Dois pivôs, duas medidas

Um dos personagens da rodada desta última segunda-feira na NBA foi o pivô francês Rudy Gobert, do Utah Jazz. Na vitória do seu time sobre o sempre machucado Minnesota Timberwolves, Gobert foi protagonista dos dois melhores lances do jogo. Primeiro do lado ruim da enterrada espetacular de Andrew Wiggins:

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Depois, pouquíssimo tempo após o primeiro lance, dando seu troco, com direito a encarada e tudo mais:

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A história da curta carreira de Rudy Gobert, o ‘Stifle Tower’, que está apenas em seu segundo ano de NBA, e os outros jogadores e times envolvidos em sua carreira mostram um caminho nada comum, mas importante de se observar.

Nascido na França, Gobert fez todo o seu começo de carreira por lá e se estabeleceu como profissional no Cholet Basket, time uma vez campeão francês e que já viu em seu elenco outros ex-NBA como Rodrigue Beaubois, Nando De Colo e Kevin Seraphin. Mas não que Gobert tenha realmente parecido um jogador de NBA quando atuou por lá, eram poucos minutos por jogo, estatísticas pífias e atuação bastante limitada. Era um projeto de jogador, alguém aprendendo a jogar e que estava lá porque, bom, ele tinha 2,16m de altura e uma envergadura exagerada e caricata de 2,35m! Alguma coisa poderia sair dali.

Em 2013 ele partiu para o Draft da NBA sendo tachado, corretamente, de um jogador “cru”. Assim foi selecionado apenas na 27ª escolha pelo Denver Nuggets e logo trocado por Erick Green (a escolha 46 do mesmo ano) e alguns punhados de dólares. No Utah Jazz, Gobert passou um ano silencioso na reserva de Enes Kanter e Derrick Favors, então promissor garrafão de jovens da franquia. Quando entrava em quadra, fazia algumas faltas e  chamava a atenção mais pelo físico absurdo do que por algo útil feito lá dentro, quase como uma atração de circo em Salt Lake City. Se me perguntassem na época, Gobert tinha tudo para virar um novo JaVale McGee. Aliás, McGee estava justamente no Nuggets, que deu pra ele um contrato monstruoso antes de bater o arrependimento e uma troca para o Philadelphia 76ers. Hoje o Nuggets não tem mais Gobert, McGee, Erick Green e aquela graninha provavelmente foi gasta há tempos.

NBA: OCT 23 Jazz at Clippers

Se o Brasil fosse um país sério (nada a ver com o Brasil, apenas amo essa expressão), Rudy Gobert, um ano depois de ser irrelevante e quase uma piada na NBA, seria candidato muito, muito sério a ao menos 3 prêmios de fim de temporada. Certamente foi o jogador que mais evoluiu em comparação ao ano passado; ainda deve ser elegível para o prêmio de melhor reserva apesar de ter conquistado a vaga de titular no último terço da temporada; e difícil imaginar muitos outros jogadores que tenham maior impacto defensivo do que ele em toda a liga. O Utah Jazz, o time mais mediano da temporada (15º de 30 em tanto ataque quanto defesa), é A MELHOR DEFESA da NBA inteira se contarmos apenas desde que Enes Kanter foi trocado e Gobert assumiu sua vaga no time titular.

O aproveitamento dos adversários na área ao redor da cesta quando Rudy Gobert está presente é, segundo dados do SynergySports, de 39%. Sim, o arremesso de melhor aproveitamento da liga vira, portanto, aproveitamento de bolas de longa distância quando aquele francês boneco de posto está em volta. Como comparação, Anthony Davis, líder da NBA em tocos, cede 48% de aproveitamento, Tim Duncan 46% e Roy Hibbert, o campeão dessa estatística nos últimos anos, 42%.

NBA: Miami Heat at Utah Jazz

Na última semana, Enes Kanter, hoje pivô titular do OKC Thunder, fez o seu primeiro jogo contra o seu ex-time. Perguntado sobre seu passado antes do jogo, o turco soltou tiros para todos os lados. Disse que só foi descobrir o que era uma franquia de verdade da NBA quando chegou no Thunder, e que não foi só essa temporada que foi frustrante para ele, mas todos os 3 anos que passou na franquia de Utah. O resultado? Foi vaiado, tomou bronca do técnico pelo jeito que lidou com as vaias e ainda teve que ouvir umas boas verdades de seu ex-companheiro Trevor Booker: “Kanter fez o que sempre fez, conseguiu suas estatísticas, não defendeu e saiu com a derrota”. Se você toma esporro público do TREVOR BOOKER é porque não tem nenhuma moral.

O caso de Kanter é realmente bizarro e me lembra, em partes, o de outro jogador do mesmo OKC Thunder, Dion Waiters. Os dois são jogadores que transbordam talento. Você joga uma bola na mão deles e dá pra ver em poucos segundos que eles tem um arsenal ofensivo fora do comum. É tentador ter ele em seu time e pensar “quando ele entrar no esquema, vai voar”, mas nunca voam. O Thunder muitas vezes muda da água para o vinho só tirando Waiters e colocando o limitadíssimo Anthony Morrow em seu lugar: tudo se abre em espaço, qualidade de movimentação, aproveitamento de arremessos, etc. Só o deus do basquete explica como um time melhora com um jogador pior.

Kanter Westbrook

Com Kanter o processo é ainda mais difícil de aceitar. Ofensivamente é possível dizer que ele é um dos pivôs mais habilidosos de toda a NBA, certamente o melhor se contarmos apenas os mais jovens. Em OKC ainda ganhou um entrosamento quase instantâneo com Russell Westbrook, que pareceu até disposto a passar mais a bola agora que tem um pivô que realmente consegue segurar um passe num pick-and-roll. Os double-doubles de Kanter tem sido uma constante desde que foi trocado. O problema é que Kanter, se sabe segurar o passe, não sabe fazer o que os outros jogadores de garrafão do Thunder sabem fazer: defender, se movimentar na cobertura e dar tocos.  E quando digo isso, vou para o outro extremo: Kanter é um dos piores defensores de toda a NBA.

Sabendo dessa limitação, mas precisando de Kanter para desafogar o ataque, o técnico Scott Brooks fez o mais óbvio. Quase 100% dos minutos de Kanter em quadra eram ao lado de Serge Ibaka. O congolês-espanhol tinha a dupla função de cuidar de seu marcador e de sempre ir para a cobertura quando alguém tentasse tirar proveito de Kanter. Bonito na teoria, mas nem sempre dá certo na dinâmica das movimentações de bola em uma quadra de basquete. E tudo foi abaixo no momento que Ibaka se machucou e deixou o time.

[youtube width=”600″ height=”344″]https://www.youtube.com/watch?v=BcCF7NnfHQ8#t=01m46s[/youtube]

Nessas reviravoltas estranhas da NBA, o Utah Jazz venceu 14 dos 21 jogos que fez desde que Rudy Gobert, o cara que não tem ideia de como se bate uma bola no chão, virou titular. Ou seja, se pensarem bem, desde que trocaram Enes Kanter por NENHUM JOGADOR. Já o Thunder tem saldo negativo de pontos quando um dos mais talentosos pivôs da atualidade está em sua equipe: o time melhora seu desempenho ofensivo em 4 pontos por 100 posses de bola com Kanter em quadra, mas piora seu desempenho defensivo em 6 pontos por 100 posses.

Em época de torneio da NCAA, é bom observar com atenção a carreira de Gobert e Kanter. Um deles veio do nada, parecia ter só físico e de repente parece que teve uma epifania basquetebolística e sacou tudo em questão de meses, se tornando uma arma única e especial. O outro era bom, continua bom, mas simplesmente não ajuda. Gobert foi escolhido numa 27ª posição de Draft, Kanter na 3ª. Pode ter sido sorte, acaso ou só probabilidade (depois de tantos pirralhos!), mas a reconstrução do Jazz está dando resultado. Com o pivô errado, mas está.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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