações no esquema como aconteceu em Phoenix ou em Dallas depois das trocas. Coisas da sorte ou coisas de Phil Jackson? Enquanto isso, o pivô overpower de 12 anos, Andrew Bynum, continua tentando se recuperar a tempo de jogar ao menos uma partida antes dos playoffs. Está lá correndo numa máquina sofisticada que reduz sua gravidade ou algo do tipo, nunca entendo esses aparelhos saídos diretamente do Dragon Ball Z. Mas ele também deve voltar da cova em breve.

O alemão Dirk Nowitzki também voltou e foi justamente contra o Warriors, seu maior pesadelo na Terra. O resultado foi uma vitória sólida em cima do time porra-louca de Golden State. E, mais do que isso, foi um passo gigante rumo aos playoffs depois de ficar pendurado no grupo de 8 classificados pela pontinha dos dedos. A briga entre Warriors, Mavs e Nuggets pela sétima e oitava vaga promete ser a melhor dos últimos tempos.

Outro time brigando por vaga nos playoffs, mas lá no grupo dos café-com-leite, é o Pacers. Lá no Leste, a briga é só pela oitava vaga e envolve o Hawks (atualmente se classificando), Pacers, Nets e Bulls. Mas que fracasso! O Pacers ter chances de se classificar é mais ridículo do que perder jogos para o Ramon Sessions! Em todo caso, Jermaine O’Neal está de volta depois de mal participar dessa temporada e traz alguma esperança de classificação para o time de Indiana. Mas é nessas horas que eu entendo um pouco o Miami. Esse Pacers fede, se for para os playoffs vai ser risivelmente humilhado pelo Celtics, o Jermaine tem uma saúde digna de pena, então será que vale mesmo a pena colocar ele de volta em quadra? Deveriam é chamar uns 30 caras da Liga de Desenvolvimento e melhorar as chances de draft, já que vale apelar.

Mas existe um time que não quer apelar. Um time nobre, justo, íntegro, que não joga papel de bala na rua e nem gruda caca de nariz debaixo da carteira. Estou falando do primo pobre do Lakers, o Los Angeles Clippers. Veja bem, eles não têm mais nenhuma chance de ir para os playoffs. Têm um dos piores recordes do Oeste e com um esforcinho poderiam ficar lá entre os dois ou três que mais fedem para melhorar suas chances no sorteio do draft. A idéia parece tentadora, não é mesmo, Miami Heat? O Clippers poderia pegar caras da Liga de Desenvolvimento, mandar o técnico observar jogadores no Camboja, dizer que todos os jogadores pisaram num prego e não podem mais jogar. Mas não. Assim que Elton Brand ficou minimamente saudável, depois de toda uma temporada de fora, voltou para as quadras. Será que não passou pela cabeça da equipe preservar um jogador que vem de sérios problemas com contusão já que, para o Clippers, a temporada acabou? Que nada. Elton Brand está lá fazendo seus pontos, dando seus tocos, chutando traseiros, tudo enquanto passa completamente despercebido, como em todo o resto da sua carreira. A maioria das pessoas nem deve saber que ele voltou a jogar. Mas ele está lá, sem nenhum propósito. E eu acho isso lindo. Porque é correto, é nobre, é justo. E influencia diretamente a disputa para os playoffs do Oeste.

Sobre isso, vamos dar uma olhada nas próximas partidas de Warriors, Nuggets e Mavs, até porque está na moda colocar isso em tudo quanto é site de basquete e não queremos ficar para trás, né?

Dallas Mavericks:
vs Sonics (em casa)
vs Jazz (em casa)
vs Blazers (fora)
vs Sonics (fora)
vs Hornets (em casa)

Warriors:
vs Kings (em casa)
vs Nuggets (em casa)
vs Clippers (em casa)
vs Suns (fora)
vs Sonics (em casa)

Denver:
vs Clippers (fora)
vs Warriors (fora)
vs Jazz (fora)
vs Rockets (em casa)
vs Grizzlies (em casa)

O que isso significa, crianças? Que, com apenas 2 vitórias separando o sétimo (Mavs) do nono colocado (Warriors), o Clippers terá um papel importante: joga em casa contra o Denver Nuggets e em Oakland contra o Warriors. A presença de Elton Brand pode ser crucial nesses confrontos e estou feliz demais por saber que ele estará presente, um atestado de seriedade no embate que decidirá os classificados. Cada partida agora tem uma importância enorme e contra o Clippers não será diferente.

Esse domingo, por exemplo, viu Dallas e Warriors jogarem como malucos que defendiam suas próprias vidas. O Warriors enfrentou o primeiro colocado Hornets, e embora estivesse dando tudo errado para os “Guerreiros” de trás da linha de 3 pontos, o jogo se manteve brigado e disputado até o último período. A verdade é que o Warriors é um time simples: eles correm como dá e aí então arremessam de três ou então enterram. Quando um desses recursos não está funcionando, metade do poder ofensivo simplesmente desaparece. Ainda assim, Monta Ellis resolveu que iria manter o jogo interessante e me deixou impressionado pela quinquagésima vez. Alguém me responda, tem algum sujeito na NBA tão rápido que ataque o aro com tanta eficiência quanto o Monta Ellis? Iverson, Ginobili, talvez? E quão bizarro é eu ser obrigado a colocar Monta Ellis nesse grupo de elite e ainda assim o Stojakovic ter marcado o Ellis em vários momentos da partida? Nem preciso dizer que o sérvio-que-não-sabe-defender foi tão humilhado que eu até tirei as crianças da sala. Mas isso não foi o bastante para garantir a vitória em dia de triple-double do provável futuro MVP, o excelentíssimo senhor Chris Paul.

No outro jogo da rodada dupla, o Mavs enfrentou o Suns e passou boa parte do jogo tomando uma sova, até que resolveu fazer algo parecido com “defesa” e aí deslanchou completamente na partida. O fato de que o Nowitzki passou a comandar as jogadas e a bater para dentro, e que o Nash não acertaria nem se o aro fosse a bunda da Gretchen, ajudaram o Dallas a dar uma disparada. Mas o jogo só acabou mesmo quando o Dirk (que pra mim é disparado o jogador mais descoordenado da NBA quando bate em direção à cesta, mesmo quando ele acerta e faz direitinho) tentou penetrar no garrafão e saiu tropicando como um bêbado em churrasco de domingo. Aí, quando eu tinha certeza de que ele ia cair de queixo no chão, o alemão tacou a bola pra cima com aquele arremesso esquisito que eu vou ensinar para o meu filho e acertou de modo bastante improvável. Foi naquele absurdo que o final do jogo ficou praticamente decretado. E é claro que o Amaré errar enterradas e um punhado de lances livres não ajudou também.

Dá pra ver, portanto, que os jogos com Dallas, Nuggets e Warriors em quadra são, agora, os mais divertidos da NBA. Até o fim da temporada regular, não vou perder unzinho sequer. Especialmente contra o Clippers, aliás. Quero ver como o Elton Brand se sai nesses dois jogos e aplaudir aqui de casa a seriedade da equipe. Se bem que ninguém em Los Angeles vai ouvir e os meus vizinhos vão pensar que sou autista. Mas o Clippers merece.

Os novos elencos

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Big Ben nem ouve LeBron, apenas pensa num plano para matar Pavlovic e poder jogar de novo com a camisa número 3

Mal deu tempo de decorar todas as trocas que aconteceram, foram trocentas e as mais importantes se concretizaram de repente, no último minuto, sem sequer terem sido cogitadas na mídia antes. Isso torna nossa vida lendo sites de boatos um bocado inútil, mas agora é tarde, o vício já está feito. A brincadeira da moda, agora, além de namorar pelado e lembrar direitinho de todas as trocas, é assistir os times com suas novas caras.

Dei uma olhada no Mavs de Jason Kidd para ver como estão as coisas. Foram 15 assistências contra o Grizzlies e 17 assistências contra o Wolves, resultando numa média de 11 assistências por jogo e incrívels 4 roubos de bola por partida vestindo a camiseta do Dallas. Assisti a partida contra o Wolves e nos minutos iniciais, fiquei me perguntando se aquele careca perdendo a bola e se confundindo inteiro no ataque era mesmo Jason Kidd ou se era seu filho cabeçudo que resolveu ir trabalhar no lugar do papai que estava doente. Mas aí bastaram quatro assistências em quatro posses de bola seguidas, ainda no primeiro quarto, para que a suspeita desaparecesse. Jason Kidd ainda é o mesmo, só demora um pouco para esquentar e às vezes fica um bocado de escanteio. O Dallas está acostumado a não ter um armador principal, chama muitas jogadas em que Kidd sequer participa, mas durante todo o jogo o talento fala mais alto, os passes vão surgindo com naturalidade, ensaiados ou não, e a vida de todo mundo fica mais fácil. Nowitzki e Jason Terry estão fazendo a festa, tendo arremessos livres que antes nem imaginavam, mas curiosamente é o pivô destrambelhado Erick Dampier quem mais se favoreceu com a chegada do armador. Aquela cara de bocó e a falta de talento são famosas na NBA e ele é constantemente deixado sem marcação. Com a presença de Kidd, falhas de marcação viram enterradas fáceis. Eis aí como Kenyon Martin e Mikki Moore pareciam ser grandes merdas no Nets.

Minha única preocupação com o experimento Kidd, que por enquanto é um sucesso absoluto, é o que diabos o Dallas vai fazer contra os armadores adversários. Kidd foi engolido vivo por Chris Paul em seu primeiro jogo pelo Dallas, mas contra o Wolves também passou bastante vergonha sendo incapaz de parar Sebastian Telfair, o primo menos desmiolado do Marbury. Na hora dos playoffs, Kidd enfrentará Chris Paul, Deron Williams, Tony Parker, Baron Davis. E aí, vão colocar quem para marcar esses caras? Dá para imaginar que tipo de atrocidade Tony Parker e Manu Ginobili fariam sendo defendidos por Kidd e Jason Terry? Fica aí algo no que se pensar. Talvez mandar Trenton Hassel para o Nets não tenha sido uma idéia tão boa assim.

Outro time que estreiou elenco novo foi o Cavs. LeBron está cercado de amiguinhos novos para brincar e eu, pelo menos, gostei muito do resultado. Assisti Cavs e Grizzlies e fiquei muito impressionado com a inteligência e entrosamento imediato do time de Cleveland. Mas pode ter sido só uma ilusão de ótica porque o Grizzlies é tão ruim que até queimou minhas retinas. Ainda assim, Delonte West se saiu bem apesar de não ser um armador tradicional, Wally Szczczczcz(…) fez bem o seu papel apesar de não acertar os malditos arremessos e o Joe Smith mostrou porque era um dos melhores jogadores do Bulls, matando bolas fáceis e sendo consistente. Mas o negócio foi bom mesmo é pro Ben Wallance. Algo a se pensar: o Cavs foi campeão do Leste na temporada passada por ser uma das melhores defesas da NBA, certo? Por ser o time líder em rebotes ofensivos, certo? E o que acontece quando você coloca Big Ben num time voltado para a defesa e para os rebotes ofensivos? Se fosse o Show do Milhão e você respondesse “casamento perfeito”, ganharia os parabéns do Seu Sílvio.

Ben Wallace parece que nasceu para esse esquema, jogou sentindo que pertencia, empolgado, feliz de ter sido trocado. Não forçou um arremesso sequer, passou a bola (ele é melhor passador do que se dá crédito, mesmo nos tempos de Chicago Bulls) e até acertou os lances livres. Depois do jogo, soltou:

“A torcida foi ótima! Não me vaiaram. Isso é novo para mim.”

Pelo contrário, a torcida vibrou loucamente. Ele e Ilgauskas são um par perfeito e vão ter lindos filhinhos brancos com cara de sono e cabelo black power. Eu considero o Ilgauskas o melhor reboteiro ofensivo de toda a NBA. Ele pode não agarrar os rebotes, mas ele está sempre no lugar certo para dar um tapa, atrapalhar, manter a bola viva. É inteligente, salva bolas dando tapinhas para companheiros e isso não está nas estatísticas. Com Big Ben agarrando os rebotes com sua força costumeira, aí está um time assustador com umas quinhentas posses de bola a mais por jogo. Que tal?

Além disso, acho que vale a pena mencionar o Devin Brown. Ele não veio nesse mar de trocas, está no elenco desde o começo da temporada, mas sempre gostei dele desde que foi campeão com o Spurs. E olha que para eu gostar de alguém do Spurs o negócio tem que ser sério. Mas é que Devin Brown ataca a cesta, defende, acerta arremessos importantes e é tipo o avião invisível da Mulher-Maravilha, parece tão idiota que todo mundo esquece que está lá, mas pode salvar a pele da galera na hora do aperto. Pra mim, deveria se manter como titular do Cavs. Até porque a concorrência é mamata: Damon Jones (o auto-entitulado “melhor arremessador do mundo”) está acertando seus arremessos, pode ser mortal às vezes, mas não defende, não arma, não come, não respira – só arremessa.

Como não sou de ferro, resolvi assistir e comentar a nova cara do Houston Rockets. Não porque ele foi transformado por trocas, mas por contusões. Com Yao Ming fora, meu Houston entrou em quadra com Mutombo titular. O resultado? São agora 13 vitórias seguidas, dessa vez em cima do Wizards que, mesmo muito desfalcado, acabara de vencer o Hornets. Tudo isso com plaquinhas na torcida do tipo “Ainda acreditamos” e “13-0, façam pelo Yao!”. Tocante.

Muita gente por aí disse que o Houston deveria assinar o Jamaal Magloire para substituir o Yao Ming. Deixa eu dizer uma coisa: ninguém no mundo precisa do Magloire a não ser que seja para trocar uma lâmpada muito alta ou levar um rodízio de carnes à falência. Acreditem ou não, o Rockets tem banco de reservas para ter uma rotação grande, versátil e sólida. Os pontos no garrafão, meu maior medo sem Yao, não viriam com Magloire, de qualquer jeito. Então, para o bem da geladeira do meu time, é melhor deixar ele para lá.

Para continuar a sequência de vitórias, o Houston teve que encontrar espaços que sumiram sem Yao em quadra. O chinês recebe marcação dupla o tempo todo, gerando muitos arremessos livres de trás da linha de três pontos. Sem ele, a movimentação de bola foi fator fundamental e o Houston passou a bola de forma veloz e inteligente. Os piores momentos do time foram justamente quando T-Mac resolveu forçar o jogo e os passes, até então impecáveis, pararam. Mas o Rockets ganhou o jogo foi mesmo na defesa. Sem poder afunilar o garrafão na direção de Yao, cada um apertou mais seu homem no perímetro e Mutombo mostrou para o que veio.

Lembrem bem disso: nunca desconsiderem Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo só porque ele tem 4.000 anos de idade. Ele jogou pouco, foi bastante poupado, mas enquanto esteve em quadra (pouco mais de 20 minutos) deu quatro tocos, um para fora da quadra, e por três vezes fez o clássico sinal de “não” com o dedinho, ganhando uma falta técnica numa dessas vezes porque a NBA é um troço chato e o David Stern come meleca de nariz.

Mutombo deu seus tocos, o novato Carl Landry pegou uma chuva de rebotes ofensivos e acertou arremessos de fora do garrafão que deixaram Yao orgulhoso (o chinês não parou de dar conselhos para o novato no banco de reservas), Chuck Hayes defendeu muito bem cavando faltas e Scola acertou todos os seus arremessos. Aí está o garrafão do Houston. Não é um sonho mas não pode ser desconsiderado. Jogando entrosado como está, com velocidade, se mostrando de repente um dos melhores times da Liga em contra-ataques, talvez a ida aos playoffs aconteça de modo mais fácil do que eu imaginava. Para então sermos comidos vivos por Duncan, Boozer, Gasol, esses caras grandinhos por aí que, como o mundo é injusto, não quebraram o pé esses dias.

Mas nesses tempos em que até o Heat conseguiu uma vitória, tudo é possível.