Chandler e a teimosia de resultado

Essa semana Tyson Chandler foi condecorado como Melhor Defensor do Ano na NBA. Como disse no post sobre o assunto, todos concordam que ele é um defensor completo, eficiente e um líder. Reconstruir a defesa do NY Knicks foi só uma repetição do trabalho que ele fez na temporada anterior, quando foi essencial na construção da defesa do Dallas Mavericks, campeão da NBA. Dirk Nowitzki, o técnico Rick Carlisle e qualquer crítico por aí pode confirmar que Chandler, usando um termo já batido, mudou a cultura defensiva do Mavs.

O prêmio, portanto, não foi estranho. E se você acompanha a NBA há poucos anos, parece natural ver um grande pivô ter impacto em duas equipes de qualidade em anos consecutivos. Mas quem está aí por mais tempo ainda se perturba. Tyson Chandler não era um jogador sem noção de nada? Um gigante que pulou o colegial e que foi um dos grandes fracassos do começo dos anos 2000 na NBA ao lado de Eddy Curry, Kwame Brown e Michael Olowokandi? É como imaginar que daqui 10 anos estaremos falando de como JaVale McGee foi a peça fundamental em um time campeão.

Quem joga com CP3 sempre está rindo à toa

Chandler começou a carreira no Chicago Bulls, na época pós-Jordan, o chamado Baby Bulls, onde ele era um dos Babies ao lado de Eddy Curry. A dupla de garrafão do futuro nunca vingou, o time era medíocre e ele, após 6 anos, acabou indo para o New Orleans Hornets, onde finalmente passou a jogar bem. Byron Scott o fez um bom defensor, Chris Paul o fez um especialista em finalizar pontes aéreas. Depois de rápida passagem pelo Charlotte Bobcats, Chandler foi para o Mavs e o resto a gente se lembra. As questões que o sucesso de Chandler na NBA após 10 anos de carreira nos trazem são simples: Por quanto tempo um time deve aturar um jogador que não rende? Quando a aposta é válida e quando é jogar dinheiro no lixo? O que faz um jogador evoluir depois de tanto tempo e por que outros continuam empacados?

Consigo pensar em 5 casos clássicos de insistências.

1. O cara grande
O Tyson Chandler já entra nesse grupo, assim como Kwame Brown, Darko Milicic e tantos outros, até Kevin Love, por que não?. Não importa o quanto o jogador comece mal sua carreira, se ele tem altura e tipo físico que são raros de serem encontrados, alguém sempre vai apostar nele. Sempre tem um General Manager ou técnico que acha que pode ensinar o grandalhão a jogar basquete. Deu certo com o Lakers investindo no adolescente Andrew Bynum, com o Wolves não se desesperando em trocar Love. Mas não deu com uma caralhada de gente: De Jerome James a Robert Swift, não faltam exemplos de pivôs que fizeram uma fortuna só pelo o que poderiam vir a ser um dia.

2. O Talento bruto
A altura é o exemplo físico, esse é o técnico. O pessoal testa os jogadores e vê talento bruto: controle de bola ou bom arremesso, por exemplo. Mas o problema é que às vezes esses caras não tem boa defesa ou qualquer noção tática de jogo, mas, de novo, sempre vai ter alguém com esperança de ensinar os caras a jogar basquete. Essa temporada vimos o Gerald Green, Draftado em 2005, finalmente sendo útil de verdade para um time da NBA. Em compensação, não deram em nada os anos e anos apostando em Darius Miles, por exemplo.

3. O bichado
O cara sabe jogar e já provou isso, mas se machuca o tempo todo. Eventualmente alguém vai achar que apostando no cara vai colher os frutos quando seu corpo funcionar. O Rockets investiu importante parte da sua última década em Yao Ming e Tracy McGrady e não foi longe. O caso do Portland Trail Blazers com o Greg Oden nem precisa de muitas explicações. Em compensação o Lakers não parece arrependido de manter Andrew Bynum e seus joelhos ferrados, assim como o Suns só ganhou ao apostar em Grant Hill. O Clippers não se desesperou também com a contusão de Blake Griffin e só esperou ele melhorar.

4. O pirralho
Volta e meia surge um pirralho com potencial em um time bom, daqueles que querem ganhar um título hoje. O Pistons tinha Darko Milicic em 2004 e o encostou no banco, esperando ele se desenvolver. Não deu certo. Mas trocar logo de cara é a solução? O Boston Celtics trocou Joe Johnson no meio de sua primeira temporada para pegar Tony Delk.

5. O bipolar
Esse é aquele cara que tem talento e tem físico, mas não consegue se impôr regularmente. O caso mais atual é o de Evan Turner, do Sixers. Tem dias que é genial, tem dias que ninguém vê ele na quadra. Quantas temporadas de adaptação ele precisa até deslanchar? Será que vai deslanchar? O Raptors já teve essa dúvida com Tracy McGrady há mais de 10 anos, trocaram e se deram mal. Mas outros times mantiveram esses bipolares e o que dizer de caras como Rodney White e Marcus Fizer? Alguém sequer lembra deles?

 

Em todos os casos dá pra pensar em exemplos de sucesso e de fracasso total. Mas será que é assim só sorte? Um pouco sim, prever o futuro é sempre complicado, mas podemos achar algumas coisas em comum nos casos de sucesso, dando dicas do caminho para o êxito.

Entre os que deram errado é bem fácil perceber uma coisa que todos os jogadores tem em comum: falta cabeça. No perfil que fizemos de Kwame Brown fica claro como ele não estava nada preparado para a vida da NBA. Ou melhor, ele não estava preparado para a vida adulta em geral, muito menos com a pressão da mídia, do seu time e até de Michael Jordan. Estava fadado ao fracasso. O caso de Darius Miles é curioso porque ele começou bem na NBA e despencou de nível quando foi trocado do Clippers para o Cavs e seu melhor amigo, Quentin Richardson, ficou em Los Angeles. Os dois eram melhores amigos no nível de menina adolescente, faziam tudo juntos fora da quadra, Miles se perdeu sem seu companheiro. Em entrevista a Bill Simmons, Chandler afirmou que chegou na NBA sem paciência, querendo sucesso imediato e que se frustrou muito com os anos de derrota seguidas. Disse também que aos poucos aprendeu com tudo isso, mas que é uma armadilha que pode arruinar carreiras. Ele não citou nomes, mas estava basicamente falando de seu parceiro Eddy Curry.

Outra coisa só pode ser percebida no ambiente cotidiano. Tyson Chandler nunca teve preguiça de treinar, aprendeu toda a parte teórica de como ser um bom defensor e só melhorou fisicamente. Curry engordou, nunca aprendeu a se posicionar para rebotes e sua visão de jogo era nula. Estudar o basquete faz milagres. Até entre os bons isso faz diferença. Pegue vídeos de Vince Carter e Kobe Bryant lá pelo ano 2000 e veja como ambos são jovens talentosos. Veja vídeos de 2005 e Kobe parece umas 10 vezes melhores que Carter, com muito mais recursos. Veja vídeos de 2010 e parece uma piada de mal gosto comparar o arsenal de jogadas que os dois tem.

Na entrevista que eu citei antes do Chandler para o Bill Simmons, o pivô diz que se tivesse que dar um conselho para ele mesmo quando mais jovem, diria para “ter paciência e estudar o jogo”. Paciência porque vai se fazer muita merda e perder muito até as coisas darem certo e estudar basquete porque, afinal, você é um jogador de basquete.

Mas não dá pra negar que só estudar talvez não tivesse dado certo se Tyson Chandler tivesse ficado em Chicago. Os torcedores e a diretoria do time já não tinham paciência com ele, muito menos a imprensa local. Mudar de ares pode dar a sensação de novo começo. O Darko Milicic era uma piada em Detroit, até dentro do time, ele nunca daria certo lá por mais que insistissem. Acabou que quando foi para Minnesota se achou. Nunca virou uma estrela, mas virou um bom defensor, digno de estar na NBA pelo menos. Outra característica de Darko era a falta de paciência, citada como

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pecado por Chandler. É o oposto de Bynum, que mesmo insatisfeito aceitou suas funções no Lakers. Primeiro como reserva, depois como um titular que não jogava os minutos decisivos. Poderia ter pedido para ser trocado já que Lamar Odom sempre estava em seu lugar quando o jogo apertava, mas não, ficou na dele e hoje se deu bem.

Gerald Green é o caso de sucesso mais confuso, ele teve que viajar o mundo antes de voltar e dar certo. Mas isso mostra outra coisa característica que deve ser observada nesses jovens jogadores, a competitividade. Conhecer uma pessoa muito competitiva pode ser um saco, não é necessariamente a melhor das qualidades num ser humano, mas para um atleta desse nível é importantíssimo. Só um cara muito competitivo não vai aceitar perder nem no treino e vai sempre tentar melhorar para não ter a humilhação de ser reserva daquele mané que você tem certeza que não tem tanto talento quanto você. Gerald Green parece ter esse sentimento de que sabia que era bom o bastante para a NBA e nunca aceitou ser menos que isso. No começo isso jogou contra ele, seu ego inflado fazia ele jogar como uma estrela sem ser uma, mas com a idade acabou sendo bem direcionado.

 

O engraçado é que a conclusão disso tudo é que para nós, que vemos de fora, é muito difícil saber em quem um time deve apostar. Como saber quem estuda ou não? Ou quem é competitivo? Como ter sequer ideia de quem tem cabeça para lidar com todas as pressões da NBA. Confiamos um pouco nos repórteres que acompanham os times de perto, mas é só. Só existe um tipo de jogador-promessa que podemos analisar sem qualquer tipo de dependência, são aqueles que julgamos não render porque estão fora de posição. Às vezes achamos que o cara não está bem porque deveria jogar mais dentro ou fora do garrafão, ou sem a bola, ou com a redonda nas mãos o tempo todo. Tracy McGrady não funcionava como um mero arremessador ao lado de Vince Carter no Raptors, foi dar certo quando comandava o ataque no Orlando Magic, por exemplo.

Esse assunto todo vai culminar no melhor time da atualidade na NBA, o San Antonio Spurs. Tony Parker, George Hill, Kawhi Leonard, Gary Neal e todos esses achados do time no Draft não eram grandes talentos fora de série antes de ir para o Spurs. Aliás, vários dos talentos do Spurs não brilharam nem em suas primeiras temporadas, Parker é o melhor exemplo. Mas nenhum deles tinha problema de comportamento, o Spurs escolhe jogadores que nos scouts vêm com o termo “high character”, ou seja, é um cara bonzinho, obediente, que vai treinar como um condenado e não vai arranjar confusão. O caso mais recente é o brazuca Tiago Splitter. A evolução dentro da NBA é algo muito individual, de vontade, mas é uma das funções do time conhecer seus atletas e saber quem vai tomar as melhores decisões na carreira. O Spurs sabe com quem contar. Mas não é perfeito também, claro, apostaram no físico e impulsão de James White e não deu em merda nenhuma.

Acho que o sucesso de Chandler é a prova de que no nível abaixo das super estrelas fora de série, a NBA é uma liga muito parelha. O melhor jogador de defesa da temporada poderia ser só um cara comum se o time certo não tivesse investido nele. Quem sabe Jameer Nelson não seria um All-Star com o técnico certo ou o Knicks não fosse o melhor time do Leste se tivesse se desfeito antes de jogadores horríveis? Lembram deles negando propostas de meia NBA pelo Channing Frye porque ele era um “jovem muito valioso”? Saber em quem investir ou quem ignorar pode ser a chave de anos de sucesso ou fracasso. Não é todo mundo que tem os jogadores espetaculares para lutar por título, mas os que sabem quando dar o pé na bunda e quando segurar, tem muito mais chances de ir longe. O Spurs tem tudo isso, tenham medo.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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