A chance de Scott Brooks

O sonho acabou, amigos. Se havia um único lado bom na contusão de Kevin Durant, era que ela nos daria a experiência de assistir um Russell Westbrook completamente livre durante um mês. Imagina, galera: o cara mais agressivo, impulsivo e intenso da NBA tomando conta de todo um ataque durante um mês. Ele nem teria que se preocupar no longo prazo, de se adaptar à liderança do time, era só atacar, atacar, atacar e esperar Durant voltar. Seria um mês de recordes, atuações históricas e um bocado de cansaço. Vimos isso na estreia do OKC Thunder na temporada: Westbrook marcou 38 pontos, mas depois de simplesmente tomar conta da partida no primeiro tempo, perdeu fôlego na etapa final, quando foi melhor marcado e não conseguiu contornar a marcação na marra. A Westbrook Xperience, porém, durou apenas essa partida. Logo depois, contra o Los Angeles Clippers, ele fraturou a mão e teve de ser operado. Provavelmente fica pouco mais de um mês fora e deve voltar mais ou menos junto de Kevin Durant, até lá o Thunder fica órfão de pai e mãe. Se essa foi a derrota do entretenimento, o que pode significar para a franquia? Pensei muito sobre isso e minha conclusão é que não há meio termo: ou o time está ferrado e passará por um período difícil de mudanças, ou pode ter sido uma bênção que irá os fazer evoluir em pontos onde estão estagnados há algumas temporadas.

Russell Westbrook, Kevin Durant

A primeira hipóteses é possível porque o OKC Thunder, como todos sabemos, joga na impossível Conferência Oeste. É no Oeste onde você precisa alcançar a sempre simbólica marca de 50 vitórias para, com sorte, se classificar em oitavo e encarar o San Antonio Spurs na primeira rodada. Até agora o Thunder tem 1 vitória em 4 jogos, e é possível que Durant e/ou Westbrook fiquem fora de pelo menos mais 20 partidas. O aproveitamento desse grupo nesses jogos pode transformar a temporada da equipe em um eterno Playoff de jogos decisivos. Se eles vencem 7 jogos e perdem 13, por exemplo, teriam 8 vitórias e 19 derrotas com 55 jogos restantes na temporada. Para alcançar os 50 jogos que garantem vaga no Oeste, teriam que vencer 42 desses 55 jogos, 76% de aproveitamento. Ano passado eles tiveram 72% para conseguir a 2ª melhor marca do Oeste. Ou seja, com Westbrook e Durant pegando o time no meio da temporada, eles teriam que ter um desempenho de primeiro colocado para chegar em uma marca que pode garantir apenas a última vaga nos Playoffs! Para isso eles jogam do meio de Dezembro até o meio de Abril sem poder relaxar, descansar ou pensar em poupar jogadores. E vamos ser sinceros, se o Thunder não se classificar para os Playoffs as coisas vão mudar por lá. Provavelmente Durant vai resmungar, Kendrick Perkins vai ser criticado por não saber jogar basquete, Sam Presti vai ter que responder de novo e de novo, pelo terceiro ano seguido, a razão de ter trocado James Harden e, o ponto em que eu queria chegar, provavelmente o técnico Scott Brooks vai rodar. Sem Brooks, o Thunder teria que contratar um técnico novo para mudar o time justamente no possível último ano de Durant no time, em 2015-16. Dá pra sentir as coisas desmoronando ou estou sendo muito fatalista? OKC2 Estou mesmo vendo tudo do pior jeito possível, mas não estou inventando nada. Todas essas questões já foram levantadas no passado e apenas vão se intensificar se o time fracassar nessa temporada, mesmo que as lesões não tenham sido culpa de ninguém. Existe uma versão otimista para o futuro próximo do OKC Thunder, porém. Nele, o Thunder consegue vencer um número bem maior de jogos no próximo mês e, no caminho, descobre uma porrada de jogadores que podem ajudá-los a longo prazo. Isso já aconteceu quando Reggie Jackson apareceu nos Playoffs de 2013 quando Westbrook machucou o joelho, e agora é a chance do mesmo Jackson se consagrar como titular e outros jogadores ganharem espaço, especialmente no ataque. Serge Ibaka tem arriscado ainda mais arremessos de longa distância do que no ano passado, o promissor Perry Jones está com média de quase 20 pontos por jogo nessa primeira semana de temporada e Steven Adams, que ganhou a vaga de titular de Perkins, terá espaço para realmente mostrar que pode ser uma preocupação para os outros times. E é aí que aparece a chance de ouro da carreira de Scott Brooks. Nos últimos anos se convencionou dizer que o Thunder é bom APESAR do seu técnico. Acho que a internet, para variar, exagera nas críticas, mas elas certamente tem algum fundamento. Enquanto víamos Miami Heat e o San Antonio Spurs dominarem a NBA com um jogo coletivo e baseado em passes, o Thunder ainda se via com um time parado e individualista mesmo (ou ainda mais) nos momentos mais críticos dos jogos difíceis. Se até o Heat aprendeu que não dava pra ganhar só com mano a mano, por que o Thunder não conseguia arrumar esse problema? Eram poucos passes e, o realmente preocupante, pouca movimentação sem a bola. As críticas ao ataque do Thunder escondem um pouco do mérito de Scott Brooks, que pegou esse time quando eram apenas um bando de pivetes e conseguiu transformá-los em equipe. Ajudou no desenvolvimento individual de cada um, incluindo o de Serge Ibaka, que chegou na NBA bastante cru, criou um dos ambientes que, dizem, é dos mais saudáveis da liga e, mais importante, formou uma baita de uma defesa. Todo santo ano eles estão lá entre os 5 melhores times em pontos sofridos por posse de bola. Oklahoma City Thunder v Los Angeles Clippers Mas dito isso, não dá pra ignorar aqueles momentos cruciais de jogos decisivos onde o time fica parado, perdido e apavorado até Westbrook driblar, driblar e forçar um arremesso idiota. Ou quando Kevin Durant só vive nos extremos: arremessa tudo de muito longe e sem preparação, ou fica longe da bola e some do jogo. A minha maior decepção na vida adulta foram os próprios adultos. Eu os via, quando criança ou adolescente, como pessoas sérias, competentes, responsáveis e maduras. Não precisei de muito para descobrir que o mais sério dos ambientes de trabalho é um grande colegial de pessoas infantis fazendo o mínimo possível e só torcendo para não serem desmascaradas. Mas tenho ainda esperança de que em alguns lugares não é assim, e a NBA é um deles. Não é possível que um técnico da NBA seja realmente ruim no que faz! Ele pode não ser bom o bastante para durar muito tempo na liga, pode não dar certo nesse nível da carreira, mas é simplesmente impensável que a gente, a galerinha corneteira do Twitter, enxergue problemas no time e que Scott Brooks não veja. Não dá pra imaginar Scott Brooks vendo o vídeo da partida e aprovando aquele ataque estagnado. Ele não é burro ou cego, apenas não conseguiu achar a fórmula certa para fazer as coisas funcionarem. Em entrevista ao Grantland, o Nick Collison disse que não é fácil simplesmente começar a rodar mais a bola, passar e se mexer sem parar. Fazer isso exige muito treino, tempo e fôlego. Ele também lembra que o time tem dois jogadores jovens que podem ganhar de qualquer adversário no mano a mano, é aquele velho veneno-remédio: todo time precisa de jogadores talentosos que possam fazer tudo, mas a tentação de só assisti-los jogar pode ser a morte da equipe. O desafio de todo super time é esse, arranjar uma maneira natural de encaixar os talentos individuais na identidade coletiva da equipe. É onde Scott Brooks e o Thunder ainda falham, talvez pelo fato dos astros serem muito novos, talvez por eles terem surgido antes do time já ter uma identidade de ataque. A situação no próximo mês, porém, é diferente. Sem os dois pilares do ataque, a ÚNICA escolha do Thunder é dividir a bola, se mexer bastante e usar muitas jogadas ensaiadas, trabalhadas e treinadas. Por melhor que seja Perry Jones, não dá só pra largar ele no mano a mano com todo mundo. No desespero, por falta de super estrelas, o time está finalmente 100% nas mãos de Scott Brooks, sem nenhuma tentação de largar na mão de um cara para decidir. Se o técnico quer ~calar os críticos~ e mostrar que tem bala na agulha para montar um grande ataque, será agora, com pouco tempo de preparação e com elenco limitado, que ele tem que mostrar o seu valor. Difícil demais, claro. Um possível sucesso nesse mês pode até influenciar a chegada de Kevin Durant e Russell Westbrook (mais provável que só o Durant) quando voltarem, talvez eles precisem ver o time funcionando com menos individualidade para que abram mão de algumas coisas, assim como os coadjuvantes podem precisar ver que eles mesmos podem resolver de vez em quando para ganhar essa confiança e cobrar mais espaço no time.

Oklahoma City Thunder v Memphis Grizzlies - Game Six Um bom mês sem Durant e Westbrook pode consolidar Scott Brooks como uma grande treinador, fazer ele ganhar a confiança da torcida e de seus jogadores em um novo sistema ofensivo. O fracasso pode significar que a temporada toda, mesmo quando os dois All-Star chegarem, pode ir para o ralo mais cedo que o planejado, e se alguém vai rodar nessa brincadeira é o próprio Brooks. É um momento importante demais para um técnico, e ele terá que fazer Andre Roberson e Sebastian Telfair jogarem bem para ver o melhor lado dessa moeda. Boa sorte, Brooks! [author title=”Defenestrado por” author_id=Denis””]

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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