Como curar Derrick Rose

Não sei se só estou num momento emotivo da minha vida, mas essa nova lesão do Derrick Rose me deixou muito arrasado. Pensa bem, nos últimos cinco anos, só ele conseguiu tirar de LeBron James o título de MVP da temporada; somente ele, depois de Michael Jordan, conseguiu fazer a gigantesca torcida do Chicago Bulls sonhar com o título. Ele era a face e o melhor exemplo, o mais completo, de uma geração de armadores atléticos, agressivos e pontuadores. De um jeito estranho, com seu rosto sem emoções e as entrevistas quase mudas, ele tinha o seu carisma e seu apelo para o público. Derrick Rose era a história perfeita, o cara perfeito, para ser um dos ícones da NBA pelos próximos 10 anos.

Mas o que vemos é ele andando de muleta pra lá e pra cá. Desde aquela temporada de MVP e sua participação na final do Leste, Rose só jogou 50 partidas, apenas uma de Playoff, sofreu seguidas lesões no joelho e vai agora para mais uma temporada de fora. Lembramos na hora de Penny Hardaway, Grant Hill, Brandon Roy, Gilbert Arenas e Greg Oden, afinal não é o primeiro grande jogador a ter a carreira arruinada por lesões, mas poucos fazem tanta falta.

Rose

É claro que Grant Hill fez falta e que tinha tudo param ser um dos grandes nomes da NBA pós-Jordan, uma época sedenta por ídolos, ao lado de Kobe Bryant, Vince Carter, Allen Iverson e outras estrelas do fim dos anos 90. Mas Hill não tinha o apelo ao público de nenhum destes que citei, mesmo sendo o mais completo tecnicamente naquela época. Derrick Rose não é só um All-Star, um grande atleta, ele é um dos raros casos de jogadores que nos fazem gostar de basquete.

Imagino que todos os leitores aqui tem um ou um grupo de jogadores que foram os responsáveis por esse primeiro passo da paixão pelo esporte. Se você começou a ver basquete nos anos 80, até poderia reconhecer que Moses Malone era um monstro no garrafão, mas vai dizer que não foi Magic Johnson e Larry Bird que o fizeram gostar da bola laranja? Do mesmo jeito que Michael Jordan tinha um apelo milhares de vezes maior que alguns de seus adversários de final como Clyde Drexler ou Gary Payton. E nas vacas magras após a Jordan, Malone e cia., quantos de nós não foram fisgados pela juventude e enterradas de Vince Carter e Kobe Bryant? Certamente era mais atraente para os olhos leigos do que os fundamentos de Tim Duncan, um tipo de jogador que aprendemos a admirar quando já conhecemos mais como funciona o basquete com detalhes.

O conjunto de Derrick Rose era perfeito para conquistar torcedores: joga num time conhecido, de nome; faz impressionantes jogadas de efeito; impressiona com a técnica e com o físico; joga em um time que disputa Playoff e, por fim, seu time tinha tudo para ser o grande rival do outro time grande e conhecido do momento, o Miami Heat. Quem não daria tudo o que tem para voltar no tempo e ver mais duas séries entre Bulls e Heat em 2012 e 2013, com Rose em quadra?

Mas quem, além do azar e dos deuses, podemos culpar por essa broxada coletiva do basquete? Alguma coisa pode ser feita, não? Bom, provavelmente não totalmente. Contusões vão acontecer e, dentro da minha ignorância no assunto, imagino que alguns corpos simplesmente sejam mais frágeis que outros. Isso sem contar momentos de puro azar, contusões bizarras acontecem. Por outro lado, estamos em 2013, já mandamos o homem a lua, criamos um grande colisor de hádrons e clonamos uma ovelha, não podemos consertar joelhos?

Não me entendam errado, não estou negando o avanço perceptível e impressionante da medicina esportiva nas últimas décadas. É claro que hoje atletas duram mais, fazem mais, são mais preparados, mas me incomoda que essa evolução ainda pare em algumas barreiras éticas que pouco são discutidas. Felizmente existem pessoas como Mark Cuban, dono do Dallas Mavericks e uma das cabeças mais abertas da NBA, que finalmente trouxe o assunto à tona: Cuban quer a liberação do uso de hormônios de crescimento (doping puro e simples pelas regras atuais) para atletas em recuperação.

roy oden

Em teoria a coisa é simples. Enquanto o cara está em recuperação, ele não está se aproveitando do doping para ter vantagem sobre outros atletas, não está ganhando jogos, mas apenas acelerando sua volta às quadras. Por outro lado, podemos definir quando as substâncias param de causar efeito? O assunto é novo o bastante para que não haja consenso científico no caso. O uso dos hormônios de crescimento, os chamados HGH, são vistos até por alguns como prejudiciais para os atletas! Um estudo dinamarquês indica que atletas que usam HGH sofrem perda de resistência, tendo resultados até piores em provas ou exercícios de longa duração. E mesmo o crescimento aparente dos músculos não tem relação comprovada com aumento de força destes. A ciência não tem certeza e o esporte, para não dar margem pra nada, proíbe.

Enquanto os benefícios (e até problemas) causados por essas substâncias não forem resolvidos, provavelmente os esportes, sempre tão tradicionais e medrosos em relação a mudanças, elas continuarão proibidas. Mas isso não significa que não devam ser discutidas seriamente e até incentivadas. A NBA é um exemplo muito bem sucedido de como o esporte virou um mercado zilionário, mas quanto desse dinheiro é usado para estudar o doping? Eu só conheço investimentos feitos para contê-lo, para flagrá-lo, e mesmo assim estão sempre um passo atrás. O tal doping genético, que ninguém tem ideia de como detectar, seria a derrota definitiva.

trouxemos o assunto à tona em outro texto e repito aqui, que outro lugar, além do esporte, evita o doping de performance? Artistas usam qualquer substância, legal ou ilegal, em busca de inspiração. Médicos, advogados e qualquer estudante por aí usa remédios que o deixem mais focado, acordado, concentrado. O esporte, com a sua suposta busca da igualdade de oportunidades, dribla isso com assessórios: supermaiô, chuteira leve, tênis com amortecedor especial, suplemento alimentar. Retomo aqui a frase que usei no texto linkado acima, do professor de política comparada da Universidade de Michigan Andrei Markovits: “Me horroriza este ambiente inquisitorial à la Torquemada que cerca a questão do doping hoje em dia. Podemos tomar Viagra, antidepressivos, essa pílula, aquela outra – tudo o que quiser. Só os atletas não podem. E por quê? Devido ao ultrapassado ideal de amadorismo e virtude no esporte – conceitos desenvolvidos pela classe dominante inglesa de Oxford e Cambridge, no século XIX”.

Um dos argumentos contra o doping, especialmente em esportes que não são fechados como as ligas americanas, é sobre dinheiro e oportunidade. O corredor americano e rico teria mais acesso a drogas que aumentam performance do que um mané que luta para conseguir treinar sem uma pista no quinto dos infernos da Oceania. Por outro lado, isso já não acontece? Quem tem mais dinheiro tem mais aparelhos, treinadores, nutrição, chance de competir e etc. A igualdade no esporte, assim como seu amadorismo, não existe faz tempo. E, extrapolando o assunto, o doping não poderia ser uma maneira de igualar ainda mais as coisas? Por que, num futuro distante, não dar algo que faça alguém ficar mais alto? Os Nate Robinsons da vida vão adorar a chance de ser mais iguais a seus oponentes.

O que quero mostrar é que a tão sonhada equidade nos esportes é só um sonho. Dentro de campo, quadra ou pista, a regra é a mesma para todos, mas tudo o que acontece antes disso é, como reflexo de uma sociedade capitalista e competitiva, desigual. Por que tanto drama em relação ao doping, portanto? Posso estar sendo extremista demais muito cedo, mas imagino que eventualmente a discussão irá chegar nesse ponto. A princípio eu acho que podemos nos focar em Derrick Rose, ou seja, nas lesões. A NBA, a NFL, a FIFA, a UEFA, todos esses monstros dos bilhões de dólares esportivos, deveriam se importar mais e investir pesado num “doping de recuperação” ou “doping de prevenção”. Que substâncias os jogadores poderiam tomar, nem que seja na offseason, que os deixariam mais resistentes a lesões? O que poderia ser feito para que os machucados voltem mais rápido? É interesse dessas ligas e organizações que seus atletas estejam sempre bem e atuando no melhor nível possível. Imaginem um processo médico que deixasse LeBron James atuando em alto nível até os 50 anos!

Grant Hill

Como ninguém faz nada, anos atrás Kobe Bryant foi, por conta própria, tratar seu joelho na Alemanha. Ele fez parte de um tratamento diferente onde o seu próprio sangue é retirado e manipulado para que crie, sozinho, o material necessário para acelerar a cura. Sendo depois injetado de novo no corpo do atleta. O negócio é tão experimental que ele é feito na Alemanha porque nos EUA ainda não existe uma regulamentação clara e específica sobre a manipulação em laboratório de sangue e tecidos humanos. Mas o negócio parece que funciona: Kobe ficou anos mais jovem com seu novo joelho e não precisou usar o tratamento tradicional que seria demorado, doloroso e cheio de efeitos colaterais. A questão é, o que Kobe fez foi doping? A sua definição não é parecida com a do doping genético, que não usa substâncias externas e proibidas? E se o resultado do tratamento sanguíneo fosse o mesmo do HGH, por que um vale e o outro não? São perguntas demais para um texto e pouca gente importante tentando responder.

Em geral são poucas pessoas tentando responder porque as perguntas são difíceis e as respostas não são óbvias. A NBA, por exemplo, não vai se arriscar ao investir em coisas que não tem aceitação moral da maioria de seu público consumidor. Uma pena, porque a inovação científica me parece a única alternativa para que possamos minimizar casos como o de Derrick Rose e de outros futuros jogadores que poderiam estar lá fazendo outras pessoas gostarem de basquete.

Uma segunda solução, esta sim discutida a exaustão, seria diminuir o calendário. Menos jogos por semana, mais tempo de recuperação e descanso, jogos mais importantes e com melhor qualidade técnica. É um assunto tão óbvio que já dá pra encerrar ele aqui na terceira linha da conversa. Mas por enquanto o dinheiro ganho pela liga e distribuído entre os próprios atletas, que nunca lutaram

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por mudanças, vai falando mais alto. Joelhos que se explodam.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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