Deron Williams chuta traseiros, Nuggets ama prorrogações

Estamos de volta com os resumos dos jogos que ninguém viu, os da semana de Carnaval. Porque, claro, doze horas de trânsito, calor e música capaz de ser ouvida da Lua sempre acabam dando um jeito de ser mais importantes do que a simplicidade deliciosa de sentar a bunda numa cadeira e assistir ao esporte que amamos. Mas ao voltar pro mundo real, o Bola Presa garante que todo mundo possa saber o que andou acontecendo na NBA nesses dias. Dessa vez, então, vamos falar da rodada do dia 20.

Primeiro, um segredo: ao ter um blog de basquete, somos obrigados por lei a assinar um contrato e falar sobre o Jeremy Lin em todo post, sob pena de pagar multa ou ser obrigado a ver 20 jogos do Bobcats. Então vamos acabar logo com isso: contra o Nets, Lin jogou bem, marcou 21 pontos e deu 9 assistências. Pronto, contrato cumprido. Agora, para os outros assuntos.

Lin foi totalmente secundário na partida entre Knicks e Nets basicamente porque Deron Williams entrou em quadra disposto a chutar todos os traseiros do mundo. Aliás, Deron Williams merece um post-tese-de-mestrado só pra ele mais tarde, porque é o exemplo perfeito de como mesmo um dos melhores jogadores da NBA consegue sair completamente dos olhos do público e da mídia por estar num time pequeno. Agora que todo mundo estava vendo, com a atenção voltada para o armador cheirando a carro novo, Deron lembrou o mundo de quão bom ele é e praticamente garantiu a vitória do seu time sozinho. Foram 38 pontos e 8 bolas certas de três, e o mais fantástico foram os 18 pontos no terceiro período – 10 deles marcados num período de 47 segundos! Deron Williams é uma força da natureza e, com um time melhor em mãos, pode fazer milagre. Contra o Knicks, bastou uma defesa que soube defender bem o pick-and-roll de forma física e agressiva e Lin e seus amigos começaram a se afastar cada vez mais do garrafão, voltando a ser uma equipe que se contenta em dar arremessos idiotas de longe. Aí, do ataque, Deron cuidou sozinho.

A defesa física do Nets acabou gerando um jogo bastante brigado. Pra se ter ideia, Anthony Morrow perdeu 4 dentes e os dois times tiveram problemas em conseguir chegar perto da cesta. Nessas horas o Knicks precisa de seus arremessadores, mas JR Smith errou as 5 bolas de três que tentou e Steve Novak estava num dia terrível. De consolo, apenas o primeiro jogo do Baron Davis pelo Knicks (foram apenas 10 minutos, mas ao menos ele consegue usar as duas pernas!), e o retorno do Carmelo Anthony, que com 6 assistências mostrou que está disposto a rodar a bola agora que não precisa ser o armador dessa budega.

Agora, o resto da rodada fora do nosso contrato. Começo com a indignação: quantas prorrogações o Nuggets consegue jogar em sequência? Depois de uma prorrogação sensacional na partida anterior, agora foi a vez de mais uma prorrogação contra o Wolves. O garrafão da equipe de Minessota, que anda comendo vários times da NBA vivos, sofreu com a saída de Pekovic, lesionado, e o Nuggets se aproveitou disso para usar uma escalação de anões: colocou Al Harrington como pivô e partiu para a correria. O incrível é como o Al Harrington se sai bem quando joga dentro do garrafão ao invés de no perímetro, como ele insiste em jogar – parece que tem complexo de Rasheed Wallace (que, pra quem não sabe, disse que aprendeu a arremessar de três porque estava ficando entediado de dominar jogos no garrafão). Al Harrington teve 31 pontos e 9 rebotes, dominou o Wolves e segurou as pontas mesmo quando o Nuggets ficou sem armador nenhum, já que Ty Lawson torceu o pé e Andre Miller foi expulso por dar piti. Nessa escalação de anões, Faried continua quebrando um galhão, dessa vez com 14 rebotes. Agora que o George Karl disse que o Nenê provavelmente não vai conseguir entrar em forma durante essa temporada, é bom que o Nuggets esteja disposto a usar todos os outros grandalhões e saiba improvisar Faried e Al Harrington lá embaixo para fazer o serviço.

O jogo foi uma correria biruta, bem disputado, teve prorrogação, mas o tempo extra foi uma calamidade: as duas equipes passaram 3 minutos sem conseguir uma cesta sequer, e o final do jogo foi pior ainda. Perdendo por 3 pontos, Martell Webster conseguiu roubar uma bola faltando 4 segundos no cronômetro. Ele parou na linha de 3 pontos e aí o que ele fez? Merda. Continuou correndo e deu uma enterrada fácil, cortou a diferença para 1 ponto mas aí já não dava mais tempo de ter outra posse de bola. Uma anta. Depois do jogo ele disse que achava que poderia sofrer uma falta, migué de quem fez cagada e não quer admitir. São coisas de time jovem que nunca passou por isso antes, é claro que na próxima vez todo mundo do elenco vai parar e arremessar de três, é o peso da experiência. Menos o Kings, que daqui há 20 anos vai cometer exatamente os mesmos erros.

A anti-matéria do Kings é o Spurs, que faz sempre as coisas certas nas horas certas há mais de 15 anos, sem brincadeira. Mesmo sem Ginóbili, o esquema continua impecável com Tony Parker mais agressivo do que nunca, dessa vez foram 23 pontos e 11 assistências. E mesmo sem o Splitter, o garrafão continua funcionando com o Matt Bonner, que aliás acertou 5 das 6 bolas de três que tentou no jogo. Mesmo o Richard Jefferson, que errou todos os arremessos que deu durante o jogo inteiro, acertou uma bola de três da zona morta (marca registrada do Spurs desde que me conheço por gente) no final do jogo para garantir a vitória em cima do time-do-qual-não-falamos.

A fama do Spurs de fazer tudo certo nos momentos decisivos é a mesma que Monta Ellis anda recebendo ultimamente. Muita gente está dizendo que ele é o melhor “fechador de jogos” da NBA nessa temporada. Dá pra colocar o jogo contra o Clippers nesse currículo: perdendo por 2 pontos nos minutos finais, o Warriors fez 9 a 0 liderados pelos 32 pontos de Monta Ellis e uma defesa simplesmente impecável do armador em cima do Chris Paul, que só conseguiu marcar 4 pontos no segundo tempo inteiro. O Warriors sempre é liderado por Ellis ou Stephen Curry, eles sabem revezar bem e de vez em quando funcionam juntos, mas as vitórias só aparecem mesmo quando o garrafão dá uma força. Contra o Clippers foi a vez do David Lee fazer a parte dele, com 24 pontos e 13 rebotes, mas a surpresa mesmo é o Ekpe Udoh, que ganhou a vaga de titular, teve 19 pontos e 8 rebotes (6 deles ofensivos) e tornou o garrafão do time muito mais ativo e atlético.

Falando em garrafão, o Blazers acabou de saber que Greg Oden vai precisar de OUTRA cirurgia no seu joelho. O instituto médico do Bola Presa estima que a volta do pivô deve acontecer lá por 2025. Enquanto isso, o garrafão do Lakers engoliu o Blazers com azeite e sal: só o Bynum teve 14 pontos e 19 rebotes e fez o Blazers inteiro se cagar de medo de entrar no garrafão. Kobe marcou 28 pontos, anda com a mira calibradíssima, mas está puto da vida com os boatos de troca do Gasol – ele quer que o time garanta que não vai trocá-lo, para que o espanhol se tranquilize e possa se dedicar integralmente ao time, ou então que o  Lakers troque o Gasol de uma vez e pare com esse lenga-lenga. Em termos técnicos, o que o Kobe quer dizer é “fode ou sai da moita”, o que faz sentido, mas é natural que o Lakers só possa ter uma resposta segura depois de estudar bem o mercado. Enquanto isso, Steve Blake acordou e meteu 5 bolas de três pontos em 6 tentativas vindo do banco, tudo que o time precisa para ganhar. Se ele fizesse isso sempre, uma troca do Gasol sequer precisaria ser cogitada.

Mais papo de garrafão (que alias parece nome de programa de entrevista com jogadores de basquete, apresentado por, sei lá, a Magic Paula): Dwight Howard foi anulado no jogo contra o Bucks pelo Larry Sanders. Constantemente isolado contra o Sanders, no mano-a-mano, Dwight tomou tocos, perdeu a bola em 3 jogadas consecutivas e teve problemas terríveis para ser eficaz no ataque. Mas ele é fantástico na defesa e, de um modo indireto, acabou garantindo a vitória: JJ Redick errou a bola da vitória no que deveria ser uma cesta fácil, mas Dwight conseguiu um tapinha no rebote que colocou a bola nas mãos do Jameer Nelson, que achou Ryan Anderson livre para uma bola de 3 pontos. Perdendo por 3 faltando pouco mais de 10 segundos é claro que o Bucks não soube o que fazer e errou algo como uns 4 arremessos seguidos ridículos. Pra se ter ideia, é a terceira derrota do Bucks para o Magic em 10 dias, as três com o Bucks vencendo o jogo no quarto período mas tomando uma virada porque não sabe o que fazer no final.

Larry Sanders acabou o jogo com 13 pontos, 12 rebotes, 2 roubos de bola e 3 tocos, e é a prova de que Dwight é um monstro, um dos melhores da NBA, mas não pode ficar sendo isolado no garrafão. Enquanto isso, Ersan “Lady Gaga” Ilyasova garantiu mais 15 rebotes (9 deles ofensivos) e ele sequer precisa sair do chão pra isso. Bizarro.

Ainda no assunto garrafão, tivemos uma rara demonstração da importância do Perkins para o Thunder. O pivô, que é uma parede de tijolos, tem pouco envolvimento na correria do Thunder, mas continua sendo genial para parar pivôs grandões em esquemas táticos lentos de meia-quadra. Contra o Hornets, Perkins simplesmente humilhou Chris Kaman e sua jornada rumo a uma troca digna. Perkins teve 6 tocos e 13 rebotes, e o coitado do Kaman só acertou 4 dos 17 arremessos que tentou. Quando o foco central de um ataque é anulado desse jeito, basta que Durant e Westbrook façam sua parte – cada um fez 31 pontos e aí o jogo foi pro saco. Quando o ritmo dos jogos diminui nos playoffs e o foco no garrafão é maior, Perkins vai voltar a ser essencial para esse Thunder.

Essencial, aliás, como Rajon Rondo e Garnett são para o Celtics. O Garnett continua fora por razões pessoais, e Rondo ficou de fora contra o Mavs porque cumpriu o primeiro dos dois jogos de suspensão por ter jogado a bola num juiz. Não preciso nem dizer que o Celtics parecia um time amador e que a movimentação ofensiva foi medonha. Me permito não falar do jogo, então, e no lugar abro um pequeno “8 ou 80” para suprir a falta do Denis, que está viajando:

8 ou 80 relâmpago sem o Denis que está viajando

Com 26 pontos, 16 rebotes e 2 tocos, Dirk Nowitzki se tornou ao mesmo tempo o vigésimo maior pontuador da história e também apenas o terceiro jogador da NBA a ter em sua carreira mais de 1000 tocos e mais de 1000 bolas de três pontos (os outros dois foram nosso amado Rasheed Wallace e também Clifford Robinson).

Além disso, Jason Kidd também subiu para o segundo lugar na história em roubos de bola: agora ele está apenas atrás de John Stockton tanto em assistências quanto em roubos na carreira.

Agora, o restinho final da rodada do dia 20. Derrick Rose finalmente voltou às quadras depois de tanto tempo fora com problemas nas costas, pareceu estar em ótima forma física, dominou o Hawks do começo ao fim do jogo, teve 23 pontos, 5 rebotes, 6 assistências, mas parece ter demonstrado sinais de dor no final do jogo. O Suns ganhou mais uma num dos jogos mais fáceis da equipe na temporada, contra o Wizards, tão fácil que até o Michael Redd passou um tempão em quadra sem precisar de cadeira de rodas. E pra fechar, meu Houston manteve a novíssima defesa forte de garrafão com Greg Smith e Patrick Patterson contra o Grizzlies, anulando Marc Gasol especialmente no quarto período, Kyle Lowry continua chutando traseiros com 24 pontos e 9 assistências, mas dessa vez Kevin Martin recebeu a bola desde o começo do jogo, foi super eficiente, seus companheiros confiaram no seu arremesso, e deu pra ter esperança num Rockets que não troque o rapaz. Por favor, mantenham Kevin Martin no meu time! Eu imploro!

Fotos da rodada:

 À esquerda, gente feliz; à direita, o Perkins
 Deron Williams mostra que o Lin tomou no fiofó
 Monta Ellis corre com cocô nas calças
 No fundo da foto, a imagem da derrota
 Ilyasova e sua defesa extravagante
 Mo Williams vítima de bala perdida
Acidente de carro

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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