Uns vão, outros vem

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Varejão mantém a fama dos brasileiros de
serem um povo caloroso e amigo

(enquanto seu cabelo mantém a fama
de que “o que aqui se planta, tudo dá”)

Assim é a vida: enquanto um perde, outro ganha; enquanto um sai da enfermaria, outro se contunde; enquanto um beija a Alinne Moraes, outro dá uns amassos na Preta Gil. É como se o Universo fosse uma equação tentando se balancear. Por isso, quando vi que, repentinamente, Monta Ellis voltaria de sua polêmica contusão para participar da partida de ontem contra o Cavs, fiquei preocupado. Alguém em algum lugar provavelmente iria se machucar feio, e as chances eram boas de que seria no Clippers, no Jazz ou no Houston.

O Clippers, como sabemos, é completamente macumbado e nada lá jamais pode dar certo. Baron Davis, Chris Kaman e Marcus Camby fazem turnos para ver quem fica contundido de cada vez, e se os três ficarem saudáveis ao mesmo tempo o espaço-tempo irá implodir. O Jazz não tem um histórico de contusões mas nessa temporada o negócio está feio, e não há oração mórmon que resolva: Carlos Boozer está de molho, Deron Williams passou um bom tempo fora, o surpreendente Paul Millsap volta e meia se machuca e o Kirilenko vez ou outra não pode sair do banco. Parece que todo mundo no elenco já passou algum momento dessa temporada na lista de contundidos, de verdade – mas dá preguiça de ir checar. Já o Houston não preciso nem falar, McGrady não teve um jogo saudável na temporada e resolveu descansar o joelho de vez, Ron Artest sofre com um tornozelo e Shane Battier com um pé inflamado. Não faz muito tempo em que comentei a fase do Houston como o eterno aguardo da derradeira contusão, a de Yao Ming, que cedo ou tarde teria que acontecer. Ou seja, Monta Ellis voltando para as quadras, meu Rockets enfrentando o Pacers, e tudo na mesma noite. Mal sinal.

Para provar que um raio cai quinze vezes no mesmo lugar, principalmente se esse lugar for um pivô chinês gigante, Yao Ming tomou uma trombada no joelho e, embora tenha tentado voltar pra quadra mesmo assim, nao conseguiu retornar para o segundo tempo. Embora os exames não tenham mostrado complicações, a pancada foi forte e todo mundo sabe que o chinês é feito em Taiwan, então tenho razões para me desesperar. As coisas até que estavam indo bem em Houston apesar das contusões, Yao estava tendo grandes partidas, o time estava usando o gigante como deveria e as vitórias estavam acontecendo. Mas pedir pra vencer o Pacers sem T-Mac, Artest e Yao é chutar o pau da barraca, quero ver o Spurs ganhar qualquer coisa sem Duncan, Parker e Ginóbili!

O causador de tudo isso foi Monta Ellis e sua recuperação alienígena, que obrigou o Universo a se balancear subitamente. De um dia pro outro, Ellis voltou a treinar com o time em jogos leves e, de repente, avisou que estaria em quadra contra o Cavs, foi titular e não sentava para descansar durante o jogo! Muito se falou, quando o Monta se machucou andando de motinho, do Warriors cancelar seu contrato milionário, principalmente porque existiam dúvidas sobre se sua condição física voltaria a ser a mesma. Então o sujeito foi de ter sua saúde em dúvida para jogar 34 minutos no primeiro jogo depois da sua contusão! Não importa quão bem o Monta Ellis esteja, não me interessa que ele esteja enterrando como nos velhos tempos, o Don Nelson deve ser retardado pra colocá-lo para jogar tantos minutos logo de cara. Ah é, tinha me esquecido: o Don Nelson É retardado, e a água é molhada. Continuemos.

O Monta Ellis começou o jogo um tanto enferrujado mas rapidinho voltou a ganhar ritmo e pareceu cada vez mais retomar a confiança no próprio físico, acelerando mais e mais o seu jogo, quase alcançando a velocidade da luz que lhe era tão comum uns tempos atrás. Mas o mais engraçado é que o Warriors fede tanto que, apesar de terem trocado por um armador principal (o Jamal Crawford) de modo que o Ellis não tivesse que ser improvisado na posição, como era a idéia original no começo da temporada, o Crawford se contundiu e a improvisação teve que acontecer mesmo assim. Parece que essa coisa de equilíbrio no Universo acontece lá dentro do próprio Warriors mesmo.

Com a volta do jogador que deveria ser sua estrela, o Warriors deu sinais de ânimo e teve uma boa partida contra um dos melhores times da NBA. Mas, quanto mais o jogo parecia destinado a um placar apertado, maiores eram as chances de derrota no quesito probabilidade: o Warriors vinha de derrota no último segundo para o Thunder num arremesso espírita do Jeff Green, e antes havia perdido também num arremesso de último segundo para o Kings, graças ao John Salmons, num jogo de três prorrogações. Como diria minha mãe depois de ler O Segredo, “a gente atrai aquilo de que a gente tem medo”, e eis que o Warriors se viu ganhando por um ponto mas com a última posse de bola nas mãos do Cavs. Parece até piada. Bola para LeBron, e o resultado vocês podem ver no vídeo abaixo:

Fora o arremesso, o vídeo tem tantos momentos bons que vou até dividir em ítens:
– o Turiaf marcando o LeBron, provavelmente porque ele é o único na equipe que sabe soletrar “defesa” e é capaz de levantar os braços
– o Varejão correndo pra cima do LeBron para comemorar e quase atropelando o Turiaf no processo
– a garota vestida de havaiana (não o chinelo, por favor!) empurrando os jogadores do Cavs e depois mandando eles embora, e tudo rindo
– o Maggette em sua pose “O Pensador
– o Andris Biedrins com sua moda “Jade
– o Monta Ellis e sua cara de “pra quê que eu fui voltar pra essa budega?” enquanto aguarda o replay

Ou seja, a volta do Monta Ellis foi ótima, seus 20 pontos foram impressionantes e ele mostrou ter um fator de cura mutante que ajudará a fazer valer o contrato estratosférico que ele assinou antes da temporada começar (se for demitido, pode tentar uma vaga nos X-Men). Mas ainda falta muita coisa para o Warriors ser um time e não um circo – quem sabe um pouco de consistência e menos narizes de palhaço?

Mas o Ellis não é o único que veio, e o Yao não é o único que foi. O técnico Marc Iavaroni, que estava apenas em sua segunda temporada no Grizzlies segurando um punhado de cocô na mão e tendo que fazer um bolo de chocolate, foi – pro saco. Eu até tinha uma certa vontade de conhecer o sujeito mas não deu tempo, alertamos sobre o potencial do Grizzlies e talvez por isso fosse importante passar a mensagem de que perder o tempo todo não será algo tolerado. Era inevitável, um técnico inexperiente guiando um time porcaria só poderia ser prejudicial para o próprio técnico, era uma situação em que ele só tinha como sair perdendo. Pro time, não fazia muita diferença mesmo quem estivesse no comando.

Já pelo lado dos que estão vindo – no caso, para os playoffs – acrescente o Bobcats. O Denis acabou de falar sobre a equipe e o impacto que tiveram nela Raja Bell e Boris Diaw. Ironicamente eu acabei de falar sobre o Suns e como eles viraram farofa recentemente, e aí está: um sobe, o outro desce. O Bobcats de Boris Diaw engoliu o Suns vivo, quer dizer, se você considerar que o Suns estava vivo depois de perder para o Knicks. O Shaq teve mais uma boa partida e ainda assim conseguiu ser pessimamente utilizado, o time tem menos identidade do que figurante da Malhação e até o Nash deu uma air ball que ficou mais perto de acertar a cabeça de um mesário do que de bater no aro, o que é sinal do fim dos tempos. Para o Universo se equilibrar, para um time lendariamente horrível como o Bobcats chegar aos playoffs, um time sensacional precisa ir para o lixo. Pois então chamem a vigilância sanitária, alguém precisa enterrar o Suns porque o corpo já tá fedendo. Nem meu Houston, que é amaldiçoado, passa tanta vergonha assim.

Mas, como sempre, vale finalizar relembrando que a maldição do Houston cada vez mais parece fichinha perto da maldição dos ladrões de franquia, o time outrora-conhecido-como-Sonics! Lembram como eles perderam trocentos jogos no último segundo como punição por terem se transformado no Thunder? Pois essa maldição vingativa consegue ser mais forte até do que a maldição do Clippers!

O primo amaldiçoado do Lakers jogou sem Zach Randolph, Baron Davis, Marcus Camby e Chris Kaman, todos machucados. Jogadores que estavam tapando buraco também se lascaram, como Brian Skinner, Mike Taylor e até o Mardy Collins, que saiu ainda no primeiro quarto contundido. Como ganhar um jogo assim? Pra piorar, Ricky Davis teve que ser o armador principal titular, e todo mundo sabe que sua simples presença em quadra significa milhões de arremessos sem sentido, nenhum passe para companheiros e uma derrota garantida no currículo. Some isso à melhor partida da carreira do Kevin Durant, com 46 pontos, 15 rebotes e 24 lances livres certos em 26 tentados, e teríamos uma vitória fácil para o Oklahoma! Não foi o bastante: o Ricky Davis causou fissuras no Universo errando todos os seus 6 arremessos mas dando 11 assistências (sem nenhum desperdício de bola!) e o novato Eric Gordon fez 41 pontos, acertando 12 de 19 arremessos. Não adianta, esse tal de Thunder não pode vencer. Mas é bom que o Eric Gordon saia do Clippers o mais rápido possível, ele é bom demais e, assim que um jogador voltar de contusão, é bem possível que o Eric Gordon acabe se lesionando. Isso ou o Shane Battier vai quebrar o cotovelo num acidente jogando peteca em Houston. Torcedor de time amaldiçoado sofre!

BolaPresa.com

Nosso endereço, bolapresa.com, voltou a funcionar normalmente! Matamos dois burocratas, três telefonistas, três cabras e dois coelhos, mas tudo agora já está de volta ao que era antes. Não precisa mais ficar procurando no Google, tentando lembrar como se digita “blogspot” e nem procurando a gente no Orkut pra saber o que aconteceu! Aproveite a deixa e bata na porta da sua vizinha gostosa, diga que nosso endereço está funcionando outra vez, e quando ela te olhar com aquela cara de “que diabos esse fedelho está falando”, lasque um beijo na garota. Se der certo, o primeiro filho terá que chamar Yao Ming, combinado?

Aproveitem a volta do endereço, visitem diariamente e espalhem para os amiguinhos!

Bola Presa Bowl

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“Vou vingar a morte dos meus pais! Uiááá!”

Lakers e Rockets tem um clima todo especial aqui no Bola Presa, desde os duelos exageradamente aguardados entre Yao e Shaq, que acabavam sempre sendo decididos por Kobe e Steve Francis (ah, finado Francis, o melhor ala de força já aprisionado no corpo de um armador). As rivalidades entre os jogadores são boas, a disputa no Oeste é apertada, e o perdedor sempre acaba sendo zoado aqui nos bastidores. Mas, mais importante do que isso, os jogos são sempre bons. Ontem não foi diferente, a partida foi memorável e me trouxe duas surpresas, uma boa e outra ruim.

A ruim foi que choveu demais em São Paulo e minha internet virou farofa, então não pude ver o jogo todo. Mas a surpresa boa foi ver como o meu time pareceu confortável mesmo sem poder contar com Tracy McGrady e Ron Artest. O T-Mac está sendo poupado na segunda partida das disputas em dias seguidos, para poupar o joelho, mas agora resolveu que passará duas semanas sem jogar pra descansar o joelho de vez e ver se a resposta do seu físico melhora um pouco. O Artest, por sua vez, está sofrendo com um tornozelo e, embora volta e meia esteja jogando em cima da contusão pra dar uma força quando preciso, anda mais sentando no banco do que qualquer coisa. Como se não bastasse, o Shane Battier volta e meia fica fora das partidas com o mesmo pé inflamado que o tirou de todo o começo da temporada. Então o Houston está segurando as pontas com um elenco completamente vaga-lume, uma hora um jogador acende, numa outra apaga, nunca dá pra saber qual elenco estará em quadra e nem com quem contar nos momentos decisivos.

Na noite de ontem, fiquei surpreso com o time estabelecendo Yao Ming desde o primeiro segundo de jogo contra o Bynum. Bem, o chinês simplesmente levou o pivô do Lakers para a escolhinha, ensinou a ler, a escrever, a comer de colher e a limpar o bumbum. Ao invés dos longos períodos em que o Yao não toca na bola, com os quais já estou acostumado nas partidas da minha equipe, o Houston alimentou seu pivô durante todo o jogo e permitiu que ele fizesse o que quisesse com o pirralho do Bynum. O melhor de tudo, no entanto, foi ver como o jogo não ficou estático e previsível apesar da insistência da bola nas mãos do Yao. O ataque fluiu, se movimentou, foi criativo, para mim o auge da compreensão do esquema tático do Rick Adelman nessa temporada. Méritos, principalmente, para o pivô chinês que jogou como nunca. Colocou a bola nas mãos certas nos momentos certos, se aproveitou magistralmente das marcações duplas e triplas que recebeu, fez o jogo fluir e ao mesmo tempo conseguiu ser agressivo e decisivo – tanto no ataque quanto na defesa. Juro que sequer consegui me importar com a derrota, a atuação de Yao e a tranquilidade do time me deixou fascinado, e a derrota só veio porque o porcaria do Rafer Alston errou três lances livres cruciais (dois deles com 7 segundos para o final) e cerca de quinhentos arremessos foram errados por todo o resto do elenco apesar de não haver marcação alguma, culpa dos passes precisos de Yao e a movimentação de bola que ele gerou e que eu nunca tinha visto igual. Vocês que me desculpem a babação de ovo, mas fazia tempo que o Yao Ming não me dava tantos motivos para sorrir.

Pela primeira vez na temporada, tive razões para ter esperanças. Não dá pra ganhar do Lakers, tudo bem, esse atualmente é o problema mais comum na NBA. Mas dá para ter um ataque criativo e veloz que envolva Yao Ming em – literalmente – todas as posses de bola, mesmo sem nenhuma outra estrela ou arremessador especialista andando pelo perímetro. Se o time estiver saudável na época dos playoffs e esse estilo de jogo for mantido, depois de tanto tempo de aprimoramento e tanta dificuldade em entender o que diabos o Rick Adelman queria dizer, é possível fazer muito estrago e talvez dar um susto no Lakers – ensinando uma coisa ou duas para o Bynum no processo, porque o pirralho é bom sem dúvida nenhuma mas precisa aprender muito na defesa e no ataque, já que seu maior recurso ainda é simplesmente seu físico. Veja como Yao domina os jogos na munheca, Andrew, faça um pouco de Tai-chi, medite e entenderá que não é preciso enterrar em todas as bolas, Pequeno Gafanhoto.

Mas assim como nos ensina a boa e velha filosofia chinesa, tudo tem dois lados, é o Yi e o Yang (não é o mesmo Yi do Nets, por favor). Se por um lado está todo mundo machucado e o Yao Ming está dando conta do recado permitindo que o Houston se mantenha competitivo, por outro lado cada jogo que passa aumenta estatisticamente as chances de que ele se machuque. Cada jogada é o momento em que Yao deverá se machucar e ficar fora do resto da temporada, cada minuto passado apenas aproxima o momento da contusão derradeira. Torcer para o Rockets é uma merda, convenhamos. Como alguém pode aproveitar um jogo sabendo que inevitavelmente o Yao vai se contundir enfiando um hashi no ouvido ou torcendo o pé porque não consegue enchergar o chão olhando lá de cima?

Torcer para o Houston só não é pior do que torcer para o Mavericks, o que está comprovado pelo Mark Cuban, que ontem quase estourou uma veia do rosto quando uma partida espetacular de seu ídolo-paixão-amoreco Nowitzki foi para o saco graças ao Billups. Foram 44 pontos do alemão, mas o Billups usou pela milionésima vez aquela jogada “malandro é o gato que nasceu de bigode”, em que ele finge que vai arremessar, o marcador dele pula, e então o Billups se taca em cima do pobre fracassado para cavar uma falta. Jason Kidd e Jason Terry estão na NBA há uns 80 anos somando as carreiras dos dois, eles já viram de tudo, de inflação desenfreada a crianças brincando de pião na rua, mas mesmo assim caíram no velho truque do Billups. Diabos, é tipo cair no “ei, o que é isso atrás de você?” ou então na piada do “não e nem eu”(Sabe a piada do não e nem eu? Não? Nem eu!). Os lances livres do Billups acabaram com o jogo e aí está, torcedores frustrados, o Cuban dando chilique, o Nowitzki desperdiçado, é uma sensação terrível de que sempre vai dar merda, tipo o Yao sempre prestes a se contundir. Vale a pena dar uma olhada no resumo do jogo, com o lance final:

Além disso, a noite viu o Orlando Magic dando certo: recorde de bolas de três pontos, que é o que acontece quando as bolas caem, o oposto das derrotas patéticas que eles sofrem quando essas mesmas bolas simplesmente não entram e o aro parece pequeno. No fundo, o Magic também está sempre apenas aguardando o jogo em que vai dar tudo, tudo errado. Mas pelo menos, quando dá certo, dá mesmo. É tipo a Kelly Key, quando dá errado é “irch”, mas quando dá certo, ah, como dá certo!

Contagem regressiva para o Blazers se lascar

Faltando um jogo e contando – ontem o Darius Miles entrou em quadra pelo Grizzlies, jogou bem e fez 13 pontos em 13 minutos.

Em algum lugar em Portland, Brandon Roy deixou cair uma lágrima. Travis Outlaw arremessou uma bola. O sol nasceu. Água caiu do céu. O JR Smith acertou apenas um de seus 14 arremessos. A Terra é redonda.

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Eu sei que a foto é velha, mas meu senso de estética me
impede de mostrar a porcaria do novo uniforme

Que eles são ruins, todo mundo sabe. O Denis até desabafou um tempo atrás sobre seu desespero com o tamanho fedor do time. Mas, justiça seja feita, a equipe de Oklahoma City tem melhorado a cada jogo e já é um time completamente diferente desde a mudança de técnico. O problema, no entanto, continua: o time outrora-conhecido-como-Sonics caminha para uma das piores campanhas da história da NBA. Agora começo a suspeitar que o problema não é talento, tática ou esforço. É maldição. Estamos lidando com forças cósmicas transcendentais que estão punindo a equipe por ter saído de Seattle. E não me venha dizer que você não acredita em maldições cósmicas em pleno auge de “O Segredo”, que conta até com versão da Ana Maria Braga (estou aguardando a versão audio-livro com a Bruna Surfistinha). Essa é uma época em que todo mundo explica superstição barata através de física quântica (mesmo sem fazer a menor idéia do que significa “física”, e muito menos o que significa “quântica”), então é melhor você levar a sério esses papos místicos, senão você não será “in” e ninguém vai querer te adicionar no Orkut.

Quando o PJ Carlesimo foi demitido, seu time havia ganhado apenas um jogo e perdido outros 12. Quando o então assistente técnico Scott Brooks assumiu, tentou imediatamente implementar algumas mudanças que foram dando resultado. O novato Russel Westbrook virou o armador titular, Kevin Durant deixou de ser armador e passou a ser ala, Jeff Green virou ala de força, e com isso o time ficou obviamente mais veloz – e mais baixo. O pivô Robert Swift foi deixado de molho até estar com a saúde nos trinques e agora é titular, única presença realmente física na equipe. Outros jogadores de garrafão como Chris Wilcox e Nick Collison foram perdendo espaço, vindo do banco de reservas e jogando cada vez menos minutos. A idéia, aparentemente, é focar em quem vai ser o futuro da franquia e deixar os outros de lado. Desde o primeiro segundo no comando, Scott Brooks instituiu treinamentos longos, puxados e, acima de tudo, didáticos. A abordagem dele é bem escolar, preocupada em ensinar a pirralhada a adquirir fundamentos. Daqui a pouco o resto do elenco vai dar o fora de lá e só a criançada vai sobrar, então nada mais justo do que se concentrar neles mesmo. Seja como for, um núcleo com Westbrook, Durant e Jeff Green não é de se jogar fora, especialmente quando eles tiverem idade para dirigir e ganharem algum pelo na cara. O Robert Swift também tem potencial, mas como ele é um adolescente revoltado e um pouco “emo”, talvez não sobreviva à puberdade.

Se a defesa da equipe não melhorou muito, o ataque pelo menos começou a entrar nos eixos. A melhora tem sido expressiva e, na base da correria, tem dado trabalho pra muitos times. O elenco mais baixo causa uma série de problemas para a marcação adversária, com alguém sendo obrigado a sair do garrafão para marcar Jeff Green, por exemplo. Mas ainda assim, o time de Scott Brooks só ganhou 3 partidas desde que ele assumiu, perdendo outras 18. O resultado é o fundo do poço, 4 vitórias e 30 derrotas ao todo.

É aqui que entra a maldição. Rá, vocês pensavam que poderiam deixar a cidade de Seatle sem um time? O sofrimento de todos aqueles torcedores que perderam sua grande paixão se materializou e começou a interferir com os jogos, quase como o Boneco de Marshmallow dos Caça-Fantasmas. A quantidade de vezes em que o Thunder quase saiu com a vitória mas falhou no final é assustadora. E isso sem falar das derrotas que vieram em cestas convertidas no último segundo. Então, vamos recapitular!

Logo no começo do trabalho de Scott Brooks com a equipe, eles perderam para o Suns por um pontinho graças a uma cesta de 3 pontos do Matt Barnes a 20 segundos do final. Foi a única liderança do Suns no segundo tempo, mas como Durant e Westbrook erraram dois arremessos que poderiam ter ganhado o jogo, se lascaram. Depois, teve a derrota por dois pontos para o Wolves graças a uma cesta no último segundo de Mike Miller, em resposta a uma enterrada de Durant que teria garantido a vitória. Então, perderam por 5 pontos para o Bobcats em noite inspirada de Okafor, por 6 pontos para o Heat num jogo que estava empatado nos minutos finais, por 9 para o Magic num jogo em que o Thunder tinha tudo pra ganhar até o quarto período, e por 6 para o Grizzlies numa virada histórica no último quarto, já que o time de Memphis chegou a perder por 21 pontos. O Thunder ainda perdeu para o Mavs por apenas 4 pontos, graças a 46 pontos do Nowitzki em noite espetacular – e pouco antes havia perdido para o Hawks graças a um triplo-duplo de Joe Johnson. No dia seguinte, perderam para o Spurs por 5 pontos, apesar de estarem vencendo o jogo com 30 segundos restando para o final da partida – o Thunder chegou a virar o jogo depois de estar perdendo por 26.

Pensa que acabou? Contra o Pistons, a derrota veio nas mãos de um arremesso incrível de Allen Iverson no último segundo:

Por fim, na sexta-feira teve reprise. Cesta de 3 pontos sensacional de Durant que daria a vitória à sua equipe apagada por uma cesta no segundo final de Carmelo Anthony. Vale a pena ver o vídeo pela reação da torcida de Oklahoma, totalmente desesperada:

A torcida está pagando o preço de ter arrancado o time que pertencia a outros torcedores. Eles roubaram uma uva que, magicamente, estragou bem na boca deles. O ex-Sonics pode fazer tudo certo, bater de frente com os grandes, deixar bons times no sufoco, mas tudo vai sempre dar errado no final, não tem jeito. É tipo o Clippers, mas com um uniforme mais ridículo.

Ainda assim, é curioso ver como os discursos de Nowitzki e de Tony Parker, depois de terem vencido o Thunder por pouco, eram extremamante parecidos: os dois disseram que o jogo foi feio mas que a vitória saiu. Parece que a pirralhada está jogando com vontade, criando problemas para as defesas adversárias e enfeiando o jogo. Isso é sempre um bom sinal, porque enfeiar o jogo – principalmente contra as melhores equipes – é marca dos campeões. O Cavs foi campeão do Leste apenas enfeiando todas as partidas, jogando mal pra burro mas fazendo os outros times jogarem ainda pior. Se o Cavs é uma gordinha, então eles faziam questão de tornar o outro time uma gordinha banguela. O Thunder não faz isso do mesmo modo que o Cavs, que dependia da defesa para tornar qualquer partida um espetáculo de estrume. Ao contrário, eles fazem isso através do ataque, do ritmo de jogo, forçando as outras equipes a entrarem na brincadeira, aumentarem a velocidade e cometerem trocentos erros – exatamente como o próprio Thunder, que corre, corre e depois faz merda.

Confesso que ando adquirindo um prazer mórbido em ver o time outrora-conhecido-como-Sonics jogar. É corrido, é intenso, é feio, é cheio de enterradas, de trapalhadas, de erros. É quase como o programa da Luciana Gimenes, uma besteira simples, veloz e sem sentido. E ainda dá pra contar sempre com alguma maluquisse acontecendo no final – na Luciana Gimenes, seria o Inri Cristo batendo no Toninho do Diabo; no jogo do Thunder, seria o outro time dando um jeito de vencer. Pela simples relação matemática entre minutos jogados e arremessos de último segundo convertidos, os jogos do Thunder já são uma atração à parte. Pode não ser pelos motivos mais nobres do mundo, mas a verdade é que eu recomendo. Tem o selo Bola Presa de qualidade, seja lá o que isso quiser dizer.

Minhas férias

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Kyrylo Fesenko, prestes a chamar a mamãe porque
algum cara grande e mau quer roubar sua bola

Aqui nos bastidores do Bola Presa, existe uma tradição. Quando um de nós vai viajar e fica distante da NBA por alguns dias, o outro faz um tipo de relatório das coisas mais importantes que aconteceram no período e envia por e-mail. Bem, o Denis tirou umas férias do mundo civilizado nessa semana e eu não fui exatamente um primor em regularidade no que se trata de posts para o Bola Presa, então ler o blog não será suficiente para cobrir tudo o que aconteceu nos últimos tempos. Resolvi então fazer um pequeno relatório para o Denis aqui, separando em tópicos curtos. Se você também tirou férias em algum buraco sem internet, TV a cabo e passou todos esses dias vendo novela da Globo, mais antenado com o flagrante na Flora do que com o que se passa na NBA, esse post pode lhe ser útil também. Então, vamos lá!

Votação para o All-Star

Saiu mais uma parcial dos mais votados para serem os titulares do All-Star Game dessa temporada. Pelo Oeste, o time pelo jeito será Kobe, T-Mac, Amaré, Duncan e Yao Ming. Vai ser no mínimo engraçado ver um garrafão com Duncan, Amaré e Yao, sem dúvidas o mais alto de todos os tempos. Mas o Carmelo Anthony ainda tem algumas chances de passar o Amaré, e Chris Paul pode merecidamente ultrapassar o McGrady, que muito provavelmente não estará saudável o bastante para participar da brincadeira.

No Leste, o time deve ser Wade, Iverson, LeBron, Garnett e Dwight Howard. Não deve haver nenhuma mudança, embora o Vince Carter não esteja tão atrás assim do Iverson. Mas o mais importante de tudo é o chinês Yi Jianlian estar atrás de LeBron e de Garnett na briga, ficando como terceiro ala mais votado. Isso já é débil mental o suficiente e pra mim é motivo de vergonha para o povo chinês, não significa que eles “dão valor ao que é deles”, e sim que eles não têm bom senso, noção de realidade e definitivamente não sabem brincar. Se o Yi fosse titular, não só todo o All-Star Game estaria maculado, virando uma piada de mal gosto, como o próprio chinês se mijaria de vergonha de entrar em quadra, frente ao absurdo. Nunca é demais lembrar, favor não votar no Leandrinho e no Nenê, a não ser que você realmente ache que eles merecem uma vaga e que será divertido, não porque eles são brasileiros e você também nasceu na terra do samba.

Outra prova de que os chineses não sabem brincar é o Rafer Alston, do Houston, que está na frente do Brandon Roy, por exemplo. O Shane Battier também está na frente do LaMarcus Aldridge, provavelmente porque tem uma propaganda de tênis lá na China, que aliás já derreteu metade do meu cérebro de tanto que eu assisti tentando acompanhar meu Houston nas televisões de lá.

Alguns outros não tem a desculpa de serem garotos-propaganda na China para serem tão votados, no entanto. O Gilbert Arenas é o sexto armador mais votado no Leste e não chegou a pisar em quadra nessa temporada, provavelmente nem pise. Nada como ser blogueiro, engraçado e famoso para garantir umas centenas de milhares de votos, aposto que eu também conseguiria – se eu fosse famoso (ou se eu fosse engraçado?). Mas eu não vou conseguir dormir até descobrir o porquê do Luke Ridnour ser o oitavo armador mais votado do Leste, praticamente empatado com o Derrick Rose e na frente (e com folga) de Joe Johnson e Jose Calderon. Diabos, o Ridnour não consegue nem ser o melhor armador do time dele (cargo que cabe ao Ramon Sessions), como foi parar na frente de uma estrela em talvez o melhor ano de sua carreira, caso de Joe Johnson? O pessoal em Atlanta não deve dar a mínima para NBA mesmo, ou então eles não têm internet.

Campeonato de enterradas

O bom-humor do Dwight Howard, com capa de Super-Homem e tudo, trouxe de volta para o Campeonato de Enterradas uma atenção mais do que merecida. Nos últimos anos a coisa tem subido cada vez mais de nível, e dessa vez tem tudo para ser inesquecível. Pra começar, o Dwight estará de volta para defender seu título, de preferência com mais algumas piadas e um punhado de coelhos na cartola (idéia a se considerar: enterrar coelhos?). Para desafiá-lo, teremos o ratinho voador Super Mouse, também conhecido como Nate Robinson, que sempre tem boas idéias de enterradas, pula pra burro, mas em geral leva três ciclos lunares para conseguir acertar o que quer. Teremos também Rudy Gay, que com certeza sabe sair do chão embora não costume mostrar muita criatividade, e um quarto competidor, novato, decidido pela internet: o espanhol Rudy Fernandez, o armador ultra-explosivo Russel Westbrook, ou o ala Joe Alexander. Por mais que eu goste do Rudy, e ele pegue pontes-aéreas como ninguém, Alexander tem a fama de ser o jogador mais atlético do último draft, um dos que pula mais alto e, pra completar, é de Taiwan – certamente vai vencer essa votação. A não ser que os chineses que votaram no Yi Jianlian tenham um plano de vingança contra Taiwan e sua vontade de liberdade e por isso votem em massa em qualquer um dos outros competidores. Se são desocupados o bastante para votar na porcaria do ala do Nets a ponto de deixá-lo em terceiro lugar entre os alas do Leste, tudo é possível.

Karma

Lembra quando o Steve Francis foi draftado pelo Grizzlies (que, na época, era de Vancouver) e se negou a ir para lá, exigindo uma troca? Pois bem, muita coisa aconteceu desde então. Francis se tornou um dos armadores mais espetaculares de todos os tempos, pelo menos se o assunto era enterrar na cabeça de todo mundo, e garantiu seu lugar no YouTube com centenas de pontes-aéreas incríveis com o Cutino Mobley. Infelizmente, ele era um ala de força tipo o Amaré, mas preso no corpo de um armador tipo o Calderon, o que parece roteiro de um filme de Sessão da Tarde feito pela Disney. O Houston não venceu com ele, que acabou sendo envolvido na troca pelo T-Mac, se separou de seu melhor amigo (o Mobley), pisou no Knicks amaldiçoado e desde então nunca mais foi relevante. Seus joelhos pediram arrego mas ele continuou tentando, voltou para o Houston, só que desde o princípio eu sempre soube que era mais um ato simbólico para dizer “opa, foi mal por ter te trocado e acabado com sua carreira, mas ainda somos amigos!” do que uma contratação de verdade. Acabou não entrando nunca em quadra e agora foi trocado de novo, para poder se aposentar em paz e finalizar o que deve ter sido o declínio mais rápido de um ser humano em toda história, só perdendo para aquela gordinha que ganhou o “No Limite” da Globo uns anos atrás. Mas dentre todos os times da NBA, para onde o Francis seria mandado como parte de uma troca de escolhas de segundo round do draft? Aqui se faz, aqui se paga. Do pó viemos, ao pó retornaremos. A justiça tarda mas não falha. E outras frases de calendário da Seicho-No-Ie ou biscoito da sorte chinês. Ou seja: Steve Francis, bem-vindo ao Grizzlies.

A muvuca no Warriors

Lakers e Celtics foi épico, mas lá no post sobre o jogo tem um link para quem perdeu (vamos ver até quando vai durar). Depois do jogo, o Celtics perdeu feio para um Warriors que, de repente, mostrou uma defesa poderosa e atacou os rebotes com aquela agressividade que ficou famosa na vitória em cima do Mavs nos playoffs retrasados. O Warriors defendendo, vencendo um dos favoritos ao título mesmo sem Crawford e Maggette? Talvez seja sinal de alguma mudança. Mas o Lakers, que venceu o Celtics, derrotou o Warriors no dia seguinte sem maiores problemas, num jogo em que o Warriors não defendeu, não atacou, não assobiou e não chupou cana (bem, talvez tenha chupado um pouco de cana, sim). Pelo jeito, a vitória em cima do Celtics foi apenas para provar de vez que o Warriors não faz o menor sentido. Stephen Jackson disse que se encontrou com o Baron Davis e pediu desesperado para ele voltar, e o Baron Davis disse que adoraria. O técnico Don Nelson também afirmou que seria bom ter Davis de volta. O time é tão confuso que eles não apenas não têm critério com os jogadores que estão no elenco (Marco Belinelli foi de não ser nunca utilizado em jogo nenhum para agora ter 36 minutos de média por jogo nas últimas 5 partidas, assim como o Morrow foi de nunca jogar para ser titular absoluto para então ser reserva de luxo, de volta a titular e agora mal entrar nos jogos), eles também não têm critério com os jogadores que não jogam para o Warriors. O Baron Davis foi colocado no banco pelo Don Nelson no último jogo da temporada passada, que valia classificação, e depois deu o fora da equipe. Maggette foi contratado como a peça que faltava no ataque. Monta Ellis seria o armador principal e voltaria em breve de contusão. Agora, Baron Davis é chamado de volta, o Maggette é desimportante, o Monta Ellis só deve voltar a jogar no mês que vem e o Don Nelson não sabe como deve utilizá-lo, e é mais fácil acompanhar aquelas brigas por causa de teste de paternidade no Ratinho do que a situação do Warriors. Então, deixa pra lá.

Força nominal no garrafão

O Jazz já estava sem o Boozer, mas seu substituto Paul Millsap provou que era um substituto tão à altura que ninguém vai se lembrar de renovar o contrato do Boozer na temporada que vem. Mas aí o Millsap se contundiu também, assim como o Okur. Não restou ninguém no elenco com mais de 30 centímetros, o time de Utah virou Jerry Sloan e os sete anões. No desespero, dois reservas que praticamente não existem ganharam minutos: o pivô novato Kosta Koufos, que teve uma excelente Summer League, e o Kyrylo Fesenko, que tem um bom nível de força nominal mas é um ucraniano zé-ninguém que passou a maior parte da sua vida na Liga de Desenvolvimento da NBA. Pois bem, não é que os dois chutam traseiros? Contra o Dallas, foram 3 tocos de Fesenko e 18 pontos com 8 rebotes para o Koufos, o suficiente para esmagar os bagos do garrafão do Mavs e sair de quadra com a vitória apesar do time titular parecer seleção sub-21. De quebra, o Nowitzki ainda conseguiu ser expulso de quadra por dar um soco no pentelho do Matt Harpring, depois de ser empurrado pra burro na jogada. Talvez o Nowitzki também estivesse puto de ter presenciado um dos flops mais ridículos de todos os tempos, o Kirilenko sequer se deu ao trabalho de sincronizar sua queda com os movimentos do alemão:

Bem, esse mesmo Jazz com Fesenko e Kosta Koufos (a dupla de garrafão com maior força nominal na NBA) conseguiu levar o Houston para duas prorrogações, com os dois jogando bem demais. Artest estava com o pé torcido, mas quando o T-Mac avisou que não estava em condições de jogar, deve ter percebido que uma dupla de garrafão como essas iria humilhar o meu Rockets. Artest resolveu entrar em quadra, jogar mesmo contundido e foi crucial na segunda prorrogação para garantir a vitória. Quem precisa de Okur, Boozer e Millsap, não é mesmo? Viva a força nominal!

Vida dura de novato

Pela primeira vez assisti ao Greg Oden conseguir ficar em quadra por mais de 3 minutos. Em geral ele é tão destrambelhado que com dois bocejos e um espreguiço consegue sair de quadra com 5 faltas. Fico imaginando como ele se daria numa loja de espelhos. Contra o Raptors, ele não teve problemas com faltas, fez 16 pontos e pegou 10 rebotes, nada mals. Mas, diabos, como foi fácil a vida de Bosh e Jermaine O’Neal durante a partida! Sei que é arriscado e precipitado, e eu não tenho mais pés para apostar, mas o Oden não parece ter os traços de um grande defensor, embora distribua uma boa parcela de tocos. Acho que vai demorar mais do que se pensava para que ele seja de fato dominante dos dois lados da quadra. Mas o Blazers pode esperar. O Brandon Roy, recentemente, anda até multiplicando pães. Certeza de que será escolhido pelos técnicos para jogar o All-Star Game.

Fantasy

O time do Denis, o Interlagos Racecars, perdeu os dois jogos que disputou essa semana no nosso Fantasy do Bola Presa. Ter o Darko Milicic no time não ajudou muito, e Jose Juan Barea andou tendo seus minutos podados com a volta de Josh Howard (que, aliás, é do meu time, e demorou demais pra voltar, maldito!). Denis, não é por nada não, desculpa mesmo, mas por enquanto teu time fede!

O futuro do Mavs

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Devin Harris ainda está chocado com a facilidade
com que chuta o traseiro do Mavs

No post de ontem, comentando sobre a troca de Jason Kidd por Devin Harris na temporada passada, afirmei que a janela para título do Dallas Mavericks parecia definitivamente fechada. Não quero, no entanto, dar a impressão de que o Mavs fede. O começo ruim do time de Dallas, com derrotas para times questionáveis como Bulls e Clippers (e trocentas outras contra Cavs, Magic, Nuggets, Lakers, Spurs) criaram um clima de decadência na franquia aos olhos do público. Basta pensar no Mavs e imaginamos o declínio, o fracasso, os tornozelos do Kidd torcidos por um drible do Devin Harris. Essa espécie de aura não é muito racional, afinal o time tem melhorado de produção, se recuperou um pouco na tabela, está se acostumando com o novo técnico e passou tempo demais sem poder contar com Josh Howard, contundido. Mas a sensação é de descrença, parece que ninguém mais leva o Mavs a sério. Eles ainda são um grande time, isso é fato, mas bons o suficiente para sequer chegar aos playoffs no Oeste? A briga provavelmente será apenas entre 9 times (o Clippers não entra na lista porque a qualquer momento alguém por lá vai quebrar o pescoço escovando os dentes) e será que há algum motivo para acreditar que o Dallas conseguirá terminar a temporada acima da nona colocação?

Aquele Mavs com Devin Harris não parecia ter as condições pra chegar muito longe, mas talvez fosse apenas uma questão de estilo de jogo, não exatamente de elenco. Com Jason Kidd era possível juntar um dos melhores armadores dessa galáxia a um eterno candidato ao prêmio de MVP, Dirk Nowitzki. Era um risco, um comprometimento com a vitória imediata. Mas o estilo de jogo continuou o mesmo e Jason Kidd parecia tão amarrado e tímido quanto Devin Harris nos seus tempos de Mavs. Se os dois chutaram traseiros no Nets, a gente começa a desconfiar que o problema não são eles, mas o time de Dallas e seu modo de jogar basquete. Com um técnico novo, o Rick Carslile, Kidd está se sentindo bem mais à vontade em quadra – provavelmente porque foi implatada a mesma “princeton offense” com que ele estava acostumado em New Jersey. Mas agora não é mais questão de estilo, e sim de elenco: falta um jogador explosivo, agressivo, que ataque a cesta e crie espaços. Ou seja, eles precisam do Delorean para voltar no tempo, impedir a troca pelo Kidd, trocar o técnico e dar liberdade ofensiva para Devin Harris. Às vezes, o melhor modo de ajudar os companheiros arremessadores é atacar a cesta ao invés de passar a bola, algo que vem dando certo em algum grau lá no Nets e é justamente do que o Mavs precisa. É por isso que a torcida de New Jersey tem que agradecer que ninguém tem um capacitor de fluxo por aí. E agradecer ao Mark Cuban também, por ter feito a troca, como no vídeo abaixo.

Acho que o mais legal do vídeo é o Vince Carter rindo pra burro quando percebe o que a torcida está cantando. Ele olha pro Devin Harris, compartilha com o garoto a graça do momento e não parece ter muitas saudades dos velhos tempos. Desculpe Kidd, você é um dos melhores de todos os tempos, mas o Devin Harris apenas faz o Vince Carter melhor e permite que ele seja um líder em quadra – o que mais Carter poderia querer?

A função que Harris deveria estar exercendo no Mavs (mas que, como vimos, não exercia quando estava na equipe) continua vaga, não importa quão bem esteja Dirk Nowitzki. Ao contrário do bom senso popular, que acha que faz mal tomar banho de barriga cheia e misturar leite com manga, eu não acho que o Nowitzki seja um jogador que só sabe fazer uma coisa e que fuja do contato físico. Seu jogo evolui a cada partida, e se em algum momento ele era apenas um arremessador que preferia jogar vôlei pra não ter que tocar em ninguém, isso já faz parte do passado. O alemão não tem medo de bater para dentro do garrafão, tomar umas porradas e decidir jogos no finalzinho, coisas que ele continua tendo uma fama enganosa de não fazer. Mas uma coisa que o Dirk não tem e nunca vai ter é um primor de coordenação motora, tenho certeza de que ele jamais passaria naqueles testes de desenhar uma linha reta para tirar carteira de motorista. Quando bate pra dentro, em geral fica desequilibrado, torto, um animal fora de seu meio natural, algo como a Bruna Surfistinha atuando numa novela da Globo. Dá pra contar com o Nowitzki pra conseguir seus pontos de qualquer meio imaginável, ele está tendo uma das melhores temporadas ofensivas de sua carreira, mas não dá pra apostar que ele será físico e se sinta à vontade enterrando bola atrás de bola.

Josh Howard poderia ter essa função de atacar a cesta agressivamente e criar espaços, mas não só ele teve atuações preguiçosas e desencorajantes nos playoffs como também acabou de voltar de contusão e está indo aos poucos, sem ritmo para nada. Na sua ausência, Gerald Green ganhou uma oportunidade única ao ser titular e receber essa função. Acontece que, apesar de ser ex-campeão de enterradas, Green sonha em ser Kobe Bryant e prende-se muito aos arremessos de longe. Seu jogo também é muito cru nos outros aspectos e seus minutos foram sumindo com o tempo, especialmente pelas falhas defensivas. O mais novo experimento em Dallas foi usar JJ Barea, o homem que só sabe pontuar, no quinteto titular. Às vezes ele compromete completamente o ataque, por ser agressivo demais e talentoso de menos, mas tem horas em que sua mentalidade por si só já abre espaços para o resto do Mavs jogar como quer. O projeto poderia ter futuro, mas Josh voltou de suas férias e foi direto pra quadra, mesmo que vá levar semanas para estar em condições de jogo. Ainda assim, não é ele quem resolverá todos os problemas. Trata-se de um time pouco agressivo, nada físico, sentindo já o desânimo de não ser bom o bastante para um título e o peso fúnebre da idade. Mentalmente, parece que eles nunca se recuperaram da derrota para o Warriors nos playoffs, naquela zebra incrível em que perderam apesar de terem se classificado como líderes do Oeste. É como se eles sempre pensassem que não interessa o que façam, vão acabar perdendo mesmo porque falta alguma coisa. E a verdade é que o time é excelente, mas falta alguma coisa mesmo, não tem como negar. Ficar tentando ignorar isso não vai dar muito certo porque o tempo está correndo contra o time. Não importa o quanto o Mavs seja bom e o Mark Cuban esteja satisfeito com sua equipe, o elenco inteirinho irá pro lixo se eles ficarem fora dos playoffs ou se conseguirem apenas uma oitava ou sétima vaga seguida por eliminação para uma das equipes do topo. O contrato de Kidd acabará nessa temporada, certamente não será renovado, mas o Mavs ainda assim não terá dinheiro para contratar uma outra estrela no lugar, tendo em vista que eles estão muito, muito acima do limite salarial. Então continuará faltando algo, talvez falte ainda mais, e os resultados só vão ladeira abaixo.

O que fazer com esse time bom mas limitado, com falhas claras, assim que Kidd der o fora? Será o momento de decidir começar tudo de novo ou então abordar os defeitos e achar que algum remendo será suficiente para alcançar um título. Porque ficar no mais-ou-menos a gente sabe que não funciona, às vezes é simplesmente melhor feder por uns anos do que ficar mediano pra sempre.

Sobre isso, Dirk Nowitzki foi enfático: ele já tem os títulos pessoais, já foi MVP, agora ele quer deixar de ficar no “quase” e decidiu ganhar um título. Para isso, disse que estará disposto a aceitar menos dinheiro quando seu contrato acabar em 2010. O Mark Cuban ficou todo feliz e exaltou como o alemão é um cara legal, o que aliás é verdade. Dirk se importa com o esporte mais do que tudo, fez questão de abandonar a vida e ir jogar pela seleção alemã, levá-la para as Olimpíadas, e agora vai abrir mão de umas verdinhas para tentar ser campeão. Mas pra mim a afirmação do Dirk é bastante ambígua, ele falou que aceitaria menos dinheiro, mas não disse exatamente onde. Então não dá pra imaginar ele indo jogar num time com mais chances de título e deixando pra lá esse Mavs que deixou seu auge para trás e agora sofre com a falta de sei-lá-o-quê? Alguns, inclusive, afirmam que seria uma péssima idéia para o Mavs optar por montar (ou manter) um time em volta do Nowitzki, que seria muito limitado. Olha, se o time em volta do Joe Johnson deu certo, acho que qualquer coisa dá – basta ter as peças certas ao redor.

É triste, mas nos últimos anos testemunhamos o fim de quase todos os times que jogavam um basquete veloz e focado exclusivamente no ataque. Primeiro o Phoenix Suns, com o Shaq, resolveu abandonar a porra-louquisse. Agora o Mavs já está na marcha-lenta faz um tempo, quase se desmantelando apesar do talento inegável da equipe. Os poucos times que sobraram nessa linha, Warriors e Knicks, não passam de anedotas, piadas de papagaio, são times velozes e criativos que não metem medo em ninguém e que não podem ser levados a sério (são “pornô ruim”, com penetração mas que ninguém gosta de ver, como disse o Denis). O Warriors em especial é um circo, o Don Nelson agora passou a defesa e o ataque para assistentes seus, está responsável apenas por sentar no banco e lidar com os jogadores, e parece ter perdido completamente a cabeça de vez (o Marco Belinelli ser titular é um dos sinais do Apocalipse, está na Bíblia!). O Don Nelson ganha um salário para ser maluco, não treinar a equipe e ficar no banco, e tem gente que acha que só o Marbury ganha dinheiro fácil

O Mavs vai ter decisões complicadas para tomar em breve, e que dependerão da recuperação da equipe nessa temporada: se eles de repente dão muito certo, a esperança pode segurar essas peças juntas por mais um tempo. Mas eu não consigo imaginar um time melhor que esteja tão longe de ganhar um título em toda a NBA, o que pra mim deveria ser um sinal claro de “taque fora e comece de novo”. Mas se no Warriors – que fede muito – não tacam a budega fora para reconstruir, não culpo o Mark Cuban por continuar acreditando em seu Dallas. Só que para acreditar de verdade, ele precisa remodelar um pouco, fazer umas trocas. O problema é aquele eterno medo de fazer merda outra vez, aquele maldito Devin Harris que puxa seu pé todas as noites.