Em defesa de Westbrook

A partida de ontem entre New York Knicks e Oklahoma City Thunder tinha alguns elementos bem previsíveis. O primeiro era que JR Smith iria arremessar até a mãe se fosse preciso, afinal Carmelo Anthony segue machucado e o resto do time tem mais funções defensivas que talento para marcar pontos. Deu certo, JR Smith chutou 29 bolas (!) e saiu de quadra com 36 pontos, apesar de não ter ido tão bem no último quarto e de ter errado a última bola no segundo final. Aliás, por que esperar até o último segundo se o time estava perdendo? E por que não deixar Tyson Chandler, um dos melhores da NBA em rebotes ofensivos, em quadra tentar uma segunda chance?

A outra coisa previsível? Bom, que Kevin Durant iria chutar a bunda de todo mundo. Ele fez 34 pontos, pegou 8 rebotes, deu 6 assistências e fez o que tem feito todo santo jogo, foi o melhor da partida. Mas tem uma terceira coisa que não acontece todo jogo mas que é bem previsível. É só Russell Westbrook ter uma partida abaixo da média para que pipoquem na internet os mais diversos tipos de pessoas dizendo que ele “não tem cérebro”, que é um talento solto numa cabeça descontrolada. Puro exagero.

A análise sobre a capacidade de Westbrook de entender o jogo é causada por dois pontos. O primeiro é o número de turnovers, Westbrook parece desperdiçar muito a bola, especialmente quando abaixa a cabeça e tenta achar um caminho para a cesta na marra. É fato que, com 3.5 turnovers por jogo, Westbrook é o 4º que mais erra na NBA. Mas os que erram mais são Jrue Holiday, Kobe Bryant e James Harden. Eles também não tem cérebro? E com míseros 0.2 turnover a menos que Westbrook está seu companheiro Kevin Durant. Não custa lembrar que um certo Steve Nash teve 8 anos seguidos com mais de 3 erros por jogo.

O segundo ponto são os arremessos forçados e às vezes exagerados que Westbrook tenta. Novamente os números confirmam isso, ele é o 3º da NBA que mais tenta chutes por jogo, e acerta 43% dos que arremessa (não é horrível, mas está longe do topo até para sua posição), mas é assim que ele consegue ser o 6º da NBA em pontos, o 2º em pontos de contra-ataque e, mais importante, é assim que ele faz o Thunder funcionar.

Já usei os números, agora quero deixar eles um pouco de lado. Muitos já me questionaram, especialmente após jogos ruins de Westbrook, se o Thunder não seria um time melhor se tivesse um armador mais organizador e menos agressivo (ou porra louca, depende de quem diz). Eu sempre respondo que não. Veja o time deles, ninguém além de Westbrook e Durant no time titular são realmente uma ameaça ofensiva. Serge Ibaka aprendeu a arremessar de média e longa distância, mas só o faz quando está sem marcação e ele só fica nessa situação porque a defesa deve, o tempo todo, cobrir os espaços abertos por Westbrook e Durant. Se Rajon Rondo jogasse no lugar de Westbrook, por exemplo, a defesa marcaria Rondo de longe devido a sua falta de arremesso e o Thunder ficaria duzentas vezes mais previsível no ataque. Não podemos esquecer que Kendrick Perkins e Thabo Sefolosha, grandes talentos defensivos, não são lá muito bons se mexendo sem a bola, não criam opções para quem arma. A solução seria trazer Kevin Martin do banco, este sim um que se move bem, e aí arruinar a rotação do time e a força do banco de reservas.

O que às vezes as pessoas não percebem é como os 3 erros por jogo de Westbrook são pouca coisa em comparação ao quanto ele faz o time acontecer no ataque. Ele não é armador do estilo de Chris Paul, que entende o jogo num nível genial e manipula a movimentação da defesa até achar alguém livre. Russell Westbrook nunca havia sido armador antes de chegar na NBA e não se ensina visão de jogo assim do nada. O que o Thunder fez muito bem foi usar as qualidades dele, transformar isso em algo útil ofensivamente e pronto, viver com isso. Não ser Chris Paul não significa não ter cérebro, mas sim que seus talentos são outros. Aliás, é louvável que Westbrook ataque a cesta o tempo todo ao invés de pagar de Jason Kidd e só ficar chamando jogadas, cada um faz o que sabe.

Aqui também é hora de uma crítica ao técnico Scott Brooks. Seu esquema tática envolve Sefolosha, Ibaka e Perkins agindo quase que exclusivamente para facilitar a vida de Kevin Durant. Abrem espaço quando ele precisa infiltrar, fazem bloqueios, se posicionam sob a cesta para um passe. Só que algumas jogadas ficam manjadas e Durant não consegue ficar livre, o que acontece nessa situação? Westbrook deve se virar. Ou tocar para Durant e deixar ele se virar nas jogadas individuais. O Thunder não

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é um time que roda muito bem a bola e eles nem tentam isso, não é culpa exclusiva do seu armador.

Outra coisa que um armador cerebral tiraria do Thunder são os matchups do inferno

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para o adversário. Ontem, por exemplo, o New York Knicks não conseguia deixar seu melhor defensor, Iman Shumpert, marcando Kevin Durant porque ele era o único capaz de defender Russell Westbrook. No jogo contra o Lakers no começo da semana, Kobe Bryant quis ser herói e marcar Durant, mas logo teve que voltar a marcar Westbrook para tentar evitar uma surra que o armador dava no Lakers. No fim das contas nem isso deu conta, Westbrook foi imparável. Alguém que não atacasse como Westbrook não forçaria as defesas a reagirem assim.

Outro ponto que ignoram é o quanto Russell Westbrook é um excelente defensor. Ele tem a velocidade para marcar os armadores mais baixos que ele (a maioria) e capacidade de defender caras de outras posições, ou seja, dá pra deixar Thabo Sefolosha no banco e mesmo assim continuar com um bom defensor de perímetro em quadra. E não conheço um bom defensor que não seja alguém que entenda de basquete, não dá pra marcar bem sem cérebro. Ainda na categoria defesa, Westbrook é um dos líderes da NBA em roubos de bola, ou seja, além de cometer turnovers, ele também força o adversário a errar.

Engraçado que muitas dessas características são comuns a outros grandes jogadores da NBA. Muitas vezes Kobe Bryant ou James Harden arremessam demais e esquecem alguns companheiros mais bem colocados, Dwyane Wade é mestre de bater pra dentro sem ter ideia do que vai fazer lá no garrafão, Steve Nash, como dito, era o rei dos turnovers e Carmelo Anthony é um de muitos que nunca para de arremessar mesmo que esteja num dia de aproveitamento baixo. Todos já receberam suas devidas críticas sobre isso, seja aqui ou por outros críticos de basquete. Mas nenhum deles teve que ouvir que não entendia de basquete. Por que isso é exclusivo de Westbrook?

Tenho muitas respostas para essa pergunta. Westbrook teve que lidar com muita exposição logo no começo da carreira. Ainda em um período difícil de adaptação à NBA, Westbrook já estava nos Playoffs e disputando jogos importantes, seus erros eram vistos e comentados por todos. Lá ele ganhou a fama e no mundo da análise preguiçosa, é difícil perder essa imagem.

E tem mais, o armador sofre de um mal que aflige muitos jogadores com status de estrela: eles não aceitam ter um jogo ruim. Nenhum grande jogador da NBA entende que está tendo um jogo ruim e que deve assumir um papel secundário, a cultura deles diz que eles devem tentar se redimir na jogada seguinte. LeBron James era considerado amarelão quando não fazia isso, lembram? Por fim, ele joga ao lado de Kevin Durant. Nas mentes mais simplistas, qualquer arremesso que Westbrook tenta, é um que Durant poderia ter arremessado. Mais ou menos como Kobe Bryant escutava quando jogava ao lado de Shaquille O’Neal.

Minhas críticas ao Russell Westbrook são pontuais. Ele tem alguns jogos ruins, acho que ele já tomou muitas decisões erradas, acho que se veste muito mal e as critico quando isso acontece, mas olhando o panorama geral, do que ele oferece para o time contra seus erros, não tenho dúvida de que ele é um dos melhores jogadores da atualidade. E, ainda mais importante, tem um time que sabe usar essas qualidades e disfarçar seus defeitos. Também prefiro pensar que ninguém pode ser um dos melhores da NBA sem ter um cérebro. Basquete é mais que correr e pular, não é?

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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