Contos do vigário

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Kwame Brown ainda vai manter toda sua graciosidade em quadra por mais alguns anos

Como bom são paulino, sempre fiquei muito intrigado com o caso do Gustavo Nery. Nunca jogou porcaria nenhuma pelo São Paulo e, em geral, comprometia terrivelmente a equipe. Seus erros eram grosseiros, constantes e desestabilizavam o time. No entanto, muitas pessoas elogiavam seu jogo. Foi com grande estranheza (e alegria de me ver livre da praga) que recebi a notícia de que Gustavo Nery foi jogar na Alemanha, onde não foi bem recebido, e depois foi contratado pelo Corinthians. Levou apenas alguns dias para a torcida corinthiana perceber o que já era óbvio para qualquer são paulino: o Gustavo Nery fede. Saiu do time ameaçado de morte, levando pedrada de todo lado, mas mesmo assim conseguiu um contrato na espanha. Assim que perceberam por lá que ele fedia, voltou para o Corinthians, único time burro o suficiente para cair no conto do vigário duas vezes. Ao perceber a cagada, Gustavo Nery deu o fora de novo, indo jogar no Fluminense, em que obviamente não deu certo, e agora conseguindo um contrato com o Internacional. Até a mãe do sujeito sabe que ele é perna de pau, mas por algum motivo místico sempre tem algum time por aí acreditando nele. Sempre tem alguém que cai no conto do vigário.

O que isso tudo tem a ver com basquete? O fato de que lá na NBA também não faltam trouxas para acreditar em qualquer coisa. Basta uma boa edição de vídeo e até o gordo do Jerome James se torna um grande jogador, todo mundo sabe disso na era do YouTube, mas ainda tem um monte de gente que realmente acredita no que vê.

A notícia de hoje é que Kwame Brown recebeu uma oferta de 8 milhões de doletas por 2 anos no Pistons. O mesmo Kwame que jogava embaixo de vaias em Washington, que foi humilhado pela torcida de Los Angeles, e que foi afundado no banco de um Grizzlies completamente desprovido de jogadores. Foram três chances, dois contratos gordos, três fracassos retumbantes. E quando a gente finalmente estava pronto pra aceitar que seu futuro seria o mesmo de outra primeira escolha de draft fracassada, Michael Olowokandi (ou seja, a aposentadoria) eis que Kwame me aparece com mais um contrato milionário na manga. Qualquer semelhança com o Gustavo Nery, crianças, não é mera coincidência.

Não preciso sequer me esforçar para saber o que o Pistons está pensando. “Kwame é um jogador de muito potencial e acreditamos que possa evoluir muito e contribuir para nossa equipe.” Assina o nome de qualquer dirigente do Detroit e pronto, eu deveria ser Relações Públicas na NBA. Eu nem vou entrar nos méritos do Kwame Brown de fato ter potencial, apesar da incapacidade de lidar com pressão e das mãos pequenas de donzela aflita. Eu só não consigo aceitar que, depois de tanto tempo, ainda queiram investir tão pesado no moço. Eu não quero viver em um mundo em que o Kwame ganha um contrato de 4 milhões e o Matt Barnes assina pelo mínimo, 900 mil mangos. Produção e dedicação parecem sempre vir atrás de potencial, o que uma hora acaba enchendo o saco. Ele pode até se dar bem no Pistons, tendo menos pressão de produzir atrás de grandes estrelas, mas ele pode quebrar em segundos frente à torcida de Detroit e à intensidade e tranquilidade que o Pistons mostra nos jogos. Mais uma vez Kwame é um jogador de risco que engordará seus bolsos (e sua pancinha).

Mas não pensem que cair numa enganação dessas é privilégio do Pistons. O time mais amaldiçoado da NBA, o Los Angeles Clippers, acaba de efetuar uma contratação polêmica: Ricky Davis agora faz parte da equipe. Até parece uma boa contratação, trata-se de um pontuador nato, um cara que venderia a própria mãe pela chance de fazer umas cestas, e que vai cobrir a falta de poder ofensivo surgida com a ida de Elton Brand para o Sixers. Além do mais, é uma figura experiente e permitirá ao calouro Eric Gordon não ter que assumir tanta responsabilidade, principalmente levando em conta que outro futuro titular, Al Thornton, estará apenas em seu segundo ano. “Um armador pontuador e experiente, é tudo que o Clippers precisava”, você diz. Pois eu digo que essa foi a aquisição mais imbecil e desconjuntada que eu já vi na NBA nos últimos anos!

Colocar Baron Davis e Ricky Davis ao lado um do outro só pode ser um experimento social! É um projeto de pesquisa acadêmica, ou então um reality show brega apresentado pelo Sílvio Santos! A última vez em que eu vi o Ricky Davis passando uma bola, resolvi maneirar na bebida. Acho mais provável ele arremessar uma bola de costas do meio da quadra (algo que ele faria naturalmente num jogo de playoff, por exemplo) do que passar conscientemente para um companheiro livre. Ele sabe pontuar, não me entendam errado, mas não se importa com mais nada no planeta. “Aquecimento global? Foda-se isso, me passa essa maldita bola!” Sim, a dupla de Davis (Baron e Ricky) pode ser um dos duetos ofensivos mais poderosos da Liga, mas também vai ser um dos mais retardados e imprevisíveis. A impressão que tenho é de que o Clippers está querendo juntar o maior número possível de peças que não se encaixam entre si: Baron Davis, Ricky Davis, Chris Kaman, Marcus Camby. Isso não é um time, é um show dos horrores! Ninguém combina com ninguém, nenhum jogador parece fazer sentido com o outro, é tipo um zoológico! Como próximas aquisições, o Clippers anunciará Michael Jackson, Sérgio Mallandro e um gorila treinado no circo, só pra fechar o grupo.

Eu tenho dó do Clippers. Eles parece sempre estar fazendo tudo que podem, adquirindo novos jogadores e lutando para manter os antigos. O único problema é que eles frequentemente caem nuns contos do vigário, e dessa vez foi o Ricky Davis. Todo mundo sabe que ele torna qualquer time imediatamente pior, que ele rompe com qualquer química presente e torna a situação insustentável. O que dessa vez é até engraçado, porque um time com Baron Davis, dois pirralhos, Kaman e Camby, já parecia não ter chances de ter química alguma. Vai ver a idéia é essa mesmo, química é coisa de professora gorda de colegial ou de time fracassado, tipo Pistons e Spurs. Eu entendo que o Clippers está conseguindo uns jogadores praticamente de graça (o Camby veio em troca de uma escolha de segunda rodada de draft, o Ricky Davis assinou por 2 anos e menos de 5 milhões) mas é preciso ser seletivo, parece que eles topam a primeira baranguinha que se atirar no colo deles numa balada.

Aliás, outra lorota famosa na NBA e que muita gente compra é o Isiah Thomas. Não, ele não assinou com ninguém, as lembranças de suas cagadas ainda estão muito recentes, mas não me assustaria vê-lo à frente de algum time em um ano ou dois. Isos porque, em sua defesa, sempre tem alguns gatos pingados que gostam de alegar que o Isiah é genial na hora de draftar jogadores.

Vamos voltar alguns anos no passado, para a noite do draft de 2006. Com a vigésima escolha, Isiah Thomas escolheu o ala Renaldo Balkman para fazer parte do Knicks. Toda a torcida de New York, presente no ginásio, vaiou até cuspirem os pulmões para fora. “Renaldo quem? Renaldo nem sequer é um nome de verdade, parece mais um erro de digitação! Ele poderia ter sido escolhido na vigésima nona escolha, que também era do Knicks!” Mas Isiah explicou-se, alegando que Renaldo era um ótimo jogador e que o Suns alegadamente draftaria o jogador com a vigésima sétima escolha da primeira rodada. Sei. Naquela mesma noite, o Suns, como sempre, vendeu sua escolha de draft para o Blazers, no que veio a ser o armador Sergio Rodriguez. Algo me diz que o time de Phoenix não poderia estar se importando menos com o draft e com o tal do Renaldo (força nominal zero!), que acabou esquentando banco para o Knicks nos anos que se seguiram. No mesmo draft, Isiah Thomas poderia ter escolhido versões melhoradas do Balkman, saídas diretamente da máquina de fazer Maxiells: eram Leon Powe, Craig Smith e Paul Millsap, todas opções muito superiores.

Hoje, o Knicks-sem-Isiah trocou Renaldo Balkman por um dedal e um botão de camisa (na verdade, por Bobby Jones e Taurean Green, além de uma escolha de segunda rodada). Na verdade foi apenas um modo de liberar espaço na folha salarial. Com isso, quase todas as “geniais” escolhas de draft de Isiah viraram farofa: Trevor Ariza, escolhido em 2004, foi trocado por um Steve Francis em decadência; Channing Frye, oitava escolha de 2005, teve uma temporada impressionante mas depois caiu vertiginosamente e foi trocado pelo Zach Randolph; por fim, Renaldo Balkman foi dado de graça em troca de teto salarial. Sobraram apenas David Lee, Nate Robinson e Wilson Chandler, sendo os dois últimos, aliás, estrelas de Summer Leagues. Só que liga de verão não é mundo real, então acho que já é hora desse mito de “bons drafts” cair.

Resumindo, Isiah Thomas não é genial em drafts. Kwame Brown não vai evoluir e começar a contribuir para equipe alguma. Ricky Davis não vai fazer qualquer time no mundo vencer um jogo sequer. E, pelamordedeus, o Gustavo Nery não faz a menor idéia do que é jogar bola. Mas sempre tem alguém que ainda acredita.

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A arte de entender a cabeça de Tyronn Lue

Eu tive uma conversa quase filosófica com o Danilo algum tempo atrás. Filosófica mas sobre NBA, claro. Ficamos tentando entender como funciona a cabeça de um jogador da NBA, afinal a maioria deles encara o basquete e a liga de forma diferente da que nós, fãs. Para eles a NBA é o local de trabalho, os times são empresas e empresas que ficam em lugares dos EUA que eles gostam, não gostam ou onde têm alguma história. Além disso, eles vêem o lance do dinheiro e da fama de forma diferente da nossa. Imagino que a maioria dos nossos leitores não saiba como é não ter dinheiro e, de repente, se ver em posição de ganhar milhões e milhões de dólares por jogar 82 jogos de basquete assistidos em quase todos os países do planeta.

Acho que essa discussão é bastante válida nesses meses sem temporada porque é agora que os jogadores estão decidindo (ou estão decidindo por eles) onde e por quanto vão jogar.

Primeiro tem a parte da grana, que até já falamos aqui outras vezes na época da contratação do Baron Davis e do Elton Brand, mas é realmente uma questão importante para o jogador de basquete da NBA. Eles encaram o dinheiro que recebem não só como uma chance de viver bem para o resto da vida, mas como uma medida do valor deles como jogadores e de importância junto à franquia. Então não é importante receber apenas um bom dinheiro para o cara fazer até os netos viverem na boa, é importante receber de acordo com o que o cara representa para o time. Logo, o Chris Paul deve receber mais que o Tyson Chandler, que deve receber mais que o Morris Peterson. O Duncan recebe mais que o Tony Parker, que recebe mais que o Bruce Bowen e ainda pega a Eva Longoria.

Não é raro os contratos de dentro do time servirem como parâmetro para um novo contrato, para que o melhor ganhe mais e o pior menos. Quando isso não é respeitado até cria uma discussão na mídia e entre os fãs, afinal por que pagam tanto pelo Erick Dampier se o DeSagana Diop jogava mais tempo que ele? Ou por que oferecer mais dinheiro pelo Nenê do que pelo Marcus Camby se o Camby era mais importante que o Nenê no antigo garrafão do Denver? A disucssão veio à tona nas últimas semanas porque tem gente revoltada que o Antawn Jamison ganha mais grana que o Caron Butler, o mais mal pago do trio de Washington. Se bem que eu me sinto mal de chamar de “mal pago” alguém que ganha 8 milhões de dólares em um ano.

Também há a competição entre jogadores de times diferentes. Diz a lenda (isso nunca é confirmado da boca dos atletas) que o Zach Randolph tinha acertado um bom contrato com o Blazers e ia assiná-lo quando descobriu que o Pau Gasol tinha assinado um contrato ainda melhor com o Grizzlies. Então o Randolph se recusou a aceitar aquele contrato e disse que ele tinha que ganhar mais do que o Gasol por ser melhor do que ele. Pra mim é uma atitude ridícula, ele até pode se achar melhor que o Gasol, mas mudar o contrato por causa disso é idiota. Se todo mundo na NBA quisesse ganhar mais que o Brian Cardinal (em torno de 7 milhões por ano) os times iam à falência.

Também bastante discutido, principalmente entre os Free Agents irrestritos, que podem ir para qualquer time, é a cidade em que vão jogar. Assim que saíram as notícias de que o Baron Davis não iria continuar no Warriors, os times cogitados para ficar com o armador eram Kings, Clippers e até o Lakers, tudo porque o Baron Davis é do estado da Califórnia e já deixou bem claro que gosta de morar lá e porque também é envolvido na indústria de cinema, que é concentrada em Los Angeles. No fim das contas ele topou ir para o Clippers mesmo.

Outro caso famoso é o do Shaquille O’Neal, que disse que adora lugares quentes, de clima bom e que não tenha muito frio, neve pra ele nem pensar. Ele conseguiu isso. Jogou nos dois times da ensolarada Flórida (Miami e Orlando), no calor da Califórnia com o Lakers e agora está no deserto do Arizona com o Suns. Azar do Jazz e do Nuggets, em cidades frias pra burro, e do Portland e do Sonics, que ficam (ou ficavam) em cidades conhecidas pelas suas chuvas. Nunca tiveram a chance de ter o Shaq em seus times. O assunto da onde os jogadores moram veio à tona também na semana passada quando o Gilbert Arenas tirou sarro do seu companheiro de Universidade do Arizona, Richard Jefferson, porque ele estava indo para o Bucks. Aqui as palavras do Arenas:

“Richard Jefferson vai para Milwaukee… HAHAHA! Cara, isso é engraçado. Quando eu ouvi eu comecei a dar risada. Cara, como eu ri. E você sabe por que? Porque todo jogador odeia Milwaukee. Ninguém quer morar lá. Desculpe, Milwaukee, de pegar tão pesado com vocês, mas ninguém na NBA quer morar aí. Para ele sair de New Jersey, ou melhor de Nova York, porque ele morava lá, para ir para Milwaukee é como… bom, vamos dizer que não vai combinar com ele. Foi muito engraçado quando ouvi essa notícia, mas pelo menos o Yi Jianlian deve estar feliz. “

Vai ver que é por isso que o Bucks tem essa coisa de manter por lá os jogadores que dizem até publicamente que não querem jogar com eles. O Bucks deve ter noção de que se eles forem esperar alguém que realmente quer jogar com eles, o time não vai ter o elenco mínimo no dia que começar a temporada. E o Yi deve estar feliz mesmo, ele sempre disse que queria morar em uma cidade com alguma colônia chinesa e com o Nets ele estará ao lado de Nova York, que tem mais chinês do que táxi.

Mas um outro tema, o que eu acho mais interessante de todos, é saber qual é a ambição do jogador, saber o que ele quer de sua carreira.

Não é lei, mas o padrão mostra que primeiro o jogador quer entrar na NBA em algum time em que ele tenha tempo de quadra. O time pode ser bom, ruim ou médio, se ele tiver tempo pra mostrar que é bom, ótimo. Depois que ele provou o que é, a tendência é o jogador buscar o contrato mais lucrativo possível. Já li sobre jogadores que tem medo de se machucar ou de, de repente, perder espaço na NBA, então para eles o mais importante é conseguir o contrato mais longo e lucrativo possível. Por fim, quando o jogador vê que sua carreira está indo para o fim, ele tenta buscar o que não tem ainda. Então se ele não tem um título, vai para um time com chance de título. Se nunca jogou na cidade em que nasceu, tenta ir para lá, se quer ser técnico, vai para onde ele será aceito como auxiliar técnico, caso do Sam Cassell, que considera ir para o Denver para ser treinado pelo seu amigo George Karl. Não acho que o Denver seja um bom lugar para aprender algo sobre ser técnico de basquete, mas beleza, quem sou eu pra questionar o que o Cassell faz, não é?

Mas acontece que para alguns, a carreira não é tão comum assim e durante ela o jogador tem que fazer escolhas não tão óbvias. São reações que inicialmente causam espanto mas que pensando bem, dá pra entender.

O primeiro caso é o do Tyronn Lue. Ele acabou de assinar com o Milwaukee Bucks, sim, o time em que ninguém quer jogar. E não foi por desespero não, ele não corria o risco de ficar desempregado. O Suns o queria como reserva do Nash e até ouvi uns rumores de que o Miami, que precisa desesperadamente de um armador, além do Celtics e do Kings, queriam seus trabalhos, mas não, ele preferiu ir para o Bucks. Depois de tantos anos rodando pela NBA, principalmente em times ruins, era de se esperar que o Lue escolhesse ir para um time de mais prestígio para aparecer na TV, jogar os playoffs, ganhar jogos e até tentar ganhar um anel de campeão. Mas ao invés disso ele foi para um time que não está nem perto de um título e que já tem Mo Williams e o promissor Ramon Sessions em sua posição.

O motivo foi tempo. O Suns e todos os outros times usaram esse atrativo do título, dos playoffs para o Lue, mas ofereciam sempre o contrato mínimo por um ano. Apesar de não serem fontes oficiais, dizem que o Bucks ofereceu mais dinheiro e um contrato de 3 anos de duração. Depois de ser um andarilho em times ruins, o Lue decidiu se firmar financeiramente. Ainda em um time ruim, infelizmente.

Outro caso bem interessante é o do Jarvis Hayes. Ele foi draftado pelo Wizards e lá em Washington passou os primeiros anos de sua carreira, mostrou que era talentoso, que sabia marcar pontos mas também foi bastante irregular e se machucou bastante. Virou Free Agent, foi para o Pistons, foi muito bem na temporada vindo do banco e era peça importante como reserva de Hamilton e Prince. Mas então, de repente, já que era Free Agent de novo, assinou com o New Jersey Nets.

Até aí nada de mais, mas depois descobriram que ele tinha recebido propostas do San Antonio Spurs e do New Orleans Hornets. Ele poderia ser um reserva importante, que entraria em todo jogo em dois dos melhores times da liga, mas ao invés disso preferiu ir para o Nets, que está claramente em reformulação e pensando em ganhar de verdade somente em 2010, depois de tentar pegar o LeBron. E pior, financeiramente as propostas eram muito parecidas.

O motivo é bem claro, em New Jersey ele tem muitas chances de ser titular. Com Richard Jefferson foram da equipe, Trenton Hassell não sendo lá tudo isso e o Bostjan Nachbar sondado por times europeus e pelo Hawks, o Hayes praticamente não tem competição para ser peça importantíssima na equipe. Aqui está o que ele disse:

“No fim das contas a oportunidade de ir para um time e ter a chance de realmente jogar era algo que eu não podia deixar passar.”

Achei muito legal a atitude dele. Ao invés de se contentar em ser um coadjuvante em times bons como Pistons, Hornets e Spurs, ele preferiu jogar basquete pra valer, por mais minutos possíveis, no fraco Nets.

Muito legal ver que mesmo que eles pareçam pessoas diferentes, que enxerguem as coisas de forma bem diferente, às vezes dá pra encontrar uns caras com quem a gente se identifica, que mesmo nesse mar de dinheiro, fama e busca pela glória, consagração e imortalidade na história da liga, alguns queiram somente ir lá e jogar o máximo de basquete possível.

E você, o que faria? Se recebesse propostas financeiramente iguais, iria para o time a um passo do título, onde provavelmente seria segunda ou terceira opção do banco, ou iria para um time fraco onde, pela primeira vez na carreira profissional, teria chance de ser titular?

Vídeo: Jerome James

Não tem nada a ver com o assunto mas assim que eu vi esse vídeo eu precisei colocar ele aqui. É um mix de jogadas do grande, gordo, grosso e patético pivô do New York Knicks, Jerome James. É a prova final de que até sua tia gorda que aperta suas bochechas no Natal pode parecer um bom jogador com a edição de vídeo certa.

Preço de banana

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Marcus Camby se contundiu assim que foi informado de que iria para o Clippers

“Que diabos?” Simplesmente não há reação mais adequada ou jeito melhor de começar um post do que esse, afinal o Denver Nuggets acabou de trocar seu melhor defensor, Marcus Camby, por uma escolha de draft de segunda rodada. (na verdade, nem isso, é apenas a possibilidade de trocar a escolha de segunda rodada do Nuggets com a que eles receberam, caso eles prefiram na hora). O felizardo é o sempre amaldiçoado Los Angeles Clippers, beneficiado por uma daquelas trocas que ninguém nesse universo é capaz de explicar. Após ler algumas opiniões, pensar muito a respeito e jogar búzios, a gente aqui no Bola Presa surgiu com algumas possíveis explicações para a troca:

1) O Nuggets queria liberar uma grana. O time já ultrapassa o teto salarial, sendo obrigado a pagar as multas decorrentes, e tantos gastos não estavam servindo pra nada porque o Nuggets não ganha droga de partida nenhuma. Então, já que é pra perder, que pelo menos não seja gastando dinheiro desnecessário dos bolsos do dono da franquia.

2) A intenção é conseguir dinheiro para assinar um Free Agent. Os nomes mais importantes disponíveis no momento são Josh Smith, Emeka Okafor e Andre Iguodala, e o Nuggets pode ter mandado o contrato de 8 milhões do Camby embora para fazer uma oferta bacanuda para um deles. O único problema dessa história é que o Okafor não é tão diferente do Camby assim e Iguodala e Josh Smith estão sendo cotados agressivamente por outros times (Clippers, Hawks, Sixers) que podem pagar mais do que o Denver. Mandar o Camby embora pela possibilidade remota de conseguir um desses Free Agents é coisa de videogame. Ou de Isiah Thomas.

3) O Denver Nuggets acha que defesa é coisa de menininha. Afinal de contas, como o Camby se atreve a dar tocos num elenco que sequer levanta os braços para fingir que está defendendo? A idéia, portanto, deve ser desencanar de vez da defesa, chegar aos playoffs e então perder para o Spurs. Parece um bom plano.

4) Parar de tentar vencer agora e reconstruir o time, pensando no futuro. Com Carmelo Anthony, o Nuggets pode feder um punhado de temporadas, draftar um monte de gente boa e depois voltar pra ativa. Ficar sempre no grupo intermediário, ali na oitava ou nona vaga na Conferência Oeste, é mortal para as franquias. Você não é nem bom o bastante para se dar bem nos playoffs, nem ruim o bastante para se dar bem no draft. O Wolves cansou disso e resolveu feder uns tempos, o Sixers também. Talvez seja a idéia do Nuggets mas, se for, é a maior mancada do mundo com o Iverson. O coitado só se fode, vai parar em time que decide recomeçar do zero e ele já tem uns 40 anos e sem muito tempo pra ficar esperando.

Pelo lado do Clippers, é claro que sempre é bom conseguir a preço de banana um jogador All-Star, líder em tocos na NBA por 3 temporadas seguidas. Peraí, eu disse “preço de banana”? Coisa nenhuma, tente comprar banana no supermercado e diga que pagará com “uma escolha de segunda rodada de draft”! Vão mandar você te catar! O Camby foi mais barato do que banana, foi mais barato do que uma bala de menta, e como dizem, “cavalo dado não se olha os dentes”. Mas apesar de ser de graça, a adição de Camby não deixa de ser um tanto esquisita para o Clippers. Vamos então pedir ajuda para os nossos búzios novamente e ver o que o Clippers pode fazer com o Camby.

1) Utilizar o Camby como ala, ao lado de Chris Kaman como pivô. O resultado é imediatamente um dos melhores garrafões defensivos da NBA, para dar medo em qualquer infeliz que pensar em bater para a cesta. Tocos e rebotes não serão um problema, claro. Mas na parte ofensiva, a dupla é um bocado estranha. Camby não é exatamente um ala e, apesar de ser capaz de correr pra burro, o time parece alto demais para jogar na velocidade constante que um elenco com Baron Davis, Eric Gordon e Al Thornton sugeririam. Camby não vai repor o ataque de Elton Brand, o que deixará muito da pressão ofensiva nas mãos de dois fedelhos, Gordon e Thornton, algo que nunca é boa idéia. Ainda assim, será muito interessante ver como será o esquema tático adotado e como essas peças (que parecem um pouco disconjuntadas a princípio) se encaixam ao longo da temporada.

2) Trocar o Camby imediatamente. A idéia seria pegar um bom jogador praticamente de graça e trocá-lo por uma estrela que pareça se encaixar melhor em Los Angeles, como Josh Smith, por exemplo. Para o Hawks, isso até faria sentido, já que eles definitivamente poderiam usar um pivô e deixar Al Horford jogar em sua posição original, como ala. Mas se o Atlanta topasse algo assim, por que diabos o Nuggets não teria trocado diretamente pelo Josh Smith? Não faz sentido.

3) Colecionar o maior número possível de jogadores com histórico de contusões. Nesse caso, depois de conseguir Baron Davis e Marcus Camby, o Clippers faria uma troca para conseguir o Grant Hill, do Suns, e contrataria o armador Jamaal Tinsley, que em breve ficará sem emprego. No amaldiçoado Clippers, nenhum deles seria capaz de terminar uma temporada vivo.

Com nossos búzios preparados, vamos continuar de olho para descobrir como a troca do Marcus Camby se encaixa nos planos de ambos os times. E assim que alguém morrer no Clippers, a gente também avisa, pode deixar.

Baron Davis amaldiçoado

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“Olha, mamãe, agora sem as mãos!”

Nós, fãs da NBA, estamos prestes a presenciar algo de consequências catastróficas, algo que pode desestruturar toda a fina malha da relação espaço-tempo: Baron Davis está indo para o Los Angeles Clippers. A maluquice dessa afirmação é tão grande que sequer sei poder onde começar.

Para se ter uma idéia, estamos falando do jogador mais amaldiçoado do mundo do basquete indo jogar no time que mais precisa de um exorcismo em toda a NBA. Como comentei num post mais antigo, o Clippers deve jogar em cima de um cemitério indígena e, portanto, todos os jogadores querem fugir de lá o mais depressa possível. O primo pobre do Lakers simplesmente não consegue vencer, não importa o que aconteça, mesmo com elencos bacanas, simpáticos e promissores. Quando parece que não tem como algo dar errado, a maldição do Clippers sempre dá um jeitinho: quebrou o joelho do Shaun Livingston praticamente encerrando sua carreira, lesionou um Elton Brand que nunca havia nem pego uma gripe, contundiu Chris Kaman trocentas vezes e roubou o talento do Tim Thomas (não que ele tivesse muito, claro). O negócio por lá é tão complicado que, quando acabam os contratos, todos os jogadores correm para sair de lá imediatamente, basta lembrar do Lamar Odom. O que vimos agora é uma inversão total dessa lógica que fica ainda mais estranha quando pensamos no sujeito que decidiu ir jogar por lá: Baron Davis.

Quando perguntaram para o maluco do Don Nelson se ele estava preocupado em que Baron Davis desistisse do último ano de seu contrato, que era de escolha do jogador, ele respondeu algo nos moldes de “Nah, os 17 milhões que ele vai ganhar vão garantir que ele volte.” Depois disso, enfiou uma colher na orelha, usou uma toalha de banho como capa e pulou pela janela do nono andar. Coisas comuns em sua rotina. Apesar da insanidade do técnico do Warriors, estava mais do que óbvio que Baron Davis não iria deixar escapar os 17 milhões que, convenhamos, dão pra comprar um monte de balas de caramelo. Mas parece que, meio por birra, meio por maluquice (que deve ser contagiosa após passar tanto tempo ao lado de Don Nelson), ele resolveu mandar seu último ano multimilionário pelo ralo e ir bater uma bolinha no Clippers. Justo no Clippers. O sujeito deve curtir um cemitério indígena.

Entenda porque: em 9 temporadas, Baron Davis só jogou as 82 partidas da temporada em quatro ocasiões, três delas em seus três primeiros anos de NBA, naquele tempo em que ele tinha um joelho e dava pra brincar de pião na rua. A outra ocasião em que ele passou uma temporada inteira saudável foi, curiosamente, a temporada passada. Ou seja, quando finalmente o sujeito não se arrebenta em quadra, resolve ir jogar na maior taxa de gente quebrada por metro quadrado. Ele só pode estar brincando.

O contrato só pode se tornar oficial dia 9 de julho, mas o acordo verbal entre Davis e o pessoal do Clippers está estabelecido e parece definitivo. Duvido que tenham oferecido pra ele os quase 18 milhões que ele ganharia no Warriors, e dificilmente vão apresentar um basquete tão veloz quanto aquele que o permitiu se tornar um dos melhores armadores da NBA nas últimas temporadas. Mas isso parece não importar nem um pouco. Vai ver, ele tem fetiche por contusão. Mas o mais provável é que estivesse com vontade de ter alguém com mais de 20 centímetros jogando ao seu lado na equipe, só para variar. Ainda que o elenco do Warriors seja de alto nível (e um dos meus favoritos, aliás), era bem óbvio que Baron Davis era obrigado a carregar muito da filosofia ofensiva do time nas costas, e que ainda assim faltava profundidade e tamanho para atuações convincentes nos playoffs. Além do que Don Nelson, depois de colocar em prática um regime de “eles não existem” com novatos durante toda sua carreira, anunciou que deve colocar a pirralhada em quadra na temporada que vem. O que significa que ele desistiu da equipe, sabe que nos playoffs eles não vão conseguir ganhar de ninguém que não seja o Mavs, e está decidido a se comprometer com o futuro da equipe, motivo o suficiente para Davis pular do barco.

Do outro lado, com Baron Davis o Clippers de repente se torna um dos times mais bacanudos da NBA, além de um dos mais imprevisíveis: nunca vai dar pra saber quando alguém vai dar uma enterrada maluca, um passe incrível ou quebrar a perna e desmanchar um joelho. E o melhor de tudo é que Elton Brand deve continuar por aquelas bandas. Juro que não entendo o Brand, que pelo jeito é um bom samaritano, um sujeito legal com quem eu adoraria jogar gamão um dia desses. Após tantas temporadas só tomando pau no Clippers, completamente invisível para o grande público apesar das constantes médias de 20 pontos e 10 rebotes por jogo, Elton Brand tem a chance de sair correndo de lá mas não, preferiu ficar. Contundido durante toda a temporada passada, pareceu envergonhado quando falou sobre isso nas entrevistas e deu a entender que ficaria no Clippers apenas para desculpar-se com a organização que pagou seu salário enquanto ele em nada contribuia. Depois de tantos jogadores que não fazem nada, ficam jogando ludo na enfermaria e depois simplesmente dão o fora da equipe para assinar contratos milionários, ouvir a história do Elton Brand traz até lágrimas aos olhos. Além disso, Brand anunciou que estaria disposto a aceitar um salário menor para que a equipe pudesse contratar outras estrelas para jogar ao seu lado. Dito e feito, ele fará par com Baron Davis e, somados ao pivô Chris Kaman, o ex-novato Al Thornton e o recém-draftado Eric Gordon, têm tudo para viverem felizes para sempre.

Se não estivessem jogando no Clippers, claro. Não tem como colocar fé na equipe que sempre tem tudo para ser um fracasso. Ainda acho maluquice do Baron Davis, que poderia ter optado por lugares menos macumbados, mas deixando o misticismo e o histórico de contusões de lado, o Clippers tem tudo para ser uma versão pobre do Celtics. Como lado negativo, o fato de que o núcleo da equipe não é especialmente jovem, e as chances para ganhar anéis não devem durar por muitos anos. Mas pelo lado positivo temos muito talento junto e a possibilidade de atrair outros jogadores interessados em participar da brincadeira. Corey Maggette, ala do Clippers, por exemplo, é Free Agent e está sendo cotado por várias equipes. Trata-se de um jogador completo que tem como grande mérito a capacidade de sofrer faltas e cobrar lances livres quando o resto do seu jogo não funciona. Talvez, ao ver a equipe se formando ao seu redor, ele também escolha continuar no Clippers, nunca se sabe. Embora ele pareça interessado em verdinhas e conheça os espíritos malignos que devem passear pelo ginásio.

Se os ares parecem bons para o Clippers, a ida de Baron Davis para Los Angeles deixa o Warriors numa situação um tanto delicada. O time já não tinha armador reserva e agora fica até sem armador titular. O Monta Ellis já jogou improvisado na posição mas ele não sabe arremessar de fora e não é prendado na arte de passar a bola, ou seja, ele é um quebra-galho pra armar o jogo mesmo, apesar de ser simplesmente genial jogando de segundo armador. O Warriors vai ter muito espaço na folha de pagamento para contratar uma estrela para a equipe, mas como o estilo de jogo do técnico porra-louca Don Nelson vai ficar sem um armador capaz de correr como um débil mental? É hora do time de Golden State decidir exatamente o que quer fazer da vida, em quem vai estar apoiado o futuro da franquia, se o Don Nelson vai continuar mandando na budega e em quem ele quer confiar o cargo de armador principal. Agora, faz cada vez mais sentido o boato do Gilbert Arenas retornando para o Warriors, mas o Wizards acabou de assinar o Antawn Jamison por uma grana bem módica, requisito para conseguir convencer o Arenas a continuar em Washington.

Na abertura do festival de Free Agents (se você não sabe o que significa o termo “free agent”, está na hora de uma aulinha com a tia Ju), é hora de manter o olho no Warriors. E, pelo resto da temporada, também manter o olho na enfermaria do Clippers, claro.

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Fofoqueiros sim, mas com classe!

Quem vocês acham que enganam? Eu conheço vocês muito bem! Fazem pose, se fingem de indiferentes, dão uma de machão com as namoradas, discutem Nietzsche, a subjetividade do ser e o último sucesso do cinema iraniano. Mas basta passar na frente de uma televisão passando “TV Fama” e vocês todos esticam o pescoço ao menor sinal de “okey, okey, okey”. Não adianta fazer careta, virar a cara, fingir que não é com você. Até parece que você não fica todo interessado em saber que a Deborah Secco casou pela décima segunda vez (dessa vez com um rinoceronte de um zoológico francês), que um ex-Polegar engoliu um par de pilhas alcalinas, ou que um outrora BBB de sucesso agora vende pastéis na feira. Melhor ainda é quando surgem os boatos e ficamos sabendo que a Sandy está tendo um caso com o Silvio Santos e coisas classudas assim.

Ninguém se importa que é tudo mentira, besteira, estrume. É claro que ouvir a Tiazinha dizer que viu alienígenas não vai mudar a vida de ninguém e nem descobrir a cura para o câncer. Mas mesmo que você não assine a Contigo, não dá para passar incólome num mundo regido pela fofoca e pelo boato. Que atire a primeira pedra aquele que não souber quem é o Leão Lobo!

Na NBA não seria diferente. Todo mundo adora aqueles boatos sobre as trocas mais absurdas, em que LeBron James é trocado pelo Eddy Curry e mais um saco de ração, ou então em que o Gasol é trocado pelo Kwame Brown (ei, espera aí!). Os boatos nunca fazem sentido e, mesmo quando até são pertinentes, acabam nunca acontecendo. Eu, que costumo ler sites especializados em fofocas de NBA todos os dias (a Contigo de quem tem pelo no peito), sou sempre pego completamente de surpresa com as trocas que de fato acontecem. Porque as trocas que se concretizam nunca foram antes divulgadas, fofocadas ou sequer cogitadas. O resultado disso é uma soma infindável de tempo lendo essas besteiras que vai embora pelo ralo, e poderia estar sendo gasto com algo muito melhor, como ajudar com a paz mundial ou tirar meleca do nariz.

Bem, se eu me importasse com tempo bem gasto, não veria dez sujeitos suados tentando ver quem acerta mais vezes uma esfera dentro de uma circunferência todas as noites e nem teria um blog diário (quase, vai) sobre o assunto. Então, sem nenhum peso na consciência, vou entregar o que todos os fãs de NBA e “TV Fama” mais desejam em seus subconscientes pervertidos: rumores sobre o draft.

Ficar só traduzindo rumor é coisa de estagiário, e o nosso está ocupado demais inventando novos rumores que vamos espalhar em sites eslovenos. Então, vamos comentar cada um dos rumores que andam passeando a blogosfera NBAística recentemente. E não se esqueçam de me dar um tapa na orelha quando me encontrarem na rua, porque é exatamente isso que merece todo infeliz que usa a palavra “blogosfera”.

1 – Mike Miller + OJ Mayo para o Heat, Michael Beasley (e talvez Mark Blount) para o Grizzlies

Taí uma troca que nunca vai acontecer porque envolve uma quantidade tão grande de “se” que parece até um mundo à parte. Se o Bulls escolher mesmo Derrick Rose, se o Heat pegar o Beasley, e se o OJ Mayo não for draftado nem pelo Wolves e nem pelo Sonics, aí o Grizzlies escolheria o Mayo e enviaria o novato junto com o coitado do Mike Miller em troca do Beasley. O cara que inventou essa loucura tem uma boa lógica: o Heat está assumidamente apaixonado pelo Mayo, fez treinos privados com o moço, e já tem Shawn Marion para a posição do Beasley. O Grizzlies, por sua vez, levaria o melhor jogador do draft. Se você discorda, saiba que até o Derrick Rose disse que o Beasley é o melhor calouro disponível. O Mark Blount pode estar no meio para igualar salários ou só porque o cara que inventou o boato achou o nome dele engraçado.

2 – Martell Webster e 13a escolha do draft para o Suns, Leandrinho para o Blazers

Diz a lenda (e não estou falando daquele filme B com o Will Smith) que agora que Mike D’Antonni é coisa do passado em Phoenix, duas de suas peças favoritas (Leandrinho e Boris Diaw) agora são dispensáveis. Soma-se a isso o fato do Suns estar aparentemente apaixonado por alguns novatos, como o armador Russel Westbrook e o ala Joel Alexander. Para o Blazers, o Leandrinho talvez desse certo, fazendo o papel que Jarret Jack já faz por lá. Para o Suns, até faria sentido se um dos novatos que eles cobiçam sobrasse na 13a escolha, mas como isso não vai acontecer, esse boato é uma besteira.


3 – TJ Ford e a 17a escolha do draft para o Suns, Boris Diaw para o Raptors

Se o Suns tem a 15a escolha e está notoriamente interessado em Westbrook e Joel Alexander, porque eles se interessariam por uma escolha depois da que já têm? Outra pergunta minimamente pertinente: porque o Suns pegaria um armador que odeia ser reserva em Toronto, que já pensou em se aposentar do basquete duas vezes por problemas de saúde, e que gosta tanto de passar a bola quanto gosta de uma apendicite? TJ Ford não se encaixa no Suns e, dependendo de para quem você perguntar, Boris Diaw não se encaixa em lugar nenhum do planeta. Basta lembrar que ele era um armador reserva no Haws, um pivô titular no Suns, e um jogador imprestável em qualquer posição na temporada passada.


4 – Terceira escolha do draft para o Clippers, sétima escolha e mais qualquer jogador do elenco para o Wolves

A lógica é simples. O Wolves precisa de um jogador de garrafão para fazer dupla com Al Jefferson, principalmente um pivô. O melhor pivô do draft, que deve ser Brook Lopez, não é bom o bastante para ser escolhido com a terceira escolha. Enquanto isso, o Clippers disse estar tão apaixonado por OJ Mayo que ninguém no elenco é intocável se for possível trocar para obter OJ. Se for o caso, a troca é perfeita. Mayo estará disponível na terceira escolha e com a sétima o Wolves pode draftar Brook Lopez ou até Kevin Love, possivelmente. Aliás, essa troca faz tanto sentido, é tão racional e coerente, que até me dá a certeza de que nunca vai acontecer. Essa é a NBA, crianças! Quando foi a última vez que você presenciou uma troca que fazia sentido?

5 – O Bucks vai draftar Danilo Gallinari

Fui eu mesmo quem criou o boato, mas é bem fácil entender a lógica. O italiano Danilo Gallinari disse que só aceitará jogar pelo Knicks ou pelo Nets, ou seja, quer ficar nos arredores de New York. O pessoal no Knicks mostrou-se impressionado com os treinos do italiano, mas ele ainda é novo demais e cru demais para ser escolhido com uma sexta escolha. O Nets, portanto, poderia pegá-lo facilmente com a décima escolha. O único problema é que o Bucks tem a oitava escolha! Vocês ainda se lembram quando o novato Yi Jianlian disse que não jogaria se fosse draftado pelo time de Milwaukee e eles foram lá e draftaram o chinês mesmo assim? E quando Charlie Bell disse que não queria nunca mais jogar pelo Bucks, assinou um contrato com o Heat e a equipe de Milwaukee foi lá e cubriu a oferta, obrigando Bell a voltar contrariado para o time que tanto odiava? O Bucks é daqueles caras que curte um desdém, gosta de garota que se faz de difícil. É um fetiche bizarro, uma daquelas coisas que só Freud explica. Portanto, alguém tem alguma dúvida de que eles vão draftar justamente o jogador que não quer estar lá?