Influência invisível

Outro dia um leitor nos perguntou porque nenhum time copiava o estilo de jogo do San Antonio Spurs, que ele chamou de “o time mais europeu” da NBA. Achei que era um bom tema, afinal costumamos ver muitos times de sucesso serem imitados, mas com o Spurs os exemplos não são tão claros e óbvios assim.

Pop Duncan Manu

Lembro que esta pergunta era também bastante comum na época em que Phil Jackson dominou a NBA treinando o Chicago Bulls de Michael Jordan e depois o Los Angeles Lakers de Shaquille O’Neal e Kobe Bryant. Por que não existiam mais times tentando implantar o sistema de triângulos que rendeu tantos títulos ao treinador? A resposta é simples: era muito difícil. Não é um esquema ofensivo comum, usado em todos os lugares, então não

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são muitos os técnicos especialistas em treinar e executar todas aquelas movimentações. Depois tinha o caso dos jogadores, o time precisava ter pelo menos uns três passadores muito acima da média, vários jogadores versáteis e ao menos dois caras que pudessem ser ameaças reais à defesa se recebessem a bola no pivô (não necessariamente ser o pivô, porém).

Tudo isso afastava os outros times dos triângulos, além, claro, da ideia bastante difundida de que a parte tática era um mero detalhe e que qualquer outro esquema poderia render títulos com elencos que tinha Jordan, Pippen, Kobe ou Shaq. A NBA, com sua quantidade enorme de jogadores espetaculares, sempre foi vista como uma liga de jogadores, não de técnicos. Ganha quem tem os melhores atletas; um bom técnico com elenco médio pode fazer campanha honrosa, mas nunca bateria uma super estrela nos Playoffs.

Esta ideia não está totalmente errada. Como mostra bem esse longo estudo publicado no RealGM ao longo da última offseason, só ganha títulos da NBA quem tem no seu elenco jogadores que podem ser considerados um dos maiores de todos os tempos. Ou seja, se você não tem LeBron James, Kevin Durant, Chris Paul, Kobe Bryant ou Tim Duncan, provavelmente é melhor nem ficar colocando muita esperança em acabar a temporada com um anel de campeão no dedo. No máximo você pode torcer para que seu jovem jogador de potencial, como Paul George, Kyrie Irving ou Anthony Davis, esteja chegando neste nível o mais rápido possível.

O outro lado, até óbvio e que não anula a parte verdadeira da ideia, é que só a super estrela não é o bastante. O que define o título entre LeBron, Durant e Duncan? Por um lado é o trabalho do General Manager, responsável por colocar os jogadores secundários em volta deste cara espetacular. Colocar Ray Allen, Chris Bosh e Dwyane Wade ao lado de LeBron James foi essencial para o título do ano passado, por exemplo. Perder James Harden dificultou o trabalho de Kevin Durant. Outra parte é, finalmente, o trabalho do técnico, a parte tática. A evolução do Miami Heat em entrosamento e disposição tática foi a diferença entre o vice de 2011 e o título de 2012. Ter LeBron James foi parte do título, saber usá-lo na posição 4 foi uma sacada tática decisiva.

Digo tudo isso porque a ideia de clonar o San Antonio Spurs soa perfeita, mas você tem aí um Tim Duncan sobrando para começar o projeto? E uma versão do Tony Parker? É difícil de achar. O sistema Spurs parece bem simples, mas depende de algumas coisas básicas bem difíceis de achar.

A primeira é uma estrela que aceite o tão elogiado jogo coletivo imposto pelo técnico Gregg Popovich. No discurso vários topam, mas quantos pivôs do nível de Tim Duncan aceitam ficar sempre passando a bola quando recebem marcação dupla, mesmo que seja para o arremesso de um desconhecido como Danny Green? Poucos. Ou só aceitariam no desespero, já velhos, querendo um título a qualquer custo. E não é só passar a bola, Tim Duncan sabe ser amigo fora da quadra, sabe dar exemplo, cobrar, não entra em conflito com Popovich e é fiel à franquia desde que chegou à NBA. Impossível um jogador não comprar a ideia tática do Spurs quando ele chega lá e vê Tim Duncan, um dos maiores de todos os tempos, levando aquilo tão a sério.

Podemos colocar também Tony Parker e Manu Ginóbili na lista de coisas difíceis de achar por aí. Existem outros especialistas em infiltração como os dois, é verdade, mas são poucos os que teriam a paciência de Parker, que por anos foi um jogador secundário, burocrático e que aguentou as broncas mais pesadas que já vi Popovich dar em alguém. Já Manu, bom, sabemos o drama que é colocar uma super estrela no banco de reservas, temos que valorizar um jogador que até prefere vir do banco e não faz drama por isso.

E é mesmo fora de quadra que estão as coisas mais difíceis de se imitar no San Antonio Spurs. Muitos times teriam draftado Kawhi Leonard (na verdade foi até o Pacers que o pegou, o trocando rapidamente por George Hill), mas quantos iriam conseguir transformá-lo em um arremessador tão bom de longa distância? Pouquíssimos. Podemos lembrar também de Tiago Splitter, o brasileiro que chegou na NBA já com 26 anos e acertando apenas 54% de seus lances-livres, sendo até explorando em quadra por isso, e que hoje tem média de 72% de aproveitamento. Ao redor da liga jogadores não se curam desse mal, no Spurs parece uma das coisas mais simples do mundo. E o que dizer de Danny Green, que parecia um jogador horrível e sem futuro na NBA quando atuava no Cavs. O Spurs melhorou seu arremesso, treinou sua defesa e ano passado o cara foi o melhor jogador das primeiras 4 partidas da final da NBA. Da final!

Neal Green Splitter

Quando me dizem, portanto, que deveriam imitar o Spurs, eu concordo, mas concordo pensando nesse aspecto de fora da quadra. Tudo bem que não dá pra treinar um cara para ele virar o Kobe Bryant, mas mesmo depois dos 20 e muitos anos ainda é possível pegar um jogador pronto e treinar aspectos importantes do seu jogo. São tantas variáveis na contratação de um jogador, que ter uma equipe capaz de treinar qualquer jogador é como ter um eterno coringa na manga. Ontem saiu uma notícia dizendo que o Malcolm Thomas (tudo bem você não conhecê-lo ainda) desenvolveu muito seu arremesso, como o Spurs havia pedido, na D-League e que ele estará com o time principal em breve para ser o ala de força com arremesso de fora que o Popovich tanto queria. Enquanto isso, metade da NBA tenta fazer malabarismo para comprar o produto pronto, Ryan Anderson.

Lembro que há alguns anos disse que o Atlanta Hawks estava se transformando no “Spurs do Leste”. Meio sério, meio exagero, disse isso porque eles estavam montando o time com paciência, com foco na defesa e em jogadores com pouco estrelismo, no caso Al Horford e Joe Johnson. A boa movimentação de bola, pelo menos no início daquela temporada 2009-10, também motivou a comparação. Curiosamente, anos depois, o Hawks tem muito do Spurs em seu DNA: seu General Manager, Danny Ferry, trabalhou na parte burocrática do Spurs entre 2003 e 2005, e seu técnico, Mike Budenholzer, trabalhou no Spurs desde 1994 até está temporada, quando foi contratado pelo Hawks. Era o mais cotado para herdar a posição de Gregg Popovich após sua aposentadoria.

No Atlanta Hawks, Budenholzer levou muito do que aprendeu com Gregg Popovich. O foco defensivo ainda não se transformou em identidade do time, mas impressiona como eles sofrem menos pontos por posse de bola do que no ano passado, mesmo tendo perdido Josh Smith, teoricamente melhor defensor da equipe. No ataque, muito mais passes do que no passado recente, especialmente na era “ISO-Joe” com Joe Johnson. E quem mais se beneficia disso é Jeff Teague, que renasceu das cinzas para se tornar uma das grandes surpresas da temporada. Com 9.2 infiltrações por jogo, Teague é um dos líderes da NBA no quesito, praticamente empatado com… é, Tony Parker. O problema vêm na qualidade: Parker tem ignorantes 59% de acerto de arremessos em infiltrações, Teague tem apenas 41%. Mas as infiltrações de Teague estão lá rendendo pontos para Paul Millsap e espaço para a intensa movimentação de Kyle Korver, o Danny Green de Atlanta. Mas talvez a grande sacada de Budenholzer seja não imitar demais, tentar transformar Horford em Duncan seria não saber explorar seu melhor jogador, e isso ele não faz.

A parte da movimentação de bola é característica do time que eu acho o que mais lembra o Spurs nesta temporada, o Portland Trail Blazers. Em entrevista ao TrueHoop, LaMarcus Aldridge diz que seu técnico, Terry Stotts, já mostrou diversos vídeos do Dallas Mavericks de 2011, onde Stotts era assistente, para mostrar coisas novas ao time. Mas se prestarmos atenção na hora que Aldridge descreve o ataque deles, é puro Spurs: muita movimentação de bola, mais movimentação ainda dos jogadores sem a bola e muitos, infinitos bloqueios. Tudo isso com um ala de força que tem enorme facilidade para jogar longe da cesta, o próprio Aldridge no papel de Duncan, e um armador que quebra defesas, Damian Lillard que, não por coincidência, está lá pertinho de Teague e Parker nas estatísticas de infiltrações por jogo. Até Mo Williams individualista atacando sem medo quando vêm do banco é algo meio Ginóbili, e Nicolas Batum é o defensor atlético que Kawhi Leonard é em San Antonio.

Na mesma entrevista, Aldridge diz que na última offseason pediu um pivô-pivô (tipo zagueiro-zagueiro) que fosse forte e que não saísse da área pintada, protegendo o garrafão e buscando rebotes de ataque. Eles conseguiram Robin Lopez, que faz essa função trabalho sujo da mesma maneira que Tiago Splitter, dando liberdade para Aldridge usar seu jogo refinado mais longe da cesta.

Mas nada diz mais Spurs do que tudo isso resultar com um belo arremesso, sem marcação, da zona morta. Nesta temporada, contando até hoje, os dois times deram exatamente 82 arremessos da zona morta do lado esquerdo, com o Spurs vencendo o aproveitamento por 51% a 49% (é muito acerto pra bola de 3!); no lado direito uma diferença mínima, Spurs com 61 tentativas contra 49 do Blazers, mas aí o time do norte vence o do Texas por 45% a 32% no aproveitamento. Até algumas semanas atrás, quando consegui pela última vez o número certo, os dois times eram os que mais arremessavam de três pontos da zona morta na NBA.

Pela presença de Parker e o jogo de garrafão de Duncan, o Spurs acaba arremessando algumas vezes mais perto da cesta, enquanto o Blazers fica um pouco mais limitado aos arremessos de meia distância de Aldridge, mas o princípio é o mesmo. Na mesma entrevista citada acima, Aldridge diz que a grande diferença do time em relação ao ano passado é que eles não param quando uma jogada não dá certo. Se não rolou de primeira, ok, mais um bloqueio, mais um passe e alguém, eventualmente, ficará livre. O excesso de bloqueios é o que faz, sempre, Parker acabar sendo marcado por aquele cara que você sabe que não deveria marcá-lo no mano a mano. É infalível.

Por mais que as jogadas sejam diferentes entre os times, fruto de elencos diferentes, o princípio Spurs está lá. Às vezes ele é tão simples que parece só basquete óbvio, não algo específico do time de Popovich, mas é por isso que eles são tão bons. Jogam o simples, mas sempre no nível mais eficiente possível.

Parker Lillard

A resposta ao nosso leitor, portanto, é que, sim, existem muitos times imitando o San Antonio Spurs por aí. Eles apenas não imitam em tudo. Muitos, por influência do Spurs, perderam o preconceito contra jogadores estrangeiros, outros adotaram a movimentação de bola, outros viram a importância das bolas de 3 da zona morta, alguns foram para a filosofia defensiva. Outros apenas pegaram a maneira de treinar o time, ou de montá-lo.

Talvez não seja tão óbvio de perceber porque o próprio Spurs passou por algumas boas mudanças nos últimos anos. Popovich tinha um time mais lento quando usava Bruce Bowen e David Robinson, hoje é mais veloz com Splitter e Kawhi Leonard, já usou mais e menos as bolas de 3 pontos, já teve Duncan perto ou longe da cesta. Já teve armador burocrático no passado e agora um ataque que começa com Parker buscando seus pontos. Alguns detalhes citados acima, como os bloqueios infinitos e as bolas da zona morta, estão sempre lá, mas como eles chegam nisso muda o tempo todo. O time se torna rígido taticamente ao longo do ano, mas Pop não é rígido ao ponto de querer sempre fazer a mesma coisa, todo ano.

Nada mostra mais a influência Spurs na NBA do que uma singela lista de nomes: já citamos no texto Danny Ferry e Mike Budenholzer, do Hawks, mas Jacque Vaughn, técnico do Magic, foi assistente de Popovich também. Brett Brown, técnico do Sixers, também era assistente de Pop até 2013. Avery Johnson (ex-técnico do Nets e Mavs), foi campeão da NBA como jogador no Spurs, atuando para Popovich, no mesmo time que tinha Vinny Del Negro, ex-treinador de Bulls e Clippers. Sam Presti, General Manager do OKC Thunder, começou sua carreira como assistente de RC Buford, manager do Spurs. Lance Blanks, ex-GM do Phoenix Suns, foi scout do Spurs durante quase uma década, na mesma época em que Dell Demps, hoje GM do Pelicans, trabalhava na diretoria do time. Falando em Pelicans, o técnico deles, Monty Williams, jogou no Spurs e fazia parte da comissão técnica campeã com Popovich em 2005. Por fim, Mike Brown, de volta como técnico do Cleveland Cavaliers, foi importante assistente para Pop durante muitos anos.

Em entrevista à ESPN, Sam Presti disse que a maioria das coisas que aprendeu com Buford e Popovich não são relacionadas ao basquete dentro de quadra. Elas tem a ver com organização da equipe, relacionamento com os jogadores, treino e condições de trabalho. Até hoje ninguém aprendeu a achar talentos no Draft como eles, nem a treinar jogadores teoricamente já prontos, mas a influência, dentro e fora da quadra, está espalhada ao redor da liga.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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