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Se olhar muito, o Rasheed Wallace toma falta técnica em casa

Estamos de volta com mais um preview da próxima temporada, apresentando agora os times da Divisão Central. Entregamos de bandeja todos os motivos para assistir e não assistir a cada um dos times, para você não ter que pensar e conseguir escolher com mais facilidade quem vai acompanhar. Afinal, hoje em dia dá pra ver qualquer partida que você quiser, basta dizer as palavras mágicas – e ter uma conexão de internet decente. Como a temporada começa na terça-feira, é hora de acompanhar as última análises, em clima de contagem regressiva.

Como sempre, começamos com o time que deve ser campeão de sua Divisão e acabamos com quem deve ficar no vergonhoso último lugar. E é vergonhoso mesmo, afinal ser o pior time da Divisão Central significa que o time fede tanto que não há mais motivos para viver. Se você é torcedor de algum desses times, prepare o calmante e vamos lá!

Detroit Pistons

Motivos para assistir:
O jogo coletivo e a enorme quantidade de estrelas (ou aspirantes a estrelas, depende de pra quem você pergunta) é sempre um tesão e um motivo indiscutível para ver o Pistons jogando. E se todo mundo já está de saco cheio de assistir sempre ao mesmo Pistons chutando traseiros, jogando do mesmo modo e eventualmente perdendo o ânimo pela vida em pleno tédio da temporada regular, esta é a temporada para voltar a acompanhar a equipe. O técnico Michael Curry acabou de assumir o posto, prometeu mudar um pouco o estilo de jogo da equipe, enfiou o Rasheed dentro do garrafão e prometeu mais de 30 minutos por partida para o reserva Rodney Stuckey, que está andando sobre as águas e multiplicando pães na pré-temporada. Além disso, colocou o McDyess no banco junto com Jason Maxiell e proclamou a “estrela de treinos” Amir Johnson como titular. Por enquanto não rendeu nada, mas não há muita cobrança, já que o banco é profundo, e ele terá tempo para provar seu valor.

O mais importante para o Pistons ser um time delicioso de ver nessa temporada é o ânimo da equipe. Toda vez o Pistons fica entre os líderes do Leste e se lasca nos playoffs, tudo com o mesmo elenco e as mesmas premissas táticas. Fica difícil para eles próprios levar a temporada regular a sério, todo mundo boceja e os jogos são completamente mornos. Com as pequenas mudanças e um técnico severo a quem os jogadores respeitam, o Pistons deve entrar com vontade, liderar a porcaria do Leste e garantir que nada vai sair errado dessa vez.

Motivos para não assistir:
Talvez as mudança não sejam o bastante para injetar ânimo no Pistons e eles continuem aquele time de saco cheio, cochilante, com cara de quem está fazendo exame de próstata ao invés de jogar basquete. Aquele Pistons defensivo e desanimado não é das coisas mais divertidas de se ver no mundo, e garanto que vai ter coisa muito mais legal para assistir lá no Oeste. Salvo os grandes clássicos contra o Celtics ou o Cavs, por exemplo, dá para passar batido pelo Pistons e esperar o momento em que eles tentam jogar de verdade, que é quando os playoffs começam.

Outra coisa: Kwame Brown. Não que ele seja tão ruim assim, mas é que suas limitações são muitas, seu psicológico é digno do Charlie Brown (o personagem das tiras, não a banda do Chorão) e não dá pra levar a sério um time disposto a lhe dar uma chance. Quando o Kwame entra em quadra, o jogo parece uma piada e será um ótimo motivo para mudar de canal e deixar o Pistons pra lá.

Cleveland Cavaliers

Motivos para assistir:
Daniel Gibson. Ele é um dos jogadores mais sensacionas da… rá, é claro que eu estou brincando! Pegadinha do Mallandro, glu glu glu, olha pra câmera lá, rapá! Se existe um motivo nesse Universo para assistir a porcaria do Cavs jogar, esse motivo é LeBron James. Não me importa se você é um odiador do sujeito, se continua achando que ele é superestimado, se acha que ele deveria acabar com a fome na África antes de se comparar ao Jordan. O que interessa é que qualquer jogo com LeBron James é interessante simplesmente porque ele pode surtar a todo momento e vencer a partida sozinho.

O resto do elenco de apoio é questionável, o esquema de jogo é excessivamente defensivo, mas LeBron já provou que, em seus melhores dias, pode pontuar de qualquer lugar da quadra e penetrar no garrafão mais fácil do que seria na Bruna Surfistinha. Além do mais, todo ano o Cavs faz alguma coisa para mudar o elenco, na esperança de entregar para LeBron um time capaz de finalmente ganhar um anel. Trata-se de um time sempre em transformação, em constante metamorfose, e dessa vez o novo membro é Mo Williams. Ver como um dos maiores fominhas da NBA vai se sair ao lado de LeBron é imperdível, quer dê certo, quer não.

E se você curte ver um brasileiro (como se andar pelas ruas não fosse o suficiente), o Varejão teve uma boa pré-temporada e tem tudo para ter um papel importante no time. Com o bônus de que a qualquer momento uma família de anões pode sair do seu cabelo reclamando que cortaram a água encanada, o que certamente será um barraco interessante.

Motivos para não assistir:
Um time puramente defensivo, de ataque estático e que ganha jogando feio. Precisa de algum motivo a mais para fugir? O time é cheio de peças interessantes que não combinam e está sempre fazendo trocas simplesmente pela graça da coisa, sem nunca tentar (e sem nunca conseguir) montar um time coerente e coeso.

Algumas pessoas gostam do novo ingrediente do bolo, o Mo Williams, e ele é um jogador em que todo mundo deveria realmente dar uma olhada. Quando jogava no Bucks, ficava difícil ver o sujeito em ação, porque assistir ao Bucks sempre significa que você está levando seu vício por basquete longe demais. Agora, no Cavs, é uma chance de analisar o Mo Williams de perto. Mas acredite, ele parecerá bom a princípio e, em um punhado de partidas, se transformará num grande motivo para não assistir ao time nunca mais. Sua abordagem do jogo é enervante, dá dor de estômago e o LeBron vai querer esganar o cara em 15 minutos. Ele corre com a bola, o que supostamente seria a tática ideal para o Cavs (que sempre achei que deveria jogar no contra-ataque), mas ele é destrambelhado e não sabe ler o jogo, arremessa quando dá na telha e enlouquece os fãs. Afaste-se.

Chicago Bulls

Motivos para assistir:
Derrick Rose. Eu sei, defendi desde o princípio que o Bulls fez uma cagada draftando o garoto no lugar do Beasley, aloprei as atuações medíocres no rapaz nas Summer Leagues, falei que ele comia meleca de nariz. Mas não é nada pessoal com o garoto, eu é que sou muito chato. Na pré-temporada o Derrick Rose teve atuações dignas da estrela que se tornará, mostrando maturidade e um poder mutante de adentrar o garrafão quando bem entende que lembra muito seu colega de profissão, Chris Paul. Embora o Bulls esteja com aquele cheiro de novela do SBT (você até vê as boas intenções, mas sabe que vai dar muito errado), o Rose tem tudo para dar muito certo. E não tem coisa mais bacana do que acompanhar uma futura grande estrela da NBA desde seu primeiro jogo, assistindo de camarote ao seu desenvolvimento. Para os que viram o LeBron evoluindo seu jogo desde o começo, a sensação de vê-lo jogar agora é incrível e as histórias para contar para os netos se avolumam. Os que viram o Jordan começando sua carreira na NBA, por exemplo, têm bilhões de histórias para contar pros seus bisnetos.

Esse ano veremos trocentos novatos que renderão histórias quando você for velho, então será preciso um bom planejamento para manter sempre um olho em cada um deles. Certifique-se de que o Derrick Rose receba atenção especial.

O resto do time também não é de se jogar fora, com muita gente jovem, talentosa, descontraída, disposta a muita azaração! Vale a pena ver como o armador Kirk Hinrich vai se acostumar com seu novo papel, já que Rose assumiu sua antiga função, como Luol Deng vai produzir depois do seu novo contrato giga-milionário, que espaço será dado para Nocioni, como será o desenvolvimento do garrafão “fede-mas-há-esperança” de Tyrus Thomas e Joaquim Noah. Mas o mais divertido para os Nelson Rubens da vida será analisar a situação do Ben Gordon, que tentará mostrar que é o governante da Terra para garantir um contrato na temporada que vem, já que dessa vez ninguém deu bola para o moçoilo.

Para finalizar, tem também o técnico com nome de estrela de luta-livre, Vinny Del Negro, que é um técnico novato e, portanto, você sempre vai querer ver ele fazendo merda para criticar na frente dos seus amigos.

Motivos para não assistir:
O Bulls da temporada passada era um pesadelo de se assistir. Todo mundo ficava atrás da linha de 3 pontos arremessando como malucos, num estranho caso clínico de “fobia de garrafão”. Tirando o Drew Gooden, que é um bom jogador mas que não dá pra levar muito a sério, ninguém ainda é especialista em jogar perto da cesta. Se o Derrick Rose feder por uns tempos, o que é até bem normal para novatos, acredito que não deve haver muita melhora na equipe. O técnico novo deve levar um tempo para compreender do que se trata esse tal de basquete, e para construir um modo de jogo que mude realmente a cara do Bulls vai demorar bastante. Ou seja, tudo leva a crer que, principalmente no começo da temporada, aturar os jogos desse time vai ser pior do que aula de Química. Para os desbravadores do desconhecido (também conhecidos como “aqueles que não tem bom senso”), aconselho sempre se certificar de que o Derrick Rose está saudável e vai jogar antes de escolher um jogo do Bulls.

Milwaukee Bucks

Motivos para assistir:
Um estranho fetiche por veados roxos, talvez? Bem, talvez exista algo que realmente possa me fazer dar uma olhada no Bucks, e trata-se do “Complexo de Zach Randolph”. Lembra quando o Blazers fedia e o Randolph era uma grande estrela com seus 20 pontos e 10 rebotes de sempre, mantendo a bola em suas mãos o tempo todo? O Blazers então teve os bagos necessários para mandar sua estrela embora e, como mágica, o time melhorou instantaneamente de rendimento. Com o Bucks, não aconteceu exatamente isso, afinal a estrela da equipe é Michael Redd, que continua por aquelas bandas. Mas acontece que a bola mal fica em suas mãos, ele é um arremessador, alguém deve armar o jogo para seus arremessos, e o Mo Williams se tornou uma espécie de estrela na temporada passada com números surpreendentes de pontos e, até, de assistências. Trocado para o Cavs, agora Mo Will pode levar seus bons números para Cleveland e, se o “Complexo de Zach Randolph” entrar em ação, o Bucks deve melhorar sua produção. Luke Ridnour é facilmente o pior defensor mano-a-mano da NBA e o Ramon Sessions não consegue acertar arremessos, mas mesmo assim são armadores muito mais voltados para a equipe. Por motivos científicos, talvez seja legal ficar de olho.

Mandar o Yi Jianlian embora para o Nets também é um bom sinal. O Bucks ficou famoso por ser o time que só contrata os jogadores que não querem jogar por lá, e o Yi Jianlian era prova viva, quase que o chinês desiste de jogar na NBA só porque não queria ir parar em Milwaukee. Melhorar o clima da equipe costuma melhorar os resultados, o ala Richard Jefferson tem tudo para se tornar uma estrela com mais responsabilidades nas mãos e talvez o time nem fique em último no Leste.

Motivos para não assistir:
Ter uma vida. Vá ler um livro, leve o cachorro para passear, saia com a namorada, conte os azulejos da cozinha, estude a presença da dialética hegeliana na evolução dos videogames pós-Tetris. O Bucks fede, deve continuar fedendo por um bom tempo, e só deve receber qualquer atenção se o Michael Redd começar a fazer 50 pontos por jogo, Richard Jefferson dominar as partidas e o Ramon Sessions voltar aos números do fim da temporada regular, em que tinha por volta de 15 assistências de média. Mas veja bem, tem que acontecer as três coisas ao mesmo tempo, e constantemente, para que você tenha razões para sair de sua hibernação e ir acompanhar os roxinhos.

Indiana Pacers

Motivos para assistir:
Ser masoquista. O Pacers até deu sinais de que não seria uma tortura completa na temporada passada, mas agora o plano é jogar tudo fora e começar de novo. Time começando de novo é um sofrimento para acompanhar, é melhor ignorá-los por alguns anos, fechar os olhos e torcer bastante para que eles se tornem o novo Blazers (segundo “O Segredo”, funciona).

O time até tem seus atrativos, veja bem. O armador TJ Ford corre pra burro e costuma sempre ter umas jogadas espetaculares, o “Granny Danger” cheira a estrela, o Mike Dunleavy vem da melhor temporada de sua carreira e talvez realmente seja o próximo Larry Bird, só que com dengue e duas mãos esquerdas. Mas se você realmente quer um motivo para dar uma espiada no Pacers, eu apontaria o Roy Hibbert. Ele é o pivô novato que surpreendeu todo mundo chutando traseiros na pré-temporada, e pivôs bons definitivamente não nascem em árvores. Acompanhar a evolução dele deve ser divertido.

Outra coisa: as cheerleaders do Pacers estão entre as mais maravilhosas da NBA. Quase coloquei o time em primeiro da Divisão só para poder colocar uma foto delas no topo do post. Então, se você estiver na seca, pode assistir ao Indiana Pacers e ignorar o jogo, prestando bastante atenção nos intervalos.

Motivos para não assistir:
Ter amor pela vida. Acompanhar uma equipe em que os pivôs são o Nesterovic, o Jeff Foster e um novato? Uma equipe sem estrelas, sem conjunto, sem objetivo? Um experimento fracassado que tentou se livrar de todos os jogadores bons mas “problemáticos” e montar um mosteiro de frades franciscanos que não vão ganhar uma partida sequer?

O Leste é uma porcaria e eles até podem ter alguma chance se evoluírem muito num ritmo absurdo, se despertarem o Sétimo Sentido e começarem a se mover na velocidade da luz. Fora isso, devem ser os últimos colocados não apenas da Divisão, mas de toda a Conferência. Vergonha.

O Cavs fede

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Quando tudo estiver ruim, pense: com Ricky Davis, estaria pior

Quando LeBron James chegou em Cleveland em 2003 como primeira escolha do draft, a estrela do time era Ricky Davis. O que, pensando bem, é bastante óbvio, afinal para conseguir uma primeira escolha do draft o time precisa, em geral, feder bastante. Não que o Ricky Davis seja o pior jogador do planeta, longe disso, mas ele certamente faria parte de uma lista contendo as 10 piores pessoas para colocar ao lado de LeBron. O resto da lista provavelmente conteria a Vovó Mafalda, Hitler e a Luciana Gimenez.

Tanto o estilo de jogo de Ricky Davis quanto sua postura em quadra tornavam impraticável deixá-lo ao lado da estrela recém-draftada. Estamos falando de um jogador que compromete seriamente o time por jogar apenas para si mesmo, incluindo a famosa tentativa de arremesso contra a própria cesta para completar um triple-double. Não levou muito tempo para que fosse trocado por três feijões mágicos e uma ação judicial para que nunca mais colocasse os pés em Cleveland.

No entanto, o time ainda fedia. Era hora de contratar um jogador cujo estilo fosse capaz de complementar LeBron James, ou seja, alguém capaz de arremessar da linha de 3 pontos, um pontuador que exigisse pouco a bola nas mãos, que dominasse o perímetro e pudesse acertar arremessos nos momentos decisivos das partidas. O homem ideal era Michael Redd, mas o sujeito inventou uma palavra esquisita (“lealdade”, o que é isso?) para rejeitar a proposta do Cavs e continuar no Bucks, um time que além de feder tem um dos uniformes mais abomináveis da NBA e cujo mascote é um veado roxo. Bem, se o Redd não aceitou, o jeito era segurar o dinheiro e aguardar outro jogador que tivesse as características desejadas. Mas o Cavs é uma esposa entediada com um cartão de crédito nas mãos, uma compradora compulsiva de quinquilharias que nunca vai usar. Manter espaço no teto salarial não era uma possibilidade, o time de LeBron precisava contratar alguém, fosse quem fosse. O escolhido foi Larry Hughes, que vinha de uma grande temporada com o Wizards ao lado de Gilbert Arenas.

Na época, em 2005, até a mãe do Hughes sabia que seu estilo não tinha absolutamente nada a ver com o que o Cavs procurava. Larry Hughes não arremessava da linha de 3 pontos, batia para dentro do garrafão em quase todas as jogadas e passava a maior parte do tempo com a bola nas mãos, ainda que não fosse um armador principal nato. Mas, para ser justo, sequer vou culpar o Hughes nessa. Se o Eddy Curry é cilíndrico, a culpa é dele, mas o Hughes era um grande jogador – com qualidades e defeitos que faziam sua produção depender de que fosse bem utilizado em quadra. Não era necessário ser ganhador do Nobel de Física para saber que ele jamais seria bem utilizado num time que necessitava de tudo aquilo que ele não sabia fazer. Incompatibilidades, uma contusão e alguns fracassos depois, o Cavs viu-se com uma bomba nas mãos: um jogador queimado, incapaz de produzir em quadra, ganhando 12 milhões por ano.

Lembra da lista de piores pessoas para jogar ao lado de LeBron James? Inclua Larry Hughes, por favor, logo ao lado do Didi Mocó. Assim, da mesma forma que ocorreu com Ricky Davis, Hughes foi trocado numa daquelas orgias malucas que envolvem três times e uma dúzia de jogadores, mas que no fim trouxe de relevante apenas Ben Wallace para a equipe. Confesso que a princípio achei uma boa idéia, afinal qualquer coisa seria melhor do que ter que aturar Larry Hughes na equipe, mas a verdade é que o Big Ben não fazia sentido em Cleveland. O Cavs já era um dos melhores times defensivos da NBA e um dos líderes em rebotes ofensivos, graças principalmente a Ilgauskas, Gooden e Varejão. Ou seja, quando o assunto é rebote e defesa, o time está bem. Mas quando é pontuar e depender de alguém não chamado LeBron, o negócio complica. Então porque diabos trocaram por um especialista em rebotes e defesa, principalmente um em decadência e na fase mais baixa de sua carreira?

Bem, nem preciso dizer que não deu certo. Mas uma coisa importante sobre o Cavs é que os dirigentes nunca param. Parecem eternamente conscientes de que têm em mãos um dos maiores jogadores da história da NBA e que, se não montarem um elenco digno, serão incapazes de lucrar com a sorte que tiveram naquele draft em 2003. Eles se coçam, rebolam, remexem. Nessa offseason, efetuaram mais uma troca, dessa vez para trazer o armador Mo Williams do Bucks.

Espera. Ainda tem espaço naquela lista de piores pessoas para jogar ao lado de LeBron James? Chegamos ao ponto em que as decisões da chefia do Cavs não são mero acaso, burrisse, insanidade temporária. Estamos frente a um caso patológico, a um padrão de incompetência gritante. Quem é o infeliz, incapaz de enxergar um padrão, que dita as cartas lá em Cleveland e diz: “Ricky Davis não deu certo, Larry Hughes não deu certo, ah, mas com o Mo Williams será diferente!”

Claro que será diferente! Um armador que segura a bola nas mãos o tempo todo, incapaz de envolver os companheiros, criticado por se negar a passar a bola para a estrela Michael Redd nos momentos cruciais dos jogos, querendo continuamente se sagrar herói e que, dizem, teve a saída festejada em Milwaukee pelos companheiros que sonhavam em, um dia, jogar com um armador que não quisesse arremessar o tempo inteiro. Uau, não parece exatamente o perfil ideal de um jogador para colocar ao lado de LeBron? Na verdade, o perfil é tão convidativo que até contrataria o sujeito para cuidar dos meus filhos!

Toda temporada tenho meu saco torrado por gente dizendo que o LeBron fede porque não consegue ser campeão da NBA, e é justamente por isso que fico numa torcida secreta para que arrumem um time minimamente decente para o sujeito ter, ao menos, alguma chance. Com um time aceitável, as derrotas de LeBron poderiam cair de fato sobre seus ombros e eu até ficaria mais aliviado com as críticas que, de outro modo, são inevitavelmente injustas. Mas não adianta, todo ano o Cavs consegue remodelar o time todo e formar um cocô tão ou mais fedido que o anterior. Os boatos sobre LeBron James ir para o Nets quando seu contrato acabar em 2010 fazem cada vez mais sentido, e não é por sua amizade com Jay-Z, mas sim porque uma hora ele tem que ficar de saco cheio de jogar com um monte de gorilas adestrados de circo!

Os dirigentes do Cavs sabem disso e não param de mudar o time, contratar novos jogadores, fazer trocas malucas. Mas acho que é justamente o pânico de serem culpados por não estarem fazendo nada para melhorar o time que acaba fazendo-os não ter um plano, com a calma necessária para montar enfim um elenco de peso. Já diria a Bíblia do Blazers: “federás por um tempinho, não te preocuparás, gastarás bem o teu dinheiro e adquirarás milhões de escolhas no draft, e então será de ti o reino dos céus.” Amém. Ao invés disso, o Cavs contrata a torto e a direito quem estiver disponível. Nas últimas semanas, as novas aquisições do time são Tarance Kinsey, que teve bons momentos na NBA mas desapareceu por completo de um dia para o outro (e tem até um Prêmio Bola Presa em sua homenagem) e Lorenzen Wright, que costumava viajar bastante entre a América e a África na época em que as placas tectônicas eram interligadas. Pra mim, fica claro que não há planejamento, há apenas uma aquisição frenética de jogadores aleatórios. Pior que isso só o Los Angeles Clippers, que parece um reality show do Silvio Santos, mas disso a gente fala outra hora. Por enquanto, é hora de lamentar por LeBron e torcer para o tempo passar rápido – em breve, para a sorte de todos, ele não mais estará por lá.

A vingança dos nerds

A vingança dos nerds

 

Kobe desafiou o bolo para uma partida de 21

“Quando os médicos me falaram que a recuperação poderia demorar 12 semanas, eu decidi que não era a hora de fazer a cirurgia. O que me veio na cabeça é que eu não queria perder nenhum momento dessa temporada devido a tudo o que estamos buscando na NBA nesse ano”.

As palavras são do MVP Kobe Bryant, a cirurgia em questão é a do seu dedo mindinho da mão direita que foi contundido em fevereiro e que ainda não teve descanso. Ele não quis operar em fevereiro, já que o Lakers estava nas primeiras colocações do Oeste e tinha acabado de trocar por Pau Gasol, depois não quis fazer de novo a cirurgia porque queria jogar as Olimpíadas. Agora não quer perder a próxima temporada. Mesmo que por meras semanas em uma temporada de 82 jogos, Kobe não quer operar um dedo contundido na sua mão de arremesso. Insano.

Se qualquer jogador resolvesse operar, não seria estranho. Parece uma cirurgia necessária em que até mesmo seu atraso já pareceu um exagero, e que fazer antes de começar a temporada parece uma decisão sensata, já que na prática o cara iria só perder os primeiros treinamentos e as primeiras semanas de jogo. Depois disso, teria pelo menos uns 4 meses para se entrosar e voltar à forma antes dos playoffs. Mas se o Kobe fizesse isso eu confesso que ficaria surpreso, desde o início achei que se a recuperação fosse demorada, ele iria preferir deixar para depois.

O primeiro motivo é que o Kobe foi MVP jogando meia temporada com esse dedo a menos, os seus números não mudaram e o único jogo que ele não disputou por causa do dedo foi o All-Star Game. Se o dedo não está incomodando, por que perder tempo com uma cirurgia chata? Isso também implicaria perder a parte de treinamento, que pode parecer chata para a maioria das pessoas mas que é sinônimo de “vida” para Kobe Bryant. Desde sempre.

O Brian Shaw, ex-jogador e atual assistente técnico do Lakers, jogou com o pai de Kobe Bryant quando ele estava na Itália e chegou a conhecer Kobe ainda pequeno, com 11 anos de idade. Ele diz que embora o Sr. Bryant fosse um cara bem relaxadão, tranquilo, seu filho não era nada assim. O rapaz treinava o tempo todo e insistia com Shaw que queria jogar uma partida de 1 contra 1 com ele, adulto contra criança. Depois de ser importunado demais (sabem como podem ser persuasivas as crianças), Shaw concordou em uma partida de H-O-R-S-E, aquele jogo em que um cara faz um arremesso e o oponente deve fazer um igual. Até hoje Kobe se vangloria da sua vitória, Shaw diz que não via sentido em tentar vencer uma criança. Mas diz que, desde aquele tempo, via uma coisa diferente no rapaz: ele desafiava os jogadores mais velhos não pela brincadeira ou pela diversão. Kobe Bryant, com 11 anos, tinha certeza de que poderia vencer qualquer um.

Já na NBA, o seu primeiro técnico, Del Harris, lembra que mesmo com apenas 18 anos Kobe tinha a mesma cabeça de quando tinha 11. “Ele dizia, ‘técnico, apenas me dê a bola e me libere, eu posso ganhar de todo mundo nessa liga'”. Harris então explicou que não poderia ser assim e que ele não poderia dizer para o Shaquille O’Neal sair da frente para o novato tentar tomar conta do jogo. Muita gente pode dizer que não, mas a verdade é que o Kobe aceitou o seu papel secundário. Ele volta e meia era fominha e queria decidir os jogos sozinho, mas não era sempre. Em geral, como até o próprio Kobe já disse, ele aceitou o seu papel na equipe e fez de tudo para vencer os campeonatos. Venceram três.

Claro que isso não fez o Kobe deixar de achar que poderia liderar sozinho um time, ainda achava que poderia vencer qualquer um e nunca duvidou que fosse o melhor jogador da NBA. Não era ser convencido, era ter certeza de um fato. O Kobe se acha melhor porque ele entende do jogo e sabe o que ele faz melhor do que todo mundo, ele sabe que treina mais do que todo mundo. Como disse Idan Ravin, personal trainer de vários jogadores da NBA, “por que o Kobe iria passar a bola para alguém que não treina tão duro quanto ele, para alguém que não se importa tanto quanto ele?”. Não dá pra negar que faz sentido.

O engraçado é que quem o conhece não diz que Kobe trata os outros mal, que seja convencido ao ponto de ignorar os companheiros. Tirando o Shaq, nenhum outro companheiro de time teve problemas sérios com ele pelo o que eu me lembro, o que acontece é que ele não faz amigos próximos, o Kobe é isolado. Mas espera aí, isso não te lembra alguma coisa? Alguém que não tem vida social, que é criticado pela maioria mesmo sendo alguém de incrível talento e conhecimento técnico. Isso é um nerd! Por mais que o nerd seja um gênio em física nuclear, ele continua sem amigos e sendo jogado no lixo pelos colegas só porque não tem a malícia no jogo social, só porque se importa mais com a sua ciência do que com o mundo à sua volta.

O Kobe é um nerd do basquete. Ele se importa demais em estudar o basquete, em entender o jogo e em melhorar, e não está nem aí para fazer amigos, ter bom relacionamento, lançar um CD de rap ou estrelar filmes. O que ele quer é basquete.

Quando o Kobe estava no colegial, entrou no time de basquete da escola e impressionou todo mundo por ser um novato que não tinha medo de enfrentar os caras mais velhos, ele queria mostrar a que veio, queria seu lugar no time e queria ganhar o campeonato estadual. No seu primeiro ano lá, o título não veio e enquanto os caras que estavam no último ano se abraçavam no vestiário, comemorando o resultado e dando adeus ao time, o Kobe chegou xingando todo mundo e dizendo “o trabalho começa agora!”. No ano seguinte eles tinham que ganhar e não tinha motivo para passar um dia a mais descansando. Ficou mais fácil entender por que o Kobe não quer perder um mês de treinos antes da temporada começar?

Mas tem mais. Ainda no colegial, o Kobe chegava na escola às 5 da manhã para treinar até às 7, quando começavam as aulas, e depois voltava para treinar até de noite. Faltou uma confirmação pra saber se ele comia, tomava banho e dormia, coisas valorizadas na sociedade ocidental mas que não sabemos se Kobe respeitava. Quem treina tanto não pode aceitar facilmente uma derrota, e Kobe não aceita nenhuma. Nos treinos do seu colégio ele levava a sério qualquer partidinha de brincadeira. Podem chamá-lo de infantil e terão razão. Se você pensar bem, ninguém leva mais a sério uma brincadeira do que uma criança. Adultos, quando sabem que estão em uma brincadeira, dão risada dos seus erros ou não levam a sério para não encararem a derrota. Já a criança, mesmo que seja um fracasso na brincadeira em questão, se entrega de corpo e alma, se sentindo um deus quando vence e um lixo quando perde; lágrimas e gritos são comuns em brincadeiras de criança e em jogos com o Kobe Bryant.

Em um dia no colegial, estava sendo jogado um 3 contra 3 até 10 cestas. No time de Kobe estava um baixinho de menos de 1,75m que só esquentava o banco do time, chamado Rob Schwartz. Com o placar de 9 a 9 o garoto errou uma bandeja, que resultou no rebote e depois na vitória do time adversário. Enquanto a maioria das pessoas iria tomar um banho, beber água ou só pedir uma revanche, o Kobe preferiu ir atrás do Scwhartz, gritar com ele e mesmo assim a raiva não passou. “Eu senti ele me olhando pelos próximos 20 minutos. Sabe quando você não precisa olhar pra saber que tem alguém te encarando? Foi assim. Parecia que perdendo aquele treino eu tinha perdido o campeonato estadual.”

Treinar em horários bizarros e obrigar companheiros a acompanhá-lo é algo que ele fazia no colegial e que ele levou para a NBA. Sempre depois de um treino ele pede para alguém ficar para jogar uma partida de 1-contra-1 ou só para ele ter alguém em quem treinar um novo drible. Ele já usou repórteres para treinar dribles (aliás, vale a pena ler esse causo na íntegra, além dos outros que compõe esse post, nessa excelente matéria do Sports Illustrated). O mesmo Rob Schwartz, o garoto da bandeja errada, foi o alvo de partidas de 1-contra-1 que iam até CEM pontos depois do treino. Sério, quem tem saco de pegar alguém infinitamente inferior e jogar até 100? Algumas vezes o Kobe abria 80 a 0 antes de sofrer a primeira cesta e ainda tinha saco pra jogar até o fim. Na NBA isso acontecia também, o Devean George disse que volta e meia ele escolhia alguém pra ficar depois do treino e ser sua cobaia em novos dribles ou jogadas que ele estava tentando, jogadas que, claro, ele já usava no jogo seguinte com sucesso.

Na seleção americana vimos mais um caso do Kobe-nerd. Antes de um amistoso contra a Austrália, durante o aquecimento pré-jogo, ele chamou o Chris Paul de lado e pediu para que ele mostrasse como ele fazia seu drible para executar um pick-and-roll na lateral da quadra. Paul demonstrou e Kobe ficou balançando a cabeça impressionado com o seu professor, o vice-campeão na corrida de MVP vencida por Kobe.

Dizem que vivemos a era dos nerds. Eles dominam as grandes empresas da internet, dominam a informática e de repente comandam a indústira do entretenimento, que percebeu que nerds são ótimos consumidores, já que costumam ganhar bem e usam seu dinheiro com seus vícios, além de serem fãs fiéis. Nessa era, o maior jogador de basquete do mundo é um nerd também. Kobe Bryant é obcecado pelo basquete, em aprender basquete, em jogar, em vencer, mesmo que isso signifique não ter amigos, vida social, ter gente que o odeia.

Mas ao invés de ser fã de Star Trek, Kobe é fã de Michael Jordan. E aí talvez esteja a grande diferença do nerd comum para o nerd Kobe: um gosta de admirar, de ser apenas fã, enquanto o Kobe admira ao mesmo tempo em que quer superar. Se ele vai conseguir, pouco importa, mas só essa busca da superação de Jordan, que ele persegue acreditando que vai conseguir, já faz dele o melhor jogador do mundo. Mesmo com um dedo a menos.

As 10 contusões mais bizarras da NBA

Isso vale 2 pontos no taekwondo

Não sei se vocês já sabem, mas o Monta Ellis se machucou e ficará sem poder jogar por pelo menos por 12 semanas. Isso quer dizer que ele vai perder boa parte da temporada. E já que o Warriors perdeu o Baron Davis e o Oeste é disputado pra diabo, isso quer dizer que o Warriors pode ter perdido sua vaga nos Playoffs mais de um mês antes da temporada começar.

O problema foi no tornozelo e precisou de cirurgia, que já foi realizada. Muita gente que torce para o time já está triste chorando no ombro de amigos. O próprio General Manager do Warriors, Chris Mullin, disse meio cabisbaixo que a pré-temporada seria importante para Monta se adaptar a sua nova função como armador principal e que agora terá que aprender com a temporada já rolando.

Deu até pra ficar com pena do jogador por um tempo. Ninguém quer se machucar, né? Até que, de repente, descobrimos que ele vai perder todos esses jogos porque se envolveu num acidente de MOTINHA! Sim, esse é o nome correto para scooters. O jogador tinha uma cláusula em seu contrato que dizia que ele não poderia andar de moto por causa do risco de lesões, então é claro que ele então MENTIU dizendo que tinha se machucado jogando basquete com amigos. Depois descobriram e a soma da quebra da cláusula e da mentira rendeu uma suspensão de 30 partidas. Isso quer dizer que ele não só não irá jogar, mas não irá RECEBER DINHEIRO pelas partidas que perder.

Fica um pouquinho pior: o técnico Don Nelson e o manager Chris Mullin não viram nada de mais na lesão do Ellis, o plano era não fazer nada a respeito. O presidente do time, Robert Rowell,  teve que intervir para lembrar que um cara que tinha acabado de assinar um contrato de 66 milhões de dólares já estava o descumprindo nos primeiros meses, prejudicando “o time, os negócios e a torcida”.

O acidente de moto ilegal que virou uma crise entre os PODERES do Golden State Warriors é apenas uma das contusões bizarras que já povoaram a liga. Hora de lembrar de outras:


10 – Tony Allen

Quantas vezes vocês não continuaram jogando bola mesmo depois que o professor de Educação Física apitou? No esporte, desde as aulinhas da escola até a Copa do Mundo, o apito é quem manda. É o sinal de “pare”. Se acontece alguma infração ou acaba o jogo, ouve-se um apito e então todos devem parar. O apito é a hora em que você pára de bater no outro cara para cumprimentá-lo e trocar a camisa.

Mas não para Tony Allen. Para ele o apito é sinal de “Vou mostrar pra todo mundo a enterrada que eu sei fazer”.

O jogo parou. Tony Allen continuou, pulou, tentou enterrar, errou a enterrada, caiu de mal jeito, torceu o joelho e ficou fora da temporada. O vídeo dá uma certa agonia, sugiro nem assistir.


 

9- Ron Artest
Jogadores da NBA são ricos e gostam de comprar presentes para as pessoas que gostam. Mas a prova de amor de Ron Artest para sua mulher rendeu uma contusão bizarra.

O ala do Sacramento Kings comprou um Mercedes SL 500 para a esposa, mas ela simplesmente não achou que era seu estilo. Já que tinha comprado, o Artest decidiu que ele mesmo ia ficar com a máquina. Acontece que o teto do carro é baixo e o Artest é UM JOGADOR PROFISSIONAL DE BASQUETE, forçando-o a ficar corcunda. Depois de alguns dias de direção, as costas do Artest travaram e ele não conseguiu começar jogando uma partida que o Kings perdeu para o Memphis Grizzlies.

Não compre carros no impulso, cara, eles são caros.


8- Kendrick Perkins
O magrinho pivô dormia gostoso em sua cama quando um lado dela desabou. Ploft. Perkins foi tentar arrumar o desastre, levantou e quando mexia no outro lado da cama, a parte da cabeceira começou a cair! De pijaminha, aquele MURO HUMANO correu para tentar segurar a cabeceira, mas era tarde demais. Tudo desabou bem em cima do seu dedão do pé. Ele não jogou a partida seguinte contra o Sacramento Kings.


7- BJ Tyler
Para quem não lembra (todos menos a mãe do coitado), BJ Tyler foi a 29° escolha do draft de 1994, escolhido pelo Philadelphia 76ers. Jogou 55 partidas no seu primeiro ano, com humildes médias de 3,5 pontos e 3,2 assistências.

Antes do seu segundo ano, ele foi escolhido no draft de expansão pelo recém-nascido Toronto Raptors e foi para o Canadá. Lá deve ser tão frio, mas tão frio, que o Tyler conseguiu dormir enquanto fazia um tratamento com gelo no seu joelho! As horas de gelo causaram um problema no seu nervo (não me pergunte como) e ele nunca mais conseguiu ser o mesmo.


6- Brad Miller
O cara estava em alta. Foram dois jogos seguidos com 20 pontos e 20 rebotes e ele tinha sido eleito o melhor jogador da semana na conferência Oeste. E estou falando do Brad Miller do ano passado, nem é aquele dos seus bons tempos de parceiro do Chris Webber. Mas de repente, no meio da boa fase, ele aparece com 9 pontos no dedo da mão e não pode jogar. O que aconteceu?

“É a última vez que eu ajudo a lavar a louça.”

Sim! Brad Miller se cortou feio com uma faca ao lavar a louça! Onde estão os imigrantes ilegais? Ele mora na Califórnia e é rico, pô! Mikki Moore também se revoltou:

“Você faz 20 pontos e 20 rebotes em dois jogos seguidos e depois corta o dedo fora? Isso não é muito inteligente.”


5- Kobe Bryant

O humilde Brad Miller já não tinha desculpa pra não ter uma mísera máquina de lavar louças, então que desculpa teria Kobe Bryant? Ele ganha 20 milhões de dólares por temporada e ainda precisa passar o aspirador de pó em casa? O vídeo em que ele conta o caso já SUMIU, mas aconteceu.


4- Kevin Johnson

Lembram do Kevin Johnson? Os mais pivetes podem não lembrar, mas ele era um puta jogador, já foi da seleção americana, 7° escolha no draft de 1987, dava uns passes bem maneiros, foi um dos únicos três jogadores a ter média de 20 pontos e 12 assistências em uma temporada e depois se tornou PREFEITO DE SACRAMENTO! Difícil ser político, mas nada tão difícil quanto jogar com Charles Barkley

Em um jogo de temporada regular pelo Phoenix Suns, Barkley fez uma MALUCA cesta da vitória no último segundo contra o Blazers. Então Sir Charles correu em direção ao companheiro e o abraçou com força. Muita força. Kevin Johnson saiu da quadra com a vitória e uma lesão no joelho:


3- Gilbert Arenas

Nas palavras do próprio Agente Zero:

Quando eu era novato na NBA alguns veteranos do time me convenceram a depilar, você sabe, lá embaixo. Eles falavam que os pelos de lá fedem muito. Então peguei uma gilete da minha namorada, mas a lâmina era velha, ruim e me deu quelóide (quer ver o que são quelóide, NÃO veja aqui, Irgh!). Meu médico me deu um remédio para colocar só em cima das cicatrizes, mas eu já joguei e espalhei por tudo lá. Três dias depois acordei gritando. A pele estava queimada no meu saco, em tudo, era carne viva. Eu ainda tinha que ir lá, correr, jogar, então usei um spray para anestesiar durante um mês até sarar. Agora eu raspo com máquinas.

Melhor ter pentelho fedido.


2- Lionel Simmons

Conhecido como L-Train, a 7° escolha no draft de 1990 estava em grande fase na sua temporada de novato mas, claro, ainda era só uma criança. Logo após ter sido eleito o jogador da semana, Lionel Simmons foi para a lista de contundidos por causa de uma tendinite.

Muitas horas JOGANDO TETRIS NO GAME BOY não fizeram bem pra ele.

Se isso foi em 90 quer dizer que era aquele GameBoy-Tijolo com tela verde. Nem tinha Pokemón para ele trocar com os coleguinhas de time. E como o NBA All-Star Challenge era um lixo, deve ter sido só Tetris mesmo. Haja paciência.


1- John Starks

Ele poderia ter ficado famoso apenas pela enterrada que deu contra o Bulls nos playoffs de 93. Mas não, o destino não quis assim. John Starks é conhecido também como o cara que teve uma torção de testículo. Sim. Torção de testículo, a contusão mais bizarra da história da NBA. De longe!

Eu não sabia nem que isso existia, mas existe sim, veja o que site ABC da Saúde diz a respeito:

“É uma dor súbita no escroto (saco, saco escrotal) acompanhada de aumento de volume do mesmo. Pode estar acompanhada de sinais locais, tais como ‘inchume’, aumento da temperatura e ‘vermelhidão’. Sintomas gerais como náuseas, vômitos e dor abdominal podem acompanhar o quadro. Geralmente crianças e adolescentes são mais afetados. É uma emergência cirúrgica.”

OUCH!!!! Vocês conseguem imaginar como deve ser terrível ter uma dor assim nas bolas? Dizem que dá pra consertar em alguns casos mas em outros tem que tirar fora o testículo torcido, que foi o caso do John Starks, que sofreu isso quando jogava pelo Jazz e bem no meio de uma série de Playoff. Essa nem vou arriscar no Google Imagens.


UPDATE:

Outras lesões bisonhas na NBA:

  • Seguindo o exemplo de Monta Ellis, Vladimir Radmanovic mentiu para o LA Lakers após se machucar fazendo snowboard. Descobriram e ele ganhou o apelido de “Slalom” depois disso.
  • Derrick Rose já cortou o braço ao esquecer que tinha deixado uma FACA, usada para cortar uma maçã, em cima da cama.
  • Dirk Nowitzki torceu o pé em 2001 ao CALÇAR o tênis antes do jogo. Tava apertado e quando ele foi dar um pisão forte no chão para checar se estava firme, descobriu que não estava.
  • O que você faz quando acabou de operar o joelho? Joga boliche, né Andrew Bynum? Não acabou bem.
  • Sabe quando aqueles caras parecem muito machos fazendo flexões com o punho fechado? Kevin Love tentou ser um desses machos e saiu de mão quebrada.
  • Num acesso de fúria, Amar’e Stoudemire quebrou a mão SOCANDO um extintor de incêndio do Madison Square Garden.
  • Enes Kanter deu uma porrada em algo menos destruidor, uma CADEIRA, mas quebrou o braço do mesmo jeito.

Alguém tem que perder

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“Viva! Nós não fedemos tanto assim!”

Como tínhamos suspeitado desde o princípio – já diria Chapolim Colorado – o confronto entre China e Alemanha na manhã de sábado decidiu quem iria para a próxima fase da competição olímpica e quem iria para casa. Foi um duelo épico de baixo nível, com pouquíssimos pontos e apenas duas estrelas indiscutíveis: Yao com 25 pontos e 11 rebotes, Nowitzki com 24 pontos e 17 rebotes. Apenas cinco jogadores elemães pontuaram no jogo (e um deles fez apenas dois pontos), sinal que costuma anunciar que o time fede pra burro. A partida foi emocionante, decidida no finalzinho e eu teria várias coisas a dizer sobre ela. O único porém é que eu não assisti ao jogo. Pois é.

A culpa não foi minha, eu até acordei a tempo, interrompi meu sono sagrado em pleno fim de semana, mas não consegui ver o jogo em lugar nenhum. O portal Terra, que está passando todos os esportes ao vivo, deve ter achado que nenhum imbecil acordaria cedo num maldito sábado para ver duas seleções porcarias se enfrentarem. A televisão aberta jamais se atreveria a passar um jogo sem brasileiros ou estadounidenses. A televisão paga é paga e, portanto, eu teria que desembolsar uma grana por ela, coisa que não faço mais já faz um tempo. Dependi de links na internet mas toda vez que eu encontrava algum, ele saia do ar em questão de minutos, restando apenas mensagens de que a transmissão estava violando leis de direito autoral. Engraçado, achei que o objetivo da China com as Olimpíadas era justamente se mostrar para o mundo.

Consegui assistir alguns trechos, mas nada significativo. Diz a lenda que Yi Jianlian defendeu muito bem o alemão Dirk Nowitzki, mas eu teria que ser muito ingênuo para acreditar que o único jogo em que o Yi arriscou defender foi justamente o jogo que eu não vi. Ou seja, pra mim é lorota. Só sei que ele pegou 11 rebotes, segundo jogo seguido com dígitos duplos no quesito, o que pra ele já é um belo milagre. Talvez haja esperança, afinal. Também fiquei sabendo que o Yao Ming acertou outra bola de 3 pontos (a primeira do torneio foi contra os Estados Unidos, na estréia) mas como eu não vi, tenho que confiar no boxscore.

Se tem um cara que não merecia perder era o Nowitzki. Pra mim, não me importa aquela baboseira do “ele ama seu país e pagou o seguro do próprio bolso”, o que interessa é que ele queria jogar, estava apaixonado pela idéia de disputar uma Olimpíada e fez tudo que podia para realizar o sonho. A derrota para a China foi um daqueles momentos tristes em que a gente compreende que, no esporte, alguém tem que perder. Ali no meio do amor pelo esporte, daquela prática que une pessoas que jamais se veriam em outras circunstâncias mas que se encontram porque dedicaram suas vidas a, coincidentemente, praticar a mesma atividade esportiva, há também a derrota. Acontece. Para a China, fica o sabor de derrotar um adversário digno e apaixonado – sabor mais do que óbvio na comemoração de Yao Ming ao fim da partida. Seu sonho de ficar entre os oito primeiros se tornou realidade, mesmo com elenco mequetrefe e a insana pressão sobre seus ombros. Pressão apaixonada dos fãs chineses, amantes do basquete. Pressão patriótica de seu país, tola e cheia de ganância.

Do mesmo modo, era preciso sair um perdedor na partida seguinte, a mais importante da rodada. Não que a Espanha merecesse a sova, mas os Estados Unidos deram umas belas palmadas no traseiro espanhol, no maior estilo “vai potranca”. Em nenhum momento do jogo os espanhóis tiveram qualquer esperança de sequer encostar no placar e, pelo que pareceu, desistiram do jogo rapidinho. Foi tudo um pesadelo para Gasol e seus amigos: as bolas de 3 pontos espanholas não caiam e as bolas de 3 americanas, pela primeira vez nessa Olimpíada, caíram sem maiores dificuldades. A defesa dos Estados Unidos manteve a intensidade e mesmo os armadores Calderon e Ricky Rubio, notoriamente frios como a Mari do vôlei, acabaram cometendo erros tolos que se tornaram enterradas surreais. Para o Rubio foi uma bela apresentação, com direito a um belo passe para ponte-aérea e muita seriedade marcando (e sendo marcado por) jogadores do naipe de Jason Kidd e Chris Paul. Foi o suficiente para gerar ainda mais interesse por parte dos sedentos times da NBA, mas não foi nem de longe o bastante para manter o time espanhol calmo e dentro do esquema tático. Foi um baile.

Durante as primeiras vitórias americanas, alguns ameaçaram dizer que com aquele aproveitamento nos arremessos de fora e nos lances livres, os Estados Unidos não seriam capazes de derrotar Grécia, Espanha e Argentina, por exemplo. Bem, a Grécia não ofereceu muita resistência. E contra a Espanha, os americanos foram muito mais competentes nesses quesitos. Para deixar isso mais claro e descobrir se a seleção dos Estados Unidos estava fedendo ou não nos arremessos de 3 pontos apesar de Kobe, LeBron, Michael Redd e Carmelo Anthony, resolvi dar uma olhada no aproveitamento de todas as equipes durante as quatro primeiras partidas. O primeiro número é o de arremessos de 3 pontos convertidos, o segundo número é o de arremessos tentados, e por fim vem a porcentagem de aproveitamento. Vamos lá!

Rússia:

33/86 (38%)

Irã:
34/87 (39%)

Alemanha:
36/93 (38%)

Angola:
37/104 (35%)

Espanha:
27/87 (31%)

Grécia:
29/75 (38%)

Lituânia:
38/88 (43%)

Argentina:
36/92 (39%)

Austrália:
32/83 (38%)

Croácia:
28/63 (44%)

China:
32/97 (32%)

EUA:
31/90 (34%)

O aproveitamento dos Estados Unidos, portanto, só não é pior do que o chinês e o espanhol. Isso porque, no jogo americano contra a Espanha, a lógica presente até o momento se inverteu: as bolas dos Estados Unidos caíram, as da Espanha não. Foram 12 arremessos certos em 25 tentados, aproveitamento de quase 50%. Ou seja, antes dessa partida o aproveitamento americano nas bolas de 3 era de 29% (19/65). Irch.

Hora de dar uma olhada, então, no aproveitamento dos “especialistas” americanos em cada um dos jogos:

Primeiro jogo
Kobe: 1/7
Redd: 3/7
Carmelo: 0/2
LeBron: 1/3

Segundo jogo
Kobe: 0/8
Redd: 0/2
Carmelo: 1/2
LeBron: 0/0

Terceiro jogo
Kobe: 2/5
Redd: 1/2
Carmelo: 2/4
LeBron: 0/3

Quarto jogo
Kobe: 2/4
Redd: 0/1
Carmelo: 4/6
LeBron: 2/5

Até enfrentar a Espanha, Kobe Bryant tinha acertado 3 arremessos em 20 tentativas. Eu não vou nem calcular a porcentagem para ele não passar vergonha. As explicações para isso podem ser milhares, indo de defesa por zona nos moldes internacionais a orangotangos voadores de Marte. Se a melhora que vimos contra a Espanha se mantiver, isso nem sequer será um assunto, mas se os problemas de trás da linha de 3 pontos atrapalharem a seleção americana, vamos levantar algumas suspeitas (de preferência que não contenham criaturas marcianas, para não ofender os céticos) e tentar achar explicações. Enquanto isso, os Estados Unidos vão massacrar a Alemanha e ter uma folga. A partir de então o negócio complica, vira mata-mata e, se por algum motivo eu não conseguir ver algum jogo, vou ficar muito mais revoltado do que ao perder Yao contra Nowitzki na primeira fase. Muito mais revoltado. Muito mais.