Verdades incômodas

>

“LeBron, sua mamãe é mais durona do que você!”

Na partida de ontem, a torcida do Celtics enfrentou o tipo de indecisão que só acontece em time campeão: pra quem direcionar o coro de “MVP”? No começo do jogo, o canto foi para Kevin Garnett, como em todo o restante da temporada. Ele é a alma defensiva do time, ele quer vencer acima de tudo, ele sangra na quadra, ele motiva sua equipe inteira. Foi para a linha dos lances livres no Jogo 7 e os torcedores choveram berros de “MVP” pra ele, talvez ainda achando que o Kobe vai desistir do prêmio.

Mas a cada minuto que se passava, a cada cesta acontecida, a cada mudança de placar, ficava mais e mais óbvio que Garnett não era o jogador mais importante daquela budega. Quando Paul Pierce foi cobrar seus lances livres no quarto período, já se aproximando dos 40 pontos, a torcida verde finalmente percebeu quem mandava naquela carroça. Gritaram “MVP” para o Pierce mas de forma tímida, discreta, descompassada, tipo quando os funcionários vão cantar “parabéns pra você” pro chefe e cada um começa a música numa hora, fica fora de ritmo, ninguém acerta o bater das palmas e fica aquele clima chato, constrangedor. A torcida do Celtics parecia envergonhada de ter que tirar o falso prêmio das mãos de Garnett e correr o risco de ferir seus sentimentos, pareceu constrangida de ser pega em flagrante idolatrando Paul Pierce só no jogo em que ele enfia 40 pontos, e o resultado foi uma situação embaraçosa. O ginásio logo parou de gritar MVP para acabar com o clima estranho, mas o amor por Paul Pierce não diminuiu em nada. Foi dele, sem dúvida alguma, a glória da vitória.

Poder gritar “MVP” para dois jogadores diferentes em sua equipe é coisa para poucos. Se a torcida do Cavs não gritar para o LeBron, vai gritar pra quem? Pro Damon Jones? E, no fundo, foi isso que mais pesou na partida. LeBron James teve mais uma daquelas partidas insanas, digna da cópia destruidora dele próprio que ele guarda para as ocasiões especiais. Soube ajustar o jogo e bater pra dentro quando precisava e arremessar de fora quando necessário, com sucesso mediano de trás da linha de 3 pontos mas infinitamente superior ao que vinha conseguindo no resto da série. Do outro lado, Paul Pierce tornou o jogo um duelo épico, um confronto digno de contar para os netos, tomando conta da quadra e fazendo cestas quando e como deu na telha. Deu pra lembrar dos bons e velhos tempos em que Pierce, enfrentando o Pacers num Jogo 7, não conseguia errar uma cesta nem a pau e começou a bater bola para cima dos marcadores falando em voz alta: “You can’t stop me” ou, em tradução bem literal, “vocês nunca poderão me deter, bwa-ha-ha-há!” E se os dois carregaram seus times nas costas, o que decidiu mesmo foi aquele bando de coadjuvantes em quadra.

O lance de ter uma vida interessante é saber editar. Quando seus netos perguntarem como foi sua vida, não diga que sua internet era discada e caía o tempo inteiro, não diga que ficava no chat da UOL, não conte que assistiu Bobcats e Bucks na internet, e nem fale sobre os primeiros 6 jogos da série entre Cavs e Celtics. Conte sobre o Jogo 7, fale sobre os 45 pontos de LeBron James e os 41 de Paul Pierce. Mas não conte de forma alguma quem realmente acabou decidindo o jogo: PJ Brown. Enquanto o Cavs via Damon Jones, Pavlovic e Ilgauskas errando bilhões de arremessos livres que teriam dado ao LeBron a soma de pelo menos 4.000 assistências na partida, pelo Celtics o vovô PJ Brown pegava rebotes ofensivos decisivos e acertava os arremessos nas horas mais cruciais da partida. Pensar que caras como Damon Jones e PJ Brown foram decisivos quebra o clima da brincadeira, então só conte pros seus netos se você quiser que eles te coloquem pra jogar no time deles, dando o exemplo do PJ Brown que salvou o Celtics mesmo tendo se aposentado há umas duas décadas.

Aliás, o lance de tantos jogadores ruins terem tido a chance de decidir a partida de ontem mostra uma coisa sobre o jogo: as defesas federam. O que não faltou foram arremessadores livres dos dois lados da quadra, tudo graças a falhas de rotação, marcações equivocadas e uma brutal falta de concentração. Tantos arremessadores livres do Cavs não foi mérito do LeBron encontrando espaços, mas sim culpa da defesa patética do Celtics. O fato dos arremessos não terem caído também é culpa da falta de talento, aquele probleminha pequeno que muita gente costuma ignorar. Do mesmo modo, Ray Allen não acertava nem o próprio nome e não foi por falta de oportunidades. Na série marcada por ataques horríveis graças a supostas defesas muito fortes, o sétimo jogo revelou tudo: os ataques são horrendos mesmo, por natureza, e a defesa não tem nada a ver com isso. Kevin Garnett teve várias chances de matar o jogo e errou arremessos fáceis, desmarcado, incluindo um no minuto final que poderia ter rendido, em caso de derrota, seu Atestado de Maior Amarelão da NBA que atualmente está pendurado na parede do Nowitzki. Eu sempre defendi o Garnett e sua carreira nos playoffs, mas a verdade é que ultimamente ele não anda me ajudando a defendê-lo.

Ao fim da partida, tanto LeBron quanto Garnett saíram correndo da quadra, não se atrevendo a permanecer nem um segundo a mais. Os dois eram os maiores competidores presentes, os mais interessados em fazer história, em ganhar anéis. E os dois estão frente à uma verdade incômoda e óbvia: seus times não são bons o bastante.

O Cavs ainda é um dos piores e mais mal montados times da Liga, com o pior e mais despreparado técnico que já pisou na NBA. O Celtics tem um técnico mequetrefe, um ataque despreparado, e a constatação de que os veteranos que deveriam decidir (Cassel, Ray Allen, o próprio Garnett) não são capazes de render nos minutos finais. Para o LeBron, resta esperar um novo técnico e um elenco mais competente. Para o Garnett, resta encarar a verdade sobre si mesmo, e se perguntar: contra o Pistons, será Paul Pierce suficiente?

7 segundos ou menos

>

Em menos de 7 segundos, D’Antoni foi para o olho da rua

Se a chegada de Shaq apontava o fim da era run ‘n’ gun no Suns (ou seja, o basquete do “corra pela sua vida e arremesse o mais rápido que puder”), a demissão relâmpago de Mike D’Antoni é o atestado de óbito definitivo. Alguns meses atrás, pouco se comentava sobre D’Antoni perigar ter a mesma profissão de ex-participantes de Big Brother (leia-se “nenhuma”). Como comentei num post há um bom tempo atrás, o técnico do Suns se saíra bem em adequar o estilo de seu time ao Shaq, sabendo moderar a velocidade e utilizar eventualmente um basquete de meia quadra. Seus méritos quanto a isso eram inegáveis, ao contrário do Avery Johnson que simplesmente colocou Jason Kidd no lugar do Devin Harris, trocado, sem se preocupar em utilizar as características de Kidd e em nada alterando o jogo da equipe. Mas o fato de que D’Antoni teve o talento para saber mudar sua filosofia de jogo – uma que carrega consigo há anos e anos – não quer dizer que isso acabou dando certo.

O Suns ficou famoso pelo conceito dos “7 segundos ou menos”, pois D’Antoni dizia que seu time era muito mais eficiente no aproveitamento dos arremessos quando chutava com menos de 7 segundos passados no cronômetro de posse de bola. Essa idéia era um chute nos bagos do Spurs, era como uma magrela ver a Mari Alexandre posar nua 70 vezes e mesmo assim se negar a colocar silicone. Esses caras são campeões defendendo, com um basquete cadenciado e lento? Então vamos correr como uns retardados! O legal é que toda essa filosofia funciona que é uma maravilha. Quer dizer, menos contra o Spurs. A vinda de Shaq já me arrancou uma lágrima porque o lance dos 7 segundos estava indo por água abaixo numa declaração implícita de que era impossível vencer o Spurs daquele modo. Com o pivô novo, D’Antoni tentou, repensou, matutou, gritou, mas no fim não deu.

Por mais que eu quisesse ver D’Antoni ainda no comando do Phoenix Suns, isso simplesmente não faria sentido. Quanto mais o Suns foge de sua premissa inicial, quanto mais precisa de um basquete lento, quanto mais foca o jogo em Shaq e Amaré, menos é utilizado o ponto forte de Mike D’Antoni. Se é pra ter um cara e não utilizar todo seu potencial (estou olhando para o Dallas e Jason Kidd) é melhor tentar outra coisa. Jogar em velocidade desenfreada é coisa do passado? Então que o Suns arrume um técnico que ensine o elenco a jogar na defesa e veremos o que um time com Shaq, Amaré, Nash e quatrocentos arremessadores de 3 pontos pode fazer num basquete lento e milimetrado. Por mais que eu esteja triste com o fim desse Suns que era um emblema de velocidade, diversão e alegria na NBA nos últimos anos, também fico ansioso para ver como esse elenco se sairá com a mudança de filosofia nos vestiários. Será que um jogo cadenciado não tornaria Amaré Stoudemire o MVP da liga? Será que também não tornaria Steve Nash apenas um armador comum? São perguntas que vamos engavetar para a temporada que vem.

Assim como o Suns, a equipe do Dallas Mavericks precisa repensar o sentido da vida, de onde viemos e para onde vamos. Kidd ainda é gênio e sua idade não estaria tão evidente se não estivesse enfrentando justamente Chris Paul, que tem 12 anos e chuta uns traseiros. Eu gosto muito do técnico do Dallas, Avery Johnson, mas se ele acha que o papel que deu para o Kidd é bom o bastante, merece mesmo ser eliminado no primeiro round outra vez. Quando assimiu o Mavs, Avery manteve o ataque engrenado dos tempos de Don Nelson mas também conseguiu (para o espanto do Universo) ensinar o elenco a jogar na defesa. Eles nunca foram o Pistons, claro, mas a diferença era nítida e pelo equilíbrio que deu ao seu time em quadra, Avery Johnson merece todo nosso respeito. Mas agora basta, tem que saber quando pendurar as chuteiras. É preciso repensar o estilo de jogo e usar Kidd, Josh Howard e Nowitzki de modo a utilizar todo seu potencial e a encobrir suas falhas mais evidentes. Mike D’Antoni já está olhando os classificados, Avery Johnson deve ser o próximo. O dono do Dallas, Mark Cuban, é estourado, fanático e endinheirado. Em breve deve estar contratando um novo técnico para a equipe. Isso se ele não decidir virar o técnico ele mesmo. Ou dar o cargo de técnico pro Nowitzki. Deixar uma franquia nas mãos de um bilionário entediado tem desses inconvenientes.

Sei que os rumores indicam que D’Antoni deve estar indo para o Raptors, o clone do Suns lá no Canadá. O ex-GM do Suns, Bryan Colangelo, foi contratado pelo Raptors para criar uma cópia carbono do Phoenix, com jogadores gringos, correria e armadores mais rápidos que a luz (e que portanto sabem usar o Sétimo Sentido), então o D’Antoni assumir aquela budega faria todo sentido do mundo, até porque o TJ Ford por natureza já arremessa em 7 segundos ou menos. Mas mesmo assim eu adoraria ver uma simples troca de técnicos: D’Antoni pro Mavs, Avery Johnson pro Suns. Que tal? Avery poderia ensinar o Suns a jogar na defesa nem que fosse um pouquinho, ainda mantendo o ataque como foco principal, e o D’Antoni poderia colocar Kidd e seus amiguinhos para correr sem pensar em mais nada, no maior estilo Forrest Gump. É claro que estou sonhando, mas que seria divertido, seria. Provavelmente mais divertido do que ver o Raptors correndo pra cima do Leste. Afinal, apesar dos Hakws e Sixers da vida, o Leste não tem graça.

>Tarde demais

>

Tarde demais pra começar a defender, Diaw

Sabemos como é difícil um time virar uma série que está 3 a 1 para seu adversário, ainda mais quando o oponente tem mando de quadra e dois dos três jogos restantes são fora de casa. Pois essa é a situação de Dallas, Toronto, Phoenix, Houston e Washington, curiosamente todos times que muitos esperavam complicar ou vencer a série contra os seus oponentes, mas que correm um risco bem real de já cairem fora no próximo jogo com um embaraçoso 4-1 na bagagem.

Mas de todos esses times, quem tem mais chance de virar a série ou, pelo menos, voltar a ter esperança e talvez até levar a série para um jogo 7?

Talento puro quem tem de sobra é o Phoenix Suns, o time tem o Steve Nash que não é mais MVP mas que ainda joga muito, tem Shaq, Amaré e o elenco que todo mundo conhece. Se tem um time capaz de fazer coisas fora do comum é um time com jogadores fora do comum como o Suns. Mas ao mesmo tempo, o adversário não poderia ser mais difícil, faz tempo que eu não vejo o Spurs perder jogos seguidos nos playoffs, ainda mais 4! A esperança está nos coadjuvantes, no jogo passado foram Bell e principalmente Boris Diaw que comandaram a vitória do Suns. O ala francês, que esteve pífeo nos jogos anteriores, até foi o responsável por marcar Tony Parker (já que Nash não passou no teste de marcar um cone no treino antes do jogo) e o resultado foi muito bom. Depois da partida, Diaw até deu uma entrevista falando sobre isso:

“Acho que ajuda o fato de ter visto muito ele jogar. Eu mais ou menos sei quando ele quer ir para a bandeja, para o arremesso ou quando ele está procurando o passe. Mas a coisa mais importante é ficar bem próximo dele para atrapalhar o passe ou o arremesso.”

A entrevista faz sentido, os dois realmente se conhecem bastante, seja pelos inúmeros duelos Suns-Spurs, seja pelo convívio que têm há muito tempo na seleção francesa. Mas tem uma coisa, se ele sabe tanto sobre o Parker, por que não disse isso antes? Eles foram machucados pelo Parker no primeiro jogo, mais ainda no segundo e estraçalhados por ele no terceiro. Não custava chamar o D’Antoni de canto quando o Parker ainda tinha só uns 30 pontos e dizer “Olha, professor, eu acho que eu posso parar esse moleque melhor que o Nash, me dá uma chance!”

Com 3-0 na série ele foi lá, fez um bom trabalho, mas pode ser tarde demais. Ele tem que conseguir isso por mais três jogos seguidos, o Amaré tem que jogar melhor, o Nash, Bell e Leandrinho precisam acertar as bolas de longe e tudo isso em todos os jogos, não podem mais falhar. E justamente o que tem atrapalhado esse Suns é a irregularidade, tanto dentro dos jogos quanto entre um jogo e outro.

Em duas outras séries os problemas são parecidos: para Toronto e Washigton a situação é ruim porque os times são bem iguais a seus adversários, Orlando e Cleveland. No caso do Wizards, a série foi marcada por uma lavada de cada lado e dois jogos disputados, os dois vencidos pelo Cavs. Acho praticamente impossível o Wizards vencer três jogos com facilidade, a defesa do Cavs não vai deixar e em algum momento da série haverá um jogo decidido no final e faz três anos que o LeBron (ou o Damon Jones, ou o Delonte West) sempre vence o Wizards nos segundos ou minutos finais. Sem mais qualidade na hora de fechar as partidas, o Wizards não tem chance de bater o Cavs.

Pro lado do Canadá a coisa é parecida, porque nem Raptors e nem Magic têm muita diferença técnica. Os dois dependem muito das bolas de três, de um jogador forte de garrafão e nenhum dos dois times é muito regular, variando entre ótimos jogos e outros nem tanto. Por isso mesmo que é difícil ver o Toronto vencendo três partidas seguidas contra um Orlando que sabe que precisa de apenas mais um bom jogo para acabar com a série. O melhor aproveitamento nas bolas de 3 em casa do Orlando também deve ajudar a decidir a série. Mas se eu fosse torcedor do Toronto eu estaria mais preocupado com a temporada que vem e com o técnico que estará no banco do time, tudo por causa de uma matéria que o repórter Peter Vecsey escreveu no NY Post e que vi hoje no site da Revista Dime. Segundo Vecsey, aqui está o que o técnico do Raptors Sam Mitchell disse antes de um jogo da temporada regular contra o Lakers:

“Aparentemente Mitchell não está muito bem informado sobre o que acontece na liga. Alguns meses atrás, antes de jogar contra o Lakers, ele falou aos seus jogadores “Vamos nos preocupar com o cara que fez 81 pontos daqui a pouco, antes quero falar sobre o Andrew Bynum e como ele acabou com a gente no último jogo”. Foi então que Chris Bosh interrompeu o técnico e disse “Mas treinador, Bynum está machucado há semanas!'”

Não sei o quanto disso é verdade, claro, temos que confiar no Vecsey que é um repórter que tem fama por conhecer muita gente dentro da liga e dos times, mas que ao mesmo tempo muita gente odeia. Se for 100% verdade essa história, acho que é um bom motivo para mandar um técnico embora. Não é que ele não sabia se o Chris Mihm estava machucado, era o Bynum. Sua contusão foi notícia em todo lugar que fala um pouco de NBA. Se o Sam Mitchell fosse leitor do Bola Presa, ele saberia.

No Texas, a coisa está feia. Rockets e Mavs vão para o jogo 5 de suas séries tentando evitar eliminação. O Houston parece ter uma certa vantagem por jogar em casa, mas como essa vantagem não virou vitória nos dois primeiros jogos, fico com um pé atrás. Mas se fosse pra apostar, misturando um pouco de análise dos jogos com intuição, acho que o Houston leva o jogo 5. As últimas partidas tem sido disputadas até o final e acredito que a próxima será também, o Houston ainda tem atacado mal mas parece conseguir segurar o Jazz, e com o apoio da torcida e a motivação para não ser eliminado em casa, acho que o Houston leva mas depois perde o jogo 6 em Salt Lake City. Não gosto muito de palpitar resultados, mas tenho essa sensação, ou, pra usar uma palavra que eu a-d-o-r-o e que está super IN, é um feeling que eu tenho.

E, mesmo sem querer dar palpites, a gente sempre dá e quando foi a vez da troca do Kidd no meio da temporada eu quase fiz uma coluna Bola Presa com o Danilo porque ele achava que valia qualquer esforço para ganhar um armador de ponta como o Kidd enquanto eu achava que o Dallas tinha sido forte nas duas temporadas anteriores porque Terry, Dirk, Howard e Harris se completavam e combinavam com o esquema do Avery Johnson. Mais tarde ele concordou que de nada valia ter o Kidd se não era para usar suas características, já que o time não mudou o jeito de jogar mesmo com a mudança de armadores.

Chegamos então nos playoffs e eles enfrentam justo o Chris Paul, um dos armadores mais rápidos e jovens de toda a NBA. O resultado é que Kidd sofreu pra marcar ele, começaram a falar que o Devin Harris faria melhor por também ser rápido e no fim das contas só Jason Terry foi dar um jeito na coisa defensivamente. Ontem Paul não fez uma partida fora de série como as que fez em New Orleans, mas fez o bastante e contou com o apoio do resto do time. Só que o Dallas pecou mesmo foi no ataque. Apenas três jogadores passaram dos 10 pontos, o emaconhado Josh Howard acertou apenas 2 dos seus 16 arremessos e o time como um todo acertou apenas 36% de seus chutes, culpa de um esquema que vive só de jumpers e que sem Devin Harris não tem ninguém que ataque a cesta. Pra completar o horror, o Mark Cuban, dono do time, brigou com vários torcedores que estavam à sua volta e o Jason Kidd foi expulso depois de uma falta flagrante no Jannero Pargo.

Acho que já era pro Dallas e imagino o arrependimento na cabeça do Cuban em ter trocado o Devin Harris. Afinal, já se fala em recomeçar o time do zero, em trocar o técnico Avery Johnson e o que eles tem na mão é um armador de 34 anos jogando mal e batendo no coitado do Pargo.

Ah, sabe outra coisa em comum entre os times que perdem por 3 a 1? Todos, já há alguns anos, estão cultivando a fama do “quase”, dos times bons que sempre chegam perto da vitória e no fim das contas, perdem. Vamos ver se um deles muda a história.

Confrontos de sábado

>

Duncan e Popovich não se aguentam de ansiedade pelo começo dos playoffs

Hoje é dia de playoff! Depois de muitas noites sem dormir para assistir atrocidades como Knicks e Heat, é hora de sermos recompensados pelo deus do basquete com, talvez, os melhores playofs de todos os tempos. Ao menos no Leste, claro. Para aquecer os motores, vamos dar uma olhada em cada confronto deste sábado e analisar: o que cada time precisa fazer para sair de quadra com a vitória?

Também gostaríamos de avisar que você tem compromisso marcado aqui com o Bola Presa às 16h de hoje para assistirmos, juntos, a partida entre Suns e Spurs. Até vocês, fãs-esquisitos do Spurs, precisam marcar presença para encher nosso saco! Teremos uma cobertura ao vivo aqui no blog, comentando os principais lances, criticando, tirando sarro da cara do Duncan (e, de preferência, dando links para que todo mundo possa assistir o jogo), e você está intimado a acompanhar e ir batendo papo ao mesmo tempo na caixinha de comentários.

Leia nossa análise dos jogos imperdíveis de hoje e não se esqueça de voltar às 16h para ver esse jogão com a gente!

Cavs vs Wizards

por Danilo

O que o Cavs precisa fazer para vencer a série: Só se eu fosse cego, surdo e mudo eu seria capaz de deixar de lado o fato de que, para vencer, o Cavs precisa de atuações de alto nível de LeBron James. As razões são mais óbvias do que resposta do Show do Milhão. Com um elenco fraco e que, depois das trocas, não conseguiu encontrar nem entrosamento e nem identidade, é LeBron quem tem que imprimir ritmo ao jogo e, obviamente, decidir nos minutos finais. Por esse mesmo motivo, é essencial que LeBron consiga superar as dores nas costas que vem sentido e que podem limitar consideravelmente seu jogo. Se bem que o LeBron limitado vale por uns duzentos Delonte West.

O Cavs precisa se focar no rebote. Como a pontaria de fora é inconsistente, os rebotes ofensivos são importantes para manter o time de Cleveland na partida, assim como aconteceu nos playoffs passados. Isso significa que o Cavs precisa de atuações sólidas de Varejão, Ben Wallace e Ilgauskas. E as atuações sólidas a que me refiro são simplesmente defensivas, fazendo o trabalho sujo, mas até isso às vezes parece ser pedir demais.

O diferencial do Cavs precisa ser um outro jogador que surja para levar o fardo ofensivo da equipe em alguns momentos aleatórios da partida. Seja o Daniel “tive 10 minutos de fama nos playoffs” Gibson, seja Damon Jones ou Delonte West. Alguém precisa passar alguns minutos por jogo acertando arremessos seguidos, enquanto LeBron é isolado no resto do tempo.

O que o Wizards precisa para vencer a série: Antes de mais nada, DeShawn Stevenson precisa fazer um bom trabalho em LeBron James. Como essa série virou um clássico instantâneo em parte por causa do duelo entre esses dois, é bem capaz que DeShawn consiga complicar a vida de LeBron e isso será mais do que suficiente para ter o jogo em mãos.

A defesa, aliás, será um fator importante. Se o Wizards se aplicar na defesa como fez em alguns momentos da temporada regular, o frágil ataque do Cavs será praticamente anulado, o que pode vir a tornar as partidas até mesmo tranquilas para o time de Washington. A defesa de garrafão pode vir a ser um problema, então o Wizards tem que se focar em tirar os jogadores de Cleveland de perto do aro e pegar rebotes, evitando as segundas-chances adversárias.

A saúde de Arenas, Jamison e Butler é algo a se preocupar. Todos eles voltam de contusões, umas mais, outras menos recentes, mas o importante é tentar mantê-los todos saudáveis (se isso fosse tarefa fácil, o Clippers não seria tão ruim assim). Arenas deve vir do banco e é importante não forçá-lo muito a princípio, guardando-o para os momentos decisivos.



Spurs vs Suns

por Denis

O que o Spurs precisa fazer para vencer a série: O Spurs tem a vantagem de sempre conseguir impôr o seu ritmo, mesmo quando perde. Então é essencial que o jogo seja lento e bem trabalhado, mesmo que o Suns consiga se adaptar melhor a isso do que nos anos anteriores.

Para parar Steve Nash, deve seguir usando a fórmula de usar Bruce Bowen em cima dele. Com faltas, sem faltas, jogando sujo ou não, isso não vem ao caso. O fato é que Bowen incomoda o canadense. Para marcar o garrafão, vai ser necessária a experiência de Kurt Thomas e uma rotação entre ele e Duncan para marcar Amaré e Shaq. Nenhum dos dois vai anular o poder ofensivo de Amaré, mas atrapalha o adversário ir para cima dele com diferentes marcadores e diferentes formas de marcar, a variação defensiva pode incomodar muito o Suns.

No ataque é preciso explorar as infiltrações de Ginobili e toda vez que Duncan sobrar sendo marcado por Amaré. É velha já a dificuldade de Amaré Stoudemire de ficar fora de problemas de falta quando é muito pressionado na defesa. Eles vão tentar deixar Shaq em Duncan para liberar Amaré disso, mas quando vacilarem, é bom o Spurs aproveitar.

O que o Suns precisa fazer para vencer a série: Não dá pra jogar na correria com o Spurs o tempo todo, faz anos que o Phoenix tenta e não consegue. Mas isso não quer dizer para não correr nunca. Todo turnover do San Antonio, ou rebote longo ou qualquer vacilo em geral, deve ser transformado em pontos fáceis. Mas quando o Spurs remontar sua defesa, o que é rápido, Nash e os outros jogadores devem ter a percepção necessária para parar e começar o ataque de novo.

No jogo de meia-quadra deve-se explorar os jogadores que são bons nisso. Usar Amaré toda vez que ele ficar no 1-contra-1, especialmente contra Oberto e Kurt Thomas, usar Grant Hill e seus arremessos de meia-distância e, claro, usar Shaq sempre que ele conseguir um bom posicionamento embaixo da cesta. Tudo isso, além de virar pontos, vira espaço para que Bell, Nash e Leandrinho tenham o tempo necessário para chutar de longe.

Também é necessário que a defesa se ajude. Steve Nash não vai parar Tony Parker e qualquer defensor, mesmo o bom Raja Bell, não pára Ginobili sozinho. E cada infiltração bem sucedida acaba em bandejas, lances livres, ou com Bowen ou Finley livres da linha dos três.

Hornets vs Mavericks

por Danilo

O que o Hornets precisa fazer para vencer a série: Manter a bola nas mãos de Chris Paul a maior parte do tempo é meio jogo ganho. Não que isso não aconteça em todos os jogos, mas deve ser ainda mais frequente nessa série. É preciso que Chris Paul pense mais em pontuar, em decidir, como aconteceu na primeira vez em que os dois times se encontraram após a troca do Kidd e ficou óbvio que o armador-vovô não consegue segurar o Paul. Quanto mais Chris Paul abusar de sua velocidade e partir para dentro, agressivamente, melhor para o Hornets.

Parar Dirk Nowitzki, em grande fase, deve ser também o foco principal. Vale até puxar os bagos e morder orelha. Mas o quinteto titular do Hornets terá problemas graves para marcar Dirk e Josh Howard ao mesmo tempo, porque Stojakovic não consegue defender nem tese de mestrado. O novato Julius Wright pode ser um fator fundamental vindo do banco para parar o alemão, que notoriamente tem problemas com bons defensores mais baixos e mais físicos do que ele.

Jannero Pargo pode ser a peça decisiva do jogo. Com o ritmo de jogo elevado que se espera nessa série, Pargo pode vir do banco com licença para atirar, chutar todas as bolas que conseguir. Quando está em um de seus grandes dias, isso pode ser o bastante para criar uma vantagem no placar que o Mavs não seja capaz de reverter.

O que o Mavs precisa fazer para vencer a série: Colocar Kidd na fonte da juventude ia ser uma boa, mas como vimos no cinema em filmes como “De Repente 30” com a tetéia da Jennifer Garner ou aquele clássico da Seção da Tarde em que o Tom Hanks quer namorar a professora, é muito mais fácil ficar velho do que ficar mais jovem. Então o Kidd tem que arranjar fôlego nas entranhas e dar um jeito de parar Chris Paul. Jogadores como Eddie Jones e Devin George, se estiverem vivos, podem ajudar nessa função.

Dirk Nowitzki deve ser mais utilizado do que nunca, principalmente no fim da partida, quando tem mostrado ser cada vez mais decisivo. Caso a marcação em Dirk aperte, é importante que Jason Kidd (ou Ason Kidd, para aqueles que acham que ele não tem “jumper”) acerte seus arremessos livres. O Dallas pode viver ou morrer nos arremessos de 3 pontos de Kidd, o que, cá pra nós, é um problema.

O Dallas precisa cadenciar mais o jogo e evitar rebotes longos e turnovers bobos, de modo a evitar que Chris Paul passe o dia inteiro correndo pela quadra e fazendo bandejas. Para mim, se o ritmo de jogo diminuir um pouco, é o Dallas quem sai favorecido, com mais armas para o duelo de meia-quadra.

E o mais importante, o essencial, a coisa mais óbvia e banal que todo mamífero bípede deveria saber mas TODO MUNDO parece esquecer por completo: o Dallas NÃO PODE deixar o David West livre na cabeça do garrafão nas jogadas decisivas. Se ele acertar mais um arremesso dali só porque ninguém nem sequer sabe quem é esse tal de West, eu vou vomitar.



Rockets vs Jazz



por Danilo

O que o Rockets precisa para vencer a série: O maior problema do Houston nessa série é o jogo de garrafão. Na série contra o Jazz nos playoffs passados, a maior dificuldade foi em descobrir um modo de marcar dois jogadores de garrafão com características tão diferentes, Boozer e Okur. O turco é um problema defensivo porque fica passeando pela linha de 3 pontos, e Boozer pode jogar tanto debaixo da cesta quanto arremessando de meia distância. O Houston terá que conseguir colocar em quadra uma escalação equilibrada capaz de marcar tanto Boozer quanto Okur sem, ao mesmo tempo, perder toda a capacidade ofensiva do outro lado da quadra. Os melhores defensores de interior no elenco são Chuck Hayes e Mutombo, completamente nulos no ataque. Os novatos Luis Scola e Carl Landry, por outro lado, têm problemas defensivos embora sejam excelentes ofensivamente. Saber equilibrar as duas coisas será fundamental sem a presença de Yao Ming.

Além disso, é essencial que Tracy McGrady não queira decidir sozinho. Os melhores momentos da sequência de 22 vitórias seguidas aconteceram apoiados por um forte jogo coletivo, com T-Mac sabendo dar aquele “passe a mais” que faz toda a diferença. Quanto mais T-Mac forçar os arremessos, quanto mais ele quiser decidir para finalmente se ver livre da maldição de nunca ter vencido uma primeira rodada de playoffs, menores são as chances do Houston sair com a vitória.

O Rafer Alston também é uma peça central nas chances do Houston Rockets. Meu odiado Alston é um jogador que tem grande influência para o jogo do Houston, tanto positiva quanto negativamente. Sua vontade constante de decidir é justamente o que faz o Houston perder e vencer jogos, dependendo de como a mira do “Skip to my lou” está no dia. Com Skip no banco, os reservas Bobby Jackson e Aaron Brooks são menos decisivos, participam menos do jogo. Cabe ao Rick Adelman saber quando o Rafer Alston está decidindo para pior e sentá-lo imediatamente.

O que o Jazz precisa para vencer a série: O Jazz deve apostar o jogo o máximo que puder no garrafão, alimentando Boozer e Okur embaixo da cesta. Quanto mais agressivo o Jazz for no garrafão, mais o Houston terá que abrir mão de seu ataque em nome de sua defesa, além de que sobrarão lances livres para o time de Salt Lake cobrar. É importante para o Jazz manter o ritmo de jogo o mais lento possível, e jogar com tranquilidade e segurança. Embora o Houston tenha o mando de quadra, o Jazz sabe que não perderá em casa, bastando apenas uma vitória em Houston para colocar um pé no próximo round.

O jogador que poderá decidir a série é, da mesma forma que nos playoffs passados, Andrei Kirilenko. Ainda que a defesa do Houston seja uma das melhores da liga, contribuições de Deron Williams, Boozer e Okur são esperadas. Basta um jogo ofensivamente considerável de Kirilenko para que as armas ofensivas do Jazz sejam mais do que o Rockets pode segurar. Kyle Korver, vindo do banco, pode ter o mesmo papel. Caso o Jazz se foque no ataque, acertando a mão na execução ofensiva, dificilmente deixará de levar a série para casa.

Do mesmo modo, Paul Millsap pode ganhar o jogo vindo do banco, acertando a mão com pontos de rebotes ofensivos e sendo mais um corpo grande que o mirrado Houston não vai ter idéia de como defender.

Como aproveitar os playoffs

>

O Duncan sabe lidar com a mulher dele em época de playoff, e você?

Nesse sábado começam os playoffs, certo? Certo. E você viu os horários dos jogos? Pois é, se não viu, são estes:

13h30 – Wizards x Cavaliers
16h – Suns x Spurs
20h – Mavericks x Hornets

22h30 – Jazz – Rockets

Ou seja, você tem o dia inteiro ocupado com o momento mais esperado da temporada, os playoffs. No domingo é a mesma coisa, os mesmos horários para as outras quatro séries. Você até pode perder o massacre do Celtics sobre o Hawks, mas o resto você tem que ver. E depois do fim de semana cheio, vai ter jogo todo dia à noite do mesmo jeito e isso traz uma série de problemas que só o Bola Presa pode te ajudar a resolver.

1. Eu acordo cedo pra ir pra escola/faculdade/trabalho e não posso ir dormir tarde, o que fazer?

Você é um ser humano e como ser humano, tem caganeira – use isso a seu favor. Faltas acontecem. Se o Kareen Rush disse que ia faltar no treino do Pacers pra ver o irmão jogar a final da NCAA, por que você não pode faltar? Seu trabalho é bem menos importante que o Pacers.

Mas a melhor idéia é guardar as faltas para os dias mais importantes. Não saia faltando por aí só porque a vitória do Orlando sobre o Toronto acabou meio tarde e você extendeu a noite vendo desfile de lingerie no Superpop. Guarde para faltar no dia em que o Jazz e o Rockets jogarem duas prorrogações eletrizantes até as duas da matina.

Sobreviver aos playoffs requer muita estratégia, como em um jogo, e faltar na escola, trabalho ou faculdade são como os pedidos de tempo, você tem que guardar sempre um pra usar nas horas principais. Para quando você não puder usar, faça o que você sempre faz, ou por acaso é só na época dos playoffs em que você vai dormir tarde e acorda cedo? Durma na aula de espanhol, matemática, inglês ou química se você está na escola, mate ou durma qualquer aula que comece com “Introdução a…” na faculdade e vá dormir no banheiro se estiver trabalhando. Se o seu trabalho é daqueles chatos em que tem um supervisor do supervisor do assistente do presidente junior que tá sempre com um relógio na mão contando o tempo de tudo o que você faz, você precisará de malícia. Use tudo o que você aprendeu nos anos de trabalho e coloque em prática. Enrole no telefone, finja que está no telefone, faça cara de doente, sei lá, qualquer coisa, mas não trabalhe. Trabalhar depois de uma noite exaustiva de playoff significa que você não aguentará ver o jogo 6 do Suns e do Spurs no dia seguinte, o que é inaceitável!

O seu trabalho pode esperar até junho, ele não é tão importante assim.

2. Mas amanhã eu tenho prova, o que eu faço?

Depende, é de múltipla escolha? Se for, não tem segredo, é só ler as respostas, cancelar as absurdas e usar um pouco de bom senso. Eu acertei 9 de 11 perguntas de química no vestibular e nem sei o que é um mol, tudo porque sei ler perguntas. Provas de múltipla escolha não exijem que você durma bem e nem que estude no dia anterior.

Se a prova for dissertativa, aí a coisa fica mais difícil, mas não impossível. Se for uma matéria fácil tipo História ou Geografia é só pegar o que você aprendeu no Discovery Kids e botar em prática usando palavras mais difíceis. Palavras difíceis vocês podem aprender aqui mesmo no Bola Presa, volta e meia somos prolixos e usamos termos como “turnover”, “triple-double” ou “matchup” que podem enganar bem se forem bem usadas.

Se, ao invés de uma prova, é um trabalho que você precisa entregar, eu tenho a solução aqui mesmo. É esse site AQUI. Basta colocar o título do trabalho que o programa criará tudo o que você precisa. Aí é só colar no Word, pegar umas dicas com o clipe e enfeitar o trabalho, já que a aparência é o que realmente importa.

Conclusão: Dê um jeito, mas não perca um jogo só para ficar estudando.

3. Sou velho e meu filho fica no PC e não me deixa ver os jogos, o que fazer?

Pô, você não manda nessa budega? Explique para o seu filho que mais importante do que o jogo do Ben 10 no site do Cartoon Network é saber um pouco de ciência e que isso ele pode aprender no Discovery Kids. Explique para o pirralho que no futuro ele saberá a importância de se aprender essas coisas, principalmente na hora de enrolar em provas. E claro que com “explique” eu quis dizer “obrigue o pivete a”.

Outra opção é começar a mostrar para seu filho o que realmente importa na vida. O Basquete. Futebol também importa, claro. Fórmula 1 para alguns, tênis. Mas o que mais importa é o basquete e ver alguns jogos pode ser bom para o seu filho. Mas pegue leve com o baixinho, não vá mostrar o Bruce Bowen batendo no Nash logo de cara, ou o Dwight Howard quebrando umas cestas ou ainda o Kirilenko e a cara de assassino em série que ele tem, deixa isso pra depois. Comece com o bonzinho do Chris Paul dando passes para o barbudo-como-seu-pai Stojakovic, ele aceitará melhor e irá dormir antes mesmo do terceiro período.

A outra coisa que importa na vida são as mulheres, e isso nos leva à quarta questão.

4. Minha namorada quer sair comigo bem no dia do jogo, e agora?

Essa é uma situação delicada, meu filho. Mais para frente, na época das finais de conferência ou das finais da NBA mesmo, fica mais fácil. Volta e meia tem um dia de descanso sem jogos e é nesse dia que você vai sair com a sua namorada e tratá-la como uma rainha. Aproveite para, quando surgir a oportunidade, comentar o quanto você ama basquete, o quanto assistir um bom jogo te faz feliz, como basquete é a segunda coisa que você mais ama no mundo, atrás apenas do sorriso dela. Todo paparico é essencial para ganhar dias de jogo. Estudiosos dizem que para cada elogio/presente que você dá pra sua namorada, você ganha um período de jogo sem reclamação, crise no relacionamento e ligações telefônicas.

Mas durante esse começo de playoff, com jogo todos os dias, a coisa fica difícil. Durante a semana, quando ainda não tem jogo durante a tarde, use isso a seu favor. Se você não estuda à noite, trabalha meio período ou é vagabundo, use o período da tarde para sair com a sua namorada. O cinema é mais barato, o parque está vazio pedindo um pic-nic e você já leu o Bola Presa de manhã mesmo… aproveite a tarde para fazer todos os elogios a ela de novo. E lembre-se de que nessa época do ano ela é dona do futuro de vocês, deixe ela falar de viagens, casamento, filhos, morar junto, qualquer coisa. Enquanto ela estiver planejando o futuro sem você fazer cara feia, ela não incomodará o presente, que é o que importa.

E um detalhe importante: nunca negocie diretamente. A pior coisa é falar “Olha, hoje eu saio com você até às 17h, depois vou ver jogo e amanhã não vai dar porque é o Lakers. Mas no domingo eu tenho duas horas livres porque não vou ver o Hawks, vamos ver Faustão juntos?”

Nunca! Elas não podem saber que estão sendo encaixadas no meio da sua programação. Elas vão se sentir a Adriane Galisteu nas mãos do Sílvio Santos, e elas não querem ser a Adriane Galisteu, acreditem. Todas as negociações tem que ser implícitas, você vai na casa dela espontâneamente no dia em que não tem jogo e no dia seguinte você não vai só porque já foi no dia anterior, ou porque tem trabalho da facu, cite o jogo bem por cima, sem dar ênfase.

5. Se mulher dá tanto trabalho, por que não largar ela e pegar uma que goste de NBA?

Na teoria faz muito sentido essa pergunta, mas na prática não é bem assim. Primeiro que se você está namorando com alguém, deve gostar da pessoa de verdade, do jeito que ela é. E se está só pegando, só de curtição, só na azaração no GigaByte, você não precisa dar satisfação nenhuma! Simplesmente veja o jogo e pronto. Se você gosta da garota terá que seguir os passos da pergunta anterior.

Outra razão é porque tem poucas garotas que gostam de NBA. Imaginem se todos os caras que comentam aqui no blog quisessem namorar com a Tamiris, nossa solitária visitante feminina que deve estar odiando esse texto, ia dar muita confusão.

Mas se você pensar bem, se a NBA é uma paixão sua, a sua namorada, como cúmplice em todos os momentos e a única que te entende, deveria conhecer o mínimo de basquete. É! Ela deveria, depois de conviver com você por tanto tempo, saber algumas coisas. Isso provaria que ela escuta o que você diz, que ela se importa com você e que ela, em um caso extremo, entenderia a sua apelação de que você tem que voltar mais cedo pra casa no dia do aniversário de namoro de vocês porque é o jogo 7 do Wizards contra o Cavs.

Para saber se sua namorada é uma dessas raras jóias que conhecem o mínimo de basquete para entender a sua paixão, aqui está um quiz que você deve entregar a ela. A idéia do quiz é do Answerman, do InsideHoops, mas coloco com algumas várias adaptações.

1- Para que time eu torço? (1 ponto)
Isso é o básico, ela deve saber para que time você torce!

2- Cite três jogadores do meu time favorito. (0,5 ponto por jogador)
Mas se você torce para o Cavs e ela souber só do LeBron James, também vale. Se ela falar “Michael Jordan”, perde 2 pontos, se falar “Pernalonga” ganha 0,5 pelo bom humor.

3- Em que canal passam os jogos? (1 ponto)
É importante para caso você precise sair para trabalhar e ela fique em casa gravando pra você.

4- Quem é meu jogador favorito de todos os tempos? (1,5 ponto)
Essa ela tem que saber. É aquele cara que você sempre comenta, que você imita, que você tem a camiseta usada, que você tem o card dos anos 90. Como ícone da sua vida, ela tem que conhecer.

5- Quem é meu jogador favorito que ainda está jogando? (1 ponto)
Se ela não souber é porque nunca ouve você falando “Kobe de trêeeees… bingo!”, tipo o Everaldo Marques, quando arremessa uma bolinha de papel no lixo.

6- Quem é o jogador que eu mais odeio? (2 pontos)
Se tem alguém de que você fala mais do que de quem você ama, é de quem você odeia. Você sempre xinga mais o Bruce Bowen do que elogia o Nash, fato.

7- Diga algum dado relevante sobre basquete. (1 ponto)
É só pra saber se ela presta atenção em qualquer coisa sobre basquete. Vale dizer que o Oscar é chorão, que o Brasil ganhou o Pan de 87, que a Hortência respirava fundo antes de arremessar um lance livre, que um americano pulou um francês gigante, essas coisas.

8- Quem é o melhor jogador de todos os tempos?
Como tem poucas respostas pra essa pergunta, cada uma delas tem uma pontuação diferente:

1 ponto – Michael Jordan (Básico)

1,5 ponto – LeBron James ou Kobe Bryant (ela pelo menos chutou os melhores de hoje em dia)

2 pontos – Magic Johnson ou Larry Bird (viu eles no E! True Hollywood Story do Magic e lembrou, parabéns!)

3 pontos – Wilt Chamberlain (Uau! Ela guardou quando você disse pra ela dos 100 pontos, impressionante!)

4 pontos – Bill Russell (Ela lembrou do cara que vencia o Wilt Chamberlain! Assustador! Deve ser a Tamiris)

100 pontos – Oscar Robertson (2.000 pontos e um anel de casamento se chamar ele de “Big O”)

Se ela conseguir uns 7,0 ela está apta a namorar com você e te deixar ver os playoffs em paz, não precisa terminar.

E é isso, pessoal. Qualquer outra dúvida amorosa ou sobre como superar dificuldades para conseguir assistir aos playoffs em paz, é só perguntar. Se não der, pelo menos venha no Bola Presa  e leia tudo o que você perdeu!

Bons playoffs!