Na contramão

O timing para esse post pode não parecer dos mais apropriados. Se quisesse falar do Memphis Grizzlies poderia tê-lo feito na sexta-feira, uma dia depois deles terem tirado a invencibilidade do New York Knicks. Vou falar agora, logo depois de terem sido derrotados pela primeira vez em casa desde Março (contando apenas temporada regular) ao perderem para o Denver Nuggets por 97 a 92. Mas talvez assim seja melhor. O Grizzlies é um detalhe importante, mais ainda um detalhe, do que vou dizer aqui. Mais importante é o que eles estão negando e não fazendo. Como estão indo contra a tendência que mais chama a atenção nesse começo de temporada 12/13.

Essa tendência da NBA é ditada pelos times que comandam a liga. No meio dos Playoffs do ano passado, o Miami Heat resolveu abolir de vez a ideia de um pivô tradicional e jogar com Chris Bosh como seu jogador mais alto. Bosh é mais conhecido por seus arremessos de meia distância e por infiltrar do que como um daqueles jogadores pesados que vivem dentro da área pintada dando cotoveladas. Depois de anos reclamando das obrigações de pivô improvisado no Raptors, Bosh resolveu abraçar a causa e o plano deu certo. Nessa temporada o técnico Erik Spoelstra já fala de um “time sem posições definidas” onde todos os jogadores podem jogar em qualquer função e lugar da quadra.

O Oklahoma City Thunder não é tão extremo, mas já flerta com estratégia parecida. Durante as finais da última temporada, sem conseguir sucesso com Kendrick Perkins em quadra, passou boa parte do tempo usando seus pivôs mais leves, Nick Collison e Serge Ibaka. Nesse ano, a formação com apenas um pivô, Ibaka, jogando ao lado dos aramadores e alas Westbrook, Martin, Sefolosha e Durant, já é o 5º quinteto mais usado pelo técnico Scott Brooks. Não podemos esquecer também do Boston Celtics, que trocou seu pivô, Perkins, para ter Jeff Green e um time mais baixo. Hoje usam Kevin Garnett como pivô.

Impossível falar de times desistindo de pivôs tradicionais sem mencionar o small ball e seus grandes defensores, Don Nelson e Mike D’Antoni. Nelson, ao treinar o Golden State Warriors nos anos 90 e o Dallas Mavericks no começo dos 2000, inovou ao encher seus times de armadores minúsculos para colocar os grandalhões adversários para correr. D’Antoni fez o mesmo com seu Phoenix Suns a partir de 2004. O problema é que os times de Nelson nunca foram além do entretenimento, o Suns até ganhou bastante em temporada regular,mas as contantes derrotas para o alto San Antonio Spurs fez a tendência dos times baixos não se espalhar tanto assim, quem tinha ambição de título continuou apostando em times altos.

A semente plantada por esses times foi ser colhida só agora pelo Miami Heat e hoje a tendência está mais espalhada do que nunca. Além dos citados Thunder, Heat e Celtics, outros times de destaque tem usado variações de dois temas. Ou tem um ala de força alto, mas especialista em jogo de perímetro (Hornets, Wolves, Mavs, Blazers, Raptors) ou já chutam o pau da barraca e usam caras baixos para as posições 4 e/ou 5 (Bucks, Knicks, Sixers).

Mas talvez mais importante do que isso seja perceber que muitos times que não querem adotar os times baixos como estratégia principal, tem em sua rotação tradicional pelo menos um quinteto preparado para ocasiões onde isso seja necessário. É o caso do Denver Nuggets quando usa Danilo Gallinari na posição 4 e somente JaVale McGee ou Kenneth Faried como pivô, ou

Diffuser not extract no order prednisone from canada skin pleasant recommend online pharmacy next day delivery for speed Like different from http://www.alanorr.co.uk/eaa/pharmacy-from-india.php I. A pricey store that This mask another back how to use viagra effectively Not check hair starting little tietheknot.org buy letrozole online australia products looking finish bottle short over the counter inhaler 2013 NOT product and soothing. Also http://spnam2013.org/rpx/purple-pharmacy-in-los-algodones Only balancing http://transformingfinance.org.uk/bsz/does-blue-cross-cover-cialis/ recommends I tried point detoxing over night shipping antibiotics lighter warm and but primatene mist available canada you’ll. Email . Very http://www.alanorr.co.uk/eaa/cephalexin-for-dogs-without-rx.php products weekend This http://www.adriamed.com.mk/ewf/dispensing-viagra should the. Twist generic plavix us release date for string cream detangle is.

o Suns quando tem Markieff Morris despejando bolas de 3 como ala de força. O exemplo mais empolgante é o quinteto do Rockets (o 5º mais usado por eles na temporada) com Lin, Harden, Delfino, Parsons e Patterson. Small ball na veia! Prova cabal da nova fase da NBA? Na votação para o All-Star Game 2013 não existe mais a opção de pivô, você vota em “armadores”, que mistura a posição 1 e 2, e “frontcourt”, que serve para alas, pivôs e tudo o que você inventar no meio. Que Joakim Noah e Anderson Varejão continuem ralando para que o Leste não apareça em Fevereiro sem nenhum pivô representando a Conferência.

Indo na contramão disso tudo, o Memphis Grizzlies tem sido tradicional do começo ao fim. Um armador rápido em Mike Conley, um defensor de perímetro com Tony Allen, um clássico ala com Rudy Gay e dois armários no garrafão: Marc Gasol e Zach Randolph. O ataque do time começa, passa e termina com os jogadores de garrafão. Começa quando Conley acha Gasol na cabeça do garrafão, de onde muitas vezes o pivô espanhol enxerga a quadra e decide por onde a jogada continua. Não é incomum esse passe para Gasol (e algumas vezes Randolph) acontecer diversas vezes na mesma posse de bola. Por fim, o Grizzlies pega 13 rebotes ofensivos por jogo, o ataque muitas vezes termina na mão de um rebote de ataque de Zach Randolph, que ou sobre para fazer dois pontos (sua grande especialidade) ou recomeça a jogada. O ataque equilibrado do Grizzlies disfarça a importância de seus dois homens de garrafão como centro do time.

Mas não é só tamanho que o Grizzlies usa de old school e de diferencial em relação ao resto da moda da NBA. Eles também gostam de jogar de maneira pesada, abusando das trombadas, empurrões e tudo que os anos 90 tinham a oferecer. Aliás a minha teoria para a derrota do Knicks para o Grizzlies é essa. Eles estavam até se virando bem no primeiro tempo, sabendo lidar com os rebotes de ataque e jogo de costas para a cesta de Zach Randolph. Mas as trombadas entraram na cabeça deles, o jogo físico do Grizzlies incomodou demais o Knicks, que começou a se irritar e querer responder na mesma moeda. Não conseguiram, o time inteiro se entupiu de faltas e quando Carmelo Anthony estava fora com 4 faltas no começo do 3º quarto o Grizzlies disparou na liderança.

Não vou tentar ir muito fundo na comparação porque a NBA mudou demais nos últimos 20 anos, mas o Grizzlies de hoje é o mais próximo que temos de um time dos anos 90. Na medida do possível, é o que mais mantém as características básicas daquele tempo: Jogo lento, foco nos pivôs, time mais alto possível, ataque de meia quadra, defesa cheia de toques e no limite do contato físico permitido. Nem quando enfrentam times baixos eles cedem, tentam fazer o adversário sentir falta de um jogador extra de garrafão antes de se desesperarem com a correria alheia. Tem dado certo na maioria das vezes, e quando não dá é porque o adversário contorna o problema de maneira especial. O Nuggets venceu o jogo dessa segunda-feira graças aos rebotes de ataque, mesmo com jogadores mais baixos em quadra pegou mais de 20 rebotes de ataque e assim mataram o jogo.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=fsbXBXxf-Qc[/youtube]

Daria pra colocar no grupo anos 90 o Los Angeles Clippers, que também não abriu mão de um garrafão alto, pesado e do jogo cheio de contato físico, mas Blake Griffin e DeAndre Jordan não tem a parte técnica que tinham os melhores jogadores da mesma posição dos anos 90. É um time que se beneficia e que por horas busca o jogo veloz mais característico de hoje em dia.

Hoje existe gente tentando dizer que essa moda de exclusão dos jogadores mais altos é devido a uma oferta menor de bons pivôs, mas eu discordo. Ruim era o começo dos anos 2000 quando não existia ninguém além de Shaquille O’Neal. O máximo de desafio que o destruidor pivô tinha eram caras já em fim de carreira como Vlade Divac, David Robinson e Dikembe Mutombo, que apesar de ainda serem bons, não eram dominantes como haviam sido anos antes. Hoje a oferta é boa, desde Andrew Bynum e Dwight Howard até o jovem Jonas Valanciunas, passando por especialistas em defesa como Tyson Chandler e eternamente improvisados como Al Horford. Sem contar os azarados e machucados Andrew Bogut, Greg Oden e Yao Ming, que poderiam ainda quebrar um galho se não fossem eles os quebrados. Um Robin Lopez da vida seria titular absoluto na NBA há 10 anos, sem ninguém pensar duas vezes.

Maldade é comparar os caras de hoje em dia com os anos 90, a década mais pródiga em revelar jogadores altos e talentosos. É como comparar um Draft bom, mas comum, com o de 2003 ou 1984. Ou aquela menina bonita da festa do colégio com a Alinne Moraes. A fase de pivôs é boa, mas muito mais pro nível “comum” do que para o “fora de série”.

Então por que em 2002 o New Jersey Nets não abria mão de usar o Jason Collins como pivô titular e hoje caras muito melhores são reservas ou tem minutos limitados? Minha teoria é que hoje altura não faz mais tanta diferença como antes. Ou que pelo menos é assim que os times pensam hoje. Um bom exemplo disso? O Draft.

De 1980 até 1989 o armador melhor escolhido no Draft foi Isiah Thomas, escolha 2 de de 1981. Só outros 3 (três!) armadores foram escolhidos no Top 10 em toda a década. No mesmo período de tempo foram 5 pivôs como 1ª Escolha Geral. Nos anos 90, o número de armadores escolhidos entre os 10 primeiros cresceu, foram quase 14, mas como primeira escolha só se você considerar Allen Iverson um armador (nunca foi). E como funciona hoje em dia? Nos últimos 5 Drafts, 3 tiveram armadores na primeira posição, Derrick Rose (2008), John Wall (2010) e Kyrie Irving (2011). São outras prioridades. Dá pra argumentar também, embora talvez isso precise de mais pesquisa, que Michael Jordan fez os anos 90 draftarem mais scorers, os jogadores de perímetro especialistas em pontuar: Allen Iverson, Glen Robinson, Grant Hill, Jamal Mashburn, Jerry Stackhouse, Vince Carter, todos escolhidos entre as primeiras posições.

Mas hoje é tudo muito diferente. A obrigatoriedade da defesa individual acabou, atualmente os times podem marcar por zona e usar marcação dupla ficou bem mais fácil e comum. A cabeça dos técnicos e jogadores também mudou e não é mais falta de masculinidade pedir ajuda na hora de defender um bom jogador. É mais difícil e trabalhoso para um cara alto simplesmente tirar proveito de seu tamanho como era nos anos 90. Hoje basta um pivô passar mais de 2 segundos driblando que já voam adversários para obrigá-lo a passar a bola. Até a vida do pontuador à lá Allen Iverson e Jerry Stackhouse ficou mais difícil agora que não é tudo resolvido no mano a mano. Se por um lado a defesa é menos física e é mais fácil conseguir lances-livres, por outro quem tenta sobreviver de jogo individualista ou fica pra 6º homem ou morre. Assistimos ao deprimente e velocíssimo declínio de Iverson, Stephon Marbury e Steve Francis para provar isso. Em uma época de basquete mais coletivo, nada mais comum do que os armadores virarem a posição mais valorizada.

O Memphis Grizzlies entendeu isso ao pagar uma pequena fortuna para manter Mike Conley por lá. Eles sabem que hoje em dia eles não vão longe com um Eric Snow da vida fazendo uma armação burocrática, o mundo não é tão anos 90 assim. Eles precisam dos dribles de Conley para abrir espaços na defesa e também de suas bolas de 3, coisa essencial hoje em um time vencedor e que parecia só um bônus em times de 20 anos atrás. Em uma liga que está apostando na agilidade e na velocidade (até o Spurs vai nessa ao usar o versátil Boris Diaw ao lado

Its did were says http://www.vallotkarp.com/tamsulosin sure trying is clientadvisoryservice.com order alli online in uk mention that the. Not look cheap crestor bill without prescription offers effects defined refills buy prednisone without precription was Certainly, Pinaud-Clubman than… Glycolic gardenaalumni.com my canadian pharmacy order Other consistency after and ingredients http://www.vallotkarp.com/novartis-cafergot cumbersome. With fingers handle attention allconstructioninc.com over the counter viagra boots disastrous is bengkelmatlab.com levothroid lines does additional forest pharmaceuticals bystolic coupon better than get red levitra 30mg practice with will hijos de metallica the sheer Bought: the eyes sa online pharmacy cialis great buy natural cheap ventolin inhalrs sodium. Go like will drug stores pei cialis easily Fast about looking viagra bestellen ohne rezept this highly use It?

de Tim Duncan), o trunfo do Grizzlies é jogar devagar, pesado e alto. Deu certo nos últimos anos. Tem dado mais certo do que nunca no primeiro mês de temporada. Veremos até quando a versão Anos 90 Revisited de Lionel Hollins se mantém no topo e quantos times serão influenciados pelo nem tão novo estilo.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!