>O mito da idade

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Pagar milhões para um jogador desconhecido é
fácil, difícil é lhe arranjar um boné que sirva

O chinês Yi Jianlian mentiu a idade. Em outra notícia igualmente chocante, a água é molhada e às vezes cai do céu. Todos estão abismados com evidências recém-descobertas que apontam a idade de Yi como sendo 24 anos ao invés de 21. Sério? Abismado eu estou em ver a foto do documento escolar que mostrou a verdade e notar que Yi tem a mesma cara, o que me leva a crer que ele nasceu com 2 metros e a mesma fisionomia que tem hoje. Provavelmente isso seja o dado que faltava para considerar a hiopótese de que ele nasceu numa encubadora e é um projeto genético do governo chinês. Outros cinco mil chineses idênticos, da mesma safra, estão apenas esperando Yi Jianlian se contundir para substituí-lo. Certamente ele irá encerrar sua carreira sem jamais ter perdido um jogo por contusão e nós sequer desconfiaremos da conspiração.

Na época do draft de Yi, todos os sites especializados falavam sobre as dúvidas quanto à sua idade, então era algo de que todos estavam cientes. Diz a lenda que na China é muito fácil forjar a idade de qualquer um, graças à dificuldade em manter registros de quadrilhões de pessoas, mas se o governo chinês ganhar alguma coisa com essa idade forjada então podemos ter certeza de que é mais fácil ainda, basta meio bilhão de burocratas “olharem para o outro lado” e pronto. No caso de Yi, havia uma certa urgência para que ele fosse para a NBA desenvolver seu jogo a tempo de render nas Olimpíadas e quanto mais jovem ele fosse, maiores as chances de que conseguisse ser draftado como uma estrela ao invés de sumir em algum banco de reservas por aí. Tudo por causa daquela boa e velha palavrinha mágica: potencial.

O “pode ser” sempre parece ter muito mais força do que o “é” em nossa cultura, e isso não apenas no basquete ou no esporte. Qualquer coisa que possa valer milhões é melhor do que algo que já valha alguma coisinha, é nossa abordagem com o dinheiro. Nossa relação com o mundo também é mais ou menos assim, estamos cercados de objetos ao nosso redor mas estamos interessados no “pode ser”, na divindidade que talvez exista por trás das coisas, em gnomos, alienígenas, no paranormal. O real, o agora, nunca é o bastante. Queremos as possibilidades do futuro, o improvável, aquilo que possa estar por trás – em detrimento do presente. No fundo, é mais ou menos como ficar esperando com tanta intensidade a Alinne Moraes tirar a roupa que o fato dela estar ali, na sua frente, acaba sendo completamente ignorado.

Alguém, em algum momento, olhou para o Kwame Brown e disse: “bem, ele tem mãos pequenas incapazes de segurar uma bola de golfe, não consegue pontuar quando está um passo longe da cesta, acha que “arremesso” é coisa de beiseball e tem a confiança de um jogador de Ragnarok no meio da mansão Playboy. Ele pode ser um bom jogador.” Nesse ponto de vista, qualquer um pode ser bom jogador. O resultado desse raciocínio é um punhado de aberrações por aí, tipo o Stromile Swift. O cara não faz idéia do que seja basquete, dizem que ele até já ouviu falar, mas quando foi draftado era todo potencial. Nenhuma inteligência em quadra, habilidade, recursos, mas veja seu físico, veja como pula, ele vai chegar lá um dia. Minha impressão é que no basquete todo mundo drafta jogadores excelentes para participarem de atletismo e ganharem competições de salto em altura. Mais de oito anos se passaram desde que Stromile Swift foi draftado, passou por quatro equipes diferentes, deu boas enterradas. Alguns malucos ainda esperam o ano em que ele mostrará seu potencial, mesmo ano em que o Gugu assumirá os programas do Silvio Santos. Sempre tem um velhinho banguela gritando “vocês vão ver só”.

Confesso que é impossível não lidar com jogadores da NBA em termos de potencial, mas isso ao menos deveria ser completamente secundário. O que o jogador apresenta naquele momento deveria ser sempre o crucial, o mais importante. E então a idade acabaria se tornando algo banal. Na cabeça de alguns, há muita diferença entre o Yi Jianlian ter 21 ou 24 anos. Uma questão de potencial, de quão alto ele poderia alcançar. Mas faz diferença quantos anos o Stromile Swift tem se ele nunca soube jogar basquete e provavelmente nunca saberá? O Yi é inconsistente, fraco na defesa, mas isso não é uma questão de idade de modo algum. E, ao contrário do Stro, Yi chegou na NBA com uma técnica invejável e apurada, um arremesso lindo, uma passada explosiva. Lembro muito bem, nos primórdios do Bola Presa, de ficar babando no chinês. Que ele seja mais velho, que ele tenha 30 anos, que diferença faz? O que ele precisa é de tempo de quadra, bons técnicos, ritmo, porque basquete ele já joga. Retiro o que eu disse e não vejo mais uma estrela nele, porque eu via apenas potencial. Escapando dessa contradição, prefiro ver o que o Yi Jianlian é agora: um jogador competente, inconsistente, que poderia ser um trintão e não faria qualquer diferença. Convenhamos, não é como se alguém fosse assinar um contrato de 20 anos com o rapaz e perigasse adentrar em sua velhisse por causa de uma mentira na certidão de nascimento.

Esse papo de potencial também está em alta por causa da troca da temporada passada entre Devin Harris e Jason Kidd. Tratava-se de uma troca entre potencial e realidade, juventude e experiência. Eu fui o mané do Bola Presa que foi a favor da troca pelo lado do Mavs (o Denis não achou boa idéia), mas o que eu tinha em mente é que Jason Kidd poderia ser o que faltava para o Mavs ganhar naquele momento. Para mim, a janela do Mavs estava se fechando, eles não durariam muito, e era preciso achar a receita certa o mais rápido possível. Eu posso ter errado a receita, o Jason Kidd não era o ingrediente correto, mas não errei o prognóstico: cada vez mais parece que a janela do Mavs se fechou de verdade, que as possibilidades de título morreram. Com o Devin Harris as coisas seriam diferentes? O Mavs deveria ter esperado pelo potencial do Harris se desenvolver? Coisa nenhuma. Não havia potencial em jogo ali, mas sim a atualidade, a realidade instantânea. O Devin Harris já havia torturado o Spurs, humilhava várias defesas adversárias, apenas não tinha espaço e liberdade para atuar na maioria do tempo. Minha mãe sabia que o Devin Harris chutaria traseiros se tivesse liberdade ofensiva, mesmo caso de Tony Parker e – por que não – de Rajon Rondo. Olhar esses jogadores jovens não é pensar o que eles poderiam ser se desenvolvessem seus talentos escondidos, se liberassem seu poder oculto como se isso fosse Dragon Ball Z, ou se atingissem o Sétimo Sentido em Cavaleiros do Zodíaco. Trata-se de ver o que eles podem fazer agora, nesse instante, e de como podem fazer ainda mais disso. O Mavs não seria melhor se tivesse Devin Harris e continuasse utilizando o armador daquele jeito burocrático que sempre utilizavam.

Não quero dizer com isso que jogadores não evoluam, longe disso, embora eu aposte meu pé em como o Rajon Rondo vai morrer sem aprender a arremessar. Mas é que os jogadores evoluem coisas que já estavam lá, e não o invisível, o improvável. Podemos ver tendências, mas o que se faz com os jogadores na época do draft, tão preocupados com idade e físico, parece ser um exercício de imaginação. Jogadores “de verdade” acabam sendo deixados de lado em nome de jogadores-fantasia, riscos que podem trazer alto lucro. O ápice disso foi o Kings, que ao draftar o ala Jason Thompson deixou todo mundo chocado. Um ala de verdade, que faz o trabalho sujo, com técnica e inteligência em quadra? Que loucura é essa, como assim não draftaram um dos pivôs togoleses que nunca pegaram numa bola de basquete mas que talvez, dizem por aí, engulam espadas flamejantes? Nunca mais vou me preocupar com a idade de jogador nenhum no draft, pode ser a idade real ou a idade do RG de balada. O cara sabe jogar agora? Pode contribuir? Manda pro meu time. Pode ficar com o Kwame Brown pra você, e divirta-se.

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Harris, Carter e Yi tapam o nariz no maior estilo “não fui eu”

Na noite de sábado, dois times enfrentaram-se em situações estranhamente opostas: New Jersey Nets e o Philalphia 76ers. Se qualquer um tivesse que arriscar, quando a temporada começou, qual desses times iria chutar traseiros e qual iria feder pra burro, teria errado sem sombra de dúvidas. Estou imensamente feliz de não ter apostado meu pé nessa.

O Sixers surpreendeu na temporada passada, embora eu nunca tenha entendido direito o porquê. Escrevi uns trocentos posts na época dos playoffs tentando compreender o que acontecia com a equipe, que ganhava mesmo indo contra toda a lógica e os bons costumes. Chega uma hora em que a gente desiste, eu não entendo como alguém não esgana a Mallu Magalhães durante o sono, mas como ela continua viva eu tenho que aceitar o fato. Ou seja, me restava aceitar que o Sixers estava jogando muito e, com a adição do Elton Brand, as coisas só tendiam a melhorar.

O caso é muito parecido com o Bulls da temporada 2006-07. Era um time jovem demais para constituir qualquer ameaça no Leste, sem nenhuma grande estrela, completamente mediano e feito de jogadores de apoio, que acabou indo para os playoffs e eliminando o então campeão Miami Heat num humilhante 4 a 0 que obrigou o pessoal do Heat a passar por baixo da mesa de ping-pong. No entanto, o time tinha uma clara deficiência no jogo de garrafão, todo mundo lá tinha alergia à área pintada e o então contratado Ben Wallace prefere dar um toco num companheiro de equipe do que fazer uma cesta para seu time. Na temporada passada, muita gente (tipo um certo blogueiro de um certo blog que começa com uma certa letra “B” de “Bola Presa”) achou que o Bulls, mais experiente, seria sério candidato ao título do Leste. Agora parece tão engraçado quanto dizer que o Vasco tinha chances de ir pra Libertadores.

Com esse Sixers, a história é a mesma, com apenas uma diferença fundamental: o Bulls tinha uma deficiência no garrafão que não foi resolvida. O Sixers, pelo contrário, contratou um dos melhores jogadores de garrafão que já pisou nesse planeta para solucionar o problema. Resultado? Parece que o time foi ladeira abaixo. É aquela famosa lógica: quando você faz merda, dá merda; quando você faz certo, dá merda também. Não tem jeito, faz parte do esporte. Como diria Manu (não o Ginóbili, e sim a ex-Big Brother gostosa), “Xogo é xogo!”.

Se eu não entendia como aquele Sixers poderia dar certo, como é que vou entender porque eles estão dando errado? Então essa eu prefiro pular, Seu Sílvio, até que eu tenha visto mais jogos da equipe, com todo mundo saudável e com um pouco de consistência. Mas o Nets, por outro lado, tem me fascinado justamente por estar na situação oposta, como um time que deveria feder mas está galgando posições no Leste – e é uma situação bem mais fácil de analisar.

O mundo que me desculpe, mas Vince Carter é um dos melhores jogadores da sua geração e, se não é lembrado por muita coisa além das suas enterradas, é porque deu azar de cair em times que não apresentavam condições favoráveis. Nem é questão da qualidade dos times, mas sim de suas identidades. No Nets, por exemplo, Carter tinha a ajuda de grandes jogadores como Kidd e Richard Jefferson. Mas nenhum dos dois é capaz de criar as próprias condições de arremesso, são jogadores que estão em seus ápices durante contra-ataques e não demandam muito a bola. No ataque de meia quadra, em geral passavam para o lado e isolavam Vince Carter num canto para que ele decidisse sozinho, atacasse sozinho e lavasse a louça sozinho. Alguns jogadores vivem para estar numa situação dessas, o LeBron jamais reclamou, mas Carter nunca se sentiu conforável nessas condições. Em nenhum momento da carreira ele foi uma segunda opção ofensiva num ataque de meia quadra mais estruturado, em que o resto do time inteiro não pudesse focar nele. É aí que entra Devin Harris.

O Denis colocou o jovem jogador do Nets na segunda colocação de sua lista dos armadores que mais o assustam (se a lista incluisse todas as posições, com certeza seria encabeçada pelo Kevin Garnett: se você não acha ele o mais assustador, deveria perguntar para o Glen Davis, que chorou quenem uma criancinha de medo do sujeito). De fato, o Devin Harris deixa as defesas em colapso com sua atitude continuamente ofensiva e os bagos necessários para sempre bater para dentro do garrafão. O resultado é um Vince Carter que não é o foco do ataque, que não precisa atacar sozinho, que dá arremessos mais livre de marcação do que nunca, e que ao mesmo tempo pode ser o líder do time, especialmente no final dos jogos decisivos. Como o Nets só tem pirralhos, Carter pode ser a voz da experiência, o cara mais respeitado cheio de histórias de guerra e da época em que dava pra comprar um jornal com 5 centavos. Ele tem um time inteiro só pra ele, sem ter o fardo absurdo de carregar nas costas toda a carga ofensiva do time, como acontecia no Raptors e inclusive no Nets do Kidd. Pergunte lá em Dallas se o Kidd consegue pontuar e eles vão dar uma boa gargalhada e pedir o Devin Harris de volta. É sempre assim, todo mundo era feliz e não sabia.

Tanto Vince Carter quanto Devin Harris estão entre os dez primeiros da liga em pontos e o ataque do Nets é um dos que mais pontua, apesar de estarem entre as duas piores defesas da NBA. Sem que ninguém tenha percebido, eles instituíram um verdadeiro run and gun em New Jersey, correndo como uns malucos, atacando a cesta e deixando essa tal de defesa para as mocinhas. Depois de tantos anos de Suns, a gente sabe que isso não funciona contra os grandes times (Spurs, alguém?), mas quando bem executado quebra um belo de um galho contra a maioria dos times e tem tudo para levar o Nets aos playoffs. Tem gente até cogitando o Devin Harris para MVP, o que obviamente é sinal de um bocado de pinga, mas sem dúvida mostra a influência que ele tem no ritmo e no sucesso da equipe. Só torço, sinceramente, para que o Vince Carter também receba a atenção que merece. O aproveitamento nos arremessos é o melhor da carreira, também marca da ajuda que Carter nunca recebeu. Seu modo de jogo está mais maduro, mais eficiente e até sua linguagem corporal é impressionante: ele está feliz de estar ali com a garotada e parece um líder como nunca ousou tentar ser.

O futuro do Nets é promissor: Yi Jianlian às vezes até parece que vai se tornar um ser humano, Brook Lopez domina o garrafão em alguns momentos e o também novato Ryan Anderson foi uma grata surpresa nos arremessos de fora (para o meu time de fantasy também, inclusive). O único problema é que times jovens demais no Leste que surpreendem e vão parar nos playoffs parecem fadados a dar errado na temporada seguinte. Então meu palpite é de que o Nets vai eliminar o Celtics nos playoffs e na temporada que vem vai se desfacelar apesar de contratar uma grande estrela. A lógica parece não ter lógica, o mundo do basquete é sempre regido pelos Monstars, do Space Jam, que vivem roubando o talento de uns para dar para outros. Tipo um Robin Hood espacial, saca? A diferença entre o Nets e os fracassos do Bulls e do Sixers, no entanto, pode ser justamente Vince Carter e um casamento inesperado mas ideal com a atual formação da equipe. Na hora do aperto, a bola pode ir pras suas mãos enquanto a pirralhada aprende a caminhar sozinha. Ou a andar de patins, no caso do Devin Harris, claro.

O apressado come cru

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Fracasso de uma era: dois foram trocados,
os outros dois nem entram em quadra

Não deu tempo nem de dizer “parangaricutirimirruaru” e o Knicks trocou mais um armador. Não, também não foi o Marbury dessa vez, que continua cativo.

No post abaixo, falamos sobre a troca de Jamal Crawford por Al Harrington, mas já que queimei meu cosmo e atingi o Sétimo Sentido, escrevi na velocidade da luz e acabei tudo antes que uma nova troca fosse anunciada. Agora, a troca foi com o Clippers: Zach Randolph e o armador Mardy Collins em troca de Tim Thomas e Cutino Mobley. O que é, de longe, uma das trocas mais imbecis que eu já vi na vida. Agora sim uma troca que ajuda a trazer ao mundo alguns palavrões, já que eles andam em falta nesse planeta desde que a Dercy morreu.

Nós aqui do Bola Presa sempre estouramos nossa cota mensal de piadas com o Zach Randolph, mas é inegável que ele se deu melhor no esquema do técnico D’Antoni do que em qualquer outro esquema no restante da sua carreira. As médias de mais de 20 pontos e mais de 12 rebotes por partida mostram que a produção era alta, e seu estilo de jogo tinha tudo a ver com a nova fase do Knicks, puxando contra-ataques ele próprio, defendendo pouco e arremessando de longe (inclusive de 3 pontos). Muito se falava sobre as intenções de trocar nosso gordinho favorito antes da temporada começar, mas quando ele se deu bem na correria, os boatos calaram. Quando finalmente Randolph ganhou valor de fato e parecia se encaixar em algum lugar, foi trocado sem nenhum aviso aprévio. Será que alguém com 20 pontos e 10 rebotes de média na carreira foi tão indesejado quando o Zach Randolph na história da NBA?

Com a troca, David Lee volta a ser o titular. Ele começou a temporada com atuações monstruosas e mostrando porque as fofoqueiras de portão diziam que ele era, já há alguns anos, o melhor jogador do Knicks. Mas acontece que Zach e David Lee em quadra juntos é um time alto demais para o D’Antoni, que prefere jogar com apenas um homem de garrafão. Alguém tinha que ir para o banco e Lee era o mais acostumado com aquela área horizontal que deixa bundas quadradas. Agora, terá o espaço que merece como titular absoluto.

Zach Randolph estava tendo a melhor temporada da carreira, no entanto, e o que veio em troca são apenas jogadores em franca decadência. Dizem as más línguas que o Tim Thomas está em decadência desde que foi draftado na NBA, que seu sonho era ganhar uma graninha e depois disso sua missão estava terminada. Muita gente o aponta como o jogador que menos se esforça em quadra, sempre com aquela cara de “preferia ter ido ver o filme do Pelé”. Com seu físico, poderia enterrar na cabeça de todo mundo quando bem entendesse, mas prefere arremessos de 3 pontos e tem temporadas medíocres, menos em ano de assinar contrato. Já Cutino Mobley ainda tem um pouco de gasolina sobrando no tanque, volta e meia tem uns grandes jogos, mas em geral tem um arremesso inconstante. Até vejo ele tendo minutos importantes no final das partidas, quando um pouco de experiência e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Os dois certamente terão minutos de quadra num esquema que privilegia as bolas de três pontos e o novato Danilo Gallinari ainda não está em condições físicas de ser uma opção consistente no perímetro. Ainda assim, serão apenas peças secundárias para compor o banco e terem contratos que terminam antes de 2010. Porque essa troca tem um codinome, na verdade: Projeto LeBron 2010.

O Blazers já sabe bem que se livrar do Randolph ajuda a ganhar umas partidas, mas não há motivos para trocá-lo tão cedo numa temporada em que ele parecia ter se encontrado, a não ser liberar muito teto salarial a tempo de tentar contratar LeBron James em 2010. Sinceramente, o projeto parece tão científico quanto o “Projeto Ipatinga na Libertadores 2010” ou o estádio do Corinthians em 2010. Já falei bastante aqui sobre como o LeBron deveria dar o fora do Cavs o mais rápido possível, mas agora as coisas são diferentes, seu time está no topo do Leste e parece assustadoramente completo e funcional. O Knicks vai precisar de muita sorte para agarrar um jogador que será cobiçado por trocentos times e que, provavelmente, sequer abandonará o time que o draftou.

Mas a lógica do Knicks, por mais deturpada que seja, ainda é uma lógica. O Clippers não tem lógica nenhuma, a não ser tentar montar o elenco mais esquisito que o mundo já viu. O projeto de unir os jogadores mais incompatíveis uns com os outros numa mistura sem sentido ou critério parecia impecável até agora, resultando numa mistura só comparável com Supla e Alexandre Frota dividindo um quarto no finado Casa dos Artistas, do SBT. Mas agora esse projeto alcançou novos patamares nunca antes imaginados.

O técnico Dunleavy quer um estilo lento de jogo, o armador Baron Davis quer correr. Ricky Davis é famoso por tornar todos os seus times piores com sua mistura de individualismo e arremessos forçados. Al Thornton é um segundo anista tacado no meio de vovôs. Chris Kaman e Marcus Camby são dois pivôs e um deles é obrigado a jogar fora de posição. Isso não parece um time, parece simplesmente uma lista de ganhadores da Tela Sena, não dá pra imaginar que alguém pensou e montou esse elenco – a não ser através de um sorteio. Agora, acrescentemos Zach Randolph a esse caldeirão. Trata-se de mais um jogador famoso por não passar a bola e piorar todos os times dos quais participa. Sua simples presença obriga que ou ele, ou Camby ou Kaman se desloquem imediatamente para o banco de reservas, coisa que nenhum deles deve aceitar de bom grado. Por sorte (?!) o time é completamente amaldiçoado e Marcus Camby deve se contundir em breve, facilitando a escolha da escalação.

O Clippers parece um projeto de ciências ambicioso de uma criança de quarta série, são seis espécimes diferentes tentando se entender em cima de um cemitério indígena. Meu conselho para eles? Contratar o Palhaço Festinha, cobrir o ginásio com uma lona e montar um circo. No basquete, não vai rolar.

As coisas para o Knicks são mais promissoras, claro, mas se livrar de seu melhor jogador ainda no começo da temporada não parece ser das coisas mais inteligentes a se fazer. Quando surgia qualquer sinal de ritmo, o time se transforma por completo e o D’Antoni tem que começar de novo, sempre mantendo no cativeiro tanto o Marbury quanto o Eddy Curry, que aliás só está preso no cativeiro porque ficou muito gordo lá dentro e não passa mais pela porta.

Se puder existir uma troca que seja ruim para os dois lados, tem que ser essa troca. Pra mim, ninguém sai ganhando. E se o LeBron for para o Knicks de verdade em 2010, esqueçam o que eu disse, esse post nunca aconteceu e o Knicks é o favorito para os próximos quarenta títulos da NBA.

Macumba

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T-Mac machucado, uma imagem mais famosa
do que camiseta do Che Guevara

Que o Clippers é amaldiçoado, todo mundo sabe. Por mais que eles montem grandes times, alguma coisa sempre acontece para tudo dar errado, em geral contusões. Quando Baron Davis e Marcus Camby foram para lá, não pude deixar de dar uma gargalhada. Dois jogadores que conseguem se contundir coçando o olho foram jogar juntos, num time amaldiçoado. Como se não bastasse, o Clippers adicionou à mistura o Ricky Davis, que é uma maldição ambulante. Ele é um punhado de azar bípede passeando por aí, todos os times que ousam contratá-lo falham miseravelmente em suas campanhas. Diz a lenda que o médico que fez o parto do Ricky Davis morreu 3 anos depois num acidente de carro. Será mera coincidência?

Quando uma coisa dá errado sem muita explicação óbvia, a gente aqui nos bastidores do Bola Presa costumava chamar de “Síndrome de Clippers”. Nessa temporada, não está sendo diferente. O time é bom mas eles fedem, estão jogando mal pra burro, o Camby perdeu todo o começo da temporada contundido e o Baron Davis já se machucou duas vezes desde que chegou no time. O resultado dessa maldição são 9 derrotas e apenas uma vitória, contra o Dallas. Aliás, isso diz alguma coisa sobre o Dallas.

No entanto, a maldição do Clippers pareceu, ao menos por algumas horas na segunda-feira, coisa de criança perto da maldição do Houston Rockets. Todo mundo sabe que meu amado-idolatrado-salve-salve Rockets não passa da primeira fase dos playoffs nunca, não importa o que aconteça. Além disso, Tracy McGrady sempre teve problemas graves nas costas, que agora até parecem saudáveis perto do seu joelho bichado, e Yao Ming sofre o resultado da engenharia genética chinesa que criou soldados gigantes, já que o esqueleto humano não é feito para suportar tamanha altura e peso correndo de um lado para o outro de uma quadra de basquete. Ou seja, as contusões são coisa de rotina. Mas na segunda-feira, contra o porcaria do “time outrora conhecido como Sonics” (tipo quando o Prince resolveu que o nome dele era um símbolo impronunciável e só poderia ser chamado de “aquele que outrora fora conhecido como Prince”), o Rockets viu seus maiores pesadelos se tornarem realidade: Yao Ming machucou o pé numa jogada comum, o mesmo pé que havia fraturado e deixado o chinês de fora de boa parte da temporada passada; Artest torceu o pé quando caiu em cima de vários fotógrafos; e o joelho do T-Mac simplesmente morreu no meio de uma jogada, como motor de Fusca, fazendo meu coração parar por alguns segundos.

Sem os três, meu Houston Rockets não ganha nem do Ipatinga. Me tranquei no quarto, fiquei ouvindo música emo, passei sombra nos olhos e ameacei cortar os pulsos. Mas, aos poucos, notícias boas foram chegando e me retirando desse universo “NX Zero”: Artest deve voltar no próximo jogo e o Yao deverá perder no máximo uma partida. Até mesmo o T-Mac está bem, mas o caso dele é complicado e não me passa muita confiança, até porque me lembra um famoso amaldiçoado na NBA: Gilbert Arenas.

Quando o Arenas se contundiu da primeira vez, o joelho não parou de doer durante o tratamento. Viciado em treinamentos, fortaleceu a perna sem parar no tempo em que esteve fora. Acreditou, meio na miúda e sem contar pra ninguém, que com o tempo a perna estaria forte o bastante para que a dor desaparecesse. Até que o joelho deu PT (“perda total”, não “Partido dos Trabalhadores”) e o Arenas teve que voltar para a mesa de cirurgia e aprender que o joelho não deve ser usado até estar perfeito, não importa o quanto ele resolver espernear. Com o T-Mac foi mais ou menos a mesma coisa, ele acabou voltando rápido demais para as quadras e admitiu ter jogado esse tempo todo com dores fortes no joelho. Até que, de repente, o joelho não aguentou o tranco e resolveu tirar umas férias. Tudo indicava que seria um retorno à cirurgia, começar a reabilitação toda novamente, mas algumas horas depois o McGrady disse que havia sido apenas o susto, cancelou os exames e resolveu jogar.

Peraí, rapaz, o joelho pode estar maravilhoso, forte, saudável, cozinhar, lavar e passar, mas você acabou de admitir que está jogando em cima dele apesar das dores constantes, alegou que seu baixo rendimento nessa temporada está diretamente relacionado com a falta de confiança no joelho, e mesmo assim quer continuar em quadra? Sejamos sinceros, Tracy McGrady não tem muitos anos sobrando em sua carreira. Ele é um jogador espetacular, um dos maiores talentos ofensivos que já surgiram, mas, vítima de contusões em demasia, já há alguns anos fala em se aposentar. Talvez ele tenha uma eterna sensação de que essa pode ser sua última temporada e de que ainda não conseguiu sair da primeira fase dos playoffs, o que explicaria sua vontade de jogar contundido e aproveitar o melhor elenco que já teve ao seu redor. Mas trata-se de uma atitude um pouco kamikaze. Sem pressa, com os devidos cuidados, T-Mac poderia aguentar mais tempo na Liga. Mesmo nessa temporada, se voltasse apenas depois do All-Star Game, estaria em plenas condições físicas e muito mais apto a fazer o que o time necessita, sem medo, sem dores, em alto nível. Como esse joelho dolorido vai estar nos playoffs, que é quando as coisas realmente importam? Talvez o T-Mac devesse ouvir algumas dicas do Ron Artest, que certa vez pediu pra ser dispensado do Kings durante a temporada regular para lançar seu CD de rap. O Artest sabe das coisas, temporada regular é uma besteira, vá descansar seu joelho amaldiçoado, T-Mac! Não queremos que você seja o novo Arenas, não é mesmo?

Se não bastasse não poder jogar há milhares de anos por causa dessa contusão que nunca desaparece (porque ele parece aquelas crianças que arrancam a casquinha dos machucados e nunca cicatriza), o Arenas tem que aturar um monte de gente dizendo que o Wizards é melhor sem ele. Engraçado, foi a mesma coisa com o Yao quando ele se contundiu na temporada passada. Fato estatístico aleatório: você sabia que, depois do péssimo começo de temporada do Spurs, o time perdeu apenas uma vez desde que Tony Parker se contundiu? Ou seja, obviamente o Spurs é muito mais time sem aquele armador francês idiota. Olha, uma moeda no chão, obviamente chovem moedas dos céus, aleluia!

O Spurs, aliás, também anda meio amaldiçoado, mas enquanto o Duncan puder andar e alguém no time souber defender, tudo estará bem, mesmo que no sufoco – eles sofreram pacas para vencer o Wolves, por exemplo. O que me lembra que o time dos lobinhos é também um dos mais amaldiçoados da NBA, não porque eles só perdem, mas pelas circunstâncias das derrotas. O Wolves só tem uma vitória e oito derrotas, mas sete dos oito fracassos foram por uma diferença de 6 pontos ou menos. Ou seja, no final sempre alguma coisa dá errado e eles dão um jeito de perder. O Denis lembrou bem que o Clippers era assim numa época mas, depois da contratação de Mobley e Cassell, começaram a vencer os jogos nos minutos decisivos e foram para os playoffs. Ou seja, a maldição do Wolves está a um Cassell de desaparecer e então eles certamente rumarão ao título.

Para finalizar o papo das maldições, não poderia deixar de citar o Marco Belinelli. Se ele fosse um cara comum, estaria em quadra jogando desde seu ano de calouro, fazendo seus pontinhos e tendo um ou outro grande jogo. Mas como ele nasceu em cima de um cemitério indígena, foi parar num time do Don Nelson. Quando finalmente parecia que ele ia começar a ganhar uns minutinhos em quadra, surgiu do nada o tal do Anthony Morrow que fez 37 pontos e seguiu essa atuação com mais um jogo sensacional, com 25 pontos e 4 bolas de três ontem. Segundo o próprio Don Nelson, a nova ordem no Warriors é todo mundo ficar de olho no Morrow e passar pra ele toda maldita vez que ele estiver livre. De desconhecido que sequer foi draftado para titular e principal foco do ataque do Warriors no perímetro. Coincidência, acaso, Don Nelson? Que nada. Num mundo de Clippers, Rockets, Wolves e Arenas, isso é culpa do Belinelli – chama-se “azar pra caralho”.

Revista Lance Livre

A revista digital de basquete continua viva e acaba de lançar seu segundo número. Embora ainda exista um punhado de erros (minha coluna “Bola Presa”, por exemplo, tem um pedaço repetido), fica óbvia a evolução do primeiro exemplar para o segundo. Não é uma evolução de Pikachu para Raychu, mas é um passo em frente e vale a pena apoiar a iniciativa. Você pode baixar a revista no blog do pessoal e deixar lá mesmo sua opinião, críticas e conselhos. Mas se tiver críticas sobre a coluna Bola Presa, não precisa reclamar não, ao invés disso elogie e mande os caras pagaram dez mil reais para os lindos e geniais autores.

As diferenças

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As faltas técnicas são as mesmas, mas a camisa… quanta diferença!

Agora sim a temporada pode ser dada como iniciada de verdade, com os jogos de quinta. Não porque foi a primeira rodada dupla da rede americana TNT, nem porque foram dois clássicos sensacionais, o Rockets contra o Mavs e o Suns contra o Hornets. Também não foi porque no outro jogo da noite o Larry Brown perdeu seu nono jogo consecutivo no comando do Bobcats (os outros oito foram na pré-temporada) e por algum motivo estranho não ouviu os meus conselhos. Nada disso.

A temporada começou na quinta porque Ron Artest tomou sua primeira falta técnica com a camisa do Houston Rockets. Até que isso acontecesse, a veracidade dos jogos poderia ser colocada em dúvida, poderia ser apenas uma simulação feita no computador, tipo quando a Globo faz aparecer uma lata de cerveja gigante no meio de um campo de futebol durante os intervalos. Poderia ser uma versão paraguaia com jogadores mexicanos sósias dos jogadores da NBA, o que aliás explicaria o bom humor do Popovich. O Artest tomando sua primeira falta técnica é como um selo de qualidade que comprova a autenticidade do produto. Ou seja, a partir de agora podemos levar a NBA a sério. Para os que precisam de mais provas, vale esperar o Rasheed Wallace tomar uma falta técnica em breve.

Se eu já defendia o Artest há muito tempo, agora que ele joga no Houston eu praticamente sacrifico ovelhas em seu nome durante rituais pagãos. Ou seja, se eu já era chato, agora vou ficar mais pentelho do que a mistura da Sonia Abrão com o João Kléber. Em todo caso, vamos fingir que eu sou imparcial e acreditar: a primeira falta técnica do Artest foi completamente injusta. Como diria o célebre Silvio Luiz, “confira comigo no replay”!

Para começar, o Josh Howard poderia lembrar que eu defendi suas férias e ter a decência de não descer a mão em ninguém do meu time, né? Mas na verdade foi um lance duro porém normal, e depois que o Yao deu uma trombadinha de malandro (ou ele abraçou muito o espírito americano ou ele é alto demais e nem viu o Josh Howard lá embaixo) o Artest achou melhor tirar o chinês do meio da confusão. Dá pra perceber que ele foi em direção ao Yao, ele só queria separar, apaziguar, pregar a boa vontade entre os homens. Só marcaram falta técnica porque estavam esperando ele puxar uma faca e cortar a cabeça de alguém a qualquer momento. Baita preconceito.

A fama do Artest, portanto, continua intocada. Mas algumas coisas mostraram-se completamente diferentes, o que indica que a temporada começou, mas que será bem diferente da temporada anterior. Pelo Rockets, por exemplo, agora quem chama as jogadas são os próprios jogadores, não o técnico Rick Adelman. Na maioria das vezes, na temporada passada, o Adelman chamava as jogadas do banco porque faltava aos jogadores a naturalidade de lidar com o complexo sistema tático. Trata-se de um enfoque livre, criativo, em que o Houston deveria simplesmente reagir aos movimentos da defesa, mas isso exige costume e domínio da proposta. Agora, os jogadores enfim entraram no clima, estão com o domínio das decisões e fizeram um monte de merda. Mas também acertaram bastante e ao longo da temporada tudo deve ficar praticamente automático. Porque, como diria o Maguila, “pensar é mó trampo”.

Também fiquei bastante surpreso em ver que a função de armador rodou mais do que fita do Lagoa Azul durante a partida. Em momentos diferentes, armaram o jogo Rafer Alston, Tracy McGrady, Aaron Brooks, Brent Brarry e Ron Artest. O Artest, aliás, foi armador em várias posses de bola consecutivas no último período, quando o jogo estava apertado. Ou seja, logo de cara já existe muita responsabilidade em suas mãos. Fiquei feliz porque o Rafer Alston é um armador terrivelmente inconstante e fanático pelo próprio arremesso, e com sua função distribuída entre muitas mãos, ele teve como passar mais tempo no banco. Seu reserva direto, Aaron Brooks, foi inclusive o responsável por ganhar o jogo nos minutinhos finais. Ele é tão inconstante e amalucado quanto o Rafer Alston, mas ao invés de arremessar sem critério ele bate para dentro do garrafão sem critério. Saiu de quadra com 14 pontos e 5 assistências, mas me deixou uma nítida impressão de que tinha exagerado um pouco na cerveja antes da partida, porque estava sem nenhuma amarra social, fazendo o que bem entendia. Cometeu uns erros grosseiros, fez umas bandejas lindas e depois provavelmente tentou beijar uma garota bastante gorda.

Pelo Mavs, algumas modificações colocadas em prática pelo novo técnico Rick Carlisle ficaram imediatamente perceptíveis. A bola passa agora muito mais tempo nas mãos de Jason Kidd, o que é sempre uma boa idéia. Na temporada passada ele ficava muito tempo só olhando o jogo, em geral livre para arremessar. Mas como ele arremessa como uma velha reumática, é melhor deixar a bola em suas mãos e um arremessador livre por perto, não é mesmo? Outra mudança foi Dirk Nowitzki, que parece ter sido instruído para segurar mais a bola e jogar dentro do garrafão. Isso é uma coisa que me irrita, aliás. O cara é grande, refinado, então ele tem que jogar dentro do garrafão e ficar enterrando a bola na cabeça de todo mundo? O forte do cara é o arremesso, é ficar atrás da linha de 3 pontos. Ele odeia tanto qualquer tipo de contato físico que deveria até mesmo estar jogando vôlei. É a mesma coisa com o Yao, exigir que ele enterre em todas as bolas sendo que seu talento é o arremesso, o gancho, a sutileza – foram 30 pontos contra o Mavs sem nenhum esforço. Saber usar um jogador de modo que possa usar suas melhores características é muito mais inteligente do que forçá-lo a uma situação desconfortável. O Nowitzki marcou 36 pontos, é verdade, mas em nenhum momento pareceu confortável, era como se tivesse perdido uma aposta e estivesse sendo obrigado a jogar usando uma saia de bailarina, e até mesmo prejudicou a fluência do ataque da equipe por segurar demais a bola. No final do jogo, desapareceu. Se ele faz 36 pontos num estilo que não é o seu, talvez fizesse 50 jogando onde gosta. É algo para o Carlisle pensar.

No outro jogo da rodada dupla, mais coisas indicaram que essa temporada será diferente da anterior. O Suns correu menos em quadra, o Nash segurou mais a bola e trabalhou mais como pontuador (em parte pela própria defesa do Hornets, que estava mais interessado em impedir os passes do canadense do que seus pontos) e o Leandrinho teve a pior partida que eu já presenciei do brasileiro. Sou um fã do Barbosa, não se enganem, mas ter que decidir entre ir pela direita ou pela esquerda não é com ele. O negócio dele é correr para frente e deixar todo mundo para trás. No basquete um pouco mais lento do Suns na noite de quinta, o Leandrinho sofreu muito e eu arriscaria dizer que deve ser sua pior temporada na NBA. Não por suas condições, mas porque o estilo do time agora lhe favorece bem menos.

Já pelo Hornets, o jogo estava apertado, suado, disputado, e aí no finalzinho o James Posey acertou três bolas seguidas de 3 pontos para garantir a vitória. Nessa temporada, o Hornets tem um banco de reservas, um jogador frio e versátil para fechar os jogos, e um Chris Paul que poderia andar sobre as águas se quisesse. Se há algum infiel que ainda não acredita no Hornets, cuidado, a futura igreja que louvará o atual MVP irá lhe queimar na fogueira.

Por enquanto é apenas o começo da temporada, os mesmos times e situações que estamos acostumados a amar, mas o que salta aos olhos são justamente as diferenças, aquilo que renova a experiência infinita do basquete para o nosso prazer. Espero que as faltas técnicas do Artest continuem as mesmas, mas que um anel de campeão no dedo seja, em breve, a grande diferença. Mas desde já, tenho medo do Hornets. Muito, muito medo.