Jeremy Lin é do Houston Rockets

Ontem o New York Knicks anunciou oficialmente que não irá igualar a oferta feita pelo Houston Rockets para o armador e popstar Jeremy Lin. Como explicamos nesse post sobre a estratégia do Rockets para essa offseason, o contrato de Lin era cheio de pegadinhas. O total era de 25 milhões por 3 anos, mas para o Knicks a divisão dos anos de salário seria de 5 milhões por cada um dos 2 primeiros anos e a bagatela de 15 milhões no último ano. Esses 15 milhões cairiam justamente no ano em que o Knicks terá que pagar 23 milhões de dólares para Amar’e Stoudemire, outros 23 milhões para Carmelo Anthony e 14.5 milhões para Tyson Chandler.

 

Analisar a decisão do New York Knicks de deixar a maior sensação da última temporada mudar de time é complicado, existem muitas coisas em questão, não só o valor do salário ou sua produção em quadra. E antes de mais nada é preciso que deixemos claro quem decidiu que eles não iriam manter Lin: James Dolan, o dono do New York Knicks. Segundo repórteres que cobrem o time de NY foi do dono da franquia, o cara que pagaria as multas quando o time ultrapassasse o teto salarial, que deu a palavra final para deixar o maior gênio (no sentido acadêmico, claro) da NBA ir para Houston. Nada de culpar, portanto, o General Manager Glen Grunwald aqui.

Os mesmos repórteres dizem que a razão de James Dolan ter tomado essa decisão foi por causa da postura de Jeremy Lin nos últimos meses. Primeiro não gostou quando o armador contratou um pessoal próprio para cuidar de sua imagem e publicidade, não utilizando o pessoal do próprio Knicks. Também falaram que Dolan ficou com raiva de Lin por ele ter assinado esse contrato “envenenado” do Rockets, que claramente custaria horrores em salário e multas daqui alguns anos. O curioso é que a estratégia de Dolan e do Knicks nessa offseason foi clara: Antes de pagar Lin, deixariam ele assinar com qualquer equipe, “para testar seu valor de mercado” e aí igualariam a oferta por ele ser um Free Agent Restrito. Apenas não esperavam que esse tal de valor de mercado teria um ano de 15 milhões de verdinhas. Dolan, irritado, se sentiu traído e decidiu não igualar a oferta. Fontes próximas ao dono do time até falaram que nem tinha a ver com dinheiro, mas mais com a suposta atitude desleal de Lin que “não havia mostrado lealdade ao Knicks como a franquia tinha mostrado ao jogador”.

Eu preciso mesmo explicar em como tudo isso é uma asneira do tamanho do mundo? Jeremy Lin disse com todas as letras que seu ano no Knicks foi o melhor da sua vida e que ele queria ficar lá. O que ele fez foi apenas o que o Knicks disse que deveria fazer e o que, claro, era o melhor pra ele. Curioso que Lin afirmou à SportsIllustrated que no fim das contas a oferta do Rockets foi a única que ele recebeu em toda a NBA! O Knicks decidiu esperar, alguns outros times só o sondaram, sem oficializar nada, e ele acabou assinando com a única opção que tinha. A impressão é que o Knicks foi um marido controlador que deu o cartão de crédito para a mulher, disse para ela comprar qualquer coisa e logo depois reclamou que o vestido era muito caro: “Gaste o quanto quiser, desde que custe menos de 50 conto”.

A história da lealdade é de uma fantasia idiota, acho que dita só para ver se os torcedores caem nessa. Na NBA ninguém é bonzinho com alguém, como em qualquer esporte profissional todo mundo visa o que é melhor para si: Os jogadores querem jogar, ser titulares e ganhar dinheiro. Os times querem economizar o máximo possível e montar times que lutem por títulos. O Knicks não deu uma chance à Lin por dó, mas porque precisavam de um armador. Se tivesse ido mal teria dado o fora antes mesmo do fim da temporada. O jogador não tinha nenhuma obrigação de ficar lá só por consideração. E olha que ele queria, na mesma entrevista à SportsIllustrated ele conta como estava empolgado após várias conversas com o técnico Mike Woodson sobre os planos para o próximo ano.

 

Mas a coisa fica pior para o Knicks. Considerando que o time realmente estaria acima do teto salarial na temporada 2013-14, o contrato de Jeremy Lin custaria aos cofres do time quase 45 milhões de dólares. 15 do salário propriamente dito e mais 30 da multa por ter ultrapassado o “luxury tax“, limite que os times podem gastar sem serem punidos. É caro, óbvio, mas será que não é pago pelo próprio jogador? Apenas no 3º jogo de Jeremy Lin no Madison Square Garden na temporada passada, quando a Linsanity ainda estava tomando forma, o valor dos ingressos disparou, foi às alturas e ninguém ligou, pagaram para ver o garoto. A camiseta de Jeremy Lin foi a mais vendida da última temporada em todos os EUA, superando LeBron James, Kobe Bryant, Derrick Rose e qualquer outro. O cara saiu na capa da revista TIME, da Sports Illustrated e o Knicks foi notícia em todo o planeta. Tudo isso cativando os 450 mil cidadãos de origem Taiwanesa, como Lin, que vivem em Nova York. Repito, 450 mil Taiwaneses! Segundo essa matéria do New York Times é mais do que toda a população de cidades como Miami, Atlanta ou Cleveland.

Ou seja, o mercado para o Knicks faturar em cima de Jeremy Lin superava com muita facilidade os milhões que eles gastariam daqui 3 anos. Isso sem contar que os dois primeiros salários, de 5 milhões cada, são uma baba. Que outro armador titular na NBA (e Mike Woodson disse que ele seria titular) ganha tão pouco? Só os que ainda estão em

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seu contrato de novato. Segundo a mesma matéria citada acima, o valor da Madison Square Garden Company, que controla o Knicks, o ginásio Madison Square Garden, o canal de televisão do grupo e cujo Dolan é dono, se valorizou em 250 milhões só em Fevereiro durante a Linsanity e seu valor de mercado cresceu 600 milhões desde o primeiro jogo de Lin como titular do Knicks.

E tem mais um detalhe que passou despercebido por muita gente e que é possível que James Dolan nem saiba. No novo CBA, como explica o especialista-deus no assunto, Larry Coon, existe uma regra chamada “stretch provision”. É um artifício para que times que estão pagando multas possam parcelar alguns salários e assim economizar nos pagamentos extras. Explico: os times podem pegar salários de jogadores dispensados ou em seu último ano e dividir o seu valor ao longo de alguns anos. O jogador ganha sua grana normalmente, mas na conta do salary cap (que define o quanto o time paga e se deve multas) é dividida em prestações curtas ao longo de alguns anos. Ou seja, o Knicks iria faturar muito com Jeremy Lin, poderia economizar e a média de 8 milhões por ano é mais do que justa para um armador titular na NBA. Em termos de dinheiro a decisão foi um desastre sem tamanho.

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Sobre as críticas ao contrato ser “justo” para o que jogou Lin, algo deve ser deixado claro: Desde quando os contratos da NBA são justos? Ano após ano as pessoas ficam desesperadas a cada novo contrato firmado “nossa, trocentos milhões por tal pivô ruim”, “uau, um zilhão por um cara velho” e por aí vai. Várias coisas entram em jogo na hora da negociação: O time tem dinheiro para gastar? Então o jogador e seu agente cobram mais. O time está desesperado pelo jogador, achando que ele é a peça que falta para o título (Rashard Lewis, Magic)? Enfia a faca no contrato. O jogador quer reconquistar seu espaço na NBA e tem poucos times atrás dele? Oferece mixaria. Se é pivô razoável, raridade na NBA, vai ganhar mais que um ala realmente bom. O cara é um descendente de asiáticos que fez a audiência dos jogos do time quadruplicar na China? Ganha muito. Sem contar que às vezes você precisa oferecer mais que o cara “merece” só para ganhar a disputa, tirá-lo de outro time. É o que o Rockets tinha que fazer para arrancar Lin de Nova York.

Bobagem do “ele merece ou não” à parte, vamos para a parte do basquete. Se financeiramente Lin é um grande negócio, como é ele dentro de quadra? Afinal ele precisa ao menos ser relevante para o time para continuar rendendo mídia e fãs, não precisa meter 38 pontos no Lakers como no ano passado, mas manter as médias de 15 pontos e 6 assistências é o mínimo.

Não dá pra ignorar que o melhor momento de Jeremy Lin na última temporada foi sob o comando de Mike D’Antoni, que montou um time que funcionava com um ataque cheio de movimentação e baseado em pick-and-rolls, jogada onde Lin se destacou por conseguir atacar a cesta e até envolver Tyson Chandler e Landry Fields no ataque. Esse time não existe mais. Depois de uma má fase, D’Antoni caiu fora e deu lugar a seu assistente Mike Woodson, que montou um time mais centrado em Carmelo Anthony, que então havia voltado de contusão, com mais bola dentro do garrafão e jogadas individuais. Sob a sombra da dominância de Carmelo, Lin não foi mais o centro do jogo.

Logo no primeiro jogo de Lin com Woodson ele tentou apenas 4 arremessos enquanto Carmelo e Stoudemire tomaram conta do ataque. Mas aos poucos o armador foi se soltando, nos 7 míseros jogos sob o comando de Woodson (todos como titular), antes de Lin machucar o joelho e encerrar sua temporada, suas médias foram de 13 pontos e 5 assistências por partida. Nada mal se você considerar a mudança drástica no sistema, as dificuldades naturais de um novato e o fato do técnico ter segurado Lin abaixo dos 25 minutos jogados em 4 dessas partidas. Mesmo sem o brilho de antes, Lin estava se adaptando e continuou produtivo.

Entendo que Jeremy Lin possa não ser o armador dos sonhos para o sistema que Woodson tenta implantar, ou talvez não seja considerado “armador de time campeão”, mas quem é nesse Knicks? Jason Kidd chegou ao time já com 39 anos e o próprio técnico disse que ele tinha sido contratado para ser reserva de Lin. Aliás Kidd sabia disso e afirmou que iria ajudar o novato a aprender a jogar em outros ritmos e velocidades, não só no modo frenético e veloz que ele sempre tentava impôr. Aprendizado que cedo ou tarde Lin precisa receber. Outro que não chega para resolver o problema é Pablo Prigioni, o veterano argentino que foi contratado pelo salário mínimo de novato só para ajudar na rotação. Difícil imaginar ele aguentando jogar muito tempo no ritmo da NBA a essa altura de sua carreira.

Quem deve ser titular no fim das contas é Raymond Felton, que acabou de ser adquirido numa troca que enviou os direitos do recém-draftado Kostas Papanikolau, Jared Jeffries e Dan Gadzuric para o Portland Trail Blazers por Felton e o pivô veterano Kurt Thomas. Felton já teve boa passagem pelo Knicks na temporada 2010-11. Foram apenas 54 jogos, mas foi o melhor momento de sua carreira: teve 17 pontos e 9 assistências por jogo nesse período e foi quando provou que poderia mesmo armar o jogo na NBA. Mas logo depois no Denver Nuggets voltou a ser improdutivo como era no Charlotte Bobcats e ano passado no Blazers foi um desastre ainda maior, apareceu gordo para a temporada, não entrou em forma, cometeu erros grosseiros em quadra, brigou com o técnico, pouco obedecia e a torcida o odiava mais do que qualquer coisa.

Posso entender os argumentos de quem é contra Jeremy Lin. Realmente ele nunca pareceu grande coisa antes da NBA e tem pouco tempo de experiência dentro da liga, apenas 35 jogos na temporada passada, mas existe opção melhor? O Knicks não conseguiu Steve Nash como sonhavam, não tem chance para contratar qualquer outro grande armador Free Agent nos próximos anos e por troca só podem conseguir alguém de destaque se um time louco topar receber o contrato zilionário de Amar’e Stoudemire e liberar um bom armador em troca. Pouco provável. Dentro desse cenário existe alguém melhor que Lin, por mais pontos de interrogação que ele traga? Raymond Felton é até bom, mas não apresenta muito mais certezas, afinal vai ser o bom jogador de 2 anos atrás, o cara apagado e individualista dos tempos de Bobcats ou o gordo indisciplinado do Blazers? Mesmo que fosse por falta de opção, Lin deveria ter tido seu contrato renovado.

Ainda tem a questão dos turnovers, já que há quem diga que não vale a pena manter um armador que comete tantos desperdícios de bola em quadra. Esse argumento é o mais fraco na minha opinião. Segundo o SynergySports Jeremy Lin ficou na frente de Felton e Kidd em pontos por posse de bola, estatística que conta os pontos produzidos por cestas ou assistências em cada posse de bola do jogador. Já nos turnovers Lin teve porcentagem de turnover por posse de bola quase igual a de Felton (21 a 19) e superior ao de grandes armadores como Steve Nash e Rajon Rondo. Quem força o jogo erra, é normal. E mesmo ignorando esses números, uma coisa é simples: O cara estava no seu primeiro ano de verdade na NBA, tentou colocar um ataque inteiro nas costas e foi ultra agressivo. Era natural que cometesse muitos erros. Assim como é natural que todo armador na NBA ganhe experiência e passe a arrumar esse lado do seu jogo. Não consigo lembrar de um armador que tenha entrado na NBA conseguindo equilibrar agressividade e erros. Os que erram pouco são porque são burocráticos, não é o caso de Lin.

Por fim existe a tal polêmica sobre Carmelo Anthony e JR Smith serem contra a renovação de contrato de Jeremy Lin. Por um lado Melo disse que o contrato era “ridículo”, mas logo depois afirmou que adoraria tê-lo de volta no time. Acho que ele sente algum ciúme, é estrelinha, mas sabe que não pode se queimar falando mal do cara que a torcida ama. Se Melo quer vencer precisa de um armador e Lin era a melhor opção disponível, eventualmente iria entender isso. Já JR Smith… alguém ouve esse cara? Garanto que Tyson Chandler, que gosta de Lin, tem bem mais influência no vestiário da equipe. Realmente duvido que isso tenha pesado na decisão de Dolan. No máximo ele iria mandar Mike Woodson mandar o time ser adulto e parar de fazer cena.

É hora da revisão: Hoje aprendemos que o dono do NY Knicks, James Dolan, é um babaca. Seu mimimi fez o Knicks perder a chance de manter um dos grandes ídolos que o time descobriu no passado recente e que rendia rios e rios de dinheiro para a franquia. Também aprendemos que por mais que Jeremy Lin não fosse o salvador da pátria e o melhor armador do mundo, ele era a melhor e mais confiável opção de armador titular para o Knicks nas próximas temporadas. Burrice das grandes, na minha opinião, não manter Lin em Nova York.

Por sorte, o Knicks tem umbom time e um técnico que introduziu ótima defesa no fim da última temporada. Raymond Felton, apesar de uma incógnita, tem suas chances de ser bom armador e conduzir o Knicks até estágios avançados dos Playoffs. Afinal ao lado dele terá Carmelo Anthony, sempre um dos melhores pontuadores da NBA e Tyson Chandler, eleito melhor defensor da última temporada, e razoável elenco de apoio. O time é bom e pode ir longe, não dependiam de Jeremy Lin para isso, mas perderam uma boa chance de serem ainda melhores (e mais lucrativos).

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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